O Rei chegou, o Reino se faz presente (Marcos 1.14-15)

O Rei que se tornou servo: sermões no Evangelho de Marcos  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Marcos 1.14–15 (ARA)
Depois de João ter sido preso, foi Jesus para a Galileia, pregando o evangelho de Deus, dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho.

Introdução

Já falamos que o evangelho de Marcos é bem claro e objetivo. Chama a atenção, portanto, o fato de Marcos fornecer informações sobre época e local no princípio do Ministério Público de Jesus em nosso texto de hoje. É provável que Marcos esteja estabelecendo um marcador. Após o prólogo (1-13), os dois versículos de hoje iniciam uma primeira seção de Marcos que vai até Mc 3.6 (cf. as três seções são: Mc 1.14-3.6; 3.7-6.6a; 6.6b-8.21). Aqui, há um registro de mudança tanto do ambiente como da perspectiva, onde o deserto e João Batista dão lugar ao ministério de pregação de Jesus. E Marcos inicia essa seção com o resumo dos ensinos de Jesus.
Como resumo, vale salientar que os ensinamentos de Jesus vão muito além das poucas palavras registradas por Marcos, bem como não significa que sempre Jesus sempre incluía em suas predicações os termos “reino de Deus” ou “evangelho”, mas que esses temas são o âmago da mensagem de Jesus.
É importante observarmos que há propositalmente dois paralelos aqui nestes versículos:
1) As duas declarações (“O tempo está cumprido / e o reino de Deus está próximo”) e os dois imperativos (“arrependei-vos / e crede no evangelho).
2) A correspondências “o tempo está cumprido / [portanto] arrependei-vos” e “o reino de Deus está próximo / [portanto] crede no evangelho”.
Agora, vamos mergulhar nesses dois breves mas profundos versículos.

