Carta aos Efésios 5:22-33

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A SABEDORIA NO CASAMENTO

INTRODUÇÃO

Lembrando do que falamos na semana passada, Paulo ensina que o cristão deve andar em sabedoria e ele apresenta várias formas de o fazer.
Neste trecho que vamos ler, Paulo vai apresentar mais algumas formas práticas de andar em sabedoria. Aqui ele vai falar especificamente do relacionamento no casamento.
É importante voltarmos ao verso 21 de Efésios 5 :21, pois ele faz continuação com os versículos que vamos ler e seguida.
Efésios 5.21 ARA
sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.
Somos chamados a nos sujeitarmos uns aos outros. No entanto essa sujeição ganha diferentes expressões. É isso que vamos ver.

I- A ATITUDE DA MULHER

Este não é um tema fácil pois tem muitas vezes sido interpretado de forma incorreta e por isso traz mágoa, tristeza, desconforto. Isso é precisamente o efeito da queda. Talvez onde mais podemos encontrar a marca do Éden em nós é nos relacionamentos entre homem e mulher, especialmente no casamento. Ao longo da História vemos como a mulher tem sido tratada e como luta por sua dignidade, ao mesmo tempo essa luta pela dignidade tem se tornado uma luta por estar acima do homem o retirando do lugar para o qual Deus o designou.
Existem palavras que têm sido manchadas pelo pecado e retirado a essência de seu significado. A submissão é uma delas. A submissão para nós traz uma ideia distorcida de ser subjugado, humilhado, calado, forçado a… Cabe-nos a nós com a ajuda de Deus trazermos redenção a certos conceitos que a sociedade tem deturpado ao longo dos séculos.
A ideia de Deus para o Homem sempre foi a ideia do jardim. Uma ideia de paz, harmonia, alegria, amor, satisfação, comunhão. Essa continua sendo a ideia de Deus para o Homem e por isso Cristo veio para que possamos voltar a casa, ir de volta para o jardim. Mas para isso precisamos de deixar que nossa mente contaminada pela menatalidade do mundo seja transformada pela Palavra de Deus, para não só compreender a sua boa, perfeita e agradável vontade, como também para a experimentarmos desde já. (Romanos 12:1-2 )
Um dos efeitos da queda e conseuência foi o relacionamento distorcido entre marido e mulher. Gênesis 3:16
Gênesis 3.16 ARA
E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará.
O domínio do homem sobre a mulher é consequência da queda.

1- A sujeição v. 22

Não é forçada
A sujeição que Paulo fala não é uma sujeição forçada, como um ditador que impõe sujeição, mas uma sujeição voluntária. A submissão da mulher ao marido é comparada com a submissão da igreja a Cristo, e essa também é voluntária e não forçada.O dever do marido não é impor a submissão, mas amar a esposa.
Não é aos homens mas ao marido
A submissão é da mulher ao marido e não da mulher a outros homens.
Não é inferioridade
Paulo considerava a mulher igual a seu marido. 1Coríntios 7:2-4
1Coríntios 7.2–4 ARA
mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido. O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao seu marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher.
Jesus veio devolver a dignidade da mulher, que era considerada inferior ao homem, em outras culturas e também no judaísmo. Apesar de não vermos de forma explícita Jesus falar sobre o valor da mulher, ele o demosntrou de forma prática na forma como lidava com elas. Paulo vai também dizer que em Cristo não há distinção nem de ralas, nem de sexos, nem de classes sociais, mas todos têm o mesmo valor e acesso ao evangelho.
É igual à submissão a Cristo
A sujeição ao marido torna-se como sujeição a Cristo, porque Ele é o alvo maior. A mulher é submissa a Cristo e essa submissão a Cristo se reflete em submissão ao marido.

2- O fundamento da sujeição v.23

Paula apresenta a razão da submissão: o marido é o cabeça - o que deve assumir a liderança do lar.
Mulher e marido se tornam uma só carne, ambos formam um corpo. Mas nessa unidade é importante que haja ordem, governo. Deus é o Deus da ordem, a criação começa com Deus colocando o caos em ordem. Para que haja ordem é preciso que exista liderança e governo e por isso Deus estabelece autoridades tanto nos céus como na terra. O mesmo acontece na família.
Contexto histórico
Na época na cultura romana o pater família tinha controle total sobre a família, ele tinha poder de morte e vida sobre os filhos. Quando uma mulher se casava ela permanecia sobre o controle do pai, ou seja,o pai é que tinha autoridade sobre ela e não o marido. Por isso a mulher era independente do marido, não estava sujeita a ele e podia com a autorização do pai pedir o divórcio e até mesmo o pai podia fazê-lo se quisesse.O que Paulo faz é colocar em ordem correta a estrutura familiar. Pois agora a mulher deixa a casa do pai e se une à sua mulher. A mulher não deve mais essa submissão ao pai , pois ele não é mais o líder da família, pois uma nova família foi fundada e o papel de liderança é do marido.

