Theologia Crucis

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1Co 1:17-24: “17 Porque Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar; não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo se não faça vã.
18 Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.
19 Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, E aniquilarei a inteligência dos inteligentes.
20 Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?
21 Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.
22 Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria;
23 Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos.
24 Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus.”
No ultimo sermão nós olhamos para a importância de pregar o evangelho porque essa é a forma que Deus escolheu para salvar os seus escolhidos. Hoje eu queria voltar um pouco para um dos textos que olhamos e ver como a cruz é central e depois vermos o que ela revela sobre nós.

Legalismo vs Mundanismo. Cruz!

O apóstolo Paulo fundou algumas igrejas. Essas igrejas tiveram dificuldades diferentes, mas nós vamos perceber que há um ponto que resolve todos os problemas e, ao mesmo tempo, testa todas as coisas. Ao mesmo tempo, é um problema para o nosso mundo. Em 1Coríntios 2.2 “2 Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado.” Paulo está falando de uma igreja que ele fundou e que trouxe mais tristeza ao seu coração. Uma igreja mundana, uma igreja saturada pela libertinagem, uma igreja para a qual ele escreveu cartas grandes. Ele diz: “Pois decidi nada saber entre vocês, a não ser Jesus Cristo e este crucificado.”
Em Gálatas 5.11 “11 Eu, porém, irmãos, se ainda prego a circuncisão, por que continuo sendo perseguido? Logo, está desfeito o escândalo da cruz.” , Paulo está escrevendo para outra igreja com outro problema, um problema de legalismo, e ele diz que o escândalo da cruz, ali no meio de vocês, está aniquilado. Gálatas 6.14 “14 Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo.”

O remedio: Theologia Crucis

Duas igrejas, dois problemas opostos, mas o remédio era o mesmo. Agora, por que, em um lugar e no outro, o ponto nevrálgico era a cruz? Lutero chamava a teologia do evangelho de “theologia crucis”. A cruz é central. Nós vivemos numa geração pós-cristã. Mas a nossa geração não tem um problema exatamente com Jesus.
Com Jesus, eu acho que a maior dificuldade e o maior mal que nós podemos sofrer, aquele que pode ser mais indolor e causar a coisa mais trágica, é exatamente quando o mal está revestido em uma certa humildade. Não é uma coisa que pareça tão ruim, mas que preserva algumas coisas, e que entra em sincronia com o mundo. Paulo diz que lá eles falavam da cruz. Não tiraram a cruz, não esqueceram que existia a cruz, nem deixaram de falar de Cristo, mas eles aniquilaram o escândalo da cruz; acabou a ofensa. Mantinham a cruz, mas hoje as pessoas dizem que a missão da igreja é muitas coisas.
As pessoas adoram falar sobre a missão da igreja. Mas ser fiel ao nosso chamado é o que nos basta. Nós não precisamos ir além do nosso chamado. E a ênfase da nossa missão está em fazer conhecido o que Cristo fez, o que ele fez e que nós devemos crer. O apóstolo Paulo tinha fundado essas igrejas, pregou o evangelho da verdade e, depois que ele se retirou, outros líderes foram lá e pregaram algo diferente. Uma acabou se tornando uma igreja mundana e a outra, legalista. Mas ficava perfeitamente claro onde o desvio ocorreu.
Nós não temos muitas escolhas; todo mundo baseia a sua opinião em alguma autoridade. Ou as pessoas se baseiam na Bíblia ou em alguma outra coisa que acham importante. Não importa o que é. Não é importante a explicação que a pessoa tem. O fato é que, quanto mais bela é a explicação, mais humilde e altruísta parece, pior ela fica, porque fica mais perigosa. Mas, na verdade, não interessa para a gente saber quais são as muitas autoridades em que as pessoas baseiam a sua vida, porque nós só precisamos saber de duas coisas: ou na Bíblia ou em outra coisa. As outras coisas são todas iguais; elas carregam algo em comum: não se baseiam na Bíblia. Não importa se isso mostra o extremo egoísmo do homem ou aquele homem extremamente altruísta.
Então, quando perguntam a Paulo qual é a verdade, qual é a mensagem real, ele diz: “É Jesus Cristo.” Mas você vê, isso não ofende ninguém. Mas Paulo acrescenta algo que é o problema lá em Corinto e na Galáxia: “Eu não me propus saber nada a não ser Jesus.” Ele poderia ter parado aí, e, se ele para aí, todas as ideias poderiam se juntar. Mas ele disse: “Eu não quero saber nada a não ser Cristo e este crucificado.” A pregação, a nossa missão, é pregar Cristo e este crucificado. A proclamação da cruz, como temos visto, é o coração e o centro da posição cristã. Qualquer coisa que de alguma maneira obscureça a cruz, não importa o quanto de Cristo você coloque, é totalmente anticristã.

