DEUS JÁ PROVEU O CORDEIRO
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INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
Hoje é um dia de festa e esperança. Para quem crê em Jesus, o coração se enche de alegria, pois celebramos a verdadeira Páscoa do Senhor!
Certamente não foi num 20 de abril que Jesus ressuscitou, mas temos plena certeza de que Ele ressuscitou ao terceiro dia, num domingo de manhã. E, por causa disso, quem crê nEle também ressuscitará no último dia. Como o próprio Cristo afirmou: em João 11.25 : “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá;”
A ressurreição de Jesus é a prova incontestável de que a morte foi vencida, o pecado derrotado, e o inferno perdeu seu poder. O túmulo está vazio, mas o trono está ocupado, e por isso celebramos a vitória do Cordeiro!
A Bíblia não é uma coleção de histórias soltas. É uma única história, com um único protagonista: o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. E a Páscoa é o clímax dessa história — a grande virada da redenção.
Essa bela história, registrada em 66 livros, pode ser contada, de forma resumida, em quatro atos:
Criação: Deus cria o homem e se relaciona com ele de forma perfeita em Gênesis 1 e 2.
Queda: Em Gênesis 3 o pecado rompe esse relacionamento e traz a morte como herança.
Redenção: de Gênesis 4 até Apocalipse 20, vemos Deus derramando Sua graça de forma progressiva, preparando o caminho para o ponto central da história: a vinda de Jesus, o Cordeiro perfeito. Ele veio, viveu sem pecado, morreu em nosso lugar e ressuscitou ao terceiro dia para nossa justificação (Rm 4.25). Toda a história da redenção converge para esse momento glorioso em que o próprio Deus se entrega por nós.
Glorificação: em Apocalipse 21–22, tudo é restaurado. Novos céus nova terra são criados. A dor, a morte e o pecado são eliminados, e o Cordeiro reina eternamente entre o Seu povo.
Desde o Éden até o Trono, cada página das Escrituras aponta para o Cordeiro. Cada sombra do Antigo Testamento anuncia a Sua vinda. Cada promessa se cumpre nEle.
Por isso, nesta mensagem, vamos percorrer juntos essa grande história da redenção — e ver como, desde o começo, Deus proveu o Cordeiro, o verdadeiro centro da Páscoa.
Vamos começar... pelo Éden.
1. NO ÉDEN: A PÁSCOA É ANTECIPADA NA CRIAÇÃO (GÊNESIS 3.21)
1. NO ÉDEN: A PÁSCOA É ANTECIPADA NA CRIAÇÃO (GÊNESIS 3.21)
Gênesis 3.21 diz: “O Senhor Deus fez vestimenta de peles para Adão e sua mulher, e os vestiu.” Após a desobediência do primeiro casal, Deus cumpre Sua palavra de que “certamente morreriam” — a morte, a dor e o sofrimento entram no mundo. No entanto, mesmo em juízo, Deus manifesta graça: sacrifica um animal inocente e, com sua pele, cobre a vergonha de Adão e Eva. Esse é o primeiro ato redentor registrado nas Escrituras — um sinal claro de que Deus mesmo providenciaria a solução para o pecado.
Um animal inocente precisou morrer para que a culpa pelo pecado fosse simbolicamente coberta pela nudez do primeiro casal. Nesse ato, já ecoam os princípios da substituição e da provisão — centrais à Páscoa.
Desde a Queda, a cruz já estava no horizonte. As ações humanas não podiam redimir o pecado — as folhas colhidas por Adão, sua tentativa própria de cobertura, foram inúteis. Foi Deus quem interveio, sacrificando um animal para vesti-los com sua pele.
Assim como Adão e Eva, muitas vezes tentamos cobrir nossa vergonha com as “folhas” das nossas próprias obras — boas ações, moralidade, religiosidade — como se isso pudesse apagar o pecado e nos reconectar com Deus. Mas a Páscoa nos lembra que somente Deus pode cobrir nossa culpa, e isso só acontece quando um inocente morre no lugar do culpado. A cruz de Cristo é o único remédio eficaz para o pecado. Você já deixou de tentar se justificar por si mesmo e se rendeu à justiça que vem somente do Cordeiro? O Evangelho nos convida a trocar as folhas da autossuficiência pela cobertura da graça de Deus.
