Salmo 73 - Os 5 Olhares de Asafe

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Salmo 73 ARA
Salmo de Asafe 1 Com efeito, Deus é bom para com Israel, para com os de coração limpo. 2 Quanto a mim, porém, quase me resvalaram os pés; pouco faltou para que se desviassem os meus passos. 3 Pois eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos. 4 Para eles não há preocupações, o seu corpo é sadio e nédio. 5 Não partilham das canseiras dos mortais, nem são afligidos como os outros homens. 6 Daí, a soberba que os cinge como um colar, e a violência que os envolve como manto. 7 Os olhos saltam-lhes da gordura; do coração brotam-lhes fantasias. 8 Motejam e falam maliciosamente; da opressão falam com altivez. 9 Contra os céus desandam a boca, e a sua língua percorre a terra. 10 Por isso, o seu povo se volta para eles e os tem por fonte de que bebe a largos sorvos. 11 E diz: Como sabe Deus? Acaso, há conhecimento no Altíssimo? 12 Eis que são estes os ímpios; e, sempre tranquilos, aumentam suas riquezas. 13 Com efeito, inutilmente conservei puro o coração e lavei as mãos na inocência. 14 Pois de contínuo sou afligido e cada manhã, castigado. 15 Se eu pensara em falar tais palavras, já aí teria traído a geração de teus filhos. 16 Em só refletir para compreender isso, achei mui pesada tarefa para mim; 17 até que entrei no santuário de Deus e atinei com o fim deles. 18 Tu certamente os pões em lugares escorregadios e os fazes cair na destruição. 19 Como ficam de súbito assolados, totalmente aniquilados de terror! 20 Como ao sonho, quando se acorda, assim, ó Senhor, ao despertares, desprezarás a imagem deles. 21 Quando o coração se me amargou e as entranhas se me comoveram, 22 eu estava embrutecido e ignorante; era como um irracional à tua presença. 23 Todavia, estou sempre contigo, tu me seguras pela minha mão direita. 24 Tu me guias com o teu conselho e depois me recebes na glória. 25 Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra. 26 Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre. 27 Os que se afastam de ti, eis que perecem; tu destróis todos os que são infiéis para contigo. 28 Quanto a mim, bom é estar junto a Deus; no Senhor Deus ponho o meu refúgio, para proclamar todos os seus feitos.

Introdução

O autor deste salmo é Asafe. Ele era um músico notável no tempo do rei Davi. Ele foi designado para ser o ministro de música no Templo de acordo com 1 Crônicas 16:5.
Este salmo foi escrito como a conclusão de seus pensamentos durante uma séria provação. Ele, junto com algumas das maiores pessoas da Bíblia, estava lutando para entender Deus e o que Ele estava fazendo em suas vidas e no mundo.
Há várias perguntas para as quais Asafe procurou as respostas. Por que há mal no mundo? Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas e coisas boas acontecem com pessoas ruins? Vale mesmo a pena ser fiel a Deus?
Este é um problema comum, e talvez tenhamos feito algumas dessas mesmas perguntas ou ponderado sobre quais poderiam ser as respostas. Asafe não encontrou a resposta com um passo imediato de fé; ele ganhou a vitória aos poucos.
Ao olharmos para esses passos que ele deu, talvez possamos entender o problema e descobrir a solução.

