Os Dons do Espírito Santo

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Na aula de hoje trataremos dos dons espirituais e mais especificamente do dom de línguas e profecia. A razão para destacarmos esses dois dons é a proeminência que eles passaram a ter na igreja evangélica depois do surgimento do movimento pentecostal e neopentecostal.
Dons espirituais, em geral, são habilidades e capacidades concedidas pelo Espírito aos crentes para edificação da igreja, avanço do reino de Deus e glorificação do Senhor.
Eles são concedidos a cada crente pelo Espírito Santo, o qual os distribui a cada um “conforme lhe apraz.” (1Co 12.11; Hb 2.4). Isto não impede que os crentes desejem ardentemente os “melhores” dons espirituais (1Co 12.31; 14.1; 14.39).
Os “melhores dons” que Paulo encoraja os Coríntios a buscar (1Co 12.31) são os primeiros da lista de 1Co 12.28, que é claramente uma lista por ordem de utilidade (notar “primeiro,” “segundo,” “terceiro,” etc.). Em 1Co 14.1,40 Paulo encoraja o dom de profecia (entendida como exortação baseada nas Escrituras, como veremos adiante). O dom de línguas, embora não proibido, é claramente desencorajado pelo apóstolo, em vista das suas limitações, problemas potenciais e mau uso por parte dos Coríntios.
Os crentes devem usar seus dons para servir a Cristo na obra do Seu Reino, e para a edificação do Seu Corpo (1Co 14.12,26). Todo os crentes genuínos recebem algum ou alguns dos dons espirituais. Estes dons devem ser exercidos em amor, visando à edificação da Igreja. Nenhum dom espiritual deve ser desprezado, nem utilizado para trazer glória a qualquer outro que não Cristo Jesus.
Essa aula é baseada nas minhas pesquisas e texto que serviram de base para a Carta Pastoral da IPB sobre o Espírito Santo.

I - AS LISTAS DE DONS ESPIRITUAIS

O Novo Testamento traz as seguintes listas de dons espirituais:
Rm 12.3-8: “Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um de vocês que não pense de si mesmo além do que convém. Pelo contrário, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um. POs Dons do Espírito Santoorque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função, assim também nós, embora sejamos muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros. Temos, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada: se é profecia, seja segundo a proporção da fé; se é ministério, dediquemo-nos ao ministério; o que ensina dedique-se ao ensino; o que exorta faça-o com dedicação; o que contribui, com generosidade; o que preside, com zelo; quem exerce misericórdia, com alegria.”
1Co 12.8-10: “Porque a um é dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria; a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhecimento. A um é dada, no mesmo Espírito, a fé; a outro, no mesmo Espírito, dons de curar; a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos. A um é dada a variedade de línguas e a outro, capacidade para interpretá-las.”
1Co 12.28: “A uns Deus estabeleceu na igreja, primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois, operadores de milagres; depois, os que têm dons de curar, ou de ajudar, ou de administrar, ou de falar em variedade de línguas.”
Ef 4.11: “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres.”
1Pe 4.10-11: “Sirvam uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como encarregados de administrar bem a multiforme graça de Deus.”
As diferenças na terminologia introdutória das listas, os diferentes dons alistados, bem como seu número, não justificam uma classificação rígida dos dons em categorias distintas, como “espetaculares,” “espirituais,” “de Cristo,” “os nove dons do Espírito,” “os cinco ministérios do Espírito,” etc.
Tais diferenças se explicam à luz das situações distintas e dos propósitos diversos com que os autores as escreveram. As diferenças também sugerem que as listas não tinham caráter exaustivo, pois outros dons são referidos em outras passagens da Escritura.

