Corações Preparados: Vigilância na Espera do Senhor

Evangelho de Lucas  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Lucas 12.35-59

Jesus usa a parábola dos servos preparados para ensinar sobre a importância da vigilância e prontidão na espera de Sua volta.
Este sermão exorta os cristãos a estarem alertas e prontos em suas vidas diárias, cultivando uma expectativa ativa de Seu retorno e mantendo uma vida de fé e serviço.
O ensino central é que a preparação e a vigilância são essenciais na caminhada cristã, como se revela na parábola dos servos e as advertências de Jesus sobre os últimos dias.
Jesus é o Senhor que retorna e espera um povo preparado, representando a presença contínua de Cristo na vida do crente e Seu chamado à vigilância espiritual em cada um de nós.
A grande ideia é que devemos viver em prontidão e vigilância, esperando ansiosamente a volta de Cristo e servindo ativamente enquanto aguardamos.
Considere explorar as questões exegéticas sobre a natureza da vigilância em Lucas 12, analisando como a palavra grega para 'vigilância' é utilizada em outros contextos nas Escrituras. Além disso, estude os desafios de tradução em relação às expressões que implicam em responsabilidade e preparação, e como podemos aplicar esses princípios na vida moderna, utilizando recursos da Logos para profundidade teológica.

1. Cultive a Constante Vigilância

Lucas 12:35-40
Considere como Jesus incentiva a vigilância ativa ao usar a imagem de servos que esperam seu mestre retornar de um casamento. Talvez você possa refletir sobre como sua vida hoje demonstra prontidão espiritual. Se o Senhor voltasse hoje, você estaria preparado? Avalie sua caminhada e busque oportunidades para viver em prontidão diária, sabendo que a qualquer momento o Senhor pode retornar e encontrar seus servos não apenas em expectativa, mas em serviço ativo e fiel.

2. Cumpra sua Responsabilidade

Lucas 12:41-48
Observe o ensino sobre a responsabilidade dos servos fiéis. Poderíamos considerar como somos chamados a cuidar e liderar aqueles a quem somos confiados. Talvez isso nos leve a refletir sobre nossa mordomia e responsabilidade diante das bênçãos que recebemos do Senhor. Este ponto nos desafia a cumprir nossos deveres espirituais e terrenos com fidelidade, para que, ao retornar, o Mestre nos encontre realizando bem nosso serviço.

3. Confronte o Custo do Discipulado

Lucas 12:49-53
Reflita sobre a missão divisiva de Jesus e seu chamado à fidelidade acima dos compromissos terrenos. Considere o custo do discipulado e o potencial confronto que pode surgir por causa de nosso compromisso com Cristo. Talvez você possa avaliar se está disposto a suportar recusas e divisões por amor ao Evangelho e à Verdade que Jesus traz. Este ponto nos chama a escolher firmemente a fidelidade a Cristo, mesmo quando isso desafia nossas relações mais próximas.

4. Compreenda os Sinais dos Tempos

Lucas 12:54-59
Você poderia explorar como Jesus usa o entendimento dos sinais dos tempos para instruir sobre a urgência em discernir e responder ao tempo presente. Avalie como você percebe os sinais ao seu redor e como isso informa sua preparação espiritual. Talvez possamos ser motivados a maior discernimento e ação antes que seja tarde demais, vivendo em harmonia com o tempo do Senhor e pronto para seu retorno a qualquer instante.
Vigiai, Jesus Virá
Lucas 12.35-59
Nos sermões anteriores falamos sobre a hipocrisia dos fariseus, o problema da avareza, e no último sermão sobre a ansiedade e o problema do apego aos bens terrenos. No sermão de hoje concluiremos o capítulo  de Lucas, tratando a segunda parte do capítulo, que fala do juízo e julgamento futuro.
Lucas destaca que Cristo está nos alertando, chamando, a vivermos com expectativas e prontidão aguardando o seu retorno.
Devemos nos recordar que em 12.13–21 Jesus contou a parábola sobre O rico insensato. Isso foi seguido de uma advertência contra a ansiedade terrena (vs. 22–34), o que se poderia considerar como uma elaboração da lição ensinada por essa parábola.
