Os sete "ais" de Isaías
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1 No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e o seu séquito enchia o templo.
2 Os serafins estavam acima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobriam o rosto, e com duas cobriam os pés, e com duas voavam.
3 E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.
4 E os umbrais das portas se moveram com a voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça.
5 Então, disse eu: ai de mim, que vou perecendo! Porque eu sou um homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos Exércitos!
6 Mas um dos serafins voou para mim trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz;
7 e com ela tocou a minha boca e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniquidade foi tirada, e purificado o teu pecado.
8 Depois disso, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então, disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim.
9 Então, disse ele: Vai e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não percebeis.
10 Engorda o coração deste povo, e endurece-lhe os ouvidos, e fecha-lhe os olhos; não venha ele a ver com os seus olhos, e a ouvir com os seus ouvidos, e a entender com o seu coração, e a converter-se, e a ser sarado.
Esse é um texto que aparentemente é muito conhecido.
Mas Isaías estava em apuros, ele tinha problemas de verdade. E não era só ele, toda nação de Israel era culpada de gravíssimo pecado contra um Deus Santo, e como consequência as pessoas estavam prestes a cair sobre condenação divina, incluindo Isaías.
Introdução
Introdução
Para a gente entender quantos problemas Isaías enfrentava é útil nós pensarmos em Isaías pelo que ele era: um profeta. E assim ele era o porta-voz de Deus, o que nunca foi fácil no mundo caído, então os profetas tinham palavras de bem-aventurança e palavras de maldição. Como nós sabemos só Deus abençoa e só Deus amaldiçoa, como Isaías mesmo diz em Isaías 45.7 “7 Eu formo a luz e crio as trevas; eu faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas essas coisas.” e havia uma introdução para as maldições e uma introdução para as bênçãos e as de maldição começavam com “ai”. Quando Deus falava “ai” as pessoas já sabiam que Deus manifestaria maldições e quando começava com “bem-aventurado” ou “bendito” então você sabia que vinha a bênção de Deus.
As bem-aventuranças de Isaías
As bem-aventuranças de Isaías
E algumas das palavras de Isaías, não muitas, eram palavras de “bênçãos de bem-aventurança” por exemplo Isaías 7.14 “14 Portanto, o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel.” Você vai ver Isaías dizendo por exemplo Isaías 40.31 “31 Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças e subirão com asas como águias; correrão e não se cansarão; caminharão e não se fatigarão.” Ou então Isaías 41.10 “10 não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te esforço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça.” E você vai ver as bem aventuranças mais profundas como Isaías 53.4–5 “4 Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. 5 Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados.”
Então havia palavras maravilhosas e doces, e Isaías é chamado de evangelho no antigo testamento porque ninguém falou tanta bênção final e profunda como Isaías.
O juízo de Deus em Isaías
O juízo de Deus em Isaías
Contudo, a maior parte das palavras de Isaías não eram palavras de bem-aventurança. Mas muitas das palavras de Isaías tinham o peso do juízo de Deus. E é isso que faz os profetas verdadeiros não serem queridos. E um dos melhores lugares para se observar isso é o capítulo que antecede essa passagem de Isaías 6, em que todo o Israel se encontra em sérios problemas.
E Isaías 6 é uma daquelas aquelas passagens bíblicas que, ao contrário do que se imagina, a maioria dos cristãos não conhecem muito bem.
Passagens que tem versículos famosos tem esse problema, as pessoas conhecem alguns versículos pinçados naquela passagem, mas não conhecem bem a passagem.
Então muitos conhecem por exemplo o versículo 3 do capítulo 6 que diz: Isaías 6.3 “3 E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.” Muitos conhecem também o versículo 8, que é um dos grandes versículos usados quando se fala em missão, porque Isaías diz: “eis-me aqui, envia-me a mim” então as palavras são muito animadoras quando você pensa no verso 3, no verso 8.
Mas quantas pessoas que conhecem o contexto em que isso está acontecendo? Não é saudável conhecermos versículos separados. A chance de nós termos uma visão deturpada da verdade é gigantesca.
Então para entender um texto nós temos que conhecer o seu contexto, o que vem antes, o que vem depois, o que Deus está realmente fazendo.
O contexto: Isaías 5
O contexto: Isaías 5
Nós temos que entender que a bíblia não foi escrita em várias pequenas frases que foram postadas na internet. A bíblia é um livro que sequer tinha divisão de capítulos e versículos.
Então quando nós voltamos para Isaías 5 nós encontramos o profeta pronunciando o juízo contra o povo de Deus. Esse é o é o contexto.
Ele começa falando sobre uma vinha que foi tratada e cuidada mas que não produzia frutos doces, mas amargos nos versos 1 e 2. E ele usa isso como uma metáfora para Israel, para o povo visível de Deus.
