A Cruz e a Coroa — Entre a Vergonha e a Glória
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Introdução
A Páscoa é muito mais do que um evento na história. Ela é o centro da nossa fé e o modelo da vida cristã. A cruz nos salva — sim. Mas também nos molda.
A Páscoa é o momento em que o mundo cristão contempla, com reverência, a cruz e a ressurreição de Cristo. Mas para muitos, essa contemplação termina no memorial. Para outros, no alívio da salvação. Mas o apóstolo Paulo nos convida a ir além. Ele nos chama a olhar para a cruz não apenas como um evento salvífico, mas como um modelo de vida.
Jesus não apenas morreu por nós; Ele nos chamou a segui-lo na mesma jornada: de esvaziamento, humildade, obediência e, finalmente, glória.
Por isso, Paulo escreve em Filipenses 2.5 “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,”
Vamos mergulhar nesse texto, para entender o que Deus espera de nós à luz da cruz e da ressurreição.
Esse convite não é apenas devocional, é radical. É uma convocação à renúncia, humildade e obediência — os mesmos passos que o nosso Senhor deu rumo ao Calvário.
Cristo, ao caminhar até a cruz, nos deixou mais do que uma esperança de vida eterna — Ele nos deixou um exemplo a ser seguido, como afirma o apóstolo Pedro:
1Pedro 2.21 “Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos,”
Mateus 16.24 “Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.”
A cruz, portanto, não é apenas o símbolo da nossa fé, mas o estilo de vida do cristão. Quem é salvo pela cruz, é também moldado por ela.
Paulo entendeu isso profundamente - Gálatas 2.20 “logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.”
Isso significa que a vida cristã autêntica é uma vida onde Cristo toma o centro — onde o eu é colocado de lado, e a vontade do Pai prevalece. A Páscoa nos lembra que Jesus não apenas morreu por nós, mas nos convida a morrer com Ele — e viver para Ele.
Essa é a razão da nossa existência em Cristo: Romanos 8.29 “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.”
Conformar-se a Cristo é o plano de Deus para cada salvo. E o maior modelo dessa conformação está exatamente no texto que vamos expor hoje, em Filipenses 2:5-11.
Uma vida moldada pela cruz é:
Uma vida de esvaziamento, onde abrimos mão dos nossos próprios direitos.
Uma vida de humildade, onde o outro é mais importante do que eu.
Uma vida de obediência, mesmo quando dói.
E, por fim, uma vida que aguarda a glória — a exaltação que vem de Deus, e não dos homens.
É por isso que celebramos a Páscoa. Porque ela nos mostra quem Deus é, o que Ele fez e o que Ele espera de nós.
Esvaziar-se de Si Mesmo: A Porta da Vida Cristã Autêntica
Esvaziar-se de Si Mesmo: A Porta da Vida Cristã Autêntica
Texto-base: Filipenses 2.5–7 “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana,”
🔍 1.1 O que significa “esvaziar-se”?
🔍 1.1 O que significa “esvaziar-se”?
O termo grego usado por Paulo é "ekenōsen" (ἐκένωσεν), que significa literalmente “tornar vazio”, “despojar-se voluntariamente”.
Cristo não deixou de ser Deus, mas abriu mão de direitos, prerrogativas e glória — tudo por amor, tudo por obediência.
Ele não se apegou à sua condição divina, embora tivesse pleno direito a ela. Pelo contrário, escolheu o caminho da entrega.
Essa é uma verdade confrontadora:
👉 O evangelho começa com esvaziamento — e não com autoafirmação.
👉 A vida cristã floresce quando abrimos mão de nós mesmos — e não quando buscamos nossa vontade.
1.2 Aplicações práticas do esvaziamento:
1.2 Aplicações práticas do esvaziamento:
Esvaziar-se é um princípio espiritual que deve moldar todas as áreas da nossa vida:
Nos relacionamentos:
Filipenses 2.3 “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo.”
Na vida interior:
Esvaziar-se é reconhecer que o centro do universo não somos nós, mas Deus.
Tiago 4.6 “Antes, ele dá maior graça; pelo que diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.”
No serviço a Deus:
Não servimos por status ou reconhecimento, mas por amor.
(Lucas 17.10 “Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer.” )
📖 1.3 Textos que reforçam essa verdade:
📖 1.3 Textos que reforçam essa verdade:
João 13:3-5 – Jesus, sabendo que tinha vindo de Deus e voltaria para Deus, “levantou-se da ceia, tirou a sua vestimenta exterior, e começou a lavar os pés dos discípulos”.
