A FAMÍLIA DA ALIANÇA

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Introdução a família na aliança

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INTRODUÇÃO
Quando os judeus retornaram do exílio babilônico, Esdras reuniu o povo e, “desde a alvorada até o meio‑dia” (Ne 8:3), leu a Lei. Famílias inteiras — homens, mulheres e crianças que “já podiam entender” — permaneceram de pé, ouvindo o Shema (Dt 6:4-9). Ali, num pátio empoeirado, a comunidade redescobriu que a aliança não era mero contrato político, mas um vínculo de amor que começava em casa e se projetava para o mundo. Como naquela manhã histórica, nossas famílias também estão “na encruzilhada”: entre modelos pós‑modernos fluidos e o projeto pactual do Deus trino. Precisamos redescobrir a vocação da família da aliança — núcleo querido por Deus, laboratório de discipulado e microcosmo do Reino.
I – FUNDAMENTO CRIACIONAL DA FAMÍLIA (Gn 1:26‑28; 2:24)
A. Imagem de Deus e dignidade compartilhada
1. Exegese do selem — “Criou Deus o homem à sua imagem” (Gn  1:27) Ser “imagem” não é reflexo passivo, mas representação viva do Rei. Homem e mulher recebem, juntos, a incumbência de refletir o governo divino na terra.
2. Refutação sociológica — “De um só fez toda a raça humana” (At 17:26) Se a dignidade parental decorre do decreto criador, nenhuma classe social pode reivindicar monopólio sobre a família; logo, chamá‑la de “burguesa” é pacto ideológico, não dado bíblico.
B. Uma só carne como ícone da aliança
1. O verbo dābāq — “Apegar‑se” (Gn 2:24) é o mesmo usado para Israel apegar‑se a YHWH (Dt 10:20); casamento, portanto, é miniatura da relação pactual Deus‑povo.
2. Complementaridade vocacional — “Ajuda que lhe seja idônea” (Gn 2:18) A unidade preserva distinções: masculinidade e feminilidade não competem, mas cooperam como reflexo da pluralidade harmoniosa na Trindade.
II – ESTRUTURA JURÍDICA DA ALIANÇA NA FAMÍLIA (Dt 6:4-9; 29:14-15)
A. Promessa de amor exclusivo
1. Shema como prólogo pactual — “O SENHOR nosso Deus é o único SENHOR” (Dt 6:4) Confessar “O SENHOR é um” centraliza o lar em Deus, expulsando ídolos de consumo e carreira. Juramento
2. Intergeracional — “A aliança… também com aquele que não está aqui hoje” (Dt 29:15) Moisés inclui “os que não estão aqui hoje”, vinculando netos não nascidos à mesma fidelidade — batismos e votos matrimoniais renovam esse elo.
B. Estipulações e sanções
1. Amar com todo o ser — “Amarás, pois, o SENHOR… de todo o coração” (Dt 6:5) O imperativo você‑integral exige que rotina, disciplina e lazer sejam moldados pela Palavra; lei doméstica é guarda‑chuva da graça. (Mt 22:37-38)
2. Bênçãos e maldições — Obediência gera florescimento (Dt 28:1-2); rebeldia, ruína (Dt 28:15). A família torna‑se primeiro tribunal onde se prova que “os caminhos do SENHOR são retos” (Os 14:9).
III – MISSÃO PEDAGÓGICA E CULTURAL DA FAMÍLIA (Sl 78:4-7; Ef 6:1-4)
A. Ensino contínuo
1. Narrar as obras de Deus — “Contaremos à vindoura geração os louvores do SENHOR” (Sl 78:4) Contar êxodos e ressurreições à mesa forma imaginários redentivos antes que streaming forme outros. “esqueçam do que Deus fez” (Sl  106:21).
2. Memória como antídoto — “Inculcarás a teus filhos” (Dt 6:7) Repetição grava sulcos na alma (shanan), vacinando a nova geração contra o analfabetismo bíblico.
B. Mandato de serviço ao mundo
1. Trabalho cooperativo — Ao cultivar e guardar (Gn  2:15), pais e filhos aprendem que profissão é liturgia estendida, não idolatria de performance. (Cl  3:23-24)
2. Hospitalidade profética — “Praticai a hospitalidade” (Rm  12:13) Abrir a porta ao órfão emocional encarna boas obras que fazem incrédulos “glorificar a Deus” (1Pe  2:12).
IV – CONSUMAÇÃO CRISTOCÊNTRICA NA FAMÍLIA (Ef  5:25-32; Ap 21:2-3)
A. Cristo, paradigma de liderança e submissão
1. Amor sacrificial — “se entregou por ela” (Ef 5:25) Paradidomi (“entregar‑se”) conecta o lar à cruz: autoridade se traduz em serviço humilde.
2. Honra recíproca — Submissão mútua brota do temor a Cristo (Ef 5:21) refuta tanto patriarcalismo tóxico quanto igualitarismo que anula distinções; é dança trinitária
B. Esperança escatológica
1. Banquete do Cordeiro — Cada refeição familiar antecipa a ceia final (Ap  19:9), lembrando‑nos de que nenhuma mesa é definitiva até que Cristo brinde.
2. Testemunho contracultural — Num mundo líquido, promessas duráveis brilham como farol: aniversários de casamento são apologéticas vivas, filhos piedosos, flechas missionárias (Sl  127:3-4).
CONCLUSÃO
A Bíblia se abre com um casamento (Gn  2) e se fecha com outro (Ap  21). Entre esses extremos, Deus planta lares que carregam Seu sobrenome. Se maridos liderarem servindo, esposas edificarem honrando e filhos responderem obedecendo, nossas casas voltarão a ser “pequenas catedrais” onde o evangelho é cantado em tom familiar. Num tempo de vínculos descartáveis, a família da aliança prova que o amor pode ser tão sólido quanto o Deus que jurou: “Nunca te deixarei.” Que possamos dizer com Josué: “Eu e a minha casa serviremos ao SENHOR” (Js  24:15) — e que vizinhos, colegas e nações vejam, na praticidade de nossos lares, a plausibilidade do Reino vindouro.
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