Essa mensagem de substituição e provisão ressoa ao longo de toda a Escritura. E quando chegamos a Gênesis 22, vemos Deus reforçando Sua promessa de redenção — não mais apenas com uma imagem, mas com uma experiência real e dramática. Ali, no Monte Moriá, Deus chama Abraão para um teste de fé e revela, com ainda mais clareza, que Ele mesmo proverá o Cordeiro. É o que veremos agora:
2. NO MONTE MORIÁ: A PÁSCOA É PROMETIDA (GÊNESIS 22.7-19)
2. NO MONTE MORIÁ: A PÁSCOA É PROMETIDA (GÊNESIS 22.7-19)
Em Gênesis 22, Abraão, o pai da fé, é chamado por Deus para um teste extremo: entregar seu filho Isaque, o filho da promessa, como sacrifício.
Diante de uma ordem que parecia contrariar tudo o que Deus havia prometido, Abraão obedece com fé inabalável, confiando que Deus proveria. Vamos ler o texto, abra sua bíblia em Gênesis 22.7-18:
7 Quando Isaque disse a Abraão, seu pai: Meu pai! Respondeu Abraão: Eis-me aqui, meu filho! Perguntou-lhe Isaque: Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?
8 Respondeu Abraão: Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto; e seguiam ambos juntos.
9 Chegaram ao lugar que Deus lhe havia designado; ali edificou Abraão um altar, sobre ele dispôs a lenha, amarrou Isaque, seu filho, e o deitou no altar, em cima da lenha;
10 e, estendendo a mão, tomou o cutelo para imolar o filho.
11 Mas do céu lhe bradou o Anjo do SENHOR: Abraão! Abraão! Ele respondeu: Eis-me aqui!
12 Então, lhe disse: Não estendas a mão sobre o rapaz e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho.
13 Tendo Abraão erguido os olhos, viu atrás de si um carneiro preso pelos chifres entre os arbustos; tomou Abraão o carneiro e o ofereceu em holocausto, em lugar de seu filho.
14 E pôs Abraão por nome àquele lugar —O SENHOR Proverá. Daí dizer-se até ao dia de hoje: No monte do SENHOR se proverá.
15 Então, do céu bradou pela segunda vez o Anjo do SENHOR a Abraão
16 e disse: Jurei, por mim mesmo, diz o SENHOR, porquanto fizeste isso e não me negaste o teu único filho,
17 que deveras te abençoarei e certamente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e como a areia na praia do mar; a tua descendência possuirá a cidade dos seus inimigos,
18 nela serão benditas todas as nações da terra, porquanto obedeceste à minha voz
No caminho para o sacrifício, quando Isaque pergunta: “Onde está o cordeiro para o holocausto?”, Abraão responde com uma fé que atravessa os séculos: “Deus proverá para si o cordeiro” (Gn 22.8). Essa resposta não é apenas uma declaração de fé para aquele momento — é uma profecia messiânica que aponta diretamente para Cristo, o Cordeiro definitivo que Deus haveria de prover no tempo certo.
A promessa que Deus faz a partir do versículo 16 marca uma virada na história da salvação. Ao afirmar que Abraão não negou o seu único filho, Deus não apenas reconhece sua obediência radical, mas prepara o coração do Seu povo para entender o que Ele mesmo faria no futuro — entregar o Seu próprio Filho, o unigênito, como sacrifício por nós.
Como resposta à fé de Abraão, Deus renova Sua aliança e reafirma que, por meio da sua descendência, todas as nações da terra seriam abençoadas (v.18). Essa descendência, como explica Paulo em Gálatas 3.16, aponta diretamente para Cristo — o verdadeiro Cordeiro, o sacrifício perfeito, o herdeiro de todas as promessas.
