A IMPORTANCIA E RESPONSABILIDADE DA MEMBRESIA DA IGREJA LOCAL
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· 55 viewsO sermão “A importância e a responsabilidade da membresia da Igreja local – 1º Coríntios 11.17–34” oferece uma exposição pastoral, bíblica e teológica da Ceia do Senhor como expressão concreta da membresia e da comunhão cristã.
Notes
Transcript
20/03/2025
Emerson da Silva Soares
A importância e a responsabilidade da membresia da Igreja local - 1º Coríntios 11:17-34
Introdução
A algumas semanas atras estive visitando minha família no ES. Meu pai que é um excelente cozinheiro fez um dos meus pratos favoritos que eu não comia a anos, frango ensopado com quiabo. Estava delicioso, tinha esse sabor da infância, sabor a família, sabor a memorias... Estava realmente delicioso, tão saboroso que Kai, o “viralatinha” muito fofo e serelepe da minha irmã, aproveitou nossa distração, subiu na mesa e se deliciou com a travessa do ensopado. Graças a Deus nós já tínhamos comido antes de que o Kai arruinasse o banquete.
Há algo de especial em uma refeição que nos faz sentir em casa — ou o oposto. Uma comida caseira compartilhada em família aquece o coração, ao passo que jantar entre estranhos num lugar de costumes desconhecidos pode nos deixar deslocados. De fato, as refeições comunicam pertencimento.Em nossa cultura, ainda hoje o “assentar-se à mesa” com alguém significa comunhão e intimidade.
Como igreja, nós também temos uma refeição especial que expressa quem somos, essa refeição é a Ceia do Senhor. Esta é uma mesa familiar, instituída por Jesus, onde apenas os seus são chamados a tomar lugar a mesa. Mais do que um simples lanche após o culto, esta Ceia carrega um profundo significado espiritual e comunitário.
TESE:
A CEIA DO SENHOR É UM MEMORIAL DO SACRIFÍCIO SUBSTITUTIVO DE CRISTO, UM SINAL VISÍVEL DA NOVA ALIANÇA QUE ELE SELOU COM SEU SANGUE, UMA CELEBRAÇÃO DO EVANGELHO DRAMATIZADO QUE PROCLAMA SUA MORTE E RESSURREIÇÃO, UNINDO-NOS COMO UM SÓ CORPO EM COMUNHÃO E ESPERANÇA ATÉ QUE ELE VOLTE.
Em outras palavras,
A FORMA COMO PARTICIPAMOS DA CEIA REVELA NOSSO COMPROMISSO COM CRISTO E COM SUA IGREJA.
Isso nos leva a algumas perguntas importantes:
· Qual era o problema que a igreja de Corinto enfrentava ao celebrar a Ceia?
· O que estava acontecendo e porque desqualifica o que eles faziam como Ceia do Senhor?
· O que significa “discernir o corpo do Senhor” nesse contexto?
· O que significa participar da Ceia INDIGNAMENTE?
· Como a Ceia do Senhor está ligada à ideia de sermos um só corpo e membros uns dos outros na igreja local?
· De que modo nossa participação na Ceia nos chama a uma vida comprometida com Cristo e com Sua igreja visível?
E, finalmente,
· O que tudo isso tem a ver com você?
Os convido a examinarem comigo a passagem bíblica de 1 Coríntios 11:17-34 para encontrarmos respostas a estas perguntas na Palavra de Deus.
1 Coríntios 11:17-34
INTRODUÇÃO AO CONTEXTO E PROBLEMÁTICA (17 – 19)
17 Mas nisto que agora prescrevo, não posso elogiá-los, porque vocês se reúnem (Mt 18:20. “dois ou três reunidos em meu nome”) não para melhor, e sim para pior.18 Porque, antes de tudo, estou informado de que, quando se reúnem (Mt 18:20. “dois ou três reunidos em meu nome”) na (em assembleia) igreja, existem divisões entre vocês, e eu, em parte, acredito que isso é verdade.19 E é até necessário que haja partidosentre vocês, para que também os aprovados (Em outros contextos como Rm 16:10 implica ter uma fé genuína, aprovada) se tornem conhecidos entre vocês.
O QUE NÃO É A CEIA DO SENHOR (20 – 22)
20 Quando, pois, se reúnem (Mt 18:20. “dois ou três reunidos em meu nome”) no mesmo lugar, não é a ceia do Senhor que vocês comem.21 Porque, quando comem, cada um toma antecipadamentea sua própria ceia, e enquanto um fica com fome outro fica embriagado.22 Será que vocês não têm casas onde podem comer e beber? (pergunta retórica e irónica) Ou menosprezam a igreja de Deus e envergonham os que nada têm? Que posso dizer a vocês? Devo elogiá-los? Nisto certamente não posso elogiá-los.
O QUE REALMENTE É A CEIA DO SEÑOR (23 – 26)
23 Porque eu recebi do Senhor o que também lhes entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, pegou um pão24 e, tendo dado graças, o partiu e disse: "Isto é o meu corpo, que é dado por vocês; façam isto EM MEMÓRIA DE MIM."25 Do mesmo modo, depois da ceia, pegou também o cálice, dizendo: "Este cálice é a nova aliança no meu sangue; façam isto, todas as vezes que o beberem, EM MEMÓRIA DE MIM."26 Porque, todas as vezes que comerem este pão e beberem o cálice, vocês anunciam a morte do Senhor, até que ele venha.
ADVERTENCIA CENTRAL (27 – 32)
27 Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor.
28 Que cada um examine a si mesmo e, assim, coma do pão e beba do cálice.29 Pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si.30 É por isso que há entre vocês muitos fracos e doentes e não poucos que dormem.31 Porque, se julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados.32 Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.
APLICAÇAO E CORREÇAO FINAL (33 – 34)
33 Assim, meus irmãos, quando vocês se reúnem para comer, esperem uns pelos outros.34 Se alguém tem fome, que coma em casa, a fim de que vocêsnão se reúnam (Mt 18:20. “dois ou três reunidos em meu nome”) para juízo.
Leitura e Análise do Texto Bíblico
Na passagem bíblica que acabamos de ler, o apóstolo Paulo trata especificamente da maneira como os coríntios estavam celebrando a Ceia do Senhor. O tema central aqui é a correção de abusos na Ceia e a restauração do seu verdadeiro propósito. Paulo começa com uma repreensão dura: “Quando vocês se reúnem, não é para melhor, e sim para pior” (v.17). Havia divisões e facções entre eles quando se reuniam como igreja (v.18) – grupos se formavam, e não havia espírito de unidade na mesa do Senhor. Alguns comiam de forma egoísta sua própria ceia, deixando os mais pobres com fome, enquanto outros se embriagavam.
Em vez de amor e partilha, a Ceia tinha se tornado ocasião de vergonha e menosprezo aos irmãos necessitados. Paulo os acusa: “Vocês desprezam a igreja de Deus e envergonham os que nada têm” (v.22). Em resumo, o problema diagnosticado por Paulo era o espírito faccioso e egoísta no amago da Igreja manifestado na celebração da Ceia do Senhor, o que contradiz completamente o seu significado. Tão grave era o pecado que Deus os disciplinava com enfermidades e até mortes entre eles (v.30).
Diante disso, Paulo oferece a resolução: ele os lembra do que é a Ceia do Senhor (vs.23-26) e dá instruções práticas de correção (vs.27-34).
