Pascoa - 20/04/25 noite
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· 9 viewsCHAMA A CONTINUAR OLHANDO PARA A CRUZ DE CRISTO
Notes
Transcript
tema: A cruz: o centro da história
Texto: Gálatas 6.14–17
Grande Ideia: A cruz de Cristo redefine nossa glória, nossa identidade, nossa bênção e nosso sofrimento.
Contexto
Histórico:
A carta aos Gálatas foi escrita por Paulo a igrejas da Galácia (provavelmente na região sul), para confrontar o ensino dos judaizantes, que exigiam a observância da Lei de Moisés e da circuncisão.
O pano de fundo é a justificação pela fé versus as obras da Lei.
A cruz era um escândalo para judeus e loucura para gregos (1 Co 1.18-25), mas Paulo a coloca como o centro da fé.
Imediato:
Gálatas 6 trata das evidências práticas de uma vida espiritual, e conclui com um apelo à cruz como centro da fé cristã.
O contraste entre os que se gloriavam na carne e Paulo, que se gloria na cruz.
Conexão com outros livros:
Romanos 3.21–26 “Mas, agora, sem lei, a justiça de Deus se manifestou, sendo testemunhada pela Lei e pelos Profetas. É a justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos e sobre todos os que creem. Porque não há distinção, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus apresentou como propiciação, no seu sangue, mediante a fé. Deus fez isso para manifestar a sua justiça, por ter ele, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos, tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, a fim de que o próprio Deus seja justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus.” : justificação pela fé no sacrifício de Cristo.
Filipenses 3.7–11 “Mas o que para mim era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Na verdade, considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa dele perdi todas as coisas e as considero como lixo, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, mas aquela que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé. O que eu quero é conhecer Cristo e o poder da sua ressurreição, tomar parte nos seus sofrimentos e me tornar como ele na sua morte, para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos.” : Paulo considera tudo perda por causa da cruz.
2Coríntios 4.10–11 “Levamos sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida dele se manifeste em nosso corpo. Porque nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal.” : o sofrimento apostólico como identificação com Cristo.
Introdução
Vivemos em um mundo que se gloria em muitas coisas: poder, conquistas, status, diplomas, religiões e tradições. Nas redes sociais, as pessoas mostram o que têm de melhor — ou pelo menos, o que parece melhor. Até na vida espiritual, há quem se glorie em práticas religiosas, títulos e realizações.
Mas o apóstolo Paulo, um homem culto, zeloso, líder respeitado entre os judeus, escreve algo que desafia toda lógica humana:
“Longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo...”
A cruz — símbolo de vergonha, dor e maldição — torna-se, para Paulo, o seu maior motivo de glória. Isso porque, para ele, a cruz de Cristo não é um acessório da fé, mas o centro da história da redenção, o ponto de virada da humanidade, e a base da sua nova vida.
A carta aos Gálatas foi escrita justamente para corrigir uma distorção: havia quem quisesse acrescentar méritos humanos à obra da cruz. Mas Paulo, com clareza e firmeza, encerra sua carta com um grito teológico e pastoral: “Não é a circuncisão. Não é a Lei. É a cruz. Só a cruz.”
Neste texto, veremos quatro aspectos transformadores da cruz:
Ela redefine nossa glória
forma uma nova criação
concede paz e misericórdia
E nos chama a carregar as marcas de Cristo.
Estrutura
1. A Única Glória (v.14)
“Longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo...”
A. Rejeição de toda glória humana
Paulo rejeita a vanglória na Lei, na carne ou em conquistas religiosas.
B. A centralidade da cruz como expressão da graça
A cruz revela o juízo de Deus sobre o pecado e o amor que salva o pecador.
C. A transformação espiritual pela cruz
“O mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo” — uma nova relação com o mundo e com Deus.
Teologia:
A cruz é o único meio pelo qual o ser humano pode se reconciliar com Deus (Colossenses 1.20 “e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus.” ).
Aplicação: Você está se gloriando em quê? Seu status, ministério, reputação ou na cruz?
Exemplo: Lutero dizia: “A teologia da glória exalta o homem; a teologia da cruz exalta a Cristo.”
Frase de transição:
A cruz não apenas transforma nossa glória, mas também nossa natureza.
2. Nova Criação (v.15)
“Porque nem a circuncisão é coisa alguma, nem a incircuncisão, mas o ser nova criatura.”
A. A inutilidade de ritos religiosos para a salvação
Nem religião, nem irreligião contam — apenas a nova criação.
B. A regeneração como obra do Espírito
A nova criação é fruto da obra do Espírito (João 3.3–6 “Jesus respondeu: — Em verdade, em verdade lhe digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus. Nicodemos perguntou: — Como pode um homem nascer, sendo velho? Será que pode voltar ao ventre materno e nascer uma segunda vez? Jesus respondeu: — Em verdade, em verdade lhe digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.” ; 2Coríntios 5.17 “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” ).
