Salmo 137
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SALMO 137
SALMO 137
ICT - O salmista ensina Judá a não esquecer Jerusalém diante das afrontas do inimigo no Exílio, na esperança de que o Senhor os restauraria.
TESE - Não podemos esquecer da nossa pátria celeste enquanto exilados e afrontados pelos inimigos pois esperamos a restauração que vem do Senhor.
PB - Pastoral/Devocional
PE - Consolar os crentes diante das afrontas no Exílio deste mundo com a esperança da Jerusalém celeste/Exortar os crentes a se manterem fiés diante do Exílio enquanto aguardam Sião.
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
"Tu deixarás para trás tudo o que amas mais caro; e esta é a flecha que o arco do exílio dispara primeiro." Essas palavras de Dante Alighieri , em sua obra A Divina Comédia. Estes versos foram registrados quando o escritor estava longe de sua terra, Florença, na Itália. Elas capturam a dor universal do exílio, aquele sentimento profundo de perda e saudade que invade a alma de quem é arrancado de sua terra e de seus afetos.
Não sei se você já teve esse sentimento saindo do Brasil, ou do seu estado, ou mesmo da sua cidade, mas em nossas andanças missionárias, uma das coisas que mais trouxe dor ao meu coração foi o fato de não me pertencer àquela terra e pensar: como eu amo meu Brasil apesar de todas as suas dificuldades.
É a mesma dor que transborda nos versos de Gonçalves Dias em Canção do Exílio, nos versos que depois seriam eternizados em nosso hino nacional. Ao estar em uma terra distante ele compara o Brasil àquela terra e diz:
"Nosso céu tem mais estrelas, nossas várzeas têm mais flores, nossos bosques têm mais vida, nossa vida mais amores." E o poeta termina seu poema dizendo:
“Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o sabiá.”
Da mesma forma, Patativa do Assaré e Luiz Gonzaga, na canção Triste Partida, narram a história de tantos nordestinos que deixaram suas terras em busca de sobrevivência no Sul do Brasil, como retirantes:
“Em um caminhão
Ele joga a famía
Chegou o triste dia
Já vai viajar
A seca terríve
Que tudo devora
Ai, lhe bota pra fora
Da terra Natal
O carro já corre
No topo da serra
Olhando pra terra
Seu berço, seu lar
Aquele nortista
Partido de pena
De longe inda acena
Adeus meu lugar”.
O final do poema mostra a esperança de um dia voltar para sua terra e saudade do seu lugar:
“Trabaia dois ano
Três ano e mais ano
E sempre nos plano
De um dia voltar
Mas nunca ele pode
Só vive devendo
E assim vai sofrendo
É sofrer sem parar
Se arguma notíça
Das banda do norte
Tem ele por sorte
O gosto de ouvir
Lhe bate no peito
Saudade de móio
E as água nos zóio
Começa a cair.
O Salmo 137 é uma expressão dessa mesma alma exilada. Ele não apenas clama pela lembrança de Sião, mas faz disso um compromisso sagrado: preferir a morte e a perda do próprio vigor a esquecer a pátria do Senhor. Que o mesmo fervor nos inspire enquanto peregrinamos neste mundo, ansiando pela Jerusalém celeste, nossa verdadeira pátria.
ELUCIDAÇÃO
ELUCIDAÇÃO
O Salmo 137 é um dos salmos mais emotivos e dolorosos do Livro dos Salmos, sendo parte do grupo dos salmos de lamento. Ele é frequentemente identificado como um salmo de exílio (embora alguns o identifiquem como salmo de Davi, sem provas concretas), composto enquanto o povo de Israel estava em cativeiro na Babilônia, após a destruição de Jerusalém em 586 a.C. Esse salmo reflete a tristeza profunda dos exilados, que, longe da sua terra, lamentam a perda de sua cidade, templo e a comunhão com Deus. A Babilônia, uma terra estrangeira e idólatra, torna-se o lugar onde Israel se sente afastado de sua identidade espiritual e do seu relacionamento com o Senhor.
Contexto histórico e literário:
O salmo começa com uma cena de profundo pesar: "Junto aos rios da Babilônia, ali nos sentamos e choramos, lembrando-nos de Sião" (v.1). O povo de Israel, exilado e sem esperança, encontra-se fisicamente longe de sua terra, mas também espiritualmente distante do lugar onde a presença de Deus habitava — o templo em Jerusalém. O exílio não é apenas uma separação geográfica, mas uma separação espiritual, pois a adoração no templo representava a relação direta entre o povo e o Senhor. Nesse contexto, o lamento não é apenas uma tristeza pela perda do território, mas uma saudade intensa de estar na presença de Deus.
O salmo é marcado por uma tensão entre o desejo de justiça e a lembrança da opressão. Os inimigos, como os babilônios e os edomitas, são mencionados como aqueles que se alegram com a queda de Jerusalém e zombam dos exilados (v.7). Há um clamor por vingança, um desejo de que o Senhor se lembre do sofrimento de Seu povo e, assim, traga juízo sobre aqueles que se alegraram com a desgraça de Israel. Esse apelo por justiça reflete a luta interna do povo, que, embora em exílio, ainda espera pela restauração e pelo cumprimento das promessas divinas.