I. Ele olhou para trás (v.1-2)

Asafe inicia o Salmo 73 com uma declaração poderosa: “Com efeito, Deus é bom para com Israel, para com os de coração limpo.” (v.1). Essa não era apenas uma expressão vazia, mas uma convicção construída sobre a história do povo de Deus. Ele sabia que, ao longo dos séculos, o Senhor havia demonstrado sua bondade e fidelidade. Olhar para trás era lembrar dos feitos divinos, das promessas cumpridas e da aliança inabalável com Israel.
Porém, essa declaração de fé logo entra em conflito com sua experiência pessoal. Asafe não era um cético nem alguém que rejeitava a existência de Deus. Pelo contrário, era um homem de fé, alguém que levava a sério sua devoção ao Senhor. E justamente por ter fé, ele começou a lutar internamente. Se Deus é bom para os puros de coração, por que a vida parecia contradizer essa verdade?
Aqueles que eliminam Deus de sua vida não se preocupam com o problema do mal; para eles, a injustiça e o sofrimento são apenas um aspecto natural da existência. Mas para alguém que acredita em um Deus justo e soberano, a aparente prosperidade dos ímpios e o sofrimento dos justos se tornam um dilema. A fé de Asafe não lhe permitia ignorar essa realidade. Ele não podia simplesmente aceitar as coisas como eram sem buscar uma resposta. E foi nesse conflito que ele quase tropeçou.
A crise de Asafe não era teórica, mas profundamente pessoal. Ele via a bondade de Deus como uma verdade absoluta, mas sua vida não refletia essa bondade da maneira que ele esperava. A dúvida não o transformou em um incrédulo, mas o colocou diante de uma questão inquietante: será que ele estava errado em sua teologia? Será que havia algo em sua vida que ele não conseguia enxergar? Essas perguntas o levaram a um estado de angústia. Ele olhou para trás e viu a bondade de Deus na história de Israel, mas, ao olhar para sua própria vida, viu algo que não fazia sentido.
A realidade ao seu redor parecia contradizer sua fé. Ele via pessoas ímpias prosperando, enquanto ele, um servo fiel, enfrentava dificuldades. Seus vizinhos que não temiam a Deus tinham saúde, riquezas e tranquilidade. Eles viviam em paz, sem preocupações aparentes, enquanto ele carregava o peso das incertezas e lutas internas. A pergunta inevitável se formava em sua mente: onde está a justiça de Deus? Será que a bondade do Senhor estava reservada apenas para alguns? Ou pior, será que ele havia entendido tudo errado?
Esse dilema corroía sua alma. Se Deus recompensa os justos e pune os ímpios, por que as evidências mostravam o contrário? Se a bondade do Senhor é para os puros de coração, por que a vida dos perversos parecia mais fácil e próspera? Ele começou a se questionar: sua teologia estava errada? Será que ele havia falhado em alguma área de sua vida sem perceber? Ou talvez Deus estivesse distante, indiferente ao que acontecia no mundo?

II. Ele olhou ao redor (v.3-12)

Quando Asafe desviou os olhos de Deus e passou a olhar ao redor, sua crise se aprofundou. Ele viu a prosperidade dos ímpios e sentiu inveja. Como era possível que aqueles que rejeitavam a Deus vivessem tão bem enquanto ele, um homem fiel, enfrentava dificuldades? Ele observava que essas pessoas pareciam livres de preocupações, bem alimentadas, saudáveis e cercadas de luxo. Eles não carregavam o peso das aflições que os justos suportavam, e isso lhe causava revolta.
Mas não era apenas a riqueza deles que incomodava Asafe. O que o deixava ainda mais perturbado era o orgulho deles. Esses homens não apenas prosperavam, mas usavam sua posição para se exaltar. Em vez de reconhecerem a bondade de Deus, eles se gabavam de seu sucesso como se tudo tivesse sido conquistado por mérito próprio. Orgulhosos e arrogantes, ostentavam sua riqueza como um troféu e desprezavam os necessitados ao seu redor. Eles falavam com soberba, como se estivessem acima de todos, até mesmo de Deus.
O pior era que essas pessoas se tornavam modelos para os outros. O mundo admirava e aplaudia seu sucesso, correndo atrás deles como se fossem dignos de veneração. Suas palavras cheias de vaidade e desprezo por Deus não apenas eram toleradas, mas imitadas. Afinal, se estavam prosperando sem buscar a Deus, então, para muitos, Ele se tornava irrelevante. Eles questionavam: “Será que Deus realmente sabe? Será que Ele se importa?”. O coração de Asafe se agitava com essas coisas. Ele via os ímpios florescendo e se perguntava se a fé valia mesmo a pena.
Esse olhar ao redor o levou ao ponto mais perigoso de sua crise. A comparação o fez duvidar da justiça de Deus. A inveja o fez esquecer momentaneamente que o sucesso sem Deus é uma ilusão passageira. Asafe estava à beira de um abismo espiritual, e apenas um novo olhar poderia tirá-lo dessa confusão: ele precisava parar de olhar para o mundo e voltar seus olhos para Deus.
A resposta de Asafe não veio imediatamente. Ao olhar ao redor e ver a prosperidade dos ímpios, ele se viu perdido em um dilema profundo. Como poderia lidar com essa aparente injustiça? Como poderia falar de um Deus justo a um mundo onde os perversos pareciam triunfar? Essa era a grande questão que o atormentava.
A resposta para esse conflito não estava em uma solução fácil, nem em um argumento lógico que justificasse a situação. O problema de Asafe não era apenas teológico, mas emocional e espiritual. Ele estava confuso, abalado e à beira do desânimo. No entanto, sua angústia revela algo essencial: ele não abandonou a busca por respostas. Mesmo perturbado, ele não rejeitou a Deus; pelo contrário, ele lutou para entender.
A grande lição aqui é que, em vez de permitir que a inveja e a frustração o afastassem de Deus, Asafe permaneceu sincero em sua crise. Ele não se conformou com o que via ao seu redor, mas buscou um entendimento mais profundo. E essa busca o levaria ao ponto de virada de sua jornada: o momento em que ele olharia para cima e encontraria a verdadeira perspectiva. A resposta para sua angústia não estava no mundo ao redor, mas em Deus. Apenas voltando-se para Ele, Asafe encontraria clareza e descanso para sua alma.

