Pregação ESdras
o Deus que guia seu povo
O Livro de Esdras é continuação do Segundo Livro das Crônicas. Ele descreve a volta de alguns dos israelitas que estavam cativos na Babilônia, a vida deles em Jerusalém e a adoração no templo. Esses acontecimentos são apresentados na seguinte ordem:
1. O primeiro grupo de israelitas volta da Babilônia, por ordem de Ciro, rei da Pérsia.
2. O templo é reconstruído e inaugurado, e o Senhor é adorado de novo em Jerusalém.
3. Anos depois, outro grupo volta para Jerusalém, dirigido por Esdras, um escriba versado na Lei de Deus. Esdras ajuda o povo a reorganizar a sua vida religiosa e social a fim de que as tradições espirituais de Israel sejam conservadas.
Esquema do conteúdo
1. O primeiro grupo volta da Babilônia (1:1–2:70)
2. O templo é reconstruído em Jerusalém (3:1–6:22)
3. Esdras volta com outro grupo (7:1–10:44)
Mais uma vez é enfatizado que o sucesso de Esdras não foi devido à sua própria força, inteligência ou amizades, mas sim porque “a boa mão do SENHOR, seu Deus, estava sobre ele”.
O que diferencia Esdras é seu coração. Seu coração estava disposto a estudar a Lei do SENHOR. Seu coração estava disposto a obedecer à Lei do SENHOR. Seu coração estava disposto a ensinar a Lei do SENHOR. Esdras amava a Deus, a Palavra de Deus e o povo de Deus. Esdras serve como um exemplo para os líderes piedosos em todo lugar, visto que antes de alguém se levantar para dizer “Assim diz o SENHOR”, é preciso saber o que o SENHOR diz. Para Esdras saber o que Deus diz, ele deve estudar a Palavra de Deus. A Lei do SENHOR se refere à Lei dada por Deus por meio de Moisés no Sinai, e tornou-se sinônimo dos primeiros cinco livros da Bíblia, os quais hoje conhecemos como Pentateuco, e os judeus, como Torá. Porém, como somente saber a Lei do SENHOR não torna ninguém um líder piedoso, Esdras dispõe o seu coração para colocar em prática o que a Lei ensina.
A carta de Artaxerxes estabelece paralelos com o evento do êxodo. Assim como no êxodo do Egito, os israelitas vão para a sua terra com prata e ouro (Êx. 11.2; 12.35). A imagem não apenas aponta de volta para o êxodo do Egito, mas também tem nuanças da peregrinação visto que esse “segundo êxodo” termina em sacrifício. Essa comunidade israelita é uma comunidade de adoradores, que está pronta para retornar não por causa do decreto do rei, mas por causa da graça de Deus.
Os utensílios que são mencionados no versículo 19 podem ser os mesmos mencionados em 8.25–27, mas a generosidade do rei se estende para “tudo mais que for necessário para a casa de teu Deus”. A carta branca de Artaxerxes para Esdras é a prova de um Deus soberano que está no comando, não importa quem esteja no trono em Susã.
Por meio do profeta Isaías, do 8º século, Deus chama Ciro de “meu pastor” (Is 44.28), e de “o ungido do SENHOR” (Is 45.1), apontando para o controle soberano de Deus tanto da história quanto do coração de Ciro
A oposição à obra de Deus não se originou, nem cessou com Esdras e Neemias. Ainda que essa oposição tenha sido acompanhada de mentiras, pressões e perseguições, a obra de Deus foi bem-sucedida porque era de Deus e não do homem. Essa verdade deveria ser um grande conforto e encorajamento aos cristãos de todos os tempos e de todos os lugares, quando confrontados com a oposição à obra de Deus. Todavia, os líderes cristãos atuais deveriam sempre estar de guarda, prontos para lidar com a oposição, tendo a consciência de que o cristão não passa sua vida em um parquinho de diversões, mas sim em um campo de batalha.
O profeta era um intermediário que comunicava a mensagem de Deus ao seu povo, e, durante esse tempo de crise, Deus usa Ageu e Zacarias para revigorar o seu povo. O livro de Ageu concentra-se na necessidade de reconstruir o templo, enquanto que o de Zacarias, na soberania de Deus e na responsabilidade humana. Tanto Ageu quanto Zacarias falam “em nome do Deus de Israel” que estava “com eles”. Deus estava tanto com os profetas quanto com o povo, e crer que ele está soberanamente no controle dá aos líderes o incentivo para recomeçar a obra de reconstrução. Zorobabel é identificado como “governador de Judá” por Ageu, e desempenha um papel importante tanto em Esdras quanto em Neemias.
Portanto, o que dá êxito ao povo de Deus não é a sua habilidade, mas a proteção e a providência de Deus.
Esdras 6
Esboço
6.1–12 – Deus move o coração do rei
6.13–15 – A Casa de Deus é concluída
6.16–18 – A Casa de Deus é dedicada
6.19–22 – O povo de Deus celebra a Páscoa
O líder cristão de hoje pode descansar seguro no pensamento de que o mesmo Deus que dirigiu a história durante o tempo de Esdras é o mesmo Deus que dirige nossa história. Apesar das incertezas econômicas ou da liderança governamental corrupta em um nível local, nacional ou global, Deus é quem está no comando da história. Deus pode superar todos os obstáculos humanos para realizar sua vontade e seu plano, mas, assim como na época de Esdras, ele usa homens e mulheres piedosos e comprometidos, que estão dispostos a submeter-se à sua Palavra e vontade.
