Rm 4.9-25 (13) Justificação pela fé: Abrão e o selo da fé
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Introdução
1. No texto anterior (4.1-9) Paulo descreve a ineficácia de alguém pensar que pode ser justificado, ou seja, ser aceito por Deus por ter feito alguma coisa para ajudar em sua salvação. Antes a salvação, inclusive de Abrão e Davi foram alcançadas pela suprema manifestação de seu Filho. Ver (Jo 8.56 - Abraão viu o meu dia).
2. Os judeus ainda pensavam em oferecer sacrifícios para serem aceitos por Deus, e os gentios, antes de se converterem, não eram diferentes neste aspecto. A única diferença estava no monoteísmo e no politeísmo. Mas, apesar dos judeus crerem no Senhor, que se manifestou na sarça ardente, e depois no Monte Sinai, ainda colocavam a fé nos elementos subservientes à fé. Hoje - muitos creem que ser batizado e tomar a Ceia, e ajudar a igreja com dízimos e ofertas são coisas que contribuem para a salvação delas. Vamos observar que estas coisas são reflexos (comportamento) de alguém que já passou pelo arrependimento, que conhece seu estado de pecador, e foi agraciado pela presença do Espírito Santo.
3. Portanto, depois de afirmar que ninguém sera justificado por alguma obra, os judeus, agora cristãos precisavam ser libertos da confiança na circuncisão e são exortados a por a fé não na circuncisão, mas em Cristo.
I - A fé e a circuncisão (v.9-15)
4. A Justiça de Deus manifestada em Cristo retirou os empecilhos, que anteriormente eram necessários por ser a representação ou sombra da graça revelada em Cristo. A graça foi como escancarada, descoberta e o crente hoje enxerga claramente a obra de redenção que Deus manifestou, e que já havia sido prometida pelos profetas. (Jeremias 31.31 - Eis aí vêm dias, diz o Senhor, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. 32 Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver desposado, diz o Senhor. 33 Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.)”
5. Faça esta pergunta: é fácil largar um vício? Fácil é frequentar o Templo e cumprir obrigatoriamente as prescrições da igreja, que dão uma certa visibilidade de santidade, e pode ser até importante porque é possível alguém se beneficiar desse STATUS nominal de religioso.
6. Mas a pergunta que vc deve responder é: a mudança daquilo que está cristalizado em nossa mente é fácil? Vc é torcedor do Corintians, de repente passa a torcer pelo Palmeiras?
7. Vc tem ideia do que era a circuncisão para um judeu? Desfazer a ideia de que a circuncisão era uma aliança que veio depois que Deus considerou Abrão justo, não era tão simples. Porque a circuncisão era tão importante na cultura de Israel, que fazia parte da cidadania dos judeus. Ser um circunciso era o mesmo que ser um cidadão romano.
*Todo judeu era obrigatoriamente circuncidado ao oitavo dia de nascido. Quem não era circuncidado, era considerado um desertor da pátria. Só entravam no Templo os circuncidados (veja Ezequiel 44.9 - Assim diz o Senhor Deus: Nenhum estrangeiro que se encontra no meio dos filhos de Israel, incircunciso de coração ou incircunciso de carne, entrará no meu santuário.”
8. Ficar livre da circuncisão não era tão simples como nós pensamos. Isso era um problema para o judeu. Não era a toa que os primeiros irmãos foram perseguidos. Mas, eles deveriam se preparar para receberem a salvação, assim como Simeão e Ana, os quais quando viram aquele menino, ser apresentado no Templo, se regozijaram. Simeão declara - agora podes despedir o teu servo, porque os meus olhos já viram salvação (Lc 2.29).
9. Paulo sabia que para mudar o que estava cristalizado no coração não seria tão fácil - (v.9). Por isso, ele traz o patriarca Abrão aos olhos do novo crente judeu de Roma e diz como Abrão foi considerado JUSTO. A salvação pela fé, não é uma nova doutrina, porque Abrão lá em Gn 15, foi considerado justo por Deus, antes de ser circuncidado.
*Gn 12 Abrão creu na promessa de herdar uma nova terra; Gn 15 Abrão está em dúvida quanto ao herdeiro, mas é aqui que Deus lhe dá uma nova direção e revela coisas que ainda estavam encobertas; Gn 17.23 - Ismael com treze anos, Deus estabelece a circuncisão. E os v.10, Paulo pergunta - Em que condição Abrão foi considerado justo? Circuncidado ou sem a circuncisão? Sem a circuncisão - isto é, antes de ser circuncidado. Antes de qualquer rito.
10. V.11-13 - Recebeu a circuncisão como selo (marca) da fé, para ser o pai da fé dos circuncisos e incircuncisos. Como a circuncisão veio depois da fé, então os gentios que não eram circuncidados tinham o mesmo direito de poder ter acesso a Deus por meio da fé de Abrão, sem nenhuma obrigação de marca externa. Coisa que não era aceitável pelos judeus.
