EBD #08 - PODEMOS ESTABELECER PRAZO PARA DEUS NOS RESPONDER?

Cristianismo Bem Explicado - Augustus Nicodemus  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Transcript

1. Introdução

Objetivo

Compreender o episódio de Daniel 10 e esclarecer a ideia de que o tempo de resposta de Deus não pode ser determinado por campanhas com prazos fixos.

Questão Inicial

Pergunte aos alunos: "Já ouviram falar de campanhas de oração com prazos como 21 dias ou 7 dias? O que vocês pensam sobre isso?"

Objetivo da Aula:

Discernir a diferença entre a experiência específica de Daniel e a criação de campanhas de oração baseadas em prazos.

2. Dinâmicas Iniciais (Escolha uma ou mais)

A Verdade sobre Deus e o Tempo

Como fazer: Escreva na lousa várias afirmações sobre o tempo e Deus (ex.: "Deus responde a oração de acordo com o nosso tempo", "Deus tem o tempo perfeito para responder às nossas orações").
Divida a classe em dois grupos: um para defender que Deus tem um tempo fixo para responder (relacionando com campanhas) e o outro para argumentar que a resposta de Deus é no Seu tempo perfeito.
Após os debates, comente sobre como o tempo de Deus é soberano e muitas vezes diferente do nosso entendimento.

Quem Põe o Prazo?

Como fazer: Pergunte aos alunos: "Quem estabelece o prazo para que Deus nos responda?"
Divida-os em pequenos grupos e peça para listarem possíveis razões para os atrasos nas respostas de Deus e o que a Bíblia diz sobre esperar em Deus.
Depois, compartilhe com a turma o versículo de Isaías 55:8-9
Isaiah 55:8–9 NAA
8 “Porque os meus pensamentos não são os pensamentos de vocês, e os caminhos de vocês não são os meus caminhos”, diz o Senhor. 9 “Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos, e os meus pensamentos são mais altos do que os pensamentos de vocês.

3. Tópicos da Aula

O Contexto de Daniel 10: O Motivo da Demora da Resposta

O livro bíblico de Daniel relata o episódio de um encontro, entre o profeta e um anjo, que tem sido usado como base para a criação de campanhas em igrejas, com duração de determinado número de dias ou semanas, a fim de receber bênçãos de Deus. A questão é: será que tal passagem nos dá base bíblica para essas campanhas?
Explique o episódio de Daniel 10: Daniel ora por entendimento e, apesar de sua oração ter sido ouvida desde o primeiro dia, ele só recebe a resposta após 21 dias, devido a um impedimento espiritual.
Eu, Daniel, recebi essa visão depois de passar três semanas de luto. [...] Levantei os olhos e vi um homem vestido com roupas de linho e um cinto de ouro puro. [...] E o homem me disse: “Daniel, você é muito precioso para Deus; por isso, ouça com atenção o que tenho a lhe dizer. Levante-se, pois fui enviado a você”. Quando ele me disse isso, me levantei, ainda tremendo. Em seguida, ele disse: “Não tenha medo, Daniel. Pois, desde o primeiro dia em que você começou a orar por entendimento e a se humilhar diante de seu Deus, seu pedido foi ouvido. Eu vim em resposta à sua oração. Por 21 dias, porém, o príncipe do reino da Pérsia me impediu. Então Miguel, um dos príncipes mais importantes, veio me ajudar, e eu o deixei ali com os reis da Pérsia. Daniel 10.2,5,11-13
Esse relato trata especificamente do motivo de as orações do profeta naquela ocasião demorarem a ser atendidas. Foi uma revelação específica, não relacionada a um princípio universal.

Quem São os Anjos, O Que Fazem?

Os anjos são descritos na Bíblia como mensageiros de Deus, encarregados de cumprir suas ordens. Aparentemente, parte da tarefa dos anjos é trazer respostas de oração ou, de alguma forma que desconhecemos, agir nas circunstâncias da vida para fazer acontecer o que os filhos de Deus pediram ao Senhor.
Há diferentes casos na Bíblia de respostas de oração que vieram por meio de anjos. Embora seja mais modesto ao relatar a atuação desses seres espirituais, o Novo Testamento deixa entrever que eles prosseguem desempenhando esse papel. Um exemplo é o do anjo que libertou Pedro da prisão.
Acts 12:6–11 NAA
6 Na noite anterior ao dia em que Herodes ia apresentá-lo ao povo, Pedro dormia entre dois soldados, preso com duas correntes. Sentinelas, junto à porta, guardavam a prisão. 7 Eis, porém, que sobreveio um anjo do Senhor, e uma luz iluminou a prisão. O anjo tocou no lado de Pedro e o despertou, dizendo: — Levante-se depressa! Então as correntes caíram das mãos dele. 8 E o anjo continuou: — Coloque o cinto e calce as sandálias. E ele assim o fez. O anjo lhe disse mais: — Ponha a capa e siga-me. 9 Então, saindo, Pedro o seguia, não sabendo que era real o que estava sendo feito pelo anjo; ele pensava que era uma visão. 10 Depois de terem passado a primeira e a segunda sentinela, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade, o qual se abriu automaticamente; e, saindo, enveredaram por uma rua, e logo adiante o anjo se afastou dele. 11 Então Pedro, caindo em si, disse: — Agora sei que, de fato, o Senhor enviou o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de toda a expectativa do povo judeu.
Parece-nos claro que os anjos continuam agindo em nosso mundo. Eles atuam de forma invisível, e provavelmente já experimentamos libertação e solução de problemas pela mão de anjos, mesmo que ignoremos esse fato. Tais seres celestiais são totalmente discretos e, como servos de Deus, sabem que a glória não lhes pertence.
De tempos em tempos, pessoas vêm a público dizer que viram anjos. Não temos como comprovar que sim nem que não. São experiências particulares, e nesses casos é preferível deixar a questão entre quem as relata e Deus. A Bíblia, contudo, nos adverte a ter cuidado, porque Satanás se transfigura em anjo de luz (2Co 11.14).
2 Corinthians 11:13–15 NAA
13 Porque esses tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, disfarçando-se em apóstolos de Cristo. 14 E não é de admirar, porque o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz. 15 Portanto, não deveria surpreender que os seus próprios ministros se disfarcem em ministros de justiça. O fim deles será conforme as suas obras.
Além disso, Paulo alerta que devemos evitar o culto aos anjos (Cl 2.18).
Colossians 2:18 NAA
18 Não deixem que ninguém se faça de árbitro para desqualificar vocês, com pretexto de humildade e culto de anjos, baseando-se em visões, estando cheio de orgulho, sem motivo algum, na sua mente carnal,
Tudo isso nos mostra que precisamos estar alertas, principalmente no que se refere ao relacionamento com Deus: nunca podemos nos esquecer de que somente Jesus Cristo pode mediar esse contato.