Exposição

Versículo 14
“Depois de João ter sido preso”
Marcos tem como intenção de mostrar que, quando João foi traído, Jesus se tornou público. Ou seja, existe uma ligação proposital de Marcos em demonstrar que o início do ministério público de Jesus em relação ao Evangelho tem conexão com a prisão de João Batista (At 1.22; 10.37).
Como sabemos através de João 3.22-4.2, Jesus e João Batista tiveram um período contemporâneo de ministérios. A ênfase teológica de Marcos é na realidade que a antiga aliança termina com o ministério de João Batista e que a nova aliança (reino de Deus) é chegada com o ministério de Jesus (Mc 2.21; Lc 16.16).
Existe uma ênfase prática de Marcos agora relacionada aos seus destinatários imediatos: que o Evangelho é proclamado e conhecido na adversidade e no sofrimento, não na facilidade e no conforto. Isso é reforçado, por exemplo, no emprego do termo “foi entregue” no grego. Esse termo que se referia a João Batista sendo preso sendo entregue, é o mesmo que será utilizado para Jesus se entregando como filho do homem (Mc 9.31; 10.33; 14.21,41) e também para os cristãos (Mc 13.9,11,12).
O anúncio de Jesus do Evangelho ou das “boas novas”, conforme Mc 1.14, está acontecendo em conexão com a prisão e execução de João Batista. O mensageiro do Messias não é apenas o precursor da mensagem de Jesus, mas também do seu destino, o que inclui o sofrimento e morte, e ainda estabelece um padrão para os discípulos de Jesus que estão sofrendo com perseguição de Nero em Roma [e para as demais gerações de discípulos].
“foi Jesus para a Galileia”
Após seu batismo, Jesus retorna do deserto para a Galileia. É notável que Jesus não tenho a situado ministério público em Jerusalém, o centro religioso, mas na insignificante Galileia. Em termos de apelo popular, nessa região é onde Jesus tem maior número de discípulos (Mc 1.28; 3.7) e também é na Galileia que Jesus, após sua morte e ressurreição, reúne seus seguidores dispersos e devastados e os comissiona de novo para o ministério (Mc 14.28; 16.7). Pelo contrário, Marcos caracteriza Jerusalém pela sua marcante ausência de fé e oposição do templo e dos líderes religiosos, enquanto a Galileia é tida como lugar da promessa e oportunidade para o Evangelho.
“pregando o evangelho de Deus”
Ainda no versículo 14 não podemos deixar de falar do termo Evangelho, que, como sabemos, significa “boas novas”. Refere-se aqui a uma narrativa resumida dos ensinamentos de Jesus, contendo, portanto, sua mensagem. É interessante que essa palavra vai adquirir pelo menos três significados combinados: (a) os ensinamentos resumidos de Jesus, (b) bem como a proclamação sobre Jesus, incluindo a história da sua vida, morte e ressurreição, e também (c) os registros da vida de Jesus como os Evangelhos.
Notemos que Marcos indica as boas novas ou o evangelho como sendo de Deus, ou seja, não o evangelho sobre Deus somente. É o Evangelho que vem de Deus ou as boas novas trazidas da parte de Deus. João Batista era aquele que proclamava (Mc 1.4) e Jesus, por conseguinte, não contrasta com João, mas dá continuidade à sua proclamação, ecoando o prenuncio dos profetas (a mesma palavra para proclamação foi usada em Isaías 61.1 e em Joel 2.1 para anunciar o reino escatológico de Deus). Ou seja, Jesus está proclamando as boas novas de Deus, ou seja, o Reino de Deus previsto pelos profetas chegou.
Versículo 15
Se vários termos nos chamaram a atenção até aqui, quanto mais agora a repetição de “evangelho”. Marcos estava usando o termo “Evangelho de Deus” para preparar o terreno para aquilo que vai ser referido agora como Reino de Deus.
Se aqui o Evangelho são os ensinamentos e proclamação de Jesus, nisso está claramente incluído o Reino de Deus. Podemos dizer mais: o conteúdo do evangelho a partir da ótica de Jesus, é resumido por Marcos no conceito de “Reino de Deus”. Não podemos, então, deixar de observar esse termo.
“Reino de Deus” só pode ser compreendido a partir da expectativa do Antigo Testamento. Era algo aguardado. Não faz sentido Jesus falar de boas notícias da parte de Deus se o povo destinatário não tem noção ou expectativa acerca desse anúncio (Is 52.6). Existe um plano de fundo a ser compreendido, neste sentido.
A melhor forma de entender a expressão “reino” como o reinado de um rei, e não uma compreensão geográfica de um território que possui um rei (Mt 6.33; 20.20,21). O “reinado”, o governo de Deus chegou através do ministério de Jesus. Em Jesus, o reino de Deus fez uma aparição pessoal.
Há elementos deste reino que já estão presentes (ex.: o Rei, o Espírito, o seu povo), mas a consumação de todas as coisas aguarda o retorno do Rei, por isso os crentes devem orar “Venha o teu reino” (Lc 11.2). É o que se chama da realidade do “já” e do “ainda não”.
Colocando na perspectiva do evangelho de Deus pregado por Jesus: “no momento decisivo determinado por Deus, agora, chegou o reino que se esperava” (Gl 4.4; Ef 1.10). Jesus é diferente dos profetas que anunciam o fim do mundo, ele anuncia que Deus começara um mundo novo. Por conta disso, a resposta das pessoas diante dessa realidade é imperativamente: “arrependa-se e creia nessas boas notícias. Entre no reino”! Jesus não vem trazer um conselho. Ele veio trazer o Reino.

Aplicações

1) A ocasião da proclamação do evangelho é a adversidade e sofrimento. A prisão e morte de João Batista e as perseguições aos primeiros cristãos reforçam isso.
2) A igreja precisa aprender a enfatizar o “já” que as Escrituras ensinam. O Espírito desceu sobre Jesus para realizar as profecias acerca da redenção. Este mesmo Espírito está na igreja. O reino já foi inaugurado e já fazemos parte dele.
3) O evangelho é ato pregado. O evangelho é uma mensagem que fala de algo que ocorreu e que está ocorrendo (Paulo e essa essencialidade At 20.21).
4) Jesus não veio trazer conselhos. As pessoas chegam à igreja em busca de várias coisas: melhorar a vida, consertar coisas, muitas vezes para ter conselhos. Mas Jesus veio anunciar que o reino de Deus chegou. Ele anuncia o que ele mesmo já está realizando. Por isso, as pessoas precisam se arrepender, crer, ser batizadas e seguirem Jesus. Conselhos só fazem sentido se surgem a partir da realidade incontornável do Reino de Deus.
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