➤ O esvaziamento de Cristo é visível não só na cruz, mas em toda a sua postura de servo.
2Coríntios 8.9 “pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos.”
➤ A pobreza de Cristo é voluntária, sacrificial e generosa.
Hebreus 12.2 “olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus.”
➤ Ele suportou a humilhação da cruz porque não estava apegado ao conforto ou à reputação.
Conclusão do ponto:
Conclusão do ponto:
A vida cristã começa no esvaziamento. Não há transformação sem rendição.
Cristo nos mostra que, para viver a plenitude de Deus, é preciso abrir mão de nós mesmos.
Esse é o caminho da cruz — e também da glória.
Humilhou-se a Si Mesmo: A Postura de Quem Serve Mesmo Quando Não é Reconhecido
Humilhou-se a Si Mesmo: A Postura de Quem Serve Mesmo Quando Não é Reconhecido
Texto-base: Filipenses 2:7b-8a
“...assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens.
E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo...”
2.1 A humildade de Cristo não foi circunstancial, foi intencional.
2.1 A humildade de Cristo não foi circunstancial, foi intencional.
A linguagem de Paulo é poderosa:
👉 Cristo esvaziou-se, e depois humilhou-se.
São duas ações distintas, mas complementares:
Esvaziar-se é abrir mão.
Humilhar-se é descer voluntariamente ao lugar mais baixo.
Jesus, sendo Rei, tornou-se servo. E não qualquer servo, mas um que serviu até os pés (Jo 13:14-15), andou entre pecadores (Lc 15:1-2), não buscou glória própria (João 8.50 “Eu não procuro a minha própria glória; há quem a busque e julgue.” ), e suportou a rejeição, o desprezo e a vergonha.
“Não veio para ser servido, mas para servir...” (Mt 20:28)
“Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração...” (Mt 11:29)
2.2 A lógica de Deus é invertida: Quem desce, é levantado.
2.2 A lógica de Deus é invertida: Quem desce, é levantado.
A humildade de Cristo é o modelo exato da espiritualidade cristã verdadeira.
A vida moldada pela cruz não busca posição, busca propósito.
Cristo não se promoveu, Ele se entregou.
“Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado.” (Lc 14:11)
“Se alguém quiser ser o primeiro, seja o servo de todos.” (Mc 9:35)
2.3 Aplicações práticas:
2.3 Aplicações práticas:
Na igreja: Servimos não pelo cargo, mas por amor.
➤ Somos chamados a “lavar os pés” uns dos outros (Jo 13:14-15), mesmo quando não somos vistos.
Na família: Ser como Cristo é se humilhar — pedir perdão, ouvir com paciência, abrir mão da razão.
Na sociedade: O cristão é sal e luz, mas jamais estrela.
➤ Como Paulo escreve em Romanos 12.16 “Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos.”
2.4 Exemplos bíblicos de humildade:
2.4 Exemplos bíblicos de humildade:
Moisés, chamado de “o homem mais manso da terra” (Nm 12:3), foi usado poderosamente porque não buscou glória para si.
Davi, quando fugia de Saul, não se defendeu com orgulho, mas esperou a exaltação que vem de Deus (Sl 75:6-7).
João Batista, ao ver Jesus, disse:
“Convém que Ele cresça, e que eu diminua.” (Jo 3:30)
Conclusão do ponto:
Conclusão do ponto:
Cristo não apenas esvaziou-se, mas também desceu até onde muitos se recusam a ir.
Ele serviu em silêncio, amou sem plateia, obedeceu sem aplauso.
E é esse caminho que nos é proposto: servir mesmo quando não há reconhecimento, porque nosso reconhecimento vem do Pai.
3 - Obedeceu até a Morte: O Chamado à Fidelidade em Toda Circunstância
3 - Obedeceu até a Morte: O Chamado à Fidelidade em Toda Circunstância
Texto-base: Filipenses 2:8
“...e foi obediente até a morte, e morte de cruz.”
3.1 A obediência de Cristo não teve limites
3.1 A obediência de Cristo não teve limites
Paulo escolhe palavras fortes e específicas:
Cristo não apenas obedeceu, mas o fez até o fim — e não qualquer fim, mas a morte mais cruel, pública e vergonhosa conhecida na época: a crucificação.
Ele não recuou diante do sofrimento. Sua obediência não dependia de conforto, aprovação ou circunstâncias.
