O Rei que é rejeitado (Marcos 6.1-6a)
O Rei que se tornou servo: sermões no Evangelho de Marcos • Sermon • Submitted • Presented
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O Rei que é rejeitado (Marcos 6.1-6a)
Introdução
Introdução
Desde o capítulo 4, temos caminhado por mensagens que giram em torno de uma pergunta, explícita ou implícita: Quem é este? Vimos Jesus exercendo poder em várias situações. Diante da tempestade, Ele se revela soberano sobre a criação: os ventos e o mar lhe obedecem, como o próprio Deus em Gênesis 1.2, trazendo ordem ao caos. Diante da miséria de um homem possuído por uma legião de demônios, Jesus mostra autoridade sobre eles e poder para condená-los. Ele também deixa claro que, ao se aproximar dos contaminados, em vez de se tornar impuro, é Ele quem purifica. Isso fica evidente no contato com a mulher do fluxo de sangue e na ressurreição da filha de Jairo. Jesus revela poder sobre o sofrimento e a morte. Assim, Ele mostra quem é: o Filho de Deus encarnado. Diante de tudo isso, a pergunta que se levanta é como alguém poderia permanecer incrédulo?
Exposição
Exposição
1. A admiração em Nazaré (1,2)
1. A admiração em Nazaré (1,2)
Jesus se retira de Cafarnaum, que era a região onde ficava a casa de Jairo, e vai para a sua terra, Nazaré. Seus discípulos o acompanham e isso é um elemento importante: eles vão testemunhar como o Mestre é recebido em sua própria terra natal. No sábado, Jesus entra na sinagoga e tem a oportunidade de ensinar.
Marcos registra a reação das pessoas: elas se maravilhavam (assombro, espanto). Os relatos deixam evidentes o carisma e a influência de Jesus como mestre. Naquele povo em que profetas, escribas e rabis eram comuns, Jesus se destacava como mestre. Elas ouviam os ensinos de Jesus, percebiam sua sabedoria e tinham ciência de seu poder [Lembrem-se de que em Marcos, o ensino de Jesus está conectado com aquilo que ele faz Lc 4.18-21]. A admiração é tanta que eles se perguntam de onde vem tais coisas [“Onde esse homem arranjou tudo isso?”]. Não poderia ser da tradição de algum rabi famoso, nem mesmo de sua casa (Jo 7.15). A resposta que se espera a seguir é que essas coisas só poderiam proceder de Deus. Que independentemente de quem ele fosse, há sinais de que ele é muito mais do que eles pensavam ser. Mas vejamos o que acontece.
2. A incredulidade em Nazaré (3)
2. A incredulidade em Nazaré (3)
Surpreendentemente, saímos de um relato contendo momentos marcantes de fé, como a mulher do fluxo de sangue e Jairo, para a falta de fé que Jesus encontra em Nazaré. Fica prontamente evidente que as perguntas que se seguem àquelas não são direcionadas por um coração crente. Aquelas perguntas não darão lugar a perguntas mais elevadas, mas a suspeitas (“não é este …?”).
“Não é este o carpinteiro”. Os ouvintes de Nazaré lembraram da profissão de Jesus: um construtor. No grego, a palavra para “carpinteiro” (tekton) refere-se a quem trabalha com madeira e pedra, construindo estruturas. Mas a pergunta indica como ele poderia ser outro se era aquele simples construtor?
“Filho de Maria”. Os presentes citam a mãe de Jesus, o que é incomum, pois, na cultura da época, a ascendência era ligada ao pai, mesmo falecido. A tradição indica que José, mais velho que Maria, já havia morrido, deixando-a viúva. Jesus provavelmente herdou a profissão de seu pai, como de costume, mas é lembrando aqui por sua mãe, provavelmente uma outra forma de diminuí-lo ou insultá-lo.
“irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E não vivem aqui entre nós suas irmãs?”. As pessoas estão enfatizando a normalidade de Jesus. Dizem que Nazaré era um povoado de cerca de 500 pessoas. Jesus, assim, ‘era aquele que andava por aqui, que brincava por aqui, que se sujava na lama e na terra daqui’. Não pode ser ninguém mais do que isso. Seus irmãos mais novos continuam comuns por aqui, então, Ele não pode ser nada muito além do que um homem comum.
A voz do céu (Mc 1.11) e até os demônios (Mc 1.24; 3.11; 5.7) proclamam Jesus como o Filho de Deus, mas o povo de Nazaré o vê apenas como o filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas, Simão e de irmãs [talvez casadas] sem nomes mencionados. Suas perguntas não levam à conclusão de que Jesus, embora vindo do meio deles, procede do Pai. Que era pelo fato de conhecê-lo que poderiam realmente dar credibilidade ao que Ele dizia. Pelo contrário, tem algo aqui (escândalo) que está fazendo eles tropeçarem [e escandalizavam-se nele]: o fato de Jesus ter crescido no meio deles. Agora, mais do que nunca, fica evidente a possibilidade de pessoas admiradas continuarem incrédulas.
3. A incredulidade dentro de casa (4-6a)
3. A incredulidade dentro de casa (4-6a)
Jesus traz um dito proverbial: “Um profeta não é sem honra, senão em sua terra, entre seus parentes e em sua casa” (Mc 6.4). Ele aponta que a resposta negativa das pessoas serve de prova de que Ele é de fato um profeta. Mas algo chama a atenção: embora haja incredulidade nas pessoas da cidade de Jesus, Ele mesmo reconhece incredulidade em seus parentes e familiares. João 7.5 registra que os irmão de Jesus não acreditavam nele durante o seu ministério.