A pedra angular

Por que isso é tão importante? Por que isso é fundamental? Porque é por meio da cruz que nós somos salvos. Paulo não disse só que ele acredita na cruz; ele diz “Longe de mim esteja a gloriar-me, se não na cruz de Cristo.” Longe de mim esteja a pregar a não ser Cristo e este crucificado. Sempre que as pessoas se afastaram, falavam muito em Cristo, a bondade de Cristo, as obras de Cristo, mas a cruz foi completamente afastada. Então, só há duas posições em relação à cruz no que diz respeito ao homem: ou ele é transformado e se gloria na cruz, ou ele se ofende com a cruz. Não há outra posição. 1Co 1:18: “18 Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.1Pe 2:6-8: "6 Pois assim é dito na Escritura: “Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa; e aquele que nela confia jamais será envergonhado”.7 Portanto, para vocês, os que creem, esta pedra é preciosa, mas, para os que não creem: “A pedra que os construtores rejeitaram tornou‑se a pedra angular”.8 E: “uma pedra de tropeço e uma rocha que faz cair”.
Os que não creem tropeçam, porque rejeitam a mensagem — algo para o qual estavam destinados.” A cruz é quem julga todos nós no cristianismo, se nós estamos na verdade ou não. Você não pode ficar neutro. A Bíblia diz que a presença da cruz sempre dividiu a humanidade. É a cruz. O evangelho é a teologia da cruz. Se você falar só sobre Jesus, sem a cruz, você não divide. Você pode até dizer: “Vamos todos nos juntar em torno das ideias de Jesus,” como fazer o bem ao próximo. O elemento da cruz divide a humanidade, porque só há duas posições em relação à cruz: ou ela é uma ofensa terrível para nós, ou então nós nos gloriamos nela. Ela é o motivo de toda a nossa glória e da nossa pregação, de tal maneira que essa é a nossa missão no mundo, como o apóstolo Paulo.
Você pode dizer: "Bem, eu acredito na cruz; ela não é uma ofensa para mim. Eu nunca me senti muito ofendido e também não me glorio nela igual o apóstolo Paulo." Eu posso dizer que você não entendeu nada, não entendeu o evangelho. Você pode falar a respeito do evangelho, de Jesus. Então Paulo disse: "Eu decidi nada saber entre vocês, a não ser Jesus Cristo e este crucificado." Não decidi saber um monte de coisas. Paulo era uma dessas pessoas que tinha uma missão que abrangia todas as coisas no mundo. Nada saber a não ser Cristo e este crucificado. Qualquer pessoa que estude o Novo Testamento fica logo impressionada com a ênfase que lhe é dada à morte de Cristo e como os evangelhos dão um destaque desproporcional à última semana da vida de Cristo. O tempo, as páginas… Porque eles aprenderam essa ênfase do próprio Cristo.

