A GRAÇA QUE TRANSFORMA - ATUALIZADA

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Sermão: Expositivo – Igreja Assembleia de Deus – Laranjeiras-Marabá
Tema: A GRAÇA QUE TRANSFORMA (Tito 2.11-15)
Introdução
Esta passagem nos ensina que a graça de Deus, manifesta em Cristo, traz salvação para todos e nos motiva a viver de maneira justa e piedosa esperar a manifestação da glória de Cristo.
A compreensão da graça de Cristo é essencial para qualquer cristão que luta contra a condenação, o desânimo e o desejo de fazer as coisas por conta própria. Ao lembrar-se de que é pela graça que somos salvos e não por nossas próprias obras, podemos encontrar força para viver uma vida digna e cheia de esperança.
- Entende que a graça de Deus não é apenas um ato de perdão, mas também um poder transformador que nos habilita a viver para Elee para os outros. Assim, a graça deve levar a ação: somos chamados a refletir essa graça em nossas vidas e relacionamentos diários.
Quando observamos a narrativa bíblica, logo concluímos que  a graça é personificada em Cristo.O Novo Testamento nos revela que Jesus é a manifestação da graça de Deus, que nos salva e nos transforma, fazendo de nós novas criaturas. Assim, a mensagem de Tt 2.11–15 coloca Cristo como o centro de nossa esperançade transformação.
Leia: Colossenses 1.21–22 “21Antes vocês estavam separados de Deus e, na mente de vocês, eram inimigos por causa do mau procedimento de vocês. 22 Mas agora ele os reconciliou pelo corpo físico de Cristo, mediante a morte, para apresentá-los diante dele santos, inculpáveis e livres de qualquer acusação,”
A verdadeira experiência da graça em Cristo não apenas garante nossa salvação, mas também transforma nossas vidas diárias, levando-nos a agir com amor, justiça e compaixão em um mundo que precisa da luz de Cristo.
Então, normalmente em Paulo, graça representa o favor gratuito de Deus, a bondade espontânea mediante a qual intervém para ajudar e livrar os homens.
CONTEXTUALIZANDO
PADRÃO DO CRISTÃO (Tito 2.1-10) – ler
O parágrafo anterior foi um desafio para os vários grupos nas igrejas de Cretaaceitarem o padrão especificamente cristão de comportamento.
Foi exatamente para elevar os homens a uma qualidade mais alta de vida que Deus interveio na história, mediante a encarnação.
1. A GRAÇA MANIFESTA /EPIFANIA (Tito 2.11–14)
11 Porque a graça de Deus se MANIFESTOU salvadora a todos os homens. 12 Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixõesmundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosanesta era presente, 13 enquanto aguardamos a BENDITA ESPERANÇA: a gloriosa MANIFESTAÇÃO de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo.
[...] salvadora a todos os homens - Paulo vai demostrar em Tito 3.3-7 como éramos antes da graça salvadora.
Paulo concentra sua argumentação ético e teológica nas duas vindas de Cristo, as quais ele chama de suas duas epifanias ou “manifestações”:
1) O versículo 11 diz que “a graça de Deus se manifestou”, (Cristo encarnado) e o
2) versículo 13 dirá que aguardamosa “manifestação”. (parusia/segunda vinda de Cristo)
3) Ambas as manifestações de Cristo têm um significado salvífico. O que já se manifestou foi a graça de Deus que traz salvação, enquanto o que esperamos é a manifestação gloriosa de nosso grande Deus e Salvador. (Lucas 21.27; Mateus 16.27)
a) Primeiramente, a origem da graça (2.11).
Paulo fala da graça de Deus. A graça tem sua gênese em Deus. Ela provém de Deus. Embora Deus sempre tenha sido gracioso, pois é o Deus de toda a graça, ela se tornou visível em Jesus Cristo. A graça de Deus foi esplendorosamente mostrada em seu humilde nascimento, em suas graciosas palavras e em seus atos movidos de compaixão; mas, sobretudo, em sua morte expiatória.
A graça de Deus é totalmente imerecida, ou seja, é um favor imerecido. Não há nada em nós que reivindique o amor de Deus. Não há nenhum merecimento em nós.(Rm 7:24.25). Deus trata de forma benevolente aqueles que merecem seu juízo.
b) Em segundo lugar, a essência/natureza da graça (2.11).