O monte Moriá se torna, então, um símbolo profético do Calvário. E o carneiro preso nos arbustos, uma poderosa imagem da substituição vicária que se cumpriria plenamente em Jesus. Como diz Paulo em Romanos 8.32: “Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?”
E o que essa história comunica a nós hoje? Que fé não é apenas acreditar que Deus existe, mas é uma entrega confiante. É confiar que Deus proverá mesmo quando tudo parece estar contra nós, quando a lógica não alcança os caminhos da obediência.
Abraão confiou. Subiu o monte. Ergueu o cutelo — e Deus proveu. E nós? Hoje temos uma prova ainda maior de que Deus continua sendo o Deus que provê: Ele nos deu o Cordeiro quando estávamos mortos, fracos, distantes dEle. Como diz a Palavra: “Cristo, quando ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. […] Deus prova o seu amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.6,8).
É isso que o monte Moriá nos ensina: fé é caminhar em direção ao altar confiando que Deus proverá. E hoje sabemos — Ele já proveu. Em Cristo, o Cordeiro definitivo, Deus cumpriu Sua Palavra e abriu o caminho da reconciliação.
Assim como Abraão obedeceu sem saber todos os detalhes, somos chamados a confiar que Deus cuidou da nossa maior necessidade — a salvação — e também de todas as demais: espirituais, emocionais e eternas.
Cristo é a resposta de Deus para a pergunta de Isaque: “Onde está o cordeiro?” Em meio às dúvidas, perdas, medos e esperas, precisamos lembrar: no monte do Senhor se proverá. E em Cristo, já foi provido.
Deus não nos pede mais para sacrificar nossos filhos, nossos sonhos ou esperanças — Ele nos chama a crer no sacrifício do Filho dEle. Deus não aceitou o sacrifício de Abraão porque não aceita sacrifício humano. Ele mesmo proveu o Cordeiro.
Essa verdade nos liberta da culpa, da performance e do medo. Nada do que fazemos é aceito como sacrifício diante de Deus — o que Ele deseja é fé e obediência, porque o Cordeiro já foi entregue em nosso lugar.
A história de Abraão e Isaque é mais que uma lição sobre fé. É uma janela para o coração do Pai, que desde a eternidade planejou entregar Seu Filho por nós.
O carneiro no monte Moriá aponta para o Cordeiro no monte do Calvário — que muitos acreditam ser o mesmo lugar onde Abraão ergueu o altar.
A promessa da salvação já estava firmada. Mas o Cordeiro ainda não tinha nome, e o sangue ainda não havia sido derramado.
Era preciso que a história avançasse. E ela avança — do monte ao Egito.
Chegamos agora ao terceiro movimento da nossa jornada:
NO EGITO, A PÁSCOA É INSTITUÍDA (Êxodo 12.1–14; 43–48).
Abra sua Bíblia...
3. NO EGITO: A PÁSCOA É INSTITUÍDA (ÊXODO 12.1-14;43-48)
3. NO EGITO: A PÁSCOA É INSTITUÍDA (ÊXODO 12.1-14;43-48)
1 Disse o SENHOR a Moisés e a Arão na terra do Egito:
2 Este mês vos será o principal dos meses; será o primeiro mês do ano.
3 Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês, cada um tomará para si um cordeiro, segundo a casa dos pais, um cordeiro para cada família.
4 Mas, se a família for pequena para um cordeiro, então, convidará ele o seu vizinho mais próximo, conforme o número das almas; conforme o que cada um puder comer, por aí calculareis quantos bastem para o cordeiro.
5 O cordeiro será sem defeito, macho de um ano; podereis tomar um cordeiro ou um cabrito;
6 e o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o imolará no crepúsculo da tarde.
7 Tomarão do sangue e o porão em ambas as ombreiras e na verga da porta, nas casas em que o comerem;
8 naquela noite, comerão a carne assada no fogo; com pães asmos e ervas amargas a comerão.
9 Não comereis do animal nada cru, nem cozido em água, porém assado ao fogo: a cabeça, as pernas e a fressura.
10 Nada deixareis dele até pela manhã; o que, porém, ficar até pela manhã, queimá-lo-eis.
11 Desta maneira o comereis: lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão; comê-lo-eis à pressa; é a Páscoa do SENHOR.
