Gênesis 6.1-8 - Deus odeia o pecado
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IGREJA PRESBITERIANA DE APIAÍ
PLANEJAMENTO PASTORAL – SERMÕES EXPOSITIVOS
MAIO/2025
Rev. Mateus Lages
Tema: Como tudo começou
Dia 11/05: Gênesis 6.1-8 - Deus odeia o pecado
Deus fala: Saudação - Salmo 14 (1)
Nós falamos: Oração inicial
Nós cantamos: Hino 74 - Sinceridade
DIA DAS MÃES
Leitura bíblica: Gn 3.20
O nome de Eva significa literalmente “vida” e o fato de Adão tê-la nomeado assim foi a manifestaçao de sua esperança na promessa de Deus declarada em Gn 3.15. Desse modo, entendemos que, biblicamente, a maternidade se tornou um símbolo da união entre Deus e o seu povo resgatado pela sua promessa cumprida na pessoa de Jesus, nascido do ventre da virgem conforme profecia de Isaías. Profunda beleza envolve a maternidade na geração de filhos, mas também na manifestação da promessa divina.
Oração de gratidão pelas mães
Deus fala: Lc 17.22-37 (26-27)
Nós falamos: Oração de confissão
Nós cantamos: Hino 131 - Vida santificada
LOUVOR
Tema: Como tudo começou
Gênesis 6.1-8 - Deus odeia o pecado
INTRODUÇÃO/CONTEXTO
Chegamos hoje ao capítulo mais difícil de toda a Escritura, ou pelo menos um deles.
O tema de Genesis 6 é apavorante a decisão de Deus de fazer desaparecer da face da terra o homem que ele havia criado com tanto amor e cuidado. Essa decisão foi tomada por causa do avanço do pecado, depois que o primeiro casal pecou e foi expulso do jardim. O avanço foi tão grande, que aquilo que começou bem, desandou. Chegou a um ponto em que não havia mais distinção entre a linhagem da mulher e a linhagem da serpente. As duas linhagens eram inicialmente muito diferentes, m5as isso começou a mudar. Este é o ponto central de Gênesis 6.
Francis Shaeffer resume bem o problema ao anunciar que: “A dificuldade existe com a frase os filhos de Deus, porque essa frase pode significar uma de duas coisas: (1) a linhagem piedosa, aqueles que chamavam a si mesmos pelo nome do Senhor (Gênesis 4.26) ou (2) os anjos (como em Jó 1.6). O livro de Judas (6-7) parece fazer referência a isso: “E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia; assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregue à fornicação como aqueles, e ido após outra carne, foram postas por exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno”. Essa passagem parece dizer que há anjos que abandonaram sua posição correta e estão especificamente sob juízo porque agiram como as pessoas de Sodoma e Gomorra. Isto é, assim como as pessoas de Sodoma e Gomorra buscaram “outra carne” na homossexualidade, esses anjos buscaram “outra carne”; envolvendo-se com mulheres humanas no que poderia ser chamado de fornicação.
O Antigo Testamento diz repetidas vezes: se você se casa com os que não são povo de Deus, e se você tem filhos e filhas deles, a linhagem piedosa será destruída. O Novo Testamento contém o mesmo mandamento: “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?” (2Co 6.14). Essa passagem tem a ver com os laços centrais para a vida dos homens, e nenhum é mais central que o matrimônio. Esse ponto é explicitado na grande passagem sobre o casamento, em 1 Coríntios 7.39. Paulo ensina à igreja que “a mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor”. O princípio está claro: povo de Deus deve casar-se com povo de Deus.
Desse modo, como ensina Bruce Waltke, a interpretação cristã tradicional, desde o século 3º, endossada por Lutero e Calvino, entendeu os filhos de Deus e as filhas dos homens como sendo os filhos de Sete e as filhas de Caim, e o pecado em decorrência da mescla das duas sementes contaminou a linhagem [culminando no dilúvio].
Desenho para as crianças: Desenhem Noé olhando para o céu, feliz porque Deus se agradou dele. Façam isso para lembrar que embora o mundo não viva como Deus quer, o único meio de ser feliz é vivendo para agradar a Deus.
Desenho para as crianças: Desenhem Noé olhando para o céu, feliz porque Deus se agradou dele. Façam isso para lembrar que embora o mundo não viva como Deus quer, o único meio de ser feliz é vivendo para agradar a Deus.
