DEIXE A LUZ BRILHAR

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LUCAS 8.16-18

16 Ninguém, depois de acender uma candeia, a cobre com um vaso ou a põe debaixo de uma cama; pelo contrário, coloca-a sobre um velador, a fim de que os que entram vejam a luz.
17 Nada há oculto, que não haja de manifestar-se, nem escondido, que não venha a ser conhecido e revelado.
18 Vede, pois, como ouvis; porque ao que tiver, se lhe dará; e ao que não tiver, até aquilo que julga ter lhe será tirado.

INTRODUÇÃO

O livro de 2 Reis, capítulo 7, narra um episódio marcante da história de Israel. Jerusalém estava sitiada pelo exército do rei Senaqueribe; ninguém podia entrar ou sair da cidade. O cerco trouxe desespero, fome e morte. Nesse contexto, o rei Ezequias recebe uma carta afrontando o Deus vivo. Humilhado, ele estende aquela carta diante do altar do Senhor e clama por intervenção divina. Deus ouve sua oração e, naquela mesma noite, envia o Seu anjo que derrota poderosamente o inimigo: cento e oitenta e cinco mil soldados caem ao fio da espada. Pela manhã, o exército inimigo jazia destruído. No entanto, dentro dos muros da cidade, o povo ainda não sabia da grande vitória que Deus lhes concedera.
Surpreendentemente, os primeiros a descobrir a libertação não foram os soldados nem os líderes da cidade, mas quatro leprosos que viviam do lado de fora dos portões de Jerusalém. Homens marginalizados, desprezados, vivendo à margem da sociedade, mas que, na sua fome e desespero, ousaram se mover em direção ao acampamento inimigo. Quando chegaram, encontraram o arraial abandonado, tendas cheias de provisões, armas largadas ao chão — o livramento já havia sido realizado por Deus. Inicialmente, pensaram em suprir suas próprias necessidades, alimentando-se e recolhendo os despojos. Mas logo se deram conta de uma verdade inescapável: "Não fazemos bem; este dia é de boas novas, e nos calamos? Se esperarmos até a luz da manhã, algum mal nos sobrevirá; vamos e anunciemos isto à casa do rei" (2 Reis 7.9). Eles entenderam que não podiam guardar aquela notícia apenas para si. Era urgente compartilhar a boa nova com aqueles que ainda viviam no temor e na escuridão dentro da cidade.
Esta é a essência do que Jesus nos ensina em Lucas 8.16-18. A luz que recebemos não deve ser escondida debaixo de um vaso ou colocada sob a cama. Ela deve ser erguida no velador, para que todos a vejam e sejam iluminados. Assim como aqueles leprosos não ocultaram as boas novas de livramento, nós também não podemos reter a luz do Evangelho. Deixe a luz brilhar! Esta é a convocação de Cristo a todos nós: não podemos manter em segredo aquilo que Deus nos revelou. A mensagem de salvação, a libertação realizada na cruz, precisa ser proclamada ao mundo inteiro, porque há muitos que ainda vivem nas sombras da dúvida, do medo e da morte espiritual.
Abra o seu coração para a Palavra do Senhor, mas também mova seus pés para proclamar essa mensagem libertadora para aqueles que, a passos largos, caminham para a perdição sem conhecer o Senhor. A mensagem de hoje é para nos despertar sobre isso: recebemos a luz não para escondê-la, mas para irradiá-la com ousadia. Deus não nos iluminou para que ficássemos satisfeitos apenas com o brilho que nos alcançou, mas para que nos tornássemos portadores dessa luz, conduzindo-a até os lugares mais sombrios deste mundo.
Há muitos que ainda vivem cercados por muralhas de medo e pecado, famintos por uma esperança verdadeira, e Deus, em Sua graça, escolheu usar a mim e a você como arautos dessa libertação. Não podemos permanecer calados quando sabemos que fora dos muros da segurança que temos em Cristo há um mundo perecendo sem a luz da verdade. Este é um chamado urgente, uma convocação divina para que sejamos fiéis ao nosso papel de proclamadores.
Por isso, com humildade e temor, ouçamos atentamente a Palavra do Senhor nesta hora. Que o Espírito Santo nos leve a compreender que toda a revelação recebida não foi dada para ser guardada, mas para ser anunciada com coragem e fidelidade. Que hoje, ao meditarmos em Lucas 8.16-18, sejamos despertados a deixar a luz brilhar — não apenas em nós, mas através de nós, até que muitos sejam alcançados para a glória de Deus.
Então vamos ao primeiro ponto:

