O CORRETO USO DOS DONS ESPIRITUAIS NA IGREJA

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1Coríntios 12.1 RC95
1 Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes.

Introdução

Queridos irmãos, é com alegria e temor que nos reunimos esta noite para tratarmos de um tema vital para a saúde e o crescimento da igreja de Cristo: o correto uso dos dons espirituais. Em uma época de tantos extremos e confusões, é fundamental lembrarmos que aquilo que Deus nos deu como bênção — seus dons sobrenaturais — pode, se mal compreendido ou aplicado, tornar-se motivo de desordem, escândalo e divisão.
Ao pregar sobre esse tema, não tenho a intenção de jogar “água na fogueira”. Embora muitos têm usado os dons de maneira incorreta, penso que a melhor forma de lidarmos com isso é ensinando a igreja e não suprimindo o uso dos dons, como o próprio apóstolo Paulo faz aos Coríntios: “Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar e não proibais falar línguas. Mas faça-se tudo decentemente e com ordem” (1Co 14.39-40).
Por isso, hoje, vamos juntos buscar, à luz das Escrituras e da teologia pentecostal, responder: Como devemos usar os dons espirituais na vida da igreja, de modo a glorificar a Deus e edificar uns aos outros?
Ao longo deste sermão, veremos o que são os dons espirituais, sua finalidade, os erros cometidos pela igreja de Corinto e os erros que comentemos em nosso dia. Que o Senhor nos conceda sabedoria, humildade e sensibilidade ao Seu Espírito durante essa reflexão.

I - O que são Dons Espirituais e Para Que Servem?

a) Definição

Os dons espirituais são capacitações sobrenaturais concedidas pelo Espírito Santo aos crentes, com o propósito específico de servir à igreja e glorificar a Deus. Como define Myer Pearlman,
“Os dons do Espírito […] descrevem as capacidades sobrenaturais concedidas pelo Espírito para ministérios especiais”.
Segundo a Bíblia de Estudo Pentecostal, os dons espirituais são
“manifestações sobrenaturais concedidas como dons da parte do Espírito Santo, e que operam através dos crentes, para o seu bem comum”.
Além disso, a nossa Declaração de Fé nos ensina que
Eles não são atestados pessoais de santidade que induzem as pessoas a acreditar que são mais santas ou mais espirituais que outras; também não transformam as pessoas em superespirituais, nem as tornam melhores ou superiores a outros crentes; não são para exibição ou superioridade particular no seio da Igreja, mas são para a glória de.Deus
Importante notar que dons espirituais não são talentos naturais, mas dádivas concedidas graciosamente, para a edificação do Corpo de Cristo (1Co 12.7; 1Pe 4.11). São instrumentos de serviço, não de exaltação pessoal.

b) Tipos de Dons

O Novo Testamento apresenta três grandes listas de dons, com ênfase em:
Dons Espirituais (1Co 12.8-11): Habilidades sobrenaturais para edificação da igreja.
Dons de Serviço (Rm 12.6-8): Capacidades direcionadas ao serviço prático.
Dons Ministeriais (Ef 4.11): Funções de liderança e ensino na igreja.
Como você já deve ter observado, nosso estudo de hoje traz enfoque sobre o tema “dons espirituais”, razão pela qual nos absteremos de falar sobre outros dons.

c) Classificação dos Dons Espirituais (1Co 12.8-11)

