O Povo de Deus: Sua identidade e vocação

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TEXTO Efésios 1.1-23

INTRODUÇÃO

Contexto da cidade de Éfeso

A cidade de Éfeso era a capital da Ásia Menor e a maior metrópole da Ásia. Abrangia uma extensa área, e a sua população era superior a 300 mil habitantes.
Ela era o centro do culto de Diana - Roma, também chamada de Artemis pelos gregos, a deusa deusa da caça, da vida selvagem, da lua, da fertilidade, do parto e da virgindade, cujo templo, localizado a cerca de 1.600 metros da cidade, era considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo e constituía o principal motivo de orgulho para Éfeso, pois foi o maior templo do mundo antigo.

Contexto da Carta aos Éfésios

A carta aos Efésios é considerada por muitos estudiosos como o ponto alto da teologia paulina.
John Mackay afirmou: “Efésios é a carta mais contemporânea do Novo Testamento, pois trata da nova humanidade que Deus está formando em Cristo”.
John Stott descreve Efésios como “um manifesto para uma nova sociedade”, destacando que essa carta revela o eterno propósito de Deus de reconciliar tudo em Cristo e criar, por meio da Igreja, uma nova humanidade redimida, reconciliada e unida.
Armitage Robinson sintetiza bem ao afirmar: “Efésios é a revelação do que significa ser o povo de Deus no contexto de um universo em redenção.”
A visão de Efésios é abrangente: ela nos tira da individualidade e nos insere em uma comunidade redimida; nos tira da temporalidade e nos posiciona no eterno; nos tira do caos e nos insere no plano divino de reconciliação.
Em resumo, Efésios é uma carta para uma Igreja que quer entender seu lugar no mundo, sua missão e sua esperança.

O POVO ESCOLHIDO E SEPARADO PARA DEUS (Ef 1.1-2)

1 Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, aos santos que vivem em Éfeso e são fiéis em Cristo Jesus. 2 Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo estejam com vocês.
Como viver entre a realidade celestial e nosso contexto terreno? cuidado com a dualidade
O povo de Deus é chamado pela vontade de Deus para viver com fidelidade em Cristo, fundamentado na graça e na paz que procedem do Pai.
Paulo se apresenta como apóstolo pela vontade de Deus (v.1a);
Os destinatários são chamados de “santos” que vivem em Éfeso e e “fiéis em Cristo” (v.1b):
A santidade não é sobre aquele que não peca, mas é sobre a natureza de quem foi redimido e unido em Cristo mediante a atuação do Espírito Santo. Ou seja, sobre a nossa identidade e vocação como povo de Deus, distinto de todos os outros povos, porque foi separado para viver em santidade e servir a Cristo para o louvor da glória de Deus.
Fiel está relacionado a desenvolver nossa identidade vivendo segundo a nossa vocação servir a Cristo para o louvor da glória de Deus - confiando que Deus se revelou em Cristo e nos uniu a Ele, para que nossa vida seja uma expressão do amor que Ele derramou em nossos corações.
Portanto, nossa identidade não está em nossa cultura, mas em nossa relação com Deus;
Graça e paz revelam o favor imerecido e a reconciliação plena com Deus (v.2).
O favor de Deus nos sustenta e nos envia como seus representantes.

II. O POVO ABENÇOADO NAS REGIÕES CELESTIAIS (Ef 1.3-14)

3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo.
4 Antes da fundação do mundo, Deus nos escolheu, nele, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele. Em amor
5 nos predestinou para ele, para sermos adotados como seus filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o propósito de sua vontade,
6 para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado.
7 Nele temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça,
8 que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e entendimento.
9 Ele nos revelou o mistério da sua vontade, segundo o seu propósito, que ele apresentou em Cristo,
10 de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra.
11 Em Cristo fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade,
12 a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo.
13 Nele também vocês, depois que ouviram a palavra da verdade, o evangelho da salvação, tendo nele também crido, receberam o selo do Espírito Santo da promessa.
14 O Espírito é o penhor da nossa herança, até o resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória.
Deus Pai nos abençoou com toda sorte de bênçãos espirituais em Cristo, e essas bênçãos nos formam como um povo redimido, adotado e selado pelo Espírito.
O Pai é a fonte das bênçãos (v.3-6): Eleição e adoção para louvor da sua glória;
O Filho é o meio pelo qual as bênçãos de Deus se tornam acessíveis a nós (v.7-10): Redenção, perdão e revelação do mistério da vontade de Deus;
O Espírito Santo é garantia de que estas bênçãos serão plenas em nossas vidas (v.11-14): Selo como uma garantia de posse de uma herança que é eterna.
No passado nós fomos eleitos por Deus; no presente fomos adotados em Cristo; e no futuro serão unificados em Cristo em um corpo incorruptível;
Como povo de Deus, precisamos compreender que nossa vida não se fundamenta nas necessidades materiais, mas nas realidades espirituais eternas. Isso não significa negar as dores e os desafios do presente, mas reconhecer que há uma realidade superior, eterna e incomparável, que dá sentido e propósito a tudo o que vivemos neste breve intervalo do tempo.
Imagine um marinheiro em meio a uma tempestade no mar. Ondas gigantes se levantam, o céu escurece, e os ventos são impiedosos. Tudo ao redor parece instável e ameaçador. Mas à distância, ele avista um farol firme, inabalável, aceso no alto de uma rocha. Aquele farol não elimina a tempestade, mas revela a direção, dá esperança e confirma que existe terra firme adiante.
Assim é a nossa vida como povo de Deus. As tempestades da vida são reais — perdas, dores, crises, incertezas. Mas nossa esperança não está na calmaria do mar, e sim no farol eterno: as realidades espirituais em Cristo. Elas não ignoram o sofrimento, mas nos mantêm firmes, orientados e conscientes de que há algo maior, eterno e seguro que está à nossa espera.
Como povo de Deus, não existimos apenas para recebemos bênçãos, mas existimos “para o louvor da sua glória”.

