O REI JESUS E A GERAÇÃO INCOERENTE
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LEITURA BÍBLICA
LEITURA BÍBLICA
Lucas 7.24–35
24 “Tendo-se retirado os mensageiros, passou Jesus a dizer ao povo a respeito de João: Que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?
25 Que saístes a ver? Um homem vestido de roupas finas? Os que se vestem bem e vivem no luxo assistem nos palácios dos reis.
26 Sim, que saístes a ver? Um profeta? Sim, eu vos digo, e muito mais que profeta.
27 Este é aquele de quem está escrito: Eis aí envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho diante de ti.
28 E eu vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém é maior do que João; mas o menor no reino de Deus é maior do que ele.
29 Todo o povo que o ouviu e até os publicanos reconheceram a justiça de Deus, tendo sido batizados com o batismo de João;
30 mas os fariseus e os intérpretes da Lei rejeitaram, quanto a si mesmos, o desígnio de Deus, não tendo sido batizados por ele.”
31 “A que, pois, compararei os homens da presente geração, e a que são eles semelhantes?
32 São semelhantes a meninos que, sentados na praça, gritam uns para os outros: Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos lamentações, e não chorastes.
33 Pois veio João Batista, não comendo pão, nem bebendo vinho, e dizeis: Tem demônio!
34 Veio o Filho do Homem, comendo e bebendo, e dizeis: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores!
35 Mas a sabedoria é justificada por todos os seus filhos.”
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
Muitas pessoas, mesmo dizendo que confiam em Deus, demonstram que na realidade não confiam, porque vivem colocando à prova sua fidelidade no dia a dia. Por exemplo, alguém que está desempregado, e foi chamado para uma entrevista de emprego e quer saber se é a vontade de Deus aceitar ou não, pode pensar: "Se Deus realmente quer que eu aceite essa vaga, então Ele tem que fazer com que eles me ofereçam o valor do salário que eu quero ou um valor maior, do contrário vou entender que não é da vontade de Deus aceitar essa vaga".
Outro exemplo: "Se Deus estiver comigo, então essa compra que estou planejando tem que dar certo, mesmo que eu não tenha dinheiro suficiente pra pagar". Há ainda quem ore assim: "Senhor, se for da Tua vontade eu me casar com essa pessoa, então faz ela me mandar uma mensagem até meia-noite de hoje".
Esse tipo de atitude é completamente equivocada sobre entender a vontade de Deus, mas não é nova. No Êxodo, no deserto, os israelitas também testaram a Deus. Mesmo depois de verem os milagres das pragas no Egito e o Mar Vermelho se abrir, eles duvidaram quando enfrentaram dificuldades. Em Êxodo 17.1-7, diante da falta de água, em vez de confiarem que Deus proveria, começaram a questionar: “Está o Senhor no meio de nós ou não?” (Êx 17.7). Eles queriam mais uma prova da presença de Deus, como se os milagres anteriores não fossem suficientes.
Até mesmo o caso de Gideão, em Juízes 6.36-40, quando ele pediu sinais a Deus usando um novelo de lã, reflete essa falta de confiança. Deus já havia falado que daria a vitória a Israel contra os midianitas, mas Gideão, temeroso, pediu um sinal: primeiro que o orvalho molhasse apenas a lã e a terra em volta ficasse seca e depois que tudo ao redor estivesse molhado, menos a lã que deveria ficar seca. Apesar de Deus ter atendido ao pedido, essa atitude não foi um exemplo de fé, mas de fraqueza e insegurança.
Aliás, a época dos Juízes foi marcada por um ciclo contínuo de incredulidade e rebeldia. Lá tem mais exemplos do que não devemos fazer do que exemplos a serem copiados. Porque o povo de Israel constantemente se afastava de Deus, sofria as consequências, clamava por livramento, e Deus levantava um juiz para libertá-los. No entanto, em vez de aprenderem com esses livramentos, eles voltavam a testar e desafiar a Deus, recusando-se a viver pela fé e pela obediência à sua palavra.
