OS TRÊS 3 C's DA MISSÃO

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INTRODUÇÃO
Cristo ressuscitou. E agora? O que nós fazemos com isso?
O texto de Mateus 28.1-10 fala sobre a ressurreição de Jesus. Já o texto de Mateus 28.18-20, o próprio Jesus ressurreto aparece para os seus discípulos novamente. Suas palavras finais não foram uma despedida triste, mas Jesus deixou para todo aquele que o seguir apenas uma missão: pregar o evangelho.
Ou seja, a mensagem da Páscoa deve ir além da comemoração, da festa em família; a mensagem da Páscoa deve nos mover a pregar o evangelho. Mas essa não é a realidade da maioria das igrejas. Vemos pessoas chegando até as igrejas reformadas não pelo evangelismo da igreja, mas pelo proselitismo, ou seja, pessoas de outras igrejas que procuram por uma doutrina saudável.
Como resultado disso, nós ficamos acostumados a não evangelizar. E por favor, não leve as coisas apenas para o nível institucional. O que eu quero dizer com isso é, não coloque a culpa na igreja local que não promove eventos evangelísticos. A responsabilidade é coletiva, mas também é individual.
Você enquanto cristão é chamado para pregar. E isso pode acontecer no mercado, no posto de gasolina ou na fila do banco. Pregar o evangelho é ouvir os problemas de um colega da faculdade e orar por ele. Pregar o evangelho é conversar com alguém no trabalho e falar sobre Jesus para essa pessoa. A igreja é chamada para fazer isso, coletiva e individualmente.
E a pergunta que fica é: por que nós não temos pregado o evangelho? O que impede uma pessoa de se engajar nessa Grande Comissão? O que a mensagem da Páscoa tem a ver com o pós-Páscoa?
Para isso, eu quero ler um texto que também se encontra no Evangelho escrito por Mateus, capítulo 9, verso 35 em diante.
LEITURA
³⁵ E Jesus percorria todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do Reino e curando todo tipo de doenças e enfermidades. ³⁶ Ao ver as multidões, Jesus se compadeceu delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor.
³⁷ Então Jesus disse aos seus discípulos:
  — A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. ³⁸ Por isso, peçam ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.
ORAÇÃO
Para tornar os pontos do sermão memoráveis, vamos falar sobre os 3 C da missão: 1) o caminho da missão, 2) o coração da missão e 3) o chamado da missão.
1. O CAMINHO DA MISSÃO
Para falar sobre o caminho da missão, eu preciso rapidamente mostrar em que contexto essa passagem de Mateus se encontra com relação ao ministério de Jesus.
Os capítulos 1 e 2 falam sobre a origem real e o cumprimento da profecia com o nascimento de Jesus. Os capítulos 3 e 4 funcionam como uma “apresentação pública” de Jesus, o chamado dos discípulos e o seu preparo para o ministério pós batismo e tentação. De 5-7, o sermão do monte, ou seja, Jesus interpreta e aprofunda o sentido da lei do Antigo Testamento.
Por fim, os capítulos 8 e 9 funcionam como um preparo desses discípulos observando os milagres que Jesus fazia. Apenas Jesus fez milagres no capítulo 8 e 9 como uma forma de estágio para os discípulos, já que, a partir do capítulo 10, Jesus envia os 12 discípulos para pregar as boas novas do reino.
Nesses capítulos que preparam os discípulos para a missão, Jesus curou um leproso, curou um servo de um líder do exército romano (o centurião), curou a sogra de Pedro, acalmou uma tempestade, curou os endemoniados gadarenos, curou um paralítico em Cafarnaum, ressuscitou a filha do chefe da sinagoga, curou a mulher com fluxo de sangue, dois cegos que gritavam por misericórdia e, por fim, um mudo endemoniado.
O final do capítulo 9 é uma espécie de resumo e visão geral sobre o ministério de Jesus naqueles dias. Por onde quer que ele fosse, milhares de pessoas o seguiam. A primeira coisa que chama a nossa atenção nesse texto é fato de que Jesus deve ter andado muito por toda aquela região.
