1Tessalonicenses 3:1-5 - A importância da comunhão em meio a tribulação
Sermon • Submitted • Presented
0 ratings
· 25 viewsNotes
Transcript
¹ Por isso, não podendo esperar mais, achamos por bem ficar sozinhos em Atenas
² e enviar o nosso irmão Timóteo, ministro de Deus no evangelho de Cristo, para fortalecer e animá-los na fé,
³ a fim de que ninguém se inquiete com essas tribulações. Porque vocês mesmos sabem que fomos designados para isto.
⁴ Pois, quando ainda estávamos com vocês, predissemos que íamos passar por aflições, o que de fato aconteceu e é do conhecimento de vocês.
⁵ Foi por isso que, já não me sendo possível continuar esperando, mandei perguntar a respeito da fé que vocês têm, temendo que vocês fossem provados pelo tentador e o nosso trabalho se tornasse inútil. 1 Tessalonicenses 3:1-5
Irmãos, quantas vezes vocês já se depararam com uma situação onde a ajuda de uma outra pessoa facilitaria ou até mesmo possibilitaria a execução de certa atividade?
Melhor ainda, quantas vezes vocês já pensaram em uma pessoa específica para lhe auxiliar em determinada ocasião? Certos momentos nós até esperamos nos encontrar com a pessoa para realizar o feito. Pode ser seu marido, esposa, amigo, professor, tutor, discípulo ou até mesmo um estranho na rua te ajudando a carregar algo que não possa ser carregado por uma só pessoa.
Isso me lembra de uma situação bem engraçada. Certa vez estávamos eu, minha esposa e meu amigo no carro da minha sogra, confiando profundamente no que restava da reserva do tanque de gasolina. Até que, o combustível acabou e o carro obviamente parou, e em uma subida para variar. Eu e esse amigo começamos a empurrar esse carro enquanto minha esposa direcionava o carro no volante, até um posto que aparentemente estava bem próximo, mas logo percebemos que empurrar um carro em uma subida era mais difícil do que parecia. Depois de uma longa caminhada empurrando esse veículo até o posto, chegamos muito próximo, mas vimos que havia uma subida mais acentuada até chegar a bomba e nossa força já estava quase esgotada. Felizmente, pela graça do nosso Senhor, um rapaz que estava passando de moto viu nossa situação e nos ajudou finalmente a empurrar o carro até a bomba. Aqui nós aprendemos uma lição valiosa, de uma forma mais difícil que ouvindo um conselho, mas depois disso, meu carro dificilmente entra na reserva, e quando entra, não passa muito tempo até que eu o abasteça. Já sabíamos que uma hora ou outra ia acontecer, mas continuamos insistindo em andar despreparados.
Voltando ao texto bíblico, agregando para o contexto, a palavra de Deus em Atos capítulo 22, versículo 3 revela Paulo dizendo que foi instruído aos pés de Gamaliel, um rabino fariseu influente da época. Isso mostra que Paulo tinha conhecimento profundo da palavra. No versículo 25 Paulo diz que é cidadão romano de nascença e em quase todas as suas cartas, afirma seu apostolado. Paulo além de um cidadão romano, judeu muito bem instruído, apóstolo e servo do Senhor, também tinha certos traços de um estrategista, e lidava com algumas situações de forma bem inteligente. Paulo sabia que sua caminhada seria árdua, ele tinha conhecimento dos desafios que enfrentaria.
Marque o texto de 1Tessalonicenses e abra sua Bíblia comigo em Atos capítulo 15 a partir do versículo 36.
³⁶ Alguns dias depois, Paulo disse a Barnabé:
— Vamos voltar e visitar os irmãos em todas as cidades nas quais anunciamos a palavra do Senhor, para ver como estão.
³⁷ Barnabé queria levar também João, chamado Marcos.
³⁸ Mas Paulo não achava justo levar aquele que tinha se afastado deles desde a Panfília, não os acompanhando no trabalho.
³⁹ Houve tal desavença entre eles, que vieram a separar-se. Então Barnabé, levando consigo Marcos, navegou para Chipre.
⁴⁰ Mas Paulo, tendo escolhido Silas, partiu, encomendado pelos irmãos à graça do Senhor.
⁴¹ E passou pela Síria e Cilícia, fortalecendo as igrejas.
