Exigências do Discipulado de Cristo
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O reconhecimento de que Jesus era o Messias divino, conforme articulado pela confissão de Pedro ( Mc 8:29 ), representou um momento eufórico de realização e clareza para os apóstolos, porem sua alegria foi rapidamente eclipsada pela notícia de que Jesus deveria sofrer e morrer ( Mc 8:31 ). Os Doze tiveram dificuldade em aceitar a noção de um Messias sofredor, como evidenciado pela reação impetuosa de Pedro ( Mc 8:32 ). Na realidade, eles estavam focando suas mentes nos interesses do homem ( Mc 8:33 ), pensando apenas em glória e bênçãos para si mesmos no reino messiânico. O que eles não conseguiram entender foi que o plano de redenção de Deus exigia um sacrifício pelo pecado.
Agora Jesus passará a ensinar que todos que querem segui-lo, devem também carregar uma cruz. O caminho da cruz não seria somente para ele, mas para todos que quiserem segui-lo.
A cruz é para todos os que seguem a Cristo. Cristo lidera a procissão carregando sua cruz, e nós, seus seguidores, pisamos em seus passos, carregando nossas próprias cruzes.
Esse convite de Jesus é o modelo para todos os convites. Os pregadores e todos os crentes precisam entender esse convite. Aqui está o caminho para a vida, para o perdão, para o céu, para a alegria e a paz.
Esse convite de Jesus é um golpe mortal para os convites centrados no homem. Não é um convite para a saúde, riqueza, lucro, prosperidade, cura, autorrealização ou uma vida sem problemas. Este é um convite à abnegação, a carregar a cruz e à obediência. Este é o convite do Senhor.
Se alguém imagina que essas são palavras isoladas de nosso Senhor, que não foi o centro de seu convite, observe dois exemplos de como elas se repetem nos evangelhos.
Em Mateus 10:32-39 Jesus disse:
Em Lucas 14:26-33 Jesus disse para as grandes multidões que o acompanhavam:
Então, vir a Jesus nunca foi fácil, nunca foi algo que as pessoas faziam em troca de vantagens. A exigência é alta. O convite de Jesus não é fácil. Ele sempre deixou claro que o custo para aceitar seu convite é muito alto e que a recusa significa o desastre eterno.
Bem, voltando para o nosso texto, em Marcos 8: 34-38, temos o princípio de ganhar perdendo. É um princípio paradoxal, então veremos o princípio e o paradoxo.
“Se alguém quer vir após mim”
A primeira metade desta declaração condicional envolve uma escolha volitiva, uma decisão da vontade de alguém. Eu diria que mesmo aqui o desejo de querer ou desejar seguir Jesus, não se origina de nossa natureza caída (cf. Rm 3:11b ), mas da obra de Deus, o Espírito, em nosso coração. Ainda temos que responder, mas é o Espírito que fornece o ímpeto inicial.
O desejo verdadeiro de seguir a Cristo, vem do próprio de Deus. Os desejos falsos vem do próprio homem.
O convite de Jesus exige abnegação e uma cruz. Não há um outro convite mais fácil.
Negar a si mesmo
Vir a Cristo começa com o “negar a si mesmo”. E essa é uma expressão muito forte no original grego, que significa “recusar-se a associar-se ou fazer companhia a alguém”.
“Negar a si mesmo” é o mesmo que dizer: “Não quero mais me associar com a pessoa que sou. Eu percebo minha miséria espiritual. Eu abandono meu auto esforço, eu reconheço que não mereço nada e que não posso conquistar nada com minhas obras. Eu abandono todo esforço próprio, toda autoconfiança, toda vontade própria, minhas próprias ambições, minha própria agenda e meus próprios planos”.
E isso é exatamente o que o pecador arrependido diz. “Eu me rejeito. Não quero mais nada com o velho homem”. A alma natural, depravada, pecaminosa, caída e egoísta, na qual não habita nada realmente bom, é abandonada e desprezada.
Aqui está a primeira condição que deve ser cumprida para seguir Jesus. Ele deve negar a si mesmo não é um tópico popular em nossa geração "selfie". O verbo deve negar não é "talvez" ou "poderia", mas fala de uma obrigação definida, uma necessidade absoluta de negar a si mesmo. Este é um comando no imperativo aoristo ("Just Do It!") que necessita da dependência do Espírito Santo para obedecer . Jesus não usa a palavra usual para negar, mas um verbo mais forte ( aparneoma ), significando não ter absolutamente nenhuma associação ou renegar completamente sem reservas ou hesitação! A triste ironia é que este é o próprio verbo que Jesus usou para profetizar a negação de Pedro a Ele! ( Mc 14:30 , 31 , 72 + cumprido em Mc 14:66-71 + )
Note que Ele não está dizendo para negar "coisas", mas está fazendo um comando radical. Em outras palavras, não é uma negação de algo , mas de alguém -- a si mesmo!