Crentes nominais
Crentes nominais
Sempre entre o povo visível de Deus, Deus tem o seu verdadeiro povo, os eleitos de Deus, Ele tem aquilo que Ele reservou para si, e isso necessariamente não é aquilo que o povo visível é. 1Reis 19.18 “18 Também eu fiz ficar em Israel sete mil: todos os joelhos que se não dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou.” Ele disse “eu tenho 7 mil” mas havia uma nação que dizia que era o povo de Deus, mas naquela nação Deus tinha somente 7 mil.
Então sempre entre povo de Deus há aquela aquela quantidade de cristãos nominais. Então essa vinha, cheia desses nominais, tinha sido cuidada porque ela tinha tinha recebido coisas que nenhuma outra nação tinha recebido.
Então não importa se aqui haja cristãos nominais, nós esperamos que não, mas, ainda assim, cristãos nominais recebem coisas que o mundo não recebe. Recebem o conhecimento, a revelação de Deus na sua palavra. Como Judas provou 3 anos de maravilhas e bençãos ao lado de Jesus, mas isso ao invés de ser algo bom no coração não regenerado, ele tá sendo uma vinha que é tratada enquanto que o mundo não é, mas ele só dá frutos amargos. Isso não produz nele uma alegria indizível e cheia de glória, um deleite em Deus, e é isso que a bíblia está dizendo. nos primeiros versículos de Isaías 5.
Os seis “ais”
Os seis “ais”
Então Isaías pronunciou seis "ais”.
Ele lamentou, por exemplo, a riqueza que era não adquirida para glória de Deus, mas é a busca do dinheiro, pelo dinheiro e pelas coisas que o dinheiro pode dar, um tipo de glória que não é em Deus. Então ele diz assim Isaías 5.8 “Ai dos que ajuntam casa a casa, reúnem herdade a herdade, até que não haja mais lugar, e fiquem como únicos moradores no meio da terra!” ele pronunciou um “ai” sobre essas pessoas.
E depois ele pronunciou o segundo “ai” sobre aqueles que fazem do entretenimento e dos prazeres o seu próprio deus. Isaías 5.11 “Ai dos que se levantam pela manhã e seguem a bebedice! E se demoram até à noite, até que o vinho os esquenta!” então aí aqueles que acham que a vida sobre curtir e diversão. O primeiro “ai” é sobre aqueles que acham que o dinheiro é um fim em si mesmo para produzir essa coisa aqui do segundo “ai” entretenimento, diversão, prazeres, aproveitar a vida…
E ele criticou também a desonestidade e ele pronuncia um “ai”. Isaías 5.18 "18 Ai dos que se prendem à iniquidade com cordas de engano e ao pecado com cordas de carroça!" Ai das pessoas que ficam cegas diante do pecado e ficam presas caindo de abismo em abismo desonrando a Deus e se aprisionando a paixão dos seus prazeres pecaminosos.
Ele repreendeu também o que é tão comum em nossa geração, mesmo no meio daqueles que se dizem cristãos, que é o relativismo. Is 5:20: "20 Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem das trevas luz e da luz, trevas; do amargo, doce e do doce, amargo!" ou seja, é o relativismo moral que diz: “olha, nada é doce ou amargo. Algo pode ser doce para você e amargo para mim, ou amargo para você e doce para mim. Isso aí pode ser escuro para você mas para mim não é.
Depois ele repreendeu o orgulho intelectual, aquela coisa tão comum do ser humano confiar na sua mente. Toda nossa amargura e todas as ansiedades flui do orgulho intelectual.
A amargura é nós acharmos que Deus não agiu corretamente no passado, que se fosse nós, nós teríamos feito de outra maneira. De tal maneira que nós não aceitamos nosso passado como foi então nós somos amargos e nós discordamos de como Deus tratou o passado e isso gera amargura.
E a ansiedade é porque eu acho que eu sei como deve ser o futuro, eu sei como devia ser amanhã e eu estou com uma leve impressão de que Deus não vai fazer o amanhã como deve fazer. Deus vai falhar em fazer o amanhã perfeito, então eu estou com medo do amanhã.
Então Isaías diz: Is 5:21: "21 Ai dos que são sábios aos seus próprios olhos e inteligentes em sua própria opinião!"
E ele repreendeu então a injustiça, Is 5:22-23: "22 Ai dos que são heróis em beber vinho e mestres em misturar bebidas; 23 dos que por suborno absolvem o culpado, mas negam justiça ao inocente!" Ou seja, ai dos que são heróis para a cultura em que vivem, porque para isso eles justificam o mal e eles negam o que Deus diz.
Então nós podemos ver e rever essa lista de “ais” e ver como ela é lamentável e podemos se perguntar: o que esse profeta diria pra nós? Mas talvez a gente prefira não saber. Nós nos acostumamos criticar os contemporâneos dos profetas. Nós sempre pensamos: “essas pessoas duras, elas não ouviam Isaías, elas não ouviam Jeremias, elas não ouviam os profetas.” Mas como nós trataríamos essas pessoas? Como trataríamos Isaías? Como trataríamos Jeremias?
E se Isaías nos dirigisse um desses “ais”?
E se Isaías nos dirigisse um desses “ais”?
