A Casa de Deus

Pr. Max Ferreira
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Um Chamado à Verdadeira Adoração

Texto Base: Mateus 21:12-17
Mateus 21.12–17 NVI
12 Jesus entrou no templo e expulsou todos os que ali estavam comprando e vendendo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas, 13 e lhes disse: “Está escrito: ‘A minha casa será chamada casa de oração’; mas vocês estão fazendo dela um ‘covil de ladrões’”. 14 Os cegos e os mancos aproximaram-se dele no templo, e ele os curou. 15 Mas quando os chefes dos sacerdotes e os mestres da lei viram as coisas maravilhosas que Jesus fazia e as crianças gritando no templo: “Hosana ao Filho de Davi”, ficaram indignados, 16 e lhe perguntaram: “Não estás ouvindo o que estas crianças estão dizendo?” Respondeu Jesus: “Sim, vocês nunca leram: “ ‘Dos lábios das crianças e dos recém-nascidos suscitaste louvor’”? 17 E, deixando-os, saiu da cidade para Betânia, onde passou a noite.

Introdução: O Templo e o Sacrifício

Era a última semana da vida de Jesus antes da crucificação, a chamada “Semana da Paixão”.
Jesus entra em Jerusalém aclamado como Rei (Mateus 21.9: “A multidão que ia adiante dele e os que o seguiam gritavam: “Hosana ao Filho de Davi!” “Bendito é o que vem em nome do Senhor!” “Hosana nas alturas!”) e a seguir, Mateus nos diz que ele vai direto ao templo, o coração da fé de Israel.
O templo (agora de Herodes), um complexo monumental, era o centro religioso, político e comercial da nação.
No Novo Testamento, ele é descrito por duas palavras: hieron, que abrange toda a área sagrada, incluindo o Pátio dos Gentios, onde todos podiam orar; e naos, o edifício central no Pátio dos Sacerdotes, onde se ofereciam sacrifícios (Lopes, 2019).
No Pátio dos Gentios, cambistas trocavam moedas por taxas altas, e vendedores ofereciam animais a preços exorbitantes, profanando o espaço destinado à adoração universal.
Como Craig S. Keener observa (The Gospel of Matthew: A Socio-Rhetorical Commentary, 2009), esse comércio, embora facilitasse sacrifícios, explorava peregrinos, afastando os povos da oração.
O templo era o lugar onde Deus encontrava Seu povo. Instituído por Moisés e codificado em Levítico, o sistema de sacrifícios era central para a adoração judaica.
Cada oferta tinha um propósito: reconciliar, agradecer, consagrar. Os animais sacrificados carregavam significados específicos, refletindo a relação entre Deus e Israel:
Cordeiros: Simbolizavam inocência e expiação. No sacrifício pascal (Êxodo 12:5) e na oferta diária (Êxodo 29:38-39), o cordeiro apontava para o perdão dos pecados, prenunciando Cristo, o “Cordeiro de Deus” (João 1:29).
Pombas: Representavam acessibilidade para os pobres. Usadas por mulheres após o parto (Levítico 12:8) ou em purificações, eram a oferta dos humildes, como vimos com Maria e José (Lucas 2:24 “duas rolinhas ou dois pombinhos”).
Bois e cabras: Simbolizavam força e restituição. Usados em ofertas pelo pecado (Levítico 4:3) ou ações de graças (Levítico 7:12), refletiam o custo do pecado e a gratidão a Deus.
Esses sacrifícios exigiam animais sem defeito (Levítico 22:20), trazidos ou comprados pelos adoradores. Mas agora, o comércio no templo explorava esta prática e incentivava a conveniência, muitas vezes ao custo de verdadeira devoção.
Em Mateus 21:12-17, Jesus entra nesse cenário e age com autoridade. Ele purifica o templo, derrubando mesas e expulsando comerciantes.

Fica a pergunta: Por que Jesus fez isso?

Hoje, veremos três motivos que revelam o coração de Jesus nesta ação: a corrupção que profanava, a comodidade que enfraquecia e a restauração que sucederia.
Que esse texto nos desperte para voltar os nossos corações para um culto que de fato honre a Deus.

