(1 Co 7:1-9)

Sermon  •  Submitted   •  Presented
0 ratings
· 17 views
Notes
Transcript
Muitos críticos, ao estudarem esse capítulo, têm uma visão pessimista em relação ao casamento. Contudo, esse não é todo o ensino bíblico sobre o assunto nem mesmo é todo o ensino de Paulo sobre a matéria. Lemos em Gênesis 2.18: “Não é bom que o homem esteja só”. Lemos em Hebreus 13.4: “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula”. Paulo em Efésios 5.22–33 enaltece o casamento a tal ponto de usá-lo como exemplo da relação mística entre Cristo e a Igreja.
Nos versículos 1-7, Paulo fala a casais que estavam inclinados a pensar que a abstenção de relações sexuais no casamento era preferível. Os versículos 8-9 aconselham os solteiros e as viúvas a permanecerem solteiros, mas, se tiverem um forte desejo sexual, devem buscar o casamento.
Na igreja de Corinto havia dois extremos. O primeiro grupo pensava que o sexo é pecado, mesmo no casamento. Esse grupo defendia que o celibato é um estado moralmente superior ao casamento. O segundo grupo, talvez formado pela maioria dos judeus, julgava que o casamento não era opcional, mas obrigatório. Para eles, o celibato era uma posição moralmente inferior ao casamento. Paulo enfrentou essas duas facções, esses dois extremos na igreja e combateu a ambos. Para Paulo tanto o casamento quanto o celibato são dons de Deus. O que é certo: ficar solteiro ou casar-se? O que é melhor: o casamento ou o celibato? O que é correto: o celibato obrigatório ou o casamento compulsório? Paulo diz que as duas posições radicais estão erradas. Depende do dom. Quem recebeu o dom para casar-se, deve se casar. Quem recebeu o chamado, o dom de Deus para o celibato, deve permanecer solteiro.
(7:1-7) Instruções para os casados
Contexto
Paulo responde a uma carta de Corinto. Alguns dos crentes de Corinto provavelmente argumentavam que era bom se abster de relações sexuais mesmo dentro do casamento. Paulo adverte que essa postura abre a porta para a imoralidade sexual (v. 2). Em vez disso, tanto os maridos quanto as esposas têm a obrigação de estar sexualmente disponíveis para seus cônjuges, pois nem os maridos nem as esposas têm autoridade sobre seus próprios corpos (vv. 3-4). Portanto, eles não devem privar um ao outro de relações sexuais, a menos que ambos concordem; e mesmo que consintam mutuamente, essa privação deve ser por um tempo limitado (v. 5), uma vez que, ao se absterem, eles se abrem para Satanás, com o resultado de que podem pecar sexualmente. A noção de que os crentes devem se abster de relações sexuais por um período limitado de tempo não é exigida por Paulo; é uma concessão aos coríntios (v. 6). Talvez em resposta àqueles que defendiam o ascetismo, Paulo concorda que seria benéfico se todas as pessoas fossem solteiras, mas reconhece que Deus dá às pessoas dons diferentes (v. 7).
1. Paulo responde ao que os coríntios escreveram, e provavelmente responde aqui às perguntas que eles fizeram (veja a introdução). A maioria dos estudiosos concorda que as próximas palavras do versículo vêm dos coríntios.
A pergunta dos coríntios sobre o divórcio de um cônjuge incrédulo e a afirmação de Paulo de que o incrédulo é "santificado" provavelmente contraria um desejo ascético dos coríntios de se absterem de sexo com um incrédulo por causa do medo da contaminação (v. 14).
Paulo proíbe o celibato compulsório. Ele disse que o celibato é bom, mas não é compulsório. O celibato é permitido, mas não ordenado. Nem todos têm o dom do celibato (7.7–9). É por isso que a Igreja Romana enfrenta tantos problemas com a sexualidade de seus sacerdotes. O celibato compulsório não tem base bíblica. O celibato só tem sentido e valor quando é resultado de um dom espiritual.
2. Paulo se preocupa, entretanto, com o fato de que tal situação possa levar à imoralidade sexual, e já vimos em 6:12-20 que a imoralidade sexual era um problema em Corinto. Aqueles que têm a melhor das intenções ao se absterem do sexo podem acabar caindo no pecado sexual. Alguns duvidam dessa reconstrução, pois poderia realmente haver libertinos sexuais (6:12-20) e ascetas em Corinto? Devemos nos lembrar, entretanto, que havia todos os tipos de filosofias e pontos de vista no mundo antigo, assim como há hoje. Devemos tomar cuidado para não simplificar demais a situação em Corinto, como se houvesse apenas uma dimensão para ela.