A graça de Deus é transformadora e salvadora. Ela se manifesta como o favor imerecido e abundante de Deus em favor de pecadores que nada fizeram para merecê-la. A graça é a bondade divina, livre e espontânea, pela qual Deus age para resgatar e libertar a humanidade. Em Cristo Jesus, a graça de Deus surge como um brilho radiante, iluminando um mundo envolto nas trevas da morte.
A graça divina é a sua ação ativa, concedendo o maior presente àqueles que, por seus atos, mereceriam o mais severo julgamento.
Por isso, a graça supera nossa inequidade. Ela é maior que o peso do nosso pecado e mais preciosa que a nossa existência. Onde o pecado se multiplicou, a graça transbordou abundantemente. Somos resgatados pela graça. Caminhamos sustentados pela graça. Nossa total dependência está na graça. Sem ela, nada somos. Por meio da graça, mesmo estando perdidos, fomos encontrados; mesmo mortos espiritualmente, recebemos nova vida.
A graça nos redime (11, 14a):
Por sermos incapazes de alcançar a salvação por nossos próprios esforços, Deus agiu em nosso favor por meio de sua graça. Entenda que essa graça é manifestada plenamente na vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo.
Pela sua graça, Deus enviou seu Filho para libertar aqueles que estavam presos sob o domínio do pecado. Essa redenção é oferecida a "todos os homens" que decidirem recebê-la (cf. 1Tm 2.4-6). Há uma necessidade universal de salvação que Deus atende com sua provisão universal disponível àqueles que creem.
A Graça Iluminadora
É trazida a todos por meio de Cristo, atua como um farol de luz para guiar nossas vidas. Você poderia refletir sobre como essa graça não apenas nos liberta das sombras do pecado, mas também nos ensina a renunciar à impiedade e aos desejos mundanos. Dessa forma, essa graça é luz e lâmpada para a caminhada do cristão.
- Jesus como a Luz :
João 1.4–5“4 Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens. 5 A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram.”
João 8.12“12 Falando novamente ao povo, Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida”.”
João 12.46“46 Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas.”
Efésios 2.8–9“8 Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; 9 não por obras, para que ninguém se glorie.”
2Coríntios 4.6“6 Pois Deus, que disse: “Das trevas resplandeça a luz”, ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo.”
1 João 1.5–7“5 A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram. 6 Surgiu um homem enviado por Deus.
1Pedro 2.9“9 Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.”
Aplicação: Convidar a congregação a refletir sobre a salvação como um presente imerecido de Deus e a responder em gratidão por meio de uma vida transformada, essa resposta vem por intermédio do Espírito Santo.
2. A Graça Educadora/que ensina (Tito 2.12)
12Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosanesta era presente,
a) Primeiramente, a graça nos instrui a rejeitar o mal (2.12):
A graça de Deus tem um papel pedagógico. Ela age como uma educadora, moldando nossa maneira de viver. Ser cristão significa estar inserido na escola da graça divina. Paulo destaca que a graça nos instrui por meio de uma disciplina firme, capacitando-nos a rejeitar a impiedade e os desejos mundanos.
A palavra “renegadas”, que é um particípio passado, indicando uma ação consumada de uma vez por todas. Renegar significa renunciar, abdicar, ser capaz de dizer não.
Antes de falar positivamente acerca do que devemos ser e fazer, Paulo fala sobre o que devemos repudiar e rejeitar. O que a graça de Deus nos ensina a rejeitar?
a.1) A graça nos ensina a renegar a falsa teologia (2.12a).
Tito 2.12-Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente,
A palavra grega asebeia, “impiedade”, refere-se à rejeição de tudo o que é reverente e de tudo o que tem a ver com Deus.
A palavra asebeia aponta para o passado, para uma vida sem e contra Deus (Tito 3). A impiedade refere-se a tudo o que contradiz a verdadeira adoração e devoção a Deus. Ela expressa um relacionamento incorreto com o Criador, manifestando-se em uma teologia distorcidae em uma compreensão errônea da verdade. O ímpio é alguém que desconsidera a presença de Deus, não leva Sua existência e autoridade a sério. Ele não encontra prazer em Deus, tampouco se alegra em Sua santidade; em vez disso, rejeita e despreza aquilo que é santo e justo.
a.2) A graça nos ensina a renegar a falsa ética (2.12a). As paixões mundanas são consequência da impiedade. A perversão é filha da impiedade (Rm 1.18).