Jesus e a ênfase na cruz

Jesus diz em Marcos 8:31: “Era necessário que o Filho do Homem sofresse muitas coisas e fosse morto.” Era necessário que isso acontecesse. Ele insistiu para que se cumprisse aquilo que Deus falou, para que se cumprisse o que o Velho Testamento falou. Então, toda hora Jesus falava sobre a hora. “Ainda não chegou a minha hora.” Ele estava fazendo muitas coisas, mas “Eu não vim para todas essas coisas. Eu vim para uma hora; eu vim para um propósito.”
Mas a Bíblia diz que, quando chegou a hora, Ele mostrou a firme determinação de ir para Jerusalém e morrer. E quando Jesus estabeleceu algo para nós lembrarmos dele, o que Ele estabeleceu? Ele instruiu os discípulos a tomarem o pão e o vinho e comerem. Mt 26:26-28: “26 E, quando comiam, Jesus tomou o pão, e abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo.27 E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lho, dizendo: Bebei dele todos;28 Porque isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados.”
“A partir do pão, vocês devem lembrar da minha morte; vocês devem lembrar do meu sangue derramado.” Essa é a lembrança. É por isso que Paulo diz: “Nada decidi saber a não ser Cristo e este crucificado.” “Eu vou ser partido por causa de vocês; meu sangue vai ser derramado por causa de vocês. E vocês vão fazer isso em memória de mim. Quando vocês relembrarem de mim, vocês vão lembrar da cruz.” Esses dois elementos, esse simbolismo é assim que eu quero ser lembrado. Não pelo ensino ético, pelos milagres, ou pelo seu corpo vivo, quando o sangue corria em suas veias, mas o sangue derramado no sacrifício, o sangue derramado na cruz.
A igreja, é óbvio, tomou desde o início a cruz como símbolo do cristianismo. Mas nós poderíamos ter escolhido outras coisas como símbolo do cristianismo. Por exemplo, uma manjedoura, simbolizando a encarnação de Cristo, ou a carpintaria, que falaria sobre a dignidade do trabalho manual na sociedade. Mas esses símbolos foram ignorados em favor da cruz. Isso é extraordinário, porque nada poderia ser mais ofensivo à cultura que eles viviam. Então Paulo, falando daquela cultura, diz: 1Coríntios 1.1717 Porque não me enviou Cristo para batizar, mas para pregar o evangelho; não com sabedoria de palavra, para que se não anule a cruz de Cristo.” A missão da igreja não é com palavras de sabedoria humana, para que a cruz de Cristo não seja esvaziada. E se a cruz de Cristo for esvaziada, acabou o evangelho. Cristo é sabedoria e poder de Deus. Pois a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, ou seja, para todo mundo que não é regenerado. O mundo inteiro. Mas para nós que estamos sendo salvos, é o poder de Deus. 1Coríntios 1.18
Então, Paulo fala como Deus vai destruir a sabedoria dos sábios e rejeitar a sabedoria dos inteligentes. Ele diz: “Onde está o sábio? Onde está o erudito? Onde está o questionador desta geração? Acaso não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo, visto que, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por meio da sabedoria humana? Agradou a Deus salvar aqueles que creem por meio da loucura da pregação.” Por causa da cruz, porque os judeus pedem sinais e os gregos procuram sabedoria. Mas nós pregamos Cristo crucificado.
Você vê? É sempre Cristo e este crucificado. Nós pregamos sempre isso, que é de fato um escândalo para os judeus e uma loucura para os gregos. Mas para os que são chamados, é o poder de Deus, é a sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria humana e a fraqueza de Deus é mais forte que a força humana.
Isso é o que Paulo disse à igreja dos Coríntios, que era uma igreja que estava infestada com libertinagem, mas aos legalistas de gálatas ele diz: “Longe esteja de mim gloriar-me, se não na cruz.” É teologia da cruz. Eu não vim fazer outra coisa, não estou aqui para fazer outra coisa no mundo; eu vou pregar isso. Eu não vou deixar de ser esvaziada a palavra da cruz, porque isso é a única coisa que salva o homem. A cruz.
Agora, quando você começa a pensar que pode pregar Cristo sem a cruz, e você e todos os homens têm essa tentação, porque não é Cristo que é a ofensa para o mundo, mas é Cristo e este crucificado. Então, você gosta muito de falar sobre Cristo e pouco sobre a cruz. Aqueles que pregavam na Galácia, na igreja que Paulo tinha fundado, disseram: “Olha, você precisa ter um registro de ser justo e você vai ser aceito por Deus." E Paulo disse: "Não, não, não; Deus declara o homem justo por causa da cruz e ele é recebido por Deus por causa disso."
Em suma, eles diziam, número um: “Você precisa crer em Cristo. Cristo é importante, é fundamental.” Número dois: “Vocês precisam obedecer até que conquistem junto com aquilo que Cristo fez o direito de Deus justificar vocês, então Deus vai aceitar vocês.” Paulo diz: “Não, não, não; é o oposto: você crê em Cristo na loucura da pregação, então você é aceito por Deus, então você passa a obedecer.” O apóstolo Paulo diz: "Não é que você pode seguir essa outra ideia e ainda ter o evangelho; se você seguir isso, você perdeu a sua liberdade." Você não pode alterar o evangelho; Se você esquecer a cruz ou acrescente algo a ela, você perde a liberdade radical que o evangelho traz. Então, você tem que ser ofendido pela cruz. E se alguém quer um evangelho que não ofenda o mundo, ele não tem evangelho nenhum para pregar, porque então o escândalo da cruz foi tirado.
A palavra da cruz é uma loucura para os que se perdem, mas é o poder para os que são chamados. Você tem que ver o escândalo da cruz e, mais do que isso, você vai ser levado a se gloriar na cruz. Você não é um cristão de fato se você não chegar a esse ponto. Você não é. Então, você precisa deixar a cruz te ofender e deixar a cruz ofender o mundo.
Aquelas pessoas não tiraram a cruz. Eles queriam tirar o escândalo da cruz. Eles ainda falavam: "Não, Jesus morreu na cruz." Mas eles tiraram o escândalo. Eles não aboliram nem falar em Jesus e nem mencionaram a cruz, mas tiraram o escândalo. Sem o escândalo, eles não têm mais evangelho, porque a mensagem da cruz é uma ofensa. E quando você acha que pode dar a mão ao mundo num acordo com o mundo, você é obrigado a esvaziar a cruz de Cristo. Você começa a falar só sobre Cristo, sem a cruz.
Agora, por que é muito mais fácil você dar uma ênfase, como no início do século 20, os teólogos liberais falaram: “Vamos enfatizar como Jesus pode melhorar as coisas na vida das pessoas na cidade.” Mas esvaziaram o evangelho da cruz, e isso forjou essa Europa fria que temos hoje. Os gregos se sentiram ofendidos pela cruz, porque eles queriam sabedoria. Os judeus queriam poder, porque tinham uma ideia a respeito da vida. Quando você tem a ideia de que a missão da igreja extrapola a cruz, você sabe que precisa tirar a cruz para que você ache uma agenda comum com o mundo, mas a cruz não pode ser uma agenda do mundo. A cruz é o poder e a sabedoria de Deus. O que Paulo está dizendo aqui é que algumas pessoas são ofendidas de uma forma e outras pessoas são ofendidas de outra forma. Mas que todo mundo é ofendido pela cruz. E se as pessoas não estão se ofendendo, você não está pregando o evangelho.

Porque a cruz é um escândalo?

A cruz é ofensiva assim porque ela mostra toda a maldade que todos os homens tem em seu coração, ela mostra o quão caído e pecadores nós somos a ponto de não termos nenhuma saída a não ser nos apegarmos a cruz de Cristo.
A Bíblia diz em Mateus 27:35, 36: “Eles o crucificaram e, sentando-se, assistiram ali.” Em algumas versões, está escrito: “E, sentando-se, eles vigiaram ali.” O texto fala sobre os soldados, que ficaram aos pés da cruz todo o tempo. O texto fala dos soldados romanos como João 19 diz, e Mateus 27:54 confirma: eles foram ordenados pelas autoridades, pelo governador, colocar em prática a condenação de Cristo.
Então o governador o entregou na mão desses homens, e sabemos que eles executaram o dever deles cheios de abusos. Não fizeram aquilo com corações partidos; acrescentaram à ordem que tinham muito mais agravo, muito mais injúria, muito mais deboche. Eles não simplesmente cumpriram o que foi ordenado a eles; foram muito além, mostrando toda a maldade do coração. Expuseram Jesus a todo tipo de indignidade, tudo aquilo que a maldade do coração do homem pode imaginar; eles proveram ali para Jesus, zombaram dele e fizeram tudo ficar muito mais doloroso, tanto fisicamente quanto emocionalmente. Então eles O pregaram na cruz, tomaram as vestes d’Ele — é o que o texto diz. Eles fizeram todas aquelas coisas com corações cheios de maldade humana. Então, depois, eles sentaram; a Bíblia diz que ficaram ali assistindo e vigiando o desenrolar dos fatos.

