Pregação Expositiva: Teologia Bíblica

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I. O que é o Contexto Bíblico?
Estudar o contexto bíblico significa olhar para o todo, para toda a história da Bíblia, e compreender como o livro que estamos estudando se relaciona e se encaixa nesta história.
A Bíblia tem uma história, que segue uma linha. Ela tem um início, um meio e um fim. Durante esta história, há uma progressão e explicação de alguns temas em especial. Por exemplo, ela conta como tudo foi criado. Conta como isso foi estragado pelo pecado. Depois, vemos como Deus “consertou” este problema ao longo da história. E também, qual é o destino de tudo o que foi criado.
Para pregarmos um livro, precisamos entender: [1] O que ele diz como um todo? – Qual é a sua mensagem principal; [2] Como isso se relaciona com a Bíblia? – Porque ele está onde está; [3] Como ele aponta para Cristo?
II. O que envolve o Contexto Bíblico?
1. O Início – Gênesis 1.1-2.17
Como tudo começa? No princípio, Deus criou os céus e a terra (1.1). Há luz e escuridão (1.4), dia e noite (1.5), sol e lua (1.14-15). Deus criou o homem e a mulher (1.27). Há um jardim (2.8), que contém a árvore da vida (2.9), e um grande rio (2.10). Neste jardim há vida ou morte e maldição (na obediência ou não – 2.16-17). Este é o mundo de Deus, que veio a existir, foi organizado e preenchido pelo poder de Sua Palavra (1.3, 6, 9, 11, 14, 20, 24, 26, 28, 29; Sl 33.6).  Este mundo é muito bom (1.31). É o local da habitação de Deus com o homem.
2. O Término – Apocalipse 21-22
Como tudo termina? Há novo céu e nova terra, pois os primeiros já não existem (21.1). Esta é uma nova criação (21.5). Este novo mundo é o local da habitação de Deus com Seu povo (21.3). Nele não há morte ou sofrimento (21.4). Os que não são povo de Deus serão excluídos e lançados num lugar de dor, separados da bondade de Deus e de Sua presença, por toda a eternidade (21.8). Há um grande rio (22.1). Há o acesso livre à árvore da vida (22.2). Não há maldição (22.3). Não é necessário a luz do sol, porque o próprio Deus ilumina este novo mundo (22.5). Mas o que acontece durante este período?
3. O meio.
Podemos dividir a história da Bíblia em sete capítulos: [1] criação, [2] promessa, [3] êxodo, [4] terra prometida, [5] exílio, [6] tempo de Cristo e [7] consumação.
Ou: 1) Queda, 2) Promessa, 3) Êxodo, 4) Canaã, 5) Exílio, 6) Cristo e 7) Igreja.
1) Criação.
A queda – Gênesis 3
O pecado entra no mundo (3.6) – Adão e Eva desobedecem a Deus, e comem do fruto que não deveriam comer. Eles pecam contra o Senhor. A comunhão com Deus é quebrada (3.8). A maldição entra no mundo – serpente e terra (3.14, 17). A morte entra no mundo (3.19). O homem é expulso da presença de Deus (3.22-23).
Por causa da quebra do relacionamento entre Deus e o homem, a história da Bíblia poderia nos levar diretamente às coisas maravilhosas descritas em Apocalipse 21 e 22? Não! O pecado do homem não pode ser ignorado. A justiça de Deus exigia o julgamento. Mesmo Ele aceitando um substituto que assumisse a penalidade por nossos pecados, e pagasse por eles, o Seu padrão santo só aceitaria um homem perfeito para tomar o nosso lugar.
2) Promessa.
A promessa – Gênesis 3.15
Durante o julgamento contra o pecado, Deus faz uma promessa em Gênesis 3.15. Qual é esta promessa? A semente de Eva vencerá a semente da serpente. Mesmo sendo filho de Adão, sujeito a suas fraquezas, e mesmo que a serpente (Satanás – Ap 12.9) lute contra ele, este descendente de Eva esmagará o inimigo com um golpe fatal.
Nos próximos capítulos da Bíblia, vemos que começa uma luta, entre a descendência da mulher e da serpente (Caim e Abel). Isso acontece novamente com Noé, até chegarmos a Abrão, quando Deus o chama.
Gênesis 12.1-3
Deus promete a Abraão, que por meio dele, todos os povos da terra serão abençoados. Isso significa que, no futuro, a humanidade não estará mais debaixo da maldição.
3) Êxodo.
De Gênesis A Juízes.