As paixões mundanas são fruto de um relacionamento desalinhado com Deus e refletem uma vida descontrolada em áreas como a mente, a falae a moralidade sexual. Elas descrevem um estilo de vida marcado pela perversão e pela ausência de disciplina. Essas paixõesincluem desejos sexuais desordenados, vícios como o alcoolismo, ganância por bens materiais e comportamentos agressivos. Em resumo, referem-se aos anseios desmedidos por prazer, poder e riquezas — sexo, poder e dinheiro sendo os principais focos dessa desordem.
Gálatas 5:19-21 (NVI)
“Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes. Eu os advirto, como antes já os adverti: aqueles que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus.”
Efésios 5:3-5 (NVI)
“Entre vocês não deve haver nem sequer menção de imoralidade sexual, como também de nenhuma espécie de impureza e de cobiça; pois essas coisas não são próprias para os santos. Não haja obscenidade, nem conversas tolas, nem gracejos imorais, que são inconvenientes; mas, ao invés disso, ação de graças. Porque vocês podem estar certos disto: nenhum imoral, ou impuro, ou ganancioso, que é idólatra, tem herança no Reino de Cristo e de Deus.”
1 João 2:16 (NVI)
“Pois tudo o que há no mundo — a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens — não provém do Pai, mas do mundo.”
Colossenses 3:5 (NVI)
“Assim, façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena de vocês: imoralidade sexual, impureza, paixão, desejos maus e a ganância, que é idolatria.”
Romanos 1:24-25 (NVI)
“Por isso Deus os entregou à impureza sexual, segundo os desejos pecaminosos do seu coração, para a degradação dos seus corpos entre si. Trocaram a verdade de Deus pela mentira e adoraram e serviram a coisas e seres criados, em vez do Criador, que é bendito para sempre. Amém.”
2 Timóteo 3:1-4 (NVI)
“Saiba disto: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, precipitados, soberbos, mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus.”
Aplicação: graça de Deus nos disciplina a renunciar à nossa velha vida e a viver uma nova vida, a passar da impiedade para a piedade, do egoísmo ao autocontrole, dos caminhos desonestos a um tratamento justo com todos os demais.
b) Em segundo lugar, a graça nos educa para praticarmos o bem (2.12b). “Vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente” (2.12b).
Paulo agora aborda como a graça de Deus nos ensina a realizar boas obras. A salvação não é somente uma alteração de estado, mas também de comportamento. O ensino da graça nos orienta em nossa interação conosco mesmos, com os outros e com o Senhor. Paulo destaca o vínculo do cristão consigo próprio, com o próximo e com Deus.
A graça nos instrui a cultivar relacionamentos corretos internamente, externamente e espiritualmente.
A graça nos educa para vivermos relacionamentos certos dentro, fora e para cima.
c) A graça nos ensina o correto relacionamento com nós mesmos (2.12b). “Vivamos, no presente século, sensata…”. traz a ideia de prudência, autocontrole ou moderação. Vivamos, na era presente, com prudência...". expressa a ideia de equilíbrio, autocontrole ou moderação. Prudência está relacionada ao domínio pessoal, à vida equilibrada. Prudência é manter os impulsos, instintos, comportamentos e reações sob controle. É a forma adequada de conduzir a si mesmo. Paulo aborda o tema do Espírito subjugar a carne em Gálatas 5:16-17.
b) A graça nos ensina o correto relacionamento com o próximo (2.12b).
“Vivamos, no presente século […] justamente…”
Retidão/ justiça refere-se ao nosso relacionamento adequado com os outros. Uma pessoa reta é aquela que não se exalta acima dos demais nem procura rebaixá-los. Ela concede aos outros o que é de direito. Viver retamente significa agir com honestidade nas interações com os demais, ou seja, a fé cristã nos ensina a cumprir nossos deveres, votos, alianças e contratos com fidelidade.
Mateus 7:12 – "Assim, em tudo, façam aos outros o que querem que eles lhes façam, pois isso resume a Lei e os Profetas."
Romanos 13:7 "Dêem a cada um o que lhe é devido: se imposto, imposto; se tributo, tributo; se respeito, respeito; se honra, honra."