Quando alguém coloca condições para obedecer a Deus ou exige sinais para crer, está agindo da mesma forma que essas gerações incrédulas. Esse tipo de comportamento revela um coração que resiste à verdade já revelada e que deseja manipular Deus para atender às suas próprias expectativas.
No tempo de Jesus, a geração de Israel demonstrou essa mesma incoerência. Eles rejeitaram João Batista porque ele jejuava e levava uma vida dura, simples, no deserto, mas também rejeitaram Jesus porque ele comia e bebia com pecadores. Ou seja, eles sempre encontravam uma desculpa para não crer, independentemente da forma como Deus falava com eles.
Essa rejeição caprichosa e incoerente é exatamente o que Jesus denuncia em Lucas 7.24-35.
Essa mesma mentalidade estava presente na época de Jesus. No texto de hoje, vemos que a geração de Jesus rejeitou tanto João Batista quanto o próprio Cristo, mas por razões opostas. João era muito rígido, Jesus era acessível e misericordioso, mas ambos estavam sendo rejeitados. Eles não estavam interessados na verdade, mas em criar desculpas para não crer. Assim como os israelitas no deserto, eles queriam que Deus agisse conforme suas expectativas e se recusaram a confiar na revelação que já haviam recebido.
O problema, então, não é a falta de sinais, mas a dureza do coração. A pergunta que fica é: Será que nós também estamos testando a Deus, esperando que Ele se encaixe nas nossas condições para então crer e obedecer? Será que a realidade presente nas igrejas hoje, nem estou falando de gente que não conhece a Jesus, estou falando de pessoas que dizem que já professaram a Cristo como Senhor, é diferente?
Nossa reflexão do texto de hoje deve partir do princípio de que o problema da incredulidade não está na ausência de evidências, mas na disposição do coração para aceitar a verdade. Assim como a geração de Jesus rejeitou tanto João Batista quanto o próprio Cristo por razões contraditórias, muitas pessoas hoje também rejeitam a vontade de Deus porque ela não corresponde às suas expectativas ou preferências.
Não se trata de falta de conhecimento ou de provas, mas de um coração endurecido que sempre encontra um motivo para duvidar, questionar ou adiar a obediência. Essa incoerência não é apenas um problema do passado, mas uma realidade presente até mesmo dentro das igrejas, onde muitos colocam condições para crer, obedecer e seguir a Cristo.
Diante disso, a questão que devemos nos fazer é: estamos verdadeiramente dispostos a ouvir e aceitar a verdade de Deus, mesmo quando ela desafia nossas expectativas? Ou estamos apenas procurando desculpas para continuar no controle da nossa própria vida?
A Palavra de Deus está nos desafiando para olhar para Cristo como Ele é e não para o que achamos ou queremos que Ele seja. Permita que o Espírito Santo direcione o seu entendimento para reconhecer a soberania de Cristo e a confiabilidade de Sua Palavra. Que possamos abandonar qualquer resistência ou expectativa equivocada e nos submeter a Ele com fé genuína, sem exigir sinais ou condições para obedecer. Afinal, a verdadeira bem-aventurança está em confiar plenamente no Senhor e em Sua revelação, sem tropeçar na dureza do próprio coração.
Como disse Jesus na conclusão do texto do último domingo em Lucas 7.23 “E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço.” Ou como nos exorta Provérbios 3.5-6: "Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas."
Que essa verdade nos conduza a uma fé sincera e humilde, sem exigir provas, mas descansando na suficiência de Cristo.
1. O TESTEMUNHO DE JESUS SOBRE JOÃO BATISTA (24-28) – João Batista era o maior entre os profetas.
1. O TESTEMUNHO DE JESUS SOBRE JOÃO BATISTA (24-28) – João Batista era o maior entre os profetas.
Nesta primeira parte do texto, o cuidado de Jesus pelo caráter de seus servos fiéis é notável. Dom mesmo jeito que Jesus se compadece dos Seus, como no caso da viúva de Naim, Ele também defende a reputação dos Seus filhos amados.