“A culpa é dos lideres”

Em primeiro lugar, podemos pensar nas circunstâncias. A iniciativa de assassinar Jesus partiu dos líderes religiosos de Israel, não do Império Romano. A Bíblia diz que o chefe dos sacerdotes e os anciãos do povo se reuniram no palácio do sumo sacerdote, que foi chamado Caifás, e conspiraram para prender Jesus de forma traiçoeira e, então, matá-lo Mateus 26:3-4. Este crime foi perpetrado por líderes religiosos que tinham o Velho Testamento, como você tem. Tinham acesso a toda aquela verdade impressionante.
No entanto, há uma tendência de nós escusarmos e colocarmos de lado a responsabilidade das pessoas do povo. Hoje é assim. Vivemos um evangelho deturpado, corrompido, um evangelho mundano, e nós falamos “são os líderes”, e é verdade. Mas nessas circunstâncias, assim como hoje, o fato é que os líderes não fazem isso sozinhos. Eles não carregam uma culpa que é só deles. Não foram só os líderes de Israel que decidiram matar Jesus e fazer todas essas coisas. As pessoas comuns, que trabalhavam, como os padeiros, os carpinteiros, os negociantes, os pais das criancinhas, as mães, as pessoas comuns daquela geração, concordaram com seus líderes. Eles estavam juntos; não estavam lá clamando como hoje não estão. Eles não estavam clamando, chocados com a decisão dos seus líderes. A Bíblia chama isso de multidão, Mateus 27.20–23 “20 Mas os principais sacerdotes e os anciãos persuadiram o povo a que pedisse Barrabás e fizesse morrer Jesus. 21 De novo, perguntou-lhes o governador: Qual dos dois quereis que eu vos solte? Responderam eles: Barrabás! 22 Replicou-lhes Pilatos: Que farei, então, de Jesus, chamado Cristo? Seja crucificado! Responderam todos. 23 Que mal fez ele? Perguntou Pilatos. Porém cada vez clamavam mais: Seja crucificado!” De fato, nós sabemos que a multidão teve um impacto sobre Pilatos. Talvez fosse mais fácil Pilatos negar os líderes do que dizer “não vou fazer, é um absurdo, este homem é inocente”. Mas, quando uma multidão inteira, uma cidade inteira, clamava pela morte daquele homem, Pilatos se sentiu pressionado a agir, como autoridade do Império Romano, a estabelecer a ordem. Ele não queria aquela turma de pessoas se rebelando. Portanto, é fato que os líderes religiosos conspiraram para matar Jesus, mas toda a multidão de pessoas — que você pode considerar inocentes em relação aos líderes — estava lá, gritando “crucifica” e “solta Barrabás”. Esse é o povo! Nunca veja o erro prosperar e culpe apenas alguns líderes. É a maldade do coração humano que se expressa e encontra líderes segundo suas cobiças e desejos. E a Bíblia diz Mateus 27.25 “25 E o povo todo respondeu: Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos!” Não é apenas os nossos líderes; nós queremos que o sangue caia sobre nós. E Pilatos então ordenou que assim fosse, que ele fosse morto.

Diante de todo o povo

A segunda cena que podemos contemplar aconteceu em Jerusalém. O filho de Deus não foi morto em um canto escuro do mundo, numa cidade sem importância, em um lugar qualquer. Ele poderia ter sido colocado de lado. Era uma das maiores cidades da história, uma cidade memorável. Era Jerusalém! Era a cidade onde o Rei Davi governou. Sabe, é a cidade que testemunhou a glória do reinado de Salomão. É o mesmo lugar onde Deus fez coisas maravilhosas; era nessa cidade que o templo de Deus estava, e durante séculos Deus manifestou a sua glória ali, no Santo dos Santos, naquele lugar. Essa é a mesma multidão que, uma semana antes, gritou: “Hosana, o filho de Davi, bendito que vem em nome do Senhor, Hosana nas alturas!”, como está em Mateus 21:9. Essa é uma das coisas que enxergamos ao estarmos aos pés da cruz. Quão volúvel é a natureza humana, quando pensa que Deus está ali a seu serviço! Em uma semana, quando descobriram que Ele não estava lá para fazer o que queriam, mudaram completamente. Então a Bíblia diz que Jesus sofreu além dos limites da porta de Jerusalém, em Hebreus 13:12 .

Gólgota

O local da crucificação se chamava Gólgota, que significa crânio, porque aquela colina lembrava um crânio. Jo 19:17-18: “17 E, levando ele às costas a sua cruz, saiu para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota, 18 Onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio.”
Era como se a natureza tivesse antecipado, séculos antes, formando aquele lugar parecendo uma caveira; era como se a natureza estivesse antecipando a coisa mais terrível da história que aconteceria naquele lugar, era como um aviso. Lucas dá o nome de Calvário em Lucas 23:33. Então, a morte recaiu sobre a responsabilidade dos judeus e dos gentios, dos líderes e de todo o povo, de todos os seres humanos.

Na páscoa

Nós podemos pensar no tempo em que isso aconteceu. A Bíblia diz que isso aconteceu no 14º dia de Nissan, porque era a data importante das maiores festas nacionais de Israel. Naquela noite, todos os filhos e primogênitos de Israel tinham sido salvos da ira de Deus e, por isso, a Páscoa foi instituída. Mas, naquela Páscoa, o filho unigênito de Deus não vai ser poupado pelo mesmo povo que tinha sido libertado. Então, Jerusalém estava cheia de uma imensa multidão de pessoas, porque aquela era uma das três datas em que era ordenado que todos os homens de Israel comparecessem a Jerusalém Deuteronômio 16:16. Então, uma grande multidão afluiu para aquele lugar. Não foi em um canto, como eu disse, obscuro, onde as pessoas de bem, os bons cidadãos, não vissem. Não aconteceu lá na calada da noite, em algum buraco onde só havia soldados malvados ou líderes malvados. Aconteceu no meio de uma das cidades mais famosas da história, aconteceu quando todos os homens de Israel tinham que estar presentes lá. Não foi só algum grupinho de pessoas; foi gente como nós, gente que você vê todo dia, e você diz: “Aí está a bela humanidade: homens trabalhadores, pais de família.” Foi essa multidão que estava lá. Não aconteceu num canto, na Fortaleza de Pilatos. Então, 1Coríntios 5:7 diz: “Cristo, que é a nossa Páscoa, foi sacrificado por nós.” E nenhum outro dia ele poderia ser morto, porque ele era nossa Páscoa. João 7:30 diz que eles procuravam prendê-lo antes, mas ninguém lhe pôs as mãos, porque não era a hora dele morrer. Aquela era a hora; aquele era o dia; aquela data, a Páscoa — todos lá, o palco armado, a multidão estava lá, todos os homens de bem de Israel.

