A parábola do Semeador
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Lucas 8:4-15
Parábolas - o método predileto de Jesus ensinar verdades eternas:
O termo “parábola” é de origem grega. Etimologicamente, significa “a colocação de uma coisa ao lado da outra para fins de comparação”.
Por meio de parábolas, Jesus revelou o mistério do reino de Deus. O mistério é aquilo que o homem não pode conhecer à parte da revelação divina.
Esse mistério é revelado a uns e encoberto a outros. Morris diz que as parábolas tanto revelam como ocultam a verdade. São uma mina de informações para os sinceros, mas um juízo sobre os descuidados. As parábolas eram janelas abertas para a compreensão de uns e portas fechadas para o entendimento de outros. Jesus está Se referindo aos fariseus endurecidos e seus seguidores, que eram pessoas de coração impenitente (Mt 13.13, 15). Esses ouvintes devem ser confrontados com a responsabilidade de sua própria cegueira e impenitência.
A parábola do semeador revela por que Jesus não Se impressionava com as multidões que O seguiam. A maioria daquelas pessoas que O seguiam não produziria frutos dignos de arrependimento. O coração delas era uma espécie de solo pobre.
Comentário Bíblico Popular: Novo Testamento B. O Propósito das Parábolas (13:10–17)
Matthew Henry compara as parábolas à nuvem e à coluna de fogo que iluminaram Israel enquanto confundia os egípcios. As parábolas seriam reveladas aos que sinceramente estivessem interessados, mas seriam “apenas uma irritação aos que eram hostis a Jesus”.
Então não era questão de capricho da parte do Senhor, mas simplesmente a execução de um princípio presente em todos os aspectos da vida:
Mateus 13.18–19 “Atendei vós, pois, à parábola do semeador. A todos os que ouvem a palavra do reino e não a compreendem, vem o maligno e arrebata o que lhes foi semeado no coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho.”
O CORAÇÃO ENDURECIDO (À BEIRA DO CAMINHO):
O solo à beira do caminho (v. 15). Esse coração é duro. A pessoa, obstinada e não lavrada, diz um “não” determinado ao Salvador. Satanás, exemplificado pelos pássaros, arrebata a Palavra. O pecador fica impassível e não se perturba com a mensagem. Consequentemente, a partir disso, ele é indiferente e insensível ao que lhe é comunicado.
Esse ouvinte é o homem indiferente que a rotina da vida insensibilizou. Essa pessoa conforma-se com o rodar dos carros e a passagem dos homens, e vai vivendo a vida sem abrir sulcos na alma para a bendita semente da verdade. John Mackay diz que, para muitas pessoas, o mais sério de todos os problemas é não perceber nenhum problema. Elas estão satisfeitas consigo mesmas. Agarradas ao hábito, escravas da rotina, orgulhosas de suas crenças ou da ausência delas, consumidas pelo prazer, elas nada levam a sério. O mais leve pretexto é bastante para que não assistam a um culto, ou não leiam um livro, ou não façam nem recebam uma visita que possa prejudicar, de algum modo, o seu prestígio ou conturbar o seu sossego monótono e artificial/ Sua vida “maneira”.
Um coração duro ouve, mas lhe falta compreensão e entendimento espiritual. Ele escuta o sermão, mas não presta atenção. Esses ouvintes são semelhantes àqueles denunciados pelo profeta Ezequiel: Eis que tu és para eles como quem canta canções de amor, que tem voz suave e tange bem; porque ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra (Ez 33.32). Há uma multidão de ouvintes que domingo após domingo vai à igreja, mas Satanás rouba a semente de seu coração. Semana após semana eles vivem sem fé, sem temor, sem rendição ao Senhor Jesus. Neste mesmo estado, geralmente eles morrem e são sepultados e se perdem eternamente no inferno. Este é um triste quadro, mas também verdadeiro.
A terra batida pelo caminho trata das pessoas que se recusam a aceitar a mensagem. Ouvem o evangelho, mas não compreendem — não porque não podem, mas porque não compreenderão. Os pássaros representam Satanás; arrebata a semente do coração desses ouvintes. Ele coopera com eles na sua árida escolha. Os fariseus eram ouvintes de terra batida.
A mensagem do reino de Deus é para todos e alcança as pessoas em qualquer situação.
