A virtude de ser o último
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Nos meses finais antes de Sua morte, o foco de Marcos está nas instruções finais que Jesus deu aos doze discípulos. Ele registra que Jesus falou muito sobre Sua morte e ressurreição, mas, além disso, Ele os instruiu em diversos assuntos essenciais. Um desses assuntos é sobre humildade, e é o que está diante de nós em Marcos 9: 30-41.
Pastor MacArthur nomeia essa sessão de “a virtude de ser o último”. Isso é ofensivo para a cultura deste mundo, porque o homem caído quer sempre os primeiro lugares.
A humildade não é vista como uma virtude na cultura mundana atual, assim como não era vista como uma virtude na antiga cultura pagã. E não é apenas uma questão cultural. A humildade é estranha ao homem caído, é estranha ao coração humano. O coração humano é um adorador implacável de si mesmo. É da natureza do homem ser dominado pelo orgulho.
Há hoje uma ênfase bizarra e complicada em torno da autoestima. Os males na mente do homem são vistos como falta de autoestima, e isso é uma mentira. Na verdade, as pessoas são destruídas pelo culto da autoestima e pelo orgulho.
Dizer que a falta de autoestima é causa dos males humanos é realmente clamar para que as pessoas sejam mais orgulhosas quando já estão dominadas por um orgulho mortal. Falar sobre humildade e contentamento em ser o último nunca atrairá as multidões. É um discurso intragável para a humanidade caída.
Será se é para você?
Mas aprender a ser humilde é essencialmente encontrar o fundamento da santificação, porque este é um dos pontos principal do que significa ser um cristão. O profeta Isaías escreveu
Assim diz o Senhor: O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés; que casa me edificareis vós? E qual é o lugar do meu repouso? Porque a minha mão fez todas estas coisas, e todas vieram a existir, diz o Senhor, mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra. (Isaías 66:1,2)
A humildade é difícil de aprender. E quando você pensar que alcançou a humildade, você pode voltar, de repente, à estaca zero. Precisamos aprender a humildade, e há várias maneiras pelas quais o Senhor nos ensinou a humildade:
§ Uma é por preceito, princípio, e veremos isso na passagem em que nosso Senhor instrui Seus discípulos e a nós.
§ A segunda é pelo exemplo, para nos mostrar o que a humildade faz para que possamos entendê-la.
É por isso que Jesus lavou os pés dos discípulos e disse:
Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Em verdade, em verdade vos digo que o servo não é maior do que seu senhor, nem o enviado, maior do que aquele que o enviou (João 13:14-16).
Em Marcos 9:31 Jesus descreveu sua morte, que é a maior ato de humildade de todos os tempos. Então aprendemos a humildade com Jesus por 3 caminhos:
§ Os preceitos que Ele deixou e que nos ensinam a humildade.
§ O exemplo de Seu próprio esvaziamento, sua própria humilhação.
§ Pela experiência dolorosa, pelo sofrimento devastador.
Os discípulos precisavam aprender a humildade assim como nós precisamos. Embora sejamos crentes, ainda temos orgulho residente em nós. Estamos sempre em luta contra o orgulho humano.
E os discípulos eram alimentados por uma espécie de triunfalismo messiânico e esperavam que o Messias entrasse em Sua glória a qualquer momento e, é claro, eles entrariam em Sua glória com Ele. Eles estavam animados com a glória. Eles estavam animados com a exaltação.
Eles cresceram no judaísmo, e as características dominantes do judaísmo eram essencialmente o orgulho espiritual, em todas as formas imagináveis. Os líderes espirituais de sua nação eram homens que chamavam a atenção para sua espiritualidade por meios artificiais e exteriores, e se exaltavam acima do povo. Eles faziam tudo para serem vistos e exaltados pelos homens. Sobre isso Jesus, referindo-se a eles, disse:
Praticam, porém, todas as suas obras com o fim de serem vistos dos homens; pois alargam os seus filactérios e alongam as suas franjas. Amam o primeiro lugar nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas, as saudações nas praças e o serem chamados mestres pelos homens. (Mateus 23:5-7)
E, quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas, porque desfiguram o rosto, para que aos homens pareça que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão (Mateus 6:16)
Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. (Mateus 6:1,2)
Estes eram os modelos espirituais de Israel. Esta era a religião em que os discípulos estavam habituados. Os fariseus, os escribas e os rabinos se exaltavam e desfilavam sua exaltação.
E os discípulos, tomados por esse triunfalismo, estavam cheios de orgulho por terem sidos escolhidos pelo Messias. Eles esperavam um reino imediato e disputavam posições elevadas (Mat. 20: 21-24 etc.).
Os discípulos precisavam muito de uma lição de humildade. E toda vez que o Senhor falava sobre sofrimento, morte e carregar a cruz eles ficavam alarmados. Era algo inconcebível para eles, algo incompatível com as expectativas deles (Mat. 16: 21-24; 22: 22-23; Marcos 9: 30-32 etc.).