E o que os profetas diriam de vocês de mim? Talvez nós preferimos não saber porque a maioria de nós não gosta de ver nossos pecados expostos. Nós achamos Isaías maravilhoso porque ele não está aqui. Porque ele não está dizendo: olha o seu pecado, olha o que você está fazendo, Deus está sendo desonrado pela maneira com que você age no seu trabalho, pela maneira com que você está gastando o seu dinheiro, pela maneira que seu casamento está indo, pela maneira com que você ora.
Nós não gostamos que as pessoas apontam em nosso pecado e digam: “você não está vivendo uma vida que honra a Deus.”
Então quando Isaías de verdade está perto de nós, há uma tendência de nós não gostarmos e talvez nós não os achássemos pessoas maravilhosas, como nós achamos Isaías e Jeremias, se eles não estivessem ha 2.800 anos distante de nós.
Nós não gostamos de ouvir sobre os nossos pecados agora, mas com toda probabilidade Isaías nos diria alguma das mesmas coisas que está dizendo para aquelas pessoas.
Ai de nós!
Ai de nós!
Ai de nós. Ai de nós porque nós usamos nosso dinheiro para multiplicar privilégios egoístas. É isso que ele estava dizendo. “Vocês só pensam em ganhar dinheiro para aumentar o luxo de vocês, para comprar algo mais caro, para ter mais coisas. Quando vocês pensam em dinheiro, o dinheiro é um fim em si mesmo, como um deus. Vocês não pensam no dinheiro em termos de Deus.” Era isso que eu estava dizendo para eles.
E a outra coisa que ele estava dizendo era: “ai de vocês que estão abusando dos prazeres, vocês acham que a vida existe para prazeres banais. Vocês tem pouca alegria em Deus porque vocês acham que o prazer é ter o dinheiro de uma fútil e egoísta para gastar com seus próprios deleites.
E outra coisa que ele diz: vocês torcem a verdade para melhorar a imagem de vocês. Vocês são a favor da verdade até a verdade expor vocês, daí vocês tem uma desculpa, dai você chama o mal de bem, vocês aqui no caso de vocês não é bem assim.
Você vê os “ais” que ele tá falando aqui é a respeito de nós. Ai de vocês por diminuir o ensinamento das escrituras para fazer vocês parecerem melhor do que são e serem queridos e para esconder os desejos pecaminosos de vocês a medida que vocês estão prontos a condenar isso, mas não gostam que isso seja mostrado em vocês.
Ai de nós por achar Isaías 5 é sobre outras pessoas. É o que a bíblia está dizendo.
Aí de nós quando nós escutamos um sermão e achamos que é para alguém que esperamos que finalmente vai escutar a bíblia, escutar Deus, em vez de perceber que Deus está falando sempre conosco mesmo. Deus nunca está falando com o nosso irmão do lado. Deus nunca está falando com o mundo. Deus está falando comigo. Quando eu escuto a palavra de Deus eu tenho que escutar ela sendo dita para mim.
E o sétimo “ai”?
E o sétimo “ai”?
Isso nos leva a um dos aspectos mais impressionantes essa passagem de Isaías 6. Conforme nós notamos, ele pronuncia 6 “ais” no capítulo 5 de Isaías. Ai das pessoas, ai daqueles lá, ai daqueles que estão fazendo isso, ai daquele grupo, ai dos que estão fazendo aquilo outro. E nós naturalmente vamos esperar que ele pronunciasse o sétimo ai, porque na bíblia 7 é o número que torna as coisas completas. Ele falou seis “ais” no capítulo 5 então nós ficamos esperando o sétimo “ai”.
E o sétimo “ai” Isaías pronuncia, de fato, e ele é famoso porque não acontece no capítulo 5, mas acontece no versículo 5 do capítulo 6. Ele diz: Isaías 6.5 “Então, disse eu: ai de mim, que vou perecendo, estou perdido! Porque eu sou um homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos Exércitos!”
Então nós vemos que Isaías não pode continuar simplesmente falando “ai daquele, ai do fulano, ai do beltrano, ai daquele lá, ai do outro”. Ele não podia simplesmente mandar todo mundo se endireitar o e comentar sobre o pecado de todo mundo sem confessar os seus próprios pecados.
Então Isaías chegou a um ponto de quebrantamento e honestidade total. Quanto ao fato de que ele também era um grande pecador e talvez o maior.
Ele teve que chegar ao ponto em que ele faz isso da maneira mais surpreendente.
O “ai” inesperado
O “ai” inesperado
Porque Isaías pronuncia um “ai” sobre si mesmo na única área da vida em que ele havia mais completamente se entregado a Deus.
Se as pessoas tivessem perguntado: existe alguém em Israel hoje que fale a verdade, que seja a boca de Deus? As pessoas diriam: é o profeta Isaías. E de fato, ele poderia ter dito isso a si mesmo, e nós muitas vezes somos tentados a isso e infelizmente caímos: “Tem outras áreas na minha vida com as quais eu luto, mas se existe uma parte da minha vida, do meu corpo, que é totalmente dedicado a Deus é minha boca. Eu sou a única boca de Deus em Israel.”