12 Porque, naquela noite, passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos, desde os homens até aos animais; executarei juízo sobre todos os deuses do Egito. Eu sou o SENHOR.
13 O sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; quando eu vir o sangue, passarei por vós, e não haverá entre vós praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito.
14 Este dia vos será por memorial, e o celebrareis como solenidade ao SENHOR; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo.
Agora o 43...
43 Disse mais o SENHOR a Moisés e a Arão: Esta é a ordenança da Páscoa: nenhum estrangeiro comerá dela.
44 Porém todo escravo comprado por dinheiro, depois de o teres circuncidado, comerá dela.
45 O estrangeiro e o assalariado não comerão dela.
46 O cordeiro há de ser comido numa só casa; da sua carne não levareis fora da casa, nem lhe quebrareis osso nenhum.
47 Toda a congregação de Israel o fará.
48 Porém, se algum estrangeiro se hospedar contigo e quiser celebrar a Páscoa do SENHOR, seja-lhe circuncidado todo macho; e, então, se chegará, e a observará, e será como o natural da terra; mas nenhum incircunciso comerá dela.
A Páscoa é celebrada porque um cordeiro morreu para que o primogênito vivesse. A morte do cordeiro foi a salvação das casas marcadas com o sangue. Por isso, a festa da Páscoa passou a ser comemorada como sinal da libertação pelo sangue — o sangue nos umbrais era o selo visível de que a morte havia passado longe daquela casa.
Se um cordeiro morreu, o primogênito daquela casa não precisava morrer.
E não foi qualquer celebração: Deus instituiu a Páscoa como uma ordenança perpétua (Êxodo 12.14), para que geração após geração se lembrasse que a salvação veio por meio de um cordeiro substituto.
Veja que os detalhes das atitudes que os judeus deveriam ter para celebrar a Páscoa já apontavam para a nossa Páscoa Cristã: o cordeiro deveria ser macho, sem defeito, separado por alguns dias antes do sacrifício, e seu sangue deveria ser aplicado nas portas. Tudo isso se cumpriu perfeitamente em Jesus. Ele foi examinado, rejeitado pelos homens, mas sem mácula diante de Deus. Morreu exatamente na Páscoa, e como o cordeiro do Êxodo, nenhum dos seus ossos foi quebrado, cumprindo a profecia (João 19.36).
E não foi qualquer celebração: Deus instituiu a Páscoa como uma ordenança perpétua (Êxodo 12.14), para que, geração após geração, o povo se lembrasse de que a salvação veio por meio de um cordeiro substituto.
Veja como os detalhes dessa celebração já apontavam para a nossa Páscoa em Cristo:
– o cordeiro deveria ser macho,
– sem defeito,
– separado por alguns dias antes do sacrifício,
– e seu sangue aplicado nas portas.
Tudo isso se cumpriu perfeitamente em Jesus.
Ele foi examinado, rejeitado pelos homens, mas achado sem mácula diante de Deus.
Morreu exatamente na Páscoa. E como o cordeiro do Êxodo, nenhum dos seus ossos foi quebrado, cumprindo a profecia (João 19.36).
Jesus Cristo é o Cordeiro Pascal, como diz o apóstolo Paulo: “Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós.” 1Coríntios 5.7
Assim como os israelitas confiaram no sangue do cordeiro e obedeceram à Palavra de Deus, nós também somos chamados a confiar inteiramente no sangue de Jesus.
Nenhuma outra cobertura é suficiente.
Nenhuma religião, moralidade ou boa ação pode substituir o sangue do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1.29).
A pergunta que a Páscoa do Êxodo nos faz é:
Há sangue nos umbrais da sua vida?
Você já foi coberto pelo sacrifício de Cristo?
A salvação continua sendo pela substituição — Ele morreu no nosso lugar.
E não existe salvação fora de Jesus.
