(Lv 11) A diferença entre o limpo e o imundo

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A partir daqui começam as leis a respeito do limpo e do imundo. Como vimos, isso não é uma coisa aleatória. Nadabe e Abiú morreram no Tabernáculo, e por causa da morte deles, o Tabernáculo precisava ser purificado. Então agora eles deviam aprender o que era limpo, o que santo, e o que era ritualmente imundo. Então daqui até o capítulo 15 é isso que veremos.
Esses ensinamentos eram um aprofundamento da relação de Israel com Deus, que é um Deus totalmente Santo. Eles vão aprender na verdade a respeito do caráter de Deus.
Tudo o que não é sagrado é comum. As coisas comuns dividem-se em dois grupos: as limpas e as imundas. As coisas limpas tonam-se santas quando são santificadas. Mas os objetos imundos não podem ser santificados. As coisas limpas podem se tornar imundas se forem contaminadas. Finalmente, os itens sagrados podem ser profanados e tornarem-se comuns, até mesmo contaminados, e, portanto, imundos. A santificação pode elevar o limpo à condição de sagrado, enquanto a contaminação degrada o limpo, tornando-o imundo. O imundo e o sagrado são duas condições que jamais podem entrar em contato um com o outro. Então, de acordo com Levítico, o sangue sacrificial é necessário para purificar e para santificar. O sacrifício pode desfazer os efeitos do pecado e da fraqueza humana. O pecado e a doença levam à profanação do sagrado e à contaminação do limpo. O sacrifício pode reverter esse processo.
Então temos na verdade uma separação entre o sagrado e o comum e entre o limpo e o imundo.
Então uma coisa que é imunda, pode ser purificada e só depois de purificada pode ser santificada. Uma coisa que é santa, pode se tornar comum, limpa, e então pode se tornar imunda. O que torna uma coisa santa é o sacrífico. E o que torna uma coisa comum e imunda é o pecado ou a enfermidade, que é uma representação do pecado - a morte.
Se houvesse impureza em Israel, isso trazia dois problemas. O primeiro é que não poderiam se aproximar de Deus, com risco de morte, porque é Deus Santo. E o segundo problema era que, se a impureza fosse no Santuário, como é o caso em Levítico 10, então Israel corriam o risco de perder sua grande bênção, que era a presença de deus, porque Deus poderia abandonar sua morada. Então eles precisavam purificar o Tabernáculo. A presença de Deus era a fonte da santificação de Israel - sem a purificação que vem dele, Israel teria de carregar a sua própria culpa e sofrer as ameças da aliança.
Então, irmãos, ser limpo significava aptidão para estar na presença de Deus; já ser santo significava que a pessoa pertencia a Deus. São duas coisas diferentes. Algo que era santo precisava permanecer exclusivamente na presença de Deus, vivendo apenas para a vontade dele, caso contrário, devia ser destruído para não se tornar comum ou profano.
A condição normal de Israel era de limpo, e a dos sacerdotes, era de santo. O papel dos sacerdotes (santos) era viabilizar o relacionamento entre o Santo Deus e o limpo Israel. À medida que esse relacionamento crescia, Israel se tornaria santo, e no fim, se tornando santo, Israel também tornaria santas as outras nações. Esse era o objetivo de Deus.
Então temos o seguintes: 11: distinção entre animais limpos e imundos; 12 purificação após o parto; 13: diagnósticos de doenças de pele e outras superfícies como imundas; 14: purificação de doenças de pele e das casas; e 15: diagnóstico e purificação de emissões corporais imundas.
Vida e morte
O contraste entre vida e morte está na essência das leis a respeito do limpo e imundo. Deus é a fonte da vida. Quanto mais perto se chega de Deus, mais perto se está da vida em abundância. Em contrapartida, quanto mais nos afastamos de Deus… mais profundamente vivenciamos a morte e o caos.
