ORAÇÃO POR MATURIDADE

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INTRODUÇÃO
A nossa vida e as nossas atitudes têm demonstrado maturidade espiritual?
Como a sociedade, em geral, nos enxerga? Como crentes imaturos ou como crentes maduros?
Será que nós temos demonstrado efetivamente que Jesus mudou nossas vidas e, por isso, vivemos de maneira diferente, santa e madura?
Essas perguntas são inquietantes e nós precisamos analisar minuciosamente nossa vida para respondê-las.
Uma autoanálise sincera é de extrema importância para nós, pois, se formos verdadeiros e respondermos negativamente, entenderemos que precisamos amadurecer espiritualmente ou precisamos desenvolver a nossa vida cristã.
E isso é normal. Faz parte da caminhada cristã o desenvolvimento espiritual, buscando atingirmos a estatura de Cristo.
O errado é nos mantermos por muito tempos como neófitos (novo convertido) - sem desenvolver a maturidade cristã.
É por isso que o apóstolo Paulo, quando envia Timóteo à Igreja de Tessalônica, faz uma oração a Deus, rogando pela vida dos cristãos tessalonicenses, a fim de que desenvolvessem e amadurecessem espiritualmente.
Essa oração se encontra em 1 Tessalonicenses 3.11-13, peço para que os irmãos abram suas Bíblias e acompanhem o texto que trataremos essa noite. O tema do mês é orando com o apóstolo Paulo e nos debruçaremos a ouvir a voz de Deus através dessa sincera oração do apóstolo, buscando amadurecimento espiritual para nós.

11 Ora, o nosso mesmo Deus e Pai, e Jesus, nosso Senhor, dirijam-nos o caminho até vós, 12 e o Senhor vos faça crescer e aumentar no amor uns para com os outros e para com todos, como também nós para convosco, 13 a fim de que seja o vosso coração confirmado em santidade, isento de culpa, na presença de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos.

2. CONTEXTUALIZAÇÃO
Esta carta foi enviada pelo apóstolo Paulo para a Igreja plantada na cidade de Tessalônica (antiga “Thermais” - por ter fontes de águas quentes).
Tessalônica era uma cidade importante do império romano e disputava com Constantinopla para ser a "capital do mundo".
Tessalônica era importante devido à grande estrada imperial Via Egnatia, que ligava oriente ao ocidente - Leste a Oeste. De fato sua rua principal era parte da mesma rota que unia Roma com o Oriente. O comércio se introduzia aqui do Oriente e o Ocidente.
O cristianismo chegando em Tessalônica é a demonstração do plano de Deus em salvar pecadores de todas as nações, pois é o evangelho se espalhando pelo mundo - do oriente ao ocidente.
Paulo, após plantar a igreja em Filipos, vai à cidade de Tessalônica, cerca de 160km de distância.
Chegando na cidade, além de trabalhar, o apóstolo dirigia-se à sinagoga e pregava o evangelho de Cristo. Essas pregações duraram cerca de três sábados e causaram um alvoroço no meio dos judeus.
O evangelho de Cristo pregado por Paulo e seus amigos “persuadiu” alguns judeus e uma numerosa multidão de prosélitos gregos. Ao ouvir o evangelho, muitos tiveram seus corações e vidas transformados, através de uma mudança radical.
Por esse alvoroço, a comitiva teve que ir embora às escondidas.
Paulo mantinha em seu coração o resultado imediato que o evangelho havia causado na vida daqueles homens e mulheres e envia Timóteo à cidade para tomar informações de como a Igreja estava.
Para alegria de Paulo, os crentes de Tessalônica permaneciam firmes na fé, porém ainda existiam alguns problemas pontuais que precisavam ser sanados:
a) A pregação sobre a Segunda Vinda de Cristo havia gerado uma histeria expectante no povo, que abandonou seus empregos e vidas comuns para apenas esperar a volta de Jesus;
b) A falta de entendimento quanto aos que haviam morrido antes da Segunda Vinda de Cristo;
c) A tendência em desprezar toda autoridade legal;
d) A difamação por alguns, de Paulo, sugerindo que ele pregava por dinheiro ou que era um ditador;
e) As divisões que ocorriam na Igreja.
Então, Paulo decide escrever esta carta.
Nos dois primeiros capítulos, vemos Paulo explicando como aquela Igreja havia nascido e a forma como ele havia pastoreado.
