O Cordeiro e o Sangue
Cristiano Gaspar
Tetelestai • Sermon • Submitted • Presented
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Introdução
Introdução
Texto: Êxodo 12:1-14
Irmãos e irmãs, começamos hoje um retiro que tem como tema uma das palavras mais poderosas que já foram pronunciadas na história da humanidade: Tetelestai — do grego, “Está consumado”.
Essa foi a última palavra de Jesus antes de entregar o Seu espírito na cruz. Uma palavra curta, mas com um eco eterno. Não foi um suspiro de derrota. Foi um grito de vitória. Foi o selo sobre uma obra completa, a quitação de uma dívida impagável, a consumação de um plano traçado desde a eternidade.
Mas para entendermos verdadeiramente o peso e a beleza dessa palavra, precisamos voltar no tempo. Voltar não apenas aos evangelhos, mas ainda mais atrás — ao livro de Êxodo. Porque foi ali, naquela noite escura no Egito, que Deus plantou uma semente que floresceria no Calvário.
O Cenário do Êxodo
O Cenário do Êxodo
Em Êxodo 12, o povo de Deus está prestes a ser liberto da escravidão. Por 430 anos, Israel foi oprimido, humilhado, tratado como nada. Clamaram. Sofreram. E Deus ouviu.
Agora, a décima e última praga está para cair sobre o Egito. E ela não faz distinção de cor, de classe, ou de nacionalidade. O juízo de Deus virá sobre todos os primogênitos da terra. E o que é mais surpreendente: nem mesmo os israelitas estão automaticamente seguros.
A mensagem de Deus é clara: “Todos pecaram. Todos merecem juízo. A única salvação está no sangue.”
Então Deus ordena algo inusitado: cada família deve escolher um cordeiro. Um cordeiro sem defeito. Ele deve ser morto, e o sangue dele passado nos umbrais e vergas das portas. Quando o anjo do Senhor passasse, veria o sangue... e passaria por cima.
“Quando eu vir o sangue, passarei por vós” (v.13)
Esse é o momento que redefiniu toda a história do povo de Deus. É também o momento que antecipa, em sombras, o que Jesus faria por nós.
Uma História Que Aponta para Cristo
Uma História Que Aponta para Cristo
O que temos aqui não é apenas um ritual antigo. É uma tipologia poderosa. A Páscoa no Egito não era o fim, mas o começo de uma jornada — e um protótipo do evangelho.
O cordeiro morto por causa do pecado...
O sangue como sinal de substituição...
A vida sendo preservada por causa de outro que morreu em seu lugar...
A nova identidade do povo a partir daquele livramento...
Tudo isso encontra sua plenitude em Jesus.
O apóstolo Paulo afirma em 1 Coríntios 5:7:
“Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado.”
Quando Jesus, o Cordeiro de Deus, pendurado no madeiro, grita "Tetelestai", Ele está dizendo: “O Êxodo chegou ao fim. O livramento definitivo aconteceu. A ira passou. A dívida foi paga. A liberdade começou.”
1. A Noite do Juízo e da Libertação
1. A Noite do Juízo e da Libertação
12 Porque, naquela noite, passarei pela terra do Egito e matarei na terra do Egito todos os primogênitos, tanto das pessoas como dos animais, e executarei juízo sobre todos os deuses do Egito. Eu sou o Senhor.
13 — O sangue será um sinal para indicar as casas em que vocês se encontram. Quando eu vir o sangue, passarei por vocês, e não haverá entre vocês praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito.
“Naquela noite, passarei pela terra do Egito e matarei todos os primogênitos, tanto dos homens como dos animais, e executarei juízo sobre todos os deuses do Egito. Eu sou o Senhor! O sangue será um sinal para indicar as casas em que vocês estão; quando eu vir o sangue, passarei por vocês. A praga de destruição não os atingirá quando eu ferir o Egito.”
Naquela noite em que Deus desceu com justiça sobre a terra do Egito, a única coisa que separava os vivos dos mortos não era nacionalidade, não era moralidade, não era esforço religioso — era o sangue.
O juízo era universal porque o pecado era universal. A justiça de Deus exige que o pecado seja punido. Mas veja a graça: Deus oferece um meio de escape. E é aqui que o evangelho começa a brilhar em forma de sombra.
A salvação não veio porque o povo era melhor que os egípcios.
A salvação veio porque Deus providenciou um substituto — um cordeiro. E o sangue desse cordeiro, derramado e exposto nas portas, era o sinal que impedia o juízo de cair.
Imaginemos duas famílias hebreias naquela noite. Uma delas, cheia de fé, confiante na palavra de Deus, dorme tranquila. A outra, nervosa, ansiosa, olha a cada minuto para a porta, temendo pelo filho primogênito. Ambas obedeceram. Ambas colocaram o sangue no batente. E em ambas o anjo passou por cima.
Não era a intensidade da fé que salvava, mas a suficiência do sangue.