Posição no Livro de Salmos:
Este salmo está inserido no grupo de salmos conhecidos como "salmos de lamentação nacional". Ele é um dos últimos salmos do livro, que aborda a condição de Israel após o cativeiro babilônico. Como tal, ele se relaciona com outros salmos que falam do sofrimento e da busca por libertação, como o Salmo 126, que expressa o desejo de restauração após o exílio. O Salmo 137 também se posiciona dentro do contexto dos salmos que clamam pela intervenção divina, reforçando a ideia de que, apesar da aparente derrota, o povo de Deus permanece firme na esperança de Sua fidelidade.
Relação com os salmos ao redor:
Em sua posição dentro do livro de Salmos, o Salmo 137 serve como uma expressão de angústia e saudade, mas também aponta para uma futura restauração. Embora a dor seja central, há uma convicção de que Deus ainda tem um plano para Seu povo, e a lembrança de Sião, mesmo em meio ao exílio, traz consolo. O clamor por justiça também se alinha com outros salmos que expressam a confiança na intervenção divina (como no Salmo 79), e, ao mesmo tempo, é um ponto de ligação para os salmos que falam da esperança de restauração de Jerusalém.
Delimitação
O Salmo 137 nos lembra da dor da separação de Deus e do sofrimento causado pelo afastamento da nossa verdadeira pátria espiritual. Assim como os exilados, que choravam à medida que lembravam de Sião, nós também, como peregrinos neste mundo, somos chamados a lembrar de nossa cidade celestial — o lugar onde habita a presença de Deus e onde nossa verdadeira identidade encontra sua plena expressão. Mesmo em meio às dificuldades, este salmo nos desafia a cultivar a saudade do Senhor, a lembrar da esperança futura que Ele prometeu. E, assim como Israel esperava pela restauração, nós também aguardamos a volta do Senhor e a realização plena de Suas promessas.
TEMA: CONSOLADOS PELA LEMBRANÇA DE SIÃO
TEMA: CONSOLADOS PELA LEMBRANÇA DE SIÃO
PS: Qual a nossa condição como exilados neste mundo?
PS: Qual a nossa condição como exilados neste mundo?
1º Somos peregrinos afrontados pelos inimigos do Senhor. V.1-3,7.
1º Somos peregrinos afrontados pelos inimigos do Senhor. V.1-3,7.
EXPLICAÇÃO
EXPLICAÇÃO
1.1. A Zombaria Contra o Povo
1.1. A Zombaria Contra o Povo
A cena que o salmista pinta aqui é a de um povo em grande aflição e afrontas. Ele diz que a atitude que os piedosos tinham às margens dos rios da Babilônia era a de sentar e chorar. A postura dos que se assentam é a postura cultural demonstrada pelos pranteadores, que jogavam pó e cinzas sobre a cabeça.
O choro é o reflexo da devastação causada pelo exílio e pela mão do Senhor sobre eles, punindo-os pela sua transgressão. Esses que choram às margens dos rios parecem ser aqueles que entenderam a gravidade do seu pecado e o peso da mão do Senhor.
Essa atitude de prantear está declarada no verso 1 e é explicada pelas lembranças de Sião. As memórias de Jerusalém em seus tempos de glória e agora, as lembranças de uma Jerusalém devastada pelos inimigos é o que faz este povo se lamentar.
A descrição da cena avança e ele diz que nos salgueiros às margens dos rios, árvores comuns naquela região, eles pendurávam suas harpas. Esta atitude mostra que de algum modo eles conservaram a esperança de um retorno à sua terra e de que púdessem cantar ao Senhor, afinal, levaram suas harpas para o exílio. Mas esse momento não chegou ainda. Este momento ainda é momento de profundo pranto. Eles pendurávam suas harpas nos salgueiros como atitude de guardá-las porque não havia mais motivo de louvor e cânticos de júbilo.
Israel que era conhecida pelos seus louvores e por ser um povo musical e alegre, que entoavam cantigas e mais cantigas para refletir diversas situações, agora não tinha mais motivos para tocas suas harpas, pendurar nos salgueiros era a melhor saída. O povo das cantigas agora é o povo que produz uma única música: o lamento.
Mas essa atitude de tristeza é explicada ainda mais no verso 3. Os inimigos, segundo o salmista, os que os levaram cativos e devastaram a sua terra de Judá agiam como zombadores. Eles pediam canções dos judeus. Como se dissesem: onde estão as tantas músicas que vocês entoavam em sião? Era comum que a zombaria fizesse parte da prática dos vencedores depois da guerra. A humilhação aos cativos era parte do cenário de ridicularização dos povos exilados. Os caldeus faziam isso para mostrar e exaltar o seu poder diante dos vencidos.
O verso 3 nos diz mais, diz que os opressores pediam que fôssemos alegres. Isso é totalmente humilhante, pois pede que desterrados, pessoas com seus corações amargurados por perder parentes e conterrâneos por causa da guerra pudessem se alegrar. Pede que um povo há centenas de quilômetros de sua terra natal pudesse ter algum tipo de prazer.
1.2. A Zombaria Contra o Senhor
1.2. A Zombaria Contra o Senhor
Entoai-nos algum dos cânticos de Sião. Aqui, provavelmente, é uma referência aos cânticos entoados na adoração ao Senhor, cânticos de Sião, em relação ao verso, que diz que eles não poderiam cantar os cânticos de Yahweh em terra estranha mostra o sentido mais terrível desta zombaria. Eles não pedem meras canções cotidianas do povo, eles pedem que as canções do Senhor sejam cantadas ali. Isso direciona a zombaria não apenas ao povo, mas ao próprio Deus. Era comum que os vencedores exaltassem seus deuses diantes dos deuses dos vencidos. Para eles, falar isso era dizer: Onde está o vosso Deus, aquele para quem que vocês entoavam louvorem em Sião? Os nossos deuses o derrotaram.