Esse homem era profeta e ele era realmente o porta-voz de Deus e Deus falava através da boca de Isaías para sua geração. Mas Isaías percebeu que ele também era um pecador que tinha sua boca contaminada. No exato momento em que o profeta reconheceu isso ele disse: “Ai de mim! Eu estou totalmente perdido porque eu descobri que a minha boca é tão indigna quanto a boca de qualquer outra pessoa. Ai de mim.”
O espírito crítico
O espírito crítico
Todos nós temos naturalmente essa tendência da boca contaminada. Não somente de usar palavras torpes, provavelmente não era esse o caso de Isaías, mas de usar nossas bocas de uma maneira que desonre a Deus.
É sempre uma tentação você ser crítico no trabalho, você ser crítico na igreja, você ser crítico na faculdade, você ser crítico na família. As pessoas passam o dia inteiro dizendo: ai daquele lá, ai daquele outro, ai desse aqui, ai daquela pessoa que defende isso, ai das pessoas no mundo. E as vezes tudo isso é verdade e necessário, e nós somos chamados a abominar o que é mal e a não se omitir diante da injustiça Rm 12:9: "Odeiem o que é mau; apeguem‑se ao que é bom.", mas nós podemos nos perder nisso, porque quando o pensamento crítico não é dominado e não é consagrado pela humildade o que ele vira é um espírito crítico. Sempre existe alguém para criticar. Se você quiser isso não para nunca. Sempre o seu marido nunca é perfeito, sua esposa nunca é, as pessoas nunca são, você tem uma grande gama de razões no seu coração para criticar o dia inteiro.
Isaías era parte do problema
Isaías era parte do problema
Mas o profeta não podia esquecer que ele fazia parte do problema e não da solução.
Se havia um problema na geração de Isaías, Isaías era a parte do problema. Deus tá dizendo: Isaías, eu não tenho que lidar só com todo mundo, eu vou ter que lidar com você. Você não é a solução do mundo, você é parte do problema.
Você acha que a igreja tem esse problema, tem aquele, ai daquele, ai do outro... mas está faltando um “ai” sobre você.
Você só compreendeu tudo quando você entende um profundo "ai” sobre você mesmo. Enquanto você acha que o problema são as pessoas e você aponta como tudo devia ser mas esquece que você é o problema sua casa, que você o problema na igreja, você não entendeu ainda.
Não era errado Isaías pronunciar o juízo de Deus. Ele era profeta, e, assim, o seu trabalho era dizer a verdade.
Mas a questão mais séria é o próprio pecado. E não havia uma única área da vida de Isaías que ele poderia dizer: perfeita! Não há pecado aqui.
E essa é a tentação. Nem na área onde ele foi mais usado por Deus ele podia dizer isso. Portanto antes dele poder fazer o que Deus o chamava para fazer ele devia confessar: “ai de mim. Eu pronunciei seis “ais” sobre Judá, mas ai de mim também, eu não estou fora disso.”
Qual o pecado eu tenho que confessar?
Qual o pecado eu tenho que confessar?
Talvez se alguém perguntasse o que você tem a dizer sobre a sociedade, sobre a igreja, você tivesse muita coisa para dizer, mas a pergunta certa é essa, e responder com verdade essa pergunta pode ser o primeiro passo para realmente compreendermos o que Deus está fazendo.
Talvez você precise hoje dizer: ai de mim, porque eu sou uma pessoa que gosta que as outras pessoas que coloquem no centro das coisas. Aí de mim porque eu desejo que as pessoas me estimem muito mais do que eu devia ser estimado. Ai de mim porque eu desejo ocupar lugares e isso não tem nada a ver com a glória de Deus. Ai de mim, pois eu sou tão pecador quanto foi Isaías, ou pior. Ai de mim porque eu sou tão pecador quanto todos os outros na igreja que eu estou criticando. Ai de mim porque o pecado faz parte da minha vida mas eu tendo a não vê-lo.
O que Isaías estava vendo?
O que Isaías estava vendo?
Para apreciar completamente o tamanho do problema que Isaías se achava, nós temos que entender o que ele estava vendo naquele momento.
A bíblia diz assim: Isaías 6.1 “1 No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono;”
Nós sabemos ele vai ver os serafins cantando: Santo! Santo! Santo! Toda a glória vai encher o templo. Tudo sobre essa cena é totalmente impressionante. E a coisa mais impressionante aqui é Deus. Deus é impressionante. Aqui a gente vai ver que a visão que Isaías teve de Deus todo-poderoso, ele está vendo na verdade o Deus Filho, ele está vendo Jesus no alto trono.