Aqui, Jesus chama a atenção para pessoas que formam um contraste com o néscio. O néscio tinha seu coração e sua mente centrados na terra; os servos vigilantes, no céu.
Para simplificar as coisas, podemos dividir os versículos 35–48 em duas parábolas, a dos servos vigilantes (v. 35–40) e a do servo fiel versus servo infiel (v. 41–48). Nesse arranjo está inclusa a pergunta de Pedro, na segunda parábola, visto que ela levou à narração dessa parábola. Com a exceção de uns poucos versículos, a primeira dessas duas parábolas é exclusiva de Lucas; a segunda é comum a Lucas e Mateus.[1]
Vamos apresentar o sermão em três pontos, cada um correspondendo a uma perícope do texto.
1 – Sejam vigilantes / Estejam prontos
2 – Jesus e a divisão dos homens
 3 – Estejam atentos, saibam ler os sinais dos tempos.
A maior parte do sermão estará centrada no primeiro ponto, os dois demais pontos, serão o resultado evidente do primeiro.
Vamos ao texto.
1 – Sejam vigilantes / Estejam prontos
v.35 – “Cingido esteja o vosso corpo, e acesas, as vossas candeias.
- O ponto de transição entre tudo o que ouvimos anteriormente e o que ouviremos agora está no versículo 34 que diz: “porque, onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.”
- Se compreendemos tudo o que nos foi ensinado nos versículos anteriores, podemos concluir que liberta do fardo dos bens terrenos, a alma eleva-se como um balão cujas amarras foram cortadas, rumo às alturas para junto do Senhor, que um dia retornará e ao qual o crente aguarda sem cessar.
- O significado da expressão usada no original, a saber: “Que o seu lombo esteja cingido”, é que os mantos longos e folgados dos servos não devem pender soltos, dificultando ou impossibilitando o trabalho (cf. At 7.58). Esses mantos tinham de ser franzidos na cintura, de modo que os servos pudessem trabalhar comodamente e estarem preparados para atender a seu senhor.
Aplicando, o sentido resultante é estar sempre preparado para (a) receber o Senhor em seu regresso da festa de núpcias da glória celestial e (b) prestar-lhe todo o serviço que ele desejar.
- “Mantenham suas lâmpadas acesas” também aponta para a necessidade de preparação. O que temos aqui é essencialmente a mesma lição que se encontra na parábola sobre as cinco moças insensatas e as cinco sensatas (“As 10 virgens”). Veja C.N.T. sobre Mateus 25.1–13.
- Deixe-me reforçar o ensino deste primeiro versículo. Jesus está usando duas metáforas sobre a prontidão para a ação no versículo 35.
Na primeira, “Esteja pronto para o serviço” (1 Pedro 1.13 Por isso, cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo. 14 Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; 15 pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, 16 porque escrito está:
Sede santos, porque eu sou santo.[2]), é literalmente, “cingir seus lombos”,o que envolve enfiar o traje externo no cinto em prontidão para a ação.
 O tempo perfeito se refere a um estado constante de estar sempre pronto para agir.
- O segundo, “mantenha suas lâmpadas acesas”,refere-se à prontidão também durante as horas de escuridão. Portanto, isso exige uma constante e vigilante preparação.[3]
36-37 - Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu senhor, ao voltar ele das festas de casamento; para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram. 37 Bem-aventurados aqueles servos a quem o senhor, quando vier, os encontre vigilantes; em verdade vos afirmo que ele há de cingir-se, dar-lhes lugar à mesa e, aproximando-se, os servirá. [4]
A figura subjacente parece estranha. Devemos imaginar, pois, que senhor terreno realmente serviria a seus servos? Provavelmente, não; porém esteSenhor, aquele que é aqui assinalado, fez exatamente isso quando estava sobre a terra. Note bem: “Eu sou entre vocês como quem serve” (Lc 22.27), e cf. João 13.1–15, retratando Jesus lavando os pés aos seus discípulos. O que é aqui prometido, pois, é que nosso Senhor, em sua segunda vinda, de maneira consoante com sua glória majestade, “servirá” a seus fiéis servos!
Não admira que esses servos sejam chamados “bem-aventurados”. Essa promessa quase incrível é introduzida pela fórmula: “Amém, eu lhes digo” (ou: “Solenemente eu lhes declaro”).
