Deuteronômio 6.1-9 | Com Grandes Poderes, Vem Grandes Responsabilidades

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COM GRANDES PODERES, VEM GRANDES RESPONSABILIDADES

Deuteronômio 6.1–9 (NVI)
1 “Esta é a lei, isto é, os decretos e as ordenanças, que o Senhor, o seu Deus, ordenou que eu lhes ensinasse, para que vocês os cumpram na terra para a qual estão indo para dela tomar posse. 2 Desse modo vocês, seus filhos e seus netos temerão o Senhor, o seu Deus, e obedecerão a todos os seus decretos e mandamentos, que eu lhes ordeno, todos os dias da sua vida, para que tenham vida longa. 3 Ouça e obedeça, ó Israel! Assim tudo lhe irá bem e você será muito numeroso numa terra onde manam leite e mel, como lhe prometeu o Senhor, o Deus dos seus antepassados. 4 “Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor. 5 Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças. 6 Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. 7 Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar. 8 Amarre-as como um sinal nos braços e prenda-as na testa. 9 Escreva-as nos batentes das portas de sua casa e em seus portões.
"Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades”.
Provavelmente você já assistiu aquele filme do Espetacular Homem-Aranha que tem aquela fala, com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades, certo? Talvez você nunca tenha assistido o filme, mas conheça a frase, como é o meu caso. Eu nunca assisti os filmes clássicos do homem-aranha, somente os novos e lá também tem essa frase.
O contexto original em que essa frase acontece - eu fui procurar - é quando Peter Parker estava descobrindo que a vida de super herói não era moleza e ele estava reagindo às mudanças de sua vida e começa a agir estranho. Parker estava brigando na escola, estava com comportamentos estranhos e o Tio Ben queria conversar com ele, mas Parker diz que não quer conversar e disse que não precisava naquela hora. Tio Ben diz que eles precisavam conversar naquela hora porque havia tempo que eles não conversavam. E aí orientando o seu sobrinho em como ele deveria reagir as provocações das pessoas e pelo fato de ele ter dado uma surra num rapaz da escola, Tio Ben solta a frase que marca gerações que gostam de Homem-Aranha:
Lembre-se, com grandes poderes, vem grandes responsabilidades.
Essa frase parece algo inusitado, parece que foi criada do nada. Mas nada é criado do nada, não é?! Deus criou todas as coisas. Mas quanto a essa frase famosa, a Bíblia nos mostra um versículo que trás essa mesma ideia:
Lucas 12.48 (NVI)
48b A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido.
A muitos de nós foi dado muita responsabilidade, principalmente quando se trata do tema família. Todos nós aqui temos uma família e temos responsabilidades dentro dessa família. Talvez você já seja pai ou mãe, ou você é uma avó/avô e cuida integralmente do seu neto, ou você já é casado e é o líder de sua casa; a questão é que todos nós temos alguma responsabilidade quando se trata de família.
Gostaria que vocês abrissem a Bíblia de vocês no livro de Deuteronômio 6 e deixassem aberta nesse capítulo. Hoje vamos olhar para os versículos de 4-9 e sermos desafiados a ter Uma Fé Que Mora Com a Gente e algumas das nossas responsabilidades quanto ao que Deus espera de nós.
O texto nos diz o seguinte, acompanhe comigo na sua Bíblia:
Deuteronômio 6.1–10 NVI
1 “Esta é a lei, isto é, os decretos e as ordenanças, que o Senhor, o seu Deus, ordenou que eu lhes ensinasse, para que vocês os cumpram na terra para a qual estão indo para dela tomar posse. 2 Desse modo vocês, seus filhos e seus netos temerão o Senhor, o seu Deus, e obedecerão a todos os seus decretos e mandamentos, que eu lhes ordeno, todos os dias da sua vida, para que tenham vida longa. 3 Ouça e obedeça, ó Israel! Assim tudo lhe irá bem e você será muito numeroso numa terra onde manam leite e mel, como lhe prometeu o Senhor, o Deus dos seus antepassados. 4 “Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor. 5 Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças. 6 Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. 7 Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar. 8 Amarre-as como um sinal nos braços e prenda-as na testa. 9 Escreva-as nos batentes das portas de sua casa e em seus portões. 10 “O Senhor, o seu Deus, os conduzirá à terra que jurou aos seus antepassados, Abraão, Isaque e Jacó, dar a vocês, terra com grandes e boas cidades que vocês não construíram,