Logo após se separar de Barnabé em sua caminhada, prontamente escolhe Silas, que era líder religioso, profeta e assim como Paulo, judeu e muito provavelmente um cidadão romano. A escolha de Silas não foi por uma mera afinidade. Silas era altamente capacitado e seria fundamental para sua missão. Paulo, diferente de mim naquela situação, se preparava bem para sua jornada. Isso de forma alguma demonstra falta de confiança em Deus, mas sim sabedoria e preparo para lidar com as adversidades.
Vamos agora para o próximo capítulo. Vire a página e leia comigo Atos 16 a partir do primeiro verso.
¹ Paulo chegou também a Derbe e a Listra. Havia ali um discípulo chamado Timóteo, filho de uma judia crente, mas de pai grego.
² Os irmãos em Listra e Icônio davam bom testemunho dele.
³ Paulo queria que Timóteo fosse em sua companhia e, por isso, circuncidou-o por causa dos judeus daqueles lugares (E aqui uma observação, Paulo o circuncidou não como exigência para salvação, mas como estratégia missionária, demonstrando mais uma vez sabedoria); pois todos sabiam que o pai dele era grego.
⁴ Ao passar pelas cidades, entregavam aos irmãos as decisões tomadas pelos apóstolos e presbíteros de Jerusalém, para que as observassem.
⁵ Assim, as igrejas eram fortalecidas na fé e, dia a dia, aumentavam em número.
Durante o início da sua segunda viagem missionária, o texto narra Paulo conhecendo Timóteo, filho de uma judia crente e de um pai grego. Paulo enxerga grande potencial no jovem e o chama para a sua jornada. Desde o começo Paulo da indícios de uma relação de discípulo e mentor de Timóteo, como um pai espiritual moldando um filho. Embora a decisão de circuncidar Timóteo tenha sido claramente estratégica, visando não criar barreiras entre os judeus (Atos 16:3), ela também carrega uma dimensão pessoal e afetiva. Ao realizar um ato que normalmente seria de responsabilidade do pai, Paulo parece assumir uma posição simbólica de paternidade espiritual. Uma possibilidade interpretativa aqui é que, Paulo sabendo que seu pai era grego, tinha ciência de que Timóteo precisava de uma figura paterna que assim como ele, professava Jesus como Senhor e salvador. As cartas de Paulo a Timóteo e algumas outras passagens como em Filipenses 2, só confirmam a profundidade que relacionamento entre os dois atingiu, evidenciando um dos maiores, mais íntimos e mais afetuosos vínculos do Novo Testamento.
Assim como Silas, a escolha de Timóteo não foi uma decisão ocasional. Paulo, além de enxergar que sua mentoria seria de grande valia para o jovem, via que Timóteo se tornaria um grande, forte e útil aliado em sua trajetória. No versículo 2 do texto que estamos estudando, Paulo descreve Timóteo como “ministro de Deus no evangelho de Cristo”. O grego também nos possibilita uma interpretação de “irmão”, “colaborador” ou até mesmo “companheiro de trabalho”, como podemos ver em outras traduções. Timóteo não era só muito querido por Paulo, mas também proficiente e, assim como Silas, importante para sua missão.
Posto isso, é visível que os três eram irmãos em Cristo com um relacionamento e intimidade profundos. Além do mencionado sobre a amizade com Timóteo, o livro de Atos menciona Paulo e Silas juntos sete vezes diretamente, e algumas outras indiretamente.
Vamos novamente ao Livro de Atos no capítulo 16, a partir do verso 19.
¹⁹ Quando os donos da jovem viram que se havia desfeito a esperança do lucro, agarraram Paulo e Silas e os arrastaram para a praça, à presença das autoridades.
²⁰ E, levando-os aos magistrados, disseram:
— Estes homens, sendo judeus, perturbam a nossa cidade,
²¹ propagando costumes que não podemos aceitar, nem praticar, porque somos romanos.
²² Então a multidão se levantou unida contra eles, e os magistrados, rasgando-lhes as roupas, mandaram açoitá-los com varas.
²³ E, depois de lhes darem muitos açoites, os lançaram na prisão, ordenando ao carcereiro que os guardasse com toda a segurança.
²⁴ Este, recebendo tal ordem, levou-os para o cárcere interior e prendeu os pés deles no tronco.
²⁵ Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de prisão escutavam.
²⁶ De repente, sobreveio tamanho terremoto, que sacudiu os alicerces da prisão; todas as portas se abriram e as correntes de todos os presos se soltaram.
É nítido a profundidade do relacionamento entre Paulo, Silas e Timóteo. Eram irmãos em Cristo caminhando juntos em seu ministério.
