União que vale a pena

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O Salmo 133 é um canto que expressa a alegria de Davi ao ver a unidade do povo israelita. Depois de anos de lutas políticas, desconfiança mútua e, inclusive, guerras civis, o povo da Aliança tem um refrigério expresso numa incomum união. A união do povo de Deus, mais que uma ordenança (Hb 10.25) deve ser nossa identidade sob Cristo, um grande prazer e o local onde esperamos as bençãos de Deus.

Notes
Transcript
Uma das características mais evidentes do povo de Deus é que nós nos reunimos em um culto semanal, aos domingos. Isso ocorre desde o início da igreja, quando os apóstolos passaram a se reunir no dia da ressurreição de Cristo.
Nós também nos reunimos em outros dias, às vezes para estudar a Bíblia em Pequenos Grupos, às vezes para orar, às vezes em algum evento da igreja e, às vezes, somente para nos alegrarmos juntos mesmo.
Mas, de tempos em tempos, surgem pessoas questionando o “por quê” de nos reunirmos. Vários são os motivos para que alguns não deem tanta importância para frequentar o culto ou outras reuniões da igreja.
Alguns, porque estão decepcionados com os irmãos de alguma igreja. Outros, porque estão cansados no domingo , depois de uma semana de trabalho ou escola. Tem aqueles que estão tristes, desanimados ou só com preguiça mesmo.
Em geral, quando vemos pessoas parando de frequentar o culto, um dos textos bíblicos que lembramos é o de Hb 10.25.
Hebreus 10.25 NAA
Não deixemos de nos congregar, como é costume de alguns. Pelo contrário, façamos admoestações, ainda mais agora que vocês veem que o Dia se aproxima.
E é verdade. Congregar (i.e., participar do culto e estar em comunhão com os irmãos) é um mandamento. Então, faltar ao culto sem um motivo muito sério e justo (como uma doença), é desobedecer a Deus e, portanto, pecado.
Mas hoje eu quero que você vá além da ideia de pecado. Quero que você saia deste culto vendo que participar do culto e estar em comunhão com os irmãos é algo que devemos fazer mais do que só por obediência.
Hoje veremos que
A união do povo de Deus, mais que uma ordenança, deve ser nossa identidade sob Cristo, um grande prazer e o local onde esperamos as bençãos de Deus.
Para isso vamos analisar o Salmo 133.1-3.
Antes de começar a explicar, duas informações são importantes para entender o salmo. A primeira é que o autor desse salmo é o rei Davi. Davi havia sido general do rei Saul, mas Saul começou a invejá-lo e passou a trata-lo como inimigo. Por causa disso, muitos do povo de Israel também viam Davi como um criminoso. Mas, após a morte do Rei Saul, o povo da tribo de Judá (a tribo de Davi), o proclamou rei.
Já o restante das tribos de Israel, proclamou Isbosete (filho de Saul) como rei, restando que houve uma guerra civil, com os israelitas do sul (de Judá, casa de Davi) lutando contra os israelitas do norte (as outras tribos, casa de Saul).
Ao final, Isbosete foi traído e morto por uns servos e as tribos do norte resolveram de livre vontade se unir a Davi, reconhecendo-o como rei sobre todo o Israel.
Então, depois de tanto tempo de lutas e desunião, Davi pôde ver o povo de Deus unido e isto foi tão maravilhoso pra ele que resolveu compor esta música.
A segunda informação importante é que o livro de Salmos foi organizado do jeito que a gente tem hoje em nossas bíblias muito tempo depois da morte de Davi.
Na verdade, o reino de Israel havia se dividido novamente depois de Salomão, pecou muitas vezes contra Deus ao ponto do Senhor fazer com que eles fossem derrotados pelo rei da Babilônia, Nabucodonosor. O templo foi destruído e o povo de Deus foi levado como escravos para Babilônia. Somente 70 anos depois pode retornar e reconstruir Jerusalém e o templo.
