56. OS DOIS TEMPOS DA ESPERANÇA

HÁ ESPERANÇA PARA NÓS  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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ROTEIRO
Amados:
No mês passado, compartilhamos sobre o descanso (“Livres do cansaço”) e, neste mês, sobre a esperança. São verdades simples e profundamente identificadas com as necessidades do nosso rebanho.
Sendo assim:
No dia 06/04 Vimos a mensagem:
Como ter esperança em meio às tribulações?
Jó 14.7-9 mostra que, mesmo uma árvore cortada, com raiz envelhecida e tronco morto, pode brotar novamente ao cheiro das águas — uma metáfora para tempos de escassez e dor, onde o Espírito Santo (água) traz vida, consolo, força e direção.
A esperança é sustentada por:
Lm 3.21-25 – A lembrança da bondade de Deus renova a esperança.
Sl 119.81 – Esperar (confiar) na Palavra de Deus.
Mq 7.7 – A certeza de que Deus ouve quem espera n’Ele (YAHAL = esperar/confiar).
Is 40.31 – Deus renova as forças dos que esperam n’Ele.
Sl 62.5; Jr 29.11 – Deus é a fonte segura de esperança.
Jr 31.17 – Promessa: há esperança para o futuro!
Sl 71.5 – Deus é nossa esperança desde a juventude.
Rm 8.35 – Nenhuma tribulação nos separa do amor de Deus.
Rm 5.3-4 – As tribulações produzem perseverança e esperança.
Mensagem central: Mesmo nos momentos mais difíceis, quem confia em Deus é renovado e pode ter esperança viva e firme.
No dia 13 Vimos a mensagem: Como ter esperança em meio às limitações? O exemplo de Abraão, em Romanos 4.18, mostra que é possível ter esperança mesmo diante das limitações. Apesar da incapacidade natural e das dificuldades do ambiente e do tempo, Abraão "esperou contra a esperança", confiando plenamente em Deus. Ele não desanimou com suas limitações, mas fortaleceu-se na fé porque acreditava naquele que prometeu (Rm 4.19-21). Sua fé foi provada, mas permaneceu firme (Hb 11.17-19).
O que podemos aprender:
Nossas limitações não anulam as promessas de Deus.
A verdadeira esperança é sustentada pela confiança no caráter de Deus, não nas circunstâncias.
Mesmo em ambientes e situações impossíveis, a fé pode ser fortalecida e a esperança renovada.
Deus é fiel para cumprir o que prometeu, independentemente das nossas condições.
Na semana passada vimos A esperança da ressurreição: Em 1 Coríntios 15.19, Paulo afirma que, se nossa esperança em Cristo se limitasse apenas a esta vida, seríamos os mais infelizes dos homens. A ressurreição de Jesus é a base da nossa maior esperança: a vida eterna, a vitória sobre a morte e a glorificação do nosso corpo. Os relatos dos evangelhos (Mt 28, Mc 16, Lc 24 e Jo 20) confirmam essa realidade. A ressurreição impacta nosso cotidiano, pois nos chama a viver em novidade de vida (Rm 6.4) e a buscar as coisas do alto (Cl 3.1), refletindo a vida transformada que temos em Cristo.
O que podemos aprender:
A esperança da ressurreição nos livra de uma fé limitada apenas a esta vida.
A vitória de Cristo sobre a morte garante nossa própria vitória futura.
Devemos viver hoje uma vida transformada, em novidade de vida, como testemunhas da ressurreição.
Nossa mente e nosso coração devem estar voltados para as coisas do alto, não apenas para as terrenas
E hoje vamos falar sobre: Os dois tempos da esperança:
Paulo ensina que a esperança é fundamentada no que ainda não vemos, e deve ser aguardada com paciência. Vivemos entre dois tempos da esperança: esperamos a ação de Deus nesta era — em nossa vida, na Igreja e no mundo — e também esperamos o cumprimento final da promessa dos novos céus e nova terra

1. TEXTO

Romanos 8.18–25
“18 Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós. 19 A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. 20 Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, 21 na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. 22 Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora. 23 E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo. 24 Porque, na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera? 25 Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos.”

Introdução (5 min)

Paulo está ensinando que os sofrimentos que enfrentamos agora — dor, limitações, perseguições, injustiças — são pequenos e passageiros quando comparados com a glória grandiosa que Deus vai revelar em nós no futuro. Essa glória inclui a plena redenção dos nossos corpos (ressurreição) e a renovação de toda a criação.
Paulo está dizendo que estamos em um tempo de espera. Já fomos alcançados pela salvação, mas ainda não vimos tudo o que Deus prometeu — e isso exige de nós esperança paciente e perseverante.