Então aqui vem a lição sobre humildade, e Jesus começa onde tinha que começar: com um lembrete da vinda da cruz, porque esta é a maior de todas as humilhações. Nosso Senhor fala de Seu sofrimento e de Sua morte, é aí que começamos. Então Ele começa a ensinar-lhes as lições em princípios e preceitos.
Comecemos, então, com Cristo, o exemplo supremo de humildade.
Marcos 9
30 E, tendo partido dali, caminharam pela Galileia, e não queria que alguém o soubesse,
31 Porque ensinava os seus discípulos…
Jesus estava se aproximando da cruz. Isso é o que está na mente de nosso Senhor. Ele precisava gastar um tempo com os doze. Não era mais um ministério público, Ele não queria que ninguém soubesse de sua presença por lá (Marcos 9:30). Haveria ainda um pouco mais de ministério público na Judeia, Mateus e Lucas nos falam sobre isso.
Mas para a Galileia, o ministério público de Jesus por lá havia encerrado. A Galileia rejeitou seu Messias, então Jesus seguiu adiante, abandonando aquela região (Marcos 10:1). E então passou a dar uma lição após a outra aos Seus discípulos, preparando-os para o futuro.
Marcos 9
31 porque ensinava os seus discípulos e lhes dizia: O Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens e matá-lo-ão; e, morto, ele ressuscitará ao terceiro dia.
32 Eles, contudo, não compreendiam isto e temiam interrogá-lo.
Lucas 9:44-45 assim registrou:
Fixai nos vossos ouvidos as seguintes palavras: o Filho do Homem está para ser entregue nas mãos dos homens. Eles, porém, não entendiam isto, e foi-lhes encoberto para que o não compreendessem; e temiam interrogá-lo a este respeito.
Ele começou onde parece sempre querer começar: com Sua própria morte e ressurreição. É a principal coisa que eles precisavam entender.
Eles estavam certos de que Jesus era o Filho de Deus, o Messias, o Deus eterno encarnado. Mas eles são novamente informados que Jesus vai sofrer nas mãos dos homens e seria morto. Eles não podiam entender e lidar com isso.
O Messias, o Filho de Deus crucificado não fazia sentido na cabeça deles. E eles ainda não sabiam que seria morte de cruz, a mais terrível e humilhante naquela época. Isso era inaceitável para eles.
Eles não conseguiam entender a teologia de um Messias morto. Qual foi a reação deles?
§ Eles, contudo, não compreendiam isto e temiam interrogá-lo (Marcos 9:32)
§ Então, os discípulos se entristeceram grandemente (Mateus 17:23)
§ Eles, porém, não entendiam isto… e temiam interrogá-lo a este respeito (Lucas 9:45)
O orgulho destrói a unidade da igreja
Marcos 9
32 Eles, contudo, não compreendiam isto e temiam interrogá-lo.
33 Tendo eles partido para Cafarnaum, estando ele em casa, interrogou os discípulos: De que é que discorríeis pelo caminho?
34 Mas eles guardaram silêncio; porque, pelo caminho, haviam discutido entre si sobre quem era o maior.
Eles foram para Cafarnaum, o centro do ministério de Jesus na Galileia. E diz que Jesus estava “em casa”. Não sabemos que casa era essa, talvez a casa de Pedro, que morava lá.
Jesus questionou os discípulos: “O que vocês estavam discutindo no caminho?”. Eles estavam brigando um com o outro durante todo o caminho. Foi uma discussão embaraçosa. E nosso Senhor expõe isso.
Eles não queriam admitir sobre o que estavam falando.
Eles ainda eram ambiciosos, egoístas e buscando posições elevadas e não sofrimentos.
Mas que isso, eles estavam em competição espiritual por proeminência, querendo cargos de chefia e honras. O orgulho destrói a unidade, esta é a primeira implicação aqui.
Quando Jesus os questiona, eles ficaram em silêncio. Por que ficaram em silêncio? Eles estavam envergonhados. Eles sabiam que aquela atitude era pecaminosa. Enquanto o Senhor estava falando sobre Sua própria humilhação, eles estavam pensando na própria exaltação deles. Eles disputavam sobre quem seria o maior deles no reino.
Eles eram orgulhosos. E o orgulho é destrutivo, crítico, julgador, comparativo e menosprezador. Ele empurra os outros para baixo a fim satisfazer sua auto-exaltação. Isso é absolutamente destrutivo da unidade. E, consequentemente do Evangelho.
E isso estava tão forte, que em Marcos 10:37, após Jesus falar novamente de sua morte, Tiago e João pediram: “Permite-nos que, na tua glória, nos assentemos um à tua direita e o outro à tua esquerda” (Marcos 10:37). A ousadia disso é incompreensível. Isso estava arraigado no judaísmo apóstata.