Então, primeiro, Paulo narra a instituição da Ceia por Jesus na noite em que foi traído (v.23). “Isto é o meu corpo, que é dado por vocês; façam isto EM MEMÓRIA DE MIM” .... "Este cálice é a nova aliança no meu sangue; façam isto, todas as vezes que o beberem, EM MEMÓRIA DE MIM." (vs.24-25). Aqui Paulo destaca o propósito memorial: Jesus ordenou que repetíssemos esse ato para nos lembrarmos dEle e de Seu sacrifício, não de nós e de nossos supostos méritos que nos dignificam a tomar parte da Ceia do Senhor. Em seguida, Paulo adiciona: “Porque, todas as vezes que comerem este pão e beberem o cálice, vocês anunciam a morte do Senhor, até que ele venha.” (v.26). Ou seja, além de memorial, a Ceia é uma proclamação do evangelho até a volta de Cristo.
Depois de relembrar o significado da ceia, Paulo adverte contra a participação indigna na ceia (vs.27-32). Participar de forma indigna, sem reverência e sem discernir o corpo do Senhor, é tornar-se culpado do corpo e do sangue de Cristo(v.27) e atrair juízo para si (v.29). “Discernir o corpo” aqui certamente envolve reconhecer o real sentido do corpo de Cristo representado no pão, mas também, no contexto, reconhecer o valor do corpo de Cristo que é a igreja – os irmãos ao nosso redor).
Os coríntios falharam nisso ao menosprezar a igreja de Deus com suas divisões. É por isso que Paulo instrui: “Que cada um examine a si mesmo e, assim, coma do pão e beba do cálice.”(v.28). A solução envolve arrependimento, autoexame e mudança de atitude na comunhão da Ceia.
Finalmente, Paulo conclui com orientações práticas (vs.33-34): “33 Assim, meus irmãos, quandovocês se reúnem (como igreja) para comer, esperem uns pelos outros.” (v.33). Em vez de cada um pensar em si primeiro, devem agir com amor, partilhando e assegurando que todos participem juntos. “Se alguém tem fome, que coma em casa, a fim de que vocês (membros da Igreja) não se reúnam(como Igreja) para juízo.” (v.34). Ou seja, a Ceia não é para matar a fome física, mas para expressar a fé em Cristo e a comunhão com a Igreja; se o objetivo for apenas comer, é melhor fazê-lo em casa para não profanar o a celebração da Ceia do Senhor. Assim, a reunião passaria a ser para edificação, e não para disciplina divina.
Vemos então que Paulo reconduz a igreja ao propósito original da Ceia: um memorial de Cristo que edifica a igreja em unidade, amor e santidade.
Tendo examinado o texto, vamos nos aprofundar nesses propósitos originais, desenvolvendo cada aspecto do significado da Ceia do Senhor que Paulo recupera – e como isso se relaciona conosco hoje.
1. A Ceia como Memorial de Cristo e Seu Sacrifício substitutivo
Em primeiro lugar, a Ceia do Senhor é um memorial do sacrifício de Cristo em nosso favor. Jesus mesmo disse ao partir o pão: “fazei isto em memória de mim” (1Co 11:24). Isso mostra que a Ceia é essencialmente uma recordação proposital da morte de Jesus na cruz. Mas não é uma lembrança meramente intelectual ou nostálgica; é uma lembrança simbólica e participativa.
AO COMERMOS DO PÃO PARTIDO E BEBERMOS DO CÁLICE, ESTAMOS RECONTANDO A NÓS MESMOS A HISTÓRIA DO CALVÁRIO – DE FORMA VISÍVEL E TANGÍVEL, O EVANGELHO É COLOCADO DIANTE DE NOSSOS OLHOS, PALADAR E TATO.
As ações de partir o pão e derramar o vinho dramatizam os eventos do evangelho, retratando o corpo de Cristo entregue e Seu sangue derramado por nós.
Nesse memorial, nos lembramos que nosso Senhor tomou sobre si o castigo que nos era devido, morreu em nosso lugar. “Este é o meu corpo que é dado por VOCÊS... este cálice é o novo pacto no meu sangue derramado por VOCÊS” (Lc 22:19-20). Jesus tomou sobre si nossos pecados. O autor de Hebreus nos lembra que “sem derramamento de sangue não há perdão de pecados” e que Cristo se ofereceu a si mesmo uma vez por todas para perdão dos nossos pecados, santificação e aperfeiçoamentos dos redimidos.
Portanto, ao redor da mesa recordamos o preço de sangue do nosso perdão, não o sangue de cordeiros ou animais, mas o sangue do Cordeiro de Deus. O sangue que marca o povo de Deus já não é sangue alheio... É o sangue de nosso Sumo Sacerdote... É o sangue de Deus encarnado que marca Sua igreja (Atos 20:28). Em outras palavras, O SACRIFÍCIO DE CRISTO É O FUNDAMENTO DA NOSSA IDENTIDADE COMO POVO DE DEUS.
A Ceia, então, aponta para a cruz de Cristo como o centro da nossa fé. Tudo o que somos como cristãos flui desse acontecimento: “nossa vida depende da carne rasgada e do sangue derramado do Senhor Jesus Cristo” (The Lords Supper - Thomas R. Schreiner). Quando nos alimentamos do pão e do cálice, lembramos que nossa vida espiritual foi comprada pela morte dele.
Em cada elemento da Ceia, pregamos a nós mesmos: “Foi por mim. Ele morreu por mim.” Esse memorial aviva em nossos corações a gratidão e a humildade, porque nos faz contemplar o grande amor de Deus revelado no Calvário. Se hoje temos perdão, paz com Deus e vida eterna, é somente porque Jesus entregou Seu corpo e derramou Seu sangue em nosso lugar. A Ceia nos faz voltar os olhos para esse sacrifício substitutivo e redentor, reavivando nossa fé em memória daquele que nos amou e se entregou por nós.
2. A Ceia como Sinal da Nova Aliança
Em segundo lugar, a Ceia é um sinal visível da Nova Aliança selada no sangue de Cristo. Jesus declarou, ao tomar o cálice: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue” (1Co 11:25). Ele estava ecoando as promessas de Deus em Jeremias 31, onde Deus prometeu que faria “uma nova aliança” na qual perdoaria os pecados e escreveria Sua lei nos corações do Seu povo. Na última ceia, na véspera da cruz, Jesus estabelece que essa Nova Aliança prometida estava sendo inaugurada através do Seu sangue derramado. Assim, toda vez que tomamos o cálice, estamos celebrando que somos participantes dessa Nova Aliança, isto é, que temos um relacionamento com Deus baseado na obra consumada de Cristo.
Mas o que significa dizer que a Ceia é um “sinal da Nova Aliança”? Significa que ela representa e confirma as promessas dessa aliança. No Antigo Testamento, as alianças de Deus tinham sinais visíveis (por exemplo, o arco-íris para Noé, a circuncisão para Abraão, a Páscoa para o povo de Israel no Êxodo). Esses sinais identificavam o povo da aliança e continuamente lhes lembravam das promessas e compromissos envolvidos. De modo semelhante, Jesus instituiu dois sinais principais para a Nova Aliança: o batismo e a Ceia do Senhor. O batismo marca a entrada do crente na família de Deus, e a Ceia é o rito contínuo que celebra a permanência nessa família e renovação desse compromisso.