C. Identidade em Cristo, não na cultura ou tradição
O cristão é definido pelo que Deus fez nele, não pelo que ele faz por Deus.
Teologia: A nova criação é o cumprimento das promessas escatológicas (Ez 36.26; Is 43.18-19).
Aplicação: Você está vivendo como alguém regenerado ou apenas reformado por fora?
Exemplo: Charles Spurgeon: “Não somos salvos por boas obras, mas para boas obras — nascidos de novo para viver diferente.”
Frase de transição:Essa nova vida nos conduz a viver em paz e receber misericórdia divina.
3. A Paz e a Misericórdia (v.16)
“E a todos quantos andarem de conformidade com esta regra, paz e misericórdia sejam sobre eles e sobre o Israel de Deus.”
A. A regra da nova criação como norma de vida
“Esta regra” (κανών – kanón) refere-se ao evangelho da cruz.
B. A bênção dupla de paz e misericórdia
Paz com Deus (Romanos 5.1 “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo,” ) e misericórdia contínua em nossa caminhada.
C. A identidade do verdadeiro povo de Deus
“Israel de Deus” = crentes em Cristo, judeus e gentios regenerados.
Teologia: A bênção do pacto agora pertence àqueles que são de Cristo (Gálatas 3.29 “E, se vocês são de Cristo, são também descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa.” ).
Aplicação: Você vive pela regra da nova criação? Há paz e misericórdia na sua vida?
Exemplo: John Stott: “A cruz não apenas salva pecadores, mas une um novo povo.”
Frase de transição: Essa vida centrada na cruz implica também carregar suas marcas.
4. O Sinal do Sofrimento por Cristo (v.17)
“Desde agora ninguém me inquiete; porque eu trago no corpo as marcas de Jesus.”
A. A autoridade apostólica selada pelo sofrimento
Paulo se distingue dos falsos mestres: não tem marcas rituais, mas cicatrizes do evangelho.
B. As marcas como identificação com Cristo
στίγματα (stígmata) – sinais visíveis de sofrimento, prova de fidelidade.
C. O discípulo como imitador do Senhor crucificado
Carregar a cruz é seguir o caminho de Cristo (Lucas 9.23 “Jesus dizia a todos: — Se alguém quer vir após mim, negue a si mesmo, dia a dia tome a sua cruz e siga-me.” ).
Teologia: Aqueles que vivem para Cristo inevitavelmente sofrerão por Ele (2Timóteo 3.12 “Na verdade, todos os que querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos.” ).
Aplicação: Você está disposto a sofrer por causa do evangelho?
Exemplo: Dietrich Bonhoeffer: “Quando Cristo chama um homem, Ele o convida a vir e morrer.”
Frase de transição: A cruz nos define, nos transforma e nos sustenta — do início ao fim.
Grande Ideia
A cruz de Cristo redefine nossa glória, nossa identidade, nossa bênção e nosso sofrimento.
Teologia Bíblica
Gênesis 3.15 “Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela. Este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar.” – A promessa do Redentor.
Isaías 53 – O Servo sofredor.
João 3.14–16 “— E assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” – A cruz como expressão do amor de Deus.
Romanos 5.6–10 “Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Dificilmente alguém morreria por um justo, embora por uma pessoa boa alguém talvez tenha coragem para morrer. Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando ainda éramos pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida!” – Cristo morreu por nós sendo nós ainda pecadores.
1Coríntios 1.18 “Certamente a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, ela é poder de Deus.” – A cruz é poder para os salvos.
Colossenses 2.13–15 “E quando vocês estavam mortos nos seus pecados e na incircuncisão da carne, ele lhes deu vida juntamente com Cristo, perdoando todos os nossos pecados. Cancelando o escrito de dívida que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, cravando-o na cruz. E, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando sobre eles na cruz.” – A cruz cancelou a dívida e triunfou sobre os poderes.
Apocalipse 5.6–9 “Então vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos, em pé, um Cordeiro que parecia que tinha sido morto. Ele tinha sete chifres, bem como sete olhos, que são os sete espíritos de Deus enviados por toda a terra. O Cordeiro foi e pegou o livro da mão direita daquele que estava sentado no trono. E, quando ele pegou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos se prostraram diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos, e cantavam um cântico novo, dizendo: “Digno és de pegar o livro e de quebrar os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação” – O Cordeiro morto reina no trono.
Aplicação
Pessoal: Você se gloria na cruz ou em outra coisa? Sua vida foi transformada pela nova criação? Você vive como alguém alcançado pela paz e misericórdia de Deus? Está disposto a carregar as marcas do discipulado?
Familiar: A cruz é o centro do seu lar? Há evidência de nova criação no modo como você ama, perdoa e serve em casa?
Eclesiástica: A sua igreja valoriza a cruz ou práticas exteriores? Está proclamando o verdadeiro evangelho?