III. Ele olhou para dentro (v.13-15)

Ao olhar ao redor e ver a prosperidade dos ímpios, Asafe foi levado a um olhar ainda mais profundo: o olhar para dentro de si. Esse momento de introspecção o fez questionar sua própria caminhada com Deus. Ele se via como um homem que havia se esforçado para viver em obediência, mantendo o coração puro e buscando agradar ao Senhor. No entanto, diante das circunstâncias, começou a se perguntar se tudo isso realmente valia a pena.
Sua conclusão imediata foi amarga: talvez tivesse desperdiçado sua vida confiando em Deus. Enquanto os ímpios desfrutavam de conforto e abundância, ele acordava todos os dias para enfrentar dificuldades e provações. A comparação era cruel. Se a fidelidade a Deus não lhe trazia uma vida mais fácil, então qual era o sentido? Esse pensamento lhe pesava na alma, quase o levando ao desespero.
No entanto, mesmo em meio à dúvida, Asafe ainda tinha algo fundamental: um coração voltado para Deus. Sua frustração não era fruto da incredulidade, mas da sua sede por justiça. Ele não estava rejeitando a Deus, mas lutando para entender Sua vontade. Esse olhar para dentro o colocou em um ponto crítico, pois, se permanecesse nesse caminho, poderia cair em murmuração e afastar-se ainda mais da verdade. Mas, ao invés de se deixar levar pelo ressentimento, ele decidiu buscar a resposta no único lugar que realmente importava: na presença de Deus.
Os sentimentos de Asafe eram intensos e reais. Ele não estava apenas enfrentando uma dúvida passageira, mas uma crise profunda que o abalava internamente. Ele poderia muito bem ter mascarado sua luta, fingindo piedosamente que tudo estava bem, mas isso teria sido hipocrisia. Sua fé era sincera demais para que ele simplesmente ignorasse essas questões ou engolisse sua frustração sem refletir.
E ao olhar para dentro, Asafe chegou ao ponto mais crítico de sua crise espiritual. Ele olhou para trás e se lembrou da bondade de Deus, mas sua realidade atual parecia contradizer essa verdade. Olhou ao redor e viu a prosperidade dos ímpios, sentindo inveja de seu sucesso. Quando olhou para dentro, encontrou inquietação, confusão e um sentimento esmagador de que talvez tivesse desperdiçado sua vida confiando em Deus. Tudo isso o colocou em uma encruzilhada perigosa.
Agora, ele precisava tomar uma decisão. Poderia abandonar sua fé e seguir o caminho dos ímpios, aceitando a lógica mundana de que Deus não faz diferença. Poderia se apegar à sua fé de maneira superficial, fingindo que tudo estava bem, mas se deteriorando espiritualmente por dentro. Ou poderia recorrer a Deus, trazendo suas dúvidas para Aquele que realmente tinha as respostas.
Esse conflito o isolava, mas ao mesmo tempo o impelia a buscar a Deus de uma forma mais profunda. Ele não podia continuar preso nesse impasse; precisava encontrar uma saída. E foi nesse momento que ele tomou a decisão mais sábia: parar de tentar entender tudo por si mesmo e levar sua inquietação para o único lugar onde poderia encontrar uma resposta real — a presença de Deus. Esse foi o passo que mudaria tudo.
Felizmente, Asafe escolheu o caminho certo. Em vez de permitir que sua crise o afastasse de Deus, ele a usou como um impulso para buscar a verdade de maneira mais profunda. Sua honestidade diante do Senhor o conduziria a um entendimento renovado. A solução para sua aflição não estava no mundo, nem dentro de si mesmo, mas na presença de Deus. Somente ali ele encontraria a clareza que tanto buscava.