1. Jesus Contrariou a Corrupção: Denunciando a Profanação do Sagrado (Mateus 21:12-13)

“Jesus entrou no templo e expulsou todos os que ali estavam comprando e vendendo. [...] ‘Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração, mas vocês estão fazendo dela um covil de ladrões” (Mateus 21:12-13).
Jesus inicia com um gesto profético: derruba as mesas dos cambistas e as cadeiras dos vendedores de pombas. Citando Isaías 56:7 e Jeremias 7:11, Ele condena a transformação do templo em “covil de ladrões”.
A elite sacerdotal, sob líderes como Anás e Caifás, transformara o culto em negócio. Cambistas cobravam taxas abusivas para trocar moedas pagãs pelo shekel do templo, e vendedores inflacionavam preços, explorando os pobres e ocupando o Pátio dos Gentios, excluindo os não-judeus do culto.
Como William Hendriksen observa, os mercadores pagavam generosamente aos sacerdotes por suas concessões, enriquecendo-se a sí próprios e aos cofres dos líderes (Lopes, 2019).
Charles Spurgeon compara o templo a “cavernas onde ladrões se escondiam”, um lugar onde o pecado era encoberto, não confrontado (Lopes, 2019).
Exegese: Keener (2009) explica que “covil de ladrões” aponta para um sistema de exploração que usava a religião como fachada. O lucro havia substituído o relacionamento com Deus, e o templo, que deveria unir povos em oração, tornava-se um esconderijo de injustiça. Era Jesus, ecoando Malaquias 3:1-3, purifica com justiça.
Malaquias 3.1–3 NVI
1 “Vejam, eu enviarei o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim. E então, de repente, o Senhor que vocês buscam virá para o seu templo; o mensageiro da aliança, aquele que vocês desejam, virá”, diz o Senhor dos Exércitos. 2 Mas quem suportará o dia da sua vinda? Quem ficará em pé quando ele aparecer? Porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão do lavandeiro. 3 Ele se assentará como um refinador e purificador de prata; purificará os levitas e os refinará como ouro e prata. Assim trarão ao Senhor ofertas com justiça.
Aplicação: A corrupção no templo nos alerta contra os perigos de transformar a casa de Deus em um espaço para satisfazermos os nossos interesses pessoais.
A igreja deve ser um lugar de oração, serviço e doação e não de barganha, plataforma ou alpinismo social.
Examine seu coração: Quando a gente vem à casa de Deus, o fazemos para buscar a Sua glória ou à nossa? Viemos para negociar bênçãos ou para rendermos graças a Ele?

2. Jesus Confrontou a Comodidade: Denunciando a Falta de Devoção (Mateus 21:12)

“Jesus entrou no templo e expulsou todos os que ali estavam comprando e vendendo. [...] ‘Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração, mas vocês estão fazendo dela um covil de ladrões’” (Mateus 21:12-13).
Além da corrupção, Jesus confronta a comodidade do povo. Comprar pombas e cordeiros no templo era prático para peregrinos, evitando o esforço de criar ou trazer animais sem defeito.
Aliado isso, Sacerdotes, em conluio com vendedores, rejeitavam os sacrifícios trazidos pelo povo, forçando reforçando ainda mais as compras a preços altos diretamente no templo (Lopes, 2019).
Por outro lado, haviam cada vez mais aqueles que preferiam comprar no templo ao invés de ter o trabalho de preparar uma oferta (criar, cultivar, ir em busca) ao Senhor. Essa conveniência refletia uma fé superficial, onde o sacrifício se tornava uma transação e não uma devoção.
Exegese: N.T. Wright (1996) sugere que a comercialização incentivava uma religião mecânica.
Leon Morris (1992) observa que a menção às pombas aponta para a exploração dos pobres, mas também para a aceitação passiva do povo. Jesus ao assim fazer, além de denunciar os "aproveitadores" do templo, nos chama a oferecer um culto que nos custe algo, como Davi: “Não oferecerei ao Senhor aquilo que não me custe nada” (2 Samuel 24:24).
Aplicação: A comodidade espiritual nos ameaça ainda hoje. Frequentamos cultos, damos ofertas (quando damos), mas nosso coração está presente? Deus deseja um culto de entrega, não de rotina. Um tempo de adoração e não de enganação. Saia do comodismo e ofereça a Deus algo que reflita seu amor por Ele.