1. Luz acesa não se esconde (Lucas 8.16)

“Ninguém, depois de acender uma candeia, a cobre com um vaso ou a põe debaixo de uma cama; pelo contrário, coloca-a sobre um velador, a fim de que os que entram vejam a luz.”
Quando Jesus faz a Parábola do semeador a a interpreta aos discípulos, ensinando os princípios do Reino de Deus, Jesus estava acendendo uma candeia. A Palavra de Deus, ao mesmo tempo que Ela é a semente lançada a diferentes solos, a diferente corações, Ela também é Lâmpada para os pés, Ela é luz para o caminho, como declara o Salmo 119.105.
E o que os discípulos deveriam fazer com essa luz? Não era para escondê-la, mas para colocá-la sobre o velador, para que todos pudessem vê-la. As casas da Palestina eram geralmente escuras, e a luz de uma lamparina era fundamental para iluminar todo o ambiente. Geralmente a candeia era um objeto de cerâmica com um bico onde se colocava o pavio, isto é, um tecido que conduzia o azeite queimando lentamente para gerar a luz, tinha um furo para colocar o azeite e uma alça, como uma asa de caneca para segurar. Esconder uma lâmpada acesa era impensável, aliás, é até incoerente acender uma lamparina para depois escondê-la — assim como é impensável ocultar a verdade do Reino de Deus.
A candeia não deve ficar debaixo do vaso ou da cama, sufocada pelas preocupações cotidianas, pela busca do conforto ou pela preguiça espiritual. Pelo contrário, o discípulo deveria pôr a candeia num velador, num candeeiro, num suporte elevado para melhorar a iluminação do ambiente — isto é, viver e pregar a verdade abertamente, permitindo que sua luz brilhasse intensamente no meio da escuridão deste mundo.
A luz da verdade não nos foi dada para ser retida, abafada ou enterrada, mas para ser proclamada com ousadia. Deus nos deu o privilégio de conhece-lo através de Sua Palavra não para que escondêssemos ou guardássemos, do contrário, as Escrituras foram reveladas a nós com o objetivo de proclamarmos, de anunciarmos o Evangelho de Jesus, como diz a Palavra de Deus em Marcos 16.15: "Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura". Essa comissão não é opcional, nem exclusiva para alguns poucos chamados, mas uma ordem direta do Senhor a todos quantos foram alcançados pela luz do Evangelho.
Como também testifica o apóstolo Paulo: "Ai de mim se não anunciar o evangelho!" (1 Coríntios 9.16). Esse peso da responsabilidade não nasce de uma imposição externa, mas de um profundo senso interno de gratidão e dever, de quem compreende que a luz recebida precisa urgentemente alcançar os que ainda estão em trevas. O mesmo apóstolo, escrevendo aos Romanos 10.14, declara que “como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?”
A luz do Evangelho deve brilhar não apenas nas palavras que pronunciamos, mas também em nossas atitudes e modo de viver. Jesus nos advertiu: "Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos os que estão na casa" (Mateus 5.14-15).
Portanto, compreendemos que o chamado para proclamar a verdade é inseparável do privilégio de recebê-la. A Palavra nos alcançou para que ela, através de nós, alcance outros. Como disse o profeta Isaías, no chamado do Senhor: "Levanta-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do Senhor nasce sobre ti" (Isaías 60.1).