Aquela Páscoa no Egito foi o início da liberdade do povo de Deus, mas o caminho da libertação ainda precisava ser trilhado.
A vida no deserto mostrou que o pecado ainda os acompanhava. Por isso, Deus instituiu o sistema sacrificial no Tabernáculo, onde a provisão do cordeiro se tornava uma realidade contínua.
Vamos ver agora como, NO TABERNÁCULO, a Páscoa é aplicada na prática da vida do povo.
4. NO TABERNÁCULO: A PÁSCOA É APLICADA (LEVÍTICO 5.17-19)
4. NO TABERNÁCULO: A PÁSCOA É APLICADA (LEVÍTICO 5.17-19)
Um Deus que é Santo não tolera o pecado. A pena para o pecado, o castigo para o pecado é a morte. Então como um pecador pode se relacionar com um Deus que é Santo?
Essa é a pergunta central que o Tabernáculo responde. Deus, em sua graça, estabeleceu um caminho para que o pecador não fosse consumido. Ele instituiu sacrifícios como meios de expiação — ou seja, para cobrir o pecado — por meio de substituição. Um animal inocente era oferecido no lugar do pecador, e seu sangue derramado era o sinal de que a justiça de Deus havia sido satisfeita.
O texto de Levítico 5.17-19 fala sobre o sacrifício por pecados cometidos por ignorância. Vamos ler esse texto:
17 E, se alguma pessoa pecar e fizer contra algum de todos os mandamentos do SENHOR aquilo que se não deve fazer, ainda que o não soubesse, contudo, será culpada e levará a sua iniquidade.
18 E do rebanho trará ao sacerdote um carneiro sem defeito, conforme a tua avaliação, para oferta pela culpa, e o sacerdote, por ela, fará expiação no tocante ao erro que, por ignorância, cometeu, e lhe será perdoado.
19 Oferta pela culpa é; certamente, se tornou culpada ao SENHOR.
O texto mostra que até os pecados não intencionais exigiam reparação — porque diante de um Deus perfeitamente santo, não há pecado pequeno.
E veja a bondade de Deus: Ele mesmo provê o meio para que a culpa seja removida. O pecador trazia um cordeiro sem defeito ao sacerdote, e este oferecia o animal como oferta pela culpa. E, por causa do sacrifício do animal, seu pecado era perdoado.
A pergunta prática para nós é: temos tratado o nosso pecado com a seriedade que Deus trata? Ou o estamos ignorando, racionalizando, escondendo? O sistema sacrificial do Antigo Testamento nos ensina que não há reconciliação sem sangue, não há perdão sem substituição, não há relacionamento com Deus sem sacrifício. E embora hoje não precisemos mais de cordeiros físicos, o princípio continua: precisamos de um substituto. Precisamos de um Cordeiro que possa nos representar diante de Deus.
É por isso que João Batista, ao ver Jesus, declarou: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1.29). Todos os cordeiros do Antigo Testamento apontavam para Ele. Todos os sacrifícios do Tabernáculo eram sombra do verdadeiro Cordeiro. E na cruz, o sangue foi finalmente aplicado em definitivo. A Páscoa foi consumada.
Deus estava preparando o coração de seu povo, antecipando os detalhes sobre o Cordeiro que viria. E Ele faz isso de maneira extraordinária através da boca do profeta Isaías, descrevendo o Servo Sofredor.
É o que veremos a seguir nesta jornada gloriosa: Na profecia, Deus descreve a pessoa que seria a verdadeira Páscoa.
Vamos ler Isaías 53.5-12.
5. NA PROFECIA: A PÁSCOA É PERSONIFICADA (ISAÍAS 53.5-12)
5. NA PROFECIA: A PÁSCOA É PERSONIFICADA (ISAÍAS 53.5-12)
Vamos ler a Palavra de Deus:
5 Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.
6 Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.
7 Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca.
8 Por juízo opressor foi arrebatado, e de sua linhagem, quem dela cogitou? Porquanto foi cortado da terra dos viventes; por causa da transgressão do meu povo, foi ele ferido.