Ele responde a uma circunstância específica em que alguns coríntios estavam defendendo a abstenção de relações sexuais mesmo no casamento.
Paulo proíbe a poligamia no casamento (7.2). Diz o apóstolo: “[…] mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido” (7.2).
3-4. A palavra cumprir (apodidotō) geralmente tem um sentido contratual (BDAG, p. 109), significando que cada cônjuge deve, por assim dizer, pagar o que o outro deve, e, nesse caso, Paulo está pensando em relações sexuais. A recompensa é expressa em termos de dever (opheilēn); cada cônjuge é obrigado a estar sexualmente disponível para o outro (Êxodo 21:10-11; cf. Provérbios 5:15, 18, 20). Paulo não diz apenas que a esposa deve estar disponível para o marido para o sexo; tanto o marido quanto a esposa devem estar disponíveis um para o outro, e nem o marido nem a esposa podem se excluir alegando que se entregaram a Deus e, portanto, não participarão da união sexual. A notável mutualidade continua no versículo 4. Nenhum dos cônjuges tem autoridade (exousiazei) sobre seu próprio corpo. Os corpos dos maridos e das esposas pertencem aos seus cônjuges e, portanto, não há justificativa para um cônjuge dizer ao outro que decidiu se abster de sexo por devoção a Deus. O que nos chama a atenção hoje é a notável mutualidade do relacionamento conjugal aqui, de modo que Paulo pode até dizer que as esposas exercem autoridade sobre os corpos de seus maridos.
Paulo destaca a completa mutualidade dos direitos conjugais (7.3,4). Paulo vivia em uma sociedade de profunda influência machista, mas ele quebra esses paradigmas da cultura prevalecente e afirma a igualdade dos direitos conjugais.
A mesma Bíblia que condena o sexo antes do casamento, o pecado da fornicação, e também o sexo fora do casamento, o pecado do adultério, está dizendo que a ausência de sexo no casamento é pecado.
Paulo define que o sexo é um direito do cônjuge, um direito legítimo. A satisfação sexual é um direito legítimo do marido e um direito legítimo da mulher. A chantagem sexual no casamento é um pecado. O marido não tem poder sobre o seu corpo nem a mulher tem poder sobre o seu corpo. O corpo de um pertence ao outro. Usar o sexo como uma arma para chantagear o cônjuge está em desacordo com o ensino da Palavra de Deus.
Charles Hodge diz que nada pode ser mais estranho à mente do apóstolo Paulo do que o espírito que encheu os mosteiros e conventos da igreja medieval.
5. Parece que a decisão de alguns de se absterem de relações sexuais no casamento se devia à devoção a Deus. Paulo rejeita essa postura por considerá-la equivocada. A única base para a abstenção de relações sexuais no casamento é o consentimento mútuo e, mesmo nesse caso, essa abstenção deve ser apenas por um período limitado.
Paulo permite que casais casados se abstenham de sexo para que possam se dedicar à oração. A devoção à oração, entretanto, não deve ser unilateral; tanto o marido quanto a esposa devem concordar, e nenhum deles tem permissão para impor sua vontade ao outro. De fato, Paulo enfatiza que eles devem se unir novamente, ou seja, devem retomar as relações sexuais. Caso contrário, aqueles que são casados, aqueles que estão acostumados a ter relações sexuais regulares, serão tentados por Satanás (cf. 1 Ts 3:5) a se entregarem a relações sexuais fora do casamento devido à sua falta de autocontrole. Paulo está bem ciente, portanto, de que o ascetismo poderia levar ao problema de ir a prostitutas, abordado em 6:12-20.
Quando é que um casal pode se abster do sexo? Quando ambos estão em total harmonia e sintonia a respeito da decisão. O homem não pode chegar para a esposa e dizer-lhe: “Esta semana ou este mês eu não estou disponível para a relação sexual”. Às vezes, muitos casais cometem erros gravíssimos quando começam a dar desculpas infundadas para fugir da relação sexual, alegando cansaço, dor de cabeça e outras desculpas descabidas.
Um casal sábio não delimita tempo cronológico para se privar da relação, mas apenas se priva da relação por um momento específico, por uma necessidade específica, seja pessoal, seja familiar, seja na igreja, seja no seu país. A abstinência sexual não pode ser por qualquer motivo. Tem de ser por uma razão espiritual. Não pode ser por cansaço nem pode ser por muito trabalho. Não pode ser por dor de cabeça ou indisposição emocional. A questão é por uma razão espiritual.
