(Lv 10:8-20) A Adoração e a Liderança
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LER DE INÍCIO APENAS LV10:1-3
Nadabe e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o seu incensário, e puseram neles fogo, e sobre este, incenso, e trouxeram fogo estranho perante a face do Senhor, o que lhes não ordenara. Então, saiu fogo de diante do Senhor e os consumiu; e morreram perante o Senhor. E falou Moisés a Arão: Isto é o que o Senhor disse: Mostrarei a minha santidade naqueles que se cheguem a mim e serei glorificado diante de todo o povo. Porém Arão se calou.
Arão não foi permitido ficar de luto pela morte de seus filhos - porque tudo o que lembrava a morte não podia estar ali.
Levítico 10 cria uma tensão que vai ser resolvida a partir do próximo capítulo, especialmente dos capítulo 11 à 16. O capítulo 16 vai tratar do dia da Expiação, que é o momento mais singular, mas especial de todos, em que o Sumo Sacerdote entra no Santo dos Santos - isso só acontece nesse dia. Quando chegarmos nesse capítulo vamos entender como ele é o centro de todo o livro de Levítico, e possivelmente, de todo o Pentateuco, de todos os 5 primeiros livros da bíblia. E é interessante que esse capítulo 16 de Levítico, sobre o dia da Expiação, comece fazendo referência a Nadabe e a Abiú.
O Santuário precisa ser restaurado, purificado da contaminação de cadáver. Essa era a contaminação mais séria do sistema de culto e a mais contagiosa.
Então, de certa forma, vemos como esse episódio do pecado dos sacerdotes é importante pra o desenrolar do livro. Os capítulo seguintes - 11 à 15 - trazem a legislação para a pureza ritual, para diferenciar entre puro e impuro.
Levítico 10.8–11 “Falou também o Senhor a Arão, dizendo: Vinho ou bebida forte tu e teus filhos não bebereis quando entrardes na tenda da congregação, para que não morrais; estatuto perpétuo será isso entre as vossas gerações, para fazerdes diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo e para ensinardes aos filhos de Israel todos os estatutos que o Senhor lhes tem falado por intermédio de Moisés.”
Vinho ou bebida forte. Essa lei dada junto desse episódio, logo em seguida à morte dos sacerdotes, pode estar sugerindo que eles fizeram aquela besteira, de oferecer fogo estranho e tentar entrar num lugar não autorizado no momento errado, porque estavam bêbados. Isso nos lembra dos critérios para o presbiterato e para o diaconato (não dado ao vinho ou não dado a muito vinho, 1Tm3:3,9).
Aqui cabe uma breve reflexão sobre a bebida, que não inteiramente proibida na Escritura. O que é proibido é a embriaguez. O vinho na verdade é símbolo de alegria, o símbolo da aliança, e que também era oferecido com oferta ao Senhor, como libação.
Isso nos ensina que não podemos estar embriagados por algo que na verdade é bom, que Deus criou e que ele permite em seu uso comum. Na verdade, por mais que as coisas sejam boas, nada deve nos embriagar, nada deve tirar nossa sanidade, nada deve dominar nosso coração. Paulo, falando de adoração, diz:
Efésios 5.18–20 “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo,”
Para fazerdes diferença entre o santo e o profano. Os sacerdotes tinham a missão de discernir e ensinar as verdades espirituais. O papel deles era duplo: discernir o que era ritualmente santo e puro e ensinar à congregação as leis que regulavam o comportamento correto.
Ezequiel 44.23–24 “A meu povo ensinarão a distinguir entre o santo e o profano e o farão discernir entre o imundo e o limpo. Quando houver contenda, eles assistirão a ela para a julgarem; pelo meu direito julgarão; as minhas leis e os meus estatutos em todas as festas fixas guardarão e santificarão os meus sábados.”
Por isso precisavam ser sóbrios, mais do que os outros. Não que eles ou alguém pudesse se embriagar em alguma ocasião. Mas o texto quer ressaltar a importância da sobriedade para discernir, tomar decisões e ensinar. Em certa medida, todos nós devemos fazer isso: Pais, mães, oficiais, líderes de toda natureza, e mais ainda, os sacerdotes, afinal, era a profissão mais perigosa do mundo.
Levítico 10.12–15 “Disse Moisés a Arão e aos filhos deste, Eleazar e Itamar, que lhe ficaram: Tomai a oferta de manjares, restante das ofertas queimadas ao Senhor, e comei-a, sem fermento, junto ao altar, porquanto coisa santíssima é. Comê-la-eis em lugar santo, porque isto é a tua porção e a porção de teus filhos, das ofertas queimadas do Senhor; porque assim me foi ordenado. Também o peito da oferta movida e a coxa da oferta comereis em lugar limpo, tu, e teus filhos, e tuas filhas, porque foram dados por tua porção e por porção de teus filhos, dos sacrifícios pacíficos dos filhos de Israel. A coxa da oferta e o peito da oferta movida trarão com as ofertas queimadas de gordura, para mover por oferta movida perante o Senhor, o que será por estatuto perpétuo, para ti e para teus filhos, como o Senhor tem ordenado.”