Nós sabemos disso porque quando João se referiu ao ministério de Isaías ele disse que o profeta viu a glória de Jesus e João menciona exatamente essa passagem em João 12.39–41 “Por isso, não podiam crer, pelo que Isaías disse outra vez: Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, a fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, e se convertam, e eu os cure. Isaías disse isso quando viu a sua glória e falou dele.” esse texto que João menciona dizendo que Isaías só falou isso porque viu a glória de Jesus é exatamente Isaías 6:10.
O que João está dizendo é que Isaías viu a impressionante grandiosidade de Deus na pessoa de seu Filho Amado. Deus sempre se revelou tão somente através do seu Filho. Jesus disse assim: João 1.18 “18 Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer.” João 6.46 “46 Não que alguém visse ao Pai, a não ser aquele que é de Deus; este tem visto ao Pai.” Não há nenhuma revelação de Deus na Bíblia que não seja Cristo.
Deus sempre está no trono
Deus sempre está no trono
Então essa visão que Isaías está tendo do Senhor ele está tendo uma visão de Cristo. E o profeta também viu o trono de Deus, onde lá estava a manifestação da glória do Pai em seu filho. E Deus nunca foi visto fazendo outra coisa. Você nunca vai ver uma visão bíblica sobre Deus reinando que ele esteja cortando um galho de árvore, ajeitando jardim, Ele está sempre no trono. Sempre governando. Sempre cercado de glória infinita. E sempre é Jesus, sempre é o filho. Por isso que é difícil alguém imaginar que ele era humilde, que ele era obediente, que era manso, porque ele está sempre essa glória incrível manifestando tudo que o Pai é. Então só se tornando cordeiro Ele pode mostrar isso. Apocalipse 5.6 “6 E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como havendo sido morto, e tinha sete pontas e sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados a toda a terra.”
Imagine o que Isaías sentiu na sala do trono do céu quando viu o trono de Deus no alto e sublime lugar, tendo uma visão de Cristo em glória. Aquela visão que quando João viu um pouco caiu como morto. Apocalipse 1.17 “17 E eu, quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; eu sou o Primeiro e o Último”
A bíblia diz que o manto era impressionante. Isaías viu a orla do manto de Jesus encher todo templo. A visão é totalmente impressionante.
Os serafins
Os serafins
Os anjos de Deus também são impressionantes, são os poderosos os serafins. É a única vez que eles são chamados assim. Esses majestosos seres de seis asas que nós seriamos tentados adorá-los se os vissem em sua glória, em sua grandiosidade, em sua perfeição. Nós vemos como João ao ver o anjo, não eram serafins, ele quis prostrar diante dele. Apocalipse 22.8–9 “8 E eu, João, sou aquele que vi e ouvi estas coisas. E, havendo-as ouvido e visto, prostrei-me aos pés do anjo que mas mostrava para o adorar. 9 E disse-me: Olha, não faças tal, porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus.”
Se você visse um serafim o seu primeiro impulso infelizmente seria de adorar, de tão grandioso aquele ser é perto do que nós somos. Duas asas sobre o rosto, duas asas sobre os pés, e com as duas outras asas voavam na santa presença de Deus na pessoa do seu Filho.
Louvando repetidamente
Louvando repetidamente
E o que esses anjos diziam? Eles diziam: Santo! Santo! Santo! É o Senhor dos exércitos. Toda a terra está cheia da sua glória. A repetição é o jeito bíblico de acrescentar pontos de exclamação.
Eu acho que hoje tem todo tipo de defeito nas músicas cantadas porque elas não expressam a bíblia. Mas é ridículo que uma das pessoas coisas que as pessoas mais apontam como defeito é a repetição. As pessoas dizem assim: ah esse hino é ruim porque repete uma frase 20 vezes e eles riem disso. Eu não consigo entender porque eles riem disso.
Na bíblia a repetição acrescenta pontos de exclamação. Essas pessoas iriam rir dos serafins. Elas iam dizer: “poxa esses serafins só ficam repetindo “Santo, santo, santo” depois eles cantam isso de novo e de novo e de novo, falta criatividade aos serafins, isso não é louvor.” eu não sei da onde as pessoas tiraram que a repetição é um problema.
Há um salmo maravilhoso que é feito de repetições, que nós lemos no começo o Salmo 136. Salmo 136.1–4 “Louvai ao Senhor, porque ele é bom; porque a sua benignidade é para sempre. Louvai ao Deus dos deuses; porque a sua benignidade é para sempre. Louvai ao Senhor dos senhores; porque a sua benignidade é para sempre. Àquele que só faz maravilhas; porque a sua benignidade é para sempre.” E repete isso ad infinitum e não há nenhum problema.
Então quando os anjos repetem a palavra “Santo, santo, santo” e falam aquela frase e repetem de novo e de novo, estão testemunhando absolutamente a perfeita e total intocada santidade de Deus, do Pai, do Filho e do Espírito Santo manifestada na presença do Deus Filho que está diante de Isaías e diante deles.
