Discipulado Radical
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Transcript
A linguagem aqui é severa e radical. E isso se encaixa na natureza radical do convite de nosso Senhor ao verdadeiro discipulado. Radical refere-se a algo que é fundamental, intensivo, essencial e extremo. É uma ótima palavra para caracterizar o discipulado. Os fundamentos de ser um discípulo são realmente radicais.
O chamado ao discipulado radical, como acabamos de ler nesta passagem, sempre foi a marca do ministério de Jesus. Ele chamou pessoas para o reino dos céus, e para isso cada um deve deixar tudo e ir a ele, arrepender-se de seus pecados, crer nele, renunciar a tudo, amá-lo acima de qualquer coisa, tomar a cruz e negar-se a si mesmo e estar disposto a ser fiel até se o preço for a morte.
O texto de Marcos 9:42-50 é bastante coerente com tudo o que Jesus disse. Há apelos para quatro aspectos do discipulado radical: amor radical, pureza radical, sacrifício radical e obediência.
1) AMOR RADICAL
Marcos 9
42 E quem fizer tropeçar a um destes pequeninos crentes, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse lançado no mar.
O que o Senhor está pedindo aqui é amor pelos outros crentes, para que não os levemos ao pecado. Ele é zeloso pela justiça de Seus filhos amados, Sua família, Seu reino, Sua igreja.
Ele adverte nesta declaração muito severa que antes de você levar outro crente a pecar, seria melhor você morrer de forma terrível.
Em Gênesis 12:3, quando Deus chamou Abrão para formar uma grande nação, Ele disse: “Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem”. Aqui há um princípio: Se você prejudicar o povo de Deus, o mal virá a você, e se você abençoar o povo de Deus, a bênção virá até você.
Em Mateus 18:7 há uma forte advertência de Jesus: “Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual vem o escândalo!”.
Sabemos que o mundo tenta seduzir os crentes, porque é isso que o mundo faz o tempo todo. Mas o julgamento é pronunciado sobre o mundo e estendido a qualquer um, mesmo na casa de Deus, que induza outro crente a pecar.
Voltemos, então, para Marcos capítulo 9:42, onde Jesus diz:
E quem fizer tropeçar a um destes pequeninos crentes, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse lançado no mar.
A ameaça é inconfundível e radical. Ele se refere a quem fizer tropeçar os pequeninos que creem. O Senhor está falando de um amor radical que nunca quer ser fonte de escândalo pecaminoso para outros crentes.
Em 1Pedro 4:8 diz: “Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros”. E esse amor fervoroso buscar ajudar os outros à santidade. É tipo de afeição que pensa mais nos outros do que em si mesmo, conforme Filipenses 2:4. É um amor que nos eleva em direção à justiça.
Como podemos levar outros ao pecado? Posso lhe dar quatro respostas simples e gerais para essa pergunta.
a) Tentação direta: Quando você convida alguém a pecar, influenciando para a mentira, fofoca, trapaça, amor ao mundo etc.
b) Fazer com que as pessoas tropecem dando um exemplo pecaminoso: Simplesmente fazendo coisas que as pessoas veem que são pecaminosas. Romanos 14:19 nos ensina a seguir as coisas que produzem paz e edificação uns para com os outros.
Esta é a ameaça mais forte que já saiu da boca de Jesus para Seu próprio povo. Ele exige o amor radical, que busca o melhor para os outros. Efésios 4:15-16 nos chama a seguir a verdade em amor e crescer em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, para edificação da igreja.
2) A pureza radical
Ninguém será uma influência purificadora sobre os outros, a menos que seu próprio coração seja puro. O inverso é verdadeiro. Se alguém tem seu próprio coração impuro, levará outros ao pecado. Será um meio de aprisionamento de outras pessoas.
Assim, o perigo de levar outros ao pecado é eliminado quando você lida com o pecado em seu próprio coração. E o que este texto exige é um tratamento radical e severo com o pecado. Pois se tropeçamos, faremos outros tropeçarem.
A linguagem de Marcos 9:43-47 é forte. A primeira coisa que me impressiona é a severidade com que devemos lidar com o pecado. Este é um comportamento extremo. Exige uma ação radical e severa contra todo e qualquer pecado.
As partes do corpo mencionadas aqui são as mãos, os pés e os olhos. E eu acho que a soma disso é simplesmente dizer tudo o que você vê, tudo que você faz, onde quer que você vá – tudo que se relaciona com sua vida, todos os comportamentos. Os verbos estão no tempo presente, enfatizando a luta contínua com a tentação e com o pecado.
