QUANDO DEUS CONCEDE O QUE O POVO PEDE! (Parte 1) 1 Samuel 9

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“Por detrás de uma providência carrancuda, Deus esconde uma face sorridente” (William Cowper).

Notes
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Grande ideia: “Por detrás de uma providência carrancuda, Deus esconde uma face sorridente” (William Cowper).
Estrutura: Deus em busca de Saul (vv. 1-14) e Samuel em busca de Saul (vv. 15-27)
Um poeta cristão depressivo — William Cowper e o misterioso desígnio de Deus | by Lucas Lima | Medium
A vida que Cowper viveu não passou nem perto de ser fácil e seus episódios de insanidade seriam hoje interpretados pela névoa do tabu que ainda insiste em envolver os depressivos, mesmo 200 anos depois de sua passagem pela Terra. Porém, a providência misteriosa do Deus Criador proporcionou imensa edificação e deleite à posteridade que permanece tendo acesso à obras e à biografia de Cowper.
Talvez, no olho do furacão, enquanto as enfermidades açoitam o indivíduo, nada pareça valer a pena, remanescendo apenas o desejo de não mais existir. Contudo, Deus oferece uma luz para todos os contextos de escuridão humana, mostrando ao final a doçura de seus desígnios.
“Deus se move por caminhos misteriosos, Para executar suas maravilhas; Ele estabelece suas pegadas no Oceano E cavalga sob a tempestade.
Profundo como insondáveis minas Suas habilidades nunca falham Ele valoriza seus brilhantes propósitos acima de tudo E trabalha sua soberana vontade. Vocês, santos temerosos, encorajem-se novamente As nuvens que tanto temem Certamente romperão com graça e bênçãos sobre suas cabeças.
Não julgue o Senhor por seu fraco senso Confie nele por sua graça Por trás de uma Providência carrancuda Encontra-se uma face sorridente. Seu propósito se cumprirá rapidamente, Será revelado a qualquer momento Os rebentos no caminho tem um gosto amargo Mas doces serão as flores”
1Samuel 1.1 NAA
Houve um homem de Ramataim-Zofim, da região montanhosa de Efraim, cujo nome era Elcana, filho de Jeroão, filho de Eliú, filho de Toú, filho de Zufe, efraimita.
1Samuel 9.1 NAA
Havia um homem de Benjamim, cujo nome era Quis, filho de Abiel, filho de Zeror, filho de Becorate, filho de Afias, benjamita, dono de muitos bens.
Mateus 7.7–11 NAA
— Peçam e lhes será dado; busquem e acharão; batam, e a porta será aberta para vocês. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, a porta será aberta. Ou quem de vocês, se o filho pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ora, se vocês, que são maus, sabem dar coisas boas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem?
1Samuel 8.4–5 NAA
Então todos os anciãos de Israel se congregaram e foram falar com Samuel, em Ramá. Eles disseram: — Veja! Você está ficando velho e os seus filhos não andam pelos seus caminhos. Por isso, queremos agora que você nos constitua um rei, para que nos governe, como acontece em todas as nações.
1Samuel 8.19–22 NAA
Porém o povo não atendeu à voz de Samuel e disse: — Não! Queremos um rei sobre nós. Seremos como todas as outras nações. O nosso rei poderá nos governar, sair adiante de nós e fazer as nossas guerras. Samuel ouviu todas as palavras do povo e as repetiu diante do Senhor. Então o Senhor disse a Samuel: — Atenda à voz do povo e escolha um rei para eles. Então Samuel disse aos filhos de Israel: — Cada um de vocês volte para a sua cidade.
Tim Chester:
Saul se torna rei em quatro etapas: uma unção secreta realizada por Samuel (9.1-10.1), uma confirmação pessoal por meio de sinais (10.2-16), uma seleção pública por sorteio (10.17-27) e uma proclamação vitoriosa pelo povo (11.1-15).
"Como ler a Bíblia livro por livro" de Gordon D. Fee:
"1Samuel 8:1 a 12:25 – Saul ungido rei Você talvez queira ler essa seção à luz de Deuteronômio 16:18 a 17:20. Note como ela começa (8:1-3) com reflexos de Deuteronômio 16:18-20 (juízes que pervertem a justiça e demonstram parcialidade). O restante é marcado por duas advertências sobre os males potenciais da monarquia, incluindo declarações sobre a rejeição das pessoas ao reinado de Javé (8:4-22 e 11:14 a 12:25). São construídas, assim, as narrativas sobre a transformação de Saul em rei – primeiro, a unção de Saul por Samuel (9:1 a 10:8), o que enfatiza suas origens humildes; segundo, a apresentação de Saul ao povo, que o legitima (10:9 a 11:13), destacando sua continuidade com a tradição profética, sua natureza tímida e seu sucesso militar (a guerra santa)."
(Deus) Em busca de Saul. (vv. 1-14)
Benjamim: episódios lamentáveis de Jz 19-20.
As prerrogativas apresentadas de Saul foram no referencial estético.
1Samuel 9.2 NAA
Ele tinha um filho chamado Saul, moço e tão belo, que entre os filhos de Israel não havia outro mais belo do que ele. Dos ombros para cima, ele sobressaía a todo o povo.
Comentário Histórico-Cultural da Bíblia: Antigo Testamento 9.1–27: O Encontro entre Saul e Samuel