II – O DOM DE LÍNGUAS

A Natureza das Línguas

Quanto à exata natureza das línguas faladas miraculosamente no Novo Testamento, devemos buscar indícios nos relatos do livro de Atos e na primeira carta de Paulo aos Coríntios. O final do Evangelho de Marcos 16.9-20 traz o falar “novas línguas” como um dos sinais que haveriam de acompanhar os que creem (Mc 16.17).
Alguns têm sugerido que as “novas línguas” ali mencionadas se referem a um novo tipo de línguas, diferente da linguagem humana. Entretanto, o adjetivo kainos (“novo”), empregado na expressão, não significa necessariamente “um novo tipo,” mas simplesmente algo que é novidade, ainda não costumeiro ou conhecido (comparar com At 17.21) em oposição a palaios “velho”. O sentido natural seria o de falar línguas até o momento ainda não faladas pelos que criam, e portanto, uma novidade para eles. A palavra traduzida como “línguas,” aqui, e em todo o Novo Testamento, é a palavra normal em grego para linguagem humana, glossa.
Parece evidente que as línguas descritas em Atos 2 eram idiomas humanos conhecidos pelos ouvintes presentes por ocasião do Pentecoste. A declaração de Lucas em At 2.4 deixa pouca dúvida de que o milagre foi o de os apóstolos falarem em outras línguas que não as suas próprias, e não, como alguns têm sugerido, o de os presentes ouvirem em suas próprias línguas. O fenômeno, pois, foi dictivo, e não auditivo. Não há qualquer indício de que as línguas faladas nas demais ocasiões mencionadas em Atos fossem de natureza diferente. Pedro considerou o que ocorreu na casa de Cornélio como sendo idêntico ao fenômeno ocorrido em Pentecoste (At 11.15).
Quanto às línguas mencionadas por Paulo na sua primeira carta aos Coríntios, embora sua exata natureza seja de mais difícil interpretação, não há qualquer evidência exegética, teológica, ou histórica, de que fossem diferentes do precedente estabelecido em Atos, ou seja, dos idiomas falados no Pentecoste. Alguns têm apontado para a expressão “outras línguas,” que ocorre várias vezes em 1Co 14, como indício de que se trata de línguas diferentes dos idiomas humanos. Porém, a palavra “outras” não ocorre no original grego, tratando-se de uma interpretação dos tradutores para o português.
O adjetivo “estranha,” colocado pelos tradutores da versão Almeida Revista e Corrigida após glossa,na passagem de 1Co 14, não aparece no texto grego, e certamente tem contribuído para difundir a ideia errônea de que o fenômeno tinha a ver com línguas misteriosas, intraduzíveis e estáticas.
Alguns ainda apelam para 1Co 14.2 para apoiar a ideia de que Paulo está lidando em 1Coríntios com um fenômeno distinto de At 2.4-11. O texto afirma que “quem fala em língua, não fala a homens, senão a Deus, visto que ninguém o entende, e em espírito fala mistério.” Porém, à luz do contexto, transparece que Paulo está se referindo ao que fala em língua, e o mesmo não é entendido ou interpretado. Para os que o ouvem, o sentido é desconhecido. Portanto, é um mistério. Este seria o efeito se alguém falasse em um idioma humano completamente desconhecido dos seus ouvintes. Neste sentido, ele fala não aos homens, mas a Deus.
Caso as línguas faladas em Corinto, ou em qualquer outra igreja neotestamentária, fossem diferentes das faladas em Atos, era de se esperar que o apóstolo Paulo, ou outro escritor do Novo Testamento, estabelecesse a diferença em seus escritos. O silêncio de Paulo sobre a natureza das línguas, em sua primeira carta aos Coríntios, revela que o apóstolo está assumindo que seus leitores, vivendo alguns anos após o Pentecoste, estavam a par do que ocorrera naquela ocasião. À luz do precedente estabelecido em Atos, torna-se mais natural supor que as línguas de Corinto eram, como em Atos, idiomas humanos.
Devemos observar que há várias evidências a este favor na própria carta aos Coríntios. Paulo claramente se refere ao dom como sendo falar “línguas de homens” (1Co 13.1). A expressão “e de anjos” foi possivelmente adicionada por Paulo como exagero intencional, como também as expressões seguintes “conhecer toda a ciência” e “ter fé capaz de remover montes.” Em 1Co 14.20-21 Paulo claramente se refere a idiomas humanos. O dom de “interpretar” (1Co 12.10) pode também ser entendido como tradução de um idioma conhecido para outro (ver At 9.36; Jo 1.42). Os argumentos acima, se tomados juntamente com o precedente em Atos, constituem-se em indício importante de que as línguas mencionadas em Corinto e no resto do Novo Testamento são um único e mesmo fenômeno. Em nenhum lugar a Escritura fala de dois dons de línguas distintos, e nem existem indícios inegáveis nas mesmas que nos obriguem a crer na existência de dois fenômenos distintos.