Foi nessa época, já com o povo de volta pra terra e podendo cultuar juntos novamente no templo que eles organizaram o livro de Salmos, colocando este salmo junto com outros que eram para ser cantados no caminho para Jerusalém.
Salmo 133.1 NAA
Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!
O salmista começa falando “Oh, como é bom e agradável”. esta união que será celebrada no salmo não é algo mais ou menos bom. É muito boa. Para se ter uma ideia, a palavra para “agradável” aqui é usada no hebraico para se referir à sensação de ouvir uma música bem melódica, ou a sensação que o dono da fazenda tem ao ver sua plantação cheia de frutos, ou de quem acaba de comer um pouco de mel. (Spurgeon)
Davi está olhando para a nação de Israel que milagrosamente está unida, apesar de todas as suas diferenças, e exclama “Oh, como é bom!”
Essa união não é algo que se vê em qualquer lugar. Não está em qualquer esquina. Não está em qualquer família. É algo especial e precisa ser lembrado.
E que união é essa?A expressão viverem unidos os irmãos" inclui vários níveis de união:
viverem: Morar junto? Sentar junto? Estar junto?
unidos: União apesar da diferença? União de pensamento?
irmãos: De sangue? Do mesmo Pai celestial? Bairro, cidade, tribo, nação?
Certamente Davi tem várias dessas uniões em mente, mas a principal é a união como povo de Deus, como vamos ver nos próximos versículos.
Salmo 133.2 NAA
É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce pela barba, a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes.
Em seguida, Davi usa algumas imagens para mostrar como é boa e agradável essa união. E ele começa com a imagem do sacerdote Arão recebendo a unção para exercer seu sacerdócio.
O processo de unção era assim: Moisés pegava um azeite de oliva especial, misturado com diversas fragrâncias. Esse óleo era muitíssimo perfumado. Depois, Moisés pegava esse óleo perfumado e derramava sobre a cabeça de Arão, contudo não era só um pouquinho de óleo, mas o suficiente para escorrer por ele todo (gola, orla das vestes, ou seja, até a parte mais baixa da roupa). Esse óleo significa a presença e a benção de Deus naquela pessoa para uma tarefa especial. Só reis, sacerdotes e profetas recebiam unção.
Quando Arão foi consagrado sacerdote, todos os que estavam presentes podiam sentir o perfume do óleo. Já entrou em uma casa perfumada?É bom demais, não é?!
Mas, veja, o sacerdote é um tipo de Cristo, ou seja, ele representava no Antigo Testamento, aquilo que Jesus Cristo iria fazer no futuro (Ex 28-29; Lv 16; cf. Hb 4.14-16; 5.1-10; 7.11-28; 9.11-12). Então, assim como essa unção, essa benção, esse óleo perfumado é derramado sobre a cabeça de Arão e escorre para o resto do corpo, A benção de Deus vem sobre Cristo (o cabeça) e escorre sobre toda a Igreja (o Corpo de Cristo).
Enfim, para Davi, a união do povo de Deus era como o prazer de sentir um bom perfume: um perfume que escorre para todo o povo e qualquer um pode sentir quando está perto de nós.
Isso lembra muito o que Jesus disse em Jo 17.20-23
João 17.20–23 NAA
— Não peço somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por meio da palavra que eles falarem, a fim de que todos sejam um. E como tu, ó Pai, estás em mim e eu em ti, também eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes transmiti a glória que me deste, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim.
Quando uma igreja está unida, ela é notada até pelos de fora. Lembro-me de quando eu estava para casar. Eu ainda não era pastor, era um crente vivendo a vida comum de igreja. Mas vários irmãos da igreja me ajudaram na organização do casamento, na música, além dos muitos presentes.
A igreja nos abençoou tanto que meu cunhado, que não é crente em Cristo Jesus, ficou impressionado. Ele também estava organizando o casamento dele, mas ele disse: “Pedro, aqui fora não é como na igreja de vocês. Aqui ninguém ajuda ninguém.”
