UMA TATUAGEM NAS MÃOS DE DEUS
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UMA TATUAGEM NAS MÃOS DE DEUS
Texto: Isaías 49:14-16
Hino: 164 Meu nome nas tuas mãos; 213 Não Me Esqueci de Ti.
INTRODUÇÃO
O livro de Isaías é um microcósmico da Bíblia. Ela tem sessenta e seis livros, Isaías tem sessenta e seis capítulos. A Bíblia se divide em Velho Testamento com 39 livros e Novo Testamento com 27 livros, sendo que o Antigo Testamento fala mais do povo de Israel, e os 27 livros do Novo Testamento falam do que Jesus fez e fará com a sua igreja, o futuro dela na nova terra. Isaías tem a história de Israel contado nos 39 primeiros capítulos e um futuro que Deus planejou nos últimos 27 capítulos. A Bíblia começa com a criação e o pecado, e o que ele fez. Os problemas, a devassidão e termina com o nova Céu. E Isaías também começa descrevendo o povo abandonando a Deus e termina com o novo Céu e a Nova Terra.
A passagem que escolhi é um texto muito importante, pois o contexto histórico mostra que o povo de Israel estava no exílio e eles começam a contender com Deus, mais ou menos parecido com o que Jó faz em seu livro. VAMOS LER ISAÍAS 49:14-16.
I – ESQUECIDO POR DEUS
Você já passou por uma experiência semelhante a essa? É bem possível que sim. É provavél que você já tenha passado por aflições em sua vida, algumas tempestades, algum momento de turbulência que ora, clama a Deus, vai à igreja buscando respostas, mas parece que tudo está vazio. Você ora de madrugada, jejua, mas não tem nem uma resposta, então, você se sente só, abandonado, esquecido por Deus.
As vezes esse sentimento vem após alguma grande perda, ou quando comete algum pecado que você tem lutado contra, que fez promessas de que não cometeria novamente, que você lutou para não cair nele, que jejuou, que orou, que sentiu uns arrepios os quais você tinha plena certeza que era o Espirito Santo, e você disse: “– Agora eu venço”, mas veio a queda novamente, e você olha para cima, sente vergonha e pergunta: “– Cadê Deus que não me deu força? Não me livrou desta tentação? Não me guardou do tentador?
Era assim que os judeus se sentiam. O templo de Jerusalém que era a presença visível de Deus estava destruído, o rei morto e os príncipes em cativos, parecia que a aliança davídica havia acabado, as lavouras consumidas, as casas destruídas e o povo no exílio babilônico. Assim se sentia Israel, sozinho, abandonado, esquecido por Deus.
Ilustração – Algum tempo atrás fui aconselhar um líder da igreja, e ele me disse: “– Deus, não existe”. Quem ouve isso, a princípio toma um susto, mas eu entendi esse irmão, ele não estava duvidando da existência de Deus como Criador e Mantenedor do universo, mas ele se sentia abandonado diante das lutas que enfrentava. E para ele era muito doído essa situação, pois sabia que Deus existia, mas parecia que para esse irmão era como se o SENHOR não existisse. Esse irmão estava com um problema existencial. É como se ele perguntasse será que Deus existe para mim, se importa comigo, com as minhas lutas, minhas derrotas e fracassos, minha dor?
Esse era o problema de Israel. Eles diziam Deus se esqueceu de mim. Então Deus mostra através de duas metáforas o tamanho de sua memória. VAMOS LER NOVAMENTE VERSOS 15 e 16.
II – MÃE X DEUS
É possível uma mulher esquecer do filho que ainda amamenta? Essa é a pergunta. Essa é uma situação muito difícil. Um homem pode esquecer.
Ilustração – Esses dias vi um vídeo de um pai que brincava com a filha, e de repente ele se distrai e percebe que perdeu a filha, começa desesperadamente a procurar a criança, chega até fazer uma ligação, sem perceber que ela estava em seus ombros. Um pai pode esquecer, mas uma mãe!? É muito difícil.
Por isso Deus pega o mais completo amor entre seres humanos, a imagem do amor de uma mãe e toda ternura que isso tem e usa como exemplo dizendo: “– Ainda que ela se esqueça, eu jamais me esquecerei de ti.” Você diz amém? Assim como uma mãe não esquece do seu filho, Deus não se esquece de você. A memória de Deus é a de uma mãe que não se esquece de seus filhos.
Ilustração – Alguma vez, alguém perguntou para uma mãe que tinha 15 filhos qual deles ela mais amava. Ela respondeu que era o que mais precisava dela. Assim é Deus, você é um filho que precisa de Deus? Então você é o filho que Ele mais ama.
Você consegue ver a beleza e a profundidade do amor de Deus relatada neste texto? Você consegue conceber esse amor? Então a maior expressão de amor revelado pelo ser humano, o amor de uma mãe por um filho, é apenas um fragmento do amor de Deus por você. Pois essa, em raras exceções, podem abandonar um filho, como aconteceu em 28 de janeiro 2006 onde uma mulher jogou sua filha de dois meses na lagoa da Pampulha, mas ainda que isso venha a acontecer, Deus nunca fará isso, o SENHOR não se esquece de você. O amor de Deus é muito profundo.
Então quando você pensa que Deus está longe de você, que Ele te abandonou, na realidade, Ele está aí pertinho de você, carregando-o em seu colo.