O Propósito das Línguas

Evidenciar a Universalidade da Graça
As línguas mencionadas no livro de Atos ocorreram por ocasião da descida do Espírito Santo sobre judeus (2.1-13), sobre gentios que eram simpatizantes do judaísmo (10.44-46; 11.16-17), e finalmente sobre alguns discípulos de João Batista (19.1-7).
Aparentemente, elas funcionaram como evidência externa da descida do Espírito sobre estes diferentes grupos, refletindo o progresso do Evangelho a partir dos judeus, passando por grupos intermediários até alcançar, finalmente, os gentios, conforme Jesus determinou em Atos 1.8. Podemos concluir que, como evidência do cumprimento das diferentes etapas do Pentecoste, as línguas cessaram.
Sinal do Juízo de Deus sobreos incrédulos
É importante ainda notar que as línguas serviram como sinal do juízo de Deus sobre os descrentes. Escrevendo aos Coríntios sobre o propósito das línguas, Paulo afirma: “Na lei está escrito: Falarei a este povo por homens de outras línguas e por lábios de outros povos, e nem assim me ouvirão, diz o Senhor. De sorte que as línguas constituem um sinal, não para os crentes, mas para os incrédulos” (1Co 14.20-22).
A citação de Paulo vem de Is 28.11-12. Nesta passagem, Isaías profetiza a invasão de Israel pelos caldeus, povo cuja língua era totalmente desconhecida para os judeus. Os gritos dos soldados caldeus invasores eram o sinal de que o juízo de Deus estava se abatendo sobre a nação incrédula. A profecia de Isaías baseia-se no que Moisés escreveu em Dt 28.49-53, sobre Deus usar um povo de linguagem desconhecida para castigar Israel em decorrência da desobediência, um tema também desenvolvido em Jr 5.15 (ver ainda Is 33.19).
Paulo, por sua vez, partindo da profecia de Isaías, aplica o mesmo princípio aos seus dias, ao escrevera os Coríntios sobre o propósito do dom de línguas. Assim como no passado o juízo de Deus sobre os judeus descrentes evidenciou-se através da destruição da nação por um povo cuja linguagem lhes era desconhecida, assim também o juízo de Deus sobre os judeus descrentes na época do Novo Testamento, tirando-lhes o Reino e passando-o para outro povo, manifestou-se através das línguas faladas miraculosamente pelos gentios que receberam o Messias de Israel.
Portanto, como sinal do juízo de Deus sobre um Israel incrédulo, as línguas serviram a um propósito histórico e definido. Assim, podemos concluir que, sob o prisma de sinal do juízo de Deus, as línguas cessaram.
Edificação da Igreja
Em sua primeira carta aos Coríntios, o apóstolo Paulo enfatiza a edificação da Igreja como sendo o propósito de todos os dons espirituais. As línguas, portanto, onde não entendidas, e sem interpretação, eram proibidas por ele, visto que não traziam edificação aos que as ouviam (1Co 14.27-28).
Ainda que Paulo não minimize a realidade do dom de línguas, ele o considera como possuindo um valor inferior aos dons que utilizam palavras inteligíveis (1Co 14.1-9). Paulo, pois, dá preferência à profecia, pois esta edifica a Igreja (1Co 14.1-4). Embora admitindo o orar e o cantar em línguas, Paulo expressa que é melhor orar e cantar também com o entendimento (1Co 14.15).
A preferência do apóstolo inspirado, “prefiro falar na Igreja cinco palavras com meu entendimento, para instruir outros, a falar dez mil palavras em outra língua” (1Co 14.19),claramente demonstra que as línguas ocupam lugar absolutamente secundário nas reuniões do povo de Deus. Mesmo não proibindo, ele desencoraja o seu uso (1Co 14.39-40).
Portanto, mesmo os que rejeitarem a argumentação sobre a natureza das línguas, certamente deverão levar em conta a argumentação sobre o propósito por excelência dos dons: a edificação da Igreja.