Obviamente, nosso Senhor não está pedindo mutilação física. Esse tipo de conclusão louca já se desenvolveu na história da igreja, levado alguns à loucura de pensar que mutilação física poderia fazer alguém derrotar o pecado. Esse absurdo desconsidera que a questão do pecado está no interior do homem. Jesus foi muito claro sobre isso:
Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem (Marcos 7:21-23)
Você não pode fazer nada contra o pecado lutando contra ele no corpo exterior. Tiago escreveu:
Cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. Não vos enganeis, meus amados irmãos. (Tiago 1:14-16).
A chamada em Marcos 9:45, 47 é metafórica (figurativa), tal como o Senhor usou no Sermão do Montanha:
Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela. Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno. E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno (Mateus 5:27-30).
Ele quis dizer que o problema está no interior do homem. Ele está ensinado que devemos lidar seriamente com o pecado. As referências ao inferno indicam que essas declarações são chamadas para um arrependimento genuíno e a fé em Jesus Cristo que acompanha a salvação. É uma libertação do inferno eterno. É um chamado para a salvação.
A palavra “inferno”, usada por Jesus em Marcos 9:45 e 47, é “gehenna”. É sempre um termo que se refere ao lago de fogo, não apenas o lugar dos mortos (como o “hades”). É por isso que Marcos 9:43 descreve o inferno como o lugar de fogo inextinguível, e o versículo 48 como o lugar “Onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga”.
O inferno não é uma figura mitológica, mas uma realidade solene. Há céu e inferno; há luz e trevas; há salvação e perdição; há bem-aventurança eterna e condenação eterna.
Jesus foi quem mais falou sobre o inferno. Ele o descreveu como um lugar de tormento eterno, onde o fogo jamais se apaga e o bicho jamais deixa de roer.
A palavra usada para descrever o inferno é geena. Essa palavra vem do Vale dos filhos de Hinom, na cidade de Jerusalém, local onde o ímpio rei Acaz levantou a imagem do deus Moloque, um ídolo de bronze, oco por dentro, de braços estendidos, que ao ficar em chamas, os pais colocavam ali seus filhos, oferecendo-os em sacrifício a esse abominável ídolo. O próprio rei Acaz queimou ali seus filhos (2Cr 28.3). Esse terrível culto pagão foi seguido também pelo rei Manassés (2Cr 33.6). O piedoso rei Josias, mais tarde, em sua reforma religiosa declarou aquele lugar imundo (2Rs 23.10). William Barclay diz que quando aquele local foi declarado imundo e profanado, tornou-se o depósito de lixo da cidade de Jerusalém, que queimava continuamente. Em consequência, era um lugar sujo e fétido, onde os vermes jamais deixavam de roer e onde havia sempre fogo e fumaça subindo como um enorme incinerador.
Dessa forma, o inferno é descrito claramente o lugar onde o fogo jamais se apagará (Mt 5.22; 10.28; Lc 12.5; Tg 3.6; Ap 19.20) preparado para o diabo e seus anjos, e todos aqueles que não conheceram a Cristo (Mt 25.46; Ap 20.9,10). É o estado final e eterno do ímpio depois da ressurreição e último julgamento.
Este é o chamado mais forte para o discipulado, talvez o mais forte que nosso Senhor deu: Você tem que lidar radicalmente com o pecado em sua vida ou restará a escuridão eterna.
O discipulado envolve fugir do pecado, correr na direção do Salvador para que Ele nos salve do pecado. E uma vez salvos, prosseguimos firmes em busca da santidade, tal como 2 Coríntios 7:1 diz:
Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus.
Aquele que nasceu de novo tem fome e sede de justiça, vive na dimensão de Filipenses 4:8, que diz:
Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.
Conclusão
O Reino de Deus exige renúncia de tudo aquilo que nos afasta da santidade
O Reino de Deus é o Reino da santidade. Aqueles que vivem na prática do pecado jamais entrarão nele. Por isso, tudo o que se constitui tropeço no caminho da santidade deve ser radicalmente removido.
Jesus usa três figuras: olhos, mãos e pés. O que vemos, o que fazemos e aonde vamos pode constituir-se em tropeço para a nossa alma. Ernesto Trenchard diz que a mão simboliza nossa maneira de fazer as coisas; o pé representa nosso caminhar pelo mundo; e o olho é a figura de todos os desejos que surgem do coração.
Os discípulos de Jesus são aqueles não vivem na prática do pecado. (1Jo 3:7-10).
Como você tem lidado com o seu pecado? Isso diz muito de quem você diante de Deus.