Ao participarmos da Ceia, portanto, estamos afirmando publicamente: “Somos o povo da Nova Aliança, lavados pelo sangue do Cordeiro”. É um ato de aliança, quase como renovar votos. Assim como num casamento os cônjuges celebram aniversários para recordar seus votos matrimoniais, na Ceia recordamos os termos da Nova Aliança, que Deus nos fez Seu povo mediante o sangue de Seu Filho, e que nós agora lhe pertencemos.
Importante notar que a Nova Aliança não é apenas individual, mas corporativa. Deus não está salvando indivíduos isolados, e sim formando para Si um povo. 1 Pedro 2:9 diz que somos “nação santa, povo adquirido por Deus”, chamados das trevas para a luz. Logo, a Nova Aliança cria uma comunidade identificável. A Ceia reflete isso: não é um ato privado, mas um evento comunitário da igreja reunida. É por isso que insistimos que a Ceia é celebrada “quando vocês se reúnem como igreja” (1Co 11:18) e não de forma independente ou virtual. A Ceia do Senhor deve ser compartilhada quando a família da igreja está junta... não é para grupinhos isolados ou qualquer reunião casual de cristãos. Ela é o banquete da família da fé, o sinal visível de quem pertence a essa família.
Portanto, a Ceia como sinal da Nova Aliança nos lembra que somos o povo do pacto. Cada vez que comemos do pão e bebemos do cálice, Deus está, por assim dizer, renovando conosco Suas promessas em Cristo, afirmando que nossos pecados estão perdoados, que Ele é nosso Deus e nós somos Seu povo. E nós, por nossa vez, estamos renovando nossa fidelidade a Ele, proclamando que estamos unidos com Cristo e uns com os outros nos laços sagrados dessa Nova Aliança.
É um sinal de identidade e compromisso, identidade, porque mostra quem nós somos (membros do povo redimido); compromisso, porque envolve lealdade a Cristo e amor aos irmãos da aliança.
3. A Ceia como Celebração do Sacrifício e da Comunhão com o Corpo
Em terceiro lugar, a Ceia do Senhor é uma celebração conjunta do sacrifício de Cristo, na qual experimentamos comunhão com o “Corpo”. Aqui a palavra comunhão (do grego koinonía) é fundamental. 1 Coríntios 10:16 nos diz: “O cálice da bênção que abençoamos, não é comunhão no sangue de Cristo? O pão que partimos, não é comunhãono corpo de Cristo?”. Isso significa que, ao participarmos do pão e do cálice, experimentamos a comunhão espiritual real com Jesus a través de Seu sacrifício. É como se sentar à mesa com o próprio Senhor: “estamos à mesa de jantar com Jesus; comungamos com Ele”. Por isso, a Ceia é frequentemente chamada de “Comunhão”, nela comungamos com Cristo de forma especial, e, inseparavelmente, ao comungar com Cristo, em Cristo comungamos uns com os outros. Paulo continua em 1 Coríntios 10:17: “Porque há um só pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, pois todos participamos do único pão”. Ou seja, ao nos sentarmos juntos na mesa do Senhor, deixamos de lado nossas muitas diferenças e nos tornamos um só corpo em Cristo. A Ceia expressa e aprofunda a unidade da igreja como nenhuma outra prática faz.
“A CEIA DO SENHOR CELEBRA E EXPRESSA NOSSA UNIDADE COMO NADA MAIS PODE FAZER. ELA NOS UNE COMO A FAMÍLIA DE CRISTO. ENQUANTO COMEMOS E BEBEMOS JUNTOS, TORNAMO-NOS UM”
Essa comunhão horizontal era exatamente o ponto negligenciado pelos coríntios. Eles tratavam a Ceia de forma individualista, cada um buscando saciar a própria fome ou preferência, menosprezando, ou seja, infra valorando o próximo. Assim, “o significado corporativo foi substituído por um individualismo egocentrado que deforma e destrói o significado plasmado, gravado, pelo Senhor em Sua Ceia”. Mas a Ceia é, por natureza, uma refeição comunitária, uma celebração da família da fé. Não há lugar para egoísmo ou divisões diante da mesa do Calvário, pois nela todos estamos no mesmo nível: pecadores salvos pela graça, necessitados do mesmo pão da vida.
Quando celebramos corretamente, a Ceia se torna uma alegre celebração do sacrifício de Cristo e do povo que esse sacrifício redimiu. Nós damos graças juntos (não por acaso, em algumas tradições da cristandade chamam a Ceia de Eucaristia, que significa ação de graças). Agradecemos porque por meio da cruz fomos reconciliados com Deus e uns com os outros. Deste modo, a Ceia é como um banquete de celebração da nossa reconciliação: reconciliados verticalmente (com Deus) e horizontalmente (com nossos irmãos). “Todos nós, como cristãos, nos alimentamos de Jesus para ter vida, e por isso somos unidos na cruz” (The Lord’s Supper - Thomas R. Schreiner). Somos a comunidade dos redimidos, e partilhar o pão e o vinho juntos é declarar: “Pertencemos uns aos outros porque pertencemos a Ele, ao nosso redentor”. Na mesa do Senhor Jesus não há espaço para orgulho ou acepção de pessoas, pois, “somos mendigos que receberam e comeram do pão da vida”, nada temos que não nos tenha sido dado!
Na Ceia celebramos que Cristo nos fez um só corpo pelo Seu sacrifício – e celebramos isso em comunhão uns com os outros, perdoando e servindo uns aos outros, assim como Cristo nos perdoou e serviu.
4. A Ceia como Evangelho Dramatizado
Em quarto lugar, a Ceia do Senhor é o evangelho dramatizado – uma encenação vívida das verdades centrais da fé. Paulo diz no verso 26: “26 Porque, todas as vezes que comerem este pão e beberem o cálice, vocês anunciam (proclamam) a morte do Senhor, até que ele venha.” Note a palavra: “anunciam”, participar da Ceia é pregar um sermão sem palavras. É declarar, por meio desse drama sagrado, a boa-nova da salvação.
Cada elemento e cada gesto na Ceia conta a história do evangelho: o pão partido proclama que o Filho de Deus teve Seu corpo moído na cruz, e o cálice nos mostra que Seu sangue foi vertido para nos lavar das nossas iniquidades. Quando comemos e bebemos, estamos proclamando que cremos nesses fatos históricos e em seu significado salvífico para nós. De fato, a Ceia “apresenta dramaticamente os eventos do evangelho aos nossos olhos, tato e paladar”, é a encenação santa do Calvário instituído pelo próprio Cristo. Em vez de apenas ouvirmos a mensagem, na Ceia nós a tocamos e a saboreamos, é como se o Senhor nos permitisse “provar e ver que o Senhor é bom” (Sal 34:8) no sentido mais profundo, experimentando simbolicamente a dádiva da salvação.
Essa dramatização do evangelho tem um poderoso efeito em nós, reavivando nossa fé e adoração. Ao participarmos, “trememos e nos alegramos” simultaneamente (The Lord’s Supper - Thomas R. Schreiner). Trememos ao lembrar o custo do nosso resgate – o alto preço do sangue de Cristo, e nos alegramos imensamente ao recordar que esse sacrifício foi feito por amor a nós e resultou em nossa redenção.
“NOS ENCHEMOS DE TREMOR E ALEGRIA. TREMEMOS AO PENSAR NAQUELE QUE DEU SUA VIDA POR NÓS, REFLETINDO SOBRE O CUSTO NECESSÁRIO PARA NOSSA VIDA. E SOMOS GRATOS PORQUE ELE NOS SALVOU DE NÓS MESMOS E DO PECADO QUE MANCHAVA NOSSAS VIDAS”.