IV. Ele olhou para cima (v.16-22)

Depois de olhar para trás, ao redor e para dentro, Asafe finalmente tomou a decisão certa: ele olhou para cima. Sua crise não poderia ser resolvida apenas com reflexões humanas ou raciocínios lógicos. Ele precisava ir até Deus. E foi exatamente isso que fez. Ele entrou no templo e apresentou seu caso diante do Senhor.
Por mais importante que seja o conhecimento teológico, nada pode substituir um relacionamento real com Deus. Asafe percebeu que, enquanto tentasse compreender tudo por conta própria, sua visão permaneceria distorcida. Mas quando entrou na presença do Senhor, sua perspectiva mudou. O que antes parecia uma grande injustiça começou a fazer sentido diante da eternidade.
Nossa visão da vida depende de onde estamos espiritualmente. Se andamos apenas pela vista, enxergamos o que está diante de nós: os prazeres passageiros do mundo e a aparente prosperidade dos ímpios. Mas quando andamos pela fé, descobrimos os verdadeiros valores que permanecem. Nossa perspectiva define nossas escolhas, e se olhamos para a vida apenas com olhos terrenos, tomamos decisões equivocadas. A única forma de enxergar corretamente é elevar nosso olhar a Deus.
A adoração nos dá clareza. Quando paramos para contemplar a Deus e meditar em Sua verdade, percebemos que tudo neste mundo é passageiro. A verdadeira prosperidade não está naquilo que se pode ver e possuir, mas em um coração alinhado com o propósito de Deus. Foi no templo, na presença do Senhor, que Asafe começou a entender a realidade de maneira correta. O que antes parecia uma grande confusão agora começava a se dissipar.
A decisão de Asafe de entrar no santuário de Deus (v.17) transformou completamente sua perspectiva. Até então, ele tentava entender a vida apenas com sua própria razão, o que só o levava a mais dúvidas e angústia. Mas ao buscar a Deus, sua visão foi aguçada, e ele finalmente enxergou a verdade sobre a prosperidade dos ímpios. O que antes parecia um grande enigma agora fazia sentido: o sucesso deles era temporário, frágil como um sonho que desaparece ao amanhecer. Eles podem parecer inabaláveis, mas estão em terreno escorregadio, e sua queda será repentina e irreversível. A justiça de Deus não falha, apenas não se manifesta segundo o tempo humano.
Além de enxergar melhor a condição dos ímpios, Asafe também passou a ver seu próprio coração com mais clareza. Ele percebeu que sua revolta e inveja o haviam cegado, tornando-o irracional e amargo. Ele descreve sua atitude como a de um animal irracional, movido apenas por sentimentos e impulsos, sem uma compreensão real da situação. Ao olhar para cima e buscar a Deus, Asafe não apenas obteve respostas sobre o mundo ao seu redor, mas também teve um encontro consigo mesmo. Ele viu como sua perspectiva limitada o levou a conclusões erradas e como apenas na presença de Deus ele poderia encontrar a verdade. Essa experiência o restaurou e o levou a um entendimento mais profundo da justiça divina.

