IGREJA PERSEVERANTE ANDANDO POR FÉ APESAR DAS CIRCUNSTÂNCIAS - 2

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 IGREJA PERSEVERANTE ANDANDO POR FÉ APESAR DAS CIRCUNSTÂNCIAS - 2
INTRODUÇÃO:
O que caracteriza uma igreja perseverante que anda por fé, apesar das circunstâncias
A alegria da salvação (1.6–9)
Vimos até aqui que, no passado, Deus ressuscitou Cristo e regenerou os seus eleitos; coloca diante deles um futuro aberto e glorioso; e, no presente, os guarda, mediante a fé que eles têm nele.
Vejamos agora a alegria resultante dessa salvação.
Embora nossa salvação venha a ser consumada apenas na segunda vinda de Cristo, já começamos a desfrutar de sua alegria aqui e agora. Os sofrimentos desta vida não conseguem empalidecer as glórias benditas da nossa salvação. A cruz precede a coroa; o sofrimento é o prelúdio da glória. Antes de pisarmos as ruas de ouro da Nova Jerusalém, caminharemos por estradas juncadas de espinhos. Pedro menciona vários fatos acerca das provações que enfrentamos nesta vida, preparando-nos para a glória.
Em primeiro lugar, as provações são pedagógicas.
Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações (1.6). A expressão “se necessário” indica que há ocasiões especiais em que Deus sabe que precisamos passar por provações para nossa disciplina (Sl 119.67) e nosso crescimento espiritual (2Co 12.1–9).
Em segundo lugar, as provações são variadas. … por várias provações (1.6).
A palavra grega poikilos, traduzida por “várias”, significa “de diversas cores” ou “policromáticas”. A mesma palavra é usada para descrever a graça de Deus (4.10). não importa a “cor” de nosso dia – seja cinzento ou negro –, Deus tem graça suficiente para suprir nossas necessidades. William Barclay, escreve:
Nossos problemas e contratempos podem ser multicoloridos, mas também o é a graça de Deus. Não há cor na situação humana que a graça de Deus não seja capaz de enfrentar. Não importa o que nos esteja fazendo a vida, na graça de Deus encontramos forças para enfrentar essa situação e vencê-la. Há uma graça para enfrentar cada prova, e não há prova que não tenha a sua graça.
Em terceiro lugar, as provações são dolorosas. … sejais contristados… (1.6).
A ideia é de dor ou tristeza profunda. A mesma palavra é usada para descrever a experiência de Jesus no Getsêmani (Mt 26.37) e a tristeza dos santos com a morte de um ente querido (1Ts 4.13).
Em quarto lugar, as provações são passageiras. … por breve tempo… (1.6).
Deus não permite que as provações durem para sempre. Warren Wiersbe diz que, quando Deus permite que seus filhos passem pela fornalha, mantém os olhos no relógio e a mão no termostato.
Em quinto lugar, as provações são proveitosas.
 Para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo (1.7). Pedro ilustra esta verdade referindo-se ao ourives. O ourives coloca o metal no cadinho o tempo necessário para remover as impurezas sem valor; em seguida, o derrama no molde e forma uma bela peça de valor. Para saber se o ouro é autêntico, o metal precisa ser derretido no fogo. Isso não é afeta o ouro em nada, mas todas as impurezas são expulsas no processo, e aquilo que é autêntico, que realmente tem valor, se destaca com pureza. Alguém disse que, no Oriente, o ourives deixava o metal derreter até ser capaz de ver seu rosto refletido nele. Da mesma forma, o Senhor nos mantém na fornalha do sofrimento até refletirmos a glória e a beleza de Jesus Cristo.