No caso de João Batista assim que seus mensageiros, enviados por ele para perguntar a Jesus se Ele era o Messias ou deveriam esperar outro, Jesus, sabendo que a prisão e a dúvida levantada pelos discípulos de João poderiam fazer com que as pessoas começassem a questionar a integridade de João, Jesus, logo, repreende seus ouvintes e pede que afastem de suas mentes qualquer dúvida ou suspeita indignas a respeito do profeta.
Ele destaca que João não era alguém de caráter vacilante, como “um caniço agitada pelo vento”, e nem um homem voltado para as riquezas e o conforto dos palácios reais, versos 24 e 25. Ao contrário, João era muito mais do que isso, era o profeta anunciado pelas Escrituras, e, para Jesus, ele era o maior entre os homens, "entre os nascidos de mulher, ninguém é maior do que João". Jesus cita Malaquias 3.1 “Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; de repente, virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais, o Anjo da Aliança, a quem vós desejais; eis que ele vem, diz o Senhor dos Exércitos.” Jesus coloca João Batista como sendo o profeta e Ele próprio como o Senhor. Um dos fatos da incredulidade de muitos, tanto em relação à João Batista quanto em relação a Ele próprio.
É profundamente comovente o que Jesus afirma sobre João Batista, especialmente ao considerar a situação de João naquele momento. De um pregador popular e admirado por muitos, João agora se encontra preso, abandonado, esperando a morte nas mãos de Herodes. Sua condição não reflete um desagrado de Deus, mas, pelo contrário, nos ensina que as circunstâncias difíceis não são sinais de rejeição divina. João, embora fisicamente isolado e desprezado por muitos, tinha um Amigo que jamais o abandonaria – Jesus, o Senhor, cuja bondade é constante e imutável.
Esse cenário nos traz grande consolo, especialmente quando refletimos sobre a realidade dos cristãos que enfrentam escárnio, desconfiança e falsas acusações em nossa sociedade. Muitas vezes, o caráter dos filhos de Deus é alvo de calúnias, mentiras e difamações. O acusador de nossos irmãos sabe que o caráter é uma área vulnerável, onde é fácil plantar sementes de dúvida e dividir as pessoas. No entanto, o exemplo de Jesus defendendo João Batista nos lembra de que, mesmo quando somos alvo de falsas acusações e desprezo, temos um Advogado no céu que compreende nossas aflições e nunca nos abandona. Embora o mundo possa nos rejeitar, Jesus nunca muda e, em Sua hora, Ele pleiteará nossa causa.
Neste contexto, a realidade de hoje é a de que muitos cristãos enfrentam adversidades similares às de João, sendo criticados e marginalizados por sua fé e convicções. Porém, como João, podemos encontrar consolo em saber que, assim como Jesus se posicionou em defesa de João, Ele também estará ao nosso lado, protegendo nossa reputação e cuidando de nosso coração. A confiança em Cristo, o Advogado fiel, nos permite enfrentar a adversidade com coragem e paz, sabendo que Ele nunca nos deixará.
É com profunda tristeza que observamos os eventos recentes na Síria, onde centenas de cristãos foram mortos em ataques coordenados nas regiões de Jábleh e Bániyas, áreas historicamente habitadas por comunidades cristãs e alauítas. Esses ataques ocorreram em um contexto de violência sectária, com civis alauítas sendo executados em retaliação a ações de grupos leais ao ex-presidente Bashar al-Assad.
Além disso, a crescente criminalidade tem afetado ainda mais as comunidades cristãs, com relatos de assassinatos e aumento da insegurança. Infelizmente, a cobertura da mídia internacional sobre essas atrocidades tem sido limitada, deixando muitas dessas tragédias fora do radar global.
