152 - Graça de Deus, perdão em Cristo

O Evangelho segundo Jesus  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Reflexão sobre a graça de Deus refletida por meio do perdão de nossos pecados, ilustrada por Jesus na parábola de um credor sem compaixão e a reação de Pedro diante da ideia de perdoar quem lhe ofende de forma contínua, ininterrupta, repetidamente.

Notes
Transcript

A graça divina manifestada no perdão imerecido [Mat 18.21-22]

I. Introdução

Relebrando: A parábola da ovelha perdida

Recentemente pregamos sobre a parábola da ovelha perdida, onde o pastor, o bom pastor (segundo Jesus), deixaria as noventa e nova ovelhas no deserto para sair em resgate de uma única ovelhinha extraviada (Luke 15.3-7);
Sabemos que a parábola da ovelha perdida aconteceu em um contexto em que fariseus e escribas murmuravam contra Jesus porque ele se aproximava de pecadores e comia com eles;
Na sequencia desta parábola da ovelhinha, aparentemente mudando de assunto, Mateus aborda o tema do perdão de uma forma que incomodou um pouco os discípulos de Jesus, em especial a Pedro (Mat 18.15-18);
Matthew 18:15 “— Se o seu irmão pecar contra você, vá e repreenda-o em particular. Se ele ouvir, você ganhou o seu irmão.”
Se o seu irmão pecou contra você, a iniciativa da reconcilação deveria ser sua mesmo, daquele que foi ofendido,
não necessariamente do ofensor que deveria se arrepender primeiro para depois falar-se de perdão;
reprenda-o em particular, não o exponha, busque a restauração do bom relacionamento entre irmãos;
Neste contexto, do ponto de vista de Jesus, aquele que ofendeu o seu irmão está perdido, então teria de ser resgatado, como aquele pastor amoroso fez com a ovelhinha perdida da parábola anterior;
Então...
Vamos ao texto bíblico:

II. Texto Áureo

Matthew 18:15–20 (NAA)
15 — Se o seu irmão pecar contra você, vá e repreenda-o em particular. Se ele ouvir, você ganhou o seu irmão.
16 Mas, se não ouvir, leve ainda com você uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda questão seja decidida.
17 E, se ele se recusar a ouvir essas pessoas, exponha o assunto à igreja; e, se ele se recusar a ouvir também a igreja, considere-o como gentio e publicano.
18 — Em verdade lhes digo que tudo o que ligarem na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligarem na terra terá sido desligado nos céus.
19 Em verdade também lhes digo que, se dois de vocês, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que vierem a pedir, isso lhes será concedido por meu Pai, que está nos céus. 20 Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.
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Textos Complementares

Matthew 18:21–35 (NAA)
21 Então Pedro, aproximando-se, perguntou a Jesus: — Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? 22 Jesus respondeu: — Não digo a você que perdoe até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Ceia do Senhor
23 — Por isso, o Reino dos Céus é semelhante a um rei que resolveu ajustar contas com os seus servos.
24 E, passando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. 25 Não tendo ele, porém, com que pagar, o patrão ordenou que fossem vendidos ele, a mulher, os filhos e tudo o que possuía e que, assim, a dívida fosse paga. 26 Então o servo, caindo aos pés dele, implorava: “Tenha paciência comigo, e pagarei tudo ao senhor.” 27 E o senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida.
28 — Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem denários. Agarrando-o, começou a sufocá-lo, dizendo: “Pague-me o que você me deve.” 29 Então o seu conservo, caindo aos pés dele, pedia: “Tenha paciência comigo, e pagarei tudo a você.” 30 Ele, porém, não quis. Pelo contrário, foi e o lançou na prisão, até que saldasse a dívida.
31 — Vendo os seus companheiros o que havia acontecido, ficaram muito tristes e foram relatar ao seu senhor tudo o que havia acontecido. 32 Então o senhor, chamando aquele servo, lhe disse: “Servo malvado, eu lhe perdoei aquela dívida toda porque você me implorou. 33 Será que você também não devia ter compaixão do seu conservo, assim como eu tive compaixão de você?” 34 E, indignando-se, o senhor entregou aquele servo aos carrascos, até que lhe pagasse toda a dívida.
35 Assim também o meu Pai, que está no céu, fará com vocês, se do íntimo não perdoarem cada um a seu irmão.
Romans 4:6–8 (NAA)
6 E é assim também que Davi declara ser bem-aventurado aquele a quem Deus atribui justiça, independentemente de obras. 7 Davi disse: “Bem-aventurados aqueles cujas transgressões são perdoadas, e cujos pecados são cobertos; 8 bem-aventurado aquele a quem o Senhor jamais atribuir pecado.”
Psalm 32:1–2 (NAA)
1 Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, cujo pecado é coberto. 2 Bem-aventurado é aquele a quem o SENHOR não atribui iniquidade e em cujo espírito não há engano.