A partir do capítulo 3, Paulo inicia recomendações aos cristãos de Tessalônica para o amadurecimento espiritual. De 1-10, vemos que Paulo enfatiza o motivo de enviar Timóteo a eles e demonstra o reconfortante relatório prestado pelo jovem sobre a Igreja. Porém finaliza com certa preocupação quanto às “deficiências da vossa fé” - ὑστερήματα τῆς πίστεως ὑμῶν (o que é necessário, mas está em falta).
Paulo estava orando para que a igreja de Tessalonica amadurecesse e deixasse os problemas na fé (3.9-10), por isso, era necessário que estivessem maduros espiritualmente para desenvolver a vida cristã.
3. DESENVOLVIMENTO
Com base nessa oração que lemos, quero trazer a seguinte afirmação teológica: “AS EVIDÊNCIAS DE UM CRISTÃO EM AMADURECIMENTO ESPIRITUAL”:
I. Andar Sob a Direção de Deus (11)
Paulo ora para que Deus conduza ele a voltar à cidade e ter novamente um contato com os crentes de Tessalônica - aproveitando para reparar as deficiências da fé deles. Porém o apóstolo sabia que somente o Senhor poderia abrir os caminhos e fazer com que ele chegasse ao encontro dos tessalonicenses de novo. Grandes eram os desafios e os obstáculos que tentavam impedir que Paulo e sua comitiva pregassem o evangelho - prisão, expulsão, espancamento, etc.
O apóstolo tinha uma sincera preocupação com o amadurecimento e com o desenvolvimento daquela Igreja e queria continuar instruindo-os assim como tinha feito na plantação. Porém Paulo sabia que esse retorno à cidade só ocorreria se Deus fosse adiante dele e dirigisse o caminho. O Deus Pai cuida e guia os seus filhos no caminho e na vontade perfeita e somente Ele poderia dirigir o apóstolo aos amados tessalonicenses.
Essa oração nos demonstra que todo cristão deve andar segundo a direção de Deus.
A construção metafórica que Paulo traz “dirijam-nos o caminho até vós” faz alusão a Deus conduzi-los e retirar os empecilhos que estavam dificultando o retorno. O verbo do grego (κατευθύναι) significa literalmente direcionar, endireitar, dirigir, liderar, etc. Essa construção metafórica demonstra que o caminho correto é designado por Deus e que somente Ele pode orientar e dirigir o Seu povo.
O apóstolo demonstra que a caminhada cristã é dirigida por Deus. Os tessalonicenses deveriam ter em mente que era necessário andar sob a direção de Deus. E nós tambéms devemos ter isso em nossas mentes e corações.
Temos inúmeros exemplos nas Escrituras de que, quando Deus conduzia o Seu povo, tinham vitória, mas quando a direção ficava pelo homem e seu ego inflado, tinham derrota.
Entenda que, quando somos chamados pela graça de Cristo à salvação perdemos totalmente o controle de nossa vida; já não somos nós quem dirigiremos os nossos passos, mas será o próprio Deus quem nos guiará. E, meus irmãos, muito melhor ser conduzido pelo perfeito caminho e pela perfeita vontade de Deus.
Nós, como pecadores, só desejamos caminhos tortuosos. A nossa condução e a nossa direção são ineficazes. Nós só conseguiremos encontrar miséria. Mas Cristo nos conduz pelo “novo e vivo caminho". Jesus nos alcança com graça e nos conduz.
Assim, é necessário entendermos que o cristão maduro espiritualmente não tem o controle de sua vida. Aquele na qual Cristo encontrou, perde totalmente o controle e a direção para Ele.
Ainda que muitas não entendamos os caminhos que Deus está nos levando, precisamos confiar que Ele tem o melhor e nos guia para o bom caminho.
Ora, antes éramos escravos do pecado e estávamos num jugo de servidão a tudo que é mal. O pecado só nos guiará para um caminho de destruição física e espiritual. Hoje, somos escravos de Cristo e vivemos no “novo e vivo caminho” em direção ao Pai.
A oração de Paulo inicia a Deus Pai e inclui Jesus, o nosso Senhor (κύριος), demonstrando que Ele é o dono de nossa vida e Ele pode fazer o que bem entender.
O nosso coração deve sempre estar aberto a dizer: “Jesus, meu dono, guia meus passos". É muito melhor ser guiado por Ele do que com nossos próprios pés.