1Coríntios 12.8–11 RC95
8 Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; 9 e a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; 10 e a outro, a operação de maravilhas; e a outro, a profecia; e a outro, o dom de discernir os espíritos; e a outro, a variedade de línguas; e a outro, a interpretação das línguas. 11 Mas um só e o mesmo Espírito opera todas essas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.
Dons de Revelação
Os dons de revelação são assim chamados por trazerem à luz informações ou conhecimentos ocultos à mente humana, revelando verdades divinas ou situações do presente, passado ou futuro. São eles:
Palavra da sabedoria:
Definição: É a manifestação do Espírito Santo para revelar uma solução ou orientação divina e sobrenatural para situações complexas ou difíceis, geralmente relacionadas ao futuro ou à aplicação prática do conselho de Deus.
Exemplo bíblico: A resposta de Jesus quanto ao tributo a César (Mateus 22:15-22).
Palavra da ciência:
Definição: É a revelação sobrenatural de fatos ocultos, detalhes do passado ou do presente, desconhecidos naturalmente pelo intermediário do dom.
Exemplo bíblico: Jesus e a mulher samaritana, quando Ele revela detalhes da vida dela (João 4:16-19). Na prática: Um crente pode discernir uma enfermidade oculta, pecado não confessado, ou algo no coração de alguém, conforme direção do Espírito.
Discernimento de espíritos:
Definição: É a capacidade sobrenatural dada por Deus para perceber a presença e a operação de espíritos, sejam eles de Deus, malignos ou humanos.
Exemplo bíblico: Paulo discernindo o espírito de adivinhação na jovem de Filipos (Atos 16:16-18). Na prática: Discernir se uma manifestação é do Espírito Santo, de demônios ou fruto da emoção humana.
2. Dons de Poder
Estes dons se caracterizam por manifestar o poder sobrenatural de Deus atuando na Terra, através dos crentes, para operar milagres, curas e feitos impossíveis ao homem.
Fé (sobrenatural):
Definição: Não é a fé salvífica ou a fé cotidiana, mas uma porção sobrenatural de fé que capacita o crente a crer em Deus para o impossível, além da capacidade natural.
Exemplo bíblico: Paulo garantiu aos tripulantes que nenhum deles morreria durante um naufrágio sofrido (At 27.21-25). Em outro momento, vendo a fé de um aleijado, Paulo ordena que ele se levante (At 14.8-10).
Dons de curar
Definição: Capacitação especial para ministrar a cura divina, removendo enfermidades ou males físicos, emocionais ou espirituais por intervenção sobrenatural do Espírito Santo.
Exemplo bíblico: Pedro e João curando o paralítico do templo (Atos 3:1-8). Na prática: Pessoas sendo curadas instantaneamente em cultos, orações ou visitas a enfermos, para glorificação do nome de Jesus.
Operação de maravilhas
Definição: Manifestação de atos extraordinários e sobrenaturais que transcendem as leis naturais, como prodígios e sinais que testificam o poder de Deus.
Exemplo bíblico: Moisés separando o Mar Vermelho (Êxodo 14:21-22), Jesus multiplicando pães e peixes (Mateus 14:13-21). Na prática: Multiplicação de alimentos, ressurreição de mortos, acontecimentos inexplicáveis pela ciência.
3. Dons de Elocução ou Verbalização
Esses dons dizem respeito à comunicação da vontade divina através da fala inspirada, trazendo mensagens, consolo, exortação ou direção à Igreja.
Profecia
Definição: Mensagem inspirada pelo Espírito Santo, comunicada em linguagem compreensível, que serve para edificação, exortação e consolação da igreja (1 Coríntios 14:3).
Exemplo bíblico: As profecias em Corinto (1 Coríntios 14). Na prática: Um crente transmite uma palavra vinda do Espírito para situações específicas da Igreja ou da vida pessoal de alguém
Variedade de línguas
Definição: Habilidade concedida pelo Espírito Santo de orar ou falar publicamente em idiomas nunca aprendidos pelo orador, sejam eles idiomas humanos ou espirituais.
Exemplo bíblico: O Pentecostes, quando os discípulos falaram em outras línguas conforme o Espírito concedia (Atos 2:1-13). Na prática: Mensagem em língua desconhecida durante um culto, como sinal para incrédulos ou para edificação da própria pessoa.
Interpretação de línguas
Definição: É a capacidade sobrenatural de traduzir ou interpretar o conteúdo falado em línguas, tornando-o compreensível à congregação.
Exemplo bíblico: Necessidade expressa por Paulo de que mensagens em línguas públicas sejam acompanhadas de interpretação (1Co 14:27-28). Na prática: Após alguém entregar uma mensagem em línguas na igreja, outro crente traz a interpretação da mensagem para o entendimento geral.
Transição: Agora que entendemos o que são os dons, precisamos perguntar: como eles podem ser mal utilizados? A resposta nos leva ao testemunho da igreja de Corinto.

II - O Mau Uso dos Dons na Igreja de Corinto

a) Introdução

A igreja de Corinto é, para a teologia pentecostal e assembleiana, o maior exemplo bíblico do desafio pastoral e doutrinário relacionado à operação dos dons espirituais em uma congregação jovem e marcada por imaturidade espiritual. Paulo dedicou três capítulos inteiros, em sua primeira epístola àquela igreja (caps. 12-14), exclusivamente a instruir, corrigir e redirecionar o uso dos dons.

b) Contexto Histórico e Teológico

Corinto: Cidade portuária cosmopolita, plural, rica, mas marcada por imoralidade (inclusive religiosa), muitos convertidos vindos do paganismo, onde experiências extáticas eram comuns em cultos idólatras. Igreja vibrante, porém imatura: “De maneira que nenhum dom vos falta” (1Co 1.7), mas profundamente carnal, cindida em partidos, e espiritualmente desequilibrada.

c) Tipos de mau uso dos dons em Corinto

1. Exibicionismo e competição espiritual

Muitos buscavam os dons milagrosos (sobretudo línguas), como prova de espiritualidade superior (1Co 12.21-25). O culto se tornou palco de competição, vaidade e busca de holofotes: “Sou de Paulo, sou de Apolo…” (1Co 1.12).
Aplicação: Para a teologia pentecostal, quando o foco sai da edificação da igreja para a autopromoção, há inversão completa do propósito do dom.