III. Desenvolvimento

Frequentemente o texto de Mat 18.15-20 lido é associado e utilizado para tratar de assuntos relacionados à disciplina eclesiástica, irmãos em pecado, excomunhão, etc;
Porém, o que quase não se leva em consideração é que, na verdade, o contexto está diretamente relacionado à prática do amor entre irmãos:
amor que não desiste, que persiste, que busca o retorno, que oferece o perdão, que anseia pela restauração, que luta pela reconciliação e pela preservação do relacionamento construtivo entre irmãos, até o limite. Como diz as Escrituras:
John 15:13 “Ninguém tem amor maior do que este: de alguém dar a própria vida pelos seus amigos.”
1 Peter 3:8 “Finalmente, tenham todos o mesmo modo de pensar, sejam compassivos, fraternalmente amigos, misericordiosos, humildes.”
Importante observar que no texto lido o objetivo principal de alguém repreender seu irmão que pecou contra ele seria para “ganhá-lo”, ou seja, conduzí-lo à restauração plena da comunhão, resgatá-lo (v15), não para ganhar a briga;
O irmão pecou contra você? Vá até ele e o repreenda para que ele volte. Ofereça perdão, proteja o relacionamento fraterno;
Se ele não reagir bem à sua busca por reconciliação, chame outros, aumente o publico envolvido, busque em grupo a restauração do irmão.
Se ainda assim ele permanecer endurecido, envolva toda a Igreja para que ele seja tocado, se arrependa, deseje a reconciliação.
E se náo houver mais jeito, afaste-se dele, para que ele sinta o peso da solidão, e então finalmente seja restaurado.
Estou exagerando? Estou dramatizando? Na verdade não. Sabe porque?
Vamos ao contexto da passagem bíblica em questão!
Há uma técnica muito interessante na prática da interpretação bíblica que é: _dar atenção à reação dos envolvidos diretos;
Importante observar que, após estas declarações de Jesus acerca do que se deve fazer com o irmão que pecar contra ele, a reação de Pedro foi imediata,
Pedro percebeu que Jesus os estava provocando a uma atitude de amor profundamente altruísta para com aqueles que pecaram contra eles;
Vamos observar o questionamento feito por Pedro diante deste ensino de Jesus na sequencia exata do texto que lemos:

A Parábola do Credor sem Compaixão

Matthew 18:21–22 (NAA)
21 Então Pedro, aproximando-se, perguntou a Jesus: — Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? 22 Jesus respondeu: — Não digo a você que perdoe até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
Setenta vezes sete? Seriam 490 vezes? Então a partir do 491º erro não haveria mais possibilidade de perdão, certo?
De modo algum essa seria uma interpretação correta.
O número 7 na Bíblia dá a ideia de completude, ou seja, Jesus se refere à possibilidade do perdão contínuo, repetitivo, “eterno”!
Então Jesus conta a famosa parábola do servo que se tornou um “credor sem compaixão”:
Apresentando a parábola de forma resumida (Matthew 18.23-35);
um servo devia a um rei a quantia de 10.000 talentos (uma fortuna impagável ~ 340.000 kg de ouro)
o talento era a medida medida de peso encontrada na Bíblia;
10.000 talentos, tratava-se de uma dívida de nível estatal;
era a metade da receita bruta do império persa nos tempos do exílio;
de uma forma bizarra, 10.000 talentos representaria uma dívida de aproximadamente:
1 bilhão de dias trabalhados;
2.74 milhões de anos trabalhados
27.400 séculos de tempo de trabalho
Como o público de Jesus teria ouvido esta parábola?
É evidente que nesta parábola Jesus lança mão da hipérbole (exagero retórico proposital), a lógica do absurdo,
Sua intenção era não deixar margem de dúvida do contraste que ele estava fazendo entre as dívidas e respectivas anistias;
Era uma dívida “indevível”, mais do que impagável!
o rei ordenou que a dívida fosse paga, ameaçou o servo de prisão, ele suplicou e teve sua dívida perdoada (completamente)!
este servo encontrou um conservo (alguém como ele) que lhe devia 100 denários;
o denário era uma moeda romana que valia um dia de serviço de um trabalhador comum;
a dívida de 100 denários seria o correspondente a 100 dias úteis ou a 4 meses de trabalho, no máximo;
o servo ordenou que a dívida fosse paga, ameaçou o conservo de prisão, ele suplicou, mas foi preso;
o rei foi informado do ocorrido, convocou o servo ganancioso e revogou o perdão da dívida de 10 mil talentos pondo-o na prisão;
É evidente que esta parábola aponta para o tema do perdão de uma forma muito explícita, pois a este questionamento responde;
É evidente por esta parábola que a dívida que temos com Deus com os nossos pecados é impagável, do ponto de vista humano;
Então, o que Deus faz em seu grande amor para conosco? Ele nos perdoa de uma dívida impossível de ser paga por nós mesmos;
Esta parábola estava respondendo ao questionamento de Pedro sobre quantas vezes ele deveria perdoar ao irmão que lhe ofendeu!
A resposta de Jesus, ao invés de ser numérica (tantas vezes), ela foi qualitativa!
Jesus aponta a Pedro no peso que seus pecados tem contra Deus (perdoados graciosamente) em contraste ao peso que os pecados de outros teriam contra Pedro (e que ele queria contabilizar o níumero possível de perdões);