Ao compreender essa verdade, nos tornamos como atalaia nas muralhas, incumbidos de anunciar a chegada da luz antes que a escuridão tome conta. Não podemos, portanto, permanecer silenciosos. Como afirma o profeta Jeremias: "Mas, se digo: ‘Não o mencionarei nem mais falarei em seu nome’, então a sua palavra queima como fogo em meu coração. É fogo dentro de mim, estou exausto tentando contê-lo; não posso aguentar!" (Jeremias 20.9, NVI).
Assim, carregamos em nosso ser essa chama viva da proclamação. Que ela nunca se apague! Antes, que sejamos fiéis depositários da luz, que a elevemos bem alto, sobre o velador, para que brilhe em meio às trevas e conduza muitos à verdade de Cristo.
Precisamos repartir com os outros essa luz, pois encontramos o pão da vida e precisamos dizer aos famintos que há alimento disponível; encontramos o Messias e devemos contar aos perdidos que a salvação chegou. A luz do Evangelho não é um segredo esotérico, reservado para poucos privilegiados. O Reino de Deus não é uma religião de mistério nem uma doutrina fechada, mas uma verdade destinada a sair do esconderijo e alcançar os telhados do mundo.
Como filhos do Reino, devemos ser embaixadores dessa luz. Somos chamados a ser anunciadores de boas novas, arautos da verdade, fachos de luz a brilhar diante do mundo. Nossa vida deve se transformar em um púlpito vivo, aproveitando todas as oportunidades para espalhar a luz do Reino. Não podemos receber o conhecimento da Palavra e guardá-lo apenas para nós mesmos, escondendo essa luz dentro do vaso ou debaixo da cama. Não podemos enterrar nossos talentos, esconder nossa luz, calar nossa voz ou nos omitir covardemente diante das trevas que nos cercam.
Os rabinos dos dias de Jesus estavam escondendo a Palavra debaixo de um sistema elaborado de tradições humanas e ações hipócritas. Suas regras sufocavam a essência da mensagem divina. Em contraste, Jesus, o maior de todos os mestres, pela natureza de seu ensino, pela excelência de seus métodos e pela grandeza do seu exemplo, revelou o coração de Deus. Ele acendeu a luz da verdade por meio de suas parábolas, revelando os mistérios do Reino de Deus aos discípulos e, por extensão, à Igreja.
Como fez Lutero ao fixar suas 95 teses na porta da igreja de Wittenberg, nós também não podemos reter a verdade que recebemos. Devemos proclamá-la abertamente, corajosamente, como embaixadores do Reino. Precisamos dizer com clareza ao mundo que há pão para os famintos e salvação para os pecadores.
O Reino de Deus requer que cada filho da luz se levante como um arauto, um proclamador destemido da verdade. Somos embaixadores do Reino, portadores de uma mensagem de vida que precisa brilhar sobre os telhados do mundo inteiro. Não podemos nos acomodar nem nos calar. A luz da verdade não foi acesa para ficar oculta, mas para iluminar cada canto da terra, até que o mundo inteiro veja e conheça a glória do Evangelho de Cristo.
Portanto, à medida que nos tornamos proclamadores da luz, que é a Palavra de Deus, compreendemos que sua missão vai além de simplesmente iluminar o caminho — ela também revela verdades escondidas, desfaz ilusões e confronta o engano. A luz não apenas orienta, ela revela! E é sobre isso que vamos refletir agora: os segredos que a luz revela.