3- O modelo da sujeição V.24

Vamos olhar para a liderança de Cristo para com a Igreja.
Cristo é o cabeça da Igreja. Cristo tem autoridade e é Ele quem lidera a Igreja ao mesmo tempo que Ele mesmo é o seu Salvador. Da mesma forma o marido torna-se “salvador” no sentido que a protege que a ajuda, esse é o seu papel como líder. Não uma liderança que oprime e causa sofrimento, mas uma liderança que traz proteção.
Adão é um bom exemplo de um Homem que falhou em sua liderança ao não proteger Eva do engano da serpente. A autoridade do marido para com a esposa tem como príncipio fundamental a sua proteção e não o de se servir de seus desejos e prazeres.
V.24- A igreja é beneficiada pela sua submissão a Cristo, ela recebe dons e o poder de Deus é é capacitada, da mesma forma a submissão da mulher ao marido deveria trazer o bem- estar, o benefício.
Limite da submissão
Paulo diz que as mulheres devem ser submissas em tudo. Então será que existe algum limite dessa submissão? Esta declaração de Paulo não pode ser desligada do que ele diz antes, senão corremos o sério risco de promover abusos e violência sobre a mulher. O modelo de submissão da mulher ao marido é exatamente o mesmo que a sua submissão a Cristo. Tudo o que sai disso a mulher não está obrigada. Violências, abusos, pecado.… saem fora do plano e propósito de Deus.

Aplicação

Algumas aplicações importantes que podemos fazer:
A submissão tem propósito bom e produz harmonia
O modelo da submissão indica os parâmetros em que ela deve acontecer
A liderança do lar pertence ao marido e não a outro membro da família

II- A ATITUDE DO HOMEM

1- O amor v.25 a

É sacrificial
v.25 O amor do marido para com a esposa toma também o modelo de Cristo, no sentido de amor sacrificial.
É contínuo
O amor é um processo contínuo e não algo momentâneo ou aleatório.
É gracioso
Não é um amor por merecimento, mas um amor incondicional. Da mesma forma que a submissão da esposa não depende da reação do marido, o amor do marido não depende da reação da esposa.
É voluntário
Paulo não está a falar de emoções, mas de ação voluntária, escolhas intencionais.
Esta ordem que Paulo dá é completamente revolucionária para a época. A ordem não é que sejam cabeças das esposas mas que amem as esposas.

2- O modelo do amor v. 25 b, 26, 27 a

O amor de Cristo pela Igreja
O modelo de amor é: como Cristo amou e Cristo prova esse amor ao se entregar pela igreja.
O amor de Cristo é ação, é prático. A iniciativa de amar foi de Cristo. Ele amou porque quis amar, e se entregou porque o quis fazer. Cristo foi obediente ao Pai se sujeitou a Ele, mas a sua entrega não foi forçada mas voluntária. Da mesma forma o marido que está sujeito a Cristo deve amar de forma voluntária a sua esposa e não com um amor forçado. Cristo amou a igreja não porque ela era amável, mas para que se tornasse amável. ~
O resultado do amor de Cristo
Paulo apresenta qual o propósito de Cristo ao amar a igreja.
Santificou a Igreja
O propósito é a santificação - separar a igreja para Deus. A Igreja é santificada através do sacrifício de Cristo que a purifica.
Purificou a Igreja
A igreja pode ser separada para Deus, pois seu pecado foi purificado.
A água tem o simbolismo de purificar Mesmo na última Ceia quando Jesus lava os pés aos seus discípulos ele usa a água como um exemplo de purificação.
Hebreus 10:22 faz referência à água pura que lavou nossos corpos.
Hebreus 10.22 ARA
aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura.
O sacrifício de Cristo é como uma água pura que nos purifica. Esta metáfora da lavagem com água também remete ao banho que a noiva tomava antes das núpcias.
Neste contexto Paulo está fazendo uma comparação entre Cristo e a Igreja e o relacionamento do homem com a sua esposa.
Por exemplo em Ezequiel 16:9 existe uma referência a este banho pré-nupcial no verso 9.
Ezequiel 16.9 ARA
Então, te lavei com água, e te enxuguei do teu sangue, e te ungi com óleo.
Deus está a falar sobre o nascimento de Israel como o povo se encontrava numa condição de desprezo, abandono, impuro, mas Deus o viu nesse estado e o acolheu. Quando a nação de Israel cresceu, Deus fez uma aliança com ela e a banhou com água, a purificou e tornou-a rainha entre as nações. Da mesma forma a igreja passou por essa lavagem com água para ser purificada, essa lavagem com água acontece através da pregação da palavra. Ao ouvir o evangelho e confiar nele, o crente é purificado, lavado. Em Jo 15:3 Jesus usa essa mesma ideia quando fala da Videira Verdadeira e diz aos seus discípulos que eles já estão lavados por sua palavra
João 15.3 ARA
Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado;
Apresentar a Igreja a Si mesmo
O propósito da santificação e purificação é a apresentação da Igreja a Cristo como gloriosa. Em uma cerimónia de casamento do século I a noiva preparava-se para o noivo lavando-se no banho nupcial e depois, o noivo ia buscá-la e a apresentava ao pai. Aqui Cristo, o noivo, prepara a noiva pela santificação e redenção e a apresenta a si mesmo como uma noiva gloriosa.
É Cristo que a prepara, é Cristo que a apresenta e é Cristo que a recebe gloriosa.
Torna a Igreja gloriosa
Novamente em Ezequiel Deus veste Israel de glória . Assim como Cristo faz com a Igreja.
A lavagem do sacrifício de Cristo pode apagar toda a mancha sem deixar nenhuma marca, nenhuma imperfeição, mas ela se torna moralmente santa e inculpável.

