O TRIBUNAL DIVINO
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Transcript
CONVITE A LEITURA – NAA – 1 Jo 1.5 - 2.2
Capítulo 1
⁵ A mensagem que dele ouvimos e que anunciamos a vocês é esta: Deus é luz, e não há nele treva nenhuma.
⁶ Se dissermos que mantemos comunhão com ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade.
⁷ Se andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.
⁸ Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos enganamos, e a verdade não está em nós.
⁹ Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.
¹⁰ Se dissermos que não cometemos pecado, fazemos dele um mentiroso, e a sua palavra não está em nós.
Capítulo 2
¹ Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Mas, se alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo.
² E ele é a propiciação pelos nossos pecados — e não somente pelos nossos próprios, mas também pelos do mundo inteiro.
ORAÇÃO
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
Betty Anne Waters. Uma garçonete que levava uma vida simples até o dia que o seu irmão foi acusado injustamente por um assassinato. Convencida da inocência de seu irmão, ela fez o impensável: voltou a estudar, concluiu o ensino médio, entrou na faculdade de Direito e se tornou uma advogada.
Foram 18 anos de luta até que, com a ajuda de testes de DNA e do Innocense Project, ela conseguiu provar a verdade e ver ser irmão fora das grades. Essa é uma história real que gerou um filme chamado “A Condenação”, um relato marcado por amor, perseverança e justiça.
Essa história nos faz pensar sobre o tamanho do amor que aquela advogada tinha pelo seu irmão. Hoje, eu quero te mostrar que o tamanho do amor que o nosso advogado, Jesus Cristo, tem por mim e por você.
Todo ser humano sabe que um dia vai morrer. Todo ser humano já refletiu sobre a morte. Isso não inclui apenas pensar sobre como nós vamos morrer, mas também sobre o que acontece depois.
Essa reflexão é suficiente para nos levar a concluir, como o autor de Eclesiastes disse no capítulo 3 verso 11, que o Senhor Deus “pôs no coração do homem o anseio pela eternidade”. Somos capazes de pensar numa vida após a morte porque essa é uma realidade que o próprio Deus colocou em nós.
Além da reflexão sobre a morte e o que acontece depois que o ser humano morre, a própria natureza também prova a existência de Deus. O Salmo 19 diz que: “¹Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos”.
Em outro lugar das Escrituras, o homem que escreveu a maior parte do Novo Testamento, o apóstolo Paulo, disse na epístola aos Romanos no capítulo 14 verso 12: “todo ser humano prestará contas de si mesmo a Deus”. Tudo isso prova que todo ser humano comparecerá diante de Deus, para prestar contas do que fez com a vida que recebeu.
O texto de 1 João que nós acabamos de ler, em comparação com a história de Betty Waters, nos mostra pelo menos 3 aspectos em que o tribunal humano é diferente do tribunal divino.
Em primeiro lugar:
1. A SINGULARIDADE DO JUIZ
1. A SINGULARIDADE DO JUIZ
EXPLICAÇÃO
EXPLICAÇÃO
No mundo do Direito, o juiz humano inicia a análise do julgamento partindo de provas apresentadas pelos advogados e promotores. São apresentados ao juiz: laudos, perícias, vídeos, fotos, exames de DNA entre outros. Se um juiz não possuir provas suficientes, não é possível condenar uma pessoa, ainda que ela de fato seja culpada pelo crime.
O tribunal humano também pode dar sentenças diferentes a casos semelhantes. Brock Turner, estudante branco e atleta da Stanford University, abusou de uma jovem inconsciente na escola. Ele foi condenado a 6 meses de prisão, dos quais ele cumpriu apenas 3. Cory, um estudante negro e atleta da Vanderblity University, também abusou de uma jovem inconsciente na escola. Ele foi sentenciado a 25 anos de prisão.
Apesar do termo tribunal ou julgamento não fazer parte do texto que nós acabamos de ler, elementos como: juiz, o réu, a culpa, a sentença e o advogado estão presentes aqui. O juiz divino tem características que são singulares. O apóstolo João começa dizendo no versículo 5 que Deus é luz.
Esse versículo é o argumento que fala sobre a competência suprema que o juiz divino tem. A luz nos remete a pureza, santidade; características inerentes ao ser de Deus. Somente Deus, absoluto em seus atributos, pode julgar o mal porque nele não há treva nenhuma. Em Deus não há parcialidade, como no contraste que nós vimos entre o caso de Brock e Cory.
Nenhum outro juiz tem essa característica, apenas Deus é capaz de julgar com justiça e verdade porque ele é, nas palavras de Rudolf Otto, “o totalmente outro”.
João continua explicando que aqueles que afirmam estar em comunhão com Deus, mas vivem nas trevas, estão se enganando. Andar na luz significa viver em conformidade com a verdade e a santidade do Senhor.