As provações enfrentadas hoje são um preparo para a glória futura. A glória da nossa salvação se tornará plena na segunda vinda de Jesus Cristo. Agora, a nossa fé é testada da mesma forma que o ouro é depurado, para que, na manifestação gloriosa de Cristo em sua segunda vinda, isso redunde em louvor, glória e honra ao Senhor.  Esta figura ilustra não só o propósito da provação, mas também a sua necessidade. O ouro, embora valiosíssimo, é também perecível. A fé provada, em comparação com ele, é muito mais preciosa. Depois de ambos passarem pelo processo de purificação, a diferença de valor é enorme. O ouro, além de não durar eternamente, sempre pode ser roubado ou perdido. A fé, por outro lado, garante o acesso a uma herança não sujeita às desgraças terrenas.
Em sexto lugar, as provações preparam para a glória futura, mas Jesus já concede glória no presente.
A quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória, obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma (1.8,9). A vida cristã não consiste somente na contemplação de um futuro distante. Antes, implica uma dinâmica presente que pode transformar o sofrimento em glória hoje.
Aplicação:
Pedro apresenta quatro instruções para se desfrutar a glória hoje, mesmo em meio às provações:
1. Amem a Cristo (1.8). Na fornalha da aflição, em meio ao fogaréu da prova, precisamos amar a Cristo, para que esse fogo nos purifique em vez de nos queimar.
2. Creiam em Cristo (1.8). O cristão é salvo pela fé, vive pela fé, vence pela fé e anda de fé em fé.
3. Alegrem-se em Cristo (1.8). O cristão não é masoquista nem estoico. Não se alegra por causa do sofrimento nem exulta por causa das provações, mas pelos seus benditos frutos. Essa alegria não pode ser traduzida em palavras, é indizível. Não é apenas terrena, é cheia de glória. Essa é a alegria dos tempos vindouros, que fez sua entrada no mundo para não mais dele sair, até que toda tristeza seja finalmente eliminada na vinda do Reino. Trata-se de uma alegria maiúscula, superlativa e celestial. A palavra descreve gritos de alegria que não podem ser contidos. É uma alegria mergulhada em glória!
4. Obtenham de Cristo (1.9). A salvação é uma dádiva de Cristo. Nós a recebemos pela graça, mediante a fé. Embora o seu desfrute pleno vá ocorrer apenas na glória, já tomamos posse aqui e agora. Embora sua consumação esteja destinada apenas para o tempo do fim, já usufruímos seus benefícios imediatamente.
A expressão “salvação da vossa alma” (v. 9) tem sido interpretada de forma equivocada por alguns estudiosos. Concordo com Uwe Holmer quando ele diz que essa expressão foi emprestada apenas aparentemente da filosofia grega. Na realidade, corresponde à proclamação do Senhor, que proclamara em vista de perseguição e ameaça de morte: Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma (Mt 10.28). Isso por um lado soa como antropologia grega, mas por outro condiz na realidade inteiramente com a visão bíblica que é fundamentalmente diversa da grega. Acompanhemos a explicação de Holmer:
Os gregos consideravam a alma como única coisa valiosa no ser humano: pois a libertação da alma do cativeiro do corpo era o alvo mais importante, de modo que ansiavam por uma existência da alma dissociada do corpo. Também a Bíblia por um lado fala do valor incomparável da alma (Mt 16.26) e tem conhecimento da existência dela sem o corpo (3.19; Mt 10.28; Ap 6.9). Porém, segundo a Bíblia, o corpo não é de forma alguma cárcere da alma, mas forma, em conjunto com a alma e o espírito, o ser humano todo. A existência da alma fora do corpo é, conforme a Bíblia, nem de longe um ideal, mas é considerada como dolorosa condição de imperfeição (2Co 5.4; 1Ts 4.13). A igreja será perfeita somente quando tiver o novo corpo espiritual, a ser obtido na segunda vinda de Jesus. Portanto, não espera que a alma seja liberta do corpo, mas aguarda que seu corpo seja redimido (Rm 8.23). Assim a antropologia bíblica não é marcada pela filosofia grega, mas pela teologia e pela escatologia bíblicas.
Conclusão:
Vivamos então, amados, essa bendita esperança. Sabemos que nossa vida no mundo é tensa, difícil, mas estar em Cristo, somos mais que vencedores.
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