2. Desordem e falta de discernimento

Reuniões com múltiplas pessoas falando em línguas simultaneamente e sem interpretação (1Co 14.23). Profecias sobrepostas, profetas interrompendo uns aos outros (1Co 14.29-33). Viola-se o princípio bíblico de “decência e ordem” (1Co 14.40).

3. Falta de amor

Paulo coloca o amor como critério indispensável (1Co 13): sem ele, dons são ocos, barulhentos e, de pouco aproveitamento espiritual (“…se não tiver amor, nada serei”).
Transição: Diante disso, a questão chave é: como contrapor o mau uso dos dons e cultivar seu exercício correto? A Bíblia nos oferece exemplos de ambos os casos.

III - Uso Correto x Uso Incorreto dos Dons Espirituais

O exercício dos dons espirituais é uma bênção para a Igreja, mas a história bíblica e a experiência eclesiástica mostram que o uso correto produz edificação e avanço, enquanto o uso incorreto gera confusão, escândalo e até mesmo juízo divino.

a) Exemplos bíblicos positivos (uso correto dos dons espirituais)

1. Ministério de Jesus
Jesus exerceu os dons do Espírito com sabedoria, submissão e pleno amor. Ele se movia em poder, mas sempre visando o bem das pessoas e a glória do Pai.
Exemplo: No caso de Lázaro (Jo 11), Jesus operou o milagre (dom de fé, maravilhas) não para autopromoção, mas para dar glória a Deus e encorajar a fé dos discípulos.
2. Igreja Primitiva
a) Pedro e João em Atos 3
Dom em operação: Cura e palavra de conhecimento.
Uso correto: Ao curar o paralítico à porta Formosa, não buscaram glória própria — “Por que olhais para nós, como se por nossa própria força ou santidade fizéssemos este homem andar?” (At 3.12).
3. O exemplo de Barnabé
Crente cheio do Espírito, Barnabé usou dons de encorajamento (“filho da consolação”, At 4.36), profecia e liderança para fortalecer a igreja, jamais para si próprio.

b) Exemplos bíblicos negativos (uso incorreto dos dons espirituais)

1. Ananias e Safira (Atos 5.1-11)
Problema: Tentativa de impressionar a igreja, forjando uma “espiritualidade” mentirosa — o dom do Espírito (discernimento) se manifesta em Pedro para revelar a fraude.
Ensinamento pentecostal: Não se deve usar dons/carismas para aparências, engano ou vaidade pessoal, sob risco de juízo.
2. Simão, o mágico (Atos 8.9-24)
Problema: Desejo de comprar o poder do Espírito para benefício próprio, sem conversão verdadeira.
Resposta apostólica: “O teu dinheiro seja contigo para perdição... pois o teu coração não é reto diante de Deus...” (At 8.20-21).
3. Profecias falsas e descontroladas
        i. Antigo Testamento:
“Assim diz o Senhor, quando o Senhor não falou” (Ez 13.6-7)
Problema: Falsos profetas usavam o carisma para manipulação, política ou interesses pessoais.
ii. Novo Testamento:
Paulo alerta sobre profecias que devem ser julgadas (1Co 14.29) e não aceitas cegamente, pois podem ser frutos da carne, do ego ou até de influência maligna.
Transição: Uma vez contraposto o bom do mau uso dos dons espirituais com exemplos bíblicos, é hora de darmos mais um passo no nosso estudo para enxergarmos mais de perto problemas atuais com o mau uso dos dons do Espírito. Isso é o que faremos a seguir.