I. O Primeiro Tempo: A Esperança Presente

Vivemos em um mundo onde muitos enxergam a esperança como algo distante, reservado apenas para o futuro, para quando tudo estiver resolvido ou para a eternidade depois da morte. Mas a verdade central do evangelho é muito mais poderosa: a esperança cristã já começou! Ela não é um desejo frágil nem um otimismo cego. É uma realidade presente, fundamentada na presença de Cristo em nós.
O apóstolo Paulo declara em Colossenses 1:27: “Cristo em vós, a esperança da glória.” E em Efésios 1:13-14 ele reforça: “Fostes selados com o Espírito Santo da promessa, o qual é o penhor da nossa herança.” O que isso significa? Que Deus não está esperando que você se torne perfeito, nem que a eternidade comece para se manifestar na sua vida. Ele já começou a boa obra em você. Filipenses 1:6 nos lembra: “Aquele que começou boa obra em vós a completará até o dia de Cristo Jesus.”
Essa é uma mensagem urgente para nós que estamos sofrendo agora. Muitos de nós estamos enfrentando um quadro de depressão, ansiedade, burnout ou desânimo profundo... talvez tudo esteja escuro, pesado. Você já se perguntou se Deus ainda está com você?
Muitos de nós conhecem o que os místicos chamam de “a noite escura da alma”. É quando parece que o chão desaparece, que orar se torna um esforço solitário, que o louvor parece não passar do teto, que a leitura da Bíblia se torna incompreensível. E, nesse vazio, a pergunta ecoa: “Será que Deus ainda está aqui?”
Quero te dizer uma verdade que talvez seja a âncora que você precisa neste exato momento: Deus não se revela apenas nas nossas emoções. O simples fato de você ainda orar, mesmo sem vontade; de buscar a Deus no meio do seu caos; de continuar mesmo sem sentir — essa é a grande prova de que a fé ainda está viva no seu coração. O Espírito Santo está te sustentando. Isso é esperança viva.
Como diz o teólogo N.T. Wright: “A vida eterna não começa quando morremos, mas quando cremos. Cristo ressuscitou e agora vive em nós – isso é o começo da nova criação.” Irmãos, isso muda tudo! A esperança cristã não é um bilhete de fuga do sofrimento, mas a certeza de que Cristo já entrou no nosso sofrimento com a gente.
Mesmo que hoje você sinta que a única coisa viva dentro de você é um pequeno sopro de fé, saiba: esse sopro vem de Deus. É o penhor, a entrada, o sinal de que Ele começou algo em você que vai terminar gloriosamente.
Paulo usa uma palavra muito especial em Efésios: “penhor”. No grego, arrabōn significa uma entrada, um pagamento antecipado, uma garantia legal de que o restante virá. É como se alguém te entregasse uma pequena chave e dissesse: “Essa é a chave da casa que estou construindo para você. Ela ainda não está pronta, mas já é sua.” O Espírito Santo é essa chave. Mesmo que hoje tudo dentro de você pareça em ruínas, a promessa permanece: Deus já começou a reconstrução. E Ele não vai parar até tudo estar restaurado.
Para você que vive à base de lágrimas, que diz: “Mas eu não sinto nada, só medo, cansaço, fracasso...” — escute isso: Cristo em você é mais verdadeiro do que as suas emoções. As emoções oscilam, mas a esperança em Cristo permanece. Como Paulo afirma em 2 Coríntios 4:16: “Ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia.”
Por isso, hoje eu te faço um convite pastoral: se você sente que está em ruínas, saiba disso — a esperança já começou. Mesmo que você só consiga dar um passo pequeno, esse passo é um milagre sustentado pela presença de Cristo em você. Ele é a esperança da glória. E Ele já está aqui

II. O Segundo Tempo: A Esperança Futura (10 min)

Se por um lado a esperança cristã já começou com Cristo habitando em nós, por outro, ela ainda não chegou à sua plenitude. Vivemos entre o "já" e o "ainda não" — e é nesse intervalo que a fé é provada, e a esperança precisa ser reafirmada todos os dias.
Em Romanos 8:23-25, o apóstolo Paulo nos lembra de uma verdade que precisa estar gravada em nosso coração: “...aguardamos... a redenção do nosso corpo.” Vivemos hoje com dores, limitações, enfermidades, emoções instáveis e uma criação que geme junto conosco. Mas existe algo maior preparado. A história ainda não terminou.
E João, em Apocalipse 21:1-5, nos leva a contemplar esse final glorioso: “Vi novo céu e nova terra... e Deus enxugará dos olhos toda lágrima.” Que promessa! Que esperança! Um dia, todo sofrimento será apagado, todo luto terá fim, e tudo o que nos fere será completamente restaurado.
Essa é a esperança que ainda está por vir. E ela é real. A dor que você sente hoje, por mais intensa que seja, não será eterna. A injustiça que te cerca, a ansiedade que tenta te paralisar, o luto que pesa sobre sua alma, a opressão que sufoca... tudo isso tem prazo de validade. O relógio do céu está contando. Deus não vai descartar o mundo que Ele criou — Ele vai renová-lo. E essa renovação inclui você.
Agora, talvez você esteja enfrentando depressão, crises de ansiedade, um cansaço mental que você nem sabe como explicar. E aí surge a dúvida: “Essa esperança futura é só uma fuga da realidade? Um consolo fraco?”
A resposta é: Não. Essa esperança é uma âncora. Como afirmou C.S. Lewis com profunda sensibilidade: “Se encontramos em nós mesmos um desejo que nada neste mundo pode satisfazer, a explicação mais provável é que fomos feitos para outro mundo.” Essa esperança futura não nega a dor do presente. Ela nos ajuda a enfrentá-la com coragem.
Imagine a seguinte cena: você está diante de um muro altíssimo. Ele é grosso, imponente, escuro. Você não consegue ver o que está do outro lado. Tudo que você conhece está desse lado do muro — onde há dor, cansaço, e noites difíceis. Mas então alguém se aproxima, olha nos seus olhos e coloca uma carta em suas mãos. E essa carta diz:
“Do outro lado deste muro, há uma cidade onde a luz nunca se apaga. Lá, não existe dor. Lá, você será completamente inteiro. Você será finalmente você — livre, pleno, renovado.”
Você ainda está diante do muro. Ele não caiu. A dor ainda está presente. Mas agora, com essa carta em mãos, você tem um motivo para continuar caminhando. Essa carta é o Evangelho. E ela é verdadeira.
O Evangelho nos lembra que não fomos criados para a escuridão — mas para a luz. Não fomos formados para apenas sobreviver — mas para viver eternamente com Deus em um mundo restaurado. O céu não é um final distante e simbólico. É o lar preparado por um Pai que está com saudades dos filhos. É o lugar onde cada lágrima será enxugada por mãos divinas.
Por isso, mesmo que tudo hoje pareça pesado demais, mesmo que seus olhos não consigam enxergar saída, creia: há um outro lado. Há um novo céu e uma nova terra. E a esperança que ainda está por vir é mais real do que a dor que você sente agora.
E isso muda tudo.

