Salmo 35
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Tema: O Senhor defende a causa do seu povo
Divisa: Salmo 35
1. Introdução
O Escritor desse salmo é Davi e é estruturado em três blocos de versículos: (i) (v. 1-10): (i) oração por livramento (v. 1-3); (ii) descrição do problema (4-8) e (iii) voto de adoração e louvor (v. 9-10), (ii) (v. 11-18): (i) descrição do problema(v. 11-16); (ii) oração por livramento(v. 17) e (iii) voto de adoração e louvor(v. 18) e (iii) (v. 19-28): (i) descrição do problema (v. 19-21); (ii) oração por livramento (v. 22-26) e (iii) voto de adoração e louvor(27/28)
O objetivo do salmista é convidar o povo de Israel, em face de situações de perseguição, injustiça e adversidades, confiar que o Senhor defende sua causa e promove justiça na vida do seu povo. E a verdadeira confiança é traduzida numa vida de oração, na tomada de decisões sábias e numa vida de adoração.
Poderíamos resumir a mensagem desse salmo da seguinte forma:
Grande ideia: O cristão deve confiar que o Senhor defende nossas causas e promove justiça em nossas vidas.
2. O cristão, apesar da sua posição em Cristo, não está isento de situações de injustiças e adversidades.
O salmista busca ensinar essa verdade fundamental por meio da ênfase que dá, nas três divisões do salmo, à descrição dos seus inimigos.
Na primeira divisão, que vai dos versos 4 a 8, o salmista escreve que:
(i) haviam pessoas que “... procuram matar-me...” (v. 4a) e “... que tramam a minha ruína. (v. 4b);
(ii) pessoas que “... sem motivo, prepararam contra mim uma armadilha oculta...” (v. 7a) e “... sem motivo, abriram uma cova para mim.” (v. 7b)
(iii) pessoas que preparam “... armadilha...” (v. 8a) e abriram uma “... cova...” (v. 8b)
Na segunda divisão, que vai dos versos 11 a 16, o salmista escreve que:
(i) “Testemunhas maldosas enfrentam-me e questionam-me...” (v. 11)
(ii) “Elas me retribuem o bem com o mal...” (v. 12a) e “... procuram tirar-me a vida.” (v. 12b)
(iii) são pessoas que quando o salmista tropeçou “... eles se reuniram alegres...” (v. 15a) e, traiçoeiramente “... ajuntaram-se para me atacar. Eles me agrediram sem cessar.” (v. 15b)
Na terceira divisão, que vai dos versos 19 a 21, o salmista escreve que:
(i) essas pessoas são “... inimigos traiçoeiros...” (v. 19a) e que “... sem razão me odeiam...” (v. 19b)
(ii) pessoas que “Não falam pacificamente, mas planejam acusações falsas...” (v. 20a) e que “Com a boca escancarada riem de mim e me acusam...” (v. 21)
Toda essa descrição das circunstâncias que envolviam o homem de Deus serve para provar, para a igreja, que a nossa posição em Cristo, como filhos de Deus, não nos isenta de passarmos por situações de injustiças e adversidades, haja vista ainda vivermos num mundo quebrado pelo pecado.
O fato de Abraão ter sido chamado para andar com Deus, não impediu que ele enfrentasse tempo de fome e escassez; o fato de Deus estar com José não impediu que este fosse caluniado e injustiçado na casa de Potifar, nem esquecido por dois anos na prisão; o fato de Moisés falar com Deus face a face não o impediu de passar 40 anos no deserto, lidando com um povo queixoso e murmurador; o fato de Paulo estar no centro vontade de Deus na cidade de Filipos, não o impediu de, injustamente, ser preso e açoitado; o mesmo aconteceu com o inglês John Bunyan, pregador batista do século XVII, o qual fora preso por 12 anos, justamente por pregar a Cristo.