Diante dessas informações, podemos ver com mais clareza que a decisão de mandar Timóteo para Tessalônica envolveu mais que um mero esforço de Paulo. Foi um gesto, de amor sacrifícial. Não há menção clara de outra ocasião anterior em que tenham se separado. Paulo teve que abdicar da presença e da eficiência de seu discípulo por um tempo para amparar seus irmãos na fé de Tessalônica. Olhando por outro ângulo, o texto não menciona nenhuma companhia com Timóteo, o que nos leva a concluir que Paulo não só abdicou da presença de seu discípulo amado, mas também o mandou sozinho, em um período de grande ameaça para os cristãos e com a influência ativa de Satanás colocando obstáculos, como visto nos versículos anteriores, final do capítulo 2, onde Paulo explica que Satanás o impediu de ir. Paulo tomou uma decisão difícil e de confiança integral do controle de Deus sobre a situação.
Até então o texto implica que precisamos uns dos outros. Romanos reforça isso no capítulo 1 versículo 12 relatando: “...isto é, para que nos consolemos uns aos outros por meio da fé mútua: a de vocês e a minha.”. Hebreus 10 versículo 24 corrobora: “Cuidemos também de nos animar uns aos outros no amor e na prática de boas obras.” E o fato de Paulo enviar Timóteo sobre tais condições, enfatiza a necessidade e a importância de pastoreio relacional constante.
Avancemos para os versículos 3 e 4
³ a fim de que ninguém se inquiete com essas tribulações. Porque vocês mesmos sabem que fomos designados para isto.
⁴ Pois, quando ainda estávamos com vocês, predissemos que íamos passar por aflições, o que de fato aconteceu e é do conhecimento de vocês.
Estima-se que Paulo passou entre 3 a 12 semanas em Tessalônica. Mesmo com tão pouco tempo de ensino, Paulo já havia ensinado que estavam destinados a passar por tribulações. Isso nos mostra que uma das prioridades de Paulo foi ensinar sobre a iminência da aflição vindoura, e a certeza de que a enfrentariam.
A palavra “destinado” no versículo 3, significa literalmente “ser colocado”, “estar estabelecido, ordenado”. E as palavras “dificuldades” e “aflições” denotam o mesmo sentido de “opressão” e “tribulação”. A tribulação faz parte do chamado e do plano de Deus para o cristão fiel.
A carta de Paulo aos Romanos, no capítulo 5, versículos 3 a 5 diz o seguinte:
³ E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança,
⁴ a perseverança produz experiência e a experiência produz esperança.
⁵ Ora, a esperança não nos deixa decepcionados, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi dado.
Acrescentando Atos 14, versículos 21 e 22:
²¹ E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, Paulo e Barnabé voltaram para Listra, Icônio e Antioquia,
²² fortalecendo o ânimo dos discípulos, exortando-os a permanecerem firmes na fé e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no Reino de Deus.
A tribulação tem como finalidade o crescimento espiritual. Produz perseverança e, consequentemente, esperança. A tribulação faz parte da formação do nosso caráter como cristãos. O sofrimento dos crentes não é acidental, mas faz parte da missão de seguir a Cristo fielmente. E é por causa dessa “pressão” inevitável que “espreme” e “molda”, que devemos nos encorajar mutuamente a perseverar.
A palavra de Deus em 1ª Pedro no capítulo 4 versículos 12 e 13 revela o seguinte texto:
¹² Amados, não estranhem o fogo que surge no meio de vocês, destinado a pô-los à prova, como se alguma coisa extraordinária estivesse acontecendo.
¹³ Pelo contrário, alegrem-se na medida em que são coparticipantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vocês se alegrem, exultando.
A tribulação aqui, é descrita por Pedro como “fogo”, “calor extremo”, “queima”, “combustão”. Denota “provação ardente”, “teste severo” na fé. A metáfora do fogo ardente é tirada do processo de purificação dos metais preciosos. Pedro vê o sofrimento dos cristãos como algo que refina sua fé. Não há nenhum sinal de abandono de Deus aqui. Estamos propensos a ver a tribulação como descaso de Deus, assim como as muitas reivindicações de esquecimento de Deus para com Israel no antigo testamento. Porém é totalmente o contrário. Deus faz isso para que possamos amadurecer, crescer e lapidar a nossa fé.
No versículo 14, Pedro fala que devemos nos alegrar por participar dos sofrimentos de Cristo. Assim, também nos alegrando e exultando na revelação da sua glória. Participar dos sofrimentos de nosso Salvador deve ser motivo de alegria, porque através disso, somos moldados de acordo com sua vontade.