Eu não sabia, mas meu cunhado estava reparando nas coisas que a igreja fazia. A união da igreja foi notada por ele.
E por fim, Salmo 133.3
Salmo 133.3 NAA
É como o orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de Sião. Ali o Senhor ordena a sua bênção e a vida para sempre.
A última imagem que ele usa é a do orvaldho do Hermom.
O monte Hermom é a maior montanha de Israel e é a única que fica com neve no topo. Por causa do derretimento de parte dessa neve durante os meses mais quentes, o monte Hermom acaba alimentando os rios próximos, especialmente o rio Jordão. O sopé da montanha é uma área mais úmida, ao contrário dos desertos que compõe o restante do país.
Já Jerusalém, que fica nos “montes de Sião”, está numa região árida, seca. Davi nos faz pensar que a união do povo de Deus é como essa umidade fria que vem lá do monte Hermom até chegar nas terras secas. Essa umidade que traz alívio do calor, que rega o solo que seria seca e morto, mas agora está úmido e permite o plantio de alimentos.
Ainda mais interessante é que, ainda que o óleo da unção possa ser derramado por um homem, o orvalho não. É obra totalmente divina. Não podemos controlar a benção de Deus, podemos apenas clamar por essa benção e esperar por ela.
O Salmista conclui que é nessa união que devemos esperar por essa benção de Deus. E seremos para sempre abençoados nesta união, porque ela começa aqui, mas segue pela eternidade.
Dito isto, algumas aplicações para nós.
Frequentamos a Igreja porque somos parte desta família
Antes de ser uma obrigação, frequentar o culto diz respeito a quem nós somos. Eu não frequento a minha casa porque sou obrigado, mas porque é lá que eu moro: eu pertenço àquela família.
Isso certamente significa que tenho responsabilidades, mas eu estou lá porque aquilas pessoas que estão lá fazem parte de quem eu sou.
Deus nos chama de seus filhos, Jesus nos chama de irmãos, a Bíblia ainda afirma que nós todos somos irmãos e, ainda, que pertencemos a um só corpo.
Sentimentos de solidão, falta de direção e propósito na vida são destruídos quando sabemos que estamos na família de Cristo e nos envolvemos com os irmãos, servimos uns aos outros e frequentamos o culto. Isso é parte do que é ser cristão e não dá pra ser cristão feliz sem estar junto dos irmãos.
Frequentamos a Igreja porque é prazeroso
Às vezes as pessoas somente falam das coisas ruins que acontecem na igreja. Um irmão que pecou, ou um líder que não fez as coisas do jeito que você queria e, pronto, começa a falar mal da igreja.
Mas a verdade é que muitíssimas coisas boas acontecem: irmãos nos dão bons conselhos, nos socorrem em tempos de escassez, nos consolam em tempos de dor, nos incentivam em tempos de lutas.
Tenho vivido com Cristo há 26 anos, todos eles frequentando a igreja do Senhor. Perdi as contas de quantas vezes fui socorrido, confrontado, incentivado, amado.
Certamente irmãos podem pecar contra nós, mas isto não apaga tudo de bom que o Senhor faz através dos irmãos.
Frequentamos a Igreja porque somos abençoados nela
Na igreja é que começamos a dar frutos. Aqui recebemos o “orvalho” de Deus e aprendemos a servir, aprendemos a amar ao próximo e a amar a Deus.
Longe da igreja, dificilmente seremos confrontados em nossos pecados e ficaremos presos nele. A igreja é o instrumento de Deus para nos tornar pessoas mais piedosas, mais crentes.
Aqui que aprendemos a exercitar o fruto do Espírito, como diz Gálatas 5.22-23
Gálatas 5.22–23 NAA
Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.
Como vimos, a união do povo de Deus, é mais que uma ordenança (Hb 10.25); é nossa identidade em Cristo, é um grande prazer e é o local onde esperamos as bençãos de Deus.
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