Entender que ainda vivermos num mundo manchado pelo pecado deve fazer-nos esperar travar intensas batalhas para viver Cristo em nossos dias (batalha na construção de um casamento saudável e harmonioso; batalha em educar filhos no caminho do Senhor; batalha em exercer a vocação do ministério)
Todavia, o Senhor permite todo esse cenário na vida do seu povo com um propósito pedagógico: ensinar o seu povo a arte de confiar e depender de Deus, por meio da intensidade e perseverança na oração, da tomada de decisões centrada na vontade de Deus e na prática da fervorosa adoração incondicional.
3. O cristão deve expressar profunda confiança no Senhor, por meio da vida de oração, de decisões sábias e da adoração fervorosa.
Em primeiro lugar, expressando confiança no Senhor por meio da intensidade e perseverança na oração:
O Salmo 35, do começo ao fim, é construído em torno da oração.
Logo nos primeiros versículos o salmista expressa:
Defende-me, Senhor, dos que me acusam; luta contra os que lutam comigo. Toma os escudos, o grande e o pequeno; levanta-te e vem socorrer-me. Empunha a lança e o machado de guerra contra os meus perseguidores. Dize à minha alma: “Eu sou a sua salvação”. (v. 1-3)
Em seguida, no segundo bloco do salmo:
Senhor, até quando ficarás olhando? Livra-me dos ataques deles, livra a minha vida preciosa desses leões. (v. 17)
E, por último:
Tu viste isso, Senhor! Não fiques calado. Não te afastes de mim, Senhor, Acorda! Desperta! Faze-me justiça! Defende a minha causa, meu Deus e Senhor. Senhor, meu Deus, tu és justo; faze-me justiça para que eles não se alegrem à minha custa. Não deixes que pensem: “Ah! Era isso que queríamos!”, nem que digam: “Acabamos com ele!” Sejam humilhados e frustrados todos os que se divertem à custa do meu sofrimento; cubram-se de vergonha e desonra todos os que se acham superiores a mim. (v. 22-26)
O pastor presbiteriano, pensador cristão e escritor R. C. Sproul (1939-2017) escreveu certa feita: “A razão pela qual muitos falham na batalha é porque eles esperam até a hora da batalha. A razão de outros terem sucesso é porque eles obtiveram a vitória de joelhos muito antes da batalha começar.”
Não há a mínima possibilidade de resistirmos aos períodos de adversidades, batalhas espirituais e desafios na caminhada com Cristo sem dependermos do Senhor por meio de uma vida inteira de oração.
Em segundo lugar, expressando confiança no Senhor por meio da tomada de decisões centradas na vontade de Deus:
O salmista nos ensina que, quando confiamos, verdadeiramente, no Senhor não tomamos decisões precipitadas, decisões guiadas por nossos sentimentos de raiva, ira, egoísmo ou cegueira espiritual.
Vejamos a resposta do salmista, em como ele decide lidar com aquela situação de injustiça:
Testemunhas maldosas enfrentam-me e questionam-me sobre coisas de que nada sei. Elas me retribuem o bem com o mal e procuram tirar-me a vida. (v. 11-12)
Contudo, quando estavam doentes, usei vestes de lamento, humilhei-me com jejum e recolhi-me em oração. Saí vagueando e pranteando, como por um amigo ou por um irmão. Eu me prostrei enlutado, como quem lamenta por sua mãe. (v. 13-14)
Mas, quando tropecei, eles se reuniram alegres; sem que eu o soubesse, ajuntaram-se para me atacar. Eles me agrediram sem cessar. Como ímpios caçoando do meu refúgio, rosnaram contra mim. (v. 15-16)
Mesmo sendo alvo de toda sorte de injustiças, retaliação, opressão e arbitrariedade, o salmista não age conforme o vazio do seu coração, não toma atalhos, não age por si mesmo, segundo os seus pensamentos. Pelo contrário, decide orar pelos seus inimigos. “Abençoem aqueles que os perseguem; abençoem, e não os amaldiçoem. Alegrem-se com que os se alegram. Chorem com os que choram... Não retribuam a ninguém mal por mal. Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos... Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: Minha é a vingança; eu retribuirei, diz o Senhor. Ao contrário: Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber.... Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem.” (Romanos 12.14-21)
Se você está enfrentando decisões difíceis em casa, como questões financeiras, ou na educação com seus filhos. Talvez no ambiente de trabalho você está sendo pressionado a tomar decisões que não refletem sua fé ou tendo que lidar com pessoas difíceis, não tome.Quem sabe no ambiente da igreja você está no exercício do seu chamado você está enfrentando algum tipo de dificuldade ou está com medo de se envolver e acabar se decepcionando. Quem sabe na escoa você está sendo tentado a conformar com teus colegas, os quais tem te encorajado a comportamentos errados para que você seja aceito no grupo.