Embora os judeus soubessem que estavam na Babilônia por descumpirir a Lei do Senhor e estam debaixo de severa repreensão, os inimigos não tinham essa visão. É por isso que o pecado cometido por Judá se tornou mais grave, uma vez que eles envergonharam o nome do Senhor entre os pagãos, como se sua Mão não pudesse sustentá-los em sua terra.
Além de toda angústia que sentiam por estar afastados de sua terra natal, da adoração ao Senhor em Jerusalém, de ter visto seu povo sucumbir pela espada dos caldeus, por ter visto as casas e os muros de Jerusalém derrubados, o templo do Senhor queimado, esse povo ainda tem que ouvir o escárnio de ímpios que zombam de sua condição e do seu próprio Senhor. Como entoar os cânticos de Sião em terra estranha? O salmista alcança um propósito bem definido aqui, que é o de pintar com palavras a cena aterrorizante dos exilados às margens dos rios de uma terra estranha.
ILUSTRAÇÃO
ILUSTRAÇÃO
O povo de Deus foi posto neste mundo, como exilados, para suportar a rejeição e a zombaria. Israel, de fato, estava experimentando isso pelo seu próprio pecado, mas isso é um reflexo de que até mesmo aqueles piedosos restantes no meio do povo de Deus estavam experimentando o mesmo sofrimento e rejeição. Isso acontece também na história da Igreja.
No ano 177 d.C., sob o reinado de Marco Aurélio, a cidade de Lyon, na Gália, se tornou palco de uma das mais cruéis perseguições contra os cristãos.
Levados à arena pública, os cristãos foram expostos como espetáculo diante de uma multidão sedenta por sangue. Enquanto eram amarrados a postes ou jogados aos animais selvagens, os gritos e zombarias ecoavam pelo anfiteatro:
“Onde está o Deus deles agora?”
“Se Ele é tão poderoso, por que não os salva?”
Os algozes buscavam humilhar não apenas os corpos, mas também a fé daqueles que consideravam um insulto aos deuses romanos. No entanto, ao invés de desespero, o que se ouviu foram hinos de louvor e orações.
Seu testemunho calou as zombarias. Mesmo diante da dor, os mártires de Lyon demonstraram uma força inexplicável, apontando para a esperança que possuíam além da vida. Este é apenas um dos milhares de exemplos de irmãos zombados até a morte pelo Nome do Senhor.
APLICAÇÃO
APLICAÇÃO
Mas por que os crentes foram chamados pelo Senhor a sofrer assim? Mesmo aqueles que não tem motivos para experimentar a zombaria do mundo? Isso se explica por meio do exílio no qual nós vivemos. Isso deve nos fazer lembrar que essa terra que nós pisamos não é a terra para qual fomos chamados para viver.
Desde o dia em que fomos expulsos do jardim por causa da nossa transgressão à Aliança com o Senhor vivemos um exílio em um mundo amaldiçoado pelo pecado e neste exílio somos chamados ao sofrimento e à zombaria da semente da serpente. Foi assim que a semente da mulher viveu em todas as épocas. Os ímpios sempre pediram canções ao povo do Senhor em seus momentos de aflição, dizendo: O teu Deus, onde está?
Mas por que o Senhor nos permite viver momentos assim? Por que ele permite que seu próprio Nome seja desonrado? O sofrimento para o qual fomos chamados a viver no exílio tem um propósito claro sobre o povo do Senhor, lembrá-lo que ele não pertence a este mundo e que há uma pátria superior a aguardar.
A necessidade de pregar este sermão surgiu em meu coração algumas semanas atrás. Nossa família foi exposta a um grande perigo enquanto voltávamos de uma programação em que eu fui pregar. Depois deste acontecimento várias e várias situações surgiram produzindo algum tipo de temor em nosso coração, principalmente envolvendo nossa segurança. Naquela semana fomos bombardeados com notícias ruins. Não diretamente sobre nós, mas notícias tenebrosas deste mundo perverso. Em família nós olhávamos para tudo isso e perguntávamos: por que o mundo é tão mau? Como o ser humano consegue chegar a níveis tão profundos de pecado e violência? A resposta é dada por João, esse mundo jaz no maligno.
Mas o que isso deve produzir no coração dos crentes? Esse senso profundo de insatisfação e anseio por outra pátria. O senso de exílio e desterro. É impossível que um crente genuíno esteja conformado e confortável em uma terra tão tenebrosa como esta. As ruas de Babilônia são sujas e escuras até durante o dia, o mal impera nas ruas, seus governantes são corruptos e sanguinários.
Cristão, olhe para o que está à sua volta. Veja quanta violência ao nosso redor, veja quanta imoralidade exposta em nossas esquinas, veja quantas almas aprisionadas em vícios e pecados, veja quanta pobreza, quanta miséria e fome, quanta guerra e destruição. Olhe para o retrato de um mundo caído. Como você que é crente pode viver em paz nesta realidade? É impossível.