Em cada Ceia, Deus nos convida de novo a contemplar a cruz, e assim o evangelho permanece central na Igreja.
A Ceia do Senhor comunica a essência da fé cristã: que Jesus morreu pelos pecadores, que virá nos resgatar, e que a igreja vive dessa esperança. Não é à toa que desde os primeiros tempos a Ceia foi um elemento central no culto cristão. A Ceia do Senhor mantem tem seu foco no evangelho. Paulo mesmo, tratando de diversos problemas em Corinto, sempre trazia a solução de volta ao evangelho. E aqui não é diferente: a Ceia é apresentada como a resposta ao egoísmo e divisões, porque ela prega o evangelho da cruz, que humilha os orgulhosos e exalta somente a Cristo.
Quando entendemos a Ceia, entendemos o evangelho; e quando abraçamos o evangelho, resolvemos divisões e pecados pelo arrependimento e amor.
Portanto, não enxerguemos a Ceia do Senhor como um mero ritual protocolar na agenda mensal da Igreja local, a Ceia do Senhor é o próprio evangelho apresentado a nós de forma sensorial. Ao participarmos, façamo-lo com fé, discernindo o significado desse drama sagrado. Vejamos ali o Cristo crucificado e ressuscitado, nosso Salvador, e rendamos louvores a Ele. E que essa mensagem encenada fortaleça nosso compromisso de viver e anunciar o evangelho cada dia.
5. A Ceia do Senhor e a Teologia do Corpo de Cristo baixo uma perspectiva eclesiológica: O Corpo Sacrificado, Ressuscitado, Redimido, Unido
Em quinto lugar, a Ceia do Senhor nos leva a uma teologia do “Corpo de Cristo” abrangente a través de uma perspectiva eclesiológica, que inclui a morte e ressurreição do Deus encarnado, a redenção do Seu povo e a unidade desse povo como corpo de Cristo. Quando Paulo fala de “discernir o corpo” (v.29), há um jogo de significados intencionais. O termo “corpo” aponta primeiramente para o corpo físico de Jesus entregue na cruz – o corpo que o pão representa. Mas no contexto maior de 1 Coríntios, “o corpo” também se refere à igreja, que é chamada de “corpo de Cristo” (1Co 12:27). Assim, discernir o corpo do Senhor inclui entender essas duas realidades e como estão profundamente entrelaçadas: O bom pastor foi imolado para que Seu rebanho tivesse vida; o Corpo de Cristo foi moído para que Seu Corpo, a Igreja, florescesse. Cristo entregou Seu corpo de carne à morte para dar vida ao Seu Corpo espiritual. O Corpo que foi partido fez nascer um Corpo unido – a igreja de Cristo.
Esta perspectiva eclesiológica do corpo de Cristo nos fala, portanto, do:
· Corpo sacrificado: A Ceia proclama “a morte do Senhor” (v.26). O corpo de Cristo foi moído em nosso favor; Ele morreu realmente, fisicamente, em nosso lugar. O pão partido nos confronta com a realidade da encarnação e da crucificação – Deus Filho assumiu carne e sangue para poder entregá-los na cruz por nós. Ao discernir o corpo morto de Cristo, somos levados a contemplar o escândalo da Cruz, somo levados à humildade e contrição, sabendo que “fomos comprados por preço” (1Cor 6:20), o preço do corpo e sangue do Cordeiro.
· Corpo ressuscitado: Embora a Ceia foque na morte, ela não deixa de implicar a ressurreição. Afinal, celebramos até que Ele venha – o que pressupõe que Jesus está vivo e retornará em glória. Ao participar do pão e do cálice, fazemos isso na presença real de um Cristo vivo. Como diz a letra de um lindo hino: “Porque Ele vive, posso crer no amanhã”. Discernir o corpo inclui crer que aquele que morreu está vivo entre nós. Mais ainda, implica lembrar que nós, seu povo, estamos unidos à Sua morte e ressurreição. Em Romanos 6, Paulo ensina que fomos crucificados com Cristo e ressuscitados com Ele para uma nova vida. Assim, a Ceia também aponta para essa verdade: nossa velha natureza morreu com Cristo e uma nova vida em justiça nos foi dada pela sua ressurreição. Participamos do corpo morto, mas também do Cristo ressuscitado que comunica vida nova. Por isso, “nos alegramos ao nos banquetearmos de Jesus, o Senhor crucificado e ressuscitado que morreu para que vivêssemos” (The Lord’s Supper (Thomas R. Schreiner).
· Corpo redimido: Discernir o corpo nos lembra que somos o povo redimido por Cristo– Sua igreja. Como vimos, a Ceia é sinal da Nova Aliança, a qual criou um povo santo. Quando participamos, estamos afirmando: “Somos aqueles por quem Cristo derramou Seu sangue; pertencemos a Ele”. A igreja é a comunidade dos remidos e a Ceia é a celebração dessa redenção compartilhada. Paulo enfatiza isso ao dizer “nós, embora muitos, somos um pão, um só corpo, porque participamos do único pão” (1Cor 10:17). Todos comemos do mesmo pão que representa Cristo; portanto, todos compartilhamos da mesma salvação e vida eterna. Na Ceia, olhamos ao redor e vemos outros pecadores redimidos como nós, todos igualmente desgraçados sem Cristo, e todos igualmente agraciados em Cristo. Na ceia damos graças porque “em Cristo nós, que antes estávamos longe, fomos aproximados pelo Seu sangue” (Efe 2:13). Essa verdade destrói todo espírito de superioridade. Como poderia eu desprezar meu irmão se o mesmo sangue precioso que me redimiu também o redimiu?Todos os membros da igreja genuinamente convertidos têm igual valor diante de Deus – valor medido pelo preço da cruz. Assim, discernir o corpo é reconhecer o valor de cada membro comprada pelo sangue de Cristo, e tratar uns aos outros de acordo.
· Corpo unido: Finalmente, a Ceia reforça que esse corpo redimido deve viver unido. Unidade é uma das ênfases principais de Paulo nos capítulos 10 a 12 de 1 Coríntios. No contexto da Ceia, ele ensina que participar juntos nos torna um. No capítulo seguinte (1Cor 12), Paulo desenvolve a metáfora do corpo humano para a igreja, dizendo “ora, vocês são o corpo de Cristo, e individualmente, membros desse corpo”(12:27). Assim, discernir o corpo do Senhor na Ceia significa reconhecer que somos membros uns dos outros. Esta realidade nos deve dominar e constranger a perdoar, a servir, a esperar uns pelos outros (como Paulo ordenou no vs.33) e a buscar o bem comum. Cada vez que tomamos a Ceia, Deus nos convoca: “Vocês são um só corpo em meu Filho – vivam em amor e unidade”. Aqueles irmãos de Corinto estavam doentes, fracos, e alguns haviam morrido exatamente porque falharam nesse discernimento comunitário – tratavam os pobres com desprezo, quebrando a unidade do corpo, e assim pecavam contra o próprio corpo de Cristo, recaindo sobre tais a culpa legal da rejeição a Cristo que finalizou em Sua injusta execução – (vs 27) “Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente (sem discernir o corpo), será réu (culpado) do corpo e do sangue do Senhor”.