MacArthur - O ponto do Senhor era que aqueles que desejassem segui-Lo deveriam estar dispostos a negar a si mesmos e desistir de tudo por Sua causa (cf. Mt. 13:44-46 + ). Eles deveriam abandonar tanto sua autojustiça quanto seu pecado, submetendo todas as suas anseios e agendas a Ele.
Quando o pecador vem a Cristo, ele nega a si mesmo e aborrece sua própria vida (Lucas 14:26). Ele enxerga que todos seus desejos são a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, que não procedem de Deus, mas do mundo (I João 2:16).
Esta é a verdadeira conversão. Este é o fundamento do novo nascimento. O coração quebrantado vê em si mesmo apenas pecado e miséria, percebe que deve abandonar a si mesmo para que haja alguma esperança de um relacionamento com Deus.
Ele renuncia a sua independência, desiste de sua autoconfiança e passa a depender somente de Cristo. Ele diz: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gálatas 2:19-20).
Quando alguém nasce de novo, está não só abraçando os recursos e dons que Cristo provê, mas está se colocando sob Seu senhorio soberano e diz: “Tu és o Senhor da minha vida; Tu estás no comando da minha vida; Tua vontade, Teus desejos, Teus planos e Teus propósitos é tudo que eu quero na minha vida”. Ninguém pode vir a Cristo se não for com essa atitude.
Paulo era um judeu cheio de autojustiça, autoconfiança e credenciais religiosas, mas quando ele nasceu de novo, declarou:
Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte (Filipenses 3:7-10)
Isso é abnegação, negar a si mesmo. Nada do que o homem conquista com seus esforços e talentos é digno de salvação e perdão. Abandonar todo esforço próprio e autojustiça, admitir sua pecaminosidade, reconhecer que Cristo é o Senhor e entregar sua vida a Ele é o único caminho. Não há outro. Assim o anseio, vontade e propósito de Cristo tornam-se também do coração convertido.
Esta é a mensagem contundente Jesus pregou no sermão da montanha, no início de seu ministério na Galileia. As bem-aventuranças começa com “bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus”.
Quem são esses humildes de espírito? São as pessoas que sabem que estão falidas espiritualmente, que sabem que não são justas, que sabem que não merecem nada e que não podem alcançar nada a partir de si mesmo. Este é o estado fundamental do coração que alcança a verdadeira salvação: Há uma constante sensação de miséria e de busca da misericórdia divina.
Jesus contou uma parábola onde o fariseu, confiante em sua autojustiça e auto esforço, orava assim:
Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. (Lucas 18:11,12)
Já o publicano, certo de sua miséria e pecaminosidade, não ousava nem levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” (Lucas 18:13)
E Jesus concluiu: “O publicano desceu justificado para sua casa, e o fariseu não, porque todo aquele que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado” (Lucas 18:14).
§ Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado (Salmos 34:18)
§ Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus (Salmos 51:17)
Até mesmo a Lei, no Antigo Testamento, foi dada para demonstrar a miséria de nossos próprios corações para que, como o publicano, batesse em nosso peito e dissesse:
Deus, tem misericórdia de mim, pecador. Não tenho nada de bom em minha carne para oferecer. Não posso ganhar minha salvação, nem quero controlar minha vida. Quero me desassociar da pessoa que sou e quero me tornar a pessoa que Tu podes me fazer ser.
Jesus contou duas pequenas parábolas em Mateus 13:
§ Uma sobre um homem que encontrou uma pérola de grande valor e, para obtê-la, vendeu tudo.
§ Outra sobre um homem que encontrou um tesouro escondido em um campo e, para pegá-lo, vendeu tudo porque o tesouro valia mais do que tudo o que ele tinha.
Essa é a imagem de vir a Cristo. E esse quebrantamento profundo se torna o modo de vida permanente de quem nasceu de novo. O verdadeiro cristão não está esmagado, quebrado e humilhado apenas no começo, ele permanece assim durante toda sua vida. Quanto mais seu conhecimento aumenta, mais aumenta sua humildade.
O cristão genuíno sempre reconhece que nunca haverá qualquer mérito em si mesmo. Quanto mais ele cresce, pior avaliação tem si mesmo e cada vez mais profunda a percepção de sua indignidade à medida que aprende mais sobre a glória, santidade e graça de Deus. O começo de tudo é negar a si mesmo.
Tomar a cruz
Marcos 8
34 Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.
Após falar sobre negar a si mesmo, Jesus disse: “tome a sua cruz e siga-me”. Em Lucas 14:27, em outra ocasião, Jesus disse a mesma coisa: “Qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo”.
Você diz: “Bem, o que Jesus quis dizer com “tomar a sua cruz”? Jesus ainda não havia dito aos discípulos que Ele morreria crucificado. Ele já havia dito que iria sofrer e morrer (Marcos: 8:31), mas Ele ainda não os havia contado sobre Sua crucificação.
Mesmo assim eles só poderiam pensar em morte por crucificação. Trinta mil judeus foram crucificados pelos romanos. Eles estavam acostumados a ver pessoas crucificadas. E os romanos sempre os colocavam nas estradas para que todos pudessem ver. Era uma visão muito comum a todos eles.