No antigo Oriente Próximo, dava-se muito valor à estatura e à aparência do rei. Os primeiros reis eram conhecidos como “senhores da guerra” — guerreiros valentes e poderosos.

Saul demonstra uma concentração focada: ele está em busca das jumentas extraviadas (vv. 3-4).
O servo de Saul comenta do “homem de Deus”, a saber, Samuel que morava a cerca de 8 km de Saul.
Eles combinam uma oferta para o “vidente”, que seria o profeta.

VIDENTE Pessoa que recebe, em visões, a mensagem de Deus. Nos tempos antigos os profetas eram chamados de videntes (1 Samuel 9:9–11;

PROFETA, PROFETISA Pessoa que profetiza, isto é, que anuncia a mensagem de Deus. No Antigo Testamento, os profetas eram porta-vozes da mensagem que Deus lhes dava para anunciar (

Comentário Histórico-Cultural da Bíblia: Antigo Testamento 9.1–27: O Encontro entre Saul e Samuel

Embora a reputação de Samuel fosse reconhecida por toda a nação, para as pessoas que haviam convivido com ele a vida toda, Samuel era apenas uma espécie de homem santo da aldeia. Esses homens santos eram sustentados pelos presentes oferecidos pelas pessoas a quem serviam e que o consultavam por qualquer questão pessoal, por mínima que fosse. Entre as áreas de sua especialidade estavam incluídas questões de saúde e doenças, rituais e orações, assuntos políticos e legais e uma ampla variedade de problemas pessoais e comunitários.

Houve uma rápida consulta às moças que estavam buscando água (uma relação com Isaque?). Gênesis 24.

Aqui somos lembrados de que a total soberania de Deus sobre até mesmo os menores detalhes da nossa vida não entra em conflito com a completa expressão da escolha e da vontade humanas. Por meio das questões menos importantes da vida humana, Deus cumpre suas promessas pactuais e seus propósitos. Ele havia prometido dar a Israel um rei como têm todas as nações, e, pelos meios que escolheu, essa promessa seria cumprida. Além disso, esse acontecimento fazia parte do plano soberano de Deus para o seu povo, conhecido e ordenado desde a eternidade: “Conhecidas por Deus desde a eternidade são suas obras” (