Por causa dessa falta de receptividade, Jesus não realizou muitos milagres ali, apenas alguns, por misericórdia. Não que lhe faltasse poder ou que a fé fosse pré-requisito para sua ação, mas o ambiente não era propício para sua obra. Marcos, que destaca a humanidade de Jesus, mostra-o enfrentando cansaço (Mc 4.38), decepção (Mc 6.5-6), ignorância (Mc 13.32), angústia (Mc 14.34) e até a rejeição da própria família.
Embora Jesus profira um provérbio dizendo que a rejeição de um profeta em sua terra e em sua casa é algo a se esperar, Marcos registra que Jesus fica surpreso com a incredulidade encontrada ali. Até agora, são as multidões que se surpreendem com a autoridade de Jesus (Mc 1.22; 5.20; 6.2), mas aqui, é Jesus quem se surpreende com a descrença do povo. Na estrutura do evangelho de Marcos isso faz sentido pois, até aqui é evidente que Jesus se revela ser o Filho de Deus encarnado. Ou seja, que ninguém poderia justificar a sua incredulidade. Jesus já se deparou com todo tipo de imoralidade e males, mas se surpreende com a dureza de coração. Por isso, no texto que temos, o próprio Cristo fica incrédulo diante da incredulidade das pessoas.
Marcos concluiu a seção anterior (Mc 1.14–3.6) com fariseus e herodianos tramando matar Jesus (Mc 3.6). Agora, fecha esta seção com a inacreditável incredulidade dos conterrâneos de Jesus.
Aplicações
Aplicações
Aplicação 1
Aplicação 1
Não espere palmas em sua casa. Meus irmãos, Jesus leva seus discípulos para serem testemunhas de como ele seria recebido em sua própria cidade. Eles aprenderiam que, se o ambiente for de incredulidade, não espere um ambiente de receptividade ao evangelho. Muitas vezes os embates da fé não se darão na arena pública, mas na mesa do café. Você se deparará com pessoas amadas que preferirão ouvir sobre Deus de desconhecidos do que de você com a bíblia aberta. Que se admirarão com alguns dos seus atos, mas preferirão você com a boca fechada. Mas persevere em oração e na pregação oportuna. Temos a boa notícia de que Tiago e Judas se tornaram crentes após a ressureição de Jesus.
Aplicação 2
Aplicação 2
Quem é a fonte da sabedoria e do poder de Jesus? A sabedoria dos ensinos de Jesus e seu poder para realizar milagres nos desafiam a perguntar: de onde vêm seu ensino e seu poder? Meus irmão, ninguém pode ficar neutro diante de Jesus – todos precisam de uma resposta. Ou Ele é quem Ele e a bíblia dizem quem Ele é ou ele é o que sua cabeça diz. A bíblia nos leva a única resposta clara: “Vem de Deus!” Sua sabedoria, seus ensinos e seu poder são divinos. Ele só pode ser o Cristo. A nós, cabe crer.
Aplicação 3
Aplicação 3
Lute contra a incredulidade. Sabe irmãos, deveríamos nos espantar mais com a incredulidade. Ela é um pecado mortal que nos afasta do perdão de Deus. Como temos visto em Marcos, é a incredulidade que separa as multidões dos discípulos, os de fora dos que estão à mesa com Jesus. No texto de hoje, ela faz o coração buscar algo diferente do que Deus oferece. Deus se revelou plenamente ao mundo em Jesus, mas o mundo viu apenas um carpinteiro, apenas o filho de Maria, apenas um homem comum. Deus se identificou muitíssimo como o mundo, e o mundo o rejeitou. Assim funciona a incredulidade: ela não te deixa ver Jesus como Ele realmente é.
Aplicação 4
Aplicação 4
Para um coração incrédulo, se maravilhar com Jesus pode ser uma pedra de tropeço. A pessoa vai ouvir uma pregação e falar: quanta sabedoria. Vai ler os evangelhos, imergir na pessoa e obra de Cristo, e dizer: que Mestre! Mas para por aí. Vai parar na admiração. Mas irmãos, precisamos seguir para o arrependimento e fé. Precisamos crer. Marcos vai deixar claro: para um coração incrédulo, a distância é curta entre os “hosanas” do Domingo de Ramos (Mc 11.9) e o “crucifica-o” da Sexta-feira da Paixão (Mc 15.13-14).
Aplicação 5
Aplicação 5
Para um coração incrédulo, Jesus revelar poder pode ser uma pedra de tropeço. A pessoa vai receber um milagre e falar: muito obrigado, só Deus poderia fazer isso. Vai receber uma cura e até frequentar a igreja por um tempo. Mas para por aí. E o que temos visto nas exposições? As obras poderosas de Jesus não geram fé necessariamente. Não é só testemunhar os milagres, mas nascer de novo pela graça de Deus. Pois, para os que não têm entendimento (Mc 4.10-12, 21-25), seus milagres trazem confusão e, muitas vezes, hostilidade (Mc 3.6, 22; 5.17). Assim, o povo de Nazaré, seus parentes e família estão entre “os de fora”, que ouvem, mas não têm ouvidos para entender (Mc 4.9, 23; 8.18; Jo 7.1-5).
SDG