A carta de Tiago no primeiro capítulo, a partir do versículo 2 expressa:
² Meus irmãos, tenham por motivo de grande alegria o fato de passarem por várias provações,
³ sabendo que a provação da fé que vocês têm produz perseverança.
⁴ Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que vocês sejam perfeitos e íntegros, sem que lhes falte nada.
A epístola de Tiago só reforça a alegria que devemos ter ao passar por provações assim como na epístola de Pedro. E também que o resultado dessas provações é a perseverança e consequentemente, a esperança e integridade, assim como mencionado também na Carta de Paulo aos Romanos que acabamos de ler.
A preparação para a esperada tribulação é essencial. Reitero aqui as palavras do Pastor Renato nas ministrações das terças anteriores. A melhor forma de nos prepararmos para nossa peregrinação nesse mundo é guardando a palavra do Senhor no coração. É de suma importância que a leitura e meditação das escrituras tenham grande presença em nossas vidas. Minha intenção não é repetir o que já foi dito, mas enfatizar a importância, assim como a própria palavra de Deus enfatiza.
Abra comigo em Efésios 6, a partir do versículo 10:
Fulano, você pode ler pra gente até o versículo 20, por favor?
¹⁰ Quanto ao mais, sejam fortalecidos no Senhor e na força do seu poder.
¹¹ Vistam-se com toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo.
¹² Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestiais.
¹³ Por isso, peguem toda a armadura de Deus, para que vocês possam resistir no dia mau e, depois de terem vencido tudo, permanecer inabaláveis.
¹⁴ Portanto, fiquem firmes, cingindo-se com a verdade e vestindo a couraça da justiça.
¹⁵ Tenham os pés calçados com a preparação do evangelho da paz,
¹⁶ segurando sempre o escudo da fé, com o qual poderão apagar todos os dardos inflamados do Maligno.
¹⁷ Usem também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus.
¹⁸ Orem em todo tempo no Espírito, com todo tipo de oração e súplica, e para isto vigiem com toda perseverança e súplica por todos os santos.
¹⁹ E orem também por mim, para que, no abrir da minha boca, me seja dada a palavra, para com ousadia tornar conhecido o mistério do evangelho,
²⁰ pelo qual sou embaixador em cadeias, para que, em Cristo, eu seja ousado para falar, como me cumpre fazer.
A Palavra de Deus faz parte da nossa armadura, sendo um dos itens mais importantes para a batalha, a espada. Nossas lutas são diárias, contra forças espirituais do mal. É indispensável que estejamos preparados para esses confrontos. Ainda assim, muitas vezes negligenciamos nosso dever para com a Palavra de Deus, mesmo sabendo do quão essencial e central é na nossa vida. É como se quiséssemos atravessar um deserto confiando que meia garrafa de água será suficiente. A Palavra não é um recurso acessório — ela é o combustível e o mapa.
Vamos ler novamente o versículo 5 de 1Tessalonicenses no capítulo 3:
⁵ Foi por isso que, já não me sendo possível continuar esperando, mandei perguntar a respeito da fé que vocês têm, temendo que vocês fossem provados pelo tentador e o nosso trabalho se tornasse inútil.
A palavra stégō aqui mencionada por Paulo e traduzida nessa versão que lemos por “continuar esperando”, também se atribui o significado de cobrir, conter, suportar e resistir. O primeiro versículo, onde Paulo menciona que não pode mais esperar, é reforçado pelo quinto, apontando novamente que não lhe é possível continuar esperando. Há aqui uma redundancia com o intuito de dar ênfase à angústia de Paulo. Mencionando aqui alguns estudiosos, essa passagem sugere uma pressão emocional crescente, como se estivesse prestes a explodir. É como se sua angústia transbordasse nessa espera. Essa pressão só poderia se manifestar no amor profundo. Paulo se responsabiliza pelo bem-estar espiritual dos crentes. Nas palavras de John Stott: “Seu amor pastoral não podia mais suportar o silêncio quanto à situação da igreja.”
Mas aí me veio uma dúvida, e é possível que você também tenha essa dúvida. A Bíblia afirma que não devemos andar ansiosos. Podemos ver o próprio Senhor Jesus falando isso em Lucas 12, do verso 22 ao 34. Abram comigo a palavra do Senhor.
Um voluntário, por favor, faça a leitura de Lucas 12 do verso 22 ao 34.