Ao som das vozes e ao cheiro de fumaça
Ao som das vozes e ao cheiro de fumaça
Isaías então no verso 4 ouviu um som impressionante vozes tão poderosas, que parecem com o rugido de grandes ondas ou com terremotos que abalaram os fundamentos do céu Is 6:4: "4 Ao som das suas vozes, os batentes das portas tremeram, e o templo ficou cheio de fumaça." E havia um cheiro porque o templo de Deus se encheu de fumaça. Então você vê? É uma experiência sensorial, completa, tremenda e grandiosa de Deus. Havia cheiro, som e visão, tudo para mostrar algo,
Agora e para sempre
Agora e para sempre
Eis aqui mais uma coisa profundamente impressionante.
Tudo que Isaías presenciou, está acontecendo nesse instante, enquanto nós estamos aqui no culto, está acontecendo que Isaías viu.
Nós sabemos disso porque quando se abriram as portas do céu para o apóstolo João conforme relatado em Apocalipse, ele viu criaturas viventes adorando a Deus e Apocalipse 4.8 “E os quatro animais tinham, cada um, respectivamente, seis asas e, ao redor e por dentro, estavam cheios de olhos; e não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, que era, e que é, e que há de vir.”
Parece com algo que você leu? É João vendo exatamente a mesma coisa que Isaías viu, essas criaturas com seis asas diante do trono cantando a santidade de Cristo.
João está dizendo: “isso nunca para, isso nunca parou. Desde que o tempo começou.” O que ele está dizendo é que existem anjos cujo trabalho eterno é adorar Deus na pessoa do seu Filho em sua santidade infinita. Eles têm feito isso desde o instante em que eles foram criados. Pense nisso, eles estão fazendo isso agora, e vão fazer isso para sempre. E assim eles oferecem a Deus uma infinidade de louvor santo.
Essa visão apavora
Essa visão apavora
Quando você pensa nisso, que sem cessar, esses serafins estão diante de Cristo, o louvando assim, você não fica meio envergonhado do seu louvor hoje? Você pode realmente achar que o nosso louvor foi uma coisa incrível? Você não admite que o nosso louvor de pobres pecadores só chegaram pela graça de Deus a ser algo que tem valor por causa do sangue de Cristo e que nós merecemos na verdade ser consumidos pelos nossos lábios impuros louvarem Ele.
Então da para imaginar como foi para Isaías experimentar isso, e o quanto ele se sentiu apavorado.
Isaías 6 é a justaposição de dois extremos absolutos:
A perfeita santidade de Deus, infinita, de tal maneira que seres perfeitos cantam ela sem parar. Aqui está Cristo Jesus, manifestando toda glória da divindade do Pai e do Espírito, cantado e adorado por esses serafins.
E do outro lado está Isaías. Que é exatamente o oposto do que é a santidade, do que é a pureza.
E essas duas coisas estavam se aproximando: a impressionante santidade de Deus e a terrível culpabilidade do homem chamado Isaías. Nada é mais santo do que Deus trino, Ele é a definição da santidade e nada é menos santo do que os lábios de um ser humano.
Por isso aquele homem que pronunciou aqueles seis “ais” sobre o povo, quando se viu diante dessa santidade infinita, não pode fazer outra coisa se não lamentar e pronunciar o último “ai” sobre si mesmo e clamar por misericórdia. Ele está como Paulo dizendo em Rm 7:24: "24 Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?"
Somente a graça
Somente a graça
Só a graça de Deus pode nos salvar. Não é verdade que você tirasse a parte ruim dos seres humanos o mundo ficaria melhor, porque não existe a parte ruim dos seres humanos. Só existe essa parte. Por isso Isaías diz que ele merece o ultimo “ai” de Deus, junto com todos os “ais” que ele pronunciou.
É sábio cada um de nós considerar, se chegamos ao lugar semelhante a isso na nossa própria vida, de assumir e enxergar a nossa desgraça, porque senão todos nossos cultos vão ser inúteis.
Enquanto nós achamos: “a igreja não é o que devia ser, aquele lá não é o que devia ser,” e enquanto nós não chegarmos à conclusão de que nós não somos quem deveríamos ser, é porque nós não estamos enxergando essa santidade infinita de Deus. Isso nos leva a um abismo de tal maneira que nós achamos, uma das coisas mais diabólicas que existem: achar que alguém precisa mais de Cristo do que você.
E às vezes a gente prega o evangelho assim. a gente acredita que há pessoas que precisa muito de Cristo. “Eu preciso de Cristo, mas aquele ali ele precisa muito de Cristo” não há nada mais diabólico do que achar que alguém precisa mais de Cristo do que nós, porque se nós nos vermos a luz da santidade de Deus, nós vamos dizer como Paulo disse em 1Timóteo 1.15 “Esta é uma palavra fiel e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.” “ninguém precisa de Cristo do que eu, ninguém precisa mais a justiça Dele, ninguém, eu sou o pior dos pecadores.”
Ser pecador
Ser pecador
É o que Isaías está dizendo. O problema de Isaías não era apenas este ou aquele pecado, o problema de Isaías é a própria identidade, ele é um pecador.