INTRODUÇÃO

Talvez você cresceu numa casa em que a Bíblia ficava aberta no Salmo 91, mas ninguém lia. Ou talvez você cresceu num lar cristão, mas não lembra de conversas reais sobre Deus no meio da rotina. Às vezes a gente corre tanto. Acorda, corre pro trabalho, resolve coisa aqui, apaga incêndio ali… e quando a gente vê, o dia acabou. E a gente olha para dentro de nós e pergunta: “onde é que Deus entrou nesse dia?”.
Aqui Moisés está ensinando o povo a não cair nesse erro. Deus não quer uma visita de domingo. Ele quer morar com você. Ele quer fazer parte da conversa na hora do almoço, da oração antes da prova, do perdão depois da briga, do abraço no fim do dia. Deus não quer que Seu povo se esqueça dele.
Essa é a essência desse texto: Uma fé que sai do culto e vai parar na sala, na cozinha, no caminho da escola. Uma fé que caminha com a família. Que entra na casa e nunca mais sai.
Pensando nas responsabilidades que temos como família, olharemos para três pontos principais que nos ensinam como sermos responsáveis por aqueles que estão sobre nossos cuidados:
I. Uma fé que desce do cérebro para o coração;
II. Uma fé que vira conversa na rotina;
III. Uma fé que muda o ambiente da casa.