A história continua, e Deus, por meio da linhagem de Abraão, Isaque e Jacó, levanta um povo, por meio do qual trará aquele descendente prometido em Gênesis 3.15. Este povo termina o livro de Gênesis no Egito (Gn 50.26). Lá eles são feitos escravos, e Deus os liberta por meio de um homem chamado Moisés (Êxodo).
Este povo é chamado de Israel, e Deus faz uma aliança (a Lei de Moisés), um contrato de fidelidade com eles (Levítico e Deuteronômio). Este contrato prometia bênçãos em caso de obediência as ordens de Deus, e maldição em caso de desobediência. O povo desobedeceu, e por isso vagou por 40 anos no deserto (Números).
3) Terra prometida.
Deus os faz entrar na terra que havia prometido a Abraão (Josué). Mas mesmo na terra, o povo se desvia de Deus (Juízes). Por isso, ele lhes dá um rei (Saul), que também lhe desobedece. Depois desse rei, Deus levanta um homem segundo seu coração: o rei Davi (1 e 2 Samuel).
2Samuel 7.12-13, 16
Em Davi, a promessa feita a Abraão é desenvolvida. Deus lhe promete um descendente que reinará para sempre. Davi é o rei por meio do qual virá o Rei de Deus, para conquistar Seus inimigos e reinar sobre o Seu povo.
De 2Samuel aos profetas.
Depois de Davi, o reino de Israel se dividiu em dois. O reino do Norte (chamado de Israel) nunca mais adorou a Deus de coração. O reino do Sul (chamado de Judá) oscilou entre reis que serviam ao Senhor, e reis que não faziam isso.
O povo quebrou a aliança que tinha com Deus, e por isso, Ele levantou seus profetas. Os profetas alertaram contra o pecado do povo. Não só isso, mas proclamaram o juízo que Deus traria contra eles, por causa de sua desobediência. Mas também prometeram um tempo em que Deus os restauraria, e perdoaria todos os seus pecados.
4) Exílio.
Jeremias 31.31-34
Por meio de Jeremias, Deus oferece uma esperança futura ao povo. Deus fará uma nova aliança com Israel e Judá (31.31). Esta aliança não será como a antiga, que poderia ser (e foi) quebrada pela desobediência do povo (a Lei de Moisés) (31.32). Ela será escrita em seus corações – Deus lhes dará um novo coração (31.33). E Deus os perdoará completamente seus pecados (31.34).
Dos profetas até Cristo.
Como havia prometido, Deus traz as maldições consequentes da quebra da aliança de Moisés, e o povo é exilado por 70 anos na terra de seus inimigos. Depois deste tempo, uma parte do povo voltou a Israel. Mas Deus permanece em silêncio por 400 anos.
5) Tempo de Cristo.
Depois deste período, por meio do Espírito Santo, uma mulher chamada Maria fica grávida de um menino (Mt 1.18). Este menino é o Rei prometido a Davi, aquele por meio do qual Deus esmagará a cabeça da serpente (Mt 1.23). Ele é chamado de Jesus, é batizado e começa a pregar a boa notícia do Reino prometido de Deus (Mc 1.14-15). Ele anunciou sua morte e ressurreição (Mc 9.31), que seria como um sacrifício pelos pecados do homem (Mc 10.45). Ele morreu e ressuscitou ao terceiro dia (Lc 24.6-7). Mas antes, deixou bem claro que era o próprio Filho de Deus (Jo 10.30), e que, após ressuscitar e subir aos céus, Deus enviaria o Consolador (chamado de Espírito Santo de Deus) a cada um que cresse n’Ele (Jo 14.26).
6) Consumação.
De Cristo até Apocalipse.
De fato, este dia chegou (At 2.4), e todos os que creram em Jesus, confessando seus pecados, receberam o dom do Espírito Santo. Agora, por meio de Jesus, qualquer pessoa pode receber o perdão de seus pecados (At 2.38). Nasce agora a Igreja de Cristo, o “novo Israel” (Israel espiritual).
Deus levantou usou os seguidores de Jesus para proclamar Sua Palavra aos primeiros “cristãos”. Eles escreveram recomendações e ensinamentos para as igrejas espalhadas por todo o mundo. Um deles foi Paulo, um grande estudioso. Ele explicou que Jesus é o novo Adão, e que, por meio d’Ele, a humanidade é salva da condenação de seus pecados (Rm 5.12, 19). Em Jesus, as promessas feitas por Deus a seu povo se cumprem (2 Co 1.20). Por meio de Jesus, todo homem pode ter acesso à promessa feita por Deus a Abraão (Gl 3.9). E é também pela fé em Jesus, que o homem recebe o Espírito Santo, que é a garantia do perdão de seus pecados (Ef 1.13-14).