Nada que os atraísse

Então, a questão simples é: o que os soldados viram? O que eu vejo? O que nós devemos ver? O que eles viram? Eles viram o maior evento da história. A Bíblia diz que eles sentaram ali e ficaram assistindo. Já pensou nesse tipo de espectador? Eles estavam no lugar onde aconteceu o maior evento da história humana, o espetáculo mais imponente; eles tinham diante dos seus olhos Deus, o Deus que criou o universo, as galáxias, cada célula do nosso corpo, cada átomo do universo. Eles estavam ali, contemplando isso na trágica e mais ignóbil atitude do ser humano em todos os tempos. Eles viram Deus encarnado, tomado por mãos injustas, tomado por uma multidão que odiou Deus, sendo injustiçado de todas as formas. Mas, para os soldados, aquilo era simplesmente a execução de um criminoso.
Você pode pensar como esses homens não viram nada demais em Jesus? Nenhum padrão que o ser humano acha grande e que a igreja dos nossos dias acha grande, eles não viram em Jesus. Não viram nele alguém grande, especial, não acharam que ali estava um gênio, não acharam que ali estava um homem maravilhoso. Achavam que ali estava um criminoso. Eles estavam a alguns metros d’Ele, eles mesmos tinham espancado e machucado. Estavam diante de Deus.
É isso que acontece com a maioria das pessoas hoje que ouvem o evangelho; elas não veem nada demais em Deus e nem no evangelho. Elas são tão indiferentes quanto aqueles soldados eram. Elas oram, olham, e não podem sentir nada. Não há nada que possamos fazer para que as pessoas possam sentir alguma coisa. Sempre é a corrupção da verdade que acontece quando tentamos fazer isso.
Como as multidões veem Jesus hoje? Se não for pelo dinheiro, se não for pela cura, as multidões não veem nele beleza. Isso acontece hoje fora e dentro da igreja.

A perfeição de Jesus

A outra coisa que eles viram foi a perfeição daquele que era crucificado. O comportamento d’Ele era totalmente diferente de todas as pessoas que foram crucificadas no mundo. Nós sabemos como o homem reage quando sofre, principalmente quando sofre injustamente. Por muito menos, alguém que pisa no pé de alguém, a pessoa já está revoltada. As pessoas conseguem ir num culto e ficam irritadas porque as pessoas esbarram. Elas não podem sequer esbarrar em ninguém.
Imagine um homem sendo crucificado. Aqueles homens, ali, assistindo, tinham visto vários homens serem crucificados, cheios de amargura, cheios de ódio, cheios de ressentimento, cheios de um espírito de vingança. Mas, naquele dia, eles estavam vendo algo completamente diferente. Não havia maldição na sua boca, não havia injúria, ele não amaldiçoava seus inimigos, não amaldiçoava a multidão. Isso cumpre aquilo que Isaías disse: “Ele fez intercessão pelos transgressores.” Isaias 53

O chamado eficaz nos ladrões

Então, os ladrões que foram crucificados juntos zombaram do Redentor. Os dois ladrões zombaram d’Ele, é o que Mateus 27:44 diz. Mas, na última hora, um deles recebeu de Deus o dom do arrependimento. Não foi porque alguém contextualizou a mensagem, não foi porque alguém tentou fazer a mensagem relevante. Aquele homem estava debochando de Jesus e, de repente, Deus concedeu a ele o arrependimento. Como diz Atos 11:18, foi concedido arrependimento para a vida. Quando Deus concede o arrependimento, aquele homem que estava xingando, debochando, diz: “Lembra-te de mim quando entrares no teu reino.” Não é estranho imaginar alguém 20 minutos antes xingando alguém, chamando aquela pessoa de miserável, e, daqui a pouco, dizer: “Senhor, lembra-te de mim; eu sei que tu és rei; eu sei que tu és Deus.” Isso é o chamado eficaz; não precisou alguém fazer alguma coisa: “Qual a música que o ladrão gosta? Vamos sentar, fazer uma música, ver se ele gosta do evangelho?” Não. É o Espírito Santo que age.
O Senhor não declinou, apesar de toda injúria que aquele homem tinha feito para ele alguns minutos antes. Jesus respondeu: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso.”
Que espetáculo, aqueles soldados estavam vendo aos pés da cruz! Eles viram fenômenos misteriosos: meio-dia ficou tudo escuro. Não é que ficou de noite; ficou tudo escuro ao meio-dia. A escuridão caiu sobre a terra até as 3 horas da tarde, é o que Mateus 27:45 diz. Era como se o sol se recusasse a brilhar. Jesus é a luz do mundo. Ele estava morrendo.