III. O POVO ILUMINADO PARA CONHECER A DEUS (Ef 1.15-23)

15 Por isso, também eu, tendo ouvido a respeito da fé que vocês têm no Senhor Jesus e do amor para com todos os santos,
16 não cesso de dar graças por vocês, mencionando-os nas minhas orações.
17 Peço ao Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, que conceda a vocês espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele.
18 Peço que ele ilumine os olhos do coração de vocês, para que saibam qual é a esperança da vocação de vocês, qual é a riqueza da glória da sua herança nos santos
19 e qual é a suprema grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder.
20 Ele exerceu esse poder em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nas regiões celestiais,
21 acima de todo principado, potestade, poder, domínio e de todo nome que se possa mencionar, não só no presente século, mas também no vindouro.
22 E sujeitou todas as coisas debaixo dos pés de Cristo e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja,
23 a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.
Paulo ora para que o povo de Deus tenha plena consciência da esperança, da herança e do poder que lhes foi dado em Cristo.
1. Ação de Graças (v.15-16): pela fé em Cristo e o amor fraternal da comunidade;
2. Intercessão (v.17-19): Paulo pede que Deus abra os olhos do nosso coração para sabermos o que já temos. Ele está orando por:
sabedoria: conhecimento iluminado por Deus, ou seja, para que vejamos a vida como Deus vê.
discernimento: olhos iluminados para que tenhamos uma visão bíblica sobre todas as coisas
conhecimento: Conhecer a Deus pessoalmente é salvação (Jo 17.3). Conhecer a Deus progressivamente é santificação (Os 6.3). Conhecer a Deus perfeitamente é glorificação (1Co 13.9–12). Paulo reúne três grandes verdades que deseja que os crentes saibam. Elas referem-se ao chamamento, à herança e ao poder de Deus.
esperança: não é apenas um vago e melancólico anseio pelo triunfo da bondade, mas algo garantido pela possessão presente do Espírito como garantia. Deus chamou-nos para sermos de Jesus Cristo e para a santidade. Deus chamou-nos para a liberdade e para a paz. Deus chamou-nos para o sofrimento e para o seu reino de glória.
Chamamento: Somos a glória da herança de Deus. Nosso tesouro está em Deus , ao mesmo tempo, o tesouro de Deus está em nós. Deus olha para nós e vê em nós sua gloriosa riqueza, sua preciosa herança. Jesus verá o fruto do seu penoso trabalho e ficará satisfeito. Por isso chamamento olha para o passado e o futuro.
Poder: Paulo faz uso dessas quatro palavras para enfatizar a plenitude e a certeza desse poder.
1) dunamis — traz a ideia de uma dinamite, um poder irresistível;
2) energeia — o poder que trabalha de maneira eficaz, como uma energia;
3) kratos — poder ou força exercida;
4) ischus — poder, grande força inerente.
3. Exaltação de Cristo (v.20-23): o poder De Deus manifestado na:
Ressurreição e Entronização: Vitória sobre a morte, elevação à uma posição de supremo autoridade:
Para ter o soberano domínio de Cristo sobre toda a criação. Ele é Senhor do Cosmos!
Para ter a preeminência da Igreja:
A igreja é a plenitude de Cristo.
A igreja está cheia da sua presença, animada pela sua vida, cheia com os seus dons, poder e graça.
A igreja é o prolongamento da encarnação de Cristo.
A igreja é o seu corpo em ação na terra.
A igreja está cheia da própria Trindade: Filho (1.23), Pai (3.19) e Espírito Santo (5.18).

CONCLUSÃO

Efésios nos chama a compreender quem somos como povo de Deus:
Escolhidos pela graça;
Abençoados em Cristo;
Enviados em poder.
Que vivamos para o louvor da sua glória, com os olhos abertos, o coração inflamado e os pés firmes na missão.**
A Igreja é a nova sociedade que Deus está formando, restabelecendo em um mundo caído, a sociedade que Ele de antemão havia designado em seu Filho.
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