E mesmo que você viva uma vida confortável aqui, que seus olhos não tenham contemplado tanta miséria, mesmo que o Senhor tenha contemplado sua casa com prosperidade neste mundo. Olhe para a igreja que sofre mundo a fora. Olhe para Jerusalém que está arrada pela perseguição, a igreja que chora por causa do Nome de Cristo. O sofrimento deles é o seu também. Olhe para você mesmo. Olhe para o exílio em que está a sua alma alienada do seu Criador. Olhe para sua alma exilada de você mesmo como o Senhor o criou para ser. Olhe para sua alma que ainda luta contra a natureza pecaminosa do exílio e tantas vezes quebra a Lei do seu Deus. Você não se agunstia por isso?
Todas as vezes que nós nos depararmos com o mal deste mundo, com notícias angustiantes, devemos sentar e chorar por não estarmos em nossa pátria. Você cristão, que experimenta sofrimentos, seja de caráter pessoal, seja por amor a Cristo. Transforme este sentimento em clamor e insatisfação diante desse mundo. O Senhor não o permite passar por este sofrimento em vão, mas ele nos permite a fim de que sentemos e choremos por não estarmos na pátria na qual pertencemos.
Mas o cristão, assim como os judeus na Babilônia não choravam apenas por suas angústias pessoais, eles choravam pela situação do povo de Deus. Todas as vezes que você contemplar a situação de miséria da igreja do Senhor, assente-se e chore. Todas as vezes que a igreja é zombada e perseguida o crente precisa se lembrar de Sião com angústias em sua alma. Toda aflição à qual somos expostos deve nos relembrar que somos peregrinos em terra estranha.
É isso que nos ensina o Senhor em João 17.14: "Eu lhes tenho dado a tua palavra, e o mundo os odiou, porque eles não são do mundo, como também eu não sou." Nós somos odiados porque o mundo odiou nosso Mestre antes de nós. O que nos leva a descansar no exílio é que nosso Senhor se fez exilado como nós. Ele que não era desse mundo deixou o seu Reino perfeito em Luz e veio para uma terra estranha cheia de todo mal.
Ele foi zombado como exilado. Na cruz diziam a ele:
“Se és o Filho de Deus, desce da cruz!” (Mateus 27:40)
“Salvou os outros, mas a si mesmo não pode salvar!” (Mateus 27:42)
Assim como o Nome do Senhor era zombado pelos caldeus, na cruz o próprio Deus recebeu o Escárnio desse mundo. Assim como Judá foi zombado pelos seus próprios irmãos edomitas que os entregaram a inimigos estrangeiros, ele foi zombado pelo seu próprio povo, seus próprios irmãos que os entregaram nãos mãos de pagãos. O sofrimento do Senhor é o nosso sofrimento. A cruz ele nos relembra o que orou na noite anterior: Vós não sois desse mundo, como também eu não sou.
2º Temos a promessa da nossa libertação e ação de Deus contra seus inimigos. V.7-9.
2º Temos a promessa da nossa libertação e ação de Deus contra seus inimigos. V.7-9.
EXPLICAÇÃO
EXPLICAÇÃO
2.1. A Zombaria e o Castigo dos Edomitas
2.1. A Zombaria e o Castigo dos Edomitas
Mas essa cena não termina aqui, no verso 7 é um pedido ao Senhor que relembre uma cena que ocorreu no tempo da destruição de Jerusalém, quando os caldeus invadiram a cidade. No meio dos inimigos estavam os edomitas, povo que descendia de Ezaú, o mesmo nome para Edom. Naquele dia, aquele povo que era um povo irmão do povo judeu, uns que vinham desse irmão apóstata, outros que vinham de Jacó, lançaram-se a clamar aos caldeus que desrtruíssem Jerusalém até os fundamentos.
A zombaria e o alegrar-se com a destruição da cidade partiu de um povo que não tinha motivos de se exaltar contra seus vizinhos, mas em aliança com os inimigos do povo de Deus eles participaram desta calamidade. Segundo o profeta Obadias 1:12-14: “Não devias ter olhado com prazer para a calamidade de teu irmão [...] Nem te postado nas encruzilhadas, para exterminares os que escapassem.” Eles faziam tocaias para seus próprios irmãos e matavam os que fugiam das mãos dos caldeus. O grito dos edomitas para que a cidade fosse arrasada mostra ainda mais o furor dos inimigos contra o povo do Senhor, que apesar de serem culpados, receberam destruição e zombaria por motivos mais ímpios ainda.
O texto diz: lembra-te, Senhor contra os filhos de Edom. Notemos que essa oração traz essa palavra bem repetida no salmo, que é o verbo lembrar. Enquanto os judeus choram a lembrar Jerusalém devastada, ele pede que o Senhor não esqueça do dia em que essa devastação aconteceu. O dia em que Edom clamou pela destruição de Jerusalém.
Esta oração imprecatória, é, na verdade, uma esperança que foi pronunciada pelos próprios profetas, Jeremias, por exemplo, disse: A palavra do salmista é um grito de socorro para que o Senhor não se esquecesse dessa promessa de justiça aos filhos de Esaú.