E prossegue: 38. Se ele vier na segunda ou na terceira vigília e os achar assim, bem-aventurados são eles!
Aqui há uma questão quanto ao tempo, Mateus e Marcos parecem dividir a noite em quatro parte como os romanos, e Lucas, parece optar por uma divisão tripartida, como os judeus. Isso é uma questão menor, que não interfere no sentido e condução do texto.
- A razão por que Jesus não disse “na primeira vigília” provavelmente seja que então a festa de núpcias ainda estaria em andamento. Quanto ao mais, o pensamento principal é este: a bem-aventurança superlativa dos crentes no regresso de Cristo.
- Pelo fato de que a verdade aqui revelada, a saber, que em seu regresso Jesus pessoalmente servirá aos redimidos, ser tão sublimemente preciosa, a bênção do versículo 37 é reiterada no versículo 38: “Bem-aventurados são eles”.[5]
39, 40. Mas estejam seguros disto: que se o dono da casa soubesse a que hora o ladrão viria, ele não permitiria que sua casa fosse arrombada. Vocês também estejam sempre preparados, porque a uma hora em que não o esperam, o Filho do homem chegará.
Quando ele voltará?
- Jesus afirma que, assim como o dono de uma casa não sabe a que hora vem o ladrão, mas que deve estar preparado o tempo todo para proteger sua propriedade, assim também os crentes não sabem quando seu Senhor voltará, e, consequentemente, deverão estar sempre de mente e coração preparados.
- Quando menos se espera, ele chega.
Mateus 24.36 Ele diz: 36 Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai. 37 Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem. 38 Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, 39 e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem.”
1Tessalonicenses 5.2–4; 2 pois vós mesmos estais inteirados com precisão de que o Dia do Senhor vem como ladrão de noite. 3 Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm as dores de parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão.
A necessidade de vigilância
4 Mas vós, irmãos, não estais em trevas, para que esse Dia como ladrão vos apanhe de surpresa; 5 porquanto vós todos sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite, nem das trevas. 6 Assim, pois, não durmamos como os demais; pelo contrário, vigiemos e sejamos sóbrios”
Apocalipse3.3“Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te. Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo algum em que hora virei contra ti.”
- Nesta hora Pedro entra na história, querendo entender a quem Jesus se dirigia.
v.41 “Então, Pedro perguntou: Senhor, proferes esta parábola para nós ou também para todos?”
- A curiosidade de Pedro foi despertada.
- Jesus estivera falando sobre aqueles que estariam “preparados” (v. 37) no momento de sua vinda, mas ele dera a entender que alguns não estariam preparados.
- Uma inferência compreensível seria que os 12 e alguns dos demais seguidores constantes seriam os que estariam preparados; o resto do povo seria a parte que não estaria preparada.
- Precisamos nos recordar que, desde o versículo 22, o Mestre esteve dirigindo sua atenção para os discípulos e não tão diretamente para a grande multidão.
- Porventura queria o Mestre dizer que mesmo entre seus discípulos havia alguns que não estariam preparados para recebê-lo? A quem estava Jesus dirigindo essa parábola?
v.42-44 “Disse o Senhor: Quem é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem o senhor confiará os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo? 43 Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim. 44 Verdadeiramente, vos digo que lhe confiará todos os seus bens.
- Aparentemente Jesus não resposte diretamente a Pedro, ao contrário o que Jesus parece estar dizendo é: “Nunca faça perguntas oriundas da curiosidade pura e simples. O que lhe compete fazer é tentar, com todas as veras de sua alma, ser um administrador fiel e sensato”.
Para ilustrar o que tinha em mente, Jesus agora conta outra parábola, a do servo fiel em contraste com o servo infiel.
- Quanto ao sentido da parábola, uma pressuposição segura é que um senhor de vários “servos” ou, se se preferir, “escravos” está para partir de viagem. Antes de partir, ele encarrega seu subordinado de mais confiança de conduzir os demais empregados. Nessa qualidade, o administrador recém-nomeado não só vigia o trabalho dos demais servos, mas também e especificamente cuida para que recebam as provisões necessárias.
- Alguns opinam dizendo que Jesus estava pensando especialmente em seus discípulos considerados como investidos de um cargo, e assim, por extensão, em todos os ministros e pastores das igrejas que viriam a ser organizadas durante toda a nova dispensação.