2. SEGREDOS QUE A LUZ REVELA (Lucas 8.17)

“Nada há oculto, que não haja de manifestar-se, nem escondido, que não venha a ser conhecido e revelado.”
Irmãos, quando a luz é erguida e resplandece com vigor, ela não apenas guia os que estão perdidos, mas também revela aquilo que antes estava escondido.
Quanto mais luz tiver o ambiente, mais as impefeições serão reveladas. A luz de Cristo, ao brilhar nas profundezas do coração humano e nas estruturas deste mundo, expõe segredos, desnuda intenções ocultas e traz à tona tudo aquilo que permaneceu encoberto nas sombras. É exatamente isso que Jesus declara no verso 17: “Porque não há coisa oculta que não venha a ser manifesta; nem escondida que não venha a ser conhecida e revelada”.
O texto nos mostra que, se permitirmos que a mensagem de Deus seja abafada por nossos negócios, distrações ou preguiça espiritual, nossa negligência será um dia exposta. Tentamos esconder a verdade, mas ela será revelada; tentamos manter as coisas em segredo, mas Deus as tornará conhecidas. Podemos enganar ou esconder qualquer coisa de qualquer pessoa que seja, mas não há nada que não seja confrontado e trazido à luz quando estiver diante de Deus que conhece todas as coisas. É o que diz a Palavra de Deus em Hebreus 4.13: “E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas.” Isto é, diante de Deus, nada permanece oculto. Todos os pensamentos, intenções e ações são plenamente visíveis ao Senhor. Aquilo que tentamos esconder, seja por vergonha ou por conveniência, será inevitavelmente exposto, pois Ele vê com clareza absoluta tudo o que o coração humano tenta ocultar.
A verdade é indestrutível. Podemos resistir a ela, tentar sufocá-la ou negá-la, mas jamais conseguiremos destruí-la. Ela permanece firme, imutável, aguardando o momento em que será plenamente manifestada pela luz de Cristo.
Na história, vemos exemplos vívidos disso. Nicolau Copérnico, temendo represálias, escondeu por trinta anos sua descoberta de que a Terra gira em torno do sol. Mesmo assim, pouco antes de morrer, sua obra foi publicada e não pôde mais ser ignorada. Galileu Galilei, ao seguir a mesma verdade, foi forçado pela Inquisição a se retratar. No entanto, embora ele tenha sido silenciado, a verdade que ele defendeu seguiu seu caminho — atacada, torcida, reprimida, mas jamais vencida.
Assim também é a verdade divina. No juízo final, todas as coisas serão reveladas. Aqueles que pecaram às escondidas, que enganaram as autoridades ou que praticaram suas maldades longe dos olhos humanos terão suas obras manifestas diante do tribunal de Deus. A verdade pode até demorar a se revelar, mas ela jamais será sepultada no esquecimento.
Por isso, a exortação de Jesus é urgente: "Vede, pois, como ouvis." A forma como lidamos com a verdade de Deus tem implicações eternas. Não basta escutar superficialmente; devemos ouvir com fé viva, reconhecendo que toda a Palavra de Deus é verdadeira e permanecerá para sempre. Os judeus, nos tempos de Jesus, ouviram a Palavra, mas ela para eles, não serviu de nada, porque estava acompanhada de fé”, é o que diz o texto de Hebreus 4.2 “Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, como se deu com eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé naqueles que a ouviram.”
Além disso, devemos ouvir com reverência, como os tessalonicenses, que receberam a mensagem de Paulo “não como palavra de homens, e sim como, em verdade é, a palavra de Deus” (1Ts 2.13). E, sobretudo, devemos ouvir com o coração, suplicando a bênção de Deus antes, durante e depois da pregação. Muitos falham nesse ponto, e o sermão passa por suas vidas como água por um vaso furado, sem deixar proveito algum.
Portanto, não nos aproximemos da luz de Cristo de forma descuidada ou indiferente. Antes, tenhamos fé, reverência e oração. Se assim fizermos, a luz divina revelará não apenas as trevas do mundo, mas também iluminará o nosso próprio caminho, para que sigamos firmes na verdade que jamais será vencida.
Então meus irmãos, compreendemos que a maneira como respondemos à luz da verdade é crucial. Os fariseus estavam diante da luz que é o próprio Deus encarndado e não o reconhecerem e se submeteram a Ele.
A luz de Cristo, a Palavra de Deus, não apenas revela os segredos ocultos, mas também exige de nós uma atitude responsável diante do que nos foi revelado. Não podemos permanecer indiferentes após sermos iluminados; somos chamados a ouvir com atenção, receber com fé e viver à altura da revelação que Deus nos concede. Por isso, Jesus segue dizendo no versículo 18: “Vede, pois, como ouvis”. Ou seja, não basta apenas que a luz brilhe e os segredos sejam desvendados — é necessário que estejamos atentos a como reagimos à Palavra que ouvimos. E é sobre isso que falaremos no nosso último ponto.

