Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!
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João 1:29-34
Amados irmãos e irmãs em Cristo,
Estamos reunidos nesse dia santo, onde a história e a graça divina se entrelaçam de maneira unica: a celebração da Páscoa.
Essa data representa uma festa que ecoa desde as areias do Egito até o Gólgota, carregando em si a promessa de libertação e a consumação do amor redentor de Deus em Jesus Cristo.
Para mergulharmos as profundezas do significado da páscoa, precisamos mergulhar nas páginas do Antigo Testamento, naquele momento crucial na formação da nação de Israel.
o Livro de Êxodo nos mostra que por quatrocentos longos anos, o povo hebreu sofreu sob o peso da escravidão egípcia, um cativeiro físico e opressor.
Esse cativeiro lhes roubava a dignidade e a esperança, pois trazia consigo um peso de injustiça, obrigações e maldades emanadas por faraó.
Em meio ao clamor angustiado de um povo oprimido, Deus, o Senhor de todas as coisas, levantou Moisés como seu instrumento de libertação.
As pragas que assolaram o Egito foram um testemunho do poder incomparável de Deus, culminando na décima e mais terrível delas: a morte de todo primogênito na terra.
Em meio a essa iminente catástrofe, Deus, em sua infinita misericórdia, proveu um caminho de escape, um sinal de proteção contra a ira vindoura.
Ele instruiu cada família israelita a selecionar um cordeiro macho, sem defeito, um símbolo de pureza e inocência.
Esse cordeiro deveria ser sacrificado, e seu sangue, aspergido nos umbrais e nas ombreiras das portas de suas casas.
Aquele sangue, aparentemente um simples ato, carregava consigo um significado profundo: era o sinal da aliança, a garantia de que o anjo da morte “passaria por cima” daquela casa, poupando o primogênito.
Naquela noite solene, enquanto o luto se espalhava pelo Egito, as famílias israelitas, protegidas pelo sangue do cordeiro, participavam de uma refeição memorial:
Carne do cordeiro - Zeroá – Pedaço de osso de cordeiro – simboliza o poder com que Deus tirou os judeus do Egito e recorda o carneiro pascal.
Pães asmos - Matzá – é uma espécie de bolacha não fermentada feita de farinha de trigo e água, sem sal nem açúcar. A matzá relembra o pão da miséria que foi comido na terra do Egito (sem fermento, simbolizando a pressa da partida)
Ervas amargas (lembrando a dureza da escravidão). Maror – Escarola ou raiz forte – erva amarga que remete ao sofrimento dos judeus escravos no Egito.
Karpass – Salsão – A verdura molhada em vinagre ou água salgada remete ao difícil sabor do “Êxodo”.
Charosset – Mistura de nozes, canela, cravo, passas , maçã e vinho tinto– representa a argamassa com a qual os judeus trabalhavam nas construções das edificações do faraó.
eitzá – Ovo cozido – simboliza uma lembrança do sacrifício que se oferecia em cada festividade.
Aquela noite marcou a instituição da Páscoa – Pessach em hebraico, que significa “passagem”.
Era a celebração da libertação física, da transição da escravidão para a liberdade, um ato redentor de Deus em favor do seu povo escolhido.
Séculos se passaram, e a sombra da opressão mudou de forma, a humanidade se encontrava sob um jugo ainda mais pesado e profundo: a escravidão invisível do pecado.
As correntes não eram mais de ferro, mas de egoísmo, de orgulho, de separação de Deus.
A opressão não se manifestava em trabalhos forçados, mas na alma aprisionada pela culpa e pela condenação.
A morte não era apenas física, mas espiritual, uma separação eterna do Criador.
Não mais o jugo físico do Egito, mas o peso muito mais profundo e universal do pecado, que escraviza a alma e a separa de Deus.
Nesse contexto de escuridão espiritual universal, surge a figura central da nossa fé, o cumprimento de todas as promessas: Jesus Cristo.
E eis que João Batista, com a autoridade de um profeta, a voz que clamava no deserto, aponta para Ele, não como um líder político ou um libertador terreno, mas como algo infinitamente maior: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1:29 NAA).
A exclamação de João Batista, é profundamente significativa e carrega consigo uma rica referência e implicação teológica.
1. Ligação com o Sacrifício do Templo:
No contexto judaico da época, o cordeiro era o animal de sacrifício mais comum oferecido no Templo de Jerusalém para a expiação de pecados (Levítico 4). João estava apontando para Ele como o sacrifício definitivo e perfeito, aquele que substituiria e cumpriria todos os sacrifícios anteriores.
2. Referência ao Cordeiro Pascal:
Ao chamar Jesus de "o Cordeiro de Deus", João estava estabelecendo uma conexão direta entre essa libertação histórica e a libertação muito maior que Jesus traria.
3. Alusão ao Servo Sofredor de Isaías:
A profecia de Isaías 53 descreve um "servo sofredor" que levaria sobre si as transgressões do povo, sendo oprimido e afligido como um cordeiro levado ao matadouro (Isaías 53:7).
4. Ênfase na Sua Inocência e Pureza:
O cordeiro sacrificial exigido pela Lei mosaica deveria ser "sem defeito" (Levítico 22:20). Ao chamar Jesus de "o Cordeiro de Deus", João estava também enfatizando a sua impecabilidade, a sua natureza santa e sem pecado, que o qualificava como o sacrifício perfeito para tirar o pecado do mundo.
5. Ação de "Tirar o Pecado do Mundo":
A frase que acompanha a exclamação, "que tira o pecado do mundo", é crucial. João estava declarando que Jesus era aquele que carregaria sobre si o peso do pecado da humanidade, removendo a sua culpa e as suas consequências.
Ele não escolheu essas palavras ao acaso, mas inspirado pelo Espírito Santo e imerso no conhecimento das Escrituras do Antigo Testamento.