MacArthur - Os romanos crucificavam suas vítimas em público, ao longo das rodovias, como um lembrete horrível do que acontecia com aqueles que desafiavam a autoridade imperial de César. Estimativas sugerem que cerca de trinta mil judeus foram crucificados durante a vida de Jesus. Assim, quando o Senhor usou uma cruz para explicar o custo do discipulado, Seu público sabia exatamente o que Ele queria dizer. O ponto de Jesus era que aqueles que desejavam ser Seus discípulos, em vez de buscar prosperidade e facilidade, deveriam estar dispostos a suportar perseguição, rejeição, dificuldades e até mesmo martírio por Sua causa.
Aqueles que inicialmente professam Cristo, mas não estão dispostos a sofrer por Sua causa, expõem o fato de que não são verdadeiramente Seus discípulos. Como o próprio Senhor explicou na parábola dos solos, “Estes são os que foram semeados em lugares pedregosos, os quais, ouvindo a palavra, logo a recebem com alegria; e não têm raiz firme em si mesmos, mas são apenas temporários; então, quando surge aflição ou perseguição por causa da palavra, imediatamente se desviam” ( Marcos 4:16-17 + ). Por outro lado, aqueles que suportam provações e dificuldades pela honra de Cristo provam a genuinidade de sua fé ( 1 Pedro 1:6-7 + ).
Eles sabiam exatamente o que significava quando Jesus disse: “Você tem que tomar a sua cruz”, porque as vítimas que seriam crucificadas tinham que carregar a cruz para o local de sua própria execução.
Em outras palavras, Jesus estava dizendo:
Bem, se vocês quiserem Me seguir, terão que seguir Minha reprovação. Estou indo para a morte e, francamente, vocês também. Olhem, quão valioso é este presente da salvação que estou oferecendo a vocês? É valioso o suficiente para você desistir de tudo até a morte?
Esta é uma disposição para suportar a perseguição. A cruz, aqui, é uma espécie de metáfora para o sofrimento. Nem todo crente que vem a Cristo morrerá por causa de sua fé, mas há sofrimento ao longo do caminho, rejeição pela família, pelos parentes, pelas pessoas com quem trabalhamos e pessoas que conhecemos, pessoas com quem nos importamos.
Há uma séria hostilidade contra aqueles que são cristãos fiéis, cujas vidas piedosas são verdadeiras repreensões ao mundo, e que causam muitos incômodos a quem está nas trevas.
Ou seja, Jesus disse: “se você vier a Mim, terá que suportar perseguição, rejeição, reprovação e vergonha.” E no relato de Lucas, Jesus disse que essa cruz é diária: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me” (Lucas 9:23).
Em 1 Coríntios 15:31 Paulo disse que morria diariamente, que todos os dias da sua vida enfrentava a morte pela causa do evangelho.
Então os discípulos, que eram muito familiarizados com a crucificação, sabiam exatamente que Jesus estava dizendo: “Isso vai te custar tudo.”
Ele não estava falando da glória final no reino. Não se tratava de riqueza e prosperidade que virá um dia no glorioso reino de Cristo, quando Ele retornar. Por enquanto, trata-se de sofrimento. Estamos em um mundo hostil contra Cristo e, consequentemente, contra seus seguidores. Cristo ainda não voltou para estabelecer o reino e a glória.
O evangelho nunca foi pregado por Jesus e pelos apóstolos com base em outra coisa. Nunca foi dito algo como: “Se você vir a Cristo, terá tudo o que deseja”. O evangelho sempre foi pregado como um tesouro que deve ser recebido em meio às renúncias profundas.
Essa mensagem é insuportável e estranha para quem está preso no mundo temporal passageiro, para quem não tem noção do que é eterno.
Os ímpios gastam suas vidas por aquilo que é passageiro, efêmero e sem futuro. Quando Estevão testemunhava de Cristo para os escribas e fariseus, eles se enfureceram a ponto de matá-lo por apedrejamento. Muitas podem pensar que Estevão desperdiçou sua vida. Mas, antes de morrer, Estevão declarou o tesouro imensurável que somente o salvo pode contemplar e usufruir:
Estêvão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita, e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à destra de Deus […] E apedrejavam Estêvão, que invocava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito! Então, ajoelhando-se, clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado! Com estas palavras, adormeceu (Atos 7: 55-56; 59-60).
Os homens costumam dedicar suas vidas pelas causas temporais e meramente humanas, mas aqui está um homem que deu sua vida por uma causa sublime e eterna.
Mesmo que não estejamos sofrendo a ameaças de morte por causa de nossa fé, temos que entender o que significa ser perseguido por causa de nosso compromisso com Cristo. Mas, seja como for, nossas vidas devem estar completamente nas mãos do Senhor, com a plena disposição para tudo por amor a ele. Sobre isso, Paulo escreveu:
Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor (Romanos 14:7-8).