3. OUVIDOS QUE FAZEM FLORESCER A LUZ (v.18)

Se a luz de Cristo revela tudo o que está oculto, como vimos, isso nos chama a uma postura de profunda responsabilidade diante da verdade que nos foi exposta. A revelação divina não é apenas para informação, mas para transformação. A maneira como reagimos ao que Deus ilumina em nossas vidas define se essa luz produzirá frutos ou será desperdiçada. Por isso, Jesus nos adverte com clareza no versículo 18: “Vede, pois, como ouvis”. Aqui, Ele nos chama a cultivar ouvidos atentos e obedientes, que não apenas escutam superficialmente, mas acolhem a Palavra de tal forma que ela floresça em nossas vidas, iluminando não só nosso caminho, mas também o daqueles que estão ao nosso redor.
Jesus enfatizou repetidamente, neste capítulo, a necessidade urgente de prestarmos atenção ao que ouvimos. Em Lucas 8.8 Jesus convocou a “Quem tem ouvidos para ouvir, então ouça.” no versículos Lucas 8.12–15 fala da semente que caiu na boa terra são os que, tendo ouvido de bom e reto coração, retêm a palavra; estes frutificam com perseverança.”
Ouvir, na caminhada cristã, não é algo passivo; pelo contrário, é o principal meio pelo qual a graça de Deus é semeada em nossa alma. É o que diz a Palavra de Deus em Rm 10.17 que "a fé vem pelo ouvir a palavra de Cristo", e é por meio desse ouvir atento que somos incluídos em Cristo, quando acolhemos "a palavra da verdade".
Como disse Paulo em Efésios 1.13 pois recebemos o evangelho da vossa salvação, quando cremos em Jesus, então fomos selados com o Santo Espírito da promessa”.
A pregação da Palavra não apenas comunica conhecimento, mas manifesta a glória de Deus, alimenta a fé do crente e impulsiona o amor na prática diária.
Por isso, devemos inclinar cuidadosamente os nossos ouvidos para atender ao que ouvimos que vem do Senhor. No reino espiritual, a estagnação não existe: não dá para ficar imobilizado nas questões espirituais. Ou avançamos ou retrocedemos.
A obediência à Palavra sempre resulta em bênçãos, enquanto a desobediência traz prejuízo inevitável. De fato, "cada bênção é garantia de maiores bênçãos por vir" . É o que João disse em seu evangelho em (João 1.16 ) “Porque todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça.”
Quando somos fiéis em compartilhar a verdade que recebemos, Deus, em sua graça, continua a revelar-nos verdades novas e mais profundas, ampliando nossa compreensão e comunhão com Ele. Mas isso depende de como reagimos a Palavra de Deus que recebemos, é a mesma forma da promessa de Deus para seu povo em Deuteronômio 28: bênção para quem ouve e obedece, maldição para quem despreza a sua voz.
A Palavra nunca nos deixa neutros — ela nos conduz à vida quando acolhida com fé, ou ao endurecimento quando rejeitada. Portanto, o caminho diante de nós se define pela resposta que damos a cada porção da verdade revelada: se a guardamos e praticamos, recebemos mais luz; se a negligenciamos, até mesmo a pouca luz que temos se apaga.
É importante entender que o que não usamos, acabamos perdendo. Lembra-se das parábolas dos talentos em Mateus 25.14-30? Aqueles que se dedicam mais recebem mais, enquanto os que negligenciam, até o pouco que têm será tirado. A sabedoria divina nos ensina: "Devemos compartilhar se quisermos conservar." Se paramos de dar, paramos de receber. Essa é uma dinâmica espiritual inevitável: o quanto usufruímos dos meios de graça depende de como os utilizamos. Quanto mais nos empenhamos em usá-los de maneira fiel, mais abundantes serão os frutos espirituais que Deus nos oferece.
Portanto, não basta frequentar a igreja e ouvir sermões; é possível fazer isso por muitos anos e, paradoxalmente, não apenas não aproveitar nada, como ainda piorar espiritualmente. Por isso a exortação bíblica: "Vede, pois, como ouvis."
Ouvir com proveito exige fé, crendo plenamente que toda a Palavra de Deus é verdadeira e eterna. Requer também reverência, reconhecendo que a Bíblia é, de fato, o livro de Deus. E, acima de tudo, devemos ouvir com o coração, suplicando pela bênção divina antes mesmo que o sermão comece, e rogando novamente por essa bênção quando a mensagem for concluída, para que a Palavra encontre morada frutífera em nossa vida.
Dessa forma, o convite de Jesus em Lucas 8.18 para que "vejam, pois, como ouvem" é um chamado à introspecção e à transformação. A maneira como ouvimos a Palavra de Deus molda nossa vida espiritual, nosso caráter e nossas ações. Não se trata apenas de ouvir com os ouvidos, mas de ouvir com o coração, de maneira diligente e reverente, permitindo que a luz da verdade se derrame em nossas vidas, tornando-se fonte de bênçãos para nós e para os outros. Que possamos, portanto, ser ouvintes atentos e obedientes, para que a luz de Cristo floresça plenamente em nós, iluminando todos os aspectos da nossa caminhada com Ele e refletindo Sua glória no mundo.