A Resposta de Deus Não Está Condicionada ao Nosso Prazo

No caso de Daniel, vemos um anjo que trazia a resposta de Deus para o profeta, mas que durante 21 dias foi impedido por algum tipo de ser espiritual. O relato se refere a uma batalha entre anjos. É como se Deus tivesse aberto a cortina do mundo invisível que nos cerca e permitido que Daniel visse, de maneira rara, esse combate angelical. Creio que existem situações invisíveis a nossos olhos carnais que acontecem no âmbito espiritual e que não nos são dadas a conhecer.
O episódio de Daniel estabeleceu um prazo padrão de 21 dias para as orações?
O fato de Daniel ter esperado 21 dias foi devido a um conflito espiritual específico e não uma regra para todos os cristãos.
O fato de a resposta de Daniel ter levado 21 dias não significa, em absoluto, que esse é algum tipo de prazo padrão, uma regra para respostas de oração. As igrejas que criam campanhas com prazo predeterminado de dias estão utilizando um sistema de interpretação que chamo de “recriação” ou “apropriação”. Parece que elas veem a Bíblia como um depósito de experiências religiosas acontecidas no passado que podem ser replicadas no presente. O fato, por exemplo, de Josué ter rodeado as muralhas de Jericó por sete dias até elas caírem dão a algumas pessoas a ideia de que podem fazer campanhas de sete dias para “derrubar os muros da doença” ou “derrubar os muros do desemprego”.
Esse tipo de interpretação bíblica é insuficiente, defeituoso e equivocado, e acaba funcionando como base de toda uma gama de práticas bizarras. O que Deus fez com Josué, Daniel, Moisés, José, Elias, Jacó e tantos outros personagens bíblicos no passado ele não necessariamente repetirá em nossa vida.

A Diferença Entre o Que É Histórico e O Que É Normativo

Existe uma enorme diferença entre o que é histórico e o que é normativo. Os acontecimentos históricos compõem o registro dos atos salvadores de Deus na história, boa parte deles ocorridos uma única vez e registrados na Bíblia exatamente por seu caráter único, não replicável. Já o que é normativo chega a nós sob a forma de princípios, mandamentos, regras gerais a serem obedecidas: orar sem cessar, não adulterar, não ter outros deuses diante do Senhor, amar o próximo como a si mesmo, não deixar de congregar. E os 21 dias de Daniel certamente não são um fato normativo.
Histórico: Relatos únicos de Deus agindo em momentos específicos da história.
Normativo: Princípios universais, como orar sem cessar (1Tessalonicenses 5:17), confiar em Deus (Provérbios 3:5-6), etc.
A oração de Daniel foi ouvida desde o primeiro dia, mas não é uma garantia de que todas as respostas seguem esse prazo.
Daniel 10:12–14 NAA
12 Então ele me disse: — Não tenha medo, Daniel, porque as suas palavras foram ouvidas, desde o primeiro dia em que você dispôs o coração a compreender e a se humilhar na presença do seu Deus. Foi por causa dessas suas palavras que eu vim. 13 Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu durante vinte e um dias. Porém Miguel, um dos príncipes mais importantes, veio me ajudar, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia. 14 Agora, vim para fazer com que você entenda o que vai acontecer com o seu povo nos últimos dias. Porque a visão se refere a dias ainda distantes.

A Soberania de Deus e Seu Tempo Perfeito

Deus pode responder de maneiras diferentes e em tempos diferentes de acordo com o Seu plano perfeito.

Versículos para Leitura Pública:

Isaiah 55:8–9 NAA
8 “Porque os meus pensamentos não são os pensamentos de vocês, e os caminhos de vocês não são os meus caminhos”, diz o Senhor. 9 “Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos, e os meus pensamentos são mais altos do que os pensamentos de vocês.

Encerramento:

Ore com a turma, pedindo a Deus sabedoria e discernimento para tomar decisões de acordo com Sua vontade.
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