Miquéias 6:8 – "Ele lhe mostrou, ó homem, o que é bom; e o que o Senhor exige de você: que pratique a justiça, ame a misericórdia e ande humildemente com o seu Deus."
Tiago 2:8 – "Se vocês obedecerem à lei do Reino, segundo a Escritura: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’, estarão agindo bem."’
c)  A graça nos ensina o correto relacionamento com Deus (2.12b). “Vivamos, no presente século […] piedosamente”.
A piedade está relacionada ao nosso relacionamento correto com Deus. Trata-se do verdadeiro zelo e respeito pelo único digno de adoração. Somente pela graça podemos ser guiados e conduzidos a um relacionamento profundo com Deus. A graça divina não só nos salva, mas também nos instrui sobre como viver a vida cristã. Aqueles que utilizam a graça de Deus como justificativa para pecar nunca experimentaram seu poder transformador (Rm 6.1; Jd 4). A mesma graça que nos resgata é também a que nos renova e nos habilita a seguir a sua Palavra (Tito 2.14).
c) a graça nos educa para aguardarmos a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus (2.13).
“Aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” (2.13).
Depois de ter falado da epifania/manifestação da graça (2.11), agora Paulo fala da epifania da glória, ou seja, sobre a segunda vinda de Cristo (isso foi pincelado acima).
Então, aquele que apareceu brevemente no cenário da História, e desapareceu, um dia vai reaparecer. Ele apareceu em graça; ele reaparecerá em glória.
Desta maneira, o cristão olha para trás e glorifica a Deus porque a graça o libertou da impiedade e das paixões mundanas. Ele olha para o presente e exalta a Deus porque tem uma correta relação consigo, com o próximo e com o próprio Deus. Ele olha para o futuro e se santifica porque vive na expectativa da epifania do seu grande Deus e Salvador Cristo Jesus.A graça de Deus nos libertou das dificuldades do passado, renovou nossa vida no presente e nos mantém em constante expectativa por um futuro glorioso, quando nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo, retornará com grande glória e poder.
Mateus 24.30–31
“30 “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as nações da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo nas nuvens do céu com poder e grande glória. 31 E ele enviará os seus anjos com grande som de trombeta, e estes reunirão os seus eleitos dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus.”
Colossenses 3.4
“4 Quando Cristo, que é a sua vida, for manifestado, então vocês também serão manifestados com ele em glória.”
Apocalipse 19.11–16
“11 Vi os céus abertos e diante de mim um cavalo branco, cujo cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro. Ele julga e guerreia com justiça. 12 Seus olhos são como chamas de fogo, e em sua cabeça há muitas coroas e um nome que só ele conhece, e ninguém mais.13 Está vestido com um manto tingido de sangue, e o seu nome é Palavra de Deus. 14 Os exércitos dos céus o seguiam, vestidos de linho fino, branco e puro, e montados em cavalos brancos. 15 De sua boca sai uma espada afiada, com a qual ferirá as nações. “Ele as governará com cetro de ferro.” Ele pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus todo-poderoso. 16 Em seu manto e em sua coxa está escrito este nome: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES.”
Aplicação:  O cristão vive “no presente século”, mas não em conformidade com ele nem para ele. Cristo nos remiu “[…] deste mundo perverso” (Gl 1.4), e não devemos nos conformar com ele (Rm 12.1,2).
A OPERAÇÃO DA GRAÇA (2.14,15)
O qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras” (2.14).
Paulo, que acabara de falar da epifania da glória, passa agora naturalmente para a sua primeira epifania quando a nossa salvação teve início. Paulo destaca três gloriosas verdades acerca da operação da graça.
a) Primeiramente, o presente da graça (2.14). “O qual a si mesmo se deu por nós…” (2.14a). A cruz não gerou a graça, mas a graça gerou a cruz. Cristo é o dom/presente da graça. Sendo o Criador do universo, Ele se esvaziou, nasceu de uma mulher e habitou entre nós. Sendo o Eterno, entrou no tempo, se fez homem e assumiu nossa condição. Sendo santo, Ele se fez pecado; sendo abençoado, Ele se fez maldição; sendo fonte da vida, morreu em nosso lugar, na cruz. Este foi o maior presente, a maior dádiva, a maior oferta.