Resumindo, a Ceia nos ensina que o Corpo de Cristo é sagrado – tanto o corpo físico oferecido na cruz, como Seu corpo espiritual que é a Igreja.
VALORIZAR A CEIA É VALORIZAR A CRISTO CRUCIFICADO E RESSUSCITADO, E VALORIZAR SUA IGREJA REDIMIDA E UNIDA EM CRISTO.
Essa é uma teologia prática do corpo de Cristo que deve permear nosso viver diário: amar a Cristo amando Sua igreja, pois uma coisa não se separa da outra. Se discernirmos bem esse “corpo”, participaremos da Ceia de modo digno, para edificação e não juízo.
6. A Ceia como Celebração do Corpo e Anúncio da Vinda de Cristo
Em sexto lugar, a Ceia do Senhor é uma celebração festiva do Corpo de Cristo (a Igreja) e um anúncio “profético” da volta de Cristo para buscar sua Igreja. Já vimos que ela promove unidade agora, mas Paulo acrescenta: “...anunciais a morte do Senhor até que Ele venha” (v.26). Há, portanto, um olhar para frente, uma esperança viva na Ceia. Cada Ceia é um ensaio para o grande banquete futuro no Reino de Deus onde estaremos unidos perfeitamente para Sempre. Jesus disse aos discípulos: “Eu não beberei mais do fruto da videira, até aquele Dia em que o beberei, novo, convosco no Reino de meu Pai”(Mt 26:29). Isso aponta para a consumação futura, o dia em que estaremos finalmente reunidos com Cristo em Seu banquete celestial. Portanto, toda Ceia do Senhor aponta profeticamente para esse futuro banquete em glória. É como um aperitivo do Céu, um vislumbre do que será nossa comunhão plena com o Senhor e com todos os santos na eternidade.
A Ceia tem esse sabor de esperança escatológica: celebramos a obra passada de Cristo, mas também celebramos antecipadamente a alegria futura que nos aguarda com Ele. A Ceia é uma celebração do Corpo de Cristo aqui e agora, isto é, da Igreja como comunidade reunida. Como já enfatizado, ela faz da igreja, igreja, no sentido de expressar nossa unidade. Quando a celebramos fielmente, experimentamos um antegozo do Céu em nossa comunhão.
Um pastor compartilhou uma experiência tocante: sua igreja é composta de pessoas de quase cinquenta nacionalidades diferentes. Certo domingo, durante a Ceia, dois homens serviram os elementos – um era indiano e o outro, paquistanês, cujos países de origem estavam à beira de uma guerra. Mas ali, na igreja, aqueles dois estavam “em paz um com o outro — tudo por causa do corpo e do sangue de Jesus”. Eles “comeram e beberam juntos como membros da mesma família”, testemunhando que a obra de Cristo traz uma paz e unidade que o mundo não pode produzir. Que cena extraordinária! Essa é a beleza da igreja: pessoas que, fora dali, talvez fossem inimigas agora são irmãos pelo sangue de Cristo.
A Ceia do Senhor exibe essa realidade contracultural de unidade: proclamando “a paz e a unidade que Jesus conquistou para nós, tanto ao redor de Sua mesa agora quanto ao redor do Seu trono para sempre”.
Em cada Ceia, então, celebramos jubilosos o que Jesus fez por nós (morte e ressurreição), o que Ele faz entre nós (união e paz entre os membros da Igreja), e o que Ele fará adiante de nós (voltar para resgatar Sua Igreja). Há um senso de alegria solene: alegria pelo que temos agora em Cristo e esperança ansiosa pelo que teremos na Sua vinda. Quando participamos com essa perspectiva, a Ceia realmente se torna um banquete espiritual de comunhão e esperança.
Portanto, amados, apreciemos a Ceia do Senhor em toda a sua riqueza. Ela aponta para trás (memorial da cruz de Cristo), aponta ao redor (comunhão presente do corpo de Cristo) e olha para frente (esperança da vinda de Cristo). É a celebração e o sinal da comunhão da igreja peregrina até que alcancemos a festa eterna. Que nunca participemos de forma apática ou individualista, mas sempre como quem celebra um presente inefável e aguarda um futuro glorioso.
Tendo explorado o ensino de 1 Coríntios 11:17-34e o significado da Ceia, Paulo nos levou inevitavelmente a pensar sobre a igreja local e nosso compromisso com ela. Afinal, a Ceia acontece “quando nos reunimos como igreja” (v.18). Isso nos conduz aos últimos pontos que desejo aplicar:
A importância da membresia na igreja local, as responsabilidades que dela decorrem, e como isso preserva a saúde da igreja.
1. A Importância da Membresia da Igreja Local
A luz do que vemos em nosso texto, quão importante é a membresia da Igreja local? Diante de tudo o que vimos, fica claro que não existe Ceia do Senhor biblicamente observada sem uma igreja local reunida. A Ceia pressupõe um corpo de crentes comprometidos uns com os outros. Por isso, precisamos ressaltar o valor da membresia da igreja local – ou seja, o compromisso formal de fazer parte de uma comunidade de crentes, submetendo-se a ela e servindo e cuidando uns aos outros.
Alguns hoje podem questionar: “Por que devo ser membro formal de uma igreja local? Não basta apenas frequentar?” Mas a Escritura nos mostra que Deus deseja Seu povo identificado e comprometido em igrejas locais. Vejamos algumas razões:
a) A igreja local é a família espiritual de Deus. 1 Timóteo 3:15 chama a igreja de “a casa (família) de Deus”. Gálatas 6:10 fala da “família da fé”. Ora, assim como numa família há membros claramente reconhecidos, na igreja também deve haver. Não faz sentido alguém dizer que faz parte da família, mas não quer ser reconhecido como membro dela.Membresia é simplesmente a forma de deixar claro quem faz parte dessa família de fé, quem são os “irmãos e irmãs” que se comprometem mutuamente em Cristo.
b) A igreja possui autoridade dada por Jesus para reconhecer e confirmar seus membros.
Em Mateus 16:19, Jesusdá “as chaves do reino” à igreja, isto é, autoridade espiritual, oficial e representativa, autoridade celestial, para reconhecer e confirmar quem pertence ao povo de Deus e quem não. A igreja não cria realidades espirituais, mas sim reconhece e representa realidades celestiais na terra, sob a autoridade de Cristo.
Em Mateus 18:17-18, vemos que a igreja deve exercer a autoridade recebida de Cristo aplicando a disciplina, afastando os pecadores impenitentes, que não se querem arrepender, o que pressupõe que havia uma lista ou reconhecimento comunitário prévio dos membros da Igreja. O próprio ato de batizar alguém já é um reconhecimento oficial que proclama “este agora é um dos nossos”. Portanto, pertencer à igreja é mais do que algo informal; é um ato público de reconhecido e pertencimento. A membresia formaliza isso. Sem ela, como a igreja poderia claramente cumprir o papel de “ligar e desligar” pessoas à comunidade de Cristo?
c) A igreja local é o Corpo de Cristo em manifestação visível.
Conforme já mencionamos, “vocês são o corpo de Cristo, e membros em particular” (1Cor 12:27). Essa metáfora do corpo indica interdependência, vínculo orgânico e identificação dos membros.
“ASSIM COMO UM CORPO FÍSICO PRESSUPÕE MEMBROS IDENTIFICÁVEIS, O CORPO DE CRISTO TAMBÉM PRESSUPÕE UMA IDENTIDADE CLARA DE SEUS MEMBROS”.