2.2. A destruição da Babilônia
2.2. A destruição da Babilônia
Os versos 8 e 9 dirigem à Babilônia a imprecação maior e final. O lamento do início do salmo progride para um brado final de esperança na Justiça do Senhor. Ele exclama: “Filha da Babilônia, que hás de ser destruída”. Essa não é uma esperança vazia do salmista, mas é aquilo que o próprio Deus anunciou por meio dos seus profetas. Jeremias profetizou que o tempo do exílio seria de 70 e que m breve a Babilônia também cairia pela mão do Senhor. Apesar de Israel ter merecido o Exílio, os motivos egoístas dos caldeus e a crueldade com a qual eles agiram sobre o povo de Deus traria sobre eles a condenação justa. O profeta diz: “Pagarei a Babilônia e a todos os moradores da Caldeia por todo o mal que fizeram em Sião, diante dos seus olhos, diz o Senhor”.
Isso enche o coração do salmista de esperança. Aquele exílio e a condição devastada de Jerusalém não seria final. Em breve o Senhor viria para destruir os inimigos que os levaram cativos. Isso também é anunciado por profetas como habacuque que anuncia a destruição de Babilônia.
Agora o poema evoca bênçãos sobre aquele que pesar a mão contra os caldeus: “Feliz aquele que de ter o pago do mal que nos fizeste”. O salmista usa expressões mais uma vez similares àquelas que foram usadas pelos profetas: É bem-aventurado aquele que retribuir à Babilônia com a mesma medida com a qual trouxe destruição sobre o povo de Deus.
No verso 9 continua “Feliz aquele que pegar teus filhos e esmagá-los contra a pedra.” Essa pode ser uma expressão muito forte, mas provavelmente evoca uma lembrança daquilo que foi feito com os judeus em Jerusalém. Era uma prática comum dos povos pagãos daquela região, matar os filhos aos olhos dos pais para mostrar ainda mais a crueldade e produzir medo e temor no coração do povo. Provavelmente os caldeus esmagaram filhos de mulheres diante de seus olhos e abriram ventres de mulheres grávidas. Quando o Samista pede isso ele está esperando que o Senhor os repreenda na mesma medida.
Mas uma pergunta pode surgir aqui. Como o povo de Deus pode orar deste modo? As imprecações não são orações egoístas que buscam justiça pessoal. Notemos que todas as imprecações são baseadas nas próprias promessas de Justiça vindas do Senhor por meio dos peofetas. Segundo, que as imprecações não buscam levar o povo a fazer justiça com as próprias mãos, mas entrega ao Senhor para que a justiça de Deus se manifeste.
Essas palavras terminam o salmo como é costume nos lamentos, ele demonstra a esperança de que o Redentor do povo de Deus se levantaria para restaurar seu povo à terra prometida e pisar a cabeça dos inimigos.
ILUSTRAÇÃO
ILUSTRAÇÃO
Durante a Segunda Guerra Mundial, um grupo de soldados aliados foi capturado por oficiais nazistas e forçado a realizar trabalhos forçados em condições desumanas. Eles eram espancados, subnutridos, zombados por seus captores, e impedidos de enterrar seus companheiros mortos. Um dos oficiais mais cruéis zombava especialmente dos cristãos entre os prisioneiros, dizendo:
— “Onde está o seu Deus agora? Será que Ele os libertará?”
Mas havia entre os prisioneiros um oficial mais velho, conhecido por sua fé. Ele dizia aos mais jovens:
— “Não respondam com ódio. A justiça de Deus não falha. Se ela não vier nesta vida, virá na próxima. Mas virá.”
Alguns anos depois, aquele campo foi libertado. O oficial nazista foi preso e julgado por crimes de guerra. Durante o julgamento, esse mesmo cristão, agora livre, estava presente. Ele não desejava vingança pessoal, mas se emocionou ao ver que a justiça foi feita — não por suas mãos, mas por um tribunal justo. Depois ele diria:
“A esperança de justiça foi o que nos manteve firmes. Não tínhamos como lutar, mas sabíamos que Deus não esquece.”
APLICAÇÃO
APLICAÇÃO
Meus irmãos, Deus não esquece! Essa é a segurança que temos diante das afrontas neste mundo por causa do Nome do Senhor. A Igreja que padece neste exílio tem a certeza de que este tempo que estamos distantes da nossa pátria é temporal e que em breve se findará e tem a esperança de que o nosso Redentor virá para destronar os seus e os nossos inimigos.
Este clamor do salmista se cumpre plenamente em Cristo. Ele é aquele, que como Ciro vem para derrotar a Grande Babilônia. Aquele Cristo humilhado e escarnecido da cruz voltará em glória. Diz o Apocalipse: “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém!” Apocalipse 1.7. Naquele diz, meus irmãos, ele vingará o sangue dos que foram mortos por causa da justiça. Ele vingará o sangue das almas dos mártires que clamam diante do trono na eternidade.
No dia em que ele julgar a Grande Babilônia, diz a Escritura: “Porque verdadeiros e justos são os seus juízos, pois julgou a grande meretriz que corrompia a terra com a sua prostituição e das mãos dela vingou o sangue dos seus servos.” Apocalipse 19.2. Naquele diz, desde o sangue do justo Abel, que o foi o primeiro a morrer pelo Nome do Senhor até o sangue do último mártir que cair sobre a terra antes da volta do Senhor, ele não esquecerá de nenhum deles.
Cristo veio vencer todos os nossos inimigos. Ele colocou um por um debaixo dos seus pés. Ele retribuirá à grande Babilônia com severidade com a qual ela persegiu os seus servos. “Sua fumaça subirá pelos séculos dos séculos”. Apocalipse 19.3. Cristo não apenas se fez um exilado, mas ele entrou no nosso exílio para nos resgatar.