2. (Samuel) Em busca de Saul. (vv. 15-27)
Samuel já estava esperando por Saul, e Deus adiantou que atenderia a oração do povo.
1Samuel 9.16 NAA
— Amanhã a estas horas, enviarei a você um homem da terra de Benjamim, o qual você ungirá por príncipe sobre o meu povo de Israel. E ele livrará o meu povo das mãos dos filisteus. Porque olhei para o meu povo, pois o seu clamor chegou a mim.
No dia anterior, o Senhor havia “descoberto o ouvido de Samuel” para lhe dizer que esperasse um homem de Benjamim, o qual ele devia ungir como príncipe (nagid) sobre Israel. A palavra “rei” é deliberadamente evitada, orque Javé era o rei de Israel. Samuel tem de indicar a escolha do príncipe feita pelo Senhor mediante uma unção privativa. Essa cerimônia simbolizava a outorga de dádivas divinas para o cumprimento da tarefa à qual ele estava sendo chamado e transformava o receptor no masiah ou “ungido”. Ele devia principalmente liderar Israel contra os opressores filisteus.
Samuel chama Saul para uma refeição (uma “Ceia”): “Hoje vocês comerão comigo”.
Tim Chester:
O rei de Israel é um marido, e o povo de deus é a sua noiva- exatamente como um dia Jesus será o marido de sua noiva, a igreja. Considerados juntos, esses ecos sugerem que o banquete é uma celebração da designação de Saul como o marido real do povo de Deus. Saul demonstrará ser um marido medíocre do povo de Deus. Mas Jesus, o Rei supremo, é o marido que deu a sua vida por amor à sua noiva (Ef 5.25-27). o detalhe do banquete é importante!
Saul se utiliza aqui de uma “falsa modéstia” ao falar de si, não se tratava absolutamente de um “ego transformado”.
1Samuel 9.21 NAA
Então Saul respondeu: — Por acaso não sou eu um benjamita, da menor das tribos de Israel? E não é a minha família a menor de todas as famílias da tribo de Benjamim? Por que, então, você me fala com tais palavras?
Tim Keller:
Assim, em primeiro lugar, o ego é vazio. Em segundo lugar, porque se assemelha a um estômago dilatado, ele dói. E, em terceiro lugar, o ego é incrivelmente atarefado — ou seja, faz de tudo para ser notado. Vive ocupado tentando preencher o vazio. E é incansável sobretudo em duas tarefas: a comparação e a vanglória. Notamos as duas em I Coríntios. Observe que a frase não termina com a palavra “orgulho”. Paulo não diz “Nenhum de vós se encha de orgulho” e ponto-final. Não, ele diz: “Nenhum de vós se encha de orgulho em favor de um contra o outro”. Essa é a própria essência do que significa ter um ego humano normal. Na tentativa de preencher o vazio e lidar com. seu desconforto, o ego vive se comparando com outras pessoas. E faz isso o tempo todo.
No livro Mere Christianity, C. S. Lewis escreveu um capítulo notável sobre o orgulho. Nele, Lewis ressalta que o orgulho é competitivo por definição. Competitividade é o que se acha no âmago do orgulho.
O orgulho não se satisfaz em ter uma coisa, mas em tê-la em quantidade maior do que os outros. Dizemos que as pessoas se orgulham de ser ricas, espertas ou bonitas, mas isso não é verdade. Elas têm orgulho de ser mais ricas, mais espertas ou mais bonitas que os outros. Se todos fossem igualmente ricos, ou inteligentes, ou bonitos, não existiria motivo de orgulho.
Em outras palavras, temos orgulho apenas de ser mais bem-sucedidos, mais inteligentes ou mais bonitos do que os outros e, quando encontramos alguém mais bem-sucedido, mais inteligente e mais bonito do que nós, o que tínhamos perde a graça. Isso acontece porque não tínhamos alegria verdadeira nessas coisas. Tinham os apenas orgulho delas. Como Lewis afirma, orgulho é o prazer de ter mais do que os outros. Orgulho é o prazer de se sentir melhor do que os outros.
Samuel segue o protocolo para começar os trabalhos de “unção” de Saul.
1Samuel 9.24 NAA
O cozinheiro pegou a coxa com o que havia nela e a pôs diante de Saul. Então Samuel disse: — Aqui está o que foi reservado. Pegue e coma, pois foi guardado para você para esta ocasião, quando eu disse: “Convidei o povo.” Assim, Saul comeu com Samuel naquele dia.
Levítico 7.33–34 NAA
Aquele dos filhos de Arão que oferecer o sangue do sacrifício pacífico e a gordura, esse terá a coxa direita por sua porção. Porque tomei dos filhos de Israel, dos seus sacrifícios pacíficos, o peito que é movido e a coxa da oferta e os dei a Arão, o sacerdote, e a seus filhos, por direito perpétuo dos filhos de Israel.
Samuel iria indicar o caminho para Saul (isso vai acontecer até o capitulo 16).
1Samuel 16.1 NAA
O Senhor disse a Samuel: — Até quando você terá pena de Saul, se eu o rejeitei como rei de Israel? Encha um chifre de azeite e ponha-se a caminho; vou enviar você a Jessé, o belemita, porque escolhi um dos filhos dele para ser rei.
3. Outras aplicações:
(a) Não se esqueça de que Deus tem um povo, e não importa quem esteja no poder dos homens, só Deus tem domínio total sobre eles.
1Samuel 9.16 NAA
— Amanhã a estas horas, enviarei a você um homem da terra de Benjamim, o qual você ungirá por príncipe sobre o meu povo de Israel. E ele livrará o meu povo das mãos dos filisteus. Porque olhei para o meu povo, pois o seu clamor chegou a mim.
1Samuel 10.1 NAA
Samuel pegou um vaso de azeite e o derramou sobre a cabeça de Saul. Então ele o beijou e disse: — O Senhor está ungindo você como príncipe sobre a sua herança, o povo de Israel.