9 Designaram-lhe a sepultura com os perversos, mas com o rico esteve na sua morte, posto que nunca fez injustiça, nem dolo algum se achou em sua boca.
10 Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos.
11 Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si.
12 Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá ele o despojo, porquanto derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu.
Isaías escreveu séculos antes da cruz, mas com uma clareza impressionante ele descreve o Redentor como o Cordeiro de Deus que seria moído pelos nossos pecados.
Em Isaías 53.7, ele diz: “Como cordeiro foi levado ao matadouro, e como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca”. E no verso 5, declara: “Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”.
Setecentos anos antes da cruz, Isaías já anunciava que o Salvador viria como um cordeiro voluntário, inocente e substituto, e que através do seu sofrimento, Deus traria paz e cura aos que nele cressem.
Essa imagem do Cordeiro sofredor personaliza a Páscoa. Já não é apenas um cordeiro para uma casa, ou para um povo, mas um Cordeiro para o mundo, como João Batista proclamou.
A cruz não foi um acidente, foi um plano — e Isaías, pela inspiração do Espírito, já nos mostrava o caminho por onde o Cristo haveria de passar. Ele seria esmagado para nos curar, e rejeitado para que fôssemos aceitos.
Essa é a essência da Páscoa Cristã: Cristo sofreria por nós, em nosso lugar. Ele seria humilhado, mas traria reconciliação. Ele sangraria, mas nos lavaria com Seu sangue. A profecia se cumpre plenamente em Jesus, e agora a antiga promessa está viva e disponível em uma nova aliança.
Por isso, seguimos para o sexto ato dessa jornada redentora: NA NOVA ALIANÇA: A PÁSCOA É CONSUMADA.
Abra sua Bíblia em João 19.28-30
6. NO CALVÁRIO: A PÁSCOA É CONSUMADA (JOÃO 19.28-30)
6. NO CALVÁRIO: A PÁSCOA É CONSUMADA (JOÃO 19.28-30)
28 Depois, vendo Jesus que tudo já estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: Tenho sede!
29 Estava ali um vaso cheio de vinagre. Embeberam de vinagre uma esponja e, fixando-a num caniço de hissopo, lha chegaram à boca.
30 Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito.
Em um ato que parecia ser de misericórdia, mas na verdade era carregado de escárnio, Jesus conclui Sua obra naquela cruz, morrendo em nosso lugar.
O vinagre oferecido a Ele foi entregue numa haste, com uma esponja presa na ponta para levar até a sua boca — veja que é o mesmo instrumento usado na primeira Páscoa para aplicar o sangue do cordeiro nas portas. Só que agora, o hissopo carrega algo indigno: um vinagre barato, azedo, comum entre soldados e viajantes, mas também usado nas latrinas romanas como líquido de higiene pessoal.
O mesmo líquido que servia para limpar sujeiras humanas foi levado à boca do Salvador para matar Sua sede. O que deveria ser gesto de alívio foi, na verdade, o ápice da humilhação. E ainda assim, com esse gosto amargo na boca, Jesus disse: “Está consumado.” Ele aceitou a vergonha para que fôssemos libertos da culpa; sofreu indignidade para que recebêssemos glória.
A verdadeira Páscoa é o Cordeiro de Deus pendurado na cruz. É Jesus tomando sobre si a culpa do pecado, derramando seu sangue como o sacrifício final e definitivo. Tudo o que vimos até aqui — o Éden, Moriá, o Egito, o Tabernáculo e os profetas — apontava para este momento. Nele, não há mais sombras, tipos ou promessas futuras. Agora tudo se cumpre. Quando Jesus diz: “Está consumado”, Ele não está apenas falando da sua dor, mas da nossa salvação. Ele é o Cordeiro morto em nosso lugar. Ele é o sangue que nos cobre. Ele é o livramento da ira. Ele é a nossa verdadeira libertação.