- Isso bem que poderia ser correto, mas não podemos estar certos disso. Afinal de contas, o dever de fidelidade se aplica não só a pastores, mas também a presbíteros, diáconos, mestres, pais; aliás, a todos os crentes. Fazer a vontade do Senhor e cuidar dos necessitados é certamente a tarefa designada a todos.
Ora, sobre o administrador fiel e sensato pronuncia-se uma bem-aventurança especial. Ele é chamado bendito. É o objeto do favor especial de seu senhor. Além disso, a sentença “a quem seu senhor encontrar fazendo assim” mostra que a atitude correta por parte do que espera o regresso do senhor é o anseio de prestar um serviço ativo em favor daqueles que foram confiados ao servo.
Quando a figura é interpretada, isso significa que o espírito correto no qual os crentes deveriam esperar como Salvador o Senhor Jesus Cristo (Fp 3.20) não é o nervosismo febril de alguns tessalonicenses (2Ts 2.1,2; 3.6–12), nem a mornidão dos laodicenses (Ap 3.14–22), mas a fidelidade ativa dos esmirnianos (Ap 2.8–11).
- Como na parábola, ao regressar o senhor recompensa seu servo fiel, dando-lhe a responsabilidade sobre suas possessões, assim também Jesus pessoalmente em sua gloriosa vinda dará a seus servos fiéis um alto grau de glória e honra.
Veremos isso melhor em Lucas 19.17,19.
V.45-48 “Mas, se aquele servo disser consigo mesmo: Meu senhor tarda em vir, e passar a espancar os criados e as criadas, a comer, a beber e a embriagar-se, 46 virá o senhor daquele servo, em dia em que não o espera e em hora que não sabe, e castigá-lo-á, lançando-lhe a sorte com os infiéis. 47 Aquele servo, porém, que conheceu a vontade de seu senhor e não se aprontou, nem fez segundo a sua vontade será punido com muitos açoites. 48 Aquele, porém, que não soube a vontade do seu senhor e fez coisas dignas de reprovação levará poucos açoites. Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão. [6]
- No versículo 45 há uma mudança hiperbólica do mordomo fiel para o malvado.
- O mestre tinha dado autoridade de gestão sobre os outros criados no versículo 42, mas este mordomo usa essa autoridade de modo completamente maléfico e, pensando que o mestre estará ausente por um longo período, “começa a bater nos outros criados, tanto homens quanto mulheres, e a comer, beber e embriagar-se” em vez de dar a seus companheiros criados a comida de que necessitam.
- Em outras palavras, ele está faminto de poder e é hedonista, vivendo para seus próprios prazeres malignos. Suas ações são a antítese absoluta do que Cristo exige. O mais provável é que a descrição de seu comportamento terrível se destine a paralisar as ações de falsos mestres que destroem espiritualmente seus seguidores e os usam para encher seus próprios bolsos, vivendo com autoindulgência deles.
Entretanto, o mestre não desaparece pelo tempo que o homem pensa e retorna em um momento inesperado, vendo o comportamento perverso por si mesmo. O julgamento é tão terrível quanto seu comportamento foi perverso: “Ele o cortará em pedaços e lhe dará um lugar com os incrédulos”.
- Ele espancara os servos sob seus cuidados, e agora Deus, como o grego literalmente diz, “o desmembrará” ou “o cortará em dois”. Isso, é claro, é o julgamento final e uma imagem de fogo eterno do inferno.
- Sua punição se encaixa em seu crime e no princípio de reciprocidade encontrado em todo o livro do Apocalipse.
-  De fato, faz parte da minha definição de ética bíblica: o que fazemos aos outros, seja bom ou ruim, Deus o colocará sobre nossas próprias cabeças (= recompensa ou punição).
- Grant Osborne, no comentário de Apocalipse nesta série, defende que haverá graus de punição para os condenados ao inferno (comentário referente a Ap 20.13–15), e estes versículos, para ele, (45–48) apoiariam tal ponto de vista.
- Aqueles que fizeram coisas terríveis sofrerão uma punição terrível, e assim sucessivamente.