O povo teria seu rei, mas nunca substituiria Deus por Saul ou por nenhum governante humano. Para Israel, foi uma bênção imerecida ser chamado de herança do Senhor, sustentado no amor de Deus pela firme graça soberana. É uma grande bênção para os cristãos, hoje, serem chamados de “raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (

(b) Temos de confiar na providência divina: ela é sempre a nosso favor, mesmo quando parece ser contra nós.
Millard Ericson:
A atividade governamental de Deus é universal. Ela se estende a todos os assuntos, ao que é obviamente bom e até ao que claramente não é bom.
Deus é bom em seu governo. Ele trabalha para o bem, às vezes fazendo-o diretamente, outras, revertendo ou desviando os esforços dos maus, tornando-os bons. O fato e Deus ser bom em seu governo devia produzir nos crentes uma confiança no resultado final dos acontecimentos da vida. Deus não está apenas no controle; ele está dirigindo as coisas de acordo com a bondade e a graça de seu caráter.
Deus está pessoalmente interessado nos seus.
Deus é soberano em seu governo. Isso significa que só ele determina seu plano e sabe o significado de cada uma de suas ações. Não nos é necessário saber para onde ele está se dirigindo. Precisamos, portanto, ser cuidadosos para evitar ficar ditando para Deus o que ele deve fazer para nos dar direção.
Gênesis 50.20 NAA
Vocês, na verdade, planejaram o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como estão vendo agora, que se conserve a vida de muita gente.
Jó 2.10 NAA
Mas Jó respondeu: — Você fala como uma doida. Temos recebido de Deus o bem; por que não receberíamos também o mal? Em tudo isto Jó não pecou com os seus lábios.
Romanos 8.28 NAA
Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.
Mateus 5.45 NAA
para demonstrarem que são filhos do Pai de vocês, que está nos céus. Porque ele faz o seu sol nascer sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos.
Ilustr.:
Reforma e Avivamento: William Cowper, um santo abatido pela depressão
William Cowper, um santo abatido pela depressão
Deus ...
.. move-Se de forma misteriosa
Na realização dos Seus milagres;
Ele planta os Seus passos no mar
E vem cavalgando a tempestade.
William Cowper, que escreveu esse hino “God Moves in a Mysterious way”, nasceu em Berkhamstead, Herford, na Inglaterra, neste dia, 26 de novembro de 1731. A sua vida foi cheia de angústia pessoal. Aos cinco anos, a sua mãe morreu-lhe. Aos 10 anos, o seu pai enviou-o para um internato onde viveu uma vida horrível e cheia de desapontamentos. E, William, uma criança tímida e sensível, foi tratada com grande crueldade por um rapaz mais velho. Atualmente a tão discutida agressividade infantil, o bullying! Também muitas outras das suas experiências escolares lhe foram dolorosas. Aos dezoito anos, William começou a estudar Direito e apaixonou-se pela sua prima Theodora Cowper, mas o seu pai não aprovava o namoro. Nenhum deles jamais se casou.
Após concluir os estudos de direito ele exerceu a profissão por algum tempo. Posteriormente, foi-lhe oferecido trabalho no ministério da justiça para o qual ele teria de ser examinado. William tinha tanto medo de ter de responder a perguntas e não corresponder, que entrou num acesso de loucura.
Assim, aos 32 anos desistiu do sonho de ser magistrado em consequência de uma profunda depressão, que o levou a tentar o suicídio muitas vezes. Tentou pular no rio Tamisa, mas foi impedido; ingeriu veneno, porém, foi encontrado a tempo por alguém que o socorreu; atirou-se sobre uma faca, mas a lâmina quebrou-se com o peso do seu corpo; tentou enforcar-se, contudo um vizinho encontrou-o e cortou a corda antes que ele morresse; tomou muitos comprimidos anti-depressivos, mas foi salvo pela sua empregada doméstica. Sofrendo de depressão aguda e profunda inquietação mental, beirando-se da loucura, William Cowper voltou-se cada vez mais para Cristo.