V. Ele olhou pra frente (v.23-28)

Depois de olhar para trás, ao redor, para dentro e, finalmente, para cima, Asafe agora está pronto para olhar para frente com uma nova perspectiva. Sua crise de fé foi resolvida, não porque as circunstâncias ao seu redor mudaram, mas porque ele passou a enxergar a realidade à luz da eternidade. Agora, sua confiança está renovada, e ele percebe que sua segurança nunca esteve nas riquezas ou no sucesso terreno, mas na presença constante de Deus.
Ele reconhece que, no presente, Deus está com ele continuamente, sustentando-o em cada momento. O que antes parecia incerteza agora se torna convicção: ele nunca esteve sozinho. Quando olha para o passado, percebe que Deus sempre o sustentou, segurando sua mão direita e guiando seus passos, mesmo quando ele se sentia perdido. E, ao olhar para o futuro, tem a certeza de que o Senhor continuará a guiá-lo com sabedoria até o dia em que será recebido na glória.
Ao olhar para frente, Asafe não apenas viu o tempo à luz da eternidade, mas também passou a enxergar a terra à luz do céu. Antes, ele olhava para os ímpios e via que pareciam ter tudo: riqueza, conforto e sucesso. Mas agora, sua perspectiva foi transformada. Ele percebeu que, porque tem Deus, ele já tem tudo o que realmente importa. A verdadeira prosperidade não está nos bens materiais ou no reconhecimento humano, mas na comunhão com o Criador.
Essa nova mentalidade se assemelha à de Moisés, que, pela fé, rejeitou os prazeres do Egito e escolheu sofrer com o povo de Deus, pois seus olhos estavam fixos na recompensa eterna. Ele compreendeu que a glória passageira do mundo não se compara àquilo que Deus tem preparado para os que O amam. Em contraste, Ló tomou a decisão oposta: viu as riquezas de Sodoma e Gomorra e escolheu o que parecia vantajoso aos olhos humanos, mas que, no final, trouxe destruição para sua vida e sua família.
Olhando para frente, Asafe finalmente encontra firmeza. O homem que começou esse salmo dizendo que seus pés quase escorregaram agora está de pé, ancorado na verdade de Deus. Sua crise não foi ignorada nem varrida para debaixo do tapete — ele a enfrentou, lutou com suas dúvidas e saiu mais forte, porque decidiu buscar a Deus em vez de se perder na inveja e no desânimo.
Ele percebe que ter os valores certos não é apenas uma questão de conforto espiritual, mas de vida ou morte. Aqueles que escolhem o mundanismo, buscando segurança e prazer nas riquezas deste mundo, estão se afastando de Deus, caindo no que a Bíblia chama de adultério espiritual. Como Tiago adverte, a amizade com o mundo significa inimizade com Deus. No início de sua crise, Asafe quase caiu nessa armadilha, quase acreditou que seguir a Deus era inútil. Mas agora, sua visão foi restaurada. Ele não apenas permanece firme na fé, mas declara que foi bom para ele se aproximar de Deus.
O que antes era dúvida se transformou em convicção. O que antes era inveja se tornou testemunho. Em vez de reclamar sobre a prosperidade dos ímpios, ele agora proclama as maravilhas de Deus. Sua jornada, que começou com incerteza e amargura, termina com fé e confiança. Ele entende que a verdadeira segurança não está no que o mundo pode oferecer, mas em estar na presença de Deus — e essa é a maior riqueza que alguém pode ter.

Conclusão

Asafe começou sua jornada com um coração perturbado, questionando a justiça de Deus e invejando a prosperidade dos ímpios. Ele quase tropeçou na fé porque olhava apenas para o que via ao seu redor. No entanto, ao entrar na presença de Deus, tudo mudou — não as circunstâncias, mas sua perspectiva. Ele percebeu que a verdadeira segurança não está nas riquezas passageiras deste mundo, mas na comunhão com Deus.
O Salmo 73 nos ensina que nossa fé não pode ser baseada apenas no que sentimos ou vemos, mas na verdade eterna de Deus. Ele nos chama a confiar Nele tanto nos dias bons quanto nos dias difíceis, porque Sua Palavra permanece verdadeira independentemente das circunstâncias. Não vivemos de explicações, mas de promessas, e é na adoração e na busca sincera que essas promessas se tornam reais em nossas vidas.
Diante dessa mensagem, fica o convite: se você tem lutado com dúvidas, se sente que sua fé está vacilando ou se as injustiças da vida têm pesado sobre você, olhe para cima. Traga suas perguntas e inquietações para Deus. Ele não rejeita aqueles que O buscam sinceramente, mas os conduz a um entendimento mais profundo e a uma fé inabalável. Aproximar-se Dele sempre será o melhor caminho.

Aplicação

A crise de Asafe reflete a luta de muitos cristãos que, ao verem os ímpios prosperando, sentem-se tentados a duvidar da justiça de Deus. A inveja e a comparação podem obscurecer nossa visão, fazendo-nos questionar se vale a pena permanecer fiéis. No entanto, Jesus nos ensina que a verdadeira recompensa não está na riqueza ou no status terreno, mas na comunhão com Deus. Ele próprio sofreu injustamente, mas nunca perdeu de vista o propósito do Pai. Quando buscamos a Deus com sinceridade, nossa visão se alinha com a verdade: a prosperidade dos ímpios é passageira, mas a justiça divina prevalecerá. A adoração nos devolve a perspectiva correta, fortalecendo nossa fé e nos lembrando de que nossa verdadeira segurança está em Deus, não nas circunstâncias deste mundo. Assim, em vez de duvidar ou nos afastar, somos chamados a confiar e proclamar as grandes obras do Senhor.
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