CONTEXTO

Antes de partirmos para a exposição do texto em si, precisamos entender um pouco sobre o contexto de Deuteronômio.
O livro de Deuteronômio está estagnado no período temporal de Nm 36.13
Números 36.13 NVI
13 São esses os mandamentos e as ordenanças que o Senhor deu aos israelitas por intermédio de Moisés nas campinas de Moabe, junto ao Jordão, frente a Jericó.
O povo de Israel estava nas planícies de Moabe. Depois de 40 anos no deserto, os hebreus estavam prestes a atravessar o Jordão, em direção a conquista da terra prometida: Canaã.
Por conta da transição de gerações, foi necessário que a lei fosse ratificada. Ou seja, reafirmar aquilo que já tinha sido dito. Aquela nova geração, que nasceu no deserto e que não presenciou os atos salvíficos de Deus em libertar Seu povo da escravidão do Egito, precisava ser orientada em relação a aliança de Deus com Seu povo.
Por isso, Moisés faz um grande discurso, uma grande pregação, nas campinas de Moabe às margens do Rio Jordão.
Alguns falam que Moisés era um bom batista porque fez sua pregação em três pontos, que são:
Recorda! - Revisão da história das peregrinações [1.1 - 4.43];
Obedece! - Exposição da Lei [4.44 - 11.32];
Cuidado! - Profecias sobre o futuro de Israel [27 - 34].
Bill Arnold, um autor e teólogo diz o seguinte:
“Esses discursos fazem um levantamento dos atos salvíficos de Deus durante a geração anterior e resumem as leis da aliança a fim de preparar a nova geração de israelitas para o futuro”. (ARNOLD, Bill T. BEYER, Bryan E. pg. 142).
O povo de Israel iria tomar posse da terra prometida e, para isso, deveria guerrear e expulsar muitos povos que ali habitavam e, em paralelo a isto, deveriam permanecer fiéis ao Senhor para não se contaminarem com a cultura Cananéia e com as religiões pagãs e idólatras daqueles povos. Eles deveriam permanecer leais a Deus e a Sua Aliança.
Dessa forma, Moisés começa o seu discurso apresentando uma teologia da História. Ao recapitular o passado recente, Moisés buscava preparar a nação, aquela nova geração, para obedecer a Deus no futuro.
Depois disso, Moisés recapitula as determinações da Aliança e as estabelece como norma de vida para os israelitas depois de entrarem na terra prometida. Estes decretos e leis da Aliança agora seriam aplicados à sua futura vida em Canaã (Dt 5.1-3).
Deuteronômio 5.1–3 NVI
1 Então Moisés convocou todo o Israel e lhe disse: “Ouça, ó Israel, os decretos e as ordenanças que hoje lhe estou anunciando. Aprenda-os e tenha o cuidado de cumpri-los. 2 O Senhor, o nosso Deus, fez conosco uma aliança em Horebe. 3 Não foi com os nossos antepassados que o Senhor fez essa aliança, mas conosco, com todos nós que hoje estamos vivos aqui.
Antes de tratar do texto que lemos. Eu gostaria de fazer uma observação a respeito desta passagem. Antes de chegarmos no texto que estamos examinando, existe a menção de três gerações encontrada no v.2.
Pense nisso, existe algo mais em jogo aqui do que apenas a criação e educação de filhos. Na verdade, uma visão de longo prazo.
A nossa tendência é focar nas necessidades de cada dia, no hoje, e tentar sobreviver ao dia tendo cumprido todas as nossas responsabilidades. E nós esquecemos dessa visão de longo prazo que devemos ter das nossas famílias.
A nossa preocupação deve ser maior do que fazer nossos filhos atingirem os seus desejos e objetivos. O propósito deve ser o de colocar em nossos filhos o desejo de amor a Deus, deve haver o desejo que o filho tenha deleite, encantamento, avidez, de um mundo que ele ainda não viu.
Você deve desejar e se esforçar a persuadi-lo de que existem coisas admiráveis pelas quais vale a pena viver.
Então, na medida que trabalhamos com nossos filhos, não podemos estar em modo “piloto automático”, temos que estar pensando no Reino. E construir, então, com eles uma visão de mundo que é íntegra e isso não vai abençoar apenas essa geração, mas a próxima e também as próximas.
Então, a preocupação não deve ser apenas por um determinado momento. À medida que eles são educados dia a dia a preocupação deve ser: “onde vai estar o coração dos meus netos daqui a 50 anos?”.
À medida que se educam os filhos deve-se ter esse foco. Em outras palavras: “estou trabalhando no ensino do meu filho para o bem dos meus netos. Porque eu desejo ver uma geração após outra seguindo os caminhos do Senhor”.
Devemos desejar construir em nossas famílias uma geração de pessoas que amam a Deus, uma após a outra.
Então, esta passagem nos dá uma visão além de sobreviver dia a dia. Ela nos dá uma visão entre gerações, de maneira que uma geração após a outra está seguindo a Deus.