APLICAÇÃO
Como nós temos caminhado entre as pessoas?
À luz do texto de Mateus 28.18-20, a Grande Comissão, Jesus deixou uma responsabilidade para a igreja de pregar o evangelho e fazer novos discípulos que obedecessem aos mandamentos em amor a Deus.
O nosso chamado é levar a mensagem do evangelho por onde quer que nós formos: seja no mercado, no posto de gasolina, no banco. O evangelho não sai de nós um instante sequer!
E talvez você esteja pensando sobre a natureza desse chamado, imaginando que a responsabilidade da evangelização é apenas do missionário ou do pastor. Colocamos essa responsabilidade sobre os ombros das pessoas que “estudaram para isso”. Fora que, se olharmos para o texto, Jesus está falando com os seus 11 discípulos, uma vez que Judas já tinha cometido suicídio.
Porém, vamos nos lembrar de alguns casos aqui. A mulher samaritana no poço da cidade (ela que foi confrontada por Jesus pelo pecado de ter tido muitos maridos e estar vivendo com um homem que não era seu marido, mas que, depois de apenas um encontro com Jesus, saiu correndo para a cidade de Samaria anunciando que o Messias havia chegado) e o homem endemoninhado geraseno (que depois de ser liberto por uma legião de demônios não perdeu tempo para anunciar que havia sido transformado pelo Messias prometido).
Minha pergunta aqui é: qual deles era discípulo para pregar o evangelho? Qual deles andou com Jesus e fez até estágio (como os discípulos nos capítulos 8 e 9) para poder pregar o evangelho?
Meu irmão, sabe quem é chamado para pregar o evangelho? Todo aquele que foi alcançado por Cristo. Sabe o que você precisa de conteúdo para pregar o evangelho? Ter sido transformado por Cristo; pregar é falar de como Jesus transformou a sua vida e pode transformar a vida de todo aquele que o buscar.
E só para completar, Paulo em 2 Coríntios 5.20 afirmou que: “Portanto, somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por meio de nós” e Pedro também disse na carta de 1 Pedro 2.9 que: “Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamar as virtudes daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”.
É nossa responsabilidade de pregar o evangelho. Nós somos apóstolos no sentido que, no original, a palavra apóstolo significa “enviado”. E tanto Paulo como Pedro estão afirmando para nós que todo cristão é “enviado” para pregar o evangelho.
2. O CORAÇÃO DA MISSÃO
O verso 36 diz que: “Ao ver as multidões, Jesus se compadeceu delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor”. Por si só, esse versículo é autoexplicativo. Jesus não andava pelo caminho pensando em si mesmo, ele olhava para a necessidade do seu próximo. Jesus não tinha pressa em realizar os seus desejos, mas viver conforme a vontade do Pai.
O quanto Jesus deve ter rodado aquela região da Judeia, Samaria e Israel é brincadeira. E por onde quer que passasse, ele não perdia uma oportunidade. Ele pregava o evangelho, anunciava o reino de Deus!
APLICAÇÃO
Esse deve ser o nosso coração também! Precisamos, assim como Jesus, andar no caminho dessa vida estando atentos para a necessidade das pessoas.
O problema é que a internet prega que você pode ser o que quiser. E com isso, procuramos os nossos interesses pessoais, queremos realizar as nossas metas. E a vida se torna uma corrida individual. As pessoas já não olham mais uns para os outros porque estão olhando para os seus celulares. A necessidade do outro já não nos machuca mais.
Muitas vezes nós nem enxergamos as pessoas. O que eu quero dizer com isso é que, no mercado, eu esqueço que o caixa e o empacotador são pessoas que também passam por problemas pessoais. No posto de gasolina, esquecemos que o frentista também tem família em casa. No banco, esquecemos que o joelho da senhorinha fica inchado toda vez que ela fica muito tempo de pé.
Mas a compaixão que Jesus está falando aqui não é de um evangelho social. Entenda bem o que eu quero dizer com isso. Jesus cuidou e supriu necessidades físicas das pessoas, mas a preocupação dele está além. Ele se importava com a condição da alma daquelas pessoas!