O que importava é a atitude das pessoas em relação à mensagem. O coração é semelhante aos diferentes tipos de terreno: facilita, dificulta ou até impossibilita a recepção da mensagem.
Algumas pessoas ouvem a mensagem tão desinteressadamente que em pouco tempo se esquecem dela, facilitando assim o trabalho do maligno, o principal inimigo do reino, que impede que a mensagem floresça nos corações (13.19)
“o maligno só roubará as sementes que caíram nos corações desinteressados!”
O CORAÇÃO SUPERFICIAL (SOLO ROCHOSO):
Quando Jesus falou do solo rochoso, ele tinha em mente uma camada fina de terra cobrindo a saliência de uma rocha. Isso representa as pessoas que ouvem a palavra e respondem com alegria. A princípio, o semeador poderia ficar orgulhoso do enorme sucesso de sua pregação. Mas logo ele aprende a lição mais profunda: que não é bom quando a mensagem é recebida com sorrisos e aclamações. Primeiro deve haver convicção de pecado, contrição e arrependimento. É muito mais promissor ver um inquiridor chorando até o Calvário que vê-lo andando pela igreja com coração leve e exuberante. A terra rasa produz uma profissão de fé superficial; não há profundeza na raiz. Mas, quando sua profissão é provada pelo sol escaldante da angústia ou perseguição, decide que não vale a pena e abandona toda profissão de sujeição a Cristo.
Essa pessoa elabora uma resposta superficial à Palavra. Talvez na emoção de um apelo ardoroso em uma reunião de evangelização ela professa sua fé em Cristo. Mas é apenas aprovação mental. Não há verdadeiro compromisso com Cristo. Recebe a Palavra com alegria; seria melhor se recebesse com profundo arrependimento e contrição. Dá-se a impressão de progresso promissor por um tempo, mas quando chega a angústia ou a perseguição por causa de sua profissão de fé, decide que o custo é grande demais e abandona tudo. Enquanto for popular se dizer cristão, ela alegará tal condição, mas a perseguição exporá sua farsa.
3 Marcas de pessoas que se comportam como um SOLO ROCHOSO:
1- Tem uma resposta imediata, mas irrefletida, à Palavra de Deus:
Tanto Marcos como Mateus usam, por duas vezes, a palavra “logo” com o sentido de “imediatamente”. Essas pessoas agem “no calor do momento”. Elas imediatamente aceitam a Palavra, e o fazem até mesmo com alegria. Então, imediatamente se escandalizam. Sua decisão é baseada na emoção, e não na reflexão. São os ouvintes emotivos, entusiastas “fogos de palha”; sentem alegria, mas esta é passageira. John Mackay chama esse ouvinte de homem leviano porque ele abraça com alegria o que não entende, apenas pela novidade da ideia, ou para agradar ao que a anunciou.
O terreno pedroso representa as pessoas que vivem e reagem superficialmente. Elas mostram uma promessa inicial que não se confirma. Tanto a resposta quanto o abandono são rápidos.
2 - Não tem profunidade nem perseverança:
Esse ouvinte não tem raiz em si mesmo. Sua fé é temporária. Sua resposta ao evangelho foi apenas externa. Não houve novo nascimento nem transformação de vida. Houve adesão, mas não conversão; entusiasmo, mas não convicção.
3 - Não avalia os custos do discipulado:
Esse ouvinte abraça não o evangelho, mas outro evangelho: o da conveniência. Ele crê não em Cristo, mas em outro Cristo. Quando, porém, chegam as lutas e as provas, ele se desvia escandalizado porque não havia calculado o custo de seguir a Cristo.
Esses ouvintes se desviaram porque não entenderam que o verdadeiro discipulado implica autone-gação, sacrifício, serviço e sofrimento. Eles ignoraram o fato de que o caminho da cruz é o que nos leva para “casa”.
Esse ouvinte tem prazer em ouvir sermões nos quais a verdade é exposta. Ele fala com alegria e entusiasmo acerca da doçura do evangelho e da felicidade de ouvi-lo. Ele pode chorar em resposta ao apelo da pregação e falar com intensidade acerca de seus sentimentos. Mas infelizmente não há estabilidade em sua religião. Não há uma obra real do Espírito Santo em seu coração. Seu amor por Deus é como a névoa que cedo passa (Os 6.4). Na verdade, esse ouvinte ainda está totalmente enganado. Não há real obra de conversão. Mesmo com todos os seus sentimentos, alegrias, esperanças e desejos, ele está realmente no caminho da destruição.