I. UMA FÉ QUE DESCE DO CÉREBRO PARA O CORAÇÃO (Dt 6.6)

Deuteronômio 6.6 NVI
6 Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração.
O texto de Deuteronômio 6 não fala apenas do mundo das ideias. Quando lemos a Palavra de Deus, nós não somos como âncora de um telejornal, que só lê o que está no “telempromter”. As coisas e os caminhos de Deus devem ser ensinados por aqueles que abraçaram aquilo que Deus ensina através das Escrituras.
Para transmitir palavras de vida, é necessário existir vida no pai e na mãe. É isso que diz os versículos a seguir.
Deuteronômio 6.4–5 NVI
4 “Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor. 5 Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças.
Sabemos que família nenhuma é perfeita. Tem dias que os pais estão cansados para brincar, os filhos respondem ou o cônjuge não dá atenção ao que você está falando, ou até mesmo algum parente que mora com você tira você do sério e a paciência vai embora. E então nos fica aquela indagação: “será que eu tô fazendo tudo errado? Será que tenho transmitido as palavras de vida da Bíblia?”. Para transmitir as palavras de vida, é necessário existir vida no pai e na mãe, tio, tia, avó, primo e em toda a família.
O que Deus está dizendo é: “Não quero que você tenha um lar perfeito. Quero que você tenha um lar com o coração voltado para Mim”. É isso que o Senhor está dizendo nos vv. 4-5. Para ter uma fé que desce do cérebro para o coração, é necessário que amemos o Senhor, nosso Deus, de todo nossa coração, de toda a nossa alma e de toda nossa força. Somente então, tendo a prática desses versículos em nossas vidas, é que conseguiremos ter essas palavras em nosso coração.
Não adianta termos certas regras se o coração estiver longe. Deus quer primeiro alcançar nosso interior. Antes de ensinar os filhos ou a qualquer outro, é necessário que Deus nos ensine primeiro. Antes de obedecermos por medo, é necessário aprender a obedecer por amor.
Será que temos sido constantes em nosso ensino, em nosso cuidado, em nosso tempo em casa? O Senhor afirma que Ele é constante quanto a Si mesmo e quanto ao Seu relacionamento com a humanidade. Ele é o mesmo para essa nova geração nas planícies de Moabe como havia sido para os seus ancestrais no Sinai. E, como Ele é para quaisquer gerações de crentes. Deus pode e deve ser amado de todo o coração por causa de Seu caráter. Os fundamentos da verdade de Deus não são apenas conceituais, mas são vivenciáveis. O amor a Deus deve ser o fundamento de nossa vida.
Deus não quer uma religião de rótulo, mas sim uma fé plantada e cultivada no coração. É possível que eu saiba vários versículos da Bíblia ou saiba muito da Bíblia e ainda assim ter um coração afastado do Senhor. É possível falar da Bíblia mas ainda assim viver em indiferença; é possível eu estar na igreja mas ainda assim não viver com Deus.
Qual é o clima que tem reinado dentro de nossas casas? Medo? Pressa? Silêncio? Indiferença? Onde Jesus é encontrado na sua casa, somente dentro da Bíblia ou em suas atitudes? Jesus tem reinado em sua casa ou você tem reinado e sua casa está escassa da presença de Deus?
Você pode ter uma Bíblia aberta, mas um coração fechado.
Que tal fazer a pergunta: “O que Deus está querendo no nosso coração como família?”
A fé verdadeira não começa na aparência, começa no íntimo.
TRANSIÇÃO:
Moisés começa falando do coração, mas ele não para por aí. Porque o que está no coração transborda. E a próxima parada da fé é o ambiente da casa.