Com essas palavras carregadas de significado eterno, João revela a transição crucial da história da redenção.
O cordeiro pascal do Antigo Testamento, com seu sacrifício que proporcionou a libertação física, era apenas uma sombra gloriosa, um prenúncio do sacrifício perfeito e definitivo de Jesus o Cordeiro de Deus sem mancha, oferecido não apenas por uma nação, mas por toda a humanidade.
Ele é o Cordeiro imaculado, cuja morte na cruz não liberta apenas de uma opressão terrena, mas quebra as correntes invisíveis do pecado que aprisionam a alma humana.
O sangue de Jesus, derramado não nos umbrais de portas, mas no altar do Calvário, oferece a libertação da escravidão espiritual, a redenção da culpa e a reconciliação com Deus.
A Páscoa que celebramos hoje é a plenitude daquela primeira Páscoa, a concretização da promessa de Deus em seu Filho amado.
Ele é o nosso Cordeiro Pascal definitivo, imolado para que tenhamos vida e vida em abundância.
Vamos, então, mergulhar nas profundezas desse perdão que jorra da cruz de Cristo, explorando quatro aspectos essenciais que transformam as nossas vidas:
1. Perdão da Culpa e da Condenação:
1. Perdão da Culpa e da Condenação:
A natureza humana, desde a queda no Éden, carrega o peso do pecado e a consequente culpa.
Essa culpa nos separa de Deus e nos aprisiona em um ciclo de remorso e condenação.
No entanto, a mensagem central da Páscoa é que, através do sacrifício de Jesus, essa barreira é rompida.
Agora, pois, já não existe nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, livrou você da lei do pecado e da morte. Porque aquilo que a lei não podia fazer, por causa da fraqueza da carne, isso Deus fez, enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no que diz respeito ao pecado. E assim Deus condenou o pecado na carne, a fim de que a exigência da lei se cumprisse em nós, que não vivemos segundo a carne, mas segundo o Espírito. Os que vivem segundo a carne se inclinam para as coisas da carne, mas os que vivem segundo o Espírito se inclinam para as coisas do Espírito. Pois a inclinação da carne é morte, mas a do Espírito é vida e paz. Porque a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeita à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.
O sangue do Cordeiro de Deus derramado na cruz é o preço pago pelos nossos pecados, passados, presentes e futuros.
Ele assume a nossa culpa, a nossa dívida, e nos oferece em troca a sua justiça.
Através da fé em Jesus, somos declarados justos diante de Deus, libertos do peso da condenação que nos oprimia.
2. Perdão da Separação de Deus:
2. Perdão da Separação de Deus:
O pecado não apenas nos traz culpa, mas também nos afasta da comunhão com o nosso Criador.
A Bíblia nos ensina que Deus é santo e o pecado nos separa dessa santidade.
Mas as iniquidades de vocês fazem separação entre vocês e o seu Deus; e os pecados que vocês cometem o levam a esconder o seu rosto de vocês, para não ouvir os seus pedidos.
Contudo, a Páscoa nos revela que, por meio de Jesus, essa separação é desfeita.
Ele, sendo Deus encarnado, se fez pecado por nós para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.
Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.
O seu sacrifício na cruz abriu um novo e vivo caminho para a presença de Deus
Portanto, meus irmãos, tendo ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos abriu por meio do véu, isto é, pela sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos com um coração sincero, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e o corpo lavado com água pura.
Pela fé em Jesus, somos reconciliados com o Pai, restaurados à comunhão íntima e transformados em filhos e filhas amados.
3. Perdão que Transforma o Coração:
3. Perdão que Transforma o Coração:
O perdão que Jesus oferece não é apenas uma declaração legal de inocência; ele opera uma transformação profunda em nosso interior.
O Espírito Santo, derramado sobre aqueles que creem, renova a nossa mente e o nosso coração.
Ele nos capacita a abandonar os velhos caminhos do pecado e a viver uma vida que agrada a Deus.
Eu lhes darei um coração novo e porei dentro de vocês um espírito novo. Tirarei de vocês o coração de pedra e lhes darei um coração de carne. Porei dentro de vocês o meu Espírito e farei com que andem nos meus estatutos, guardem e observem os meus juízos.
Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficam para trás e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.
A Páscoa nos convida a experimentar essa transformação, a permitir que o amor de Cristo molde os nossos pensamentos, as nossas palavras e as nossas ações.
4. Perdão que Garante a Vida Eterna:
4. Perdão que Garante a Vida Eterna:
O perdão que recebemos através de Jesus não se limita à nossa existência terrena;
ele transcende a morte e nos assegura a vida eterna.
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
O sacrifício de Jesus venceu o poder da morte, e sua ressurreição é a garantia da nossa própria ressurreição para a vida eterna.
Ao crermos em Jesus e recebermos o seu perdão, somos libertos da condenação eterna e recebemos a promessa de uma vida plena e gloriosa na presença de Deus, para sempre.
A Páscoa celebra essa vitória sobre a morte e a inauguração da vida eterna para todos aqueles que creem.
Conclusão
Conclusão
A Páscoa não é apenas uma lembrança de um evento histórico;
é uma celebração viva do amor redentor de Deus manifestado em Jesus Cristo, o Cordeiro que tira o pecado do mundo.
Ele não apenas passou pela morte, mas a venceu, ressuscitando para nos garantir a vida eterna.
Que a mensagem da Páscoa penetre profundamente em nossos corações, nos libertando da culpa, nos reconciliando com Deus, transformando o nosso ser e nos capacitando a estender o perdão ao nosso próximo.
Que a paz que excede todo o entendimento, conquistada na cruz e selada na ressurreição, reine em nossos corações hoje e sempre.
Amém.