Por essa razão, não devemos tentar tomar o controle da nossa vida, porque ela já não nos pertence.
Nosso coração teimoso, muitas vezes, não quer seguir a direção ou o caminho que Deus nos ordena. Isso é comum. Mas a maturidade espiritual nos dá um coração quebrantado e disposto a seguir a direção que Deus nos direciona.
Não sejamos teimosos ou impenitentes, tentando nos desviar do caminho que Deus tem para nós. Não pense que nós temos o conhecimento do que é melhor para nós. Só Deus sabe o que é melhor para nós, tanto que Sua vontade é “boa, perfeita e agradável".
A primeira evidência de um cristão em amadurecimento espiritual é andar sob a direção de Deus.
II. Crescer em Amor (12)
Paulo ora para que os tessalonicenses tivessem amor profundo, abundante entre si e para com todos. Novamente, o apóstolo demonstra a importância do amor para o desenvolvimento espiritual e para a vida da Igreja.
Os verbos empregados aqui são sinônimos - aumentar e abundar (πλεονάσαι καὶ περισσεύσαι) - e a utilização enfática de dois sinônimos de forma consecutiva demonstra que os cristãos deveriam crescer no amor comunitário, mas não somente isso, expandir esse amor até transbordar. O amor dos tessalonicenses deveria ser um oceano que, ainda que estivesse cheio e chegasse à borda, ultrapassasse essa borda, derramando não só aos domésticos da fé, mas até mesmo aos de fora.
Crescer em amor significa transbordar a ponto desse amor atingir os não-crentes. A intenção do apóstolo é incentivar os tessalonicenses a viverem tão intensamente e crescer tanto no amor comunitário que iriam demonstrar esse amor, como expressão de uma fé viva, a todas as pessoas da sociedade.
E esse amor, quem nos fornece é o próprio Deus. Por isso que ele ultrapassa os limites impostos por nós mesmos.
Assim como Paulo instruiu os irmãos de Tessalônica, Deus fala aos nossos corações esta noite, demonstrando que todo o amor e o crescimento no amor vem dEle e esse amor não deve ficar somente entre os crentes.
Nosso amor e comunhão devem ser abundantes. Como irmãos na fé, devemos estar ligados no amor de Cristo. Mas a expressão viva de uma fé genuína suplanta as quatro paredes da igreja e deve alcançar o não-crente, aquele que precisa de amor.
Meus irmãos, as pessoas ao nosso redor estão precisando de amor. O ser humano pós-moderno está desejoso de amor. Os relacionamentos afetivos já não estão suprindo a necessidade de amor. Os vícios já não trazem o sentimento do amor verdadeiro. A devassidão sexual já não conseguem preencher a necessidade de um amor verdadeiro.
Porém nós possuímos o amor genuíno, dado pelo próprio Deus, que pode preencher qualquer vazio e tampar qualquer buraco. Deus nos forneceu o amor verdadeiro e esse amor deve ser compartilhado com aqueles que precisam e que não conhecem esse amor.
Cristo é o maior exemplo de demonstração de amor. Veio para os que eram seus - linhagem de Abraão, descendentes do povo de Israel - mas os seus não o reconheceram e Jesus compartilhou Seu amor para aqueles que não eram seus. Os homens e as mulheres marginalizados, que estavam sempre à beira do caminho e ninguém os enxergava, foram enxergados por Cristo e é isso que nós, como cristãos devemos fazer.
O amor de Deus imputado em nós deve nos fazer crescer abundante a ponto de exceder os limites da nossa comunidade, estourar a nossa bolha e contagiar as pessoas à nossa volta.
A sociedade contemporânea precisa conhecer do amor verdadeiro - e esse amor verdadeiro é Jesus. E nós, como cristãos em amadurecimento, devemos externar esse amor. O amor de Deus, revelado em Cristo Jesus, deve ser proclamado por nós.
E o amor não é falado, o amor é vivido, portanto, é necessário que nós vivamos em amor.
A oração do apóstolo demonstra que os cristãos que estão em desenvolvimento e amadurecimento espiritual transbordem do amor que Deus concede e atinjam toda a sociedade.