Em todas essas situações o conselho do salmista para mim e para você é: não tome atalhos, por mais que seja difícil, busque fazer a vontade de Deus. E a vontade de Deus é conhecida por meio das Escrituras, a Palavra de Deus. Não abra mão da disciplina espiritual de encontrar com a Palavra de Deus todos os dias.
Em terceiro lugar, expressando confiança no Senhor por meio da fervorosa prática da adoração incondicional.
Os três blocos de versos em que o salmista ora e apresenta os seus inimigos, as injustiças e perseguições terminam da mesma forma: adoração.
O primeiro bloco termina assim:
Então a minha alma exultará no Senhor e se regozijará na sua salvação. Todo o meu ser exclamará: Quem se compara a ti, Senhor? Tu livras os necessitados daqueles que são mais poderosos do que eles, livras os necessitados e os pobres daqueles que os exploram. (v. 9-10)
O segundo bloco finaliza da seguinte forma:
Eu te dareigraças na grande assembléia; no meio da grande multidão te louvarei. (v. 18)
E o último bloco da seguinte maneira:
Cantem de alegria e regozijo todos os que desejam ver provada a minha inocência, e sempre repitam: “O Senhorseja engrandecido! Ele tem prazer no bem-estar do seu servo”. Minha língua proclamaráa tua justiça e o teu louvor o dia inteiro. (v. 27-28)
Os três blocos de versículos encerram com a decisão do salmista em adorar ao Senhor de forma fervorosa e incondicional. O salmista adora ao Senhor no presente, mas com plena certeza e convicção no cuidado e na providência futuras de Deus.
Como bem escreveu Bryan Chapell (pastor presbiteriano e escritor americano): “... as circunstâncias não precisam ser o nosso barômetro (instrumento de medida usado para determinar a pressão atmosférica) do cuidado de Deus.”
E o único ambiente que tomamos consciência dessa realidade gloriosa é no ambiente da adoração. É no ambiente da adoração que nosso coração é fortalecido e a nossa é fé é forjada pelo fato de que o Senhor está cuidando da vida do seu povo.
4. Conclusão
Queridos irmãos, finalizo essa mensagem citando autora cristã Norma Braga que disse certa feita:
“Desse Deus, que é o Deus da Bíblia, nem sempre saberemos os motivos, mas podemos contar com sua bondade para que todo mal resulte em bem. Essa é a certeza que somente a cruz pode dar, uma vez que Cristo foi o homem mais amado por Deus que já passou por esta terra, mas também foi seu maior afligido (Mc 10.45), não tendo culpa alguma, nem real, nem imaginária (Hb 7.26). Deus não poupou seu próprio Filho, mas o entregou - em meio a grande sofrimento - para que tivéssemos vida.”
E esse mesmo Jesus, que sofreu injustiças em nosso benefício: “Portanto, ele é capaz de salvar definitivamente aqueles que, por meio dele, aproximam-se de Deus, pois vive sempre para interceder por eles.” (Hebreus 7.25)
Queridos irmãos e irmãs, agora, convido vocês a dar um passo de fé e confiar no Senhor. Abra seu coração para Ele e permita que Ele guie sua vida. Reconheça-O em todos os seus caminhos e permita que Ele endireite seus passos.