II. UMA FÉ QUE VIRA CONVERSA NA ROTINA (Dt 6.7)

Deuteronômio 6.7 NVI
7 Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar.
Não podemos impressionar nossa família com a glória de Deus a não ser que nós mesmos tenhamos nos impressionado com ela. As verdades do poder soberano de Deus devem derreter o nosso coração.
A verdade do Seu tremendo amor e misericórdia tem que ser preciosa pra mim mesmo. Porque se eu não tiver um profundo amor a Deus eu não conseguirei imprimir isso na minha família. Se a Palavra de Deus não for preciosa para mim, ela jamais será preciosa para a minha família.
Tem que começar em nós a avidez pela Palavra, sendo impressionados e cativos em Deus.
Para assim você poder fazer o que o v.7 exorta:
[LER v.7] – “inculcarás”. Hb. Shanan (“afiar).
O dicionário Aurélio define “inculcar” como: “apontar, demonstrar, dar a entender, indicar, revelar, repetir com insistência para frisá-lo no espírito". Esse termo no original da Bíblia é uma palavra forte para descrever flechas pontiagudas, repetidamente afiadas para penetrar o coração ou os rins da caça (cf. Is 5.28; Sl 45.6; 73.21). Figurativamente, palavras “afiadas” são aquelas que penetram. A Palavra de Deus deve ser cuidadosa e continuamente apresentada a fim de “penetrar” o coração da criança.
Deuteronômio 6.7 NVI
7 Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar.
Naturalmente, as coisas que mais valorizamos, são as coisas que estarão sempre no nosso coração. Falamos sobre as coisas que amamos, falamos sobre as coisas que consideramos importantes.
Tudo aquilo que acho/entendo que vale a pena viver, é aquilo que enche meu pensamento. E, é por isso que Moisés fala que a Palavra deve estar no coração, para poder inculcá-la nos filhos [Dt 6.6-7].
Os caminhos de Deus devem residir [morar] dentro de nós, profundamente, ao ponto desses caminhos dirigirem a vida de nossas famílias. E isso, a tal ponto que não seja mais possível parar de falar sobre esses caminhos, porque naturalmente o ser humano fala daquilo que ama. Fé e família caminham juntas.
As ricas verdades de Deus devem primeiramente impressionar você, para que assim você possa imprimi-las nos seus filhos. Para que seus filhos se deleitem em Deus, você deve evidenciar o seu deleite primeiro a eles.
Deus está dizendo aqui: "Educação espiritual não é tarefa da escola dominical. É missão da casa.” E em uma das minhas leituras, um autor disse o seguinte sobre nossa responsabilidade nesse ponto:
Ouvimos sempre muita reclamação sobre a falta de responsabilidade das nossas escolas, igrejas e da indústria de entretenimento quanto a ensinar bons princípios às nossas crianças, mas Deus deu essa responsabilidade aos pais, e não a eles. Não estou querendo defender a imoralidade, violência e as drogas. No entanto, ao culparmos a indústria de entretenimento, o governo, as escolas, as ruas e as armas pelos problemas das crianças, não estamos vendo as coisas como Deus vê. Estamos dizendo, na essência: “Tornem o mundo mais seguro para que meus filhos estejam seguros". Isso está longe da perspectiva bíblica da realidade.
A responsabilidade pela transmissão da fé de uma geração a outra em Israel era dos pais. Assim também é conosco. É nossa responsabilidade falar dessa fé dentro de nossas famílias. Essa fé precisa se tornar rotina de nosso dia-a-dia.
As crianças não aprendem só o que dizemos, mas elas aprendem o que vivemos. Quando um pai pede perdão, ele está ensinando graça. Quando a mãe ora pelo filho, ela está ensinando dependência. Quando o casal resolve conflitos com diálogos, está pregando a reconciliação.
TRANSIÇÃO:
Essa está sendo a ordem divina: Do coração pro lar.
Do lar para o caminho.
E agora, Moisés vai mostrar que essa fé também deve moldar o ambiente.

III. UMA FÉ QUE MUDA O AMBIENTE DA CASA (Dt 6.8-9)

Deuteronômio 6.8–9 NVI
8 Amarre-as como um sinal nos braços e prenda-as na testa. 9 Escreva-as nos batentes das portas de sua casa e em seus portões.
É mais do que simplesmente colocar um versículo pendurado na parede. Deus está dizendo: “O lugar onde você mora precisa respirar a minha presença.”
É mais do que termos um adesivo dizendo "Deus é Fiel” na porta da geladeira ou no nosso carro.
Moisés está dizendo: “Transforme a sua casa num lugar que respira a presença de Deus.
Essa fé que temos falado, que muda nosso coração e transforma a nossa rotina, é uma fé que muda o ambiente onde vivemos. E talvez algumas perguntas que possam nos ajudar são:
Quando alguém entra na sua casa, sente paz ou tensão?
Seus filhos tem medo de estar no lar, ou alegria de estar ali?
A conversa na mesa gira em torno da graça ou da cobrança?
Tem casa que é bonita, mas é gelada. Tem casa que tem Bíblia aberta na estante, mas tem silêncio no coração.‌ Tem casa com oração aos domingos, mas com gritos e indiferença de segunda a sábado. A fé tem que se tornar visível… não só nas palavras, mas no tom de voz. No perdão que se pede. Na calma no meio da pressa. Na paciência com quem é difícil. No carinho nos detalhes.