O CORAÇÃO OCUPADO (ENTRE OS ESPINHOS):
A terra infestada por espinhos representa outro grupo que ouve a palavra de maneira superficial. Aparentemente parecem ser súditos genuínos do reino, mas, com o passar do tempo, seu interesse é sufocado pelos cuidados do mundo e por sua fascinação pelas riquezas. Não há fruto para Deus na vida deles.
Essas pessoas também começam de modo promissor. Externamente parecem ser cristãos verdadeiros. Mas depois se ocupam com negócios, com preocupações mundanas, com a ambição de enriquecerem. Perdem o interesse pelas coisas espirituais, até que, por fim, abandonam de todo jeito qualquer afirmação de serem cristãos
Esta é a semente que caiu no espinheiro. Os espinhos cresceram junto com a semente, que acabou sufocada por eles. Este é um solo disputado e concorrido.
Destacamos cinco características de um coração ocupado:
1. Ouve a Palavra de Deus, mas dá atenção a outras coisas (Lc:8.7, 14). Marcos diz que a semente caiu entre os espinhos (Mc 4.7), e Lucas diz que os espinhos cresceram com a semente (Lc 8.7). Esses espinhos representam ervas daninhas espinhosas. Não havia arado que conseguisse arrancar suas raízes de até 30 centímetros de profundidade. Em alguns lugares, esses espinheiros formavam uma cerca viva fechada, no meio da qual alguns pés de cereal até conseguiam crescer, mas ficavam medíocres e não carregavam a espiga.
Essa semente disputou espaço com outras plantas. Ela não recebeu primazia; ao contrário, os espinhos concorreram com ela e a sufocaram (Lc 8.7, 14). Os espinhos cresceram, mas a Palavra foi sufocada. Esse coração é um campo de batalha disputado. O espírito do mundo o inunda como uma enxurrada e sufoca a semente da Palavra. Uma multiplicidade de interesses toma o lugar de Deus. É a pessoa que não tem tempo para Deus. Há outras coisas mais urgentes que fascinam sua alma. Esse ouvinte não tem uma ordem de prioridade correta, pois são muitas as coisas que tratam de tirar Cristo do lugar principal.
2. É sufocado pela concorrência dos cuidados do mundo (Lc:8.14). Esse ouvinte chegou a ouvir a Palavra, mas os cuidados do mundo prevaleceram. O mundo falou mais alto que o evangelho. As glórias do mundo tornaram-se mais fascinantes que as promessas da graça. A concupiscência dos olhos, a concupiscência da carne e a soberba da vida tomaram o lugar de Deus na vida desse ouvinte. Ele pode ser chamado de um crente mundano. Ele quer servir a dois senhores. Ele quer agradar a Deus e ser amigo do mundo. Ele quer atravessar o oceano da vida com um pé na canoa do mundo e outro dentro da igreja.
3. É sufocado pela concorrência da fascinação da riqueza (Lc:8.14). Ele dá mais valor à terra que ao céu, mais importância aos bens materiais do que à graça de Deus. O dinheiro é o seu deus. A fascinação da riqueza fala mais alto que a voz de Deus. O esforço para conseguir uma posição social, por meio de posses e segurança material, traz ansiedade tal que sufoca as aspirações por Deus.
4. É sufocado pelos deleites da vida (Lc:8.14). Esse ouvinte é amante dos prazeres mais do que amigo de Deus. Ele é amigo do mundo, ama o mundo e conforma-se com o mundo. Os prazeres efêmeros do pecado toldam em seu coração as alegrias perenes da vida cristã.
5. Não produz frutos maduros (Lc:8.14). Nesse coração, a semente nasce, mas não encontra espaço para crescer. Ela chega até a crescer, mas não produz frutos que chegam à maturidade. Esse coração assemelha-se à igreja de Sardes. Tem nome de que vive, mas está morto!
