Mateus 5.38-42 -- Sobre a vingança
Reflexões no Sermão do Monte • Sermon • Submitted • Presented
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Mateus 5.38-42
Mateus 5.38-42
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Introdução
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OBSERVAÇÕES DO TEXTO
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Não vamos esmiuçar, ou nos debruçarmos sobre a lex talionis (lei de retaliação), citada pelo Senhor Jesus no v.38. Mas vale uma citação para deixar uma consideração sobre o assunto:
“A lei de retaliação (lex talionis) é declarada mais completamente em Êxodo 21.23–25 e Levítico 24.17–20. Com exceção da primeira frase relativa ao assassinato (uma vida por uma vida), é incerto quão literalmente as frases seguintes devem ser interpretadas. A força da colocação das frases pode estar em afirmar o princípio de compensação proporcional.” Craige, Peter C. (Comentário de Deuteronômio);
Para que essa lei servia, e que justiça manifestava? Certamente servia para delimitar e, necessário fosse, restringir retaliações. Parece, no entanto, que a lei era empregada no propósito de se obter justificativas para retaliações, ainda que limitadas, e vingança. Tratava-se, portanto, de uma má compreensão do propósito ao qual a lei servia.
Uma vez que a intenção era restringir a represália pessoal e a retaliação, para cumpri-la verdadeiramente caberia à pessoa ofendida não buscar vingar-se do ofensor. Aplicando essa observação sobre a lei acerca do divórcio, por exemplo, não implicaria que para cumprir verdadeiramente esta lei, você deveria levá-la às últimas consequências, mas manter o casamento por toda a vida. O pr. Héber Campos Jr. tem esse posicionamento, por exemplo.
O contexto das palavras de Jesus é, como sabemos, o verdadeiro significado da lei de Deus, que o próprio Cristo expõe;
Partindo daí, comenta Fergurson:
Nas palavras de Jesus Cristo, “encontra-se o princípio pelo qual todo cristão é chamado a viver: não faça de seus direitos a base do relacionamento com o próximo. Esteja preparado para tomar uma posição que surpreenderá; esteja preparado para pagar o preço de imitar a Jesus.”
Alguém pode entender que essa passagem implica necessariamente que não é possível o cristão ingressar em profissões jurídicas ou militares. Pelo contrário, estes versículos desafiam os crentes a seguirem o exemplo de seu Mestre em relacionamentos pessoas. As ilustrações que Jesus usa parecem confirmar esse ponto.
Sigamos então, expondo o que Jesus nos apresenta nos versículos:
(a) "Dê a outra face.”
Aqui Jesus retrata um homem que é estapeado no lado direito do rosto. Aqui duas coisas se mostram importantes a esse respeito. 1. Esse golpe era mais insultuoso do que um crime violento; era uma ofensa de grandes proporções, pois se tratava de um tapa com a parte traseira da mão, algo ainda considerado terrivelmente ofensivo no Oriente Próximo, e 2. O tribunal era o único lugar a se recorrer em se tratando dessa ofensa, à semelhança de hoje, quando alguém recorre por calúnia ou difamação de caráter;
O que o Senhor quis ensinar aqui? Em outras palavras Nosso Senhor diz: “Deixe que os insultos venham e reaja de modo a demonstrar que você não sinta necessidade de impor retaliações, pois sua reputação está segura com Deus, como filho. Reaja com graça — assim como seu Pai reage graciosamente ao insulto do pecado que você mesmo comete contra Ele.”
(b) "Dê-lhe sua capa.”
Aqui Jesus retrata um homem processado por conta de sua túnica. Dê-lhe também a sua capa, Ele acrescenta. Jesus está, com isso, dando a entender um princípio básico a fim de deixá-lo tão vívido quanto possível.
A intenção de Jesus não é dizer que um homem deveria ser deixado praticamente nu! O ponto em questão, é esclarecido quando nos lembramos de que a capa do judeu era, a seus olhos, essencial, tanto que é citada na lei (Ex 22.26-27).
Onde o pecado nos outros abunda, a graça deve superabundar ainda mais naqueles que seguem a Jesus. Desta forma, seremos iguais ao Nosso Mestre (Rm 5.20);
(c) "Caminhem mais uma milha.”
O exército romano, que ocupava a Palestina, tinha o direito de forçar pessoas a ajudá-los — por exemplo, Simão de Cirene foi forçado a carregar a cruz de Cristo (Mc 15.21). Mas os judeus odiavam essa prática, porque ela ilustrava publicamente a humilhação de ser um povo subjugado. Aliás, sobre isso, não precisamos de muito para imaginar o quanto esse direito era usado de forma abusiva.
Mas, quando somos “selecionados”, e já caminhamos os mil passos requeridos pelas normas romanas, Jesus diz: prossiga. Carregue o fardo por mais uma milha! Nenhum soldado tem o direito de obrigá-lo a fazê-lo, mas faça voluntariamente, e assim ele verá que você está sob o domínio de outro Imperador e pertence a outro Império, de princípios infinitamente mais poderosos do que as leis romanas.
O ponto enfatizado pelo Senhor Jesus é claro: o cristão realiza o inesperado, pois a graça faz com que o discípulo viva assim.
(d) "Dê àqueles que imploram ou pedem emprestado.”
Essa entrega não se tratava de um dever legal para os primeiros discípulos. Eles não estavam sob nenhuma obrigação de dar.
Mas Jesus lhes mostra que a lei que restringe o mal também visa nos ensinar a demonstrar um viver gracioso, equivalentemente oposto ao pecado antes proibido! Esse é o ponto que Paulo viria a enfatiza mais tarde, contrastando as obras da carne com o fruto do Espírito.
As obras da carne nos fazem inaptos para o reino de Deus, porque transgridem a lei de Deus (Gl 5.19-21); mas não há lei contra o fruto do Espírito, aquelas graças cujos opostos a lei proíbe! Como disse Paulo: o amor é o cumprimento da lei (Rm 13.10).
Portanto, as pessoas ao nosso redor enxergarão de fato o que a lei dada por Deus significa tão somente quando demonstrarmos trato gracioso e sacrifício para com elas; elas, por conseguinte, entenderão que nossa cidadania é a do reino dos céus (Fp 3.20).