- Penso que mais líderes cristãos do que pensamos, certamente, cairam nesta categoria, vivendo para si mesmos e para o poder terreno e a recompensa que possam acumular ao longo de seu ministério. Eles cairão neste julgamento.
Dois outros exemplos de graus de punição para a administração infiel são fornecidos nos versículos 47 e 48.
- O primeiro é o escravo que percebe o que seu mestre exige, mas se recusa deliberadamente a fazê-lo (v. 47), e o segundo é aquele que não conhece a vontade de seu mestre e inadvertidamente falha (v. 48). O primeiro é “espancado com muitos golpes” e o segundo com “poucos golpes”. Isso descreve a justiça romana, embora nos pareça algo extremo. A questão é que cada um recebe exatamente a punição que suas ações merecem.
- Portanto, isso trata da responsabilidade de estar à altura do nível de conhecimento que você possui.
- Com os dois versículos anteriores há três níveis — pecado deliberado (v. 45), pecado de omissão (v. 47) e ignorância (v. 48, ainda culpável, pois ele deveria saber).
- O segundo (v. 47) é um pecado “de arrogância” ou uma transgressão proposital (Nm 15.30, 31; Sl 19.13) e pode estar ligado ao pecado de omissão de Tiago 4.17: “sabe o bem que deve fazer e não o faz”. O “espancamento com muitos golpes” lembraria aos antigos leitores a punição da sinagoga de bater com a vara 39 vezes.
- Em ambos os casos, a exigência é que conheçamos a vontade do mestre e a obedeçamos. O segundo servo (v. 48) ainda é culpado porque falhou em seguir essa vontade. A ignorância não é desculpa porque o conhecimento estava lá para ser descoberto, e por isso ele ainda é culpado.
A lição (12.48b) é clara: “De todos que receberam muito [todos os três níveis], muito será exigido”.
- Isso representa a cada um de nós, pois a todos nós foram dadas as verdades do reino, e somos responsáveis por aplicá-las bem em nossa vida.
- Todos reagimos de forma diferente a essas verdades maravilhosas (observe os três níveis acima), mas somos todos responsáveis.
- Jesus está dizendo aos discípulos que eles são obrigados por Deus a serem fiéis a seu chamado.
- Como ele diz aqui, nos foi “confiado muito”, de fato, a maior verdade que este mundo jamais conhecerá: o evangelho.
- As descobertas científicas que têm recebido manchetes nos últimos tempos são surpreendentes, mas não são nada em comparação com o evangelho eterno. Um novo telefone ou uma cura para esta ou aquela doença é uma “boa notícia”, mas não é de consequências eternas. Temos este conhecimento; agora é hora de estarmos à altura.[7]
2 – Jesus e a divisão dos homens – Lucas 49-53
49 Eu vim para lançar fogo sobre a terra e bem quisera que já estivesse a arder. 50 Tenho, porém, um batismo com o qual hei de ser batizado; e quanto me angustio até que o mesmo se realize! 51 Supondes que vim para dar paz à terra? Não, eu vo-lo afirmo; antes, divisão. 52 Porque, daqui em diante, estarão cinco divididos numa casa: três contra dois, e dois contra três. 53 Estarão divididos: pai contra filho, filho contra pai; mãe contra filha, filha contra mãe; sogra contra nora, e nora contra sogra. [8]
- Na mente de Jesus ele está preparando seus discípulos tanto para os eventos da paixão em Jerusalém quanto para sua parousia (que está por vir) no fim da história.
- A divisão é o resultado inevitável da pregação do reino, pois as pessoas a rejeitarão, e seus seguidores devem estar em alerta e ler os sinais dos tempos (12.49–59).
- Acredito que o propósito da encarnação é agora expressado de forma assustadora: “Vim trazer fogo sobre a terra”.
- Quero lembrar que este não é o fogo da purificação e da limpeza através da vinda do Espírito, como no capítulo 3, versículo 16: “ele batizará com o Espírito Santo e fogo”, se assim fosse estaria contrariando o contexto.
- Esse é o fogo do julgamento, referenciado não tanto para o julgamento final aqui como o julgamento por meio da divisão da nação em crentes e descrentes, bons e maus (vv. 51–53). A divisão é um tema frequente (1.52–53; 2.34; 3.5; 6.20–26; 8.14, 15), exigido pela obstinada oposição dos líderes.