CONCLUSÃO

Caminhando agora para o final, existe uma passagem muito popular em Josué 24, na qual ele está se despedindo do povo. É a passagem que ele lembra o povo de Deus da fidelidade do Senhor à Sua Aliança.
[#] Ele fala do chamado de Deus a Abraão e como Deus havia dado a terra de Canaã a Abraão.
[#] Fala do exílio do Egito e da libertação do jugo de Faraó, a escravidão. E, os lembra da conquista da terra prometida. De como Deus havia provido a eles de uma maneira extraordinária.
[#] Então, os lembra como Deus os deu a terra sobre a qual não haviam trabalhado. E como Deus tirou as nações que habitavam ali da frente do povo.
[#] E, é no fim desta exposição que aparece a famosa passagem de Js 24.15:
Josué 24.15 NVI
15 Se, porém, não lhes agrada servir ao Senhor, escolham hoje a quem irão servir, se aos deuses que os seus antepassados serviram além do Eufrates, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra vocês estão vivendo. Mas, eu e a minha família serviremos ao Senhor”.
Aquilo tocou profundamente o povo, que disseram: “nós também serviremos ao Senhor”. [Js 24.16-18]
E Josué, em reposta, disse: “Calma lá!”. Lembrem quem é o nosso Deus, Ele é um Deus santo, Ele não admite desobediência e rebelião, e se você diz que vai servi-lo e, falha em servi-lo, Ele vai trazer todo tipo de tribulação sobre vocês. [Js 24.19,20]
Mas o povo, então, ouvindo aquilo toma a séria decisão de servir ao Senhor. [Js 24.21-25]
E vocês lembram o que acontece um pouco mais à frente em Juízes 2? Esse texto nos mostra o que acontece depois da história Israel.
Juízes 2.6–10 NVI
6 Depois que Josué despediu os israelitas, eles saíram para ocupar a terra, cada um a sua herança. 7 O povo prestou culto ao Senhor durante toda a vida de Josué e dos líderes que sobreviveram a Josué e que tinham visto todos os grandes feitos do Senhor em favor de Israel. 8 Josué, filho de Num, servo do Senhor, morreu com a idade de cento e dez anos. 9 Foi sepultado na terra de sua herança, em Timnate-Heres, nos montes de Efraim, ao norte do monte Gaás. 10 Depois que toda aquela geração foi reunida a seus antepassados, surgiu uma nova geração que não conhecia o Senhor e o que ele havia feito por Israel.
Pense no que o texto está dizendo:
a primeira geração que nasceu na terra prometida abandonou os caminhos do Senhor. Isso é chocante!
Como eles poderiam não conhecer o Senhor?
Como eles poderiam não saber sobre o maná e as codornizes no deserto?
Como eles poderiam não saber da água que jorrou da pedra?
Como poderiam não saber do mar vermelho se abrindo?
Como poderiam não saber das muralhas de Jericó caido?
Como poderiam não saber da Aliança de Deus com Israel e as bênçãos e maldições da Aliança?
Quem falhou? O que aconteceu? Será que foram os sacerdotes? Os profetas? Os levitas?
Infelizmente, a falha foi dos lares. Dos pais e das mães, em não mostrar o caminho aos seus filhos.
De fato, foi a falha do povo de Deus em cumprir aquilo que o Senhor os havia ordenado antes de cruzarem o Jordão.
Deuteronômio 6 foi antes da conquista da terra prometida. Mas quando eles entram na terra, eles não fazem o que esse texto de Deuteronômio 6 os exorta a fazer.
Então, meus irmãos, o lugar primário e fundamental para que nossos filhos, netos, bisnetos aprendam uma visão de mundo cristão não é a igreja. O lugar fundamental para que os seus filhos aprendam a viver é dentro de casa, com o ensino das Escrituras. A igreja está aqui apenas para equipá-los.
Infelizmente, a degradação moral é imensa em nossos tempos e cada vez se intensifica mais. Tem se infiltrado sutilmente com ideologias dentro das escolas, nas televisões, e nesse aparelho bem pequeno que carregamos em nossos bolsos onde quer que vamos. E isso vai minando a vida espiritual nossa e da nossa família.
As crianças passam ao longo dos anos sendo ensinados a pensar, racionalizar sobre os mais diversos campos e ciências, trabalhos e esportes, lazer e entretenimento. E eles tem sido ensinados por uma cultura afastada de Deus.
Talvez não haja outro tempo em que nós precisamos ser tão sérios e diligentes com esse texto de Deuteronômio 6 como agora.
A falha de Israel em Juízes 2 foi a falha de não terem feito aquilo que foram chamados a fazer como o texto aqui nos mostra.
Se não formos diligentes em passar a verdade de Deus dentro de nossas casas e famílias, a próxima geração não conhecerá o Senhor e o que Ele fez pelo Seu povo.
É um chamado muito importante esse que Deus nos deu. À medida que as Escrituras mostram a importância de ensinar a verdade de Deus, que abraça toda a vida familiar, a nossa responsabilidade aumenta em educar a próxima geração em seguir os caminhos de Deus.
Talvez você esteja pensando: Mas eu não consigo viver essa fé tão bonita assim. E eu te entendo. Nem sempre conseguimos. Mas o que Deus quer não é performance. É presença. Constância. Rendição.
Deus não quer que você seja perfeito. Deus quer que você seja verdadeiro. Então aqui vai o convite:
Convide Deus para dentro da sua rotina. Para sua casa. Para sua mesa. Para o seu cansaço. Para o seu silêncio. Não uma fé de evento, de domingo em domingo. Mas uma fé que entra pela porta de casa e nunca mais sai.
Dr. Howard Hendricks conta a história do pregador puritano Richard Baxter. Durante três anos, esse homem altamente capacitado por Deus pregou de todo o coração a um povo rico e sofisticado, mas sem resultados visíveis. Finalmente, Baxter clamou a Deus: “Senhor, faz algo por este povo, ou então eu morro". Conforme relato do próprio pregador, foi como se Deus tivesse respondido em voz alta e recomendado a ele: "Baxter, você está trabalhando no lugar errado. Está esperando que o avivamento venha por meio da igreja. Tente pelo lar". Baxter começou a visitar os lares, ajudando famílias a organizarem um “altar familiar", até que o Espírito Santo ateou fogo naquela congregação e fez dela uma igreja forte.
Andamos preocupados em nossos dias com “avivamento” e “reavivamento". Mas será que estamos esperando que a igreja faça aquilo que deve ter início no lar? Será que estamos trabalhando no lugar errado, como se uma “experiência emocional” nos desse espiritualidade instantânea? Ou será que o verdadeiro avivamento virá por meio do esforço de pais dedicados ao treinamento espiritual dos filhos no contexto do lar? Que Deus nos dê pais comprometidos em promover avivamento que comece no lar cristão e deste se espalhe para toda a igreja brasileira, chegando até os confins da terra. É a única maneira que temos de evitar uma “amnésia espiritual".