Isso muda completamente a maneira como vivemos. A Páscoa não é mais sobre pães sem fermento e cordeiros sacrificados anualmente — agora é sobre viver cada dia sob o efeito da cruz. A nova aliança nos chama a confiar em Cristo como aquele que pagou tudo. Não vivemos para sermos aceitos por Deus; vivemos porque fomos aceitos em Cristo. E se fomos libertos do Egito espiritual, por que continuar acorrentados à culpa, ao pecado, ao medo da morte? A verdadeira Páscoa nos convida a uma vida de adoração, gratidão e santidade — porque o Cordeiro venceu.
A verdadeira Páscoa não termina com a morte. No terceiro dia, o Cordeiro que foi morto ressuscitou — e isso muda tudo. A cruz nos perdoa, mas a ressurreição nos dá vida. Cristo venceu o pecado e também venceu a morte, abrindo o caminho para uma nova criação. Se Ele não tivesse ressuscitado, nossa fé seria inútil (1Co 15.17). Mas porque Ele vive, podemos viver também. A ressurreição é o selo de Deus sobre o sacrifício aceito, é a garantia de que o Cordeiro imolado reina, e que um dia estaremos com Ele, numa nova Páscoa, definitiva e eterna.
Não há mais nada a ser acrescentado. O véu foi rasgado, o sangue foi derramado, o Cordeiro foi imolado, a morte foi vencida, a vida raiou no terceiro dia. A cruz é o nosso Êxodo final, a ressurreição é a nossa esperança viva. Mas ainda não chegamos ao fim da jornada. O Cordeiro prometeu voltar, e haverá um dia em que a Páscoa será plenamente celebrada — de forma perfeita, gloriosa e eterna. E é sobre essa celebração futura que trata nosso último ponto...
7.NO TRONO: A PÁSCOA É GLORIFICADA (APOCALIPSE 5.1-13)
7.NO TRONO: A PÁSCOA É GLORIFICADA (APOCALIPSE 5.1-13)
Vamos ler esse último texto: Apocalipse 5.1-13
1 Vi, na mão direita daquele que estava sentado no trono, um livro escrito por dentro e por fora, de todo selado com sete selos.
2 Vi, também, um anjo forte, que proclamava em grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de lhe desatar os selos?
3 Ora, nem no céu, nem sobre a terra, nem debaixo da terra, ninguém podia abrir o livro, nem mesmo olhar para ele;
4 e eu chorava muito, porque ninguém foi achado digno de abrir o livro, nem mesmo de olhar para ele.
5 Todavia, um dos anciãos me disse: Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos.
6 Então, vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos, de pé, um Cordeiro como tendo sido morto. Ele tinha sete chifres, bem como sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados por toda a terra.
7 Veio, pois, e tomou o livro da mão direita daquele que estava sentado no trono;
8 e, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos,
9 e entoavam novo cântico, dizendo:
Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação
10 e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra.
11 Vi e ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos, cujo número era de milhões de milhões e milhares de milhares,
12 proclamando em grande voz: Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor.
13 Então, ouvi que toda criatura que há no céu e sobre a terra, debaixo da terra e sobre o mar, e tudo o que neles há, estava dizendo: Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos.
O Cordeiro providenciado por Deus, Aquele que era, que é, há de voltar para governar. O Cordeiro providenciado por Deus, Aquele que era, que é, há de voltar para governar. O mesmo que foi humilhado e rejeitado, que morreu por nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia, é agora exaltado nos céus, digno de abrir o livro e desatar os selos (Ap 5.9). O Cordeiro que foi morto está de pé — vivo, vitorioso, glorificado — e será adorado eternamente por todos os povos, línguas e nações que foram redimidos pelo seu sangue. No Apocalipse, a cruz encontra seu desfecho glorioso: o Cordeiro reina para sempre.
E nesse grande dia, a Páscoa não será mais celebrada com pressa, como no Egito. Não será mais uma sombra ou anúncio. Será uma festa completa, uma comunhão perfeita, a mesa das bodas eternas. Não haverá mais pecado a ser vencido, nem morte a ser superada, nem lágrimas a enxugar. A ceia do Senhor — que hoje celebramos como memorial — será então plenamente vivida na presença d’Aquele que é a nossa verdadeira libertação. Nós estaremos com Ele, e Ele será o nosso Deus.