IV - O Mau Uso dos Dons na Igreja — Riscos Atuais

O exercício dos dons espirituais exige sensibilidade ao Espírito Santo, maturidade espiritual e sabedoria prática. A história da igreja pentecostal mostra que o abuso ou uso imprudente dos dons traz danos à comunhão, escândalo para neófitos e pode abrir espaço para confusão espiritual e emocional.
Analisemos alguns dos problemas que surgem em nosso meio:
Falta de sabedoria no uso dos dons espirituais
A Bíblia ensina que, mesmo sendo dons do Espírito, seu uso pode ser prejudicial se carecer de sabedoria, prudência e humildade.
Constrangimento de Pessoas
Exemplo prático: Alguém usa um dom revelacional (“palavra de conhecimento”, por exemplo) expondo publicamente um segredo, pecado ou luta pessoal, constrangendo o irmão diante da congregação.  Isso fere o princípio bíblico da edificação (Ef 4.29) e do amor que “cobre multidão de pecados” (1Pe 4.8).
Aplicação: Os dons revelacionais devem ser usados com extremo temor, amor e, sempre que possível, em particular, a fim de evitar escândalo e humilhação.
Conselho pastoral: O Espírito Santo nunca age para envergonhar, mas para restaurar e curar. O pastor tem autoridade para interromper manifestações inconvenientes e instruir a igreja sobre como praticar os dons com sabedoria.
Profecia na hora da exposição bíblica
Situação: Durante a pregação (ministração da Palavra), alguém se levanta e interrompe com uma profecia, gerando confusão ou desviando o foco da mensagem bíblica.
Base bíblica: Paulo ensina que “os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas” (1Co 14.32) — o crente pode e deve aguardar o momento apropriado, pois Deus não é Deus de confusão, mas de paz (1Co 14.33).
Risco: Interrupções frequentes enfraquecem a autoridade da Escritura e desvalorizam o ensino, criando ambiente propício para confusão, misticismo ou manipulação.
Falem dois ou três (1Co 14.27)
No contexto dos cultos da igreja de Corinto, havia uma desordem manifesta: enquanto uma pessoa era movida pelo Espírito para profetizar à igreja, outros irmãos se levantavam simultaneamente ― uns para também profetizar, outros para falar em línguas, criando confusão, ruído e atrapalhando a mensagem do primeiro, tornando impossível a edificação coletiva.
Paulo corrige esse mau uso dos dons espirituais:
O espírito dos profetas está sujeito aos profetas (1Co 14.32), ou seja, cada um pode e deve aguardar o seu momento, sem pressa ou afobação.
Limite didático: “Falem dois ou, quando muito, três, e isso sucessivamente…” (1Co 14.27).
Doutrina assembleiana/pentecostal
O culto deve ser regido, primordialmente, pela exposição da Palavra de Deus, seja pelo ensino ou pela pregação.
O dom de profecia, embora valorizado, não pode tomar o lugar central da ministração da Escritura, nem transformar o culto em uma série de “recados” ou revelações isoladas.
O limite “dois ou três” é uma baliza apostólica para impedir abusos, proteger a autoridade da Palavra e garantir que a igreja seja sempre edificada, nunca confundida.
A necessidade de parecer super-crente
Característica: Algumas pessoas desenvolvem postura de “super espiritualidade”, desejando estar sempre em evidência nos dons, buscando revelação exclusiva, ou usando dons para se impor na comunidade.
Riscos: Orgulho espiritual e competitividade, surgimento de “panelinhas espirituais” e divisões. Vulnerabilidade a manipulação de lideranças carismáticas desviadas que exigem submissão cega alegando “autoridade pelo dom”.
Teologia pentecostal/assembleiana: O verdadeiro sinal do Espírito não é o carisma gritante, mas o fruto visível do Espírito (Gl 5.22-23) e o compromisso com o Corpo.  
Transição: À luz desses exemplos, como podemos aplicar essas verdades em nossa igreja?

Aplicações Práticas e Conselhos Pastorais

O amor é a base do uso dos dons (1Co 13). O alvo máximo é edificar, não aparecer.
Busque todos os dons, mas principalmente aqueles que edificam a Igreja (1Co 14.1)
Submeta toda manifestação ao crivo da Palavra e do pastorado. A Palavra é a profecia maior.
O culto deve ter ordem, e todo dom precisa ser julgado (1Co 14.29).
Cuide das emoções e do discernimento. Nosso coração às vezes pode nos conduzir a caminhos que não são os de Deus, ainda que seja boa a nossa intensão. O emocionalismo sem fundamento bíblico nos expõe a enganos; discernir se a manifestação procede de Deus é fundamental.
Exercer os dons em humildade. Ninguém é dono de dom algum. Eles pertencem ao Espírito para o bem comum.
Permitir correção e orientação pastoral. O pastor tem a responsabilidade e autoridade bíblica para instruir e, se necessário, corrigir manifestações inconvenientes.

Conclusão

Queridos irmãos, os dons espirituais são presentes preciosos de Deus para Sua igreja. Quando usados com sabedoria, humildade e amor, produzem vida, cura, crescimento e testemunho forte diante do mundo. Quando usados com orgulho ou desordem, podem trazer confusão, escândalo e até juízo.
Que nossa oração seja: “Senhor, concede-nos sensibilidade, sabedoria e humildade para buscar e usar Teus dons, sempre para a Tua glória e edificação da igreja”. Que nunca confundamos poder espiritual com maturidade; que nosso alvo maior seja sempre amar, servir e crescer juntos no Corpo de Cristo.
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