O Rei possui autoridade (Mc 1.21-28)

O Rei que se tornou servo: sermões no Evangelho de Marcos  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Introdução

Nosso evangelista Marcos até aqui nos revelara que este é o evangelho de Jesus, o Filho de Deus (Mc 1.1), o Messias prometido (Mc 1.2-8), o Filho de Deus aprovado (Mc 1.9-13), o Rei (Mc 1.14-15). Ele é quele que prega o Evangelho de Deus e o conteúdo de sua mensagem é que o Reino de Deus é chegado e que a resposta adequada das pessoas a isso é se arrependerem e crerem.
Ele ainda nos mostra que Jesus chama aqueles que também pregarão o evangelho com ele - e como sabemos, darão continuidade à pregação. Eles serão feitos pescadores de homens, ou seja, através da pregação do Evangelho de Jesus apresentarão a justiça de Deus, em que, por seu amor e graça, chama aqueles que pela fé se tornam filhos de Deus, povo do Senhor, igreja do Jesus. Ao mesmo tempo, aqueles que rejeitam a mensagem do evangelho permanecem em seus pecados e sob a ira justa de Deus (Jo 3.36).
Como sabemos, após o prólogo dos versos Mc 1.1-13, Marcos apresenta várias circunstâncias que nos respondem a pergunta “Quem é esse Jesus?” [do prólogo] (Mc 1.14-3.6) (aqui: quem é esse que tem poder sobre demônios? Mc 1.27). Entramos agora em uma das características do evangelho de Marcos que é Jesus sempre trabalhando. Para isso, ele nos convida para um dia com Jesus (Mc 1.21,29,32,35, 39) (ou dois dias, conforme alguns autores) e nos dá o seu primeiro milagre nesse contexto da identidade de Jesus: uma expulsão de demônio.

Exposição

1. Jesus ensina com autoridade

Versículos 21 e 22
Na primeira parte da cena, Marcos destaca a localidade: Cafarnaum. Era uma cidade situada à margem do Mar da Galileia em que Jesus, após deixar Nazaré, adotou como sua moradia (Mt 9.1; Mt 4.13). Era uma cidade em que a economia pesqueira tinha destaque e é o cenário em que costumeiramente Jesus se relaciona com mar, pescas, barcos, pescadores.
Nesta cidade, André e Simão, Tiago e João, bem como o coletor de impostos Mateus, se unem à Jesus. Nela também Jesus realizou vários milagres e feitos extraordinários registrados, pregou durante um bom tempo, e em razão da incredulidade de muitos, prediz a ruína da cidade (Mt 11.23-24; Lc 10.15).
É nessa importante cidade que, em um dia de descanso (sábado), Jesus entra numa sinagoga para ensinar. As sinagogas eram locais onde os judeus se formalmente se reuniam para adorar a Deus de uma forma relativamente simples. Aparentemente surgidas durante o cativeiro babilônico, nelas os judeus realizavam orações, liam a Torá e tinham algum ensino relacionado. Nesta ocasião, Jesus leva o ensino.
A reação dos presentes é relatadas como de maravilhamento. Jesus era alguém que desde a tenra idade consegue envolver as pessoas com a sua pregação (Lc 2.47-48). Essa admiração está bastante conectada com a forma de Jesus ensinar em contraste com os escribas e fariseus. Eles costumavam ensinar a Torá com base em muitas referências. Jesus, por outro lado, se colocava como a autoridade da doutrina (“vos digo”; “eu, porém, vos digo”).
A admiração das pessoas tinha, portanto, uma relação com a autoridade de Jesus. Como o ensino estava intimamente ligado às atitudes daqueles que ensinavam, mais tarde, como leremos, não é de se admirar que as pessoas conectem o feito de Jesus com sua doutrina (Mc 1.27). Para Marcos, a pregação e expulsão de demônios realizados por Jesus são todos parte do Ministério de ensino de Jesus.