Muitas vezes, pensamos que a solução do Brasil está nas mãos do político “a” ou “b", mas na verdade, a solução do Brasil está no seio da Igreja - o amor fraternal. Esse amor verdadeiro, dado por Deus, traz a expressão genuína de uma fé viva e pode transformar a sociedade. Somente Deus e o Seu amor podem transformar a nossa sociedade e nós somos os agentes de transformação, pois proclamaremos esse amor e viveremos esse amor.
Somos chamados a crescer no amor que Deus nos concede, a ponto de transbordar, alcançando toda a sociedade com esse amor maravilhoso.
A segunda evidência de um cristão em amadurecimento espiritual é crescer em amor.
III. Santificar-se (13)
Paulo ora para que os tessalonicenses fossem confirmados em santidade, isentos de culpa, até o Dia do Senhor. O apóstolo indica que, se os irmãos crescessem em amor, estariam fortalecidos em amor para viver uma vida separada e irrepreensível, ansiando o Dia do Senhor.
Paulo instrui os tessalonicenses a viverem o processo da santidade diante de Deus até que Jesus volte.
O conceito de santidade é ser separado do uso comum e, quando é indicada à pessoas, demonstram que são pessoas separadas para servir exclusivamente a Deus, demonstrando retidão e pureza.
Os cristãos são chamados a viverem uma vida de santidade em meio ao mundo podre e doente pelo pecado.
A segunda vinda de Cristo deve ser uma motivação para que os crentes vivam em santidade. Jesus voltará, julgará a todos e todos hão de comparecer diante do Santo Tribunal. O alvo de um cristão maduro é o Dia do Senhor e, para isso, devemos viver em santidade.
Nós somos chamados a viver uma vida santa, com o objetivo de nos tornarmos irrepreensíveis diante de Deus, assim como Cristo foi. Ora, é verdade que nunca conseguiremos ser irreprensíveis ou não pecar, pois nossa natureza é pecaminosa e estamos cheios de maldade em nossas viceras, mas o anseio de ser santo igual Jesus deve mover as nossas vidas e, mesmo sabendo que nunca atingiremos o padrão máximo de Jesus, continuamos seguindo sem esmorecer.
Precisamos entender que o fato de nossa natureza ser pecadora, não nos dá desculpas para vivermos uma vida desordenada. Nós somos chamados para sermos santos - separados para Deus.
Os tessalonicenses deveriam desenvolver e amadurecer espiritualmente sendo santos e vivendo como Cristo vivia, preparando para o encontro com Deus. E essa ordem também chega até a nós. Precisamos nos preparar diariamente para encontrar com o nosso Senhor.
A santidade é um processo no qual, desde que nascemos em Cristo, somos chamados a viver de forma separada, servindo a Deus. Viver em santidade é estar em oposição às vontades carnais. Nossa carne pulsa em pecar e agir contrariamente ao Senhor, porém somos chamados à santidade.
O cristão maduro anseia viver em santidade. O desejo do coração do cristão em amadurecimento espiritual é ser santo como Jesus.
Não é uma tarefa fácil vivermos em santidade, mas não podemos esmorecer ou deixar de tentar. Todos os dias devemos acordar e pedir a Deus que nos dê força para sermos santos, aguardando ansiosamente o momento em que nos encontraremos com Ele.
A terceira evidência de um cristão em amadurecimento espiritual é santificar-se.
4. CONCLUSÃO
A nossa vida e as nossas atitudes têm demonstrado maturidade espiritual?
Como a sociedade, em geral, nos enxerga? Como crentes imaturos ou como crentes maduros?
Será que nós temos demonstrado efetivamente que Jesus mudou nossas vidas e, por isso, vivemos de maneira diferente, santa e madura?
Meus irmãos, nós fomos salvos para fazer a diferença no mundo em que vivemos e isso implica em desenvolver a maturidade espiritual, contagiando e demonstrando o que Cristo fez em nossa vida.
Já não podemos viver como neófitos, fazendo meninices, mas precisamos viver como Jesus viveu.
O apóstolo Paulo instruiu os tessalonicenses ao amadurecimento espiritual e também nos instrui, hoje, a desenvolvermos a fé cristã e a nossa espiritualidade.
Lembrando AS EVIDÊNCIAS DE UM CRISTÃO EM AMADURECIMENTO ESPIRITUAL:
I. Andar sob a direção de Deus;
II. Crescer em amor;
III. Santificar-se.
Que Deus nos conduza e abençoe.
Amem!
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