APLICAÇÕES

Se você ainda pensa que não consegue, entregue-se a Jesus e confie nEle. É somente nEle que podemos viver cada uma dessas coisas faladas aqui nessa noite. Se você pensa que já errou tanto, Jesus pagou por seus erros na cruz. Jesus tomou suas dores na cruz. Jesus se entregou na cruz por você por amor.
O Evangelho é sobre recomeços e é um dia após o outro que precisamos vencer.
Se você está pensando que já perdeu muito tempo; que já perdeu o ritmo; ou que já errou tanto. Lembre-se, em Cristo podemos existem recomeços.
Deus o chama a começar de novo. Não precisa ser com grandes passos ou grandes promessas. Mas com pequenas práticas cheias de presença.
Comece com uma oração curta.
Comece pedindo perdão.
Comece orando com seu filho.
Comece agradecendo na hora do almoço.
Comece com o que você tem. Na casa que você tem. Com a família que você tem.
Porque se Deus for o centro, essa casa será cheia da graça — e não do peso.

ORAÇÃO

“Senhor… nós queremos mais do que uma fé de domingo.
Queremos uma fé que mora com a gente.
Que caminha com a gente.
Que os nossos filhos vejam a Tua presença na nossa casa… e que as pessoas sintam o Teu amor na nossa rotina.
Ajuda-nos a viver contigo — não só no culto, mas na cozinha, no trânsito, na sala e no quarto.
Em nome de Jesus… amém.”
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