- Falei no sermão anterior, que Deus faz clara distinção, aqui vemos isso mais uma vez.
- O desejo de Jesus se encaixa em cada um de nós: “E como eu gostaria que já estivesse aceso”.
- Jesus veio para trazer o reino definitivo de Deus, mas para isso a divisão da humanidade e seu julgamento é necessária, e seu desejo fervoroso é que estes eventos derradeiros sejam iniciados (semelhante a Ap 22.20, “Amém. Vem, Senhor Jesus”; e 1Co 16.22, Maranatha [NVI: “Vem, Senhor!”])
- Deus está no controle, e devemos acrescentar (como está implícito aqui), “sua vontade seja feita”. Ainda assim, conforme eu vejo o estado deste mundo, o desejo de Jesus é também meu desejo fervoroso.
- Para Jesus, no entanto, haviam eventos necessários que tinham de acontecer: “Tenho de passar por um batismo, e como estou angustiado até que ele se realize”! (12.50).
- Isso não é martírio (a visão de Irineu) ou batismo cristão, pois nenhum deles realmente se encaixa aqui. Este é o batismo de Jesus, não o nosso. Ao contrário, Jesus deve estar “imerso” (o significado de “batismo”) em seu destino, sua paixão na cruz. Jesus será esmagado pela catástrofe (o significado da metáfora do batismo) quando ele se tornar pecado para nós e sofrer nosso julgamento na cruz em nosso nome.
- Ele esclarece o tipo de julgamento que traz ao testemunhar que não veio para “trazer paz à terra”, diferente de Is. 9.5. Mas “divisão”.
- Antes que a paz redentora de Deus possa ser experimentada, e muito antes que sua paz escatológica possa vir, o mundo da humanidade deve ser dividido em termos de aceitar ou rejeitar a salvação de Deus em Jesus.
- Cristo veio ao encontro da humanidade pecadora, e tal encontro exige uma decisão, e essa decisão determina o destino. Não haverá verdadeira unidade entre a humanidade até que o último reino celestial de Deus seja estabelecido e todo o mal destruído.
- Jesus exemplifica a extensão dessa divisão ao descrever as famílias divididas que resultarão no futuro próximo (12.52, 53).
- Ele o faz de modo extremamente detalhista, visando alcançar os efeitos que espera. Eles serão divididos com base em suas respostas à proclamação de seu evangelho: em uma família de cinco, três acreditarão e dois rejeitarão, ou dois acreditarão e três rejeitarão.
- Eles estão agora “desesperançosamente” divididos em crente e descrente, e Jesus insinua que a oposição e o conflito serão totais.
- Ele quer dizer que os não salvos rejeitarão os salvos, como foi sua própria experiência (veja Mc 3.20, 21; Jo 7.2–5) e, sem dúvida, a de outros entre seus discípulos.
- No versículo 53 ele passa de números puros para relações familiares pessoais que serão interrompidas entre pai e filho, mãe e filha, e sogra e nora.
Isso alude a Miquéias 7.6, que descreve as condições pecaminosas em Israel, que fizeram cair sobre eles o julgamento de Deus. Até mesmo a vida familiar havia se desintegrado. Os irmãos de Jesus não acreditaram nele durante sua vida (Jo 7.5). Foram necessárias aparições da ressurreição (1Co 15.7) para levá-los à fé.
3 – Estejam atentos, saibam ler os sinais dos tempos. Lucas 12.54-59
- “54 Disse também às multidões: Quando vedes aparecer uma nuvem no poente, logo dizeis que vem chuva, e assim acontece; 55 e, quando vedes soprar o vento sul, dizeis que haverá calor, e assim acontece. 56 Hipócritas, sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu e, entretanto, não sabeis discernir esta época?  57 E por que não julgais também por vós mesmos o que é justo? 58 Quando fores com o teu adversário ao magistrado, esforça-te para te livrares desse adversário no caminho; para que não suceda que ele te arraste ao juiz, o juiz te entregue ao meirinho e o meirinho te recolha à prisão. 59 Digo-te que não sairás dali enquanto não pagares o último centavo”.
- Agora ele se vira e se dirige às multidões, usando a ilustração de observar os sinais de padrões meteorológicos.