²² A seguir, Jesus se dirigiu aos seus discípulos, dizendo:
— Por isso, digo a vocês: não se preocupem com a sua vida, quanto ao que irão comer, nem com o corpo, quanto ao que irão vestir.
²³ Porque a vida é mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as roupas.
²⁴ Observem os corvos, que não semeiam, não colhem, não têm despensa nem celeiros; contudo, Deus os sustenta.Vocês valem muito mais do que as aves!
²⁵ Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar um côvadoao curso da sua vida?
²⁶ Portanto, se não podem fazer nada quanto às coisas mínimas, por que se preocupam com as outras?
²⁷ Observem como crescem os lírios: eles não trabalham, nem fiam. Eu, porém, afirmo a vocês que nem Salomão,em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.
²⁸ Ora, se Deus veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, muito mais fará por vocês, homens de pequena fé!
²⁹ Portanto, não fiquem perguntando o que irão comer ou beber e não fiquem preocupados com isso.
³⁰ Porque os gentios de todo o mundo é que procuram estas coisas; mas o Pai de vocês sabe que vocês precisam delas.
³¹ Busquem, antes de tudo, o seu Reino, e estas coisas lhes serão acrescentadas.
³² — Não tenha medo, ó pequenino rebanho; porque o Pai de vocês se agradou em dar-lhes o seu Reino.
³³ Vendam os seus bens e deem esmola; façam para vocês mesmos bolsas que não desgastem, tesouro inesgotável nos céus, onde o ladrão não chega, nem a traça corrói,
³⁴ porque, onde estiver o tesouro de vocês, aí estará também o seu coração.
Não deveria Paulo confiar no Senhor a responsabilidade sobre a fé dos tessalonicenses, uma vez que ele fez praticamente tudo que estava ao seu alcance? Bom, sim. Mas nos atentemos a uma coisa, a palavra “preocupação” em Lucas é diferente da angústia de Paulo. Na passagem de Lucas, preocupação significa literalmente “ficar inquieto”, “oscilar”, “ficar ansioso ou perturbado mentalmente”. Enquanto na carta de Paulo aos tessalonicenses, a pressão expressada por Paulo, como já vimos, significa “suportar”, “manter firme sob pressão”, que transmite uma ideia completamente oposta a “instabilidade” que é mencionada em Lucas. Apesar de ambas palavras descreverem reações diante de pressão ou incerteza, uma reflete maturidade espiritual, outra, instabilidade e dúvida. Paulo relata firmeza emocional e espiritual, Jesus fala de instabilidade emocional e espiritual. Paulo não se deixa levar pela ansiedade e agitação no mundo. Paulo tem plena confiança em Deus. Portanto, enquanto Jesus alerta contra a ansiedade causada pela incredulidade, Paulo expressa uma tensão nascida do amor e da responsabilidade pastoral.
A pressão aqui autoimposta por Paulo não é fraqueza. É sinal de amor profundo e autêntico. Paulo não só carrega suas ovelhas no coração, mas também no seu agir, demonstrando sabedoria ao lidar com a situação, enviando Timóteo em meio a sua impossibilidade de ir. Isso evidencia a sobriedade de Paulo, agindo de forma sábia ao enviar Timóteo e ao mesmo tempo, confiando à Deus aquilo que não estava mais ao seu alcance.
Assim sendo, é nosso papel como cristão praticar nosso amor por nossos irmãos em Cristo através das nossas orações e ações. Como lemos em Efésios, Paulo pede para que orem em todo tempo no Espírito para lidar com as provações e, logo em seguida, pede também orações por ele. Paulo reconhece sua necessidade de ser alvo de orações. Da mesma forma, devemos incluir nossos irmãos em nossas orações constantemente. Evidenciando nosso cuidado e pedindo para Deus aquilo que não podemos fazer. Contudo, não devemos parar nas orações e suplicas. O nosso agir é essencial. Deus deseja nos usar na vida de nossos irmãos, para isso, devemos não só estar preparados e munidos, mas atuar intencionalmente e, assim como Paulo, de forma sábia. Que Deus nos dê a sabedoria e a destreza para lidar com os empecilhos do inimigo que nos rodeia a fim de continuarmos caminhando juntos na fé, exortando uns aos outros.
A angústia de Paulo tinha como alvo a fé dos tessalonicenses. E é nela que o tentador aqui mencionado dedica seus esforços malignos. A palavra tentador aqui é a mesma usada em Mateus 4, quando Jesus foi ao deserto para ser tentado pelo diabo. Significa testar, colocar à prova, seduzir ao pecado. Paulo via que o diabo estava em atividade constante ao seu redor, e temeu que ele pudesse ter os levado a tropeçar ou até mesmo, a abandonar a fé.