A entrega voluntária de Cristo como nosso representante e substituto fala de sua morte vicária. Este é o núcleo da doutrina da expiação: Ele morreu não apenas para possibilitar nossa salvação, mas para nos salvar. Ele morreu pelas suas ovelhas e deu Sua vida pela Igreja. Pela Sua morte, temos vida
Em segundo lugar, o propósito da graça (2.14b).
“[…] a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu…” (2.14b). A graça tem dois propósitos, um negativo e outro positivo.
O propósito negativo.O propósito negativo é remir-nos de toda iniquidade, ou seja, daquele poder que nos faz pecar. A graça de Deus nos salva do pecado e não no pecado. A graça não se manifestou para que os que vivem no pecado sejam salvos; ela se manifestou para remir-nos de toda iniquidade.
O propósito positivo. O propósito positivo da graça é que Cristo, por sua morte, purifique para si mesmo um povo exclusivo. O Senhor deseja um povo santo e separado. Ele não aceita um povo marcado pela iniquidade ou de coração dividido. Por meio de Seu sacrifício, Cristo nos comprou. Somos agora propriedade exclusiva Dele, Suas ovelhas, Sua herança, Sua habitação.
Em terceiro lugar, o resultado da graça (2.14c).
“[…] um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras” (2.14c). A expressão "zeloso de boas obras" sugere um entusiasmo pelas boas ações. O cristão não deve apenas ser capaz de realizar boas obras, mas deve fazê-las com fervor e paixão. Devemos viver intensamente para aquele que morreu por nós.
John Piper afirma que no cerne do cristianismo está a verdade de que somos perdoados e aceitos por Deus não por termos feito boas obras, mas a fim de que possamos fazê-las. As boas obras não são o fundamento de nossa aceitação, mas o seu fruto. Deus nos salvou para as boas obras, e não por causa delas. Devemos não apenas praticá- las, mas também fazê-lo com fervor, paixão e zelo. Não devemos ser relapsos e remissos nas boas obras, mas zelosos e fervorosos praticando-as.
John Stott afirma com pertinência que nesse pequeno parágrafo (2.11–14) Paulo coloca lado a lado os dois marcos que determinam a era cristã, ou seja, a primeira vinda de Cristo, com a qual ela começa, e a sua segunda vinda, com a qual ela termina. Ele nos convida a olhar uma e outra, pois vivemos no intervalo de tempo que separa os dois fatos, uma situação não muito confortável entre o “já” e o “ainda não”.
Conclusão:
Embora voltemos nosso olhar para um passado distante, quando ocorreu a revelação da graça, e também o direcionemos para um futuro incerto, quando ocorrerá a revelação da glória, devemos viver no presente com sabedoria, justiça e devoção. Ao caminharmos entre essas duas revelações, uma do passado e outra do futuro, é quando conseguimos viver de maneira agradável a Deus. Viver com a perspectiva da primeira e da segunda vinda de Cristo é o que nos dá o verdadeiro propósito da vida cristã.
Paulo conclui sua explicação no capítulo 2 de Tito da mesma maneira que iniciou, dando-lhe uma ordem para ensinar. No versículo 1, ele diz: "Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina" (2.1). No último versículo, ele afirma: "Dize estas coisas; exorta e repreende também com toda a autoridade. Ninguém te despreze" (2.15). Paulo repete a primeira ordem "fala" [dize] e acrescenta mais duas: "exorta e repreende". O ensino, a exortação e a repreensão devem ser feitos de maneira direta e ousada. Kelly destaca que Tito não deveria apenas ensinar essa mensagem, mas também exortar as pessoas a aceitá-la e repreendê-las por qualquer negligência em fazer isso.
Não basta apenas falar e ensinar; é necessário também encorajar. Não é suficiente só falar e encorajar; é preciso também corrigir. A Palavra de Deus precisa atingir o intelecto, as emoções e a vontade. Precisamos ensinar de maneira clara o conteúdo da teologia, motivar o coração e corrigir o comportamento errado.
Tito não poderia se deixar intimidar pela arrogância dos falsos mestres que ameaçavam a igreja, nem sentir-se inferior diante dos membros das igrejas cretenses. Ele deveria falar, exortar e corrigir com total autoridade. Não deveria ter um complexo de inferioridade ao ministrar. Paulo é claro: "Ninguém te despreze". Essa orientação visava mais às igrejas de Creta do que ao próprio Tito.
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