Como a maioria dessas instruções foi dada anteriormente (ver 2:3, 9-10; 6:16; 7:28-34), Moisés pode estar repetindo-as aqui para dar ênfase: “À luz do que acabou de acontecer com Nadabe e Abiú, certifiquem-se de realizar todos os rituais exatamente como o Senhor ordenou!”
Moisés falou primeiramente da oferta de manjares como dieta básica diária dos sacerdotes; essa era a remuneração deles pelo serviço no santuário. Uma porção memorial era queimada ao Senhor no altar principal, e a porção “restante” era consumida pelos sacerdotes. A palavra “restante”, no hebraico, possui a mesma raiz básica da palavra traduzida por “sobreviventes” quando o texto se refere a Eleazar e Itamar. A mensagem do jogo de palavras é provavelmente o seguinte: comam da porção “sobrevivente” da oferta de manjares se quiserem permanecer como os filhos “sobreviventes” de Arão.
O sacerdote oficiante de uma oferta pacífica recebia do Senhor, pelos seus serviços, a coxa direita do animal sacrificado; ele dividia o peito com outros sacerdotes, incluindo suas famílias em seus lares (Lv 7.30–34). A referência ao “lugar santo” significava que a oferta estava disponível àqueles que estivessem ritualmente limpos e numa casa ritualmente limpa (Lv 22.10–16). Quanto aos detalhes do que constituía o cerimonialmente limpo, as leis de pureza e o código de santidade presentes nos capítulos subsequentes de Levítico nos trazem essa informação. Comer do sacrifício fora do santuário mostrava que havia uma extensão do que era santo para o lar comum. A comunhão com o Senhor era vivenciada no lar comum, mas ritualmente purificado. Os israelitas deveriam ser um povo santo o tempo todo, incluindo dentro de suas casas.
Levítico 10.16–18 “Moisés diligentemente buscou o bode da oferta pelo pecado, e eis que já era queimado; portanto, indignando-se grandemente contra Eleazar e contra Itamar, os filhos que de Arão ficaram, disse: Por que não comestes a oferta pelo pecado no lugar santo? Pois coisa santíssima é; e o Senhor a deu a vós outros, para levardes a iniquidade da congregação, para fazerdes expiação por eles diante do Senhor. Eis que desta oferta não foi trazido o seu sangue para dentro do santuário; certamente, devíeis tê-la comido no santuário, como eu tinha ordenado.”
Então, depois de frisar as exigências dos sacerdotes, Moisés teme que eles não tenham seguido, mesmo depois da tragédia que acabou de acontecer. De acordo com suas ordens anteriores (6:24-30), o bode que havia sido oferecido como "oferta de purificação" (NVI: oferta pelo pecado) para o povo (9:15) deveria ter sido comido pelos sacerdotes. Em vez disso, Moisés descobriu que ele havia sido queimado, aparentemente sob a direção de Eleazar e Itamar.
Moisés começa sua repreensão voltando ao tema dos versículos 12-15: os sacerdotes deveriam ter comido essa oferta santíssima (a oferta de purificação) em um lugar santo (a área do santuário). Isso era especialmente importante porque a oferta de purificação era dada aos sacerdotes para tirar a culpa da comunidade. Esse sacrifício tinha o objetivo de fazer expiação por Israel; portanto, era de vital importância que ele fosse oferecido adequadamente, para que a expiação de fato ocorresse.
Moisés ficou especialmente perturbado ao descobrir que os dois filhos de Arão “que lhe ficaram”, Eleazar e Itamar, não haviam seguido perfeitamente as instruções divinas para a oferta pelo pecado. Eles queimaram totalmente o animal, e não tomaram parte dele, o que significava que a congregação permanecia em grande perigo diante do Senhor (Lv 6.26).
Como eu tinha ordenado. Já percebemos que muitas vezes as lei terminam com a fórmula: como Deus ordenou, e algumas vezes “como Moisés ordenou”. Isso é importante porque era Moisés falando, mas era a Lei do Senhor. Em última instância, seguir as instruções daquele homem era ouvir Deus. O mesmo vale para a Palavra pregada no púlpito hoje, irmãos. A autoridade está na Palavra escrita que vem do Senhor, mas ela é atuante por meio da Pregação. Sendo fiel, é o próprio Deus falando. Por isso os reformadores chamavam a pregação de Vox Dei (a voz de Deus).