CONCLUSÃO

Ao refletirmos sobre mais esse ensino de Jesus, entendemos que a luz de Sua Palavra não é para ser escondida, mas deve brilhar visivelmente em nossas vidas.
A luz de Cristo revela os segredos do coração, trazendo à tona aquilo que estava oculto, para que, ao sermos iluminados, possamos ser canais dessa luz para os outros.
Ouvir com fé e praticar o que ouvimos é a chave para que essa luz floresça em nossa vida, iluminando o caminho, transformando-nos e impactando aqueles que nos rodeiam.
Jesus não apenas nos chama para ser ouvintes atentos, mas nos convoca a viver de forma que a Sua verdade se manifeste em ações concretas e abençoadoras. Assim, a obediência à Palavra resulta em mais luz, mais revelação e mais frutos espirituais.
A luz de Cristo é um tema central em toda a Escritura. Desde a criação, onde Deus disse "Haja luz", até a revelação plena de Cristo como a Luz do Mundo (João 8.12), a luz simboliza a verdade divina, a salvação e a transformação que só podem ser encontradas em Jesus.
A passagem de Lucas 8 nos chama a responder a essa luz de maneira ativa, permitindo que ela se reflita em nossa vida, assim como o evangelho nos ensina que somos chamados a ser "luz do mundo" (Mateus 5.14).
A luz que recebemos de Cristo deve ser compartilhada, pois quanto mais a praticamos, mais ela se expande.
Gostaria de encerrar com 5 aplicações práticas para a nossa vida:
1. Seja uma luz no ambiente de trabalho: Em um centro urbano, onde as pressões da vida cotidiana e do trabalho são intensas, a maneira como lidamos com desafios, tratamos colegas e nos comportamos pode ser uma manifestação da luz de Cristo. Ao demonstrar honestidade, empatia e perseverança, você reflete a luz que recebeu de Cristo, impactando as pessoas que trabalham com você e transformando o ambiente.
2. Pratique a transparência nas relações pessoais: Em uma sociedade marcada pela superficialidade e pela desconfiança, ser transparente e verdadeiro em suas relações pode ser uma maneira poderosa de permitir que a luz de Cristo brilhe. Ao ser autêntico e acolhedor, você se torna uma referência de integridade e Jesus é louvado pela sua vida.
3. Fortaleça a prática do discipulado: A luz de Cristo não se limita a iluminar nossa vida espiritual; ela também nos chama a fortalecer o discipulado, que é o meio pelo qual podemos ajudar outros a caminhar na luz. Em um mundo onde muitas pessoas enfrentam desafios de solidão, violência e cegueira espiritual, investir em discipular outros é uma maneira de manifestar a luz que recebemos. Discipular é mais do que ensinar; é caminhar junto, apoiar, incentivar o crescimento espiritual e ajudar outros a viverem a verdade de Cristo de maneira prática. Ao fortalecer a prática do discipulado, não só refletimos a luz de Cristo em nossa própria vida, mas também ajudamos outros a serem transformados por ela.
4. Dê testemunho de Jesus no cotidiano, isto é, seja um verdadeiro embaixador do céu, representante de Jesus aqui na terra, como temos visto das aulas da EBD. A palavra de Deus é frequentemente questionada ou até ignorada, especialmente na sociedade moderna onde a secularização é forte. Porém, ao viver de acordo com os princípios do Reino de Deus — mostrando amor, misericórdia e justiça em suas atitudes cotidianas — você dá testemunho de que a luz de Cristo está viva e operante em sua vida.
5. Invista em ouvir e praticar a Palavra de Deus: Em meio ao ritmo acelerado da vida urbana, muitas vezes somos tentados a negligenciar o tempo com Deus e a Sua Palavra. No entanto, ao ouvir com atenção e praticar os ensinamentos de Cristo, permitimos que Ele ilumine nossa jornada e nos capacite para viver de maneira que reflete Sua verdade, graça e poder.
Irmãos, a Palavra de Jesus nos convida a viver a verdade da luz de Cristo de maneira prática e relevante no nosso dia a dia, onde a luta contra a escuridão espiritual e moral é constante.
Ao viver de acordo com a Palavra e permitindo que ela guie nossas ações, somos chamados a ser luz em um mundo que desesperadamente precisa dela. Que o Senhor nos ajude a sermos mais parecidos com Jesus: A verdadeira luz do mundo.
Nós vamos orar agora, e em seguida, vamos celebrar a Ceia do Senhor.

