O Reino de Cristo: Aprendendo com Reis (páscoa)
Max Ferreira
Aprendendo com Reis • Sermon • Submitted • Presented
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Transcript
Tema: Série Apreendendo com reis: O Reino de Cristo, um reino invertido. (Domingo de Páscoa)
Texto Base:
"E disse-lhes: ‘Desejei ansiosamente comer esta Páscoa com vocês antes de sofrer. Pois eu lhes digo que não a comerei de novo até que se cumpra no Reino de Deus’." (Lucas 22:15-16 NVI)
Introdução
Introdução
Imagine estar à mesa com Jesus na última ceia, ouvindo-o dizer que aquela seria sua última Páscoa antes de sofrer. Que peso teriam essas palavras? A última ceia não foi apenas um jantar — foi o fim da antiga Páscoa e o início de algo novo: a Ceia da Nova Aliança.
Em Lucas 22:15-16, Jesus responde a quatro perguntas fundamentais que nos ajudam a entender o significado da Páscoa cristã:
De que Páscoa Jesus estava falando?
Por que Ele não a comeria novamente até ela se cumprisse no Reino de Deus?
Como o Reino de Deus se cumpriria?
E por que isso ainda importa hoje?
Vamos explorar essas verdades e descobrir como a Páscoa de Cristo transforma nossas vidas.
1. De que Páscoa Jesus estava falando?
1. De que Páscoa Jesus estava falando?
“Desejei ansiosamente comer esta Páscoa com vocês antes de sofrer.” (v.15)
Exegese da Páscoa Judaica: A Páscoa, ou Pesach, era a festa central de Israel, instituída em Êxodo 12.
Ela celebrava a libertação do povo hebreu da escravidão no Egito, quando o sangue de um cordeiro sem defeito, aspergido nas portas, protegeu os primogênitos da morte. O povo comia pão sem fermento e ervas amargas, recordando a pressa da fuga e o sofrimento da servidão.
Era um memorial de vida, liberdade e da aliança com Deus, renovado anualmente com gratidão por todos os judeus.
Contexto de Jesus: Quando Jesus diz “desejei ansiosamente”, a palavra grega epithymia revela um anseio profundo, quase uma necessidade emocional. Ele sabia que aquela era a última Páscoa da antiga aliança. Como o Cordeiro definitivo, Ele não apenas participava do ritual, mas o cumpria, tornando-se o sacrifício que liberta toda a humanidade.
Aplicação Cristológica: Jesus não celebrava apenas a saída do Egito, mas a redenção do pecado e da morte eterna. Como diz 1 Coríntios 5:7, “Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado”. A Páscoa judaica apontava para Ele, e naquela noite, Ele assumiu seu papel como o Salvador prometido. Hoje, somos convidados a reconhecer que nossa liberdade vem de seu sacrifício, não de rituais, mas de um relacionamento vivo com o Cordeiro de Deus.
2. Por que Ele não a comeria novamente até que o Reino de Deus se cumprisse?
2. Por que Ele não a comeria novamente até que o Reino de Deus se cumprisse?
“Pois eu lhes digo que não a comerei de novo até que se cumpra no Reino de Deus.” (v.16)
Significado da Declaração: Jesus anuncia que aquela Páscoa era o fim de um ciclo. Ele não a celebraria novamente na terra porque seu sacrifício na cruz cumpriria o propósito da Páscoa judaica. A expressão “se cumpra” (do grego pleroo, “completar”) aponta para a consumação do Reino de Deus, que começa com sua morte e ressurreição e será plenamente realizado em sua volta.
O Banquete Futuro: Jesus olha para o futuro, para o banquete escatológico descrito em Apocalipse 19:9, as bodas do Cordeiro, quando os redimidos se reunirão com Ele na glória. A Ceia do Senhor, instituída naquela noite (Lc 22:19-20), é um memorial que antecipa esse momento. Cada vez que participamos da Ceia, provamos um vislumbre da comunhão plena que teremos com Cristo no Reino consumado.
Aplicação: Vivemos no “já e ainda não” do Reino. A Páscoa de Jesus nos lembra que Ele já venceu a morte, mas ainda aguardamos a plenitude de sua glória. Isso nos dá esperança para enfrentar as lutas de hoje, sabendo que nossa verdadeira festa está garantida com o Rei que voltará.
3. Como o Reino de Deus se cumpriria?
3. Como o Reino de Deus se cumpriria?
Pela Morte e Ressurreição de Jesus — a Nova Aliança
O Sacrifício da Cruz: Jesus cumpriu o Reino não com poder terreno, mas com sacrifício. Na cruz, Ele pagou o preço do pecado, inaugurando a nova aliança prometida em Jeremias 31:31-34, como Ele mesmo declarou: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue, derramado em favor de vocês” (Lc 22:20). Sua morte satisfez a justiça de Deus, libertando-nos da condenação.