Evangelismo tem a ver com o fato de que eu preciso observar o meu próximo. E como eu devo enxergá-lo? Bom, eu acredito que, a resposta dessa pergunta pode influenciar completamente a nossa visão de pregação do evangelho.
Tudo começa com a observação. Por onde que fosse, Jesus via seres humanos chafurdados na lama do pecado, esquecidos pela sociedade e aflitos pelos problemas da vida. O nosso maior problema é que nós não enxergamos o próximo como uma “ovelha sem pastor”.
O vizinho que toca funk até das 3h da manhã é tudo o que você puder imaginar: um marginal, um pilantra; menos uma ovelha sem pastor. O morador de rua que te pede dinheiro no mesmo semáforo toda vez que você passa é tudo o que você puder imaginar: um estorvo, um problema; menos uma ovelha sem pastor. Um homossexual que faz novela e é famoso é tudo o que você puder imaginar; menos uma ovelha sem pastor.
E para que eu passe a enxergar as pessoas como “ovelhas sem pastor”, eu preciso lembrar de que um dia eu já fui uma ovelha sem pastor. Se quisermos olhar para as pessoas dessa forma, precisamos olhar de onde o Senhor nos tirou, como ele nos livra dia após dia do nosso velho eu. É dessa condição que nós fomos arrancados. E quando mais clara for a noção de onde o Senhor me tirou, maior será a minha necessidade de pregar essa mensagem.
O coração do mestre enxergava pessoas como “ovelhas sem pastor”. Esse também deve ser o nosso coração.
3. O CHAMADO DA MISSÃO
O verso 37 e 38 concluem o nosso último ponto do sermão. Vamos lê-los novamente: Então Jesus disse aos seus discípulos: — A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, peçam ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.
Esse é um versículo bem conhecido. Lá em casa, eu sempre brinquei com a minha mãe de que a seara precisa de “searenses”. Ou seja, precisamos de pessoas que coloquem a mão na obra!
APLICAÇÃO
E aqui, talvez seja importante fazer uma ressalva. Há quem diga que evangelismo não dá frutos. Para aqueles que já estiveram em alguns mutirões de evangelismo na rua, um número ínfimo de pessoas é traduzido em novos membros para a igreja local.
Falamos do evangelho, às vezes a pessoa até se converte, mas ela mora longe e, por isso, vai frequentar outra comunidade em outro bairro. Com isso, somos tentados a dizer que a evangelização não dá frutos ou que, esses frutos são desproporcionais pelo esforço que é realizado. E esse fator pode ser desanimador para as pessoas envolvidas com a evangelização.
A reflexão que fica em cima disso é: você é chamado para pregar ou para converter pessoas? De quem são os campos? Quem é que vai separar o joio do trigo? A nossa verdadeira função é semear. Se a semente cair em terra boa, vai dar bons frutos. E se esse fruto não virar número na igreja local, mas virar número em outra igreja, amém! A igreja verdadeira é uma só!
O campo não é nosso, é de Deus. Não trabalhamos pela igreja local, mas pelo reino invisível que um dia se tornará visível quando toda língua confessar que Jesus é o Senhor! E se essa semente cair num lugar que não der frutos? Sabe o que acontece? Eu e você teremos cumprido mesmo assim o nosso chamado de anunciar a mensagem da salvação.
Nós estamos inseridos em ambientes diferentes. Não dá para você chamar um presbítero ou o pastor para que ele evangelize o seu colega no seu lugar. Em vez de orar: “Pai, envia ajuda” a nossa oração deveria ser “Pai, eis me aqui”.
Nós estamos tão acostumados a orar de maneira genérica que esquecemos que Deus pode nos usar. Pedimos por ajuda, mas e se nós formos a resposta para a nossa própria oração em favor do outro?
Por isso, eu quero te convidar a olhar para o caminho da missão, perceber qual é o coração que nós devemos ter ao olhar para a vida do próximo e de fato, responder a esse chamado de maneira vigora: “Senhor eis me aqui. Me use como um instrumento em suas mãos. O que o Senhor quer que eu faça?”
Que essa seja a nossa oração, amém!
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