A profundeza da cruz

Às vezes, alguém diz: “Ah, por que não podemos fazer da adoração uma diversão?” Pode haver algo mais pavoroso do que alguém, diante do evangelho, pensar naquilo como uma diversão? Será que alguém não consegue ver tudo que está envolvido? A mais profunda maldade humana, a demonstração mais santa de um Deus justo que pune e o seu amor que dá graça, dá o dom do arrependimento a um ladrão, salva pessoas; é um momento sagrado demais para que nossos olhos finitos possam contemplar tudo. A escuridão caiu sobre todas as coisas. Paulo diz: 1Timóteo 3:16 “Grande é o mistério da piedade.” Será que vocês não sentem o grande mistério que encerra nisso tudo? A Bíblia diz que os túmulos foram abertos, pessoas ressuscitaram, a terra tremeu e túmulos foram abertos; pessoas viram pessoas que já tinham morrido andando pela cidade.
Aqueles homens estavam ali sentados, como nós lemos, olhando para o evento mais extraordinário da história. É isso que estamos celebrando nesta noite, mas não podemos celebrar isso adequadamente e de maneira que honre a Deus, se o evangelho não for claro para nós, se não pudermos sentar com esses soldados aos pés da cruz e enxergar tudo que ela ensina para nós. Era como se o céu, o sol e a terra estivessem expressando sua simpatia para com o seu Criador. Os únicos seres insensíveis ali eram os seres humanos, mais insensíveis que as pedras que foram partidas e quebradas. Por fim, aqueles homens — pelo menos alguns deles — foram tocados por causa disso, pela graça de Deus.

Ver milagres não muda ninguém

Não é porque viram essas coisas. Entenda: ver milagres não muda ninguém. Se milagres mudassem o coração das pessoas, Jesus nunca teria sido morto. Assim como o testemunho ou a vida de ninguém salva, como nós vimos na ultima pregação.
Faraó viu os maiores milagres no Egito e a resposta dele foi: “Quem é o Senhor para que eu deixe o povo ir?” Um coração duro! E ele continuou a se endurecer porque Deus não concedeu isso a ele. Todos os homens são deixados por si mesmos; eles podem ver as coisas mais incríveis, e eles ficam mais duros diante disso.
Mas Deus pode amolecer o coração do mais terrível soldado cruel. Imagine o centurião que chefiou toda aquela carnificina; era um homem frio. Não era a primeira vez que ele fazia aquilo; tinha feito tantas vezes! Mas o oficial romano, ao ver tudo aquilo, em Mateus 27:54, diz: “Verdadeiramente, esse homem era o Filho de Deus.” Aquele homem cruel, frio, Deus nos mostra com isso que ele pode conceder o arrependimento a um ladrão e ao mais cruel soldado.
Nossa sociedade parece ser muito amigável e ela nos chama a uma fraternidade, a darmos as mãos, a vivermos juntos. Isso parece algo bom, mas há uma estranha conspiração de silêncio no mundo hoje, mesmo na igreja, nos círculos religiosos, sobre a responsabilidade do homem pelo pecado. Nós só pensamos em como aliviar o ser humano dos seus sofrimentos. Nós achamos até que o mundo é cruel demais. Se nós pensássemos sobre nós e sobre o mundo aos pés da cruz, a igreja nunca chegaria a essas conclusões. Há um movimento aberto e forte que arrasta o mundo, cujo propósito é dar às pessoas paz de espírito, é fazer as pessoas se sentirem bem. A igreja pensa que esse é o seu papel. A igreja então virou só mais uma religião que tenta ajudar o ser humano a tocar uma vida difícil. E a igreja tem fugido da ideia da responsabilidade histórica de cada ser humano na morte do Filho de Deus. A questão não é apenas darmos as mãos “Os seres humanos estão se dando mal. Vamos dar as mãos, vamos nos abraçar.”

Piores que Judas e Pilatos

Mas há uma grande sombra sobre cada homem, cada mulher; uma grande sombra que é a nossa responsabilidade como igreja, dizer para o mundo qual é a verdadeira situação deles aos olhos de Deus. O fato é que Deus foi moído, Deus foi traspassado, Deus foi crucificado por causa dos seres humanos, por causa da sociedade. Não basta darmos as mãos. Isso não é evangelho. É isso que devemos ver ao tomarmos da ceia nesta noite. Que antes de censurarmos Judas e Pilatos, antes que nós venhamos a abrir nossos lábios para acusá-los — a Judas que vendeu Jesus por dinheiro — e por quanto nós temos vendido a verdade pelo aplauso do mundo, pela aceitação. Como temos negado o nosso Deus naquilo a que devíamos ser fiéis!
Que nós tenhamos compaixão de Pilatos, o fraco. Porque ele disse: “Esse homem é inocente”, mas não teve coragem suficiente para defender a inocência do Filho de Deus diante daquela multidão. Quantos de nós se estivéssemos lá reconheceríamos isso? Você têm tido coragem de pregar e defender o evangelho?
Nós temos temos tido essa coragem de dizer para o mundo: “Você é culpado! Deus é santo! Deus é bom! Deus está irado, e você merece esta ira!” Ou nós temos sentido o medo que Pilatos sentiu do mundo, da multidão que pede outra coisa a nós? Você tem defendido Jesus no ambiente do seu trabalho? Tem defendido a verdade na sua escola? Quando qualquer tragédia acontece, como se Ele fosse o culpado, você tem se levantado dizendo que um homem tem colhido o fruto daquilo que ele plantou, que sua vida diariamente é um escárnio para Deus, que Deus está irado com ele? Então, tenhamos piedade do fraco Pilatos, porque ele conhecia muito menos Deus do que nós.
Se nós temos medo da sociedade, temos medo do que o homem vai pensar de nós ao defendermos o evangelho, se nós tentamos dar um jeito para o evangelho, ficar sem ofender as pessoas, então nós somos muito piores do que ele. Não vamos amaldiçoar os judeus por entregarem Jesus à morte. Não vamos apontar os romanos por terem tido a coragem de pregar Deus na cruz. Sem dúvida, eles são culpados. Sem dúvida, a ira de Deus caiu sobre eles. Sem dúvida, eles terão que pagar se não estiverem em Cristo para todo sempre pelo seu pecado. Mas eles foram nossos cúmplices. O que colocou Cristo na cruz? Suas mentiras. O que colocou Cristo na cruz? Sua insistência em não obedecer a Deus. Cada pecado que você diz: “nós temos que tolerar.” Foi aquele pecado que matou o Filho de Deus. Como podemos tolerar? Quando falamos: “Vamos abrir mão de falar dos pecados para vivermos numa fraternidade”, estamos dizendo que aquilo que matou Jesus não tem importância. Como podemos acusar os judeus? Os romanos? Se você achar que os pecados que você vai cometer não são nada. Mas lembre-se: foram eles que mataram Jesus. Essa desonestidade básica nos faz trapacear, nos faz fazer a nossa vontade quando sabemos qual é a vontade de Deus. Quando falsificamos nosso Imposto de Renda, quando mentimos para sair de uma situação difícil, quando deturpamos o evangelho para que as pessoas não nos achem antiquados, foi por causa disso que Jesus morreu. Ele estava pagando por essas iniquidades: a maldade, o ódio, a desconfiança, o ciúme, a mentira, a carnalidade, o amor centrado no prazer, no entretenimento sem fim. Foi isso que levou Cristo para a cruz. Cada um desses pecados é por isso que havia aqueles chicotes. É por causa dessas coisas que isto acontece; É isso que devemos ver aos pés da cruz.