“Pai, se possível, passa de mim este cálice... contudo, seja feita a tua vontade.” (Mt 26:39)
“Aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu.” (Hb 5:8)
3.2 Morte de cruz: sinal de vergonha e redenção
3.2 Morte de cruz: sinal de vergonha e redenção
A cruz era símbolo de maldição (cf. Dt 21:23; Gl 3:13).
Jesus se entregou totalmente — não apenas fisicamente, mas emocional e espiritualmente, ao suportar o abandono, a zombaria, o peso do pecado do mundo.
Essa obediência radical revela o que Deus espera de nós:
👉 Não uma fé conveniente, mas uma fidelidade perseverante, mesmo que custe.
“Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” (Ap 2:10)
3.3 Exemplos bíblicos de obediência custosa:
3.3 Exemplos bíblicos de obediência custosa:
Abraão, ao subir o monte com Isaque (Gn 22)
Jeremias, ao pregar mesmo sendo rejeitado (Jr 20:7-9)
Daniel, que preferiu a cova a negar sua fé (Dn 6:10)
Estevão, que foi apedrejado com o rosto como o de um anjo (At 7)
3.4 Aplicações para nós:
3.4 Aplicações para nós:
Obedecer a Deus não é um caminho fácil, mas é um caminho certo.
Fidelidade não é medida pelo quanto falamos de Deus, mas pelo quanto obedecemos, mesmo quando dói.
Ser cristão hoje pode significar:
Ser mal compreendido.
Abrir mão de oportunidades que ferem princípios.
Amar quando o coração quer se fechar.
Permanecer quando tudo grita para fugir.
Conclusão do ponto:
Conclusão do ponto:
A cruz de Cristo não é apenas lugar de salvação, mas de imitação.
Ele obedeceu até o fim, e nos chama a trilhar o mesmo caminho.
Não obedecemos para sermos salvos — obedecemos porque fomos salvos por um amor que se entregou até o fim.
4 – Deus o Exaltou: A Esperança da Glória que nos Sustenta na Caminhada
4 – Deus o Exaltou: A Esperança da Glória que nos Sustenta na Caminhada
Texto-base: Filipenses 2:9-11
“Por isso também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome,
para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra,
e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus Pai.”
4.1 A exaltação é resultado da obediência
4.1 A exaltação é resultado da obediência
Paulo usa o “por isso” (διὸ em grego) para conectar a humilhação voluntária de Cristo com a exaltação promovida por Deus.
👉 Não foi autopromoção. Cristo não buscou glória para Si — Deus o exaltou.
Essa é a lógica do Reino:
O que se humilha será exaltado.
O último será o primeiro.
A coroa vem depois da cruz.
“Aos humildes, Deus exalta.” (Tg 4:10)
“Se com Ele sofremos, também com Ele seremos glorificados.” (Rm 8:17)
4.2 O nome acima de todo nome: Jesus é Senhor
4.2 O nome acima de todo nome: Jesus é Senhor
A exaltação de Jesus não é apenas uma promoção celestial — é a afirmação de que Ele é o centro de toda a história.
Ele é reconhecido como Senhor soberano por todo o universo.
Um dia, todo joelho se dobrará — alguns em reverência, outros em julgamento (cf. Is 45:23; Rm 14:11).
A Páscoa não termina no Gólgota. Ela nos leva ao trono.
A ressurreição é o selo de que a obediência vale a pena.
4.3 Aplicações práticas
4.3 Aplicações práticas
A esperança nos sustenta. Mesmo que o caminho cristão envolva renúncia, humilhação e dor — sabemos o fim da história: exaltação com Cristo (Cl 3:4).
O nome de Jesus deve ser exaltado já hoje nas nossas palavras, decisões, atitudes.
➤ “Tudo o que fizerem, façam em nome do Senhor Jesus.” (Cl 3:17)
Vivemos entre a cruz e a coroa.
➤ Isso nos dá força para suportar e alegria para servir, pois sabemos que “em breve o Deus da paz esmagará Satanás debaixo dos nossos pés” (Rm 16:20).
Conclusão geral do sermão:
Conclusão geral do sermão:
Cristo viveu uma vida que contraria a lógica do mundo:
Esvaziou-se,
Humilhou-se,
Obedeceu até a morte,
E foi exaltado por Deus.
A Páscoa é o lembrete de que a vida cristã não é apenas sobre o que Cristo fez por nós, mas sobre o que Ele nos chama a viver com Ele e como Ele.
👉 Esvazie-se.
👉 Humilhe-se.
👉 Obedeça.
👉 Espere com esperança.
Porque o caminho da cruz é o caminho da glória.
“Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus.” (Fp 2:5)