Aplicação:
Aplicação:
Na cruz, o juízo caiu — mas não sobre nós. O sangue do verdadeiro Cordeiro foi exposto, não nos umbrais de madeira, mas em uma cruz. Quando Deus vê o sangue de Jesus sobre a sua vida, Ele não vê mais seus pecados. Ele vê justiça. Ele vê Seu Filho. E Ele passa por cima.
É por isso que celebramos a cruz. Não com vergonha. Mas com esperança.
2. O Cordeiro Perfeito e Sem Defeito
2. O Cordeiro Perfeito e Sem Defeito
5 O cordeiro será sem defeito, macho de um ano, podendo também ser um cabrito.
“O cordeiro será sem defeito, macho de um ano, e vocês o tomarão das ovelhas ou das cabras.”
Deus não aceitaria qualquer cordeiro. Ele não pediu um animal aleatório, doente ou velho. O cordeiro deveria ser sem defeito.
Por quê?
Porque esse cordeiro apontava para alguém. Era um símbolo. Era uma profecia viva. Era uma sombra do Cordeiro perfeito que viria: Jesus Cristo.
Pedro entendeu isso quando escreveu:
“Vocês foram resgatados... com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha” (1 Pe 1:18-19)
Jesus foi tentado em todas as coisas, mas não pecou. Ele não foi corrompido. Ele foi o único ser humano digno de ser o sacrifício substitutivo. É por isso que Ele não apenas morreu por nós — Ele morreu em nosso lugar.
Ao contrário dos cordeiros do Êxodo, que precisavam ser oferecidos ano após ano, o sacrifício de Jesus foi único e definitivo. E é por isso que Ele pode dizer com autoridade: Tetelestai — está completo. Nenhuma gota de sangue a mais é necessária. Nenhuma obra precisa ser acrescentada. Está feito.
Aplicação:
Aplicação:
Cristo não morreu apenas para ser um exemplo, mas para ser nosso substituto. A cruz não foi uma tragédia, foi um plano. Não foi o fracasso de um idealista, mas a vitória do Redentor. Quando você crê nesse Cordeiro, o sangue dEle é contado a seu favor — e você nunca mais será o mesmo.
3. A Nova Identidade do Povo Redimido
3. A Nova Identidade do Povo Redimido
2 — Este mês será para vocês o principal dos meses; será o primeiro mês do ano.
Essa ordem parece estranha à primeira vista. Deus está prestes a realizar o maior ato de libertação que Israel já experimentou, e Sua primeira instrução é sobre... o calendário?
Mas isso tem um peso teológico profundo.
Ao instituir aquele mês como o início do ano, Deus estava dizendo: “A história de vocês começa aqui. A vida de vocês será contada a partir da redenção.”
A Páscoa marca um novo começo. O povo que era escravo agora é livre. O povo sem identidade agora é nação. O povo sem esperança agora tem uma promessa. Deus está reescrevendo a história do Seu povo a partir do sangue do cordeiro.
E da mesma forma, a cruz é o marco zero da nossa nova identidade.
Antes de Cristo, nossa vida girava em torno de outras datas e marcos: conquistas pessoais, fracassos, traumas, realizações, títulos. Mas depois da cruz, nossa identidade é redefinida. Não somos mais escravos, mas filhos. Não estamos mais condenados, mas justificados. Não estamos perdidos, mas encontrados.
O “Tetelestai” de Jesus não foi apenas a consumação de Sua missão — foi o início da nossa nova vida.
Aplicação:
Aplicação:
No início deste retiro, precisamos lembrar: nossa história começa com a redenção. Quem você é não é determinado pelo seu passado, seus pecados ou sua performance — mas pelo sangue que foi derramado por você.
Deixe isso definir sua caminhada nesses dias. Você é alguém sobre quem foi escrito: "Está consumado". O preço foi pago. A liberdade foi conquistada. A história foi reiniciada.
Conclusão: A Jornada do Cordeiro ao Calvário
Conclusão: A Jornada do Cordeiro ao Calvário
Irmãos, com este devocional abrimos um retiro inteiro para meditar na cruz. Em cada culto, olharemos para diferentes aspectos do sofrimento de Jesus, Sua entrega, Sua dor e, por fim, Sua vitória.
Mas tudo começa aqui, com um cordeiro morto no Egito. E tudo termina com um Cordeiro morto e ressuscitado no Gólgota.
A Páscoa do Antigo Testamento foi um prenúncio. A cruz é o cumprimento. O sangue no batente foi um símbolo. O sangue na cruz é o real. O livramento do Egito foi a sombra. A nossa salvação em Cristo é a luz do meio-dia.
Na cruz, Jesus foi o Cordeiro:
Escolhido.
Sem mácula.
Sacrificado.
E eficaz.
E por isso, Ele pôde dizer: Tetelestai — Está feito. Está completo. Está pago.