Ser membro de igreja é assumir seu lugar nesse corpo, com um serviço a prestar (1Cor 12:12-25) em uma conexão vital com os demais membros. Sem um vínculo reconhecido, quem são os membros? Como praticar os muitos "uns aos outros" do Novo Testamento?Amar uns aos outros, instruir, exortar, suportar uns aos outros se não sabemos quem realmente está comprometido com quem? Portanto, a membresia local dá concretude à realidade espiritual do Corpo de Cristo.
Por essas e outras razões, a membresia não é um detalhe opcional, mas parte do plano de Deus para a igreja. A membresia é a forma como a igreja protege a santidade de sua comunhão e de seu testemunho. De fato, é através de saber quemé membro que a igreja pode praticar disciplina quando necessário, pode pastorear efetivamente o rebanho de Deus e pode garantir que a Ceia do Senhor seja servida apenas aos que pertencem verdadeiramente a Cristo. Se qualquer pessoa “solta” pudesse participar da Ceia sem compromisso, o que impediria incrédulos de participar? A membresia ajuda a preservar as fronteiras da comunidade da aliança, reconhecendo quem faz parte do povo de Deus e quem a Igreja não pode reconhecer como pertencente ao povo de Deus.
Além disso, do ponto de vista individual, ser membro é importante para o nosso próprio bem espiritual. Deus nos fez para viver a fé em comunidade, de modo comprometido. Um membro de igreja colhe bênçãos que um “avulso” não tem: cuidado pastoral consistente, cuidado e serviço mútuo, prestação de contas e acompanhamento nas lutas, encorajamento específico, oportunidades de servir conforme seus dons etc. Não é à toa que a Bíblia não concebe crentes vivendo deliberadamente isolados da comunhão. Os únicos cristãos sem igreja que vemos no Novo Testamento eram aqueles expulsos por disciplina ou em contexto de perseguição severa. O padrão normativo é cada cristão plantado numa igreja local, servindo e sendo servido para a Gloria de Deus e edificação da Igreja de Cristo.
Portanto, irmãos, a membresia da igreja local é de grande valor e importância. Ela manifesta visivelmente quem somos em Cristo (povo da Nova Aliança) e provê o ambiente onde obedecemos juntos a Jesus. Se alguém aqui ainda não se tornou membro, considere seriamente esse passo de obediência e cuidado da alma. E para aqueles que somos membros de uma Igreja local, lembremo-nos do privilégio que temos de pertencer formalmente à família da fé, e não tomemos isso por garantido, antes vivamos à altura desse chamado.
2. A Responsabilidade da Membresia: Guardando o Corpo (Igreja):
Com a membresia vêm também responsabilidades sagradas. Assim como entrar num casamento traz deveres mútuos, entrar para uma igreja traz compromissos mútuos entre o crente e a congregação.Finalmente, consideremos como a membresia, quando biblicamente praticada, preserva a saúde e a pureza da igreja local. Em um tempo em que tantas igrejas enfrentam problemas de falsos convertidos, escândalos morais e divisões, é importante lembrar que a membresia funcional é um meio de graça para cuidar e guardar a igreja.
Vejamos então quais seriam algumas dessas responsabilidades dos membros da Igreja local:
I. Guardando e cuidando o púlpito da Igreja – Quem prega e o que prega (Gálatas 1:1-10).
Esta é a responsabilidade de perseverar a Igreja na doutrina dos apóstolos (At 2:42, Efes 2:19-22). Ao nos tornarmos membros, nos comprometemos a nos reunir regularmente com os irmãos, a apoiar a pregação fiel da Palavra, as ordenanças (Batismo e Ceia) e a participar ativamente da vida da igreja. Não é um vínculo meramente nominal; é um compromisso de estar presente e envolvido de forma responsável com a vida da Igreja local, começando por guardar e cuidar o púlpito daqueles que não tem as qualificações enquanto ao caráter pessoal e a mensagem que pregam (2 Timoteo 2:15-16; 1 Timóteo 3:1–7; Tito 1:5–9;1 Pedro 5:1–4; Atos 20:17–35 [especialmente 28 – 31], 2 Timoteo 4:2-5).
Uma igreja com membresia ativa se preocupa em quem sobe ao púlpito, quem ensina na EBD, quem lidera os ministérios e os grupos pequenos. Os membros comprometidos zelam para que somente aqueles que professam a fé genuína e vivem de modo digno assumam posições de influência. Isso evita que lobos em pele de cordeiro se instalem facilmente. Além disso, a membresia permite processos de decisão saudáveis – por exemplo, escolha de pastores e diáconos feita pelos próprios membros fiéis, reduzindo riscos de divisões porque todos têm voz dentro da aliança comunitária.
II. Guardando e cuidando a porta e a mesa da Igreja - Batismo e Ceia (Mateus 18:15-21; 1º Coríntios 5:6-13)
Uma leitura cuidadosa do livro de Atos dos apóstolos deixa evidente que os que creram a palavra pregada e foram batizados no capítulo 2:41- 44passaram a fazer parte da Igreja em Jerusalém. Em Colossenses 2:11-14 Paulo usa a circuncisão, morte a ressureição como alegorias do batismo. Como foi a circuncisão, o batismo é uma marca distintiva daqueles que são o povo de Deus. Cabe notar que a menção da circuncisão nesse texto não se refere à circuncisão infantil, realizada em bebês ao oitavo dia, como era costume na antiga aliança. Em vez disso, trata-se da circuncisão aplicada a indivíduos estrangeiros, alheios aos pactos e à aliança de Deus com o seu povo, os quais passavam a fazer parte de Israel ao se submeterem à Lei de Deus e receberem a marca distintiva da circuncisão [Êxodo 12:48–49; Gálatas 3:25–29; Efésios 2:11–21; Colossenses 2:1–14]. A linguagem empregada no texto bíblico sugere que o público-alvo são indivíduos com maturidade suficiente para terem vivido um passado distante de Deus, e que, em algum momento, exerceram fé no Salvador por meio da exposição ao evangelho e da ação regeneradora do Espírito Santo.
O batismo, portanto, representa a entrada a comunidade, ao povo, a Igreja, a membresia. A membresia formal define as fronteiras da comunidade. Sabemos quem é “de dentro” e quem está “de fora” (1Co 5:12-13). Isso não para criar um clube exclusivista, mas para deixar claro quem assumiu compromisso com Cristo e com seu corpo a Igreja. Essa clareza protege contra infiltração de pessoas não regeneradas nos assuntos internos sagrados que dizem respeito a vida e missão da Igreja. Guardamos e cuidamos da Igreja quando “cercamos” o batismo, concedendo-o apenas àqueles que já receberam vida espiritual pela ação do Espírito Santo e, como resultado, creram no evangelho e se arrependeram publicamente dos seus pecados.