Vamos ao texto: Gênesis 6.1-8 - Deus odeia o pecado, por isso 1) limita os anos da vida (1-3); 2) da humanidade caída (4-6); 3) de quem terá misericórdia (7-8)
1) Limita os dias de vida (6.1-3)
Irmãs, não levem para o coração, nem fiquem chateadas ou pensativas sobre a própria condição feminina, mas é necessário dizer que aqui novamente será anunciado que as filhas dos homens tornam-se protagonistas daquilo que irá acontecer posteriormente. As filhas de Caim eram bonitas e a beleza delas ganhou fama. Certamente era eram tão belas quanto as filhas de Deus, das mulheres descendentes de sete, mas certamente o que as fez chamarem atenção foi a promiscuidade. Isso chamou a atenção dos filhos de Deus, linhagem de Sete. Na genealogia de Jesus, Lucas usa o mesmo termo: Lucas 3.36–38 “filho de Cainã, filho de Arfaxade, filho de Sem, filho de Noé, filho de Lameque, filho de Metusalém, filho de Enoque, filho de Jarede, filho de Maalalel, filho de Cainã, filho de Enos, filho de Sete, filho de Adão, filho de Deus.” .
A principal diferença entre eles era que os filhos dos homens exaltavam a humanidade enquanto os filhos de Deus exaltavam a divindade. Não cremos nestes filhos de Deus como anjos ou seres celestiais. Desde o Capítulo quatro está muito bem definido as duas linhagens, que tem a sua distinção pronunciada desde Gênesis 3.15 “Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela. Este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar.” .
Diante disso Deus decide colocar um limite na vida humana, 120 anos. Sua decisão foi resultado do que foi anunciado nos versos um e dois. As linhagens se misturaram, então Deus tomou essa decisão. Essa é a segunda vez que Moisés cita o espírito de Deus, o que é significativo porque fala do espírito na criação e agora no juízo. Na criação como aquele que traz vida e no juízo como aquele que foi apertado do ser humano por isso causa morte.
2) Da humanidade caída (6.4-6)
No verso 4 lemos sobre os controvérsos Gigantes ou Nefilins: Seja como fosse, eram tiranos possessos de demônios. Suas almas pervertidas permitiam esse acesso de demônios. Conforme o texto, “viram … eram bonitas … escolheram para si”. O hebraico usa literalmente : “viram … boas … tomaram”. Seu pecado reitera o padrão do pecado original em Gn 3.6. Deixam-se guiar pela lascívia, não pelo discernimento espiritual. Eram também chamados “heróis”. Estes constituem a descendência dos tiranos demoníacos que enchem a terra com violência (Gn 6.11; Nm 13.33). A raiz hebraica (nāpal) significa “cair”, e pode sugerir seu destino (Ez 32.20–28). Mas pelo verso 5, recordamos o que também aguardamos em nossa realidade atual: Deus não permitirá que algum tirano oprima e aterrorize a terra para sempre.
O modo como Moisés anuncia o acontecimento do aumento da maldade na Terra, inspirado pelo espírito de Deus, faz com que haja grande atenção voltada para o problema que isso anuncia: ira de Deus contra o pecado e o pecador. Essa prática humana se dá pelo distanciamento do culto ao Senhor, da entrega do sacrifícios, de uma vida piedosa e de obediência aos mandatos de Deus.
Séculos mais tarde, firma Rev Augustus, o Senhor Jesus se refere a esse período em Mateus 24.38–39 “Pois assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem.” . Estabelece o mundo antediluviano como um paradigma de um mundo que havia se esquecido de Deus e que seria apanhado de surpresa pelo juízo divino.
Aquela cultura se secularizou muito rápido. Vivia pelos prazeres, ainda que alguns desses prazeres fossem ilícitos, se casavam entre si, dando origem ao sincretismo religioso, fazendo desaparecer a linhagem da esperança, que se tornou completamente indiferente para as coisas de Deus e para com a pregação de Noé. Noé, neste sentido, figura como o que chamamos na teologia de tipo de Cristo. Anuncia uma mensagem desprezada pelos homens e, por isso, torna-se desprezado pela mensagem que anuncia.
3) de quem terá misericórdia (7-8)
A realidade descrita nos versos anteriores fazem com que no verso 7 seja anunciado o desejo divino. Faz com que Deus anuncie que chegou no limite da tolerância. Sua ira contra o pecado foi despertada com como nunca antes. O texto diz que “por ter ele visto a maldade do homem se multiplicado na Terra e o desejo maligno no coração do homem” (5), Deus considera desfazer a criação (7). Contudo, para chegar nesse ponto, o texto usa uma frase importantíssima: “isso lhe pesou no coração” (6B).