Enquanto o orgulho destrói a unidade, a humildade a preserva. Em Efésios 4:1-3, Paulo diz:
Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz;
O orgulho leva a perda da honra
Não só destrói a unidade, como causa a perda da honra. Pessoas orgulhosas lutam por posições, exaltação e autopromoção. Mas Jesus ensina algo oposto ao que eles queriam:
Marcos 9
35 E ele, assentando-se, chamou os doze e lhes disse: Se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de todos.
Lucas 9:47 diz que Jesus sabia o que estava no coração deles. E, em outras palavras, diz: “Não é honra, exaltação e glória que vocês querem? Então lhes digo como chegar lá: Humilhar-se e desejar a posição de servo de todos”.
O orgulho espiritual parecia-lhes em sua cultura algo desejável e legítimo. Mas nosso Senhor continuamente denuncia isso e, finalmente, em Mateus 23, Ele ataca os líderes religiosos de Israel que amavam os primeiros lugares, as saudações honrosas e a exaltação. Sobre eles Jesus disse: “hipócritas, tudo o que vocês fazem é produzir filhos do inferno duas vezes pior que vocês” (Mateus 23:15).
Em Tiago 4:6 diz: “Deus resiste aos soberbos, mas dá graças aos humildes”. O orgulho leva a perda da honra. Os que buscam honras neste mundo não terão recompensas celestiais. Por isso Tiago 4:6 diz: “Humilhai-vos perante o Senhor e Ele vos exaltará”. Em Marcos 10: 42-45 Jesus disse aos apóstolos:
Sabeis que os que são considerados governadores dos povos têm-nos sob seu domínio, e sobre eles os seus maiorais exercem autoridade. Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos. Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.
Sempre temos Jesus como o modelo. E Ele sempre falou em servir e não buscar glórias humanas mas apenas a glória que vem de Deus (João 5:41,44). Sobre não querer ser o primeiro, mas o último. E o que significa ser o último? Ser o servo de todos. O orgulhoso quer os primeiros lugares e ser servido.
O orgulho é uma rejeição a Deus
E isso é muito sério. Ela destrói a unidade, faz perder a honra e rejeita a Deus. E a lição sobre isso é clara nos versículos 36 e 37.
Marcos 9
36 Trazendo uma criança, colocou-a no meio deles e, tomando-a nos braços, disse-lhes:
37 Qualquer que receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe; e qualquer que a mim me receber, não recebe a mim, mas ao que me enviou.
O sentido da palavra grega é de uma criança pequena ou de colo. Ela não tem poder, realizações e grandezas para exibir. Uma criança pequena ou de colo, é fraca, dependente e vulnerável. Ela não tem nada para oferecer. Esta é uma ilustração perfeita para a verdadeira condição do homem, que só pode ser plenamente reconhecida por quem tem o Espírito Santo. Mateus 18: 1-5 registra essas palavras de Jesus:
Naquela hora, aproximaram-se de Jesus os discípulos, perguntando: Quem é, porventura, o maior no reino dos céus? E Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles. E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus. E quem receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe.
Que lição profunda! Eles estavam disputando entre eles quem seria o primeiro, o maior, o mais honrado e que ocuparia o lugar mais elevado. Mas Jesus lhes disse que era necessário que eles se humilhassem como uma criança para ser o maior. Isso ofende o senso comum da humanidade caída.
Tendo estabelecido o cenário de confiança, submissão e dependência, representados por esta criança, Jesus pôde ensinar Seus discípulos sobre a verdadeira grandeza. Os discípulos deveriam se identificar com crianças pequenas que não têm pretensões de posição, destaque ou classe.
O único estandarte de grandeza erguido por Cristo é a bandeira da humildade. Jesus é categórico: Se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de todos (9.35). A ideia de grandeza para o mundo é exercer poder sobre os outros; a ideia de grandeza no Reino de Deus é servir aos outros. A ambição do mundo é receber honra e atenção, mas o desejo do cristão deve ser dar em vez de receber, servir aos outros em vez de ser servido. Em outras palavras, a pessoa que se esforça em servir aos outros é aquela que é a maior aos olhos de Cristo.
Ser servo não significa uma posição servil, mas ter uma atitude que livremente atende às necessidades dos outros sem esperar recompensa. Servir aos outros é a real liderança. Em vez de usar as pessoas, o líder as serve. O verdadeiro líder tem um coração de servo.
O que importa não é ser aplaudido pelo mundo, mas ser aprovado pelo céu. O que interessa não é ser grande aos olhos dos homens, mas ser grande aos olhos de Deus. Warren Wiersbe diz que a filosofia do mundo é que você é grande se os outros estão servindo a você, mas a mensagem de Cristo é que a grandeza vem de você servir aos outros.