Os batizados, como membros do corpo de Cristo, têm acesso à Ceia do Senhor. Contudo, infelizmente, seja por imaturidade, dureza de coração ou, no pior dos casos, por uma falsa conversão, algumas pessoas precisam ser advertidas a não participarem da mesa do Senhor, pois não estão vivendo de maneira digna do chamado que receberam (Efésios 4:1-3, 17-32). Tais pessoas devem ser corrigidas com amor e acompanhadas com cuidado, para que se possa verificar se há frutos dignos de arrependimento — evidências da obra do Espírito Santo florescendo em suas vidas. Caso contrário, se o que se observa é endurecimento do coração e uma vida de pecado impenitente e rejeição a correção e a arrepender-se, a mesa da comunhão dos santos deve ser guardada, essa pessoa deve ser excluída do corpo da Igreja local (Mateus 18:15-21; 1º Coríntios 5:5-13). Essa medida dolorosa visa restaurar o pecador e proteger a igreja de escândalo e contaminação moral. Sem uma membresia definida, a disciplina se torna quase impossível – a pessoa simplesmente “some” e ninguém sabe direito sua situação. Mas com membresia, a igreja pode obedecer a Deus mantendo seu testemunho puro (2corintios 2:5-8; Gálatas 6: 1).
A membresia funciona como uma cerca amorosa ao redor das ordenanças e da comunhão, garantindo que quem se assenta à mesa do Senhor são aqueles que realmente pertencem à família do Senhor. Isso preserva a santidade da Ceia e da igreja, evitando que a comunhão seja profanada por quem não discerne o corpo de Cristo.
“A MEMBRESIA NÃO É O QUE NOS COLOCA NA NOVA ALIANÇA, MAS É A FORMA COMO A NOVA ALIANÇA SE MANIFESTA NA PRÁTICA NA IGREJA LOCAL... A MEMBRESIA É O CONTEXTO EM QUE O SINAL E CELO (O BATISMO E A CEIA) SÃO ADMINISTRADO DE FORMA LEGÍTIMA”.
Ou seja, é no âmbito de uma membresia comprometida que podemos praticar as ordenanças e guardá-las de abusos.
III. Guardando e cuidando uns aos outros e a unidade dos membros da Igreja (Efésios 4:11-16; Hebreus 10:23-25; Efésios 4:1-6; Gal 5:13-15).
O trabalho de guardar e cuidar dos membros da Igreja não é uma tarefa exclusiva dos pastores e outros líderes. Em Efésios 4.11–16, aprendemos que os pastores e líderes são dotados por Deus para capacitar, equipar e preparar os santos — ou seja, os membros da Igreja — para que estes realizem a obra do ministério. Isso significa que os próprios membros da Igreja devem edificar a Igreja (v. 12), até que esta alcance a maturidade.
A Igreja se edifica a si mesma em verdade e em amor, e cresce com o crescimento que vem de Deus. Esse crescimento ocorre em união com Cristo e uns com os outros, como resultado do serviço de cada membro ao corpo, segundo os dons (1Cor. 12. 7, 32-27) e as funções (Ef 4.16) dados a cada um, para a edificação do corpo de Cristo, que é a Igreja.
Os membros da Igreja são como órgãos num organismo, cada um contribuindo para a saúde do todo. Assim, ser membro implica descobrir seu lugar para servir o corpo. O importante é não ser um membro “parasitário” ou passivo, mas operante, cooperando para o crescimento da igreja em amor(Ef 4:16). Quando cada membro assume sua responsabilidade de servir, a igreja cresce, amadurece, unida e saudável.
Guardar e cuidar da membresia da Igreja loca implica também a mútua sujeição uns aos outros por temor a Cristo (Ef 5.21). Ao ser membro, você coloca-se debaixo da liderança pastoral da igreja e ao passo que caminha ao lado dos outros membros, também se sujeita aos demais em amor e para o cuidado uns dos outros. Isso significa acolher a exortação quando necessário, e também amorosamente exortar os outros quando eles precisarem. Jesus disse em Mateus 18:15-17 que, se um irmão pecar, devemos procurá-lo e corrigi-lo primeiramente em privado e conforme a situação se desenvolva, se for necessário envolver a Igreja em sua totalidade. Ou seja, temos responsabilidade uns pelos outros diante de Deus. A membresia formaliza quem tem essa responsabilidade sobre quem. É diferente de dar palpite na vida de um estranho; trata-se de cuidar de um irmão da aliança que disse “sim, eu pertenço a vocês e vocês a mim”.
Em Efésios 4:3 Deus inspirou o apóstolo Paulo a nos exorta a empenharmo-nos, fazer tudo o possível para “preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz”. Isso requer “toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando uns aos outros em amor” (Ef. 4:2), perdão, prontidão em reconciliar, comunicar a verdade honestamente e em amor. Os membros se comprometem a resolver conflitos de forma bíblica, a evitar facções, fofocas e divisões como Paulo repetidamente exorta em 1 Coríntios.
Lembremos: Cristo derramou Seu sangue para nos fazer um (Ef 4:4 - 6) “Há somente um corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança para a qual vocês foram chamados, há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos”.
Se prestarmos atenção ao texto bíblico, veremos que há mais mandamentos e advertências dirigidas aos membros da Igreja — exortando-os a se esforçarem em cuidar da Igreja — do que ordens e repreensões dirigidas exclusivamente aos pastores e líderes. Sem sombra de dúvidas, pastores e líderes também são ovelhas de Cristo e membros do corpo de Cristo. Guardar e cuidar da Igreja, viver os “uns aos outros” da Palavra de Deus, não é uma estratégia moderna de crescimento, nem um discurso pacifista evangélico: é mandamento divino para cada membro do corpo.
Deus nos ordena a viver de maneira digna do nosso chamado — povo de Deus, nação santa, sacerdócio real, membros do corpo de Cristo. Viver de forma digna desse chamado é viver em comunhão com a Igreja, com toda humildade, mansidão, paciência, suportando uns aos outros em amor. E tudo isso deve estar revestido de um esforço estratégico e intencional, com a finalidade de preservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz (Ef 4.1-6).
Esta forma de viver em comunidade caracteriza o viver de forma digna da nossa vocação, do nosso chamado. Nossa responsabilidade é prezar e proteger essa unidade.
SER MEMBRO É SER UM PACIFICADOR DENTRO DA COMUNIDADE, TRABALHANDO PARA QUE A IGREJA SEJA UM AMBIENTE SEGURO, ACOLHEDOR E HARMONIOSO, ONDE O MUNDO RECONHEÇA QUE SOMOS DISCÍPULOS DE JESUS PELO AMOR QUE TEMOS UNS AOS OUTROS.
“A IGREJA LOCAL NÃO É OPCIONAL, É O AMBIENTE ONDE CRESCEMOS ESPIRITUALMENTE, NOS SUBMETEMOS À AUTORIDADE BÍBLICA E SERVIMOS UNS AOS OUTROS COMO CORPO DE CRISTO”.
Se alguém diz seguir a Cristo, mas evita o comprometimento da membresia, precisa perguntar-se se realmente é um discípulo de Cristo. Deus nos chama a responsabilidade dentro da família da fé.
Quando sei que aquela pessoa ao meu lado no banco assumiu o mesmo compromisso que eu, fico mais disposto a investir na vida dela. Existe um entendimento: “estamos juntos nessa, então posso contar com você e você comigo”. Isso cria um contexto favorável para o florescimento do amor cristão genuíno, evitando que alguém se perca “pelas beiradas” sem que ninguém note. Igrejas sem membresia definida, e sem membresia ativa, correm o risco de pessoas passarem despercebidas e não serem cuidadas. Mas na verdadeira vida de Igreja todos dizem: “Sim, eu cuido de vocês e espero que cuidem de mim.” Assim, a igreja se preserva contra o abandono e a frieza, mantendo-se aquecida pelo amor mútuo.