11. V.14 - Os herdeiros de Deus são os da fé de Abrão, não os da Lei, pois Abrão viveu 430 anos antes da Lei mosaica. Por isso, os cidadãos do céu não são os que cumprem a Lei, mas os que foram chamados para obterem a mesma fé do patriarca. Pois se fosse por cumprir a lei, somente os perfeitos poderiam ser salvos. E como não existe UM PERFEITO, Deus fez uma promessa e ela se cumpriu. Os salvos são salvos pela justificação naquele que viria a ser maior que Moisés, Jesus, o Cristo, o UNGIDO de Deus.
12. V.15 - A lei é como um painel de Vidro com a descrição - “não jogue pedra”. Aí que existe o desejo de ver o que acontece quando uma pedra é arremessada nesse vidro. A lei deveria ser obedecida, mas quando desobedecida mostra a IRA de Deus.
II - A certeza da justificação pela fé (v.16-17)
13. Para ser firme a promessa - A justiça de Deus que se manifestou por meio do sacrifício de Jesus Cristo, justifica o pecador arrependido. Em outras palavras, esse pecador é perdoado, considerado justo recebendo a bem aventurança da salvação. Obtendo a vida eterna. Isso é graça. Graça é o que pecador salvo recebe. Portanto, a salvação é uma obra inteiramente de Deus para o homem, e não do homem para Deus.
14. Por isso, a fé não é naquilo que alguém imagina. A fé não é algo que vem em sua mente por que vc quer. A razão questiona a fé por que é algo espiritual. A fé é em Deus, naquilo que Ele fala nas Escrituras. Deus disse a Abrão - por pai de muitas nações e constituí. Esses filhos estão espalhados pelas nações. Ele creu por crer na promessa. Creu no Deus que vivifica até os mortos - Abraão tinha certeza que Deus não mataria seu Filho Isaque, mas mesmo que ele fosse sacrificado seria ressuscitado (Hb 11.19).
15. Essa era a fé de Abraão.
III - A fé de Abrão (v.18-25)
16. Esperou contra a esperança, creu (v.18)- A fé em ser o pai de muitas nações. Para ser pai de muitas nações, humanamente, era preciso ter muitos filhos. Não se cria uma grande nação com um filho. Mas, o problema de Abrão era muito mais complexo. Abrão não tinha nem um filho, quando Deus lhe disse - serás pai de numerosas nações (Gn 17.4). Porém, em Gênesis 15.1,2- Respondeu Abrão: Senhor Deus, que me haverás de dar, se continuo sem filhos e o herdeiro da minha casa é o damasceno Eliézer?”
17. Paulo descobriu que “Deus faz das coisas que não são para que sejam”. Deus humilha o conhecimento humano e exalta o que nada é. Em Abrão está o modelo de fé e esperança, que o homem perdeu. Com 99 anos, ou seja, já envelhecido, amortecido (Hb 11) e Sara, além de estéril, também havia cessado o costume (menstruação).
18. Sem enfraquecer na fé (v.19)- Em Abrão está o modelo de fé e esperança, que o homem perdeu. Com 99 anos, ou seja, já envelhecido, amortecido (Hb 11) e Sara, além de estéril, também havia cessado o costume (menstruação). Abrão não foi incrédulo para com a promessa.
IV - A justificação pela fé de Abrão e nossa (v.17b, 21, 22-25)
19. Abraão tinha a fé naquele que ressuscita os mortos. Paulo está lembrando aos irmãos sobre o sacrifício que Deus pediu do filho da promessa (Isaque). Agora, imagine, Deus promete o filho e pede para Abraão sacrificar esse filho que tanto ele esperou?
20. Abraão creu que seu filho, mesmo depois de morto seria ressuscitado, porque Deus não invalidaria sua promessa.
21. Como isso importa para nós? Abraão creu e foi considerado justo pela fé no Deus que tem poder para ressuscitar os mortos. O que Paulo diz de nós no v.23 - 25 - em especial o v.24 e 25 - foi escrito como exemplo de fé naquele que ressuscitou Jesus.
22.Ressuscitou Jesus para nossa justificação. A justiça divina sobre o Filho, satisfez, cumpriu a justiça de Deus, e operou para que aqueles que obtiveram fé sejam declarados justificados. Isaque é um tipo de filho que “foi” oferecido a Deus como sacrifício. Mas, Deus não poderia aceitar esse sacrifício para salvar outro pecador. Deus precisava de um sacrifício que pudesse purificar plenamente o pecador. Que perdoasse o pecador pela fé. E isso Ele fez por meio de seu único Filho (Jo 3.16).
Conclusão - A circuncisão do judeu, o batismo cristão, a ceia são elementos que se originam da fé. O batismo não é a causa da fé. A circuncisão não é a causa, esses sacramentos são o efeito. O Batismo deve ser o efeito da fé. Você toma a Ceia como o efeito da comunhão e fé em Cristo. A mudança é o efeito da fé. Seu ministério no reino de Deus é o efeito da fé.
*Hoje se ouvirdes a sua voz...a represa estourou, o alerta foi dado, mas o céu estava limpo?