A igreja agora, espera o dia em que Jesus voltará, quando se cumprirá as palavras de Apocalipse (1 Ts 4.16-17). Os que foram perdoados habitarão com Deus para sempre (Jo 3.16). Mas os que não crerem, serão condenados no inferno, longe de Deus, eternamente (Ap 20.15).
III. Porque o Contexto Bíblico é importante?
1. O centro da história.
Depois de ressuscitar, Jesus apareceu a dois de seus discípulos, no caminho para Emaús (Lc 24). Eles não entendiam porque Jesus tinha morrido (24.21). Mas Jesus lhes diz que eles eram “tardios para crer” na mensagem dos profetas (24.25). Isso porque tudo o que Moisés e os profetas escreveram era em relação a Ele mesmo – Jesus (24.27). Ele explicou que tudo o que foi prometido nas Escrituras deveria ser cumprido (cf. At 10.43). Jesus conclui mostrando que Ele é o cumprimento das promessas do AT (24.44-48).
Todo o AT apontava para Cristo e Sua obra. Ele é o descendente prometido em Gênesis 3.15. Por meio da obra de Cristo, Deus é glorificado (Ef 5.5-12).
2. A mensagem da Bíblia.
Como podemos perceber, a Bíblia não é um livro que contém várias histórias antigas e isoladas sobre Deus. Ela é um livro com uma mensagem principal, dividida e explicada por vários livros, ao longo da história. Todo livro da Bíblia aponta para uma destas épocas da história narrada por ela. Esta história é muitas vezes chamada de “História da Redenção”.
3. Tarefa.
Defina em uma frase, qual é a mensagem da Bíblia:
1. “Deus resgata para Si, por meio de Seu Filho Jesus Cristo, um povo que irá viver com Ele por toda a eternidade, tudo isso para o louvor de Sua glória”.
2. Ou: “A Bíblia proclama a glória de Deus através da redenção do homem em Cristo”.
Os autores do livro Novo Dicionário de Teologia Bíblica (T. Desmond Alexander e Brian S. Rosner, pag. 92) resumem o conteúdo da Bíblia com a seguinte descrição:
O único Deus que criou o Universo e escolheu Israel para ser seu próprio povo, por meio do envio, obra, morte e ressurreição de seu único Filho Jesus Cristo, providenciou suficientemente e de uma vez por todas a salvação de judeus e gentios. Jesus Cristo é a esperança de toda a criação. Quem crer nele como Reconciliador e Senhor, e obedecer suas instruções, pode estar certo de sua participação no Reino de Deus.
IV. Conclusão.
O que a Teologia Bíblica (Contexto Bíblico) interfere na pregação? Tudo!
1. O pregador deve olhar para o AT e o NT como um todo – Para entendermos o NT, precisamos conhecer o AT, e vice-e-versa. Sem o AT, não podemos compreender a mensagem geral do NT, e como o AT aponta para Cristo. Da mesma forma, se lermos somente o AT, viveremos debaixo da Lei de Moisés, e não estaremos em um relacionamento com Cristo.
2. Todo pregador prega teologia bíblica boa ou ruim – Se o pregador não liga a mensagem do AT com a do NT, ele pode cair em muitas armadilhas, como por exemplo, pregar sobre “não adulterarás” e dar a entender que a salvação é alcançada por meio da perfeição moral. Todo texto deve ser identificado dentro da história geral da Bíblia. C. S. Lewis diz que: “quando estudamos um texto antigo, aquilo que pensamos compreender é ao que estamos mais sujeitos a interpretar mal” (NDTB, pag. 151).
3. A Teologia Bíblica nos ajuda a entender melhor a passagem – Não só perguntamos “o que o texto significa? ”, mas respondemos: “o que o texto pretendia realizar?”. O que se esperava dos ouvintes?
A Bíblia toda fala sobre Cristo. O AT aponta para Ele, e o NT fala sobre Ele. Toda pregação deve conduzir a mensagem até Cristo. Isso porque Ele é o centro da história, o “Alfa e o Ômega, o princípio e o fim” (Ap 22.13).
Todo livro da Bíblia aponta para alguma época dentro da história da Redenção. Nossa tarefa deve ser identificar esta época e perceber como isso se aplica em Cristo. Se é no AT, é uma promessa que será cumprida n’Ele. Se é nos Evangelhos, é um cumprimento dessas promessas n’Ele. Se é nas cartas às igrejas, são orientações baseadas na promessa alcançada n’Ele.
Ver Jesus no centro da história nos leva a um relacionamento mais profundo de amor e compromisso com Ele. Se são orientações, não devemos simplesmente fazer por que Deus mandou. Vamos fazer em resposta a tudo o que Ele já fez.
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