APLICAÇÃO
APLICAÇÃO
Como Deus é luz na prática?
1) Adão e Eva não puderam ocultar de Deus o pecado que eles haviam cometido no jardim do Éden; 2) Isaías reconheceu que não era digno de estar na presença de Deus porque era um “homem de lábios impuros” e 3) Jó disse: “Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram. Por isso menosprezo a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza" (Jó 42.5-6).
Adão e Eva comeram do fruto que o Senhor havia proibido, por isso reconheceram o seu pecado e a sua incapacidade de serem como Deus. Isaías reconheceu a sua incapacidade de louvar e adorar a Deus com a pureza e reverência necessárias. Jó reconheceu que Deus está muito acima da sua compreensão e percebeu a sua incapacidade de compreender os pensamentos de Deus.
A singularidade do caráter de Deus nos mostra que ele é diferente de qualquer outro. Não há ninguém que se compare a Deus. Não há outro. E quando nós estamos diante da presença dele, em especial, quando estamos diante da sua Palavra ou em espírito de oração, é impossível esconder as provas do nosso crime. Deus sempre sabe. Ele não precisa ser informado das provas apenas para saber do caso. Deus é luz, nada fica oculto diante dos seus olhos.
Se em primeiro lugar, vimos que o juiz é singular, em lugar nós vamos falar sobre
2. A SINGULARIDADE DO RÉU
2. A SINGULARIDADE DO RÉU
EXPLICAÇÃO
EXPLICAÇÃO
O caso do irmão de Betty é curioso. São raras as situações em que pessoas são sentenciadas a cumprirem uma pena de forma injusta. O caso dos adolescentes Brock e Cory são mais comuns, mesmo que o juiz de Brock tenha agido com parcialidade no julgamento.
No julgamento humano, o réu pode ser considerado inocente caso as provas apresentadas sejam capazes de provar tal situação. Mas também é possível se safar de uma condenação pela falta de provas. Nos filmes e séries de ação, a primeira atitude depois do crime é apagar todas as provas; as armas utilizadas são jogadas nos rios, os corpos das pessoas que foram mortas são enterrados ou queimados e qualquer aparelho eletrônico com rastreador é jogado fora.
Mas o texto que nós lemos mostra que, o réu, ou seja, a humanidade, não pode se esconder sua culpa. No versículo 8, João escreve: Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Em outras palavras, quando tentamos nos justificar, dizendo que não somos tão pecadores assim, ou que não temos do que nos arrepender, estamos vivendo uma autoilusão espiritual.
E por que João escreve essa epístola? Qual o propósito do versículo que nós acabamos de ler?
O propósito geral dessa epístola é apresentar Jesus como aquele que nos aproxima de Deus. E ouvir isso, num certo sentido, soa muito evangelístico; parece que João escreve esta carta com o propósito de apresentar a Cristo para pessoas que não o conhecem.
Mas essa mensagem não para um grupo de descrentes. João escreve para pessoas que já conheciam o evangelho, mas que estavam se enveredando por caminhos que levavam às trevas, caminhos escuros onde Deus não poderia estar porque Deus é luz.
João escreve essa carta no final do primeiro século, mais de 50 anos desde que Jesus ressuscitou. As pessoas começaram a espalhar falsas notícias a respeito do que havia acontecido, e isso gerou uma série de erros doutrinários que levaram à criação de grupos chamados de hereges.
Para muitos, Jesus não teve um corpo de carne e osso. Para outros, Jesus se tornou um ser divino no batismo e antes de morrer, deixou de ser um ser divino e morreu apenas como um homem.
Muitas dessas doutrinas da época, além de negar a divindade de Cristo, também negavam que o ser humano era pecador. Essas doutrinas afirmavam que o ser humano não nasceu em pecado.
Diziam que tinham avançado tanto no caminho do conhecimento, que o pecado havia deixado de ter importância para eles. Essa doutrina ficou conhecida no segundo século como gnosticismo. Diziam ter progredido tanto que para eles não havia bons motivos para seguir os mandamentos e as leis.
O fato é, sendo você um conhecedor das Escrituras ou não, nenhum ser humano é capaz de fugir do tribunal divino.
APLICAÇÃO
APLICAÇÃO
É interessante notar que João está falando com crentes. Isso mostra que o reconhecimento do pecado não é apenas um ato inicial na conversão, mas uma postura contínua na vida cristã. A verdadeira maturidade espiritual não se revela em alguém que diz “já venci o pecado”, mas sim em quem, com humildade, reconhece: “Ainda luto contra ele e dependo da graça de Deus todos os dias”.
O apóstolo Paulo não deixa dúvidas quando escreve em Romanos 3.23 que “todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus”. No tribunal divino, o réu é universal. Todo ser humano, toda criatura e toda a criação sofrem as consequências do pecado. Ninguém é capaz de escapar dessa culpa.
Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça. O verbo "confessar", no original grego (homologōmen), significa literalmente “dizer o mesmo”, ou seja, concordar com Deus, admitir aquilo que Ele já vê. A confissão verdadeira não é apenas listar erros, mas é uma postura de honestidade diante da luz.
Em terceiro e último lugar, o tribunal divino é diferente do tribunal humano quando falamos sobre:
3. A SINGULARIDADE DO ADVOGADO
3. A SINGULARIDADE DO ADVOGADO
EXPLICAÇÃO
EXPLICAÇÃO
O advogado humano é responsável por representar de uma pessoa. Ele apresenta as provas da inocência do réu e entrega os documentos diante do juiz. Ele faz aquilo quie estava ao seu alcance.
Mas, independentemente de ganhar ou perder a causa, o advogado volta para casa porque ele mesmo não é afetado pessoalmente pela sentença do juiz humano.
Depois de revelar a santidade do Juiz e a culpa inevitável do réu, João agora nos apresenta o nosso Advogado, Jesus Cristo.
O perdão não é uma desculpa para o pecado, mas um incentivo à pureza. No entanto, João é realista. Ele sabe que, mesmo com esse chamado à luz, o pecado ainda é uma realidade na vida do crente. Por isso ele completa: “Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai: Jesus Cristo, o Justo.”
O capítulo 2 começa com um tom pastoral, cheio de ternura: “¹ Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem”. Essa é a intenção de todo o ensino anterior: conduzir o povo de Deus à santidade.
APLICAÇÃO E PONTE CRISTOCÊNTRICA
APLICAÇÃO E PONTE CRISTOCÊNTRICA
A maneira pela qual o réu pode se achegar até o juiz é através de um advogado que represente a sua causa. Parece estranho dizer que para conhecer uma pessoa eu preciso, antes, conhecer alguém que me apresente a essa pessoa.
Mas essa é a realidade. O próprio Cristo disse a respeito de si mesmo: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”, João 14.6.
Duas palavras aqui são importantes para entendermos a singularidade do nosso advogado, Jesus Cristo. A palavra grega para confessar, que significa “dizer o mesmo”, recebe um sentido mais profundo aqui.
A palavra para advogado, parákleton, é constituída de outras duas palavras: a preposição para (que significa “junto de”) e o verbo “kaléo” (que significa “chamar”), ou seja, um advogado é “aquele que chamamos para junto de nós”. E aqui eu preciso abrir um parêntesis: quantos de nós oramos confessando os nossos pecados e saímos diante da presença do Senhor “pesados”? Aquela oração que te deixa com dúvidas.
Se no contexto que nós estamos envolvidos com as Escrituras dia e noite, nós as vezes podemos ter com dúvidas de que nós fomos perdoados, imagina os membros das nossas igrejas? Quantas pessoas oram e têm dúvidas sobre o seu perdão?
É por isso que esse texto nos diz que, quando nós confessamos os nossos pecados (repetimos diante de Deus uma culpa que ele já conhece), mas quando oramos em nome de Jesus (aquele que nós chamamos para junto de nós), ele se torna o nosso advogado (ou seja, aquele que quando nós chamamos para junto de nós assume a nossa culpa em nosso lugar).
Deus é luz. E como nós falamos, Deus é puro, santo e verdadeiro. Naturalmente, alguém que pode nos apresentar a Deus também precisa andar na luz, também precisa ser puro, santo e verdadeiro. É por isso que, em outro lugar nas Escrituras, Jesus também disse a respeito de si mesmo: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida”, João 8.12.
A capacidade de “andar na luz” não é nossa, mas antes do próprio Cristo porque ele “é a luz do mundo”. Mas porque ele recebeu a condenação que era nossa, nós podemos viver para Deus. Somos chamados a viver conforme ele andou, não para sermos salvos, mas porque fomos salvos vivemos uma vida que obedece aos seus mandamentos por amor!
E nessa caminhada, não estamos sozinhos. Lembra que uma das características do réu é que ele é universal? Pois bem, aquele que era o único Filho de Deus, Jesus Cristo, nos salva e purifica de todo pecado. Não existe mais filho único, existe o primogênito e os outros irmãos: eu e você e todo aquele que crer no nome de Jesus.
É pela morte e ressureição de Jesus Cristo que eu e você temos o perdão pelos nossos pecados, a união com ele para uma vida transformada e a garantia de que, assim como ele ressuscitou, com ele ressuscitaremos! A nossa antiga sentença de morte foi transformada numa sentença de vida eterna!
Essa é história da nossa justificação. O justo morreu pelo injusto. O sangue do justo foi derramado injustamente para nos fazer justos diante de Deus. Por isso, eu te convido para orar nesse momento confiando que Jesus intercede continuamente diante de Deus, e por isso, podemos ter a certeza de que fomos perdoados dos nossos pecados para viver em novidade de vida!