Quando os membros da Igreja não se esforçam para manter esse vínculo da paz, quando deixam de viver os “uns aos outros” do evangelho, são tomados e dominados pelo egocentrismo, por desejos egoístas, consumistas e legalistas, que fazem com que ovelhas se comportem como lobos: mordendo-se, devorando-se e consumindo-se mutuamente (Gl 5.13–14). Membresia é coisa séria!
Em resumo, a membresia é como a estrutura de treliça que sustenta a videira frutífera. A treliça não é a videira em si (a vida espiritual vem de Cristo), mas é o arcabouço que sustenta, direciona e protege o crescimento da videira. Sem a treliça, a videira fica no chão, vulnerável a pragas e pisoteamento. Com a treliça, ela cresce organizada e sadia. Da mesma forma, a membresia organiza o rebanho de Cristo de modo que possamos alimentá-lo, defendê-lo e guiá-lo melhor.
Nossas igrejas devem muito de sua saúde à prática da membresia. Pense nos nossos momentos de Ceia do Senhor: somente aqueles que testemunharam sua fé em Cristo e se comprometeram com o corpo são chamados a participar, e isso garante a seriedade e o significado do ato. Pense nos casos em que se tem de corrigir irmãos em pecado: por estarem em membresia é possível abordá-los, corrigi-los e pela graça de Deus em alguns casos restaurá-los a comunhão do corpo. Se fossem apenas visitantes, não haveria abertura para tal cuidado. Portanto, não desprezemos essa graça.
Novamente: “A membresia não é um detalhe secundário – é a forma como a igreja protege a santidade de sua comunhão e testemunho”. Sim, irmãos, quando honramos nossos compromissos de membresia, a igreja permanece saudável, unida e centrada em Cristo. Essa é a vontade de Deus para sua Igreja.
Conclusão
Chegamos ao fim, e precisamos voltar os olhos ao texto que começamos, para aplicar as últimas exortações de Paulo em 1Coríntios 11:33-34 a nós hoje. Paulo disse: “Assim, pois, irmãos meus, quando vos reunis para comer, esperai uns pelos outros”. O que significa isto para nós hoje?
Aplicação 1: Cultivemos a consideração mútua e unidade em nossas reuniões. “Esperar uns pelos outros” significa pensar no irmão antes de pensar em si, significa não querer se servir dos melhores pedaços (ou das melhores oportunidades na igreja) antes dos demais, mas priorizar o bem do corpo. Em nosso contexto, implica, por exemplo, valorizar a participação de todos na Ceia, certificando-nos de que cada coração está preparado e o corpo da Igreja está em comunhão. Que possamos sempre celebrar a Ceia e cultuar como uma só família em Cristo, sem distinção de ricos e pobres, jovens e idosos, de longa data ou recém-chegados, todos aguardando e acolhendo uns aos outros em amor.
Paulo adiciona: “Se alguém tem fome, coma em casa, a fim de não vos reunirdes para juízo”. Aplicação 2: Devemos tratar as coisas santas com reverência, e não como algo comum. A Ceia do Senhor não é sobre comer para satisfazer o estômago. É sobre lembrar que o Sacrifício de Jesus satisfez a Justa ira de Deus que era sobre nós. A Ceia do Senhor não é algo banal, o um mero rito, assim como quando nos reunimos como Igreja, não devemos banalizar o culto e os elementos de adoração e serviço a Deus e a sua Igreja. Nosso ajuntamento é para edificação, não para entretenimento ou proveito egoísta. Se alguém vier à Ceia apenas por tradição ou para “não ficar de fora”, está com a motivação errada. Melhor “comer em casa” – ou seja, resolver suas necessidades terrenais primeiro, ajuste seu coração e sua mente antes de vir para a mesa do Senhor, para não transformar bênção em maldição.
Examinemo-nos a nós mesmos antes de vir a casa de Deus e a mesa do Senhor. Confessemos nossos pecados uns aos outros, oremos uns pelos outros (Tg 5.16), perdoemos quem nos ofendeu, renovemos nossa fé no evangelho de Jesus e nos aproximemos com confiança a mesa, ao corpo, ao trono de graça, confiando na suficiência e nos méritos de Jesus, assim, evitaremos “beber juízo” e, ao contrário, receberemos graça sobre graça.
Aplicação 3: Comprometa-se visivelmente com o corpo de Cristo. Vimos como a passagem enfatiza “quando vos reunis como igreja” e como o significado da Ceia envolve a membresia. Portanto, a conclusão natural é um apelo: seja um membro comprometido do corpo de Cristo. Se você já é membro de uma igreja local, renove hoje seu compromisso de amar e servir seus irmãos, de manter a unidade, de apoiar a liderança e ser fiel nas pequenas coisas – pois a Ceia que tomamos juntos testifica que somos um só corpo. Se você ainda não é membro, mas é um seguidor de Cristo batizado, o chamado de Deus é que você se una oficialmente a uma igreja local fiel. Não fique como espectador ou visitante permanente; Deus quer você dentro da família, com nome e sobrenome. Lembra do exemplo que mencionamos mais cedo? A Ceia identificava claramente quemestava na família e quem não estava. Então, não hesite: faça parte da família de aliança, para que vice possa experimentar e praticar o “uns aos outros” do evangelho.
Se porventura alguém aqui ainda não creu em Cristo, entenda que a Ceia do Senhor, a mesa que lembra o calvário e celebra a ressurreição por enquanto, não é para você – mas o evangelho simbolizado nela, o evangelho do Cristo morto e ressuscitado, é para você também! Arrependa-se dos seus pecados, creia em Jesus como Senhor e Salvador, receba o perdão comprado no Calvário. Então, entre pelas “águas” do batismo e junte-se a uma Igreja local e à “mesa” do Senhor. Há um lugar preparado para todos os que Cristo redimiu.
Meus amados, que sermão a própria Ceia nos prega. Aprendemos que não é um ritual vazio, mas um memorial vivo, um sinal de aliança, uma celebração de comunhão, um evangelho visível, um ensino profundo sobre o corpo de Cristo e uma esperança viva – tudo isso em um simples pedaço de pão e um pequeno cálice. Deus sabia da nossa tendência ao esquecimento e à divisão, então nos deu esse mandamento: “fazei isto em memória de mim”. Cada Ceia é um convite à memória de Cristo e ao compromisso renovado com seu corpo.
Sendo assim, vamos responder ao chamado da Palavra: vamos discernir o corpo de Cristo corretamente, tanto o corpo sacrificado e ressuscitado, quanto seu corpo redimido e unido que é sua igreja amada. Vamos valorizar mais o sacrifício da cruz, amando mais o nosso Salvador e aqueles por quem ele morreu e ressuscitou, vivendo em verdade e amor o “uns aos outros” do evangelho. Aproximemo-nos da mesa do Senhor sempre em humildade, fé e unidade, e façamos da nossa vida em comunidade um reflexo dessa graça que celebramos no pão e no vinho.
Que o Senhor nos ajude a viver o que confessamos. Vivamos como Igreja, e nos reunamos como igreja sempre discernindo o corpo em sua plenitude – vendo na mesa do Senhor a mensagem da cruz e da ressurreição, enxergando ao redor nossos irmãos por quem Cristo também morreu, e olhando adiante para a glória futura que Ele prometeu onde juntos viveremos com Ele para sempre. E assim edificaremos Igrejas saudáveis para glória de Deus e a alegria eterna do seu povo. Amém!