ORAÇÃO FINAL:

Senhor Deus,
Te louvamos e Te agradecemos por Tua Palavra, que é luz para os nossos passos e lâmpada para os nossos caminhos (Salmo 119.105). Obrigado por nos revelar a verdade que ilumina a escuridão do nosso coração e do nosso mundo. Somos gratos porque, através de Cristo, a luz da salvação brilha sobre nós, e somos chamados a refletir essa luz em tudo o que fazemos.
Senhor, como o salmista, queremos clamar: "Abre os meus olhos, para que eu veja as maravilhas da Tua lei" (Salmo 119.18). Que nossos corações sejam sensíveis à Tua voz e que, ao ouvir Tua Palavra, não a deixemos apenas em nossa mente, mas a deixemos transformar nossas ações, atitudes e relações. Que possamos, como diz o Salmo 119.11, "guardar a Tua Palavra no coração, para não pecarmos contra Ti".
Pedimos, Senhor, que a luz de Cristo, revelada nas Escrituras, não seja escondida em nossas vidas, mas que brilhe de maneira tão clara e viva que os outros possam vê-la e serem atraídos a Ti. "A Tua palavra é pura, e o Teu servo a ama" (Salmo 119.140). Que esse amor pela Tua Palavra se manifeste em nossa prática diária, tornando-nos mais parecidos com Jesus, a verdadeira luz do mundo.
Ajudai-nos, Senhor, a ser diligentes em ouvir, guardar e viver conforme a Tua Palavra, para que possamos ser luz em um mundo que tanto precisa de Ti. Que cada ação nossa reflita a Tua verdade e que, ao compartilhar a luz que recebemos, outros também possam ser atraídos para Ti.
Agora, ao nos aproximarmos da Ceia do Senhor, pedimos que Teu Espírito nos fortaleça e nos renove, lembrando-nos do sacrifício de Jesus, a verdadeira luz que veio ao mundo para nos salvar. Que nossa comunhão contigo e uns com os outros seja um reflexo da luz que brilha em nós.
Em nome de Jesus, a luz do mundo, oramos.
Amém.
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