Então, aquilo que é limpo pode ser levado à presença de Deus na entrada do Tabernáculo, diante do Altar. Mas, antes de aproximar-se mais dele a pessoa, animal ou objeto limpo precisa ser santificado, tornado santo, para a presença do Senhor. Aquilo que é imundo está mais perto do caos e da morte, e aquilo que é limpo está mais perto da vida que é Deus, até se tonar santo e mais santo, porque Deus é santo.
Levítico 11.44–45 “Eu sou o Senhor, vosso Deus; portanto, vós vos consagrareis e sereis santos, porque eu sou santo; e não vos contaminareis por nenhum enxame de criaturas que se arrastam sobre a terra. Eu sou o Senhor, que vos faço subir da terra do Egito, para que eu seja vosso Deus; portanto, vós sereis santos, porque eu sou santo.”
Wiliam Gurnall: Uma vida santa é a vida de Deus
MH: "Sede santos" é a grande lei fundamental de nossa religião
Muitos dos animais imundos são associados de algum modo à morte, seja pelo fato de serem predadores carnívoros ou necrófagos, por viverem em sepulcros, cavernas, ou, como os porcos, por estarem associados talvez à alguma divindade. Então não podiam ser consumidos. Criaturas que demonstravam alguma anormalidade dentre da sua espécie, como peixes sem escamas, eram vistos como mais distantes da sua integridade, como anormais, ou seja, mais distantes da vida, então não devia ser consumidos. Isso acontecia com os seres humanos, com defeitos físicos, certas doenças, que impediam um descendente de Arão por exemplo de exercer o sacerdócio, porque aquele defeito representava o efeito do pecado sobre a criação que precisava ser restaurada. Então várias doenças, como doenças de pele, tornavam os israelitas imundos porque os levavam para a esfera da morte. Era o que acontecia com a lepra. A pessoa devia ser tirada pra fora do arraial.
John Flavel: O que a saúde é para o coração, a santidade é para a alma.
Dependendo da severidade da imundícia, a purificação cerimonial podia ser apenas lavar e esperar até a noite, ou oferecer uma oferta de purificação e a sete dias de espera. Então se a imundícia era um caminha da vida pra morte, a purificação era um caminho da morte para a vida. E os elementos para a purificação era o sangue e a água.
J. I. Packer: A santificação é a restauração progressiva da racionalidade de um homem, de forma que ele se torne realmente um homem
A Santidade de Deus e a contaminação do pecado
É muito importante fazermos uma diferença entre as ofensas morais que tornavam a pessoa impura, que era o pecado em si, e a imundícia ritual que é tratada aqui em Levítico 11 à 15, que eram exatamente pecado. Nessa condição a pessoa podia ser purificada mas não precisava necessariamente ser perdoada, como nos pecados em si. O pecado é imundícia por si só, mas as imundícias rituais não eram pecado em si; mas representavam o pecado. Uma doença não é pecado, mas ela representa o pecado, que destrói a criação, que mata.
O principal propósito das leis sobre limpo e imundo é ensinar a Israel a fugir da sujeira do pecado, e que a imundícia veio ao mundo por causa do pecado. Então essa era a linguagem que, por exemplo, os profetas usavam para falar de arrependimento e perdão:
Ezequiel 36.25 “Então, aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei.”
Então a imundícia ritual representava a contaminação do pecado. O contato com cadáver trazia imundícia, não porque era pecado em si, mas porque a morte são resultados do pecado.
Israel e as outras nações
Quando Deus entrou num relacionamento de aliança com Israel, Israel deixou de ser imundo e passou a ser limpo. Através do sangue na Páscoa, e da consagração do Monte Sinai, Israel foi perdoado e purificado pra poder entrar num relacionamento com Deus. E as outras nações foram deixadas na imundícia. Foi assim que Deus separou Israel do restante do mundo. Depois de separar Israel da outras nações tornando Israel limpo, agora Deus queria separar Israel da pecaminosidade das nações, da idolatria por exemplo, para que no fim Israel fosse santo, e através de Israel Deus pudesse tornar limpas também as outras nações. Não era a etnia que os separava, mas o pecado.