A Vitória da Ressurreição: A ressurreição de Jesus derrotou a morte, confirmando que o Reino de Deus havia chegado (1 Co 15:20-22). Diferente dos reis de Israel, cujos reinos refletiam ambições humanas, Jesus reinou através da renúncia e do amor. Saul desobedeceu a Deus para manter sua glória (1 Sm 15:22-23), escolhendo sacrifícios próprios em vez da obediência. Davi, apesar de seu coração para Deus, caiu em adultério e assassinato (2 Sm 11), mostrando fraqueza humana. Absalão buscou o trono pela rebelião, conspirando contra seu próprio pai (2 Sm 15:10-12). Salomão, mesmo sábio, deixou o coração se desviar por riquezas e alianças pagãs (1 Rs 11:4-6). Roboão dividiu o reino por arrogância, rejeitando conselhos sábios (1 Rs 12:13-14). Jeroboão criou ídolos para consolidar seu poder, afastando o povo de Deus (1 Rs 12:28-30). Cada um desses reis, em algum momento, priorizou poder, prestígio ou prazer.
O Reino Invertido de Cristo: Em contraste marcante, Jesus redefiniu o que significa ser rei. Ele abdicou de privilégios divinos, assumindo a forma de servo (Fp 2:6-8). Em vez de buscar glória, abraçou a humilhação da cruz. Longe de dominar, lavou os pés de seus discípulos (Jo 13:5) e serviu até seu último suspiro, oferecendo sua vida como resgate por muitos (Mc 10:45). Seu Reino é completamente invertido: nele, a grandeza se mede pela humildade, o poder pelo sacrifício, e a vitória pela entrega. A cruz, que aos olhos humanos era símbolo de fracasso, tornou-se o trono de onde Ele reina eternamente, conduzindo à coroa da glória na ressurreição. O reinado de Jesus desafia cada instinto humano, revelando que a verdadeira vida se encontra em doar-se pelos outros, como Ele fez por nós na Páscoa.
Aplicação: A Páscoa de Jesus nos inclui no Reino de Deus. Pela fé em seu sacrifício, recebemos perdão e a promessa da vida eterna.
Assim como Saul, podemos ser tentados a buscar aprovação dos outros;
como Davi, enfrentamos falhas, mas encontramos graça;
como Absalão, podemos correr atrás de poder;
como Salomão, deixar que bens materiais nos desviem;
como Roboão, ignorar conselhos sábios; ou, como Jeroboão, criar ídolos modernos, como carreira ou conforto.
Jesus nos chama a viver diferente, refletindo em nós o Seu Reino. Não um reino que nasce de nossas vaidades ou necessidades para nós mesmo, mas do favor de Deus que nos resgata e nos dá a graça de vivermos a plenitude da criação e da eternidade com o seu Filho.
Conclusão: Por que a Páscoa de Jesus ainda é importante para os nossos dias?
Conclusão: Por que a Páscoa de Jesus ainda é importante para os nossos dias?
A Necessidade da Nova Aliança: Sem o sangue de Cristo, não há salvação nem vida eterna. A Páscoa judaica livrava da morte física no Egito; a Páscoa de Jesus livra da morte eterna. Como diz Hebreus 9:22, “sem derramamento de sangue não há perdão”. A cruz foi o preço pago por nossa redenção, e a ressurreição garantiu nossa herança eterna, como João 3:36 promete: “Quem crê no Filho tem a vida eterna.”
A Celebração do Cordeiro Vivo: Hoje, não celebramos um cordeiro morto, mas um Cordeiro vivo! A cruz não foi o fim, mas o começo de um Reino que cresce em corações transformados. Cada Celebração ou Ceia que compartilhamos é um memorial vibrante da vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, nos lembrando que somos parte de seu Reino invertido — um Reino de amor, graça e serviço.
Um Chamado à Ação: A Páscoa de Jesus é nossa esperança. Sem ela, estamos perdidos, ovelhas sem um pastor; com ela, viveremos com Ele, o supremo Pastor. Para sempre ! E ainda hoje, você é convidado a entrar nesse Reino, a viver para o Rei que se entregou por você.
Que tal refletir essa Páscoa em sua vida se rendendo definitivamente a Ele? E que tal se a partir deste domingo, você compartilhasse a verdadeira boa notícia Pascoal: ‘o Cordeiro venceu, Ele vive e Seu Reino é para sempre’.