🔄 III. Vivendo Entre os Dois Tempos (7-8 min)

Vivemos em um lugar estranho — um território entre o que já é e o que ainda será. Entre a ressurreição de Cristo e o retorno glorioso d’Ele. Entre o milagre da salvação que já experimentamos e a plenitude do Reino que ainda esperamos. Essa é a realidade do cristão: estamos entre dois tempos.
Em 1 João 3:2-3, lemos: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser... e qualquer que nele tem esta esperança, purifica-se a si mesmo.” Veja bem: agora já somos filhos, mas ainda não somos tudo o que seremos. Há algo a mais reservado. Um futuro glorioso nos aguarda. Mas enquanto esse dia não chega, somos chamados a viver com propósito e esperança, aqui e agora.
É exatamente nesse “entre-tempos” que a nossa fé ganha forma. Não vivemos apenas olhando para trás, para o que Cristo fez; nem apenas sonhando com o futuro que Ele prometeu. Nós vivemos olhando para Ele agora, enquanto caminhamos.
O pastor reformado John Stott disse com sabedoria: “A esperança cristã não nos tira do mundo. Ela nos manda de volta para o mundo, com compaixão e propósito.” Ou seja, não é uma fé de fuga, mas de missão. O cristão que vive à luz da esperança futura, vive de forma ainda mais comprometida com o presente.
N.T. Wright, teólogo anglicano, aprofunda essa ideia ao afirmar: “O que fazemos no presente – no trabalho, na justiça, no amor – não é desperdiçado. É parte do que Deus está construindo no novo mundo.” Cada ato de bondade, cada oração sussurrada na madrugada, cada gesto de misericórdia... tudo isso ecoa na eternidade.
E você? Onde está agora?
Se hoje você se encontra desesperançoso, lembre-se: Cristo já está contigo. Ele não está esperando você chegar lá na frente para então começar a agir. Ele está presente, no agora, sustentando você.
Se você está cansado, lembre-se: há um novo corpo esperando por você. Um corpo glorificado, livre de dores, de limitações, de cansaços profundos. A renovação total está a caminho.
Se você pensa em desistir, levante os olhos: a glória que será revelada é infinitamente maior do que os sofrimentos do tempo presente. Ainda não acabou. Deus ainda está escrevendo a sua história.
Conclusão e Apelo
Romanos 15:13 declara: “Ora, o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença...” Esse é o desejo de Deus para você hoje. Ele é o Deus da esperança, e não da desistência. Ele quer encher seu coração de paz, de alegria e de propósito — mesmo entre os dois tempos.
Talvez você tenha perdido muitas coisas... relacionamentos, sonhos, a saúde emocional, até mesmo a vontade de continuar. Mas há algo que você ainda não perdeua esperança. Porque ela não está firmada nas circunstâncias, mas em Cristo.
Hoje, Jesus te convida: espere de novo. Sonhe de novo. Creia de novo.
Enquanto a canção “Em Cristo Só” toca, convido você a fazer algo simples, mas poderoso. Coloque sua mão sobre o coração e declare com fé:
“Senhor, reacende em mim a esperança. Ensina-me a viver entre o já e o ainda não. Eu quero crer de novo.”
E que essa oração seja o começo de um novo tempo. Um tempo onde você caminha com fé, com esperança viva e com os olhos fixos no Autor e Consumador da sua fé.
Ele está aqui. E Ele ainda não terminou.
A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vocês.
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