Essa falta de atenção nos leva a refletir sobre nossa própria realidade. Enquanto desfrutamos de relativa paz e segurança, é humilhante considerar que nossos irmãos e irmãs na Síria enfrentam perseguições tão intensas por causa de sua fé.
Devemos nos envergonhar não no sentido de culpa paralisante, mas como um chamado à ação e à solidariedade. Nossa vergonha deve nos mover a orar fervorosamente por essas comunidades, buscando consolo e proteção divina para aqueles que sofrem. Além disso, é nosso dever levantar nossas vozes em defesa dos cristão perseguidos espalhados pelo mundo, pressionando por uma cobertura mais ampla na mídia e por ações concretas que promovam a paz e a justiça na região.
Mas, também, devemos nos alegrar, porque Jesus não está apático diante disso. Ele, assim como fez com João Batista, continua defendendo e cuidando de seus servos fiéis. Assim como Jesus se importou profundamente com a situação de João, reconhecendo sua fidelidade, Ele está atento ao sofrimento de nossos irmãos e irmãs na Síria.
Embora, como João, eles possam ser rejeitados, perseguidos e até mesmo mortos por causa de sua fé, o Senhor não os abandona. Ele continua sendo o Advogado que intercede por eles diante de Deus, e a sua presença é uma fonte de esperança imensurável para os que sofrem.
Jesus se compadece das dores de seu povo e age com misericórdia. Ele conhece cada um dos Seus filhos pelo nome, sabe de suas lutas, e, embora o sofrimento seja real e muitas vezes intenso, a promessa de Jesus é que Ele estará com eles até o fim dos tempos. Isso nos dá motivo para alegria e esperança, pois, mesmo na dor e na perseguição, Jesus nunca vai nos deixar!
A fala de Jesus, no último verso desse bloco, o 28, apresenta um interessante dualismo. Jesus reconhece João Batista como o maior entre os nascidos de mulher, destacando sua importância como o último grande profeta do Antigo Testamento e o precursor do Messias. No entanto, Ele afirma que o menor no Reino de Deus é maior do que João. Essa declaração revela que, embora João tenha sido o maior em termos humanos, o Reino de Deus, inaugurado por Jesus, traz uma nova realidade espiritual. Aqueles que entram nesse Reino experimentam uma proximidade única com Deus, desfrutando da graça e da salvação que João ainda não havia experimentado. Assim, Jesus nos convida a refletir sobre a grandeza do Reino que Ele veio estabelecer, uma grandeza que vai além das medidas humanas e que transforma a nossa relação com Deus.
Que alegria fazer parte da nova aliança, esse é o maior cuidado de Jesus por nós, os Seus escolhidos, pois, através do Seu sacrifício, Ele nos fez participantes de um Reino eterno, onde a graça e o perdão estão disponíveis a todos os que creem. Enquanto João Batista viveu à espera da realização plena da promessa, nós, hoje, podemos viver na certeza de que a obra de Cristo já foi consumada. Ele não nos deixou órfãos, mas nos deu o Espírito Santo, que nos guia, nos fortalece e nos consola em nossas lutas diárias.
A nova aliança é um convite para vivermos de maneira diferente, não mais pela força de nossas obras ou méritos, mas pela graça de Deus, que nos capacita a andar em novidade de vida. Jesus, em Seu cuidado e amor, nos oferece não apenas a salvação, mas também uma vida transformada, onde Ele é o centro de tudo. Ao entendermos que somos parte desse Reino, nossa esperança se renova, pois sabemos que, apesar das dificuldades e perseguições que possamos enfrentar, somos mais do que vencedores em Cristo. Ele nos chama para viver com fé e confiança, pois Seu cuidado por nós nunca falhará.
