O Rei perdoa pecados (Mc 2.1-12)

O Rei que se tornou servo: sermões no Evangelho de Marcos  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
0 ratings
· 15 views
Notes
Transcript

Introdução

O Evangelho de Marcos, com sua narrativa objetiva e cheia de ação, revela progressivamente quem é Jesus. À medida que apresenta Cristo em diversas situações, Marcos aprofunda a revelação sobre Sua identidade e introduz temas que serão desenvolvidos ao longo do livro. No texto de hoje, Marcos nos apresenta pela primeira vez o título "Filho do Homem" e aprofunda o tema da autoridade de Jesus – agora não apenas sobre doenças e demônios, mas sobre algo muito maior: o perdão dos pecados.
Essa designação, "Filho do Homem", carrega tanto o peso das profecias quanto a clareza de quem Jesus é. Essa passagem nos desafia a entender que a autoridade de Cristo vai além das expectativas humanas – Ele veio tratar da nossa maior necessidade: a reconciliação com Deus por meio do perdão.
A pergunta que surge é: reconhecemos a autoridade de Jesus em toda a sua plenitude? E, ao reconhecê-la, como isso transforma a forma como vivemos e enxergamos nossas próprias necessidades?

Exposição

Marcos inicia aqui uma série de cinco conflitos entre Jesus e principalmente autoridades religiosas, que vão até o capítulo 3.6, onde o tema recorrente será a autoridade de Jesus. Nesse primeiro temos vários elementos dramáticos, quebras de expectativa e a escancarada demonstração da divindade de Jesus. Vamos aos versos:

1. O compromisso de Jesus em anunciar a Palavra (1-3)

Em Cafarnaum, Jesus já havia causado grande impacto ao curar a sogra de Pedro e muitos outros (Mc 1:29-34). Porém, Ele sempre retornava à pregação da Palavra, mostrando que Seu objetivo principal não era realizar sinais, mas anunciar o Reino de Deus (1.38). É nesta Cafarnaum, onde Jesus destacou a ênfase de seu ministério, que o texto de hoje se desenvolve.
As coisas estavam um pouco mais calmas após a efervescência causada pela cura do leproso na Galileia, permitindo que Jesus entrasse novamente em uma cidade, provavelmente na casa de Pedro. Muitos vieram a Ele, e, como é comum pelas notícias acerca de Jesus, a maioria parecia estar motivada por curas e milagres. No entanto, Marcos enfatiza o compromisso irredutível de Jesus em anunciar a Palavra às multidões: "anunciava-lhes a palavra" (Mc 2:2).

2. A perseverança dos amigos do paralítico

Mais uma vez, Marcos nos apresenta um milagre em uma ocasião em que pessoas conduzem outros a Jesus. Isso já havia ocorrido com a sogra de Pedro (Mc 1:30) e com a multidão de enfermos e endemoniados (Mc 1:32). Agora, pessoas vêm até Jesus com um homem paralítico carregado por quatro homens.
Marcos faz questão de destacar o esforço desses amigos. Eles enfrentaram obstáculos aparentemente intransponíveis, violaram uma propriedade e até elaboraram uma verdadeira engenharia para garantir que seu amigo tivesse acesso a Jesus.
O notável no relato é que Jesus viu a fé daqueles homens. Até aquele momento, todos que intercederam a Jesus por alguém foram atendidos. Mas aqui, Marcos registra algo mais: a confiança desses homens em que Jesus era um auxílio certo para o amigo paralítico, independente das barreiras que enfrentassem. Fé é vivida em atos e não em sentimentos ou conhecimento.