O CORAÇÃO FRUTÍFERO (BOA TERRA):
A boa terra representa um crente verdadeiro. Ele ouve a palavra receptivamente e a compreende por obedecer ao que ouve. Embora esses crentes não produzam a mesma quantidade de fruto, todos mostram pelo seu fruto que possuem a vida eterna. Fruto aqui, provavelmente, é a manifestação do caráter cristão em vez de almas ganhas para Cristo. Quando a palavra fruto é usada no NT, geralmente se refere ao fruto do Espírito (Gl 5:22–23).
Essa parábola protege os súditos leais da desilusão de que todo o mundo será convertido através da propagação do Evangelho.
Os discípulos também foram avisados nessa parábola contra três dos antagonistas do evangelho: 1) o inimigo (as aves — o maligno); 2) a carne (o sol causticante — tribulação ou perseguição); e 3) o mundo (os espinhos — os cuidados do mundo e o prazer das riquezas).
Por último, os discípulos recebem uma visão do extraordinário retorno por investir na personalidade humana. Trinta por um são 3.000% de juros, sessenta por um são 6.000% de juros e cem por um são 10.000% de juros no investimento. Realmente não há como medir os resultados de uma única e verdadeira conversão. Uma professora anônima de escola dominical investiu em Dwight L. Moody. (Dwight Lyman Moody é considerado um dos maiores evangelistas do século XIX, associado ao Movimento de Santidade Fundou a Igreja Moody, a Escola Northfield, a Escola de Mount Hermon, o Instituto Bíblico Moody, e as Publicadoras Moody) Ele levou muitos a Cristo. Eles, por sua vez, ganharam outros. Essa professora iniciou uma reação em cadeia que nunca parará.
Mateus 13.23 “Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende; este frutifica e produz a cem, a sessenta e a trinta por um.”
Lucas 8.15 “A que caiu na boa terra são os que, tendo ouvido de bom e reto coração, retêm a palavra; estes frutificam com perseverança.”
Há dois fatos importantes que destacamos a seguir sobre o coração frutífero.
1. Ouve e retém a Palavra (Lc 8.15). Lucas diz que essas pessoas ouvem com bom e reto coração e retêm a Palavra. Elas não apenas ouvem, mas ouvem com o coração aberto, disposto, com o firme propósito de obedecer. Colocam em prática a mensagem e por isso frutificam. Não diz que acolhem com alegria, mas acolhem e frutificam.
Essa parábola nos ensina a fazer três coisas: ouvir, receber e praticar. Nesses dias tão agitados, poucos são os que param a fim de ouvir a Palavra. Mais escassos são aqueles que meditam no que ouvem. Só os que ouvem e meditam podem colocar em prática a Palavra e dar frutos.
Essas pessoas são aquelas que verdadeiramente se arrependem do pecado, depositam sua confiança em Cristo, nascem de novo e vivem em santificação e honra. Elas aborrecem e renunciam o pecado. Amam a Cristo e servem-no com fidelidade.
Warren Wiersbe diz que cada um dos três corações infrutíferos é influenciado por um diferente inimigo: no coração endurecido, Satanás mesmo rouba a semente; no coração superficial, os enganos da carne através do falso sentimento religioso impedem a semente de crescer; no coração ocupado, as coisas do mundo impedem a semente de frutificar. Esses são os três grandes inimigos do cristão: o diabo, a carne e o mundo (Ef 2.13).
2. Produz fruto com perseverança (Lc 8.15). O que distingue esse campo dos demais é que nele a semente não apenas nasce e cresce, mas o fruto vinga e cresce. Lucas diz que ele frutifica com perseverança. Jesus está descrevendo aqui o verdadeiro crente, porque fruto, ou seja, uma vida transformada, é a evidência da salvação (2Co 5.17; Gl 5.19–23). A marca do verdadeiro crente é que ele produz fruto. A árvore é conhecida pelo seu fruto. Uma árvore boa produz fruto bom. Estar sem fruto é estar no caminho que leva ao inferno.
A marca dessa pessoa não é apenas fruto por algum tempo, mas perseverança na frutificação. Há uma constância na sua vida cristã. Ela não se desvia por causa das perseguições do mundo nem fica fascinada pelos prazeres do mundo e deleites da vida. Sua riqueza está no céu, e não na terra; seu prazer está em Deus, e não nos deleites da vida.