2. Jesus age com autoridade

Versículos 23- 26
Marcos menciona que não levou muito tempo para que um espírito imundo aparecesse [o sábado de Jesus é intenso]. Ele chega falando com Jesus: “que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para perder-nos?”. Embora de difícil tradução, os estudiosos apontam que a fala do espírito imundo está em tom de oposição a Jesus (“o que tens conosco”/“o que entre nós e ti”/“o que temos um com o outro”/“vai embora e me deixa em paz”. Mais do que perguntas, são perguntas acusatórias com o propósito de rivalizar.
Qual a intenção do Filho de Deus neste mundo, nessas “profundezas”? Seria para destruí-los? É a inquirição e acusação. Interessante que o demônio (ou “os”) revela quem é Jesus: o Santo de Deus. Não nos é estranho, pois temos o prólogo, mas imagine essas palavras ouvidas pelos presentes. O demônio revelando que aquele Jesus é alguém que “veio” da parte de Deus e é o Filho de Deus (1.1 prólogo).
Jesus, no entanto, revela sua autoridade não confirmando as palavras do espírito imundo, mas ordenando seu silêncio e o expulsando. Jesus não faz interrogatório nem dá palco para o diabo. Jesus ordena que cale a boca e saia. É o primeiro momento em que Jesus requer discrição acerca de sua identidade. Aparentemente, Jesus queria evitar más compreensões acerca de sua identidade.
De qualquer forma, a intenção de Marcos é clara: ele não quer trazer medo aos leitores. Ele quer demonstrar que Jesus, mesmo diante dos demônios, é quem tem superior autoridade. Assim, mediante a ordem de Jesus, o espírito sai do homem.

3. A mensagem e a obra de Cristo estão intimamente relacionadas

Versículos 27 e 28
Novamente o texto destaca que os presentes ficaram maravilhados. Aquela autoridade ao ensinar traz consigo uma autoridade prática: ele ordena aos espíritos imundos e eles lhe obedecem! É um novo ensino que abarca uma nova realidade.
Diante disso, aquele acontecimento vai correr a Galileia e sua circunvizinhança.

Aplicações

Diante do exercício do reino as pessoas a nossa volta deveriam perguntar “quem é este Jesus?”
Nem todo maravilhamento como Jesus é demonstração de fé genuína. Veja que nesse texto, como em outros que pregaremos posteriormente, veremos pessoas se admirando dos feitos e dos ensinos de Jesus em Cafarnaum e noutros lugares (Marcos usa diferentes termos para as reações das pessoas: 1.22; 1.27; 5.20; 4.41; 2.12; 5.42); . Ao mesmo tempo, vemos que nessa cidade a incredulidade permanece. Admiração não é suficiente, ver milagres não é suficiente. (falar do trilema) É necessário se arrepender e crer no evangelho.
O poder dos demônios deve nos levar a admiração do poder de Jesus. A bíblia não nos dá um material vasto sobre demônios. O conteúdo é escasso no Antigo Testamento e no Novo temos um pouco mais relatos. Porém, algumas coisas são claras. Deve-se ter cuidado pra não colocar na conta deles aquilo que é seu. A Bíblia já mostra que o coração do homem é muito mal. Não cabe aquela especulação de que satanás é um mito criado pra tentar explicar o mal. Isso é contra a própria trilogia bíblica e contra a realidade, porque nós vemos pessoas sãs de mente fazendo coisas horríveis. Outra que os textos não aprovam o atos satânicos, nem tem o propósito de nos amedrontar, mas de destacar o senhorio de Cristo sobre todas as coisas. Não há luta, mas o reconhecimento do poder e superioridade de Jesus, e que o reino de Deus inaugura a destruição do domínio de satanás. Como diz o título de uma pregação do pastor português Tiago Cavaco, “demônios estridentes ensinando cristãos adormecidos”. Eles nos dão dimensão da presença de Jesus: tem medo, reagem à sua personalidade, afirmam [mas sem fé] o conhecimento que possuem sobre Ele.
O evangelho dá a realidade das coisas. “A palavra de Deus é mais atual que o jornal de amanhã”. O evangelho não nos dá uma mera alternativa da realidade, a realidade é compreendida a partir da sua perspectiva. O evangelho nos ensina que a palavra de Deus não está à serviços das filosofias ou das convenções sociais, mas que todas as coisas devem ser vistas e moldadas a partir dela. Aquilo que o evangelho ensina será acompanhado de vida. O reino de Deus chegou, por isso, Jesus começa a agir com base na nova criação que Ele gera, com base na autoridade que ele possui sobre a criação. Podemos orar por curas, ensinar e esperar feitos extraordinários.
Sempre haverá resistência ao rei e sempre descansaremos na sua autoridade. E, fazendo uma uma interpretação teológica, a autoridade de Jesus não tinha a ver só com o seu sua forma de ensinar mas o que seu ensino causava. O ser humano precisa de autoridade e Jesus é autoridade sobre o universo. Autoridade do rei a autoridade do servo. Quais os seus medos? Coloca eles diante da autoridade de Jesus.
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