Aqueles serafins não eram pecadores, mas, no entanto, eles se cobriam, eles nunca seriam suficientemente santos para estar diante de Deus.
Agora imaginem se aqueles anjos ao invés de ficar louvando “Santo, santo, santo”, ficassem falando “caramba, perto desse Isaías nós somos simplesmente o máximo, a gente estava até meio humilde aqui, mas entrou esse tal de Isaías e sinceramente, vou até parar de cantar um pouco porque desgraçado esse Isaías.
Mas os anjos continuaram cantando “Santo, santo, santo” e eles sequer olharam para Isaías.
Você já esteve onde Isaías estava, quando se encontrou totalmente perdido em si mesmo?
Você já esteve nesse lugar onde você sentiu e continua sentindo que sem o evangelho você não pode apontar para nenhum ser humano sem dizer: não há diferença, ai de mim.
O problema não é a igreja, não é o irmão da igreja. Por que que tudo que os irmãos fazem incomoda? Porque será? “Porque eu não tenho problema” Ou será exatamente o meu problema que faz eu ser tão sensível com tudo. Você já viu o suficiente da santidade de Deus a ponto de saber que é um pecador culpado e que merece a punição final de Deus, sem que isso seja só um jargão?
Não falo só das coisas erradas que você fez ou faz, mas o problema maior é o fato de que nós somos pecadores.
O que nós podemos fazer então? Nós só podemos confessar, pronunciar um “ai” sobre nós. Não há nada a ser feito, nós não podemos fazer nada. Foi isso que Isaías fez, ele se enxergou de fato diante de Cristo em glória.
Ele não tentou se defender com desculpas: “ó Deus, eu tô me sentindo miserável, mas Israel é pior. Eu pronunciei aquele seis “ais” que Tu mandou, e realmente eles são terríveis, eu também sou pecador, mas eu em comparação a eles não sou tão mal assim.”
Não. Ele não podia olhar mais para ninguém, ele não tentou reivindicar nada, porque ele se viu diante da santidade de Cristo. Uma vez que ele enxergou o abismo que o separava da intocada santidade de Deus, ele viu que o que separava ele de outros seres humanos, não é nada.
Pecado na maior justiça
Pecado na maior justiça
Além disso, Isaías confessou seu pecado naquela área da sua vida em que ele sempre se orgulhou que glorificava mais a Deus: a sua boca. Ele era um profeta. Ou seja, é onde ele se saia melhor, era onde ele fazia algo que ele podia se orgulhar. “O melhor de mim que foi usado para Deus, não passa de algo que também é fonte do pecado.”
Então exemplo de Isaías deve nos estimular a identificar as áreas da nossa vida em que nós achamos que mais honramos Deus. Ali talvez esteja os pecados mais profundos na sua vida. Aquilo que Deus mais usou Isaías ainda era uma fonte de pecado, precisava de purificação.
Esse é um desafio cristão para nós. Tome uma área da sua vida que você tenha dedicado mais a Deus, que você tem orgulho e peça ao Espírito Santo para que te convença do pecado ali. E é ali que você vai encontrar os pecados mais profundos na sua vida. Foi o que Isaías fez, foi onde achou o pecado: em seus lábios. Ele era um profeta que pregava a verdade. E quando enxergarmos isso em nós, nós vamos dizer como ele em Isaías 33.2 “Senhor, tem misericórdia de nós! Por ti temos esperado; sê tu o nosso braço cada manhã, como também a nossa salvação em tempos de tribulação.” a única parte que contribuímos para nossa salvação é a mesma com que Lázaro contribuiu na sua ressurreição. Ele estava morto e fedendo.
A nossa única parte é ser levado pelo Espírito dizer “ai de mim”. É por isso que Isaías chamou seus atos de justiça de trapos imundos em Isaías 64:6. Isaías confessou: como meus lábios são impuros!”.
Deus não passa pano
Deus não passa pano
O que muitas pessoas esperariam Deus dizendo: “não, Isaías, o que é isso? Você é o que, eu uso tua boca, você está sendo muito pessimista Isaías.” Mas Deus disse: “há iniquidade na sua boca, Isaías, é verdade. Que bom que o meu Espírito te levou a ver isso. Então o que Deus faz?
Um dos serafins voou até Isaías trazendo uma brasa viva tirada do altar com uma tenaz. A bíblia diz assim em Isaías 6.6–7 “Mas um dos serafins voou para mim trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; e com ela tocou a minha boca e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniquidade foi tirada, e purificado o teu pecado.”
Deus não disse: “não tem iniquidade no teu lábio, você é meu profeta!” Deus disse: há iniquidade.
O perdão imediato
O perdão imediato
Estes versículos ensinam muitas coisas sobre o perdão de pecados. Eles ensinam que não precisamos esperar que Deus nos perdoe.
Uma das coisas incríveis de Deus, é que nunca quando há arrependimento verdadeiro em nós, que Ele mesmo produz, Ele diz assim: “Olha, você pediu perdão dessa iniquidade, mas vamos deixar o tempo passar, vamos deixar a poeira abaixar, as feridas cicatrizarem, vou ver daqui um mês, espera uma semana.