Assim, ao refletirmos sobre a grandeza da nova aliança em Cristo, somos chamados a reconhecer que, mesmo em meio às dificuldades, estamos seguros no cuidado inabalável de Jesus, o nosso Advogado e Salvador. Ele nos garante uma vida plena, não porque merecemos, mas por Sua misericórdia e graça. Com essa confiança em Seu amor, podemos enfrentar as adversidades da vida com a certeza de que Ele está conosco, sustentando-nos em cada momento. Esse cuidado de Jesus, que nos chama para viver em Seu Reino, também nos prepara para a missão de anunciar essa boa nova aos outros. E é exatamente isso que vemos no próximo tópico, onde Jesus nos desafia a olhar para o exemplo de João e entender o verdadeiro papel de Seus mensageiros no mundo.
2. A REJEIÇÃO INCOERENTE DAQUELA GERAÇÃO (29-32) – O povo rejeita tanto João Batista, quanto Jesus, sem razão consistente.
2. A REJEIÇÃO INCOERENTE DAQUELA GERAÇÃO (29-32) – O povo rejeita tanto João Batista, quanto Jesus, sem razão consistente.
O segundo tópico, a sequeência do texto, nos versos 29 a 32, mostra a incoerência daquela geração, contemporânea de Jesus. Enquanto Pecadores e publicanos eram agraciados, os defensores da lei, moralmente corretos, que deveriam ser os salvos, na realidade eram os perdidos que não criam em Jesus.
Os indignos, são exatamente aqueles que Jesus declara como mais próximos do Reino de Deus. Ao mesmo tempo, os que se viam como moralmente corretos, os fariseus e os intérpretes da lei, estavam afastados da salvação, pois não criam em Jesus e rejeitavam Sua mensagem.
Este cenário de hoje, embora distante no tempo, ressoa fortemente na nossa realidade. Quantos se consideram justos, seguidores de uma moralidade externa, mas que, na verdade, não têm um encontro real com Jesus? Em quantos destes vemos apenas práticas religiosas e comportamentos de aparências, mas sem a transformação genuína do coração?
A geração de Jesus, assim como a nossa, tem dificuldade em reconhecer a salvação. Acham mais fácil acreditar que a salvação é algo conquistado por méritos próprios, do que como um dom gracioso oferecido por Deus, através de Cristo.
O ponto crucial é que os que se consideram justos por suas boas obras e moralidade podem, de fato, estar tão distantes de Deus quanto os mais perdidos, se sua fé não se traduz em uma verdadeira rendição ao Senhor Jesus.
Há um profundo ensinamento a ser extraído de uma reflexão mais ampla sobre a história da salvação. Quando comparamos a compreensão que os crentes do Antigo Testamento tinham sobre Deus com a clareza que temos no Novo Testamento, percebemos que recebemos um privilégio imenso—um privilégio que muitas vezes não valorizamos como deveríamos. Os patriarcas e profetas, como João Batista, estavam com os olhos voltados para a promessa do Salvador que viria, mas nós, vivendo após a morte e ressurreição de Cristo, possuímos uma revelação muito mais completa e preciosa. Jesus veio, nasceu de uma virgem, o Homem Deus cresceu entre os homens, experimentou a realidade humana, exceto o pecado, morreu e ressuscitou para garantir a nossa redenção completa. Nele, temos não apenas a promessa, mas o cumprimento da salvação.
Sua vitória sobre o pecado e a morte nos dá acesso direto a Deus, segurança eterna e um entendimento mais profundo do Seu amor e propósito. Se os antigos crentes confiaram na promessa futura, quanto mais nós devemos viver em gratidão e fidelidade, pois vemos claramente aquilo que eles apenas anteviam pela fé.
À medida que vivemos na luz da cruz, temos o privilégio de conhecer as verdades mais profundas do evangelho, que antes estavam veladas. Contudo, a nossa familiaridade com esse evangelho pode nos impedir de perceber o quanto somos abençoados.