3. O Filho do homem tem poder para perdoar pecados

A resposta de Jesus pode ser e certamente foi frustrante para muitos. Depois provavelmente ela foi escandalosa, como foi para os escribas, mas antes frustrante: é claro que as pessoas esperavam cura, mas Jesus tinha para dar, em resposta a esperança daqueles homens, aquilo que os milagres apenas confirmam: ele perdoa pecados. Ele é de fato o Filho de Deus.
A cena se inverte: o homem deixa de ser alguém vítima de uma deficiência e passa a ser o ofensor. A declaração de Cristo tem um peso. Uma linguagem de pai compassivo, mas também de alguém superior. Cristo se coloca como o ofendido que perdoa. Somente perdoa quem é o ofendido.
A cena se direciona agora para os escribas. Enquanto se encaminha uma cura, se inicia um confronto. Eles levantam uma questão: Por que Jesus fala desse modo se somente Deus pode perdoar pecados? A pergunta é compreensível e é de se esperar que esse tipo de questionamento venha de escribas. Mas não era a única forma de pensar. Eles logo encaminharam suas conclusões à blasfêmia. Mas, existe alguma figura no antigo testamento de alguém que teria toda autoridade? Logo vamos desenvolver isso.
Fica claro que os pensamentos dos escribas acerca da blasfêmia eram resultado de incredulidade [Jesus perceber em seu espírito é outro indicativo marcano da divindade de Cristo]. Jesus os leva ao raciocínio simples: o que é mais fácil [enquanto dizer]? Perdoar pecados ou curar o paralítico? Ou seja, Jesus, ao declarar o perdão de pecados ao paralítico, fizera a coisa mais difícil. Se ele pode o mais difícil, pode também o mais fácil. Para os ouvintes, no entanto, tudo é difícil quanto ao fazer. Mas ele é o Filho do Homem!
Aqui é o ponto chave: o milagre testificaria que Jesus era aquele que tem autoridade para perdoar pecados: o Filho do Homem. Mas o que esse título significa? O título "Filho do Homem" enfatiza tanto a humanidade quanto a divindade de Cristo. Ele veio como representante perfeito da humanidade, mas com o poder e autoridade de Deus (Dn 7.13,14). Os milagres são a confirmação visível da autoridade espiritual de Jesus.

Aplicações

Amigos de verdade nos levam a Jesus. No texto vemos Marcos reforçando a figura dos amigos intercessores. Suas petições são atendidas. Jesus vê a fé não somente do alvo de sua compaixão, mas também dos amigos. Amigos que tem uma fé que aparenta loucura [abrir telhados].
Nossos olhos, sem a fé, são mesquinhos. O que queremos para os outros [ou para nós mesmos] pode ser diferente daquilo que Jesus quer. Os amigos do paralítico obviamente queriam que seu amigo tivesse a mobilidade restaurada. É surpreendente que Jesus responda que os pecados do homem estão perdoados. Para os presentes ali, a grande demonstração de poder esperada vinda da parte do Senhor não era o perdão e pecados e sua posição já mais que ratificada pelos inúmeros milagres realizados, mas realizar mais uma cura. Isso mostra o funcionamento do nosso coração. De alguma forma, os feitos grandiosos de Jesus estão mais vinculados a curas do que ao perdão de pecados. Mas, em resposta a esperança daqueles homens nele, ele concedeu primeiro o que era mais importante: o perdão dos pecados. Deus tem o melhor para nós [acima da saúde]. Acaba sendo uma lição para que a fé sempre alcance a redenção.
Importa termos uma visão completa de Cristo como verdadeiramente Deus e verdadeiramente Homem. Jesus quem diz que é necessário saber que Ele, enquanto Deus-Homem, tem autoridade plena. Que temos perdão e redenção nele. Ele não apenas realiza milagres; Ele transforma vidas. Isso nos chama a adorá-Lo não apenas por Suas obras, mas por quem Ele é.
As obras de Cristo levam as pessoas a glorificarem a Deus. A cura do paralítico levou as pessoas a glorificarem a Deus. Isso nos lembra que toda obra de Jesus tem o objetivo final de revelar a glória do Pai. Nossas vidas também devem refletir essa verdade, seja em aceitação ou rejeição.Ou elas rejeitam, e Deus será glorificado em sua justiça, ou elas dizem “nunca vimos nada assim”.
SDG
Related Media
See more
Related Sermons
See more
Earn an accredited degree from Redemption Seminary with Logos.