3- O fundamento do amor

Paulo aplica esse modelo de amor de Cristo para com a sua igreja do marido para com a esposa. Não é a esposa que impõe o amor, assim como não é o marido que impõe a sujeição. O amor do marido pela esposa é em obediência a Cristo, mas ao mesmo tempo é voluntário, esse amor é incondicional.
Paulo ilustra o amor do marido pela esposa como o seu amor pelo próprio corpo. Se pensarmos nessa ideia, voltando ao jardim, a mulher é formada apartir do corpo do homem.
É natural amarmos o nosso corpo, o protegermos, o nutrimos, faz parte da condição humana e o fazemos naturalmente. Da mesma forma o amor pela esposa deve ser da mesma forma espontâneo, natural, comprometido. O normal é que as pessoas não odeiem a sua carne, ou o seu corpo, antes cuidem dele, estejam atento às suas necessidades.
Mais uma vez o exemplo de Cristo é mencionado falando do seu cuidado para com a igreja, que é o seu corpo. Cristo atende a suas necessidades, a nutre, cuida dela. Cristo é a fonte de sustento da Igreja, o manancial, o pão.

III- A UNIDADE DO CASAL

Nos versos 31 a 33 Paulo vai resumir a ideia que apresentou e enfatiza a unidade que precisa de existir no casamento.

1- Através da aliança

O marido e a esposa formam uma só carne. Gênesis 2:24 Antes de casar o homem e a mulher são independentes, mas ao se casarem eles se tornem um só, interdependentes.
Gênesis 2.24 ARA
Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.
Eles que antes faziam parte de famílias diferentes se unem para formar uma nova família

2- Seguindo o modelo da união de Cristo com a Igreja

Paulo fala da união entre Cristo e a Igreja como um mistério, é algo que ainda não conseguimos compreender de forma plena, mas é essa unidade de Cristo e a Igreja que é o modelo de união no casamento.

3- A Harmonia do relacionamento

A unidade só é possível se houver uma perfeita harmonia e para que isso aconteça cada um precisa de desempenhar o seu papel no lar.
Aqui Paulo usa falando novamente da esposa ele usa outra palavra que não a sujeição e que ela tem sido traduzida de diferentes formas, precisamente porque infelizmente as palavras tem sido distorcidas pela mentalidade da sociedade. Há traduções que dizem para a mulher respeitar o marido, mas a palavra usada por Paulo é exatamente a mesma que ele usa no verso 21 que diz que precisamos nos sujeitar uns aos outros no temor de Cristo, é nesse mesmo sentido que o termo é trazido para a atitude da mulher para com o marido. Mais uma vez reforçar a ideia não é temor de medo, mas um temor no sentido de desejar agradar, de não querer entristecer, considerando o papel de liderança do marido.

CONCLUSÃO

Podemos terminar da mesma forma que começamos com o verso de Efésios 5: 21
Efésios 5.21 ARA
sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.
Somos chamados a nos sujeitarmos uns aos outros. Isso se aplica de diferentes formas, nos diferentes relacionamentos. A sujeição da esposa é manifesta na submissão ao marido, a submissão do marido é manifesta no seu amor por ela, o resultado disso é a harmonia e alegria.
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