- Ele então aplica isso às multidões, chamando-as de “hipócritas”, como mostra o “ai” de 11.39–52.
- Eles afirmam conhecer a Deus e podem conhecer o tempo, mas ainda não conseguem “saber interpretar este tempo presente” (12.56).
- Eles são hipócritas porque podem interpretar os sinais naturais, mas não podem interpretar os sinais celestiais, o que significa que perderam seu relacionamento com Deus.
- Eles não sabem, neste momento de crise, que chegou a hora do juízo abrasador (12.49). Eles deveriam ter visto a evidência do trabalho manual no ministério de Jesus e as divisões que ele causou. Eles deveriam estar prontos, mas não estão.
- Jesus agora prossegue para contar-lhes a verdadeira imagem dos tempos e lhes pede que “julguem por si mesmos o que é certo”. [57-59]
- Ele lhes dá a oportunidade de fazer o que não fizeram até agora, de interpretar os sinais dos tempos.
- A história em si é bastante clara, assim como o seu significado.
- Você está caminhando com um adversário no caminho para ver o magistrado. Trata-se de uma questão financeira envolvendo o tribunal do devedor, como mostra o versículo 59 em “pagar o último centavo”.
- Você provavelmente é culpado, pois Jesus o encoraja a “reconciliar-se no caminho”, em vez de ir ao tribunal.
- Este é provavelmente um tribunal helenístico, pois em um cenário judaico um governante ou escriba da sinagoga provavelmente teria tomado a decisão.
- A reconciliação é a única maneira de mantê-lo fora da prisão.
- Se você fosse, estaria em sérios problemas, pois na prisão provavelmente seria espancado regularmente para conseguir que sua família pagasse mais, e a libertação a qualquer momento era rara, pois a dívida tinha de ser paga integralmente antes que a libertação ocorresse.
- As pessoas se venderiam para a escravidão para evitar a prisão do devedor. Um lépton, ou “centavo”, era a menor moeda que havia, valia 1/128 de um denário, ou menos de meia hora de trabalho.
O significado disso é poderoso. O acusador foi associado a Satanás ou a opositores terrenos ou mesmo a Deus.
- Provavelmente, este cenário não pretende ser um símbolo e é simplesmente uma questão local.
- A mensagem centra-se na prontidão para o julgamento final, com Deus, o Juiz, no grande trono branco (Ap 20.11–15).
Homens não convertidos caminham sobre o abismo do inferno sobre uma cobertura podre, e há inúmeros lugares nesta cobertura tão fracos que eles não suportam seu peso, e esses lugares não são vistos.
Jonathan Edwards (Pregador Evangélico Norte-americano)
- A dívida, como na Oração do Senhor (11.4), refere-se aos nossos pecados como dívidas para com Deus.
- Nós lhe daremos contas de nossa vida, e muitos se apresentarão diante dele com vergonha (Hb 13.7; 2Tm 2.15). Reconciliar-se com ele significa claramente arrepender-se e receber o perdão pelos pecados. Caso contrário, teremos de “pagar o último centavo” e receber a condenação e o julgamento eternos.
Conclusão
Podemos encontrar a conclusão rememorando o termo de trás para frente. O Senhor nos apresenta a cena do juízo sobre os incrédulos e devedores, sobre os que conhecem seus deveres e negligenciam.
Portanto, como devemos nós viver?
Vigilante e atentos, cumprindo nossa vocação.
SDG.
[1]William Hendriksen, Lucas, trad. Valter Graciano Martins, 2a edição, vol. 2, Comentário do Novo Testamento (São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2014), 185–186.
[2]Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), 1Pe 1.13–16.
[3]Grant R. Osborne, Evangelho de Lucas, trad. Renato Cunha, Comentário Expositivo do Novo Testamento (Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023), 350.
[4]Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 12.36–37.
[5]William Hendriksen, Lucas, trad. Valter Graciano Martins, 2a edição, vol. 2, Comentário do Novo Testamento (São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2014), 186–187.
[6]Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 12.42–48.
[7]Grant R. Osborne, Evangelho de Lucas, trad. Renato Cunha, Comentário Expositivo do Novo Testamento (Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023), 353–355.
[8]Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 12.49–53.
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