A ideia é comunicar que a maldade humano pesou no coração de Deus e isso o levou a considerar um fim. A ideia pode ser entristecer-se. Traduzido literalmente, arrepender-se, mas remete a uma santa indignação. Deus fica indignado com aquilo que a raça humana havia se tornado.
O modo de comunicar a ação divina é humano. Chamamos isso de antropomorfismo. A Bíblia usa isso em todo tempo: Deus tem mãos, mas é espírito, então age como nós, sem que tenha literalmente as mesmas mãos físicas que nos levam a fazer as coisas.
Os autores bíblicos atribuem a Deus sentimentos e experiências que nós, seres humanos, temos. Ele fica indignado, irado, ou se arrepende. Evidentemente, tais textos não querem dizer que Deus, por exemplo, se arrependa como nós nos arrependemos. Rev Augustus comenta que: como Deus é Onisciente e Santo, o arrependimento não faz parte do ser de Deus. Assim, quando os autores bíblicos falam que Deus se arrependeu, essa é apenas a sua maneira de dizerem que Deus vai tratando com homem, envolve-se conosco e segue um curso de ação de acordo com a reação humana. O homem não quer ouvir a Deus, então o Senhor diz que vai abençoá-lo se ele lhe obedecer. E Deus abençoa o homem. De repente, o homem decidi virar as costas pra Deus. Então Deus “se arrepende” de tê-lo abençoado e decide repreendê-lo. O arrependimento, então, significa a mudança de ação do comportamento de Deus em relação ao homem, porque sua natureza Santa não tolera essa atitude pecaminosa.
Por isso a Palavra de Deus também ensina que Deus não mente e nem se arrepende (Nm 23.19; 1Sm 15.29), porque não quer comunicar um sentimento humano no ser divino, mas comunicar o sentimento divino ao ser humano. Neste caso, Deus desejou extirpar da memória, raspar por completo, aniquilar, julgar imediatamente, pronunciar seu veredito final para condenar eternamente, mas comunica isso com um termo mais brando: uma triste indignação.
Esse é o tom do anúncio que prenuncia o “porém” do verso 8. Diante dessa crescente de maldade, negação e distanciamento de Deus, houve um porém: Noé.
Pelo verso 8 lemos que Noé achou graça diante de Deus, não a despeito do pecado, mas em virtude de sua retidão (Gn 6.9). Moisés nos permite compreender que a retidão de Noé não é propriamente sua, mas um dom da graça de Deus, justamente como foi o dom da soberana graça que no coração de Eva foi posta inimizade contra a serpente. Como afirma Bruce Waltke: Deus opera em Noé, como faz em todos os santos, tanto o querer quanto o realizar, segundo seu beneplácito: Fp 2.13 (LER).
CONCLUSÃO/APLICAÇÃO
Concluindo, aprendemos pelo tema foi assim que tudo começou, hoje, constatando que Deus odeia o pecado.
Diante disso, o que nos cabe imediatamente é aprender com as crianças que embora o mundo busque felicidade fora de Deus, e aparentemente encontre, porque demonstra real realização no pecado que pratica, o que lhes aguarda nesse caminho é juízo da parte do SENHOR. Porém, somente aquele que anda com Deus como fez Enoque e Noé, será preservado pelo SENHOR e poderá, após o juízo, agradecer pela misericórdia divina.
Vivemos em dias semelhantes ao de Noé, quando olhamos ao redor e ainda vemos a misericórida do Senhor, voluntariamente, cair sobre pecadores todos os dias, que ouvem a mensagem de salvação e reagem a ela positivamente, crendo e se voltando em direção à Arca, que é a Igreja de Cristo. Crendo nessa preservação, caminhamos de modo justo e íntegro, porque ouvimos sobre a santa indignação do Senhor contra o pecado humano, cremos no juízo e cremos na misericórdia: 1João 3.12–13 e 1Jo 4.3-4 (LER).
Haveremos de vencer essa dura batalha, irmãos, porque sobre nós Jesus derramou o seu Espírito. Como afirmou Sideny Greindanus: A semente da mulher vencerá, mesmo sob a pressão da perseguição dos dias de hoje “porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo”.
ORAÇÃO FINAL E BÊNÇÃO