Falsas Escusas

“Ah, esse é meu gênio, eu nasci assim!” Foi isso que fez Jesus morrer. Não defenda isso! Todos nós somos cúmplices. Quando você diz que Jesus morreu por você, você está dizendo que cada coisa errada que você fez, Ele levou as bofetadas. Então o pecado, para você, se torna a coisa mais odiosa que pode acontecer. Quando nós lembramos o que Ele sofreu por causa das minhas atitudes, não tem como um evangelho não levar um homem a uma busca sincera de santificação, quando ele pensa que cada pecado na sua vida foi castigado em outra pessoa, foi brutalmente castigado.
Eu sempre me pergunto como um cristão professo consegue se aproximar da Santa Ceia de uma maneira comum, sem compreender e sentir a vergonha em uma confissão interna a Deus. “Eu estou entre aqueles que O colocaram na cruz: minhas mentiras, minha desobediência, minha insistência em fazer a minha vontade.“ Como podemos nos aproximar da mesa da ceia do Senhor sem sentir que eu fui o responsável, tanto quanto aquela multidão?

A cruz revela nossa mais profunda maldade

O que eu vejo, então, na cruz? Eu vejo a revelação do caráter do homem. Sentado ali, ao lado dos soldados, é o que nós vemos. Ef 5:13: "13 Tudo, porém, que é exposto pela luz torna‑se visível, pois a luz torna visíveis todas as coisas." Agora, Cristo é a luz verdadeira.
Ele veio ao mundo para mostrar o quê? Mostrar que nós somos maus. Ele veio ao mundo para mostrar que Deus veio ao mundo e nós O matamos. Ele veio ao mundo para mostrar que, apesar de Deus ter vindo, nós achamos que servir a Ele é um fardo. É isso que a cruz nos mostra. Todos os homens e todas as coisas foram expostas pela presença de Deus aqui. Como nós O tratamos? Como Ele recebeu as boas-vindas? As piores coisas da natureza humana foram expressas com a vinda de Jesus. Quando Ele era um bebê, já queríamos assassiná-lo. Ele já chegou neste mundo correndo risco de vida, já chegou aqui como um fugitivo, porque a acolhida que o mundo deu a Deus foi tentar assassiná-lo enquanto Ele era um bebê. Por fim, nós O assassinamos quando tinha 33 anos de idade. Se o mundo deu esse tratamento ao Filho de Deus, o que Deus mostrou? Vocês são maus. O que mais poderia ser enviado a vocês? O que de melhor eu podia dar? Quem eu poderia enviar? Eu enviei meu filho; eu enviei o meu amado. E como vocês O trataram? Vocês O mataram! Por mãos ímpias. A cruz mostra a maldade humana da maneira mais cruel. Ele disse: “As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” Mateus 8:20.