Por que Paulo é tão enfático nessa questão da relação sexual entre marido e mulher? É porque se o casal abrir brecha nessa área, Satanás vai entrar em campo com sua perversa atividade. Onde há chantagem sexual no casamento, Satanás entra em ação. Paulo conclui, dizendo: “[…] para que Satanás não vos tente por causa da incontinência” (7.5). Quando um casal brinca com essa arma do sexo no casamento e chantageia o cônjuge, privando-o da satisfação a que tem direito, Satanás entra nessa história para colocar uma terceira pessoa na jogada e arrebentar com o casamento.
6. A palavra isto (touto) quase certamente se refere ao assunto discutido no versículo 5; assim, Paulo admite que os coríntios podem se abster de relações sexuais por um breve período de tempo, se assim desejarem. A interpretação correta é, portanto, diametralmente oposta à leitura agostiniana. Paulo não admite que o casamento e as relações sexuais são permissíveis; ele admite que os casais casados podem se abster de relações sexuais por um curto período de tempo, se assim desejarem. Outra maneira de colocar isso é que não há nenhuma exigência ou mesmo inclinação da parte de Paulo para recomendar períodos temporários de abstinência para casais casados. Se eles desejarem se abster de sexo, muito bem, mas Paulo não acha que essa disposição seja necessária ou exigida.
7. Depois de elogiar o casamento e as relações sexuais, Paulo elogia a solteirice, dizendo que gostaria que todos fossem solteiros como ele. A hipérbole retórica fica evidente na próxima declaração de Paulo: ele reconhece que cada pessoa tem seu próprio dom (carisma). Alguns têm o dom de ser casados e outros têm o dom da solteirice. Talvez Paulo se baseie na tradição de Jesus, pois Jesus fala daqueles que nasceram eunucos, daqueles que foram obrigados a viver a vida de um eunuco e daqueles que se tornaram eunucos por causa do reino (Mt 19:12). Paulo preferiria que todos fossem solteiros, mas ele reconhece que o dom de Deus varia de pessoa para pessoa. Provavelmente, Paulo percebeu que a maioria deveria ser casada, dado o papel fundamental de Gênesis 2:18-25 no relato da criação.
Teologia
Uma das características marcantes do texto é a relação mútua entre maridos e esposas. Paulo até diz que as esposas exercem autoridade sobre os corpos de seus maridos. Também vemos uma visão realista e positiva das relações sexuais no casamento. Paulo é realista: ele reconhece que as relações sexuais regulares no casamento são uma profilaxia contra o pecado sexual. Ao mesmo tempo, ele elogia o sexo no casamento, o que implica que é um dom que Deus concede ao seu povo e que deve ser celebrado. Por fim, também vemos aqui que alguns são dotados para o casamento, enquanto outros são dotados para serem solteiros. Não há um chamado monocromático para os crentes, mas todos devem buscar e encontrar o que Deus tem para eles em diferentes momentos de suas vidas.
(7:8-9) Instruções para os solteiros e as viúvas
Uma indicação de que alguém deve se casar é se tiver fortes desejos sexuais. Se a pessoa tem a oportunidade de se casar e os desejos sexuais são fortes, o casamento é a melhor opção, e não se deve tentar ser o que não se é.
O que Paulo diz aqui, na verdade, se encaixa com seu conselho às viúvas mais jovens em 1 Timóteo, embora nesse último caso ele repreenda as viúvas mais jovens por seu pecado (1Tm 5:11-13): Portanto, aconselho as viúvas mais jovens a se casarem, a terem filhos, a administrarem seus lares e a não darem ao inimigo nenhuma oportunidade de calúnia" (1Tm 5:14). A solteirice é preferida nesses versículos de 1 Coríntios, mas muitas vezes as circunstâncias fazem com que o casamento seja realmente ideal em uma situação específica.
Teologia
A vida de solteiro é valorizada por Deus, e os crentes não devem sentir que precisam se casar, embora fortes desejos sexuais possam ser uma indicação de que se deve buscar o casamento. Paulo reconhece a complexidade da vida. Ele prefere a solteirice, mas reconhece ao mesmo tempo que o casamento pode ser melhor em circunstâncias específicas, especialmente se a pessoa tiver fortes desejos sexuais. Cada indivíduo deve buscar o chamado de Deus para sua vida.
Related Media
See more
Related Sermons
See more
Earn an accredited degree from Redemption Seminary with Logos.