Essa é a esperança para a igreja perseguida no mundo, para irmãos que são maltratados em meio às nações pelo Nome do Senhor, que têm sido levado à prisões, que têm perdido seus bens, suas famílias, seus filhos, que têm sofrido privações e fome pelo Nome do Senhor, que têm vivido debaixo do temor à sombra da morte todo o dia. A promessa do Senhor é que ele vem para consolar o coração destes pisando os perseguidores do Evangelho mundo à fora.
Essa é a esperança para nós, que embora não enfretemos perseguições severas pelo Nome do Senhor como tantos irmãos, mas que somos zombados, rejeitados e recebemos o escárnio deste mundo. Isso nos alegra e nos dá esperança, mesmo que tenhamos que experimentar a perseguição. Nós não somos um povo sem dono e Senhor, em breve ele vem nos consolar.
Isso deve fazer o seu coração de crente sossegar diante das afrontas do mundo. Não busque fazer sua justiça, não busque vingança neste mundo, mas sofra o dano como alguém que é manso e humilde de coração. O Senhor nos chama a dar lugar à Ira, não a nossa, mas a Ira de Deus. Entregue ao Senhor ás afrontas dos homens maus, ele não se esquecerá.
Isso não significa que devemos orar com corações vingativos, orações que se parecem mais com maldições. O Senhor nos chama a bênçoar nossos inimigos. O Senhor não está nos chamando a orar aqui por perseguições causadas pelos nossos próprios pecados, muito menos por motivos egoístas, mas a colocar diante dele inimigos que não são apenas nossos, mas inimigos do próprio Senhor e do seu povo.
Diante desses, meus irmãos, descansem em Cristo. Ele não se esquecerá. Não temam os que matam o corpo, eles nada podem fazer senão lançá-los ao seu Salvador. Mas aquele que pode lançar a alma no inferno virá para julgar retamente.
3º Podemos perseverar pelas lembranças da nossa pátria eterna. V.4-6.
3º Podemos perseverar pelas lembranças da nossa pátria eterna. V.4-6.
EXPLICAÇÃO
EXPLICAÇÃO
3.1. Que eu perca minha mão direita se esquecer de Jerusalém.
3.1. Que eu perca minha mão direita se esquecer de Jerusalém.
Você deve ter notado que deixamos o meio do salmo por último. Dos versos 4 a 6 temos o tema principal da poesia, que tem uma estrutura concêntrica. Este trecho do poema começa com uma pergunta: Como cantar os cânticos do Senhor em terra estranha?
Esta pergunta continua mostrando atitude de tristeza do salmista. É impossível alegrar-se no desterro? Mas reflete também uma atitude piedosa. Os cânticos de Yahweh referem-se provavelmente aos salmos entoados no culto a Deus através dos levitas. Essa atitude mostra o zelo do servo de Deus em não usar esses cânticos em terra estranha, que seria terra profana, de pecado e estranhos deuses. A Babilônia não era digna dos cânticos de Sião e seus opressores não eram dignos de ouvir os cânticos do Senhor.
Então surge uma resolução piedosa no coração do autor do salmo. Resolução que é dupla, primeiro ele diz: Salmo 137.5: “Se eu de ti me esquecer, ó Jerusalém, que se resseque a minha mão direita”. Todo o salmo está construído sobre esta resolução de não se esquecer de Sião. Há uma palavra que está disposta em todo salmo “שָׁכַח” que é o verbo esquecer. Você notou os contrastes claros no salmo entre as palavras esquecer e lembrar. O versículo 6 usa o antônimo “זָכַר” que é lembrar.
A proposta do salmista é servir de exemplo e encorajar os judeus que estavam no exílio a não esquecer a sua pátria mesmo que os anos do Exílio fossem tão longos e que aquela geração morresse. O salmista evoca sobre si maldição caso esquecesse de Jerusalém: “que se resseque a minha mão direita.” É muito curioso que a palavra usada pelo salmista é a mesma que a anterior, “שָׁכַח”. O texto poderia também ser traduzido, se eu me esquecer de ti Jerusalém, que seja esquecida a minha mão direita. Dentro de uma cultura em que a destreza e a mão direita é símbola de força, trabalho e utilidade, preferir a lembrança de Jerusalém é como preferir algo mais que a própria vida.
3.2. Que eu perca minha língua se não lembrar de Jerusalém
3.2. Que eu perca minha língua se não lembrar de Jerusalém
É esta mesma verdade que é repetida no verso 6 quando ele diz: “Apegue-se minha língua ao paladar, se não me lembrar de ti” Isso indica uma situação extrema, quando em momento de sede mortal a língua se apega ao céu da boca ou quando se perde a capadidade de fala. A língua que era instrumento de expressão e louvor a Deus, central na adoração judaica. Aqui o salmista usa uma hipérbole para mostrar que preferia que tal situação o acometesse do que esquecer de Jerusalém.