Odiado sem causa

Em Lucas 4:28-30 ele foi expulso de uma cidade. “Vai embora, não queremos você aqui.” Ele foi odiado, e, como João 15:25 diz, Ele foi odiado sem causa. Ele nunca fez mal, nunca pecou, mas foi odiado no mundo. Por quê? Porque nós somos maus, e a luz da bondade d’Ele perturbava a maldade humana. A palavra da verdade declara em Romanos 8:7: “A mente carnal é inimizade contra Deus.” E aquele que foi morto era Deus andando na terra. Os homens vão dizer que não odeiam Deus, mas, no entanto, o Calvário diz o contrário. Se Deus dissesse que nós éramos maus, nós poderíamos levantar alguns argumentos. Mas Deus, além de dizer que nós éramos maus, Ele veio aqui e fez o bem. E a Bíblia diz que Ele foi odiado sem nenhuma causa. Eles odeiam o Deus verdadeiro e, se possível, nos livrariam do universo da presença perturbadora de Deus.
As pessoas ficam chocadas com muitos crimes e, no entanto, podem tomar da Santa Ceia com a maior tranquilidade, porque matar Deus não é tão sério; é como se fosse o trabalho d’Ele morrer. Não há expressão tão forte na nossa palavra para expressar o que a palavra usada por Isaías no capitulo 53 quer dizer: iniquidade. No entanto, a queda do homem fez com que todos os homens, toda ordem criada, estivessem na mais profunda iniquidade. Quer dizer perversão, distorção, deformidade, desonestidade, rebelião; todas estão presentes no mesmo coração. Foi por causa disso que Jesus teve que morrer. Você entende que Ele não teve que morrer porque nós estávamos infelizes na terra? Ele teve que morrer, porque nós somos maus, porque nós somos transgressores, porque nós somos cheios de iniquidades. E o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele. Pelas nossas iniquidades, Ele foi moído por nós. Ele foi moído porque éramos tão maus a ponto de só essa morte poder redimir seres como nós. É isso que a cruz diz para nós. Você vê o porque da enfase na cruz e como é diabólico colocar milagres, testemunhos, obras próprias ou qualquer outra coisa no lugar ou adicionado a cruz?
Esse não é o evangelho que o mundo quer ouvir. O profeta nos lembra que o Salvador foi moído pelas nossas iniquidades. Quando você toma da Santa Ceia, você está concordando com Deus: “Foi a minha maldade. Deus foi a minha maldade invencível, do ponto de vista humano, que fez o Teu Filho morrer.” Mas nós negamos Sua palavra e dizemos: “Não, o ser humano não é tão mau assim.” “Se nós apenas se unirmos e fossemos mais tolerantes, nós mudaríamos as pessoas.” Não, as nossas impressões digitais estão em cada pecado do mundo.
As autoridades não têm dificuldade em achar um ladrão que é descuidado e deixa as impressões digitais dele em todos os lugares onde ele invadiu. Pegam facilmente as impressões digitais do homem, que são encontradas em todos os porões escuros, em todas as vielas, em todos os pecados. Quando você fica chocado com alguma coisa terrível, saiba que as digitais do ser humano estão lá em cada maldade perpetrada nesta terra. Nós não vamos poder escapar.
Se as autoridades acharem a impressão digital de alguém, elas acham a cara da pessoa. As nossas digitais estão espalhadas em todos os pecados do mundo. Deus acha cada um de nós. A Bíblia diz Numeros 32:23 : “O teu pecado te encontrará.” Você pensa que não deixou digitais? Você pensa que existe alguma maldade no mundo que não tenha sido perpetrada por algum ser humano? Nossas digitais estão lá. Ele foi ferido pelas nossas iniquidades, pelas nossas transgressões, e cada iniquidade nossa e cada transgressão tem a nossa digital. Nós não conseguimos esconder. Estão lá as provas do nosso pecado.
As feridas de Jesus significam que Ele realmente foi profanado, subjugado, difamado, desonrado. Eles O mataram, a Bíblia diz, com mãos malignas. Nós vemos muitas pessoas que dizem: “Ah, se você fosse como Jesus, eu aceitaria o evangelho.” Mentira! O que as pessoas estão dizendo é o seguinte: “Se você fosse como Jesus, nós aceitaríamos.” Mas, quando Jesus andou no mundo, foi morto. Quanto mais parecido você for com Jesus, tanto mais o mundo não vai te aplaudir. Não aplaudiram Ele. Isso é só uma fuga;
As pessoas tentam dar uma desculpa para sua maldade e dizem: “Ah, eu não entrei no evangelho por causa das pessoas, se elas fossem como Jesus” — mentira! O que menos essa pessoa quer é estar perto de gente que pareça com Jesus. Ele foi humilhado, profanado. A Bíblia diz que arrancaram sua barba em Isaias 50:6. Você pode não ter barba, mas eu tenho. Sabe a ideia de arrancar sua barba com a mão? É uma coisa terrível. Foi cuspido, foi maculado, foi pintado com seu próprio sangue, e a pó da terra O cobriu.
O grande erro de Israel foi achar que aquele homem estava sendo castigado por seus próprios pecados. Eles pensaram: “Ele está sendo punido.” Ninguém pode sofrer tanto sem ter culpa, e o profeta, que também era judeu, previu esse erro histórico de conseguirmos achar alguma coisa má em Deus para nos escusar da nossa pura maldade. Então, Isaías 53:4-5: “Pensamos que Ele estava sendo castigado; pensamos que Deus o estava punindo por suas próprias iniquidades. Mas o que nós não sabíamos é que Deus estava punindo-O pelas nossas transgressões e pelas nossas iniquidades.” Nós nunca poderíamos imaginar que os nossos pequenos erros mereciam tremendo castigo, porque é assim que nós vemos aquilo que Deus chama de transgressão e iniquidade. Mas Isaías diz: “O castigo que nos traz a paz estava sobre Ele.” Como são poucos que percebem o preço dessa paz, para que nós pudéssemos experimentar paz com Deus, seres maus como nós — essa terrível história foi necessária. E, para que nossas mentes tolas não esquecessem, Ele disse: “Façam isso em memória de mim.” “Todas as vezes que vocês se reunirem, lembrem dessa história. Lembrem o que a cruz diz sobre mim, sobre o mundo, sobre vocês.”
Que nós possamos assim como aqueles soldados nos assentar ao pé da cruz, olhar para a nossa maldade exposta ali, para todos os nossos pecados, a nossa inimizade contra Deus, contra a sua doutrina, seu evangelho, sua palavra, e que Deus nos dê arrependimento, que possamos olhar e dizer, “tem misericórdia de mim pecador”, porque a cruz revela a nossa maldade. João 3.19 “19 O julgamento é este, a condenação é esta: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más.”
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