Uma dívida impagável

Davi disse que bem-aventurado é o homem que Deus perdoa de suas transgressões.
Psalm 32:1–2 “Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, cujo pecado é coberto. Bem-aventurado é aquele a quem o Senhor não atribui iniquidade e em cujo espírito não há engano.”
Perdão, do ponto de vista bíblico, diferente do que consideramos culturalmente é:
mandar embora, partir, deixar pra traz, deixar expirar, não discutir a respeito,
abandonar, omitir, abrir mão da cobrança de um débito legitimo;
_ eu perdoei, mas...... _ele não merece perdão....._ eu não sinto..…
não se trata de sentimento, sim de uma decisão objetiva
Bem-aventurado : feliz, exaltado, abençoado ao extremo, agraciado ausência de merecimento, não meritório;
trata-se de uma dádiva imprecificável a ser aceita e usufruída;
Não atribui iniquidade: foi sua decisão, não imputar, arquivamento de processo judicial;
espírito que não há dolo : não implica na inocência do iniquo
O perdão de Deus extrapola qualquer lógica humana!

Quem é o iníquo digno de perdão?

Malaquias disse que chegaria o tempo em que “o ímpio e o justo” seriam novamente diferenciados...
Malachi 3:18 “Então vocês verão mais uma vez a diferença entre o justo e o ímpio, entre o que serve a Deus e o que não o serve.”
Quem é justo e quem é o ímpio???
Jesus disse que Luke 5:31–32 “— Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes. Não vim chamar justos, e sim pecadores, ao arrependimento.”
Quem é justo diante de Deus que está dispensado de arrependimento?
Romans 3:10–12 “Como está escrito: “Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus. Todos se desviaram e juntamente se tornaram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.”

Porque o perdão de Deus ofende tanto???

Se o perdão de Deus em nossas vidas é algo tão precioso, porque este mundo não o aceita?
Porque é gratuito? Eu tenho de pagar por ele - como? penitência, boas obras, etc
Porque nossa dívida é impagável? Concordamos com isso? Nos vemos deste jeito?
Porque somos desprovidos da glória de Deus? Isso não é bem verdade, é?
Porque somos melhores que a maioria? Com certeza somos melhores do que os outros!
Porque merecemos coisa melhor? Eu mereço muito mais...
Porque eu tenho direito de escolher meu caminho? Eu sou livre, o corpo é meu, a vida é minha;
Eu tenho de depender de um carpinteiro? Justo de um carpinteiro? Não poderia ser de alguém com mais pedigree?

IV. Conclusão

O que estamos esperando?

Micah 7:18–19 (NAA) 18 Quem é semelhante a ti, ó Deus, que perdoas a iniquidade e te esqueces da transgressão do remanescente da tua herança? O SENHOR não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia. 19 Ele voltará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniquidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar.
Isaiah 43:25 ““Eu, eu mesmo, sou o que apago as suas transgressões por amor de mim; dos pecados que você cometeu não me lembro.”
Jeremiah 31:34 “Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: “Conheça o Senhor!” Porque todos me conhecerão, desde o menor até o maior deles, diz o Senhor. Pois perdoarei as suas iniquidades e dos seus pecados jamais me lembrarei.”

Então o que é graça, afinal?

Nossa Cantata na noite hoje falou poeticamente acerca da graça, um favor imerecido de Deus, que traz a reboque o perdão em Cristo;
Dentre os muitos conselhos deixados por Paulo a seu amigo, conservo, filho e dscípulo Timóteo foi o que se fortificar na graça de Cristo;
2 Timothy 2:1 “Quanto a você, meu filho, fortifique-se na graça que há em Cristo Jesus.”
Quando meditamos sobre o perdão de Deus, a palavra que nos vem à mente é justamente GRAÇA!
mas normalmente simplificamos o conceito dizendo que: _“Graça é (um) favor imerecido”...
Mas, sinceramente, isso é muito pouco para conceituar o que a graça de Deus realmente significa e como isso deve nos afetar;
Sabe por que?
Guardem no coração a seguinte verdade: Graça é muito mais do que UM favor imerecido...
A graça de Deus não é pontual, não se trata de um evento finito, uma “foto”, um favor, a graça é mais, muito mais!!!
Graça é a disposição fiel, perseverante, insistente, uma decisão contínua da parte de Deus em manter a Sua mão de favor, misericórdia, bondade, provisão, livramento, redenção e benção sobre nossas vidas;
APESAR de nós!!!
Deus nos ama, de forma perseverante,
e sua GRAÇA é a materialização prática deste amor sobre nós!!!
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Lembrem-se: Graça é a disposição fiel e perseverante da parte de Deus em manter a Sua mão de favor e misericórdia sobre nós;

E se eu não quiser?

Não usufruir da graça de Deus não é um ato de humildade da nossa parte, é um ato de rebelião, de orgulho;
Abre mão da graça aquele que acha que é bom demais para ser beneficiado pelos méritos de outro
Abre mão da graça de Deus em Cristo aquele que se ilude achando que pode se apresentar diante de Deus sem o sangue do Cordeiro
Abre mão da graça de Deus aquele que não aceita que seu pecado o torna dígno de uma morte eterna;
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