Para o salmista, Jerusalém representa mais do que uma cidade física: é um símbolo da promessa de Deus, da comunhão com Ele e da identidade espiritual do povo. Assim, preferir a incapacidade de falar a esquecer Jerusalém reforça que a memória e a devoção à cidade santa são elementos essenciais de sua fé e existência. O salmista não exalta apenas uma cidade em ruínas sobre o monte Sião na Palestina. Ele se lembra de Jerusalém como a cidade escolhida pelo Senhor para fazer habitar o seu Nome Santo. Jerusalém representava Yahweh no meio do seu povo. Além disso, era o lugar do seu Rei, onde o Senhor fez assentar seu Ungido para governar eternamente. Esquecer de Jerusalém era esquecer a promessa de Deus habitando no meio do seu povo como Emanuel e reinando como Rei Supremo da Linhagem de Davi.
É por isso que alguns comentaristas dizem que perder a mão direita implicava em não tocar mais sua harpa e perder a língua era perder a capacidade de entoar os cânticos de Yahweh. Afinal, do que adiantaria esses membros se não houvesse mais lembrança e esperança de voltar àquela cidade para louvar ao Senhor.
3.3. Que eu prefira Jerusalém à minha maior alegria
3.3. Que eu prefira Jerusalém à minha maior alegria
No fim do verso 6 o salmista diz continua dizendo que se apegue ao céu de sua boca a sua língua, se não preferir a Jerusalém que a sua maior alegria. Outras traduções indicam: “Se eu não colocar Jerusalém como minha maior alegria”. Aqui talvez tenhamos o ápice do pesamento do salmista sobre o valor que dá a Jerusalém. Não há alegria maior para este servo exilado do que recordar Jerusalém e recordar a esperança de retornar àquela terra. Como vimos, isso exalta a esperança de que o exílio é passageiro e em breve teriam sua terra.
Por mais que Babilônia pudesse oferecer grandes prazeres como cidade cosmopolita e lugar de habitação de vários povos. Lugar de prosperidade e riquezas. Lugar, que comparado à Jerusalém destruída era muito mais gloriosa, mas o prazer e a alegria do Salmista não estão postos em alegrias terrenas. Sua alegria era ver Jerusalém restaurada.
A esperança que mantinha os exilados de Jerusalém perseverantes era a imagem da Cidade do Senhor. Nela estava o seu prazer, pois nela o Senhor estava no meio do seu povo.
ILUSTRAÇÃO
ILUSTRAÇÃO
Um dos mais gloriosos exemplos dessa fidelidade do remanecente fiel na Babilônia é o do próprio profeta Daniel, que tendo o direito de comer das finas comidas e prazeres do Rei da Babilônia diz: "Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se." Daniel 1.8.
A história bíblica mostra uma infinitude de homens e mulheres que preferiram estar na presença do Senhor que ganhar este mundo. Como se diz a respeito de Abraão: "Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber para onde ia. Pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa; porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador." Hebreus 11.8-10.
O mesmo se diz sobre Moisés como diz o autor aos hebreus: "Pela fé, Moisés, quando já homem feito, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado, porquanto considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão." Hebreus 11.24-26.
Esta é a história do povo de Deus. Um povo exilado que não trocou a alegria da verdadeira pátria pelas alegrias deste mundo, mesmo que estivessem mais próximas e visíveis.
APLICAÇÃO
APLICAÇÃO
Esta verdade gloriosa é requerida de nossas vidas também, meus irmãos. Nós que compreendemos que não somos deste mundo e que Cristo veio nos resgatar do exílio destruindo nossos inimigos e zombadores devemos ansiar pela nossa verdadeira pátria mais do que pelos prazeres e alegria deste mundo.
“Os judeus no exílio ansiavam pela Jerusalém terrena, mas que prefigurava outra cidade mais gloriosa. A Jerusalém que desce do céu. E há um autor que fala sobre o modo como devemos ansiar a Jerusalém celeste mais do que estes do seguinte modo: O que então deveríamos fazer com relação à nossa, por assim dizer, ausência de Jerusalém? Deles era uma Jerusalém terrena, antiga, roubada, despojada, incendiada, saqueada; nossa é uma Jerusalém celestial, renovada, em que nenhuma flecha pode entrar, nenhum ruído de tambor é ouvido, nem som de trombeta ou chamado para batalha. Quem então não lamentaria estar ausente deste lugar?” —WALTER BALCANQUAL
Para termos o mínimo do anseio que deveríamos ter ao lembrarmos da nova Jerusalém devemos lembrar das Glórias que existem nela. Primeiro, deveríamos nos lembrar da beleza desta cidade.
Lembremo-nos da sua descrição em Apocalipse 21: "A muralha era feita de jaspe, e a cidade era de ouro puro, semelhante a vidro límpido. Os fundamentos da muralha da cidade estavam adornados de toda sorte de pedras preciosas". Mas esta beleza não se limita ao seu aspecto físico, mas sim à restauração pela qual esta cidade aponta. Nela todos os males do pecado deste mundo serão esquecidos. "Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram." Apocalipse 21.3-4.
Olhe para a imagem pintada de todos os males deste mundo. Olhe para tanta miséria do pecado. Naquela cidade seremos libertos de todos os males. Quando Cristo restaurar essa criação quebrada, estaremos em uma cidade tão gloriosa que nenhuma lembrança restará como disse o profeta: "Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas. Mas vós folgareis e exultareis perpetuamente no que eu crio; porque eis que crio para Jerusalém alegria e para o seu povo, regozijo." Isaías 65.16-17.