Quão rápido um serafim voa? Quando há arrependimento, tão rápido como as asas de um serafim é o perdão de Deus.
Deus nunca diz: “amanhã. Você se arrependeu, tudo bem, mas você está fazendo isso há muito tempo, Isaías. Há muito tempo que você deveria ter reconhecido isso. Agora espera um pouquinho aí, se afundando na sua culpa, porque não é tão fácil assim, Isaías.”
Imediatamente, quando somos levados a sentir a culpa a verdadeira pelos nossos pecados, Deus nunca demora. Devemos correr então diretamente para Deus fazendo plena confissão e Deus é gracioso em perdoar, tão rápido quanto as seis asas de um serafim.
Isso mostra como nós devemos olhar para nossas vidas, para as áreas específicas e pedir perdão a Deus. Não é aquela coisa genérica: “ah a minha multidão de pecados” isso é vago. Isaías disse: “o meu lábio é impuro”. E Deus tocou no lábio de Isaías. Você precisa dizer: é aqui, isso que você me deu como um dom tem sido uma fonte de pecado na minha vida.
A bíblia diz que o serafim pegou a brasa com uma tenaz ao invés de ser com a mão. Mas, no entanto, ele encostou na boca de Isaías. A sua plena confissão foi seguida de plena purificação e transformação.
A única base do perdão é Cristo
A única base do perdão é Cristo
Esse versículo nos fala também que o perdão é ofertado apenas com base naquele que está assentado no trono. O perdão não chega a nossa porque nós confessamos, porque nós oramos tanto, porque nossas lágrimas foram tão sinceras que Deus disse: “caramba, vou ter que perdoar esse cara.” não é por isso.
Apesar das lágrimas terem que ser sinceras, observe que a brasa ardente que o serafim queimou os lábios de Isaías, elas foram tiradas do altar, porque altar é o lugar onde é feito o sacrifício do pecado.
Por isso é um absurdo protestante chamar isso aqui onde eu estou de altar. Não acontece nenhum sacrifício aqui, só existe um altar e foi onde o sacrifício final foi oferecido, lá na cruz do calvário. Esse lugar aqui não é um altar nós não oferecemos, não matamos bichos aqui, nem Jesus morre de novo aqui a cada culto.
A igreja católica pode dizer isso, já que ela acredita na loucura da transubstanciação, mas nós somos protestantes e acreditamos na bíblia.
O sacrifício foi feito de uma vez por todas Hebreus 9.28 “assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para a salvação.”
Portanto num tempo cristão evangélico não existe altar. Onde o pastor está não é um altar. Onde o pagão mata uma galinha é um altar porque ele está fazendo um sacrifício. Nós não.
Você vê que aqui a brasa foi tirada do altar. Ou seja, um cordeiro foi morto, o sangue foi derramado, a propiciação foi feita no dia da expiação, esse é o altar de Deus. O espírito pega a propiciação feita por cada pecado e aplica a nós.
O fogo do altar é aceso pelo juízo de Deus, é por isso que animal era queimado, é por isso que a ira de Deus caiu sobre Cristo. O fogo que consumia o altar, caiu sobre Ele.
Graças a Deus, toda essa graça está disponível a nós em Cristo, e sempre é do altar, da cruz, que flui tudo aquilo que nos purifica e nos dá aceitação a Deus. É isso que Isaías experimentou.
Conclusão
Conclusão
O Espírito Santo toma a expiação feita por Jesus e aplica diretamente ao nosso pecado específico. É por isso que nós vamos sendo transformados. Não é simplesmente justificação, mas purificação, santificação, o nosso pecado específico.
Nós precisamos enxergar a realidade como Isaías enxergou.
Se nós enxergamos Cristo, nós somos específicos: orgulho, inveja, lascívia, ganância, furto, desonestidade, a ideia de estar no primeiro lugar, a ideia de estar no centro… Jesus tratou de todos os nossos perturbadores pecados na cruz.
É por causa da cruz que não precisamos mais viver sob o “ai”, porque caiu sobre ele isso.
Somente então estaremos prontos para dizer o que Isaías disse: “eis-me aqui”.
Então Isaías pôde ouvir de Deus: “você vai pegar a um povo que nunca vai te ouvir. Você vai pegar a um povo que nunca vai se converter. Mas você vai fazer isso.” E ele ficou feliz porque a vida dele é glorificar Deus. Não é uma questão de sucesso é uma questão de viver para a glória de Deus.
Is 6:9-10: "9 Ele disse: “Vá e diga a este povo: ‘Ouçam com atenção, mas não entendam; observem bem, mas não aprendam’. 10 Endureça o coração deste povo; tape os ouvidos e feche os olhos deles. Assim, não verão com os olhos, nem ouvirão com os ouvidos, não entenderão com o coração, nem se voltarão para mim a fim de serem curados”.
Esse é um grande capítulo e isso é desnuda a vida de todos nós.