III – MEU NOME NAS MÃOS DE JESUS
Agora tem a complementação do texto, pois ainda que uma mãe se esqueça, abandone, Deus nunca esquecerá, de você, por quê? O verso 16 diz, LEIA NOVAMENTE.
Essa é uma linguagem intrigante, pois essa palavra gravar conota a ideia de pegar um instrumento de metal de escultor, um cinzel ou formão, e esculpir, tatuar, cortar algo até marcar o que você deseja deixar gravado. Essa ação deve doer muito, sangrar muito, machucar bastante. E essa é a figura que Deus usa para através de Isaías mostrar que Deus não se esquece, pois você está gravado nas mãos dEle, seu nome está colado ali, está tatuado. Você está sempre diante de Deus.
O interessante é que há uma inversão aqui, pois normalmente na Bíblia e no antigo Oriente Próximo, o escravo era a pessoa marcada, não o senhor, mas aqui é Deus como SENHOR que está sendo marcado. Então temos uma inversão, pois é Deus que põe sua marca sobre o sumo-sacerdote, sobre o templo, sobre os remanescentes e sobre os salvos, mas nesta inversão é Deus que está sendo marcado como se Ele fosse um escravo. Ele mesmo se marca por amor a mim e a você para não se esquecer de nós.
Ilustração – Pense agora, você deve ter uma marca, uma cicatriz que te lembra o exato momento que conseguiu ela. Tenho umas, mas uma que arrumei na infância enquanto usava um facão para rachar bambu e fazer gravetos para acender um fogo que iria endurecer as bolinhas de argilas que havia preparado para matar passarinho, me marcou tanto, que só em pega neste instrumento vem tudo a memória novamente. No último campori estava ajudando o Clube Clave de Sol e todas as vezes que pegava o facão para rachar os bambus que cercaria o acampamento vinha a memória aquele momento, brotava na minha mente com uma vivacidade incrível, quase podia sentir a dor novamente.
Agora um outro detalhe importante é o que está gravado, é o nome? O texto não nos deixa no escuro. VAMOS LER APENAS O FINAL DO VERSO 16.
À luz deste verso os muros de Israel estão gravados nas mãos de Deus, desenhado nas suas mãos, mas que muros? Existe duas interpretações possíveis:
Uma é os muros destruídos da Jerusalém, o símbolo de destruição e morte, aquilo que para o povo de Israel era uma evidencia do esquecimento de Deus, era exatamente o que estava não mãos do SENHOR como um lembrete de que Ele não se esqueceu. Pois Ele sofria com o povo, a mesma dor que eles estavam passando, Deus sentia em Si mesmo, Deus era um co-sofredor com eles.
A outra interpretação é que esses muros são da Nova Jerusalém de ouro, a maquete da cidade Santa está nas mãos de Deus como um eterno lembrete do que Ele prometeu que faria. É como se Ele dissesse: “– Não me esqueço de você, pois o que planejei para ti está aqui nas minhas mãos.”
CONCLUSÃO
As duas interpretações são possíveis, e gosto de pensar que as duas coisas estão em suas mãos agindo simultaneamente.
Esse texto que estudamos está em íntima ligação com Isaías 53 sobre o Servo sofredor. Que mostra o que Jesus passou por mim e por você.
Quando você peca, após fazer promessas de que não cairia em pecado, Jesus sofre, pois como um Pai amoroso, sente a dor da sua derrota. Quando você o nega, Ele fica triste, como uma mãe que ama seu filho. Quando você luta, luta, luta e luta, mas não vence, Jesus chora, pois te ama com amor eterno.
E tem algo lindo que a irmã White nos revela no livro o Grande Conflito. Ela afirma que no juízo todos os nomes são apresentados diante de Deus, e Jesus apresenta a petição para que o pecador possa ser aceito no Céu, para que seus pecados passam ser perdoados para que possam receber a salvação. Mas Satanás acusa-os afirmando que são transgressores da Lei, e que deve morrer como a ela exige. Aponta para os defeitos de caráter, as transgressões e erros, as falsidades, as brigas, as intrigas, as impurezas, as fornicações, os adultérios, os roubos, e tantos outros pecados. E reclama-os como seus súditos.
Mas Ellen White afirma: “Jesus não lhes justifica os pecados, mas apresenta o seu arrependimento e fé, e, reclamando o perdão para eles, ergue as mãos feridas perante o Pai e os santos anjos, dizendo: "Conheço-os pelo nome. Gravei-os na palma de Minhas mãos [...] E ao acusador de Seu povo, declara: "O Senhor te repreende, ó Satanás; sim, o Senhor, que escolheu Jerusalém, te repreende.” Zac. 3:2. Cristo vestirá Seus fiéis com Sua própria justiça, para que os possa apresentar a Seu Pai como "igreja gloriosa, sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante". Efés. 5:27. Seus nomes permanecem registrados no livro da vida, e está escrito com relação a eles: "Comigo andarão de branco; porquanto são dignos disso." Apoc. 3:4.” (GC, 484)
APELO
Meu querido irmão e irmã, as mãos de Cristo são mãos sofredoras, rasgadas pelos cravos. Dilaceradas quando O levantaram na cruz. As mãos do Senhor contam a história do maior amor do universo. Mãos infalíveis!
Nelas podemos deixar nossa oração, nossos caminhos e descaminhos, nossos pecados, nossas depressões, traumas e incertezas. Venha e aceite pela fé o sacrifício de Jesus por você e deixe Ele carregar seu nome nas suas preciosas Mãos.