3. Jesus ao enfrentar os abusos no templo, abriu espaço para a Restauração, Recuperando o Verdadeiro Propósito do Templo. (Mateus 21:14-16)

“Os cegos e os mancos aproximaram-se dele no templo, e ele os curou. [...] As crianças gritando no templo: ‘Hosana ao Filho de Davi’” (Mateus 21:14-15).
Após purificar o templo, Jesus restaura seu propósito. Ele cura cegos e mancos, cumprindo Isaías 35:5-6, trazendo luz e movimento onde havia trevas e paralisia (Lopes, 2019). As crianças louvam com entusiasmo: “Hosana ao Filho de Davi”, citando Salmo 8:2, enquanto os líderes se indignam. Jesus afirma que o louvor genuíno vem dos humildes. Sua saída para Betânia, a “casa da miséria”, simboliza Seu refúgio em meio à rejeição (Lopes, 2019).
Exegese: R.T. France (2007) destaca que Mateus mostra o templo como lugar de graça e inclusão. Craig Blomberg (1992) nota que as crianças enxergam a identidade de Jesus, refletindo o culto puro. William Hendriksen, citando Philip Schaff, compara a purificação à Reforma do século 16, um protesto contra a profanação da fé - com relação as indulgências (Lopes, 2019).
Aplicação: Jesus nos chama a fazer da casa de Deus um lugar de restauração, cura, inclusão e louvor a Deus. Para isso, a igreja deve acolher os quebrantados e exaltar a Cristo com sinceridade.
Este convite nos inspira a:
a) Enxergarmos os “cegos e mancos” de nossos dias para receberem a cura e restauração de sua saúde (antes de tudo, espiritual;
b) Sermos como aquelas crianças: adorar com um coração puro, reconhecendo Jesus como Rei.

Conclusão: Jesus nos mostrou o valor de Oferecer ao Senhor um Culto que nos Custe Algo

Mateus 21:12-17 nos confronta com a pergunta: que tipo de adoradores somos? Jesus purificou o templo porque a corrupção dos líderes, a comodidade do povo e a perda do propósito sagrado o haviam desfigurado. Ele denunciou o lucro que explorava, a fé que se contentava com atalhos e restaurou o templo como espaço de oração, cura e louvor.
Hernandes Dias Lopes (Mateus: Jesus, o Rei dos Reis. 1a edição. Comentários Expositivos Hagnos. São Paulo: Hagnos, 2019) nos alerta,
“As igrejas de hoje podem se tornar “praças de barganha”, onde o evangelho vira produto e os crentes, consumidores (2019). Essa história nos desafia a vir à Sua gloriosa presença sem interesses pessoais, abandonar o comodismo religioso — a ideia de que podemos oferecer a Deus o que é fácil, sem custo, sem coração - sem sacrifico de adoração— e buscar Nele a cura de nossas enfermidades, inclusive espirituais, e a restauração da verdadeira fé.
Pense: O que você tem oferecido a Deus? Uma rotina vazia ou um sacrifício que reflete seu amor?
A casa de Deus não é um mercado, mas um lugar para encontrar o Rei.
Se o comodismo tem roubado sua devoção, arrependa-se e decida oferecer a Deus algo que custe — seu tempo, sua obediência, seu coração.
Deixe o Espírito te guiar a um culto verdadeiro.
Para os que desejam recomeçar, há esperança: Jesus purifica para restaurar. Venha a Ele agora, restaure o altar do seu coração e viva para a glória do Deus que merece toda a sua adoração.
Convite final: Se você reconhece que tem vivido uma fé de conveniência, levante seu coração a Deus. Peça perdão por oferecer menos do que Ele merece. Se deseja restaurar o verdadeiro culto, comprometa-se hoje a buscar a Deus com entrega total. Que sejamos uma igreja que ora, louva e vive como casa de Deus, para a glória do nosso Salvador!
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