Por isso, a nossa esperança não está apenas no que Cristo fez, mas também no que Ele ainda fará. Vivemos hoje no tempo da tensão santa entre o já e o ainda não. Já fomos libertos do Egito do pecado, mas ainda peregrinamos neste mundo em direção à Canaã celestial. Já fomos perdoados, mas ainda lutamos contra o pecado. Já fomos feitos filhos de Deus, mas ainda aguardamos a redenção final do nosso corpo. Já provamos das primícias do Reino, mas ainda ansiamos pela colheita plena da eternidade. A cruz é o marco do “já”, a ressurreição é a garantia do “ainda não” que está por vir.
Esse intervalo em que vivemos não é tempo perdido — é tempo de testemunho, tempo de esperança, tempo de fidelidade ao Cordeiro. Como peregrinos, comemos a Páscoa com os lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão (Êx 12.11), porque ainda estamos a caminho. Sabemos quem é o nosso Redentor e para onde Ele nos conduz. E quando Ele voltar, todas as promessas serão plenamente cumpridas. O “ainda não” se tornará um eterno “sim e amém” em Cristo Jesus. E, então, a Páscoa será celebrada em sua forma mais gloriosa: na presença do próprio Cordeiro, para sempre.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃO
Ao olharmos para toda a história das Escrituras, vemos que Deus não apenas escreveu uma linda história — Ele nos incluiu nela. Desde o Éden, quando o pecado manchou a criação, o sangue de um inocente foi derramado para cobrir a vergonha. No Monte Moriá, Abraão subiu crendo que Deus proveria, e Deus proveu. No Egito, um cordeiro morreu para que os primogênitos vivessem. No Tabernáculo, o sangue era aspergido como sombra de algo maior. Pelos lábios dos profetas, Deus anunciou que o Servo sofredor viria como um cordeiro levado ao matadouro. No Calvário, o Cordeiro veio — e foi consumado. E agora, diante do Trono, há um Cordeiro que foi morto, mas vive para sempre.
A Páscoa não é apenas uma lembrança. É uma proclamação viva de que Deus é fiel, de que Ele cumpre Sua promessa, de que Ele não nos deixou à própria sorte. Ele proveu o Cordeiro. E isso muda tudo. A cruz não é o fim da história, mas seu clímax. A ressurreição não é um detalhe, mas a certeza de que a morte foi vencida. A vida eterna não é uma esperança vaga, mas uma herança garantida. E enquanto aguardamos a gloriosa volta do Cordeiro, vivemos com os olhos fixos n’Ele, celebrando a verdadeira Páscoa com sinceridade e verdade (1Co 5.7-8).
Mas o que isso muda em sua segunda-feira? O que o Cordeiro crucificado e ressuscitado tem a ver com sua rotina, suas decisões, seus relacionamentos? Talvez seja hora de abandonar o pecado escondido, de perdoar quem você decidiu nunca mais olhar nos olhos. Talvez o chamado hoje seja entregar o controle, ou servir com mais generosidade, ou viver com mais esperança. O Cordeiro foi imolado — e isso exige resposta. Você está vivendo como quem foi redimido? Ou está tentando viver como se nada tivesse mudado? Que áreas da sua vida ainda não foram rendidas ao Cordeiro? Ele não morreu para ser um detalhe no seu domingo, mas o centro da sua existência.
Portanto, ao encerrar esta jornada bíblica, lembre-se: a Bíblia inteira grita com uma só voz — Deus proveu o Cordeiro! Que essa verdade transforme o seu coração, renove sua fé e desperte sua adoração. Porque um dia, todo joelho se dobrará e toda língua confessará que o Cordeiro é digno. Até lá, celebremos, proclamemos e vivamos como aqueles que foram libertos pelo sangue. Amém.
Hebreus 13.20–21 “Ora, o Deus da paz, que tornou a trazer dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, vos aperfeiçoe em todo o bem, para cumprirdes a sua vontade, operando em vós o que é agradável diante dele, por Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém!”