Levítico 18.24 “Com nenhuma destas coisas vos contaminareis, porque com todas estas coisas se contaminaram as nações que eu lanço de diante de vós.”
Aqui irmãos, a imundícia das nações é especialmente representada pelas leis alimentares. Da mesma forma que Deus separou israel dos outros povos, Israel precisava fazer diferença entre os animais limpos e os imundos. Toda refeição servia como lembrete da eleição divina de Israel.
Quando Jesus vem pra fazer expiação do pecado pelo seu sangue, e mandar o Espírito como água para purificar e consagrar seu povo, tanto judeus como gentios, então as leis alimentares perdem seu propósito, e são abolidas (At 10-11).
Animais
Os israelitas também dividiam o mundo animal de várias maneiras, duas das quais são encontradas em Levítico 11: animais da terra (vv. 2b-8, 29-30, 41-42), das águas (vv. 9-12) e do céu (vv. 13-23).
Não vou explicar os detalhes de cada exigência que é feita aqui. São muitos. Por exemplo, dos animas da terra, os animais considerados puros tinha duas características: ruminar e ter o caso fendido. Se faltasse uma delas, era considerado impuro. Os dos animais marinhos, se não tivesse escama era impuro. Ou animais chão, de rastejam, eram impuros.
Aqui resta saber que a diferença entre esses animais não era tanto por questão de higiene, como geralmente se pensa, ainda mais hoje que é tão possível limpar bem uma carne de porco, por exemplo. É difícil exatamente saber o porque esses animais era considerados ritualmente impuros, mas ao que parece tinha mais a ver com alguma anormalidade, deles dentro da sua própria espécie, ou algo assim. Ou, no caso de aves de rapina e animais carnívoros, que comem sangue, por causa do sangue.
Marcos 7.18–19 “Então, lhes disse: Assim vós também não entendeis? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar, porque não lhe entra no coração, mas no ventre, e sai para lugar escuso? E, assim, considerou ele puros todos os alimentos.”
Romanos 14.14 “Eu sei e estou persuadido, no Senhor Jesus, de que nenhuma coisa é de si mesma impura, salvo para aquele que assim a considera; para esse é impura.” Romanos 14.20 “Não destruas a obra de Deus por causa da comida. Todas as coisas, na verdade, são limpas, mas é mau para o homem o comer com escândalo.”
1Coríntios 10.25 “Comei de tudo o que se vende no mercado, sem nada perguntardes por motivo de consciência;”
O que importa era que essas leis deveriam diferenciar Israel como povo santo. Os animais impuros representavam as outras nações. Mas e agora, que o Evangelho foi espalhado a todas as nações, qual a função dessas leis? Não resta mais propósito para elas? Muito interessante pensarmos que, por meio de Cristo, o mundo todo agora é atraído a Deus, e foi exatamente assim que Israel, em Cristo, tornou as outras nações limpas, ou seja, elas podem ser tornada santas, por meio do Evangelho.
O que Deus estava fazendo no AT era desenhar pra o povo por meio desses símbolos: o que é santidade, e o Deus requeria deles com respeito aos outros povos.
Nós somos purificados pelo Evangelho, pelo Sangue de Cristo, pela água do Espírito. Somos feitos seu povo. Povo de propriedade exclusiva de Deus. O que Deus requer de nós hoje?
2Coríntios 6.16–7.1 “Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso. Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus.”
1Pedro 1.14–16 “Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.”
Quero terminar lembrando de como Jesus foi separado do Pai pra que eu e você não fôssemos. Ele deixou seu trono, não se tornou pecaminoso, mas em semelhança de carne pecaminosa, ele carregou nossos pecados e foi desamparado por seu Pai. É assim que e você podemos nos aproximar, com ousadia. Esse Jesus deve ser anunciado aos outros, para que outros possam se aproximar também, através do sangue expiatório, e do Espírito purificador. Como disse Flavel:
Cristo está tão enamorado da santidade que ele a comprou com seu próprio sangue para nós.
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