Mas não apenas devemos ter anseio por Sião por causa da ausência do mal. Em segundo lugar devemos lembrar que naquele dia, quando sairmos do exílio deste mundo, nos encontraremos conosco mesmos. Nossa antiga natureza santa perdida no jardim será reencontrada. “Nela, jamais penetrará coisa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira, mas somente os inscritos no Livro da Vida do Cordeiro." Apocalipse 21.27. Naquele diz ele nos dará um corpo glorioso e uma natureza ressurreta, morta uma vez por todas para o pecado. Essa é uma das maiores glórias da Nova Jerusalém. Naquele dia não haverá mais nenhuma luta em nosso próprio coração para obedecer ou não ao Senhor. Toda guerra da nossa carne contra o espírito terá chegado ao fim. Você que tem chorado pelos seus pecados e pela sua incapacidade de agradar a Cristo. Naquele dia esse exílio chegará ao final e seremos consolados com uma natureza santa semelhante à de Cristo.
Em terceiro lugar, querido irmão, não apenas a ausência do mal reina em Jerusalém Celeste, ou mesmo a ausência do nosso pecado. Também não será porque estaremos lá que será uma cidade feliz. A maior alegria da Nova Jerusalém não é porque estaremos lá, mas porque o Senhor estará eternamente. Como João escreveu: “Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles”. E mais “Nela estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos o servirão, contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele. Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos." Apocalipse 22.3-5. A presença do Senhor na Nova Jerusalém é a glória desta cidade. Não haverá necessidade do sol porque ele brilhará ininterruptamente sobre eles. Não haverá um microsegundo em todas as bilhões de eras da eternidade que a presença do Senhor se retire de sobre os redimidos.
Mas como isso é possível, como o Deus todo Santo, todo poderoso, todo eterno, todo infinito pode habitar no meio de pecadores como nós? Esta é maior glória do nosso retorno do Exílio: A nossa última condição será maior que a primeira. No jardim ele vinha nos visitar na viração do dia, na Nova Jerusalém ele habitará conosco. Nós jamais poderemos compreender a grandeza dessa glória, mas sabemos como ela foi possível.
Só pudemos receber essa glória porque "o autor e consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da vergonha, e está assentado à destra do trono de Deus." Hebreus 12.2. É porque Cristo em seu exílio rejeitou a alegria deste mundo porque sua alegria era obedecer ao Pai que temos acesso a esta cidade. Por isso ele nos prometeu: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar.
E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também.” João 14.2-3.
Agora, o que proclama nossa cidadania desta cidade é o nosso anseio por ela. É completando o número dos que seguiram o exemplo de Cristo e consideraram os prazeres transitórios do pecado como perda. Você que vive nesta terrível Babilônia em cuja feira de vaidades há tantos prazeres, que você deseje esquecer sua mão direita a esquecer a santa cidade, afinal, do que adianta ter a língua para cantar, se não estivermos na Nova Jerusalém para adorá-lo eternamente?
Jovem, por mais belas e atraentes que sejam as delícias de Babilônia, por mais tentadoras que sejam suas riquezas, o luxo dos grandes prédios e mansões deste mundo, a euforia de noites regadas a muito pecado e diversões, por mais belas que sejam as paisagens de lugares que almejemos visitar neste mundo, por mais tentador que seja ter um nome e poder diante dos homens. O que pode se comparar com a Glória desta cidade eterna?
Devemos exclamar como o apóstolo: “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo.” Filipenses 3.8
Ao mesmo tempo, para você que tem sofrido pelas angústias deste mundo e a zombaria da Babilônia. Coloque seu sofrimento diante daquele que vai consolar sua alma na Nova Jerusalém. Olhe para este sofrimento e anseie ainda mais o dia de Cristo. Se você padesse por sofrimento, enfermidade, solidão ou qualquer afronta à sua alma, sinta-se desmamando desse mundo e entrando na Cidade Eterna.
"Somente com os olhos na Cidade Celestial o peregrino pode atravessar o Pântano do Desânimo, resistir no Vale da Humilhação, vencer Apoliom, suportar o Vale da Sombra da Morte, escapar do Castelo da Dúvida e, por fim, cruzar o Rio da Morte — pois é a esperança da glória futura que o sustenta em cada etapa do caminho."
CONCLUSÃO
CONCLUSÃO
Ao concluirmos esta mensagem, somos conduzidos de volta à essência do sentimento que atravessa gerações e culturas: a dor do exílio e o anseio pelo retorno. As palavras de Dante, em sua Divina Comédia, a saudade exaltada por Gonçalves Dias em sua Canção do Exílio e os lamentos dos nordestinos, eternizados nas vozes de Luiz Gonzaga e Patativa do Assaré, revelam uma verdade comum: a profunda melancolia de quem deixa sua terra natal.
Essa dor, no entanto, carrega em si um brilho de esperança. O exílio não é apenas perda, mas também a expectativa de reencontro, o sonho de um dia voltar e ver tudo restaurado. É esse mesmo anseio que deve pulsar em nós enquanto caminhamos por este mundo. Como peregrinos, somos chamados a viver com a convicção de que nossa pátria definitiva não é aqui, mas na eternidade com o Senhor.
O Salmo 137 nos ensina a manter viva a lembrança do lar. Assim também devemos manter viva em nosso coração a esperança da Nova Jerusalém, onde Deus estará conosco para sempre. Pois, como peregrinos, também aguardamos o dia em que não haverá mais lágrimas, quando habitaremos na presença do Senhor em nossa verdadeira casa, na Jerusalém celestial.