Levítico 10.19–20 “Respondeu Arão a Moisés: Eis que, hoje, meus filhos ofereceram a sua oferta pelo pecado e o seu holocausto perante o Senhor; e tais coisas me sucederam; se eu, hoje, tivesse comido a oferta pelo pecado, seria isso, porventura, aceito aos olhos do Senhor? O que ouvindo Moisés, deu-se por satisfeito.”
Precisamos entender o que aconteceu aqui, irmãos. Porque Arão não comeu a carne segundo a prescrição. A principal preocupação de Moisés era saber se o procedimento adequado do sacrifício havia sido seguido. Se os sacerdotes estivessem fazendo a oferta de purificação em favor de outros, eles deveriam comer a carne (veja 6:24-29), mas se estivessem oferecendo-a em favor de si mesmos também, não poderiam comer a carne (cf. 4:3-5 com 6:30). Moisés supõe que eles estavam oferecendo a carne simplesmente em nome do povo (e, portanto, deveriam tê-la comido), enquanto Arão supõe que eles estavam oferecendo a carne em nome de si mesmos também (e, portanto, deveriam tê-la queimado).
Se os sacerdotes de alguma forma compartilharam a culpa do pecado de Nadabe e Abiú (seja por causa de sua solidariedade corporativa com eles ou por não terem guardado o tabernáculo da maneira que deveriam [cf. Núm. 18:1]), e se esse pecado ocorreu depois que os sacerdotes fizeram seu próprio sacrifício expiatório (9:12-14), então eles podem ter considerado o sacrifício do povo como um sacrifício que expiou seu próprio pecado também, tornando assim inadequado para eles comer a carne.
Arão está argumentando que ele e seus filhos realmente seguiram o procedimento adequado do sacrifício ao não comerem a carne - Moisés acaba concordando (v. 20).
Essa foi a única ocasião em que Moisés recebeu instrução de Arão. Isso mostrou à congregação que Arão e seus filhos tinham autoridade especial quando se tratava de decidir sobre questões rituais.
USOS
Esteja sóbrio. A liderança, especialmente a liderança espiritual, seja em casa, na escola bíblica, na igreja, requer um padrão de santidade cuidadoso. O quanto sua decisão impacta a vida de outra pessoa? O quanto estão olhado pra você, aprendendo com você, seguindo você? Precisamos ter discernimento nas nossas decisões, não só por temor a Deus, mas também por amor ao próximo.
Não há privilégios que consigam proteger os homens da correção de Deus. Nem nesse brasil de coleguismo, de politicagem, ninguém poderá se esconder de Deus. Os juízes parciais, as maiores autoridades, que agem como deuses e pensam, não há mais ninguém acima de mim que possa me punir, como os juízes do STF, não devem se enganar, na verdade, as maiores responsabilidades trarão maiores exigências e prestação de contas. Percebem como nós agimos? Com maior poder menos satisfação damos! Mas é justamente o contrário. E isso é ainda mais verdade quando falamos da igreja. Mais é requerido de nós, e poder nenhum poderá nos livrar do juiz de toda terra.
Com muita frequência, os juízos de deus estão estreitamente relacionados aos pecados dos homens. Aqui, eles pecaram com o fogo e pelo fogo foram consumidos. Muitas vezes os juízos de Deus correspondem à maneira como nós pecamos. Deus, muitas vezes, faz com que as próprias coisas em que pecamos sejam, elas mesmas, os instrumentos da sua ira. Podem ser pessoas, pode ser o dinheiro etc.
Jeremiah Burrougs: Vocês que são filhos teimosos com seus pais, se Deus permitir que continuem vivendo, é provável que se deparem com a mesma atitude em seus filhos. E quando vocês, que são pais, se deparam com um filho teimoso, devem refletir: ‘não é justo que Deus me trate assim?’ E vocês que são maus empregados para seus patrões, quando tiverem seus próprios empregados, eles também serão assim com vocês. Você deve se humilhar e dizer: ‘Deus é justo por permitir que isso aconteça, que ele me castigue da mesma maneira que procedi’.
Busque o Senhor para obter perdão e purificação. Nós errados em nossos deveres, mas Jesus é paciente conosco pra nos perdoar, e por seu sangue ele nos purifica de todo pecado, mesmo os mais sérios. Não abuse disso, mas desfrute. Vá até ele. Quando seu coração estiver cheio de fogo estranho, cheio de ira, ou de lascívia, não se contente em cultuar a Deus assim. Não falte o culto, venha, mas quando chegar, ore ao Senhor, peça perdão, peça pra ele tirar isso do seu coração. Quando se achegar à mesa do Senhor, à Ceia, não participe indignamente, como diz a Palavra, mas se arrependa, abandone o pecado, peça perdão. Enfim, se alguém pecar, lembrem-se 1João 2.1–2 “...temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro.”