A tentação tem poder de abalar a nossa fé, por isso devemos estar preparados, e mais do que isso, animar-mos uns aos outros, contrapondo o ataque do tentador com preparo, através da leitura e reflexão diária das escrituras, e com cuidado pastoral. Não nos esqueçamos que, conforme 1 Pedro 5 diz, o nosso inimigo, o diabo, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar, por isso devemos ser sóbrios e vigilantes. Citando aqui apenas algumas ocorrências na Bíblia, em Crônicas, capítulo 21, o diabo incitou Davi. Em Atos 5, Ananias foi influenciado pelo pai da mentira. Lucas 13 expõe uma mulher que ficou 18 anos presa por Satanás. Paulo tinha ciencia do poder e agir de Satanás. O tentador conhece muito bem nossas fraquezas e também as escrituras, como demonstrado na tentação de Jesus no deserto. E usa disso para enganar, oprimir, influenciar e acusar os crentes e sua fé.
Devemos estar preparados para sair vitoriosos sobre a tentação, assim como os tessalonicenses se mantiveram firmes na fé, como veremos mais detalhadamente na próxima terça-feira. Só a leitura e meditação diária nas escrituras, e a intimidade no relacionamento com o Senhor Jesus pode nos conceder o devido preparo para esses desafios.
Recapitulando, Paulo não andou sozinho. Muito pelo contrário, reconheceu sua necessidade de irmãos na fé em sua caminhada. De igual modo, também devemos ter zelo intencional no relacionamento e caminhar juntos com nossos irmãos na fé. Muita das vezes, só estamos dispostos a nos dedicar até certo ponto, dentro da nossa zona de conforto. Atualmente dispomos de uma tecnologia incrível, mas usamos majoritariamente de forma prejudicial a nossa fé. Estima-se que Timóteo teve que lidar com 500 km de distância de Atenas a Tessalônica. O que totalizaria cerca de 2 a 3 semanas. Isso só na ida. Hoje, estamos há alguns cliques de distância de uma conversa, e temos meios de transporte muito mais eficientes que Timóteo dispunha. Portanto, vamos refletir sobre o nosso esforço e sacrifício para cultivar o amor com a Igreja de Cristo e a nossa preocupação com o crescimento espiritual dos irmãos.
Paulo e a Igreja de tessalônica enfrentaram tribulações e aflições. Mas, através da fé e da
cooperação uns com os outros, resistiram com tenacidade. O que as tribulações que enfrentamos têm relevado sobre a firmeza da nossa fé? Somos capazes de identificar a atuação do inimigo em tempos de dificuldades?
Por fim, algumas aplicações para essa mensagem.
Primeiro, Use e abuse das ferramentas que dispomos para aprofundar seu relacionamento com seus irmãos em Cristo. Mas não se limite só a isso, tenha encontros regulares com esses irmãos a fim de dar manutenção e aperfeiçoar essa união.
Segundo, Se você não participa de um, procure um pequeno grupo para congregar e não espere por ocasiões mais oportunas para exercer o seu cuidado. Estabeleça um intervalo de tempo para se encontrar e visitar irmãos. Por exemplo, uma meta de a cada 15 dias ter pelo menos 1 encontro com algum membro de sua comunidade. Comece com objetivos mais fáceis que se adequam a sua rotina e, com o tempo, vá se desafiando cada vez mais.
E por último, determine um horário e um local para seu momento diário com Deus, isso ajuda a criar um hábito e facilita a prática. Porém não se limite à isso. Sabemos que por vezes somos impedidos de realizar esse momento no determinado horário ou local, mas ainda podemos separar outro momento ou local no dia para estar com Deus. Isso é essencial para que estejamos preparados para momentos de dificuldade.
Queria propor um desafio para nós. Pense em 7 nomes de pessoas que necessitam de suas orações e escolha uma para visitar. O desafio consiste em orar para cada uma dessas 7 pessoas pelo menos uma vez por dia, começando de hoje, contemplando todas na próxima segunda-feira. E nos próximos 15 dias, separe um tempo para encontrar com uma pessoa. Se essa pessoa é realmente um servo de Cristo, tenho certeza de que a sua presença será no mínimo motivo de muita alegria.
Abaixe sua cabeça e feche seus olhos, vamos orar.