A Contemporaneidade das Línguas

Sob o ponto de Vista Textual
Quando encaradas como evidência da universalidade da graça e como sinal do juízo de Deus sobre os incrédulos, as línguas cessaram, havendo cumprido aquelas finalidades históricas.
No que se refere ao seu propósito de edificação da Igreja, o Novo Testamento, entretanto, não explicita a cessação ou continuação do dom de línguas além do período apostólico. Assim, a questão da contemporaneidade do dom de línguas não pode ser determinada de forma final a partir dos dados escriturísticos. Em geral, podemos mencionar duas posições antagônicas sobre o assunto: a de que as línguas cessaram como um todo, e a de que as línguas permanecem hoje como durante o período apostólico.
Os que creem na cessação absoluta do dom de línguas têm, às vezes, apelado para 1Co 13.10 como evidência. Entretanto, esta passagem não pode ser usada como prova indiscutível da cessação das línguas, visto que não é claro no texto que to teleion, “o que é perfeito,” se refira quer ao fechamento do Cânon, quer à maturidade espiritual da Igreja, podendo perfeitamente ser uma referência à Segunda Vinda de Cristo.
Os que creem na plena contemporaneidade das línguas frequentemente se esquecem do ensino bíblico claro sobre a natureza e propósitos das mesmas.
Além do fato de que não existem provas claras de que idiomas estejam sendo falados, as línguas são quase sempre faladas por todos ou pela maioria, durante os cultos públicos, e isto ao mesmo tempo, e sem interpretação, em clara dissidência dos mandamentos apostólicos em 1Co 14.26-37, estando assim ausente o propósito principal das línguas, que é a edificação dos fiéis.
Sob o Ponto de Vista Histórico
A História da Igreja registra que as línguas cessaram algum tempo após a era apostólica. A Igreja pós-apostólica, depois da crise gerada pelos exageros do Montanismo, abandonou definitivamente a prática de línguas e profecias.
Crisóstomo, um teólogo do século IV, testificou em seus escritos que as línguas e outros dons “espetaculares” haviam cessado tão antes de sua própria época,que ninguém mais sabia ao certo das suas características (Homilia 29, sobre 1Coríntios). Assim, através dos séculos, a Igreja vem servindo a Deus, evangelizando o mundo e sendo edificada sem o pretenso auxílio das mesmas.
Sob o ponto de Vista Teológico
Em Sua soberania, Deus pode conceder o dom de línguas à Igreja quando Lhe aprouver, em qualquer período da História. Uma manifestação genuína do dom de línguas deverá sempre seguir o padrão revelado pelo próprio Deus nas Escrituras, quanto à sua natureza, seu propósito, e sua utilização.
As igrejas cristãs não deveriam se sentir compelidas a aceitar como genuínas quaisquer manifestações contemporâneas de “línguas” que não se conformem ao precedente estabelecido pelo Espírito Santo nas Sagradas Escrituras. Cabe aos que acreditam e têm ensinado que Deus tem renovado esse dom na Igreja contemporânea, o ônus de fornecer evidências claras e inequívocas de que estas coisas são assim.