Depois de um tempo num asilo privado, Cowper recuperou a razão. Após várias das suas tentativas de suicídio, lendo a Bíblia no jardim da sua casa, uma passagem o marcou: “Sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no Seu sangue, para demonstrar a Sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus.” (Rm 3:24-25 ACF) O Espírito Santo actuou no seu coração através daquelas palavras e ali mesmo iam Cowper rendeu-se a Cristo, sendo salvo dos seus pecados. O próprio Cowper afirma: “Não sei como, mas num momento, recebi poder para crer e o sol da justiça brilhou no meu coração. Vi claramente a suficiência do sacrifício feito por Cristo; o perdão através do Seu sangue; a completa e ampla justificação.”
Cowper mudou-se para a cidade de Olney, onde John Newton, o ex-traficante de escravos, era pastor. Logo eles se tornaram amigos íntimos. Em 1771, Newton ficou preocupado com o aumentar da melancolia de Cowper. Na esperança de levantar o seu ânimo, mantendo-o ocupado, Newton sugeriu que ele e Cowper publicassem um livro de hinos. O próprio Newton escrevia hinos para ilustrar os seus sermões de domingo. “Amazing Grace” é um desses 280 hinos que ele escreveu para essa colectânea que depois de publicada ficou conhecida como o Hinário dos “Hinos Olney.” Cowper escreveu 68 dos hinos desse Hinário, como “Oh for a closer walk with God”, “God moves in a mysterious way” e “There is a fountain filled with blood.”
Os “Hinos Olney” apresentaram a poesia de Cowper pela primeira vez ao mundo. William Cowper cultivou na sua obra poética uma sensibilidade reflexiva e uma melancolia desconhecidas nas gerações anteriores. Cowper continuou a escrever poesia e tornou-se famoso. Ele é considerado um dos fundadores do movimento romântico Inglês. O seu texto “John Gilpin” é um dos favoritos das crianças de língua inglesa. Numa das suas mais comoventes poesias, “The Task”, Cowper continuou a louvar o seu Criador. Ele disse uma vez que, de todos os dons que Deus nos dá, Deus, Ele mesmo, é o maior. No entanto, como ele se aproximava da morte (não nos aproximamos nós?), o seu estado mental melancólico reafirmou-se e ele convenceu-se de que ele era uma das almas, que estavam predestinadas à condenação eterna, isto, talvez fruto da sua educação infantil. Um poema intitulado “The Castaway”, ilustra claramente estas suas apreensões.
William Cowper, poeta e compositor de hinos, inglês do século XVIII, lutou contra sucessivas crises depressivas ao longo da sua vida. Talvez seja por isso que os seus hinos ainda hoje nos tocam profundamente quando a nossa vida parece rodopiar fora de controlo e nós desejamos desesperadamente confiar em Deus.
Um dos hinos mais conhecidos de Cowper, “God moves in a mysterious way,” (Deus move-Se de forma misteriosa) contem estas palavras animadoras:
Vós, santos temerosos, tomai novo alento
As nuvens que tanto vos atemorizam
São abundantes em misericórdia
E irromperão em bênçãos sobre vossas cabeças.
Imaginamos com frequência que os cânticos triunfantes da fé cristã são escritos por pessoas que já venceram as dificuldades da vida. Mas o livro dos cânticos da Bíblia, os Salmos, recorda-nos os lamentos atribulados de David, e de todos os santos de todas as épocas: “Até quanto Te esquecerás de mim, Senhor? Para sempre? Até quando esconderás de mim o Meu rosto?” E depois da grossa borrasca, as aleluias: “na Tua salvação meu coração se alegrará. Cantarei ao Senhor, porquanto me tem feito muito bem.” (Sl 13:1,5-6). William Cowper compôs alguns dos seus hinos mais consoladores por causa da dor da depressão. À semelhança de David, Cowper e de tantos outros crentes, Deus pode transformar os nossos momentos mais difíceis em benefícios espirituais para nós mesmos e para os outros filhos de Deus. Em cada luta, que seja mental, física, emocional ou espiritual, o nosso desafio é passarmos do medo de sermos suplantados para a confiança que Deus já suplantou. Cowper não achou que fosse fácil, mas ele descobria nessas ocasiões, de cada vez, que Deus era maior do que ele alguma vez tinha imaginado.
William Cowper, um santo abatido pela depressão, nascido a 26 de novembro de 1731, em Berkhamstead, Herford, Inglaterra e falecido em 25 de abril de 1800, em East Dereham, Norfolk, Inglaterra, foi um poeta cristão inglês.
Carlos António da Rocha
http://no-caminhodejesus.blogspot.com/
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