Em relação a isso, o grande desafio para todos nós é reconhecermos o risco que corremos ao rejeitar o plano de Deus. Quando Jesus diz que "os fariseus e os intérpretes da lei rejeitaram, quanto a si mesmos, o desígnio de Deus", Ele está apontando para uma tragédia que continua a acontecer: a rejeição deliberada do evangelho.
Hoje, há muitas pessoas que ouvem a mensagem de Cristo, mas, como os fariseus, preferem confiar em suas próprias forças, moralidades e sistemas religiosos, achando que estão em paz com Deus, quando, na realidade, estão mais distantes do que imaginam. Muitas vezes, isso acontece porque o coração humano é obstinado, e se recusa a reconhecer que a salvação não se conquista, mas é um presente dado por Cristo, através da fé nEle.
A mensagem de Jesus é clara: todos nós, em nossa natureza caída, temos o poder de arruinar a nossa alma para sempre. Não podemos ignorar essa verdade, pois, em nossa obstinação e incredulidade, podemos fechar nossos corações para meditar sobre a graça de Deus.
A questão crucial para nós hoje é a mesma que Jesus levantou: "O que estamos fazendo com a nossa vida? Estamos verdadeiramente recebendo o evangelho ou apenas vivendo uma fachada religiosa?" Assim como os fariseus se afastaram da verdadeira salvação, muitos hoje continuam no mesmo caminho de rejeição. No entanto, a salvação está à porta, disponível a todos que se arrependem e creem em Cristo.
Portanto, a incoerência da geração de Jesus e a rejeição dos religiosos à verdadeira mensagem do evangelho devem servir como um alerta para todos nós. A oferta de salvação está aberta a todos, mesmo aqueles que se sentem distantes ou indignos, como os publicanos e pecadores. A salvação que Jesus traz não está à venda ou acessível apenas para os justos segundo os padrões humanos, mas é dada pela graça, àqueles que se arrependem e creem.
O mesmo cuidado que Jesus teve por João Batista, reconhecendo sua grandeza, também se reflete na misericórdia e compaixão com que Ele nos chama para viver a plenitude do Reino de Deus. Ele, o maior de todos, se fez acessível a todos. E, por meio dessa graça, somos convidados a caminhar em direção à salvação, em uma jornada que não depende da nossa moralidade ou conquistas, mas da fé no Filho de Deus.
Então Jesus conclui esse trecho comparando aquela geração com "meninos espalhados pelas praças, gritando uns para os outros: nós tocamos flauta e vocês não dançam; Cantamos músicas de sepultamento, mas vocês não choraram!” Com essa metáfora Jesus estava dizendo a eles que nada os satisfazia. Eles rejeitaram João Batista porque era austero e reservado, e também rejeitaram Jesus porque era acessível e misericordioso. Ou seja, não importava a forma como Deus falava, eles sempre encontravam uma desculpa para não ouvir.
O que pode ser aplicado para nós hoje é que corremos o mesmo risco quando, em vez de aceitar a verdade do Evangelho, ficamos buscando justificativas para rejeitá-lo. Muitos descartam a fé porque acham muito rígida; outros a ignoram porque parece simples demais. No fundo, o problema não está na mensagem, mas no coração que se recusa a se render a Deus.
Então, que diferença tem a nossa geração daquela? Assim como aqueles homens que rejeitaram tanto João Batista quanto Jesus, muitos hoje continuam resistindo à verdade. Alguns dizem que o cristianismo é exigente demais, outros o descartam por achá-lo simples demais. A questão não é a forma da mensagem, mas a dureza do coração que se recusa a ouvir. No entanto, a graça de Deus ainda se estende a todos que desejam enxergar. Ele nos chama ao arrependimento, não para nos prender, mas para nos libertar. A pergunta que fica é: estamos dispostos a ouvir a voz de Deus e responder com fé?
Essa rejeição da verdade tem consequências sérias. Jesus nos alerta que rejeitar o plano de Deus é, na prática, desprezar a própria salvação. Isso nos leva ao último ponto desta passagem: a responsabilidade de cada um em aceitar ou rejeitar a graça divina.
3. A SABEDORIA JUSTIFICADA POR SEUS FILHOS (33-35) – As obras de Deus provam a verdade, apesar da rejeição humana
3. A SABEDORIA JUSTIFICADA POR SEUS FILHOS (33-35) – As obras de Deus provam a verdade, apesar da rejeição humana
Quando João Batista veio com um estilo de vida austero, disseram que ele tinha demônio. Quando Jesus veio participando da vida das pessoas, chamaram-no de glutão e beberrão. O problema nunca foi o método, mas a recusa em aceitar a verdade.
Isso continua a acontecer hoje. Muitos que tentam viver com fidelidade enfrentam críticas constantes. Se são sérios em não aceitar participar da mesa oferecida pelo mundo, são chamados de fanáticos. Se se envolvem com a sociedade, se interagem com todos são acusados de mundanos. O mundo sempre encontrará uma razão para criticar aqueles que seguem a Cristo. O questionamento das nossas atitudes são apenas desculpas esfarrapadas, quando na verdade quem rejeita a mensagem do evangelho não está rejeitando apenas os mensageiros, mas o próprio Deus.
““Quem vos der ouvidos ouve-me a mim; e quem vos rejeitar a mim me rejeita; quem, porém, me rejeitar rejeita aquele que me enviou.” (Lucas 10.16) .
Os incrédulos buscam motivos para explicação de sua destruição, mas, no fundo, a verdadeira razão é sua aversão ao senhorio de Cristo. Como João escreveu em João 3.19: “O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más.”
E Paulo reforça essa verdade ao dizer, em Romanos 8.7: “Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar.”
Diante disso, precisamos entender que nunca seremos aceitos pelo mundo. Como Jesus disse em João 15.18 “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim.”
Assim como fez com João Batista e com o próprio Senhor Jesus, os homens continuam encontrando razões para rejeitar a verdade. Mas a sabedoria de Deus não é anulada por suas críticas. Aqueles que pertencem a Deus, os filhos da sabedoria, sempre refletirão a verdade e seguirão a Cristo, não importando a honestidade. Só vai seguir a Cristo aqueles que verdadeiramente são filhos de Deus. Como Jesus disse em João 10.27 “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.”.
Portanto, não devemos temer o julgamento do mundo, mas permaneçamos firmes na verdade, confiando que, no final, a sabedoria de Deus será plenamente justificada por aqueles que lhe pertencem, é o que Jesus disse no verso 25 (Lucas 7.35). Jesus encerra essa passagem justamente com essa afirmação encorajadora: "Mas a sabedoria é justificada por todos os seus filhos" (Lc 7.35).
Isso significa que, apesar da oposição e das críticas, sempre haverá aqueles que reconhecerão a verdade do evangelho. Os verdadeiros filhos da sabedoria são aqueles que aceitam a Palavra de Deus e demonstram sua fé por meio de uma vida transformada.
A história mostra que os servos de Deus sempre foram rejeitados pelo mundo, mas também sempre houve um remanescente fiel. A questão é: de que lado estamos? Somos aqueles que justificam a sabedoria de Deus, confiando em sua Palavra e vivendo por ela? Ou fazemos parte daqueles que sempre encontram uma desculpa para ignorar a verdade? O chamado de Jesus permanece o mesmo: ouvir sua voz, confiar nele e segui-lo, independentemente do que o mundo diga. Pois um dia, aqueles que justificaram a sabedoria de Deus serão justificados por Ele diante do Pai.
Então, meus irmãos, não se preocupem com as críticas ou desculpas que vocês ouvem das pessoas. O mundo sempre tentará desanimar aqueles que seguem a Cristo, mas nossa confiança deve estar firmada em Deus. Como Paulo nos exorta em 1Coríntios 15.58 “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão.”
Se formos fiéis, enfrentaremos oposição, mas também teremos a aprovação de Deus, que é infinitamente mais valiosa do que a aceitação do mundo. Jesus nos lembrou disso em Mateus 5.11–12: “Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.”
Portanto, permaneçam fiéis. Mesmo que o mundo critique, zombe ou rejeite, lembrem-se de que Cristo já nos advertiu sobre isso. E, no fim, a verdade será plenamente revelada, e aqueles que pertencem a Deus serão justificados. "A sabedoria é justificada por todos os filhos de Deus" (Lucas 7.35).
CONCLUSÃO
CONCLUSÃO
Diante da mensagem de Jesus nesse texto de Lucas 7.24-35, somos desafiados a refletir sobre nossa resposta à verdade do evangelho. João Batista enfrentou dúvidas por causa das circunstâncias difíceis, e Jesus, apesar de suas obras poderosas, foi rejeitado por aqueles que se recusavam a crer. Essa realidade permanece até hoje: muitos continuam resistindo à verdade, criando justificativas para não se submeterem a Cristo. Mas a sabedoria de Deus não depende da aceitação humana; ela é justificada por seus filhos, aqueles que ouvem, creem e seguem a Cristo.
Essa passagem nos leva a algumas aplicações práticas para nossa vida:
Fortaleça sua fé em Cristo – Assim como João Batista, podemos ter momentos de dúvida quando as circunstâncias não fazem sentido. Nesses momentos, precisamos recorrer às Escrituras e às evidências do caráter e da obra de Cristo. Quando as dificuldades surgirem, em vez de duvidar do Senhor, devemos buscar Nele respostas e renovar nossa confiança em Sua soberania.
Cuidado com a dureza do coração – Os fariseus rejeitaram tanto João Batista quanto Jesus, porque não queriam se submeter a Deus. Isso nos alerta para o perigo de criar desculpas para não obedecer à vontade divina. Devemos examinar nosso coração e nos perguntar: Tenho realmente seguido a Cristo ou estou apenas buscando justificativas para não me comprometer com Ele?
Seja fiel, apesar das críticas – Quem busca viver com fidelidade enfrentará oposição. Se você se compromete com a santidade, alguns podem chamá-lo de radical. Se você demonstra graça e amor para com todos, pode ser acusado de conivência. Mas a fidelidade a Cristo não pode depender da aprovação do mundo. Precisamos nos manter firmes, lembrando que a única opinião que realmente importa é a de Deus. Então não desanime nem baseie seu relacionamento com Jesus pela opinião das pessoas.
Demonstre a sabedoria de Deus em sua vida – A sabedoria é justificada por seus filhos, ou seja, os verdadeiros discípulos de Cristo demonstram sua fé através de uma vida transformada. Isso significa agir com integridade no trabalho, ser um testemunho vivo de Cristo em sua família, cultivar um espírito de perdão e amor no convívio diário e não se conformar com os padrões do mundo. Nossa maneira de viver deve refletir que pertencemos a Deus.
Lembre-se de que a recompensa vem do Senhor – Jesus nos garantiu que aqueles que permanecem fiéis a Ele serão perseguidos, mas também terão grande galardão nos céus. Isso nos motiva a continuar firmes, sabendo que cada passo de obediência, cada sacrifício e cada rejeição sofrida por amor a Cristo não serão em vão.
Portanto, meus irmãos, que possamos viver como verdadeiros filhos da sabedoria, justificando a verdade do evangelho por meio de nossa fé e de nossas ações. Que nossas vidas sejam marcadas pela confiança em Cristo, pela fidelidade à Sua Palavra e pelo compromisso de segui-Lo, independentemente das circunstâncias. Pois, no final, aqueles que justificam a sabedoria de Deus hoje serão justificados por Ele na eternidade.
“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão.” (1Coríntios 15.58)
Que essa seja a nossa certeza e a nossa motivação para viver todos os dias para a glória de Deus.