IV- O DOM DEPROFECIA

A Naturezada Profecia

Os profetas do Velho Testamento foram pessoas vocacionadas por Deus, que falaram da parte de Deus e comunicaram corajosamente Sua mensagem ao Seu povo, a nação de Israel. Parte das profecias veio a ser escrita e registrada no Antigo Testamento.
A profecia consistia não somente da predição de eventos futuros relacionados com a ação de Deus na história, os quais se cumpriram literal e infalivelmente, mas especialmente da exposição desses eventos e sua aplicação aos dias em que os profetas viveram. O ministério desses profetas encerrou-se séculos antes da vinda de Cristo ao mundo.
Os sucessores dos antigos profetas foram os apóstolos do Novo Testamento, os quais também receberam um chamado específico, predisseram futuros eventos, entre os quais a segunda vinda do Senhor e o juízo final, foram inspirados para escrever o Novo Testamento, e a palavra deles deveria ser recebida, à semelhança dos profetas antigos, como Palavra de Deus, cheia de autoridade e definitiva.
Pouco sabemos acerca dos profetas do Novo Testamento. À semelhança dos profetas do Antigo Testamento, eles eram capazes de prever futuros eventos, os quais se cumpriram exatamente como preditos (embora o único exemplo seja de Ágabo, At 11.28; 21.10), e também exortavam e confortavam as igrejas, como Silas (At 15.32). Alguns profetas participaram, com os apóstolos, da recepção da revelação fundamental de Cristo e da inclusão dos gentios na igreja e, portanto, como receptores desta revelação fundamental, estão na base histórica e teológica da igreja (Ef 2.20; 3.5).
Historicamente, tem-se entendido a profecia neotestamentária como sendo a própria proclamação da Palavra. Esta posição se harmoniza com passagens do Novo Testamento onde a profecia é descrita como trazendo instrução, edificação e conforto à Igreja (cf. 1Co 14.3).
A “revelação” recebida pelos profetas nas igrejas locais consistia em uma mensagem baseada nas Escrituras, que visava a edificar, a confortar e a instruir a Igreja, à semelhança dos profetas do Antigo Testamento, cuja atividade principal consistia em aplicar a Lei de Deus às consciências do povo, exortando, instruindo, sondando os corações e consolando.
Fosse qual fosse a natureza da profecia, deveria ser examinada e julgada pela comunidade ou demais profetas (observe o imperativo “julguem” em 1Co 14.29), para ver se estava em harmonia com a doutrina apostólica (notar como Paulo exige dos profetas reconhecimento de que seu ensinamento é Palavra de Deus, 1Co 14.37). Está claro que as palavras dos profetas não deviam ser desprezadas, porém, não eram para ser aceitas sem avaliação e exame, ao contrário das palavras dos antigos profetas do Antigo Testamento.

A Contemporaneidade da Profecia

Como instrumento para predizer as várias etapas do plano divino de redenção, a profecia cumpriu sua finalidade através dos antigos profetas e dos apóstolos, os quais registraram de forma inspirada e infalível as etapas ainda futuras da História da Redenção, como a Segunda Vinda de Cristo, a ressurreição dos mortos e o juízo final. Assim, como veículo de revelação divina, ela cessou com os apóstolos e profetas, os quais lançaram os fundamentos da Igreja de Cristo.
As Escrituras registram que Deus se revelou muitas vezes e de muitas maneiras através dos profetas ao povo do Antigo Pacto, e que, agora, nos últimos dias, se revelou através do Seu Filho (Hb 1.1-2). Essa revelação em Cristo se encontra registrada nas Escrituras, a qual é a nossa única regra de fé e prática, e através da qual Deus ordinariamente guia o Seu povo.
Ainda que no Novo Testamento se achem registrados alguns casos de orientação divina através de profecia, os mesmos não devem ser tomados como normativos para a Igreja de hoje, visto estarem ligados à História da Redenção, como no caso mencionado em At 21.11 (Ágabo), ou por se tratarem de ocorrências isoladas das quais pouco podemos saber pelos textos (ver 1Tm 1.18,4.14).
Assim, revelações ou predições de eventos relacionados com a vida de indivíduos não devem ser encorajadas, esperadas como ocorrência normal e costumeira durante as reuniões do povo de Deus, e nem recebidas sem avaliação e exame.
A profecia, como exposição e aplicação das Escrituras no poder do Espírito Santo, permanece na Igreja de Cristo em todas as épocas, e deve ser desejada e recebida como sendo o melhor dos dons (1Co 14.1,39). De acordo com Ap 19.10, “o testemunho de Jesus é o espírito da profecia,” significando que o propósito e o cerne da profecia é o testemunho da verdade sobre Cristo, a qual se encontra revelada nas Escrituras (ver Jo 5.39).

LEITURAS COMPLEMENTARES

LOPES, Augustus Nicodemus. Paulo e os “Espirituais” de Corinto - https://cpaj.mackenzie.br/fileadmin/user_upload/6_Paulo_e_os_Espirituais_de_ Corinto_Augustus_Nicodemus.pdf
LOPES, Augustus Nicodemus. Resenha do livro RitaCabezas, Desmascarado, trad. Eliane M. M. Fernandes (São Paulo: Renascer em Cristo, 1996) 227 pp. - https://cpaj.mackenzie.br/fileadmin/user_upload/Resenha1_Desmascarado_de_Rita